UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
Captação de Recursos
com Terceiros
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Luiz Felipe de Araújo Pontes Girão
Disciplina: Finanças Aplicadas III
Objetivo da aula: conhecer as formas de financiamento com capital de
terceiros.
Conteúdo: os diferentes tipos de financiamento; covenants e seus custos e
benefícios; LBO; os C’s do crédito;
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INTRODUÇÃO
• Nas aulas passadas vimos o financiamento com capital próprio: do
“anjo” até a oferta “secundária” de ações e que cada nova “rodada” de
emissão de ações dilui a participação do “dono” da empresa.
• A solução para isso: captação por meio de dívida!
• P.s.: essa é uma aula um pouco mais burocrática. Os detalhes serão
discutidos nos estudos de caso. Para relembrar o efeito da dívida sobre
o valor da empresa, reveja os materiais das aulas de estrutura de
capital, em Finanças II.
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Algumas vantagens...
1. Reduz alguns problemas de agência (a gestão terá que melhorar o
desempenho, reduzir custos etc.);
2. Não é necessário diluir a participação do “criador” da empresa; e
3. Existem alguns benefícios tributários da dívida que nos fazem pagar
menos tributos.
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Algumas desvantagens...
1. Os empréstimos precisam ser pagos (“angústia financeira”, pois não se
sabe o que está por vir)
2. Aumentam a probabilidade de falência.
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Esses pontos foram vistos nas aulas
sobre estrutura de capital em Finanças II
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A venda da Hertz Corp.
• Em 2005 a Ford decidiu vender a sua subsidiária (Hertz). Uma empresa
de private equity (CDR) chegou a um acordo com a Ford para comprar as
ações em circulação por $ 5,6 bilhões. Além disso, a Hertz tinha $ 9,1
bilhões em dívidas que deveriam ser refinanciadas como parte do
acordo.
• A CDR planejou financiar a transação em parte, levantando $ 11 bilhões
em novas dívidas.
• Como maior parte da transação foi financiada com dívida
(alavancagem), ela é chamada de aquisição alavancada – ou leveraged
buyout (LBO).
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A venda da Hertz Corp.
• Para completar a compra, o grupo CDR contou com pelo menos 4
formas de dívida (vocês conhecem todas essas?):
1. High-yeld bonds (devido ao risco eles pagam juros muito mais altos que os
títulos mais comuns – são espécies de “junk” bonds), domésticos e
estrangeiros;
2. Empréstimos bancários; e
3. Asset-backed securities (baseados, por exemplo em recebíveis da empresa,
como se fosse uma hipoteca).
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Discutiremos sobre esses tipos de dívida e os
seus “problemas” e benefícios
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O que é um LBO
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http://www.investopedia.com/video/play/leveraged-buyouts/
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O que você acha que faz uma empresa ser algo de LBO?
1. Fluxo de caixa estável e previsível;
2. Endividamento baixo da empresa-alvo;
3. Forte posicionamento no mercado atuante;
4. Pouca necessidade de capital de giro;
5. Pouca necessidade de investimentos futuros;
6. Boa base de ativos para serem usados como colaterais;
7. Alta liquidez nos ativos;
8. Gestores bem capacitados;
9. Alto potencial para redução de custos (LUZ, 2009).
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O LBO faz sentido?
• Cite uma situação em que um LBO faria sentido para a empresa
compradora.
• 1 minuto para pensar e começarmos a discussão.
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Os C’s do crédito
1. Caráter: subjetivo em geral. Envolve a análise do histórico de pagamentos do tomador (objetivo),
educação, experiência profissional, honestidade, ética etc.
2. Capacidade: objetivo. São analisadas as demonstrações financeiras com o objetivo de verificar se a
empresa será capaz de pagar a dívida (e.g. liquidez e projeção de caixa).
3. Colateral: objetivo em geral. Caso a empresa não seja capaz de honrar com os pagamentos dos
juros e do principal, os ativos dados em garantia deverão ser. Por isso é importante que o banco
analise a qualidade, valor e liquidez dos ativos dados em garantia.
4. Condições: subjetivo. O mercado no qual a empresa está inserido dá condições de manutenção da
empresa? Exemplos de condições analisadas: competidores, inovação do negócio, ciclo de vida,
dependência de mudanças no gosto dos consumidores, forças políticas etc.
5. Curso de ação: subjetivo. A empresa está seguindo uma boa estratégia para alcançar o sucesso do
negócio?
• Veja mais sobre isso: SEBRAE, Score.org e Credit.com
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Os C’s do crédito http://www.investopedia.com/terms/f/five-c-credit.asp
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CSN x Tata (alvo: Corus)
• Corus: possuía fluxos de caixa previsíveis e recorrentes, bem como baixo
endividamento.
• A CSN levantou financiamentos com o Goldman Sachs, BNP e Barclays.
A garantia seriam os fluxos de caixa e ativos da empresa-alvo.
• A Tata pagou 608 pence por ação, enquanto que a CSN ofereceu 603.
• A Tata venceu!
• Efeito no preço das ações da CSN:
• Efeito no preço das ações da Tata:
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Por quê?
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Sadia e Perdigão
• Houve inicialmente uma tentativa de LBO hostil (a Sadia não esperava a
“oferta”).
• O objetivo da sadia era pagar R$ 27,88 por ação (prêmio de 35% em relação
aos 30 pregões anteriores).
• A Sadia conseguiu um empréstimo de R$ 2,7 bi no ABN Amro (o valor da
transação seria de R$ 3,7 bi).
• Sadia: buscava obter ganhos de sinergia (que na visão dos analistas da época
compensariam o risco da alavancagem).
• Impacto no preço das ações: +9,4% na Sadia e 16,75% na Perdigão (por causa
do prêmio).
• Resultado: a aquisição não deu certo, mas depois as empresas se fundiram e
criaram a BRFoods.
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Mais exemplos
• Magnesita e San Antonio.
• Retirados de Darahem (2010).
• Outro exemplo: Qualicorp comprada pelo fundo Carlyle.
• Trabalho: procurar mais dois casos de LBO. Pelo menos um tem que ser
brasileiro. Entregar sexta-feira por email.
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Dívida corporativa
• Dívida privada:
– Negociada com um banco; ou
– Negociada com um grupo de investidores.
• Dívida pública:
– Negociada no mercado de capitais.
• BM&FBovespa terá home broker para dívida corporativa:
http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/bm-fbovespa-tera-home-
broker-para-divida-corporativa-2
• Implicações de um HB de renda fixa: http://www.infomoney.com.br/onde-
investir/renda-fixa/noticia/2787520/home-broker-renda-fixa-estara-ativo-
ate-quatro-meses-diz
• Conheça o PUMA:
http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/negociacao/puma-trading-
system-bm-fbovespa/
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Dívida privada
• Parece ser a opção número 1 dos brasileiros.
• Evita o custo de abrir o capital, registrar na bolsa etc etc.
• A desvantagem é que não tem liquidez – é difícil vender a dívida, o que
pode aumentar o custo.
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Dívida privada
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Dívida pública (aberta)
Vantagens na emissão das debêntures:
1. Captação de recursos (alternativa aos bancos, podendo atrair
investidores e gerar confiança);
2. Reestruturação de passivos (pode-se consolidar diversas dívidas
anteriores com a emissão das debêntures, possibilitando melhor
gerenciamento e menor custo médio);
3. Securitização de recebíveis (pesquisem para me entregar na próxima
aula);
4. Flexibilidade (prazos, conversibilidade, remuneração etc);
5. Agilidade na captação;
6. Entrada no mercado acionário.
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Dívida pública
Emissão no Brasil
• Legislações: Lei 6.404/1976 (LSA’s), Lei 6.385/1976 (Lei do Mercado de
Capitais, e suas alterações – Lei 10.303/2001 e ICVM 202/1993) e as
ICVMs 400/2003 e 404/2004.
• Trabalho: do que trata a ICVM 400 e 404?
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Faz os relatórios de acompanhamento e
representa os interesses dos debenturistas
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Dívida pública
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Dívida pública
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Verificação dos fatos em um potencial
investimento.
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
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Dívida pública
• Tipos de dívida corporativa:
• Em caso de falência:
– Unsecured (“sem” garantia): dá direito aos credores (donos das obrigações) de
reivindicarem apenas os ativos que não foram dados em garantia para outra
dívida; e
– Secured (com garantia específica): tem ativos como colaterais, então eles são
garantidos por ativos específicos.
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Dívida pública
Prioridade (seniority):
• Importância:
1. As debêntures não têm garantias específicas;
2. As empresas podem emitir debêntures mais de uma vez.
• Baseado nisso: muitas emissões contêm cláusulas impedindo a
emissão de novas debêntures com prioridade igual ou superior às
anteriores (debênture subordinada).
• Em caso de falência como fica o pagamento da dívida “senior” e da
debênture subordinada?
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Dívida pública
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O que justifica o rendimento do lote (tranche) 3 ser maior que os demais?
Par value: valor de face. Nos “bonds”
geralmente é $ 1.000,00
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Dívida pública
• Na tabela anterior, o segundo lote de dívidas estava cotado em Euro.
São os international bonds:
1. Captações domésticas: são títulos emitidos por empresas locais no mercado
local, porém comprados por estrangeiros (em moeda local). (Notícia)
2. Captações estrangeiras: títulos emitidos por uma estrangeira em um mercado
local, para investidores locais, em moeda local (ex. Samurai Bonds) (Notícia);
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Dívida pública
• Eurobond (ou external bond): título emitido em uma moeda diferente da moeda
local do país da empresa que emitiu, em um país também diferente.
• É importante para gerenciar algumas restrições na emissão (pois deveremos
analisar as regras de cada país);
• Exemplo: posso emitir um EuroDollar bond com a minha empresa brasileira lá na
África do Sul.
• Global bonds: combina as três situações anteriores, negociando em diversos
mercados simultaneamente.
• Diferente dos Eurobonds, esses podem ser vendidos na mesma moeda do país
da empresa emissora.
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Dívida pública
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Já que os dois primeiros lotes têm o mesmo prazo (maturity)
e prioridade (senior), porque o yield de uma é maior que a
outra?
O risco da taxa de câmbio
(veremos um pouco disso em finanças internacionais)
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Questões conceituais
1. Quais são os 4 tipos de dívida pública geralmente emitidos (2 secured e
2 unsecured)?
2. Explique, brevemente, o que são títulos secureds e unsecureds.
3. Quais são as 4 categorias de títulos de dívida internacionais
(international bonds)?
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Covenants
• Cláusulas restritivas visando proteger o credor de ações que levem ao
não pagamento.
• Por que as covenants são necessárias?
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Lembram da teoria da agência?!
Lembram dos títulos condicionados?!
Para quem os gestores da empresa trabalham?
A assunção de mais risco beneficia os acionistas
(equity holders) e os credores (bond holders)
igualmente?
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Tipos de covenants
• Restrição de pagamento de dividendos:
– Imaginemos (caso extremo) uma empresa que emite títulos de dívida, liquida
seus ativos e, em seguida, paga tudo de dividendos. Como ficariam os bond
holders?
• Se a empresa “quebrar” essas covenants:
– A empresa entra em default técnico;
– Poderá ter que pagar imediatamente ou renegociar os prazos, por exemplo.
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Ver covenants no prospecto
da Raízen.
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Tipos de covenants
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Vantagens das covenants
• “Os acionistas buscarão sempre ter a menor quantidade de covenants
possíveis” (BDH,2012). Isso não é uma verdade completa:
1. As covenants reduzem a probabilidade de calote sobre essa dívida;
2. Reduzindo a probabilidade de calote, reduz-se o risco do credor  menor custo
de captação do capital.
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A redução do custo de captação do capital de
terceiros pode compensar o custo da redução
de flexibilidade na gestão da empresa, pela
utilização de covenants.
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Questões conceituais - covenants
1. O que acontece se uma empresa não honrar com suas convenants?
2. Qual é a relação entre a teoria da agência (problemas de agência,
custos de monitoramento e mecanismos de controle) e as covenants?
3. Por que as covenants podem reduzir o custo de captação de recursos
por meio de dívida?
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Caso: Microsfot adquire LinkedIn
• Com USD 100 bilhões em caixa e equivalentes, a Microsoft optou por captar recursos com
terceiros para financiar a compra do Linkedin. Pode parecer estranho para alguns, mas nós
sabemos que existem diversas vantagens em se ter dívida (redução do pagamento de
tributos e redução de problemas de agência, pelas covenants são alguns exemplos).
• No caso da Microsoft, a Bloomberg listou duas vantagens específicas (imaginam quais
sejam?):
1. A maior parte do caixa e equivalentes da Microsoft está no exterior (97%) e, para repatriar, a
Microsoft teria que pagar 35% em tributos; e
2. Com o benefício tributário da dívida (redução da base de cálculo do imposto de renda), estima-se
que a Microsoft possa economizar aproximadamente USD 9 bilhões em tributos só em 2016 e mais
alguns milhões nos próximos anos.
• O problema dessa estratégia é que a inclusão de mais dívida na estrutura de capital
aumenta o risco de falência implicando aumento da pressão por um downgrade no credit
rating da empresa - como já vem acontecendo, uma vez que a Microsoft tem muito dinheiro
fora dos EUA, mas pouco dentro (3% do caixa e equivalentes).
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http://financasaplicadasbrasil.blogspot.com.br/2016/06/microsoft-tem-caixa-mas-capta-recursos.html
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Referências
• BERK, Jonathan; DEMARZO, Peter; HARFORD, Jarrad. Fundamentals of
corporate finance. 2nd ed. Pearson Education, 2012.
• Bovespa: http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/renda-fixa/o-que-sao-
debentures.aspx?idioma=pt-br
• Debêntures:
http://www.debentures.com.br/processodeemissao/fluxodeemissao.as
p
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Captação de recursos com terceiros

  • 1.
    UNIVERSIDADE FEDERAL DAPARAÍBA Captação de Recursos com Terceiros grggggggggggggggggggg ggggggggg Luiz Felipe de Araújo Pontes Girão Disciplina: Finanças Aplicadas III Objetivo da aula: conhecer as formas de financiamento com capital de terceiros. Conteúdo: os diferentes tipos de financiamento; covenants e seus custos e benefícios; LBO; os C’s do crédito;
  • 2.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com INTRODUÇÃO • Nasaulas passadas vimos o financiamento com capital próprio: do “anjo” até a oferta “secundária” de ações e que cada nova “rodada” de emissão de ações dilui a participação do “dono” da empresa. • A solução para isso: captação por meio de dívida! • P.s.: essa é uma aula um pouco mais burocrática. Os detalhes serão discutidos nos estudos de caso. Para relembrar o efeito da dívida sobre o valor da empresa, reveja os materiais das aulas de estrutura de capital, em Finanças II. 2
  • 3.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Algumas vantagens... 1.Reduz alguns problemas de agência (a gestão terá que melhorar o desempenho, reduzir custos etc.); 2. Não é necessário diluir a participação do “criador” da empresa; e 3. Existem alguns benefícios tributários da dívida que nos fazem pagar menos tributos. 3
  • 4.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Algumas desvantagens... 1.Os empréstimos precisam ser pagos (“angústia financeira”, pois não se sabe o que está por vir) 2. Aumentam a probabilidade de falência. 4 Esses pontos foram vistos nas aulas sobre estrutura de capital em Finanças II
  • 5.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com A vendada Hertz Corp. • Em 2005 a Ford decidiu vender a sua subsidiária (Hertz). Uma empresa de private equity (CDR) chegou a um acordo com a Ford para comprar as ações em circulação por $ 5,6 bilhões. Além disso, a Hertz tinha $ 9,1 bilhões em dívidas que deveriam ser refinanciadas como parte do acordo. • A CDR planejou financiar a transação em parte, levantando $ 11 bilhões em novas dívidas. • Como maior parte da transação foi financiada com dívida (alavancagem), ela é chamada de aquisição alavancada – ou leveraged buyout (LBO). 5
  • 6.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com A vendada Hertz Corp. • Para completar a compra, o grupo CDR contou com pelo menos 4 formas de dívida (vocês conhecem todas essas?): 1. High-yeld bonds (devido ao risco eles pagam juros muito mais altos que os títulos mais comuns – são espécies de “junk” bonds), domésticos e estrangeiros; 2. Empréstimos bancários; e 3. Asset-backed securities (baseados, por exemplo em recebíveis da empresa, como se fosse uma hipoteca). 6 Discutiremos sobre esses tipos de dívida e os seus “problemas” e benefícios
  • 7.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com O queé um LBO 7 http://www.investopedia.com/video/play/leveraged-buyouts/
  • 8.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com O quevocê acha que faz uma empresa ser algo de LBO? 1. Fluxo de caixa estável e previsível; 2. Endividamento baixo da empresa-alvo; 3. Forte posicionamento no mercado atuante; 4. Pouca necessidade de capital de giro; 5. Pouca necessidade de investimentos futuros; 6. Boa base de ativos para serem usados como colaterais; 7. Alta liquidez nos ativos; 8. Gestores bem capacitados; 9. Alto potencial para redução de custos (LUZ, 2009). 8
  • 9.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com O LBOfaz sentido? • Cite uma situação em que um LBO faria sentido para a empresa compradora. • 1 minuto para pensar e começarmos a discussão. 9
  • 10.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Os C’sdo crédito 1. Caráter: subjetivo em geral. Envolve a análise do histórico de pagamentos do tomador (objetivo), educação, experiência profissional, honestidade, ética etc. 2. Capacidade: objetivo. São analisadas as demonstrações financeiras com o objetivo de verificar se a empresa será capaz de pagar a dívida (e.g. liquidez e projeção de caixa). 3. Colateral: objetivo em geral. Caso a empresa não seja capaz de honrar com os pagamentos dos juros e do principal, os ativos dados em garantia deverão ser. Por isso é importante que o banco analise a qualidade, valor e liquidez dos ativos dados em garantia. 4. Condições: subjetivo. O mercado no qual a empresa está inserido dá condições de manutenção da empresa? Exemplos de condições analisadas: competidores, inovação do negócio, ciclo de vida, dependência de mudanças no gosto dos consumidores, forças políticas etc. 5. Curso de ação: subjetivo. A empresa está seguindo uma boa estratégia para alcançar o sucesso do negócio? • Veja mais sobre isso: SEBRAE, Score.org e Credit.com 10
  • 11.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Os C’sdo crédito http://www.investopedia.com/terms/f/five-c-credit.asp 11
  • 12.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com CSN xTata (alvo: Corus) • Corus: possuía fluxos de caixa previsíveis e recorrentes, bem como baixo endividamento. • A CSN levantou financiamentos com o Goldman Sachs, BNP e Barclays. A garantia seriam os fluxos de caixa e ativos da empresa-alvo. • A Tata pagou 608 pence por ação, enquanto que a CSN ofereceu 603. • A Tata venceu! • Efeito no preço das ações da CSN: • Efeito no preço das ações da Tata: 12 Por quê?
  • 13.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Sadia ePerdigão • Houve inicialmente uma tentativa de LBO hostil (a Sadia não esperava a “oferta”). • O objetivo da sadia era pagar R$ 27,88 por ação (prêmio de 35% em relação aos 30 pregões anteriores). • A Sadia conseguiu um empréstimo de R$ 2,7 bi no ABN Amro (o valor da transação seria de R$ 3,7 bi). • Sadia: buscava obter ganhos de sinergia (que na visão dos analistas da época compensariam o risco da alavancagem). • Impacto no preço das ações: +9,4% na Sadia e 16,75% na Perdigão (por causa do prêmio). • Resultado: a aquisição não deu certo, mas depois as empresas se fundiram e criaram a BRFoods. 13
  • 14.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Mais exemplos •Magnesita e San Antonio. • Retirados de Darahem (2010). • Outro exemplo: Qualicorp comprada pelo fundo Carlyle. • Trabalho: procurar mais dois casos de LBO. Pelo menos um tem que ser brasileiro. Entregar sexta-feira por email. 14
  • 15.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida corporativa •Dívida privada: – Negociada com um banco; ou – Negociada com um grupo de investidores. • Dívida pública: – Negociada no mercado de capitais. • BM&FBovespa terá home broker para dívida corporativa: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/bm-fbovespa-tera-home- broker-para-divida-corporativa-2 • Implicações de um HB de renda fixa: http://www.infomoney.com.br/onde- investir/renda-fixa/noticia/2787520/home-broker-renda-fixa-estara-ativo- ate-quatro-meses-diz • Conheça o PUMA: http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/negociacao/puma-trading- system-bm-fbovespa/ 15
  • 16.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida privada •Parece ser a opção número 1 dos brasileiros. • Evita o custo de abrir o capital, registrar na bolsa etc etc. • A desvantagem é que não tem liquidez – é difícil vender a dívida, o que pode aumentar o custo. 16
  • 17.
  • 18.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública(aberta) Vantagens na emissão das debêntures: 1. Captação de recursos (alternativa aos bancos, podendo atrair investidores e gerar confiança); 2. Reestruturação de passivos (pode-se consolidar diversas dívidas anteriores com a emissão das debêntures, possibilitando melhor gerenciamento e menor custo médio); 3. Securitização de recebíveis (pesquisem para me entregar na próxima aula); 4. Flexibilidade (prazos, conversibilidade, remuneração etc); 5. Agilidade na captação; 6. Entrada no mercado acionário. 18
  • 19.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública Emissãono Brasil • Legislações: Lei 6.404/1976 (LSA’s), Lei 6.385/1976 (Lei do Mercado de Capitais, e suas alterações – Lei 10.303/2001 e ICVM 202/1993) e as ICVMs 400/2003 e 404/2004. • Trabalho: do que trata a ICVM 400 e 404? 19
  • 20.
  • 21.
  • 22.
  • 23.
  • 24.
  • 25.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 25 Fazos relatórios de acompanhamento e representa os interesses dos debenturistas
  • 26.
  • 27.
  • 28.
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  • 37.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública •Tipos de dívida corporativa: • Em caso de falência: – Unsecured (“sem” garantia): dá direito aos credores (donos das obrigações) de reivindicarem apenas os ativos que não foram dados em garantia para outra dívida; e – Secured (com garantia específica): tem ativos como colaterais, então eles são garantidos por ativos específicos. 37
  • 38.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública Prioridade(seniority): • Importância: 1. As debêntures não têm garantias específicas; 2. As empresas podem emitir debêntures mais de uma vez. • Baseado nisso: muitas emissões contêm cláusulas impedindo a emissão de novas debêntures com prioridade igual ou superior às anteriores (debênture subordinada). • Em caso de falência como fica o pagamento da dívida “senior” e da debênture subordinada? 38
  • 39.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 39 Oque justifica o rendimento do lote (tranche) 3 ser maior que os demais? Par value: valor de face. Nos “bonds” geralmente é $ 1.000,00
  • 40.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública •Na tabela anterior, o segundo lote de dívidas estava cotado em Euro. São os international bonds: 1. Captações domésticas: são títulos emitidos por empresas locais no mercado local, porém comprados por estrangeiros (em moeda local). (Notícia) 2. Captações estrangeiras: títulos emitidos por uma estrangeira em um mercado local, para investidores locais, em moeda local (ex. Samurai Bonds) (Notícia); 40
  • 41.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública •Eurobond (ou external bond): título emitido em uma moeda diferente da moeda local do país da empresa que emitiu, em um país também diferente. • É importante para gerenciar algumas restrições na emissão (pois deveremos analisar as regras de cada país); • Exemplo: posso emitir um EuroDollar bond com a minha empresa brasileira lá na África do Sul. • Global bonds: combina as três situações anteriores, negociando em diversos mercados simultaneamente. • Diferente dos Eurobonds, esses podem ser vendidos na mesma moeda do país da empresa emissora. 41
  • 42.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 42 Jáque os dois primeiros lotes têm o mesmo prazo (maturity) e prioridade (senior), porque o yield de uma é maior que a outra? O risco da taxa de câmbio (veremos um pouco disso em finanças internacionais)
  • 43.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Questões conceituais 1.Quais são os 4 tipos de dívida pública geralmente emitidos (2 secured e 2 unsecured)? 2. Explique, brevemente, o que são títulos secureds e unsecureds. 3. Quais são as 4 categorias de títulos de dívida internacionais (international bonds)? 43
  • 44.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Covenants • Cláusulasrestritivas visando proteger o credor de ações que levem ao não pagamento. • Por que as covenants são necessárias? 44 Lembram da teoria da agência?! Lembram dos títulos condicionados?! Para quem os gestores da empresa trabalham? A assunção de mais risco beneficia os acionistas (equity holders) e os credores (bond holders) igualmente?
  • 45.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Tipos decovenants • Restrição de pagamento de dividendos: – Imaginemos (caso extremo) uma empresa que emite títulos de dívida, liquida seus ativos e, em seguida, paga tudo de dividendos. Como ficariam os bond holders? • Se a empresa “quebrar” essas covenants: – A empresa entra em default técnico; – Poderá ter que pagar imediatamente ou renegociar os prazos, por exemplo. 45 Ver covenants no prospecto da Raízen.
  • 46.
  • 47.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Vantagens dascovenants • “Os acionistas buscarão sempre ter a menor quantidade de covenants possíveis” (BDH,2012). Isso não é uma verdade completa: 1. As covenants reduzem a probabilidade de calote sobre essa dívida; 2. Reduzindo a probabilidade de calote, reduz-se o risco do credor  menor custo de captação do capital. 47 A redução do custo de captação do capital de terceiros pode compensar o custo da redução de flexibilidade na gestão da empresa, pela utilização de covenants.
  • 48.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Questões conceituais- covenants 1. O que acontece se uma empresa não honrar com suas convenants? 2. Qual é a relação entre a teoria da agência (problemas de agência, custos de monitoramento e mecanismos de controle) e as covenants? 3. Por que as covenants podem reduzir o custo de captação de recursos por meio de dívida? 48
  • 49.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Caso: Microsfotadquire LinkedIn • Com USD 100 bilhões em caixa e equivalentes, a Microsoft optou por captar recursos com terceiros para financiar a compra do Linkedin. Pode parecer estranho para alguns, mas nós sabemos que existem diversas vantagens em se ter dívida (redução do pagamento de tributos e redução de problemas de agência, pelas covenants são alguns exemplos). • No caso da Microsoft, a Bloomberg listou duas vantagens específicas (imaginam quais sejam?): 1. A maior parte do caixa e equivalentes da Microsoft está no exterior (97%) e, para repatriar, a Microsoft teria que pagar 35% em tributos; e 2. Com o benefício tributário da dívida (redução da base de cálculo do imposto de renda), estima-se que a Microsoft possa economizar aproximadamente USD 9 bilhões em tributos só em 2016 e mais alguns milhões nos próximos anos. • O problema dessa estratégia é que a inclusão de mais dívida na estrutura de capital aumenta o risco de falência implicando aumento da pressão por um downgrade no credit rating da empresa - como já vem acontecendo, uma vez que a Microsoft tem muito dinheiro fora dos EUA, mas pouco dentro (3% do caixa e equivalentes). 49 http://financasaplicadasbrasil.blogspot.com.br/2016/06/microsoft-tem-caixa-mas-capta-recursos.html
  • 50.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Referências • BERK,Jonathan; DEMARZO, Peter; HARFORD, Jarrad. Fundamentals of corporate finance. 2nd ed. Pearson Education, 2012. • Bovespa: http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/renda-fixa/o-que-sao- debentures.aspx?idioma=pt-br • Debêntures: http://www.debentures.com.br/processodeemissao/fluxodeemissao.as p 50
  • 51.
    Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Para teracesso a mais conteúdos, acesse: – Blogs www.contabilidademq.blogspot.com www.financasaplicadasbrasil.blogspot.com – Facebook: www.facebook.com/contabilidademq – Twitter: www.twitter.com/contabilidademq – YouTube: www.youtube.com/felipepontes16 51