SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 60
Valores, vivências e quotidiano

http://divulgacaohistoria.wordpress.com/
A partir do século XI, a cidade da Idade Média, ao contrário do
campo, torna-se um local de inovações.
É um mundo fervilhante de negócios e outras atividades
económicas.
Na cidade desencadeiam-se profundas mudanças económicas,
sociais, culturais, religiosas e artísticas.
Alteram-se valores e vivências do quotidiano medieval que irá levar
à transformação desse mundo.

História A, 10º ano, Módulo 2

2
Uma nova sensibilidade artística: o Gótico

“A arte das Catedrais significou em primeiro lugar o renascimento
das cidades. Estas ao longo dos séculos XII e XIII não pararam de
crescer. A catedral (gótica) é a igreja do bispo, portanto a igreja da
cidade.”
George Duby, O tempo das catedrais

História A, 10º ano, Módulo 2

3
Catedral de Colónia

História A, 10º ano, Módulo 2

4
O burguês torna-se orgulhoso de si e da sua cidade. Cada cidade
pretende ser melhor que as cidades vizinhas.
Os habitantes da cidade contribuem generosamente para as
grandes construções urbanas (muralhas, praças, palácios, igrejas).
Surge um novo estilo artístico, o Gótico que fruto de novos
elementos arquitetónicos e construtivos vai elevar as torres dos
palácios e das igrejas que podem ser vistas de muito longe.
O Gótico abrange todas as vertentes artísticas mas é na Igreja
(catedral) que teve a sua maior expressão, é o seu expoente
máximo.

História A, 10º ano, Módulo 2

5
A construção da catedral gótica corresponde a uma nova
conceção do cristianismo.
“Deus é luz. (…) Luz absoluta, deus está mais ou menos velado
em cada criatura, consoante ela é menos ou mais refratária à sua
iluminação. Esta conceção contém a chave da nova arte, da arte
de França. Arte de claridade e de irradiação (…).”
G. Duby, O tempo das catedrais

História A, 10º ano, Módulo 2

6
Catedral de Amiens

História A, 10º ano, Módulo 2

7
O Abade Suger, da Abadia de S. Dinis (arredores de Paris) foi o
grande ideólogo (teólogo), criador do estilo gótico.

História A, 10º ano, Módulo 2

8
Na reconstrução da cabeceira da Igreja de S. Dinis (1137), Paris,
incentivou os mestres de obras a deixarem entrar a luz.
Fez da catedral o reino de Deus na Terra.
Surge uma nova teologia: “Deus é luz”.
“Esta conceção contém a chave da nova arte, Arte de França, de
que a Igreja de S. Dinis, de Suger, foi o modelo.”
George Duby, O tempo das catedrais

História A, 10º ano, Módulo 2

9
As catedrais góticas distinguem-se pela sua elevação e verticalidade;
Exterior profusamente decorado;
Interior amplo e luminoso, devido às aberturas adornadas com vitrais.

Catedral de Amiens

História A, 10º ano, Módulo 2

10
A luz, filtrada pelos vitrais, ajuda a criar uma atmosfera propícia à
meditação, é uma luz divina, uma revelação de Deus, deslumbra.

História A, 10º ano, Módulo 2

11
A catedral (A casa de Deus) pelas suas dimensões evidenciava-se
na paisagem urbana. Era o centro religioso, cultural, social e por
vezes económico da cidade.

História A, 10º ano, Módulo 2

12
As catedrais góticas, comparadas com as igrejas românicas, são
estruturas leves e graciosas.
A catedral, é também o orgulho da cidades, e todos os seus
habitantes contribuíram para a sua construção.
Catedral gótica e românica

História A, 10º ano, Módulo 2

13
O estilo Gótico veio substituir o estilo Românico.
As igrejas românicas tinham um aspeto maciço, pesado e um
interior escuro.
Igrejas românicas

História A, 10º ano, Módulo 2

14
São novos elementos construtivos que tornam possíveis estas
construções:
Arco quebrado;
Abóbada de cruzamento de ogivas;
Arcobotante.

História A, 10º ano, Módulo 2

15
Arco de volta perfeita (românico)

Arco quebrado ou ogival (gótico)

A maior parte do peso é descarregado nas colunas
História A, 10º ano, Módulo 2

16
O arco ogival é mais dinâmico, forma as abóbadas de cruzamento
de ogivas;
O peso é distribuído através das nervuras do arco e é
descarregado nas colunas e nos contrafortes exteriores;
O peso é melhor distribuído, mais fácil de sustentar.

História A, 10º ano, Módulo 2

17
As abóbadas tornam-se mais leves, elásticas e dinâmicas
adaptando-se às formas e dimensões dos espaços a cobrir;
Uma catedral gótica é constituída por uma sucessão de tramos

Tramo é o espaço definido por
4 colunas.

tramo

História A, 10º ano, Módulo 2

18
A catedral gótica é tripartida - planta

Cabeceira (abside)
Transepto

3 Naves (mas pode ter 5
ou 7). A nave central é
mais alta e mais larga.

História A, 10º ano, Módulo 2

19
Contraforte gótico é constituído por:
Botaréu (estribo, contraforte): elemento maciço e vertical,
adossado (encostado) às paredes das naves laterais;
Arcobotantes: meios arcos que ajudam a descarregar o peso da
nave central nos botaréus estribos.

Botaréu

Arcobotantes

História A, 10º ano, Módulo 2

20
Estas inovações técnicas permitem que o peso das abóbadas seja
descarregado nas colunas o que vai permitir abrir grandes aberturas
nas paredes e aumentar a altura das abóbadas.

História A, 10º ano, Módulo 2

21
Pináculos são elementos decorativos servem para aumentar a
sensação de altura das catedrais.

Pináculos

História A, 10º ano, Módulo 2

22
As catedrais góticas estão repletas de
esculturas.
Existe uma intensa relação entre a
arquitetura e a escultura.

História A, 10º ano, Módulo 2

23
As esculturas invadem todos os elementos estruturais da catedral
sobretudo a fachada e os portais.
Estas esculturas demonstram uma qualidade que tinha sido perdida
com a quedo do Império Romano.

História A, 10º ano, Módulo 2

24
A decoração para além do seu valor estético, tem uma valor
doutrinal, é o “livro de imagens” da Cristandade, relata a vida de
santos, e episódios do Antigo e Novo Testamento.
É uma “lição” doutrinal para os crentes.

História A, 10º ano, Módulo 2

25
Os vitrais coloridos, para além de ajudarem a criar no interior da
catedral, uma atmosfera propícia à exaltação religiosa, são uma
outra forma de ensinar aos crentes as verdades religiosas.
A maior parte da população era analfabeta, por isso as imagens
tinham uma grande importância.

História A, 10º ano, Módulo 2

26
As mutações na expressão da religiosidade: ordens mendicantes e
confrarias
A cidade medieval é um lugar de fortes contrastes:
Por um lado existia a riqueza dos que tinham enriquecido com o
desenvolvimento económico, e demonstravam-no quer nas suas
vestes quer na ostentação das suas casas;
Por outro lado, a cidade atraia as populações do campo que nem
sempre encontravam emprego, ou pelo menos emprego certo e
bem remunerado, e por isso viviam na miséria;
A cidade medieval é feita destes contrastes entre a riqueza de uns
e a miséria de outros que viviam isolados e sem amigos a quem
pedir ajuda.

História A, 10º ano, Módulo 2

27
Vão surgir organismos de solidariedade destinados à ajuda mútua
e à prática da caridade.
As ordens mendicantes trazem um novo espírito de renovação
espiritual e promovem a fraternidade para o sofrimento.
A Igreja Católica identificava-se com os ricos, os seus mais altos
dignatários viviam uma vida de luxo, alheados da miséria que existia
à sua volta.
Esta atitude tinha provocado a revolta de muitos crentes que se
afastaram do catolicismo aderindo a heresias que eram
violentamente reprimidas pela Igreja.

Heresia é um desvio à doutrina oficial da Igreja Católica.

História A, 10º ano, Módulo 2

28
Dentro da própria Igreja vão nascer outros movimentos de
contestação da vida de luxo e preconizavam um retorno à humildade
e pobreza originais.
Francisco de Assis e Domingos de Gusmão, vão criar as ordens
mendicantes que vão contribuir para a mudança de mentalidades.

História A, 10º ano, Módulo 2

29
S. Francisco (1182-1226), filho de um rico mercador da cidade de
Assis (Itália) levou uma vida de boémia até aos 20 anos. Uma doença
fê-lo mudar a sua atitude, renunciou aos bens terrenos e começou a
pregar a palavra de Deus.
Defendia a pobreza e a humildade;
Criou uma nova ordem de Frades Menores (humildes) , os
Franciscanos, que viviam na pobreza, ganhavam o seu sustento
trabalhando e mendigando (mendicantes);
Instalam-se na cidade, sobretudo nas zonas mais miseráveis e
pregam a palavra de Deus e praticam a caridade.
Ao contrário das outras ordens não vivem isolados nos conventos.
Esta ordem estabeleceu-se muito cedo em Portugal.

História A, 10º ano, Módulo 2

30
S. Domingos de Gusmão (1170-1221) fundou a ordem dos
Dominicanos, que partilhavam os ideais de pobreza mas davam mais
importância à pregação como forma de combater as heresias.
O estudo da Teologia era muito importante para estes frades.
S. Tomás de Aquino atingiu grande fama com teólogo e professor
universitário como outros membros desta ordem.
As ordens mendicantes contribuíram para a renovação da vida
religiosa e espiritual desenvolvendo um espírito de solidariedade e
de ajuda ao próximo.
Vão inspirar a criação de confrarias e outras associações de socorros
mútuos.

História A, 10º ano, Módulo 2

31
As confrarias eram associações de ajuda mútua (entreajuda), de
cariz religioso que se organizavam sob a proteção de um santo.
Agrupavam homens de um mesmo ofício, pela vizinhança, ou pela
devoção a um mesmo santo.
As confrarias ligadas a profissões desenvolveram-se muito pois já
estavam agrupadas em corporações.

História A, 10º ano, Módulo 2

32
Corporação é uma associação de carácter socioprofissional que
agrupa os trabalhadores de uma determinada atividade.
Na Idade Média eram conhecidas por artes, guildas ou casas. Cada
uma tinha os seus próprios estatutos que regulamentavam salários,
preços e o acesso à profissão.
Geralmente a cada corporação associava-se uma confraria que
prestava assistência aos seus membros.
As confraria funcionavam com base do pagamento de uma quota
por parte dos seus membros e de contribuições dos membros mais
ricos.
Organizavam a assistência a membros. Reuniam-se periodicamente
para decidir as atividades a realizarem.

História A, 10º ano, Módulo 2

33
A expansão do ensino elementar. A fundação de Universidades.
Até ao século XI, a frequência de uma escola eram o privilégio
quase que exclusivo de clérigos e monges.
Os mosteiros, com as suas escolas, bibliotecas e monges copistas
eram os centros do saber.
Estas escolas tinham como objetivo fundamental a preparação de
futuros monges, por isso o ensino estava direcionado para a
religião, por outro lado estes mosteiros localizavam-se no campo,
longe da cidade.

História A, 10º ano, Módulo 2

34
No século XI, organizam-se as primeiras escolas urbanas. A tutela
da Igreja mantém-se mas o público destas novas escolas, escolas
das catedrais, é outro, destinam-se a um público mais vasto, para
além de clérigos admitem leigos nos seus estudos.
Estas novas escolas urbanas procuram responder às novas
necessidades da administração e da economia.
As cidades precisam de funcionários e juristas para o seus
tribunais, de notários e escrivães para as suas repartições públicas.
Surge um novo funcionalismo que precisa de ser letrado
(instruído).

História A, 10º ano, Módulo 2

35
Por outro lado os negócios tornam-se cada vez mais complexos,
surgem as primeiras grandes companhias comerciais que exigem
registos precisos.
Nas grandes cidades comerciais (Florença, Veneza, Lubeque, etc.)
surgem escolas, muitas vezes privadas, onde para além do ensino
da Lógica e Gramática, desenvolve-se o ensino da Aritmética.

História A, 10º ano, Módulo 2

36
No século XII, algumas escolas das catedrais, alcançaram fama
internacional a atraíam estudantes de toda a Europa.
Algumas especializaram-se no ensino de determinadas áreas, como
o Direito, a Teologia ou a Medicina.
Surgiu a necessidade de organizar o ensino nessas escolas que
determinasse os conteúdos a lecionar, os exames a realizar. Que
determinassem um estatuto para docentes e discentes.
Criaram-se organizações de tipo corporativo, a que se chamaram
Universidades.

História A, 10º ano, Módulo 2

37
Universidade provém do termo latino universitas, corporação de
professores e estudantes, com vista à organização de um
estabelecimento de ensino superior (studium), surgem no século
XII. As universidades foram dependentes da Igreja e o seu objetivo
primordial era a formação de novos clérigos.
A partir do século XIII, o numero de estudantes laicos aumentou, e
a universidade tornou-se o centro de formação do funcionalismo
público.
Estudar na universidade passou a ser uma forma de adquirir
prestígio e subir na escala social.
As Universidades conferiam os graus de bacharel, licenciado e
doutor.
História A, 10º ano, Módulo 2

38
História A, 10º ano, Módulo 2

39
Duas das primeiras Universidades a surgirem foram as de NotreDame, Paris e a de Bolonha.
Em Paris, a Universidade afirmou-se em luta contra as autoridades
laicas e eclesiásticas.
Em 1231, o papa Gregório IX, autorizou a Universidade de Paris a
estabelecer as suas leis e regras de funcionamento.
A Universidade de Paris notabilizou-se no ensino da Teologia, a de
Bolonha em Direito.

História A, 10º ano, Módulo 2

40
Os estudos universitários organizavam-se em faculdades, grupo de
professores e alunos de um mesmo ramo de saber.
O seu número variava conforme as Universidades.
Todas tinham as Artes que era a base dos estudos universitários.
Durava 6 anos e iniciava-se entre os 14 e 16 anos, conferia o grau
de licenciado.

Artes liberais eram formadas por 7 disciplinas agrupadas no:
Trivium (Gramática, Retórica e Lógica);
Quadrivium (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música).

História A, 10º ano, Módulo 2

41
Licenciado em Artes, o estudante podia especializar-se em Medicina,
Direito ou Teologia.
Os cursos de Direito e Medicina obrigavam a mais 6 anos de estudo,
o de Teologia, era muito varável, mas podia atingir os 15 anos.
O ensino baseava-se na leitura e comentário, pelo mestre, dos
escritos das autoridades sobre o assunto tratado.

História A, 10º ano, Módulo 2

42
A partir do século XIII, as universidades tornam-se mais ligadas ao
Estado. A centralização do poder real tornava necessário um
número cada vez maior de legistas (Direito).
Em Portugal, D. Dinis, em 1290, funda o Estudo Geral de Lisboa.
Tinha as faculdades de Artes, Direito Canónico, Leis e Medicina. A
Teologia continuou a ser privilégio dos mosteiros de Santa Cruz de
Coimbra e de Alcobaça.
Em 1308, o Estudo Geral foi transferido para Coimbra.
Posteriormente foi novamente transferida para Lisboa, e em 1537, a
universidade fixou-se definitivamente em Coimbra.

História A, 10º ano, Módulo 2

43
A cultura leiga e profana nas cortes régias e senhoriais

A prosperidade económica refletiu-se na vida cultural.
Desenvolve-se um gosto por uma vida mais requintada e pela
erudição, não só nas cidades mas também nas cortes dos reis e dos
grandes senhores.
Surge o ideal de cavalaria, o senhor deve ser corajoso,
desinteressado, deve defender a causa dos fracos e da justiça.
Deve cortejar a sua dama segundo as regras do “amor perfeito”.
Nesta nova vivência cortesã a literatura assume um papel central.
A literatura difunde os ideais da cavalaria.

História A, 10º ano, Módulo 2

44
Nos finais do século XIII, surge , nas cortes da Europa, o ideal do
perfeito cavaleiro.
Condições para ser um perfeito cavaleiro (profano e religioso):
Nascimento nobre;
Deve demonstrar honra, coragem, lealdade, virtude e piedade.
O cavaleiro combate por Cristo.

História A, 10º ano, Módulo 2

45
Surgem as narrativas de cavalaria, que relatam episódios
romanceados de episódios de cavalaria;
Estes romances eram lidos, ao serão, na corte dos grandes senhores
e do rei;
As novelas arturianas foram muito difundidas nesta época, relatam
a vida na corte do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda e da
sua procura do Santo Graal;
Na Península Ibérica surgiu o Amadis de Gaula, romance que teve
um grande êxito;
Na época trovadores viajam de corte em corte cantado estes
romances.

História A, 10º ano, Módulo 2

46
Os nobres deviam passar por um período de aprendizagem antes
de serem “armados cavaleiros”:
Em jovem (7/8 anos) era enviado para a corte de um senhor com
estatuto superior (casa grande);
Primeiro era um pajem aprendia a manejar as armas e cavalgar;
Depois, na adolescência, tornava-se escudeiro. Tratava das armas e
do cavalo do senhor, acompanhava-o nas suas lutas e torneios;
Por toda a Europa os senhores dedicavam-se, para além da guerra,
à caça, torneios e justas;

História A, 10º ano, Módulo 2

47
O rei português, D. Duarte (1391-1438), publicou um livro sobre a
arte da cavalaria, denominado “Livro da Ensinança da Arte de Bem
Cavalgar em Toda a Sela”, considerado o primeiro tratado europeu
de cavalaria.
Depois de 14 anos de aprendizagem, o jovem escudeiro proferia os
votos de cavalaria.
Eram votos sagrados, faziam parte de um ritual, em que a própria
Igreja tomava parte.
Depois de cumprido este ritual, o jovem era investido cavaleiro.
Passava a fazer parte da ordem de cavalaria.

História A, 10º ano, Módulo 2

48
O código de cavalaria integra um código de amor;
É um conjunto de regras que definem quem e como se deve amar;
O desenvolvimento das cortes na Europa levou a um maior convívio
entre os dois sexos, e a partir do século XII, desenvolveu-se o amor
cortês.
O amor cortês, é essencialmente espiritual, mas deixa subentendido
a sensualidade.
O cavaleiro deve atuar com bravura e contenção para “ganhar” a
sua dama.
Deve ser um exemplo de educação e refinamento.
Por outro lado, espera-se que a dama seja serena, recatada, bem
falante. Deve recompensar os esforços do amado com um lenço, um
anel, um beijo.

História A, 10º ano, Módulo 2

49
Para a divulgação dos ideais do amor cortês contribuíram os poetas;
A poesia trovadoresca nasceu no Sul de França (Provença), e os
trovadores e jograis espalharam-na por todas as cortes europeias.
O Romance da Rosa, romance escrito sobre a temática do amor, teve
uma grande divulgação.
Em Portugal, esta poesia trovadoresca desenvolveu-se, assumindo
dois géneros principais: cantigas de amigo e cantigas de amor.
O amor foi uma componente essencial da sociabilidade cortesã e da
cultura erudita da Idade Média.
Para muitos foi um código de vida, um ideal de vida.

História A, 10º ano, Módulo 2

50
O culto da memória dos antepassados é uma característica das
famílias nobres.
Os títulos nobiliárquicos são herdados, por isso é importante prestar
homenagem aos antepassados.
Aos serões, nas cortes senhoriais, era normal comentar e elogiar os
feitos dos antepassados.
No século XII, muitos senhores fizeram passar a escrito essas
memórias.
Surge uma literatura genealógica que se desenvolveu ao longo dos
séculos XIII e XIV.

História A, 10º ano, Módulo 2

51
Em Portugal surgem os livros de linhagens (ou nobiliários).
O mais interessante é o “Terceiro Livro de Linhagens”, da autoria do
Conde de Barcelos, D. Pedro.
É uma espécie de História Universal, que começa com Adão e vai
até às famílias nobres da Reconquista cristã da Península Ibérica, de
onde descendem as famílias nobres portuguesas.

História A, 10º ano, Módulo 2

52
Nos séculos XIII e XIV, os Europeus adquirem uma nova visão do
Mundo.
O gosto pelas viagens difunde-se.
Mercadores, peregrinos, diplomatas, missionários, cavaleiros
andantes percorrem os caminhos da Europa, e alguns deles viajam
para além dela, as cruzadas, Marco Polo, etc..
Os mercadores são grandes viajantes, movidos pela necessidade de
realizarem negócios.
Em meados do século XIII, os irmãos Polo, realizaram uma viagem
até à longínqua China, fruto da abertura do império Mongol (na
altura governava a China).
Marco Polo, filho de um dos irmãos, que os acompanhou, escreveu,
o mais famoso livro de viagens, “O Livro de Marco Polo”, onde
contava as suas aventuras na China.
História A, 10º ano, Módulo 2

53
Muitas vezes estas viagens de negócios de mercadores, juntavam
missões político-diplomáticas, e os comerciantes desempenhavam
o papel de embaixadores.
Roma era a cidade onde se encontravam muitos desses
embaixadores, pois o Papa desempenhava o papel de medianeiro
entre os conflitos, não só entre estados mas entre senhores.

História A, 10º ano, Módulo 2

54
Romarias e peregrinações
O fervor religioso desempenhava um papel muito importante na
Idade Média.
Abundavam igrejas, capelas e ermidas que eram objeto de uma
devoção especial, pela posse de uma relíquia ou qualquer outro
artefacto religioso.
As romarias organizavam-se numa determinada data do ano e
atraíam numerosos fiéis das zonas circundantes.
Organizavam-se cerimónias religiosas mas também era um tempo e
local para convívio, festa (cantar, dançar) e tratar de negócios.
As romarias foram umas das expressões mais notáveis da cultura
popular medieval.

História A, 10º ano, Módulo 2

55
O costume das grandes peregrinações reavivou-se no século XII.
Grandes senhores, burgueses, homens do povo, velhos, novos
doentes e sãos, organizavam-se em grupos e partiam em
peregrinação.
Três principais locais de peregrinação na Idade Média:
Jerusalém (cenário da vida e morte de Cristo);
Roma (sede do papado e da morte do apóstolo Pedro)
Santiago de Compostela (onde a lenda situava o túmulo do
apóstolo São Tiago).

História A, 10º ano, Módulo 2

56
A peregrinação mais longa e perigosa, mas a mais redentora é a
que terminava em Jerusalém.
Mas, em geral, os europeus afluíam para Santiago de Compostela.

História A, 10º ano, Módulo 2

57
Ao longo dos caminhos foram nascendo albergarias, albergues,
mosteiros e hospitais.
Chegados ao seu destino, os peregrinos recebiam a bênção e as
indulgências.

História A, 10º ano, Módulo 2

58
Todas estas romarias e peregrinações contribuíram para a
divulgação da cultura medieval e para a criação de uma cultura
europeia.

Esta a apresentação foi construída tendo por base o manual, O tempo da História,
COUTO, Célia Pinto e outros, Porto Editora,2011, Porto
História A, 10º ano, Módulo 2

59
História A, 10º ano, Módulo 2

60

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

O quadro económico e demográfico xii xiv
O quadro económico e demográfico xii xivO quadro económico e demográfico xii xiv
O quadro económico e demográfico xii xiv
cattonia
 
Cultura medieval
Cultura medievalCultura medieval
Cultura medieval
cattonia
 
O espaço português: da formação à fixação do território
O espaço português: da formação à fixação do territórioO espaço português: da formação à fixação do território
O espaço português: da formação à fixação do território
Susana Simões
 
Desenvolvimento comercial parte 3
Desenvolvimento comercial parte 3Desenvolvimento comercial parte 3
Desenvolvimento comercial parte 3
Carla Teixeira
 
Cultura leiga e profana das cortes régias e senhoriais
Cultura leiga e profana das cortes régias e senhoriaisCultura leiga e profana das cortes régias e senhoriais
Cultura leiga e profana das cortes régias e senhoriais
Escola Luis de Freitas Branco
 
Modelo romano parte 2
Modelo romano parte 2Modelo romano parte 2
Modelo romano parte 2
cattonia
 

Mais procurados (20)

O espaço português 1
O espaço português 1O espaço português 1
O espaço português 1
 
A identidade civilizacional da Europa Ocidental - A multiplicidade de poderes
A identidade civilizacional da Europa Ocidental - A multiplicidade de poderesA identidade civilizacional da Europa Ocidental - A multiplicidade de poderes
A identidade civilizacional da Europa Ocidental - A multiplicidade de poderes
 
Poder régio
Poder régioPoder régio
Poder régio
 
A Abertura Europeia ao Mundo - História A 10º Ano
A Abertura Europeia ao Mundo - História A 10º AnoA Abertura Europeia ao Mundo - História A 10º Ano
A Abertura Europeia ao Mundo - História A 10º Ano
 
Surto urbano 2
Surto urbano 2Surto urbano 2
Surto urbano 2
 
02 história a_revisões_módulo_2
02 história a_revisões_módulo_202 história a_revisões_módulo_2
02 história a_revisões_módulo_2
 
O quadro económico e demográfico xii xiv
O quadro económico e demográfico xii xivO quadro económico e demográfico xii xiv
O quadro económico e demográfico xii xiv
 
03 historia a_revisões_módulo_3
03 historia a_revisões_módulo_303 historia a_revisões_módulo_3
03 historia a_revisões_módulo_3
 
01 a geografia cultural europeia
01 a geografia cultural europeia01 a geografia cultural europeia
01 a geografia cultural europeia
 
Cultura medieval
Cultura medievalCultura medieval
Cultura medieval
 
País rural e senhorial módulo II- 10º ANO
País rural e senhorial  módulo II- 10º ANOPaís rural e senhorial  módulo II- 10º ANO
País rural e senhorial módulo II- 10º ANO
 
O espaço português: da formação à fixação do território
O espaço português: da formação à fixação do territórioO espaço português: da formação à fixação do território
O espaço português: da formação à fixação do território
 
1 o alargamento do conhecimento do mundo
1 o alargamento do conhecimento do mundo1 o alargamento do conhecimento do mundo
1 o alargamento do conhecimento do mundo
 
A identidade civilizacional da Europa Ocidental - O renascimento das cidades...
 A identidade civilizacional da Europa Ocidental - O renascimento das cidades... A identidade civilizacional da Europa Ocidental - O renascimento das cidades...
A identidade civilizacional da Europa Ocidental - O renascimento das cidades...
 
03 a producao cultural
03 a producao cultural03 a producao cultural
03 a producao cultural
 
Desenvolvimento comercial parte 3
Desenvolvimento comercial parte 3Desenvolvimento comercial parte 3
Desenvolvimento comercial parte 3
 
3 a abertura europeia ao mundo
3   a abertura europeia ao mundo3   a abertura europeia ao mundo
3 a abertura europeia ao mundo
 
Cultura leiga e profana das cortes régias e senhoriais
Cultura leiga e profana das cortes régias e senhoriaisCultura leiga e profana das cortes régias e senhoriais
Cultura leiga e profana das cortes régias e senhoriais
 
02_02_o espaço português.pdf
02_02_o espaço português.pdf02_02_o espaço português.pdf
02_02_o espaço português.pdf
 
Modelo romano parte 2
Modelo romano parte 2Modelo romano parte 2
Modelo romano parte 2
 

Destaque

Modelo romano parte 1
Modelo romano   parte 1Modelo romano   parte 1
Modelo romano parte 1
cattonia
 
Decadência do Império Romano
Decadência do Império RomanoDecadência do Império Romano
Decadência do Império Romano
Vítor Santos
 
Romanização blogue
Romanização blogueRomanização blogue
Romanização blogue
Vítor Santos
 

Destaque (20)

05 a cultura do palácio 2
05 a cultura do palácio 205 a cultura do palácio 2
05 a cultura do palácio 2
 
05 a cultura do palácio 1
05 a cultura do palácio 105 a cultura do palácio 1
05 a cultura do palácio 1
 
02 1 a_cultura_do_senado
02 1 a_cultura_do_senado02 1 a_cultura_do_senado
02 1 a_cultura_do_senado
 
12 o após_guerra_fria_e_a_globlização
12 o após_guerra_fria_e_a_globlização12 o após_guerra_fria_e_a_globlização
12 o após_guerra_fria_e_a_globlização
 
9 03 portugal no novo quadro internacional
9 03 portugal no novo quadro internacional9 03 portugal no novo quadro internacional
9 03 portugal no novo quadro internacional
 
7 01 parte_2_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx
7 01 parte_2_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx7 01 parte_2_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx
7 01 parte_2_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx
 
7 01 parte_1_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx
7 01 parte_1_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx7 01 parte_1_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx
7 01 parte_1_as_transformações_das_primeiras_décadas_do_século_xx
 
00 01 preparação_exame_nacional_história_a_2018_módulo_1
00 01 preparação_exame_nacional_história_a_2018_módulo_100 01 preparação_exame_nacional_história_a_2018_módulo_1
00 01 preparação_exame_nacional_história_a_2018_módulo_1
 
Módulo 1
Módulo 1Módulo 1
Módulo 1
 
Quadro religião comparadas
Quadro religião comparadasQuadro religião comparadas
Quadro religião comparadas
 
05 as novas representações da humanidade
05 as novas representações da humanidade05 as novas representações da humanidade
05 as novas representações da humanidade
 
Roma- Resumo de história 10ºano
Roma- Resumo de história 10ºanoRoma- Resumo de história 10ºano
Roma- Resumo de história 10ºano
 
Modelo romano parte 1
Modelo romano   parte 1Modelo romano   parte 1
Modelo romano parte 1
 
Teste história da cultura e das artes
Teste história da cultura e das artesTeste história da cultura e das artes
Teste história da cultura e das artes
 
Decadência do Império Romano
Decadência do Império RomanoDecadência do Império Romano
Decadência do Império Romano
 
Apresentação 10º L 14 maio 2013_AI_Elvira Rodrigues
Apresentação 10º L 14 maio 2013_AI_Elvira RodriguesApresentação 10º L 14 maio 2013_AI_Elvira Rodrigues
Apresentação 10º L 14 maio 2013_AI_Elvira Rodrigues
 
01 cultura da catedral
01 cultura da catedral01 cultura da catedral
01 cultura da catedral
 
1 01 a cultura do ágora
1 01 a cultura do ágora1 01 a cultura do ágora
1 01 a cultura do ágora
 
Romanização blogue
Romanização blogueRomanização blogue
Romanização blogue
 
03 1 cultura_do_mosteiro
03 1 cultura_do_mosteiro03 1 cultura_do_mosteiro
03 1 cultura_do_mosteiro
 

Semelhante a Valores, vivências e quotidiano

O aparecimento da arte gotica
O aparecimento da arte goticaO aparecimento da arte gotica
O aparecimento da arte gotica
Ana Barreiros
 
Ficha formativa cultura da catedral
Ficha formativa cultura da catedralFicha formativa cultura da catedral
Ficha formativa cultura da catedral
Ana Barreiros
 
Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02
Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02
Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02
Rúben Soares
 
Cultura,arte e religião
Cultura,arte e religiãoCultura,arte e religião
Cultura,arte e religião
Teresa Maia
 
Arte cris..2
Arte cris..2Arte cris..2
Arte cris..2
moralalva
 

Semelhante a Valores, vivências e quotidiano (20)

02_03_Valores vivências e quotidiano.pdf
02_03_Valores vivências e quotidiano.pdf02_03_Valores vivências e quotidiano.pdf
02_03_Valores vivências e quotidiano.pdf
 
Arte Românica e Gótica / 3º ano Médio Toulouse Lautrec
Arte Românica e Gótica / 3º ano Médio Toulouse LautrecArte Românica e Gótica / 3º ano Médio Toulouse Lautrec
Arte Românica e Gótica / 3º ano Médio Toulouse Lautrec
 
O aparecimento da arte gotica
O aparecimento da arte goticaO aparecimento da arte gotica
O aparecimento da arte gotica
 
Valores
ValoresValores
Valores
 
Arquitetura gotica.pptx
Arquitetura gotica.pptxArquitetura gotica.pptx
Arquitetura gotica.pptx
 
Ficha formativa cultura da catedral
Ficha formativa cultura da catedralFicha formativa cultura da catedral
Ficha formativa cultura da catedral
 
Arte bizantina
Arte bizantinaArte bizantina
Arte bizantina
 
2C26 Arte Gótica e British Museum 2012
2C26 Arte Gótica e British Museum 20122C26 Arte Gótica e British Museum 2012
2C26 Arte Gótica e British Museum 2012
 
Arte Medieval
Arte MedievalArte Medieval
Arte Medieval
 
Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02
Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02
Fichaformativaculturadacatedral 120506062226-phpapp02
 
Cultura,arte e religião
Cultura,arte e religiãoCultura,arte e religião
Cultura,arte e religião
 
História da Arte: Arte Medieval
História da Arte: Arte MedievalHistória da Arte: Arte Medieval
História da Arte: Arte Medieval
 
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das ArtesResumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
 
O gótico português e a sua vertente manuelina
O gótico português e a sua vertente manuelinaO gótico português e a sua vertente manuelina
O gótico português e a sua vertente manuelina
 
Arte barroca
Arte barrocaArte barroca
Arte barroca
 
Arte Românica e Gótica
Arte Românica e GóticaArte Românica e Gótica
Arte Românica e Gótica
 
Arteromanica gotica2019
Arteromanica gotica2019Arteromanica gotica2019
Arteromanica gotica2019
 
Arte cris..2
Arte cris..2Arte cris..2
Arte cris..2
 
Retábulo - Casa de Santos, 2014
Retábulo - Casa de Santos, 2014Retábulo - Casa de Santos, 2014
Retábulo - Casa de Santos, 2014
 
Arte bizantina
Arte bizantinaArte bizantina
Arte bizantina
 

Mais de Vítor Santos

Mais de Vítor Santos (20)

5_02_a revolução francesa_RESUMO.pdf
5_02_a revolução francesa_RESUMO.pdf5_02_a revolução francesa_RESUMO.pdf
5_02_a revolução francesa_RESUMO.pdf
 
5_01_a revolução americana_francesa_outras.pdf
5_01_a revolução americana_francesa_outras.pdf5_01_a revolução americana_francesa_outras.pdf
5_01_a revolução americana_francesa_outras.pdf
 
10_2_A _2_Guerra_mundial_violência.pdf
10_2_A _2_Guerra_mundial_violência.pdf10_2_A _2_Guerra_mundial_violência.pdf
10_2_A _2_Guerra_mundial_violência.pdf
 
10_1_As dificuldades económicas dos anos 1930.pdf
10_1_As dificuldades económicas dos anos 1930.pdf10_1_As dificuldades económicas dos anos 1930.pdf
10_1_As dificuldades económicas dos anos 1930.pdf
 
9_ano_9_4_sociedade_cultura_num_mundo_em_mudança.pdf
9_ano_9_4_sociedade_cultura_num_mundo_em_mudança.pdf9_ano_9_4_sociedade_cultura_num_mundo_em_mudança.pdf
9_ano_9_4_sociedade_cultura_num_mundo_em_mudança.pdf
 
9_ano_9_3_Portugal da primeira república à ditadura militar.pdf
9_ano_9_3_Portugal da primeira república à ditadura militar.pdf9_ano_9_3_Portugal da primeira república à ditadura militar.pdf
9_ano_9_3_Portugal da primeira república à ditadura militar.pdf
 
9_ano_9_2_a_revolução_soviética.pdf
9_ano_9_2_a_revolução_soviética.pdf9_ano_9_2_a_revolução_soviética.pdf
9_ano_9_2_a_revolução_soviética.pdf
 
9_ano_9_1_ apogeu e declinio da influencia europeia.pdf
9_ano_9_1_ apogeu e declinio da influencia europeia.pdf9_ano_9_1_ apogeu e declinio da influencia europeia.pdf
9_ano_9_1_ apogeu e declinio da influencia europeia.pdf
 
03_05 As novas representações da humanidade.pdf
03_05 As novas representações da humanidade.pdf03_05 As novas representações da humanidade.pdf
03_05 As novas representações da humanidade.pdf
 
03_04 A renovação da espiritualidade e da religiosidade.pdf
03_04 A renovação da espiritualidade e da religiosidade.pdf03_04 A renovação da espiritualidade e da religiosidade.pdf
03_04 A renovação da espiritualidade e da religiosidade.pdf
 
03_03 A produção cultural.pdf
03_03 A produção cultural.pdf03_03 A produção cultural.pdf
03_03 A produção cultural.pdf
 
03_02 O alargamento do conhecimento do Mundo.pdf
03_02 O alargamento do conhecimento do Mundo.pdf03_02 O alargamento do conhecimento do Mundo.pdf
03_02 O alargamento do conhecimento do Mundo.pdf
 
03_01 a geografia cultural europeia.pdf
03_01 a geografia cultural europeia.pdf03_01 a geografia cultural europeia.pdf
03_01 a geografia cultural europeia.pdf
 
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
02_01_A identidade civilizacional da Europa Ocidental.pdf
 
01_03_espaço_civliziçacional_a_beira_mudança.pdf
01_03_espaço_civliziçacional_a_beira_mudança.pdf01_03_espaço_civliziçacional_a_beira_mudança.pdf
01_03_espaço_civliziçacional_a_beira_mudança.pdf
 
01_02_o_modelo_romano.pdf
01_02_o_modelo_romano.pdf01_02_o_modelo_romano.pdf
01_02_o_modelo_romano.pdf
 
01_01_o_modelo_ateniense.pdf
01_01_o_modelo_ateniense.pdf01_01_o_modelo_ateniense.pdf
01_01_o_modelo_ateniense.pdf
 
0_história_A.pdf
0_história_A.pdf0_história_A.pdf
0_história_A.pdf
 
Cronologia prec
Cronologia precCronologia prec
Cronologia prec
 
06 historia a _revisoes_modulo_6
06 historia a _revisoes_modulo_606 historia a _revisoes_modulo_6
06 historia a _revisoes_modulo_6
 

Último

O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoO Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
VALMIRARIBEIRO1
 
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Eró Cunha
 

Último (20)

Poema - Maio Laranja
Poema - Maio Laranja Poema - Maio Laranja
Poema - Maio Laranja
 
425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf
425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf
425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf
 
QUESTÃO 4 Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
QUESTÃO 4   Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...QUESTÃO 4   Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
QUESTÃO 4 Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
 
Poema - Aedes Aegypt.
Poema - Aedes Aegypt.Poema - Aedes Aegypt.
Poema - Aedes Aegypt.
 
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdfUFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
 
transcrição fonética para aulas de língua
transcrição fonética para aulas de línguatranscrição fonética para aulas de língua
transcrição fonética para aulas de língua
 
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptxSlides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
 
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEEdital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
 
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptxSlides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
 
QUESTÃO 4 Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
QUESTÃO 4   Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...QUESTÃO 4   Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
QUESTÃO 4 Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
 
Sequência didática Carona 1º Encontro.pptx
Sequência didática Carona 1º Encontro.pptxSequência didática Carona 1º Encontro.pptx
Sequência didática Carona 1º Encontro.pptx
 
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoO Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
 
As teorias de Lamarck e Darwin para alunos de 8ano.ppt
As teorias de Lamarck e Darwin para alunos de 8ano.pptAs teorias de Lamarck e Darwin para alunos de 8ano.ppt
As teorias de Lamarck e Darwin para alunos de 8ano.ppt
 
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisNós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
 
O que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaO que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de Infância
 
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdfSQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
 
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
 
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptxEBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
 
662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica
 
Acróstico - Maio Laranja
Acróstico  - Maio Laranja Acróstico  - Maio Laranja
Acróstico - Maio Laranja
 

Valores, vivências e quotidiano

  • 1. Valores, vivências e quotidiano http://divulgacaohistoria.wordpress.com/
  • 2. A partir do século XI, a cidade da Idade Média, ao contrário do campo, torna-se um local de inovações. É um mundo fervilhante de negócios e outras atividades económicas. Na cidade desencadeiam-se profundas mudanças económicas, sociais, culturais, religiosas e artísticas. Alteram-se valores e vivências do quotidiano medieval que irá levar à transformação desse mundo. História A, 10º ano, Módulo 2 2
  • 3. Uma nova sensibilidade artística: o Gótico “A arte das Catedrais significou em primeiro lugar o renascimento das cidades. Estas ao longo dos séculos XII e XIII não pararam de crescer. A catedral (gótica) é a igreja do bispo, portanto a igreja da cidade.” George Duby, O tempo das catedrais História A, 10º ano, Módulo 2 3
  • 4. Catedral de Colónia História A, 10º ano, Módulo 2 4
  • 5. O burguês torna-se orgulhoso de si e da sua cidade. Cada cidade pretende ser melhor que as cidades vizinhas. Os habitantes da cidade contribuem generosamente para as grandes construções urbanas (muralhas, praças, palácios, igrejas). Surge um novo estilo artístico, o Gótico que fruto de novos elementos arquitetónicos e construtivos vai elevar as torres dos palácios e das igrejas que podem ser vistas de muito longe. O Gótico abrange todas as vertentes artísticas mas é na Igreja (catedral) que teve a sua maior expressão, é o seu expoente máximo. História A, 10º ano, Módulo 2 5
  • 6. A construção da catedral gótica corresponde a uma nova conceção do cristianismo. “Deus é luz. (…) Luz absoluta, deus está mais ou menos velado em cada criatura, consoante ela é menos ou mais refratária à sua iluminação. Esta conceção contém a chave da nova arte, da arte de França. Arte de claridade e de irradiação (…).” G. Duby, O tempo das catedrais História A, 10º ano, Módulo 2 6
  • 7. Catedral de Amiens História A, 10º ano, Módulo 2 7
  • 8. O Abade Suger, da Abadia de S. Dinis (arredores de Paris) foi o grande ideólogo (teólogo), criador do estilo gótico. História A, 10º ano, Módulo 2 8
  • 9. Na reconstrução da cabeceira da Igreja de S. Dinis (1137), Paris, incentivou os mestres de obras a deixarem entrar a luz. Fez da catedral o reino de Deus na Terra. Surge uma nova teologia: “Deus é luz”. “Esta conceção contém a chave da nova arte, Arte de França, de que a Igreja de S. Dinis, de Suger, foi o modelo.” George Duby, O tempo das catedrais História A, 10º ano, Módulo 2 9
  • 10. As catedrais góticas distinguem-se pela sua elevação e verticalidade; Exterior profusamente decorado; Interior amplo e luminoso, devido às aberturas adornadas com vitrais. Catedral de Amiens História A, 10º ano, Módulo 2 10
  • 11. A luz, filtrada pelos vitrais, ajuda a criar uma atmosfera propícia à meditação, é uma luz divina, uma revelação de Deus, deslumbra. História A, 10º ano, Módulo 2 11
  • 12. A catedral (A casa de Deus) pelas suas dimensões evidenciava-se na paisagem urbana. Era o centro religioso, cultural, social e por vezes económico da cidade. História A, 10º ano, Módulo 2 12
  • 13. As catedrais góticas, comparadas com as igrejas românicas, são estruturas leves e graciosas. A catedral, é também o orgulho da cidades, e todos os seus habitantes contribuíram para a sua construção. Catedral gótica e românica História A, 10º ano, Módulo 2 13
  • 14. O estilo Gótico veio substituir o estilo Românico. As igrejas românicas tinham um aspeto maciço, pesado e um interior escuro. Igrejas românicas História A, 10º ano, Módulo 2 14
  • 15. São novos elementos construtivos que tornam possíveis estas construções: Arco quebrado; Abóbada de cruzamento de ogivas; Arcobotante. História A, 10º ano, Módulo 2 15
  • 16. Arco de volta perfeita (românico) Arco quebrado ou ogival (gótico) A maior parte do peso é descarregado nas colunas História A, 10º ano, Módulo 2 16
  • 17. O arco ogival é mais dinâmico, forma as abóbadas de cruzamento de ogivas; O peso é distribuído através das nervuras do arco e é descarregado nas colunas e nos contrafortes exteriores; O peso é melhor distribuído, mais fácil de sustentar. História A, 10º ano, Módulo 2 17
  • 18. As abóbadas tornam-se mais leves, elásticas e dinâmicas adaptando-se às formas e dimensões dos espaços a cobrir; Uma catedral gótica é constituída por uma sucessão de tramos Tramo é o espaço definido por 4 colunas. tramo História A, 10º ano, Módulo 2 18
  • 19. A catedral gótica é tripartida - planta Cabeceira (abside) Transepto 3 Naves (mas pode ter 5 ou 7). A nave central é mais alta e mais larga. História A, 10º ano, Módulo 2 19
  • 20. Contraforte gótico é constituído por: Botaréu (estribo, contraforte): elemento maciço e vertical, adossado (encostado) às paredes das naves laterais; Arcobotantes: meios arcos que ajudam a descarregar o peso da nave central nos botaréus estribos. Botaréu Arcobotantes História A, 10º ano, Módulo 2 20
  • 21. Estas inovações técnicas permitem que o peso das abóbadas seja descarregado nas colunas o que vai permitir abrir grandes aberturas nas paredes e aumentar a altura das abóbadas. História A, 10º ano, Módulo 2 21
  • 22. Pináculos são elementos decorativos servem para aumentar a sensação de altura das catedrais. Pináculos História A, 10º ano, Módulo 2 22
  • 23. As catedrais góticas estão repletas de esculturas. Existe uma intensa relação entre a arquitetura e a escultura. História A, 10º ano, Módulo 2 23
  • 24. As esculturas invadem todos os elementos estruturais da catedral sobretudo a fachada e os portais. Estas esculturas demonstram uma qualidade que tinha sido perdida com a quedo do Império Romano. História A, 10º ano, Módulo 2 24
  • 25. A decoração para além do seu valor estético, tem uma valor doutrinal, é o “livro de imagens” da Cristandade, relata a vida de santos, e episódios do Antigo e Novo Testamento. É uma “lição” doutrinal para os crentes. História A, 10º ano, Módulo 2 25
  • 26. Os vitrais coloridos, para além de ajudarem a criar no interior da catedral, uma atmosfera propícia à exaltação religiosa, são uma outra forma de ensinar aos crentes as verdades religiosas. A maior parte da população era analfabeta, por isso as imagens tinham uma grande importância. História A, 10º ano, Módulo 2 26
  • 27. As mutações na expressão da religiosidade: ordens mendicantes e confrarias A cidade medieval é um lugar de fortes contrastes: Por um lado existia a riqueza dos que tinham enriquecido com o desenvolvimento económico, e demonstravam-no quer nas suas vestes quer na ostentação das suas casas; Por outro lado, a cidade atraia as populações do campo que nem sempre encontravam emprego, ou pelo menos emprego certo e bem remunerado, e por isso viviam na miséria; A cidade medieval é feita destes contrastes entre a riqueza de uns e a miséria de outros que viviam isolados e sem amigos a quem pedir ajuda. História A, 10º ano, Módulo 2 27
  • 28. Vão surgir organismos de solidariedade destinados à ajuda mútua e à prática da caridade. As ordens mendicantes trazem um novo espírito de renovação espiritual e promovem a fraternidade para o sofrimento. A Igreja Católica identificava-se com os ricos, os seus mais altos dignatários viviam uma vida de luxo, alheados da miséria que existia à sua volta. Esta atitude tinha provocado a revolta de muitos crentes que se afastaram do catolicismo aderindo a heresias que eram violentamente reprimidas pela Igreja. Heresia é um desvio à doutrina oficial da Igreja Católica. História A, 10º ano, Módulo 2 28
  • 29. Dentro da própria Igreja vão nascer outros movimentos de contestação da vida de luxo e preconizavam um retorno à humildade e pobreza originais. Francisco de Assis e Domingos de Gusmão, vão criar as ordens mendicantes que vão contribuir para a mudança de mentalidades. História A, 10º ano, Módulo 2 29
  • 30. S. Francisco (1182-1226), filho de um rico mercador da cidade de Assis (Itália) levou uma vida de boémia até aos 20 anos. Uma doença fê-lo mudar a sua atitude, renunciou aos bens terrenos e começou a pregar a palavra de Deus. Defendia a pobreza e a humildade; Criou uma nova ordem de Frades Menores (humildes) , os Franciscanos, que viviam na pobreza, ganhavam o seu sustento trabalhando e mendigando (mendicantes); Instalam-se na cidade, sobretudo nas zonas mais miseráveis e pregam a palavra de Deus e praticam a caridade. Ao contrário das outras ordens não vivem isolados nos conventos. Esta ordem estabeleceu-se muito cedo em Portugal. História A, 10º ano, Módulo 2 30
  • 31. S. Domingos de Gusmão (1170-1221) fundou a ordem dos Dominicanos, que partilhavam os ideais de pobreza mas davam mais importância à pregação como forma de combater as heresias. O estudo da Teologia era muito importante para estes frades. S. Tomás de Aquino atingiu grande fama com teólogo e professor universitário como outros membros desta ordem. As ordens mendicantes contribuíram para a renovação da vida religiosa e espiritual desenvolvendo um espírito de solidariedade e de ajuda ao próximo. Vão inspirar a criação de confrarias e outras associações de socorros mútuos. História A, 10º ano, Módulo 2 31
  • 32. As confrarias eram associações de ajuda mútua (entreajuda), de cariz religioso que se organizavam sob a proteção de um santo. Agrupavam homens de um mesmo ofício, pela vizinhança, ou pela devoção a um mesmo santo. As confrarias ligadas a profissões desenvolveram-se muito pois já estavam agrupadas em corporações. História A, 10º ano, Módulo 2 32
  • 33. Corporação é uma associação de carácter socioprofissional que agrupa os trabalhadores de uma determinada atividade. Na Idade Média eram conhecidas por artes, guildas ou casas. Cada uma tinha os seus próprios estatutos que regulamentavam salários, preços e o acesso à profissão. Geralmente a cada corporação associava-se uma confraria que prestava assistência aos seus membros. As confraria funcionavam com base do pagamento de uma quota por parte dos seus membros e de contribuições dos membros mais ricos. Organizavam a assistência a membros. Reuniam-se periodicamente para decidir as atividades a realizarem. História A, 10º ano, Módulo 2 33
  • 34. A expansão do ensino elementar. A fundação de Universidades. Até ao século XI, a frequência de uma escola eram o privilégio quase que exclusivo de clérigos e monges. Os mosteiros, com as suas escolas, bibliotecas e monges copistas eram os centros do saber. Estas escolas tinham como objetivo fundamental a preparação de futuros monges, por isso o ensino estava direcionado para a religião, por outro lado estes mosteiros localizavam-se no campo, longe da cidade. História A, 10º ano, Módulo 2 34
  • 35. No século XI, organizam-se as primeiras escolas urbanas. A tutela da Igreja mantém-se mas o público destas novas escolas, escolas das catedrais, é outro, destinam-se a um público mais vasto, para além de clérigos admitem leigos nos seus estudos. Estas novas escolas urbanas procuram responder às novas necessidades da administração e da economia. As cidades precisam de funcionários e juristas para o seus tribunais, de notários e escrivães para as suas repartições públicas. Surge um novo funcionalismo que precisa de ser letrado (instruído). História A, 10º ano, Módulo 2 35
  • 36. Por outro lado os negócios tornam-se cada vez mais complexos, surgem as primeiras grandes companhias comerciais que exigem registos precisos. Nas grandes cidades comerciais (Florença, Veneza, Lubeque, etc.) surgem escolas, muitas vezes privadas, onde para além do ensino da Lógica e Gramática, desenvolve-se o ensino da Aritmética. História A, 10º ano, Módulo 2 36
  • 37. No século XII, algumas escolas das catedrais, alcançaram fama internacional a atraíam estudantes de toda a Europa. Algumas especializaram-se no ensino de determinadas áreas, como o Direito, a Teologia ou a Medicina. Surgiu a necessidade de organizar o ensino nessas escolas que determinasse os conteúdos a lecionar, os exames a realizar. Que determinassem um estatuto para docentes e discentes. Criaram-se organizações de tipo corporativo, a que se chamaram Universidades. História A, 10º ano, Módulo 2 37
  • 38. Universidade provém do termo latino universitas, corporação de professores e estudantes, com vista à organização de um estabelecimento de ensino superior (studium), surgem no século XII. As universidades foram dependentes da Igreja e o seu objetivo primordial era a formação de novos clérigos. A partir do século XIII, o numero de estudantes laicos aumentou, e a universidade tornou-se o centro de formação do funcionalismo público. Estudar na universidade passou a ser uma forma de adquirir prestígio e subir na escala social. As Universidades conferiam os graus de bacharel, licenciado e doutor. História A, 10º ano, Módulo 2 38
  • 39. História A, 10º ano, Módulo 2 39
  • 40. Duas das primeiras Universidades a surgirem foram as de NotreDame, Paris e a de Bolonha. Em Paris, a Universidade afirmou-se em luta contra as autoridades laicas e eclesiásticas. Em 1231, o papa Gregório IX, autorizou a Universidade de Paris a estabelecer as suas leis e regras de funcionamento. A Universidade de Paris notabilizou-se no ensino da Teologia, a de Bolonha em Direito. História A, 10º ano, Módulo 2 40
  • 41. Os estudos universitários organizavam-se em faculdades, grupo de professores e alunos de um mesmo ramo de saber. O seu número variava conforme as Universidades. Todas tinham as Artes que era a base dos estudos universitários. Durava 6 anos e iniciava-se entre os 14 e 16 anos, conferia o grau de licenciado. Artes liberais eram formadas por 7 disciplinas agrupadas no: Trivium (Gramática, Retórica e Lógica); Quadrivium (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música). História A, 10º ano, Módulo 2 41
  • 42. Licenciado em Artes, o estudante podia especializar-se em Medicina, Direito ou Teologia. Os cursos de Direito e Medicina obrigavam a mais 6 anos de estudo, o de Teologia, era muito varável, mas podia atingir os 15 anos. O ensino baseava-se na leitura e comentário, pelo mestre, dos escritos das autoridades sobre o assunto tratado. História A, 10º ano, Módulo 2 42
  • 43. A partir do século XIII, as universidades tornam-se mais ligadas ao Estado. A centralização do poder real tornava necessário um número cada vez maior de legistas (Direito). Em Portugal, D. Dinis, em 1290, funda o Estudo Geral de Lisboa. Tinha as faculdades de Artes, Direito Canónico, Leis e Medicina. A Teologia continuou a ser privilégio dos mosteiros de Santa Cruz de Coimbra e de Alcobaça. Em 1308, o Estudo Geral foi transferido para Coimbra. Posteriormente foi novamente transferida para Lisboa, e em 1537, a universidade fixou-se definitivamente em Coimbra. História A, 10º ano, Módulo 2 43
  • 44. A cultura leiga e profana nas cortes régias e senhoriais A prosperidade económica refletiu-se na vida cultural. Desenvolve-se um gosto por uma vida mais requintada e pela erudição, não só nas cidades mas também nas cortes dos reis e dos grandes senhores. Surge o ideal de cavalaria, o senhor deve ser corajoso, desinteressado, deve defender a causa dos fracos e da justiça. Deve cortejar a sua dama segundo as regras do “amor perfeito”. Nesta nova vivência cortesã a literatura assume um papel central. A literatura difunde os ideais da cavalaria. História A, 10º ano, Módulo 2 44
  • 45. Nos finais do século XIII, surge , nas cortes da Europa, o ideal do perfeito cavaleiro. Condições para ser um perfeito cavaleiro (profano e religioso): Nascimento nobre; Deve demonstrar honra, coragem, lealdade, virtude e piedade. O cavaleiro combate por Cristo. História A, 10º ano, Módulo 2 45
  • 46. Surgem as narrativas de cavalaria, que relatam episódios romanceados de episódios de cavalaria; Estes romances eram lidos, ao serão, na corte dos grandes senhores e do rei; As novelas arturianas foram muito difundidas nesta época, relatam a vida na corte do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda e da sua procura do Santo Graal; Na Península Ibérica surgiu o Amadis de Gaula, romance que teve um grande êxito; Na época trovadores viajam de corte em corte cantado estes romances. História A, 10º ano, Módulo 2 46
  • 47. Os nobres deviam passar por um período de aprendizagem antes de serem “armados cavaleiros”: Em jovem (7/8 anos) era enviado para a corte de um senhor com estatuto superior (casa grande); Primeiro era um pajem aprendia a manejar as armas e cavalgar; Depois, na adolescência, tornava-se escudeiro. Tratava das armas e do cavalo do senhor, acompanhava-o nas suas lutas e torneios; Por toda a Europa os senhores dedicavam-se, para além da guerra, à caça, torneios e justas; História A, 10º ano, Módulo 2 47
  • 48. O rei português, D. Duarte (1391-1438), publicou um livro sobre a arte da cavalaria, denominado “Livro da Ensinança da Arte de Bem Cavalgar em Toda a Sela”, considerado o primeiro tratado europeu de cavalaria. Depois de 14 anos de aprendizagem, o jovem escudeiro proferia os votos de cavalaria. Eram votos sagrados, faziam parte de um ritual, em que a própria Igreja tomava parte. Depois de cumprido este ritual, o jovem era investido cavaleiro. Passava a fazer parte da ordem de cavalaria. História A, 10º ano, Módulo 2 48
  • 49. O código de cavalaria integra um código de amor; É um conjunto de regras que definem quem e como se deve amar; O desenvolvimento das cortes na Europa levou a um maior convívio entre os dois sexos, e a partir do século XII, desenvolveu-se o amor cortês. O amor cortês, é essencialmente espiritual, mas deixa subentendido a sensualidade. O cavaleiro deve atuar com bravura e contenção para “ganhar” a sua dama. Deve ser um exemplo de educação e refinamento. Por outro lado, espera-se que a dama seja serena, recatada, bem falante. Deve recompensar os esforços do amado com um lenço, um anel, um beijo. História A, 10º ano, Módulo 2 49
  • 50. Para a divulgação dos ideais do amor cortês contribuíram os poetas; A poesia trovadoresca nasceu no Sul de França (Provença), e os trovadores e jograis espalharam-na por todas as cortes europeias. O Romance da Rosa, romance escrito sobre a temática do amor, teve uma grande divulgação. Em Portugal, esta poesia trovadoresca desenvolveu-se, assumindo dois géneros principais: cantigas de amigo e cantigas de amor. O amor foi uma componente essencial da sociabilidade cortesã e da cultura erudita da Idade Média. Para muitos foi um código de vida, um ideal de vida. História A, 10º ano, Módulo 2 50
  • 51. O culto da memória dos antepassados é uma característica das famílias nobres. Os títulos nobiliárquicos são herdados, por isso é importante prestar homenagem aos antepassados. Aos serões, nas cortes senhoriais, era normal comentar e elogiar os feitos dos antepassados. No século XII, muitos senhores fizeram passar a escrito essas memórias. Surge uma literatura genealógica que se desenvolveu ao longo dos séculos XIII e XIV. História A, 10º ano, Módulo 2 51
  • 52. Em Portugal surgem os livros de linhagens (ou nobiliários). O mais interessante é o “Terceiro Livro de Linhagens”, da autoria do Conde de Barcelos, D. Pedro. É uma espécie de História Universal, que começa com Adão e vai até às famílias nobres da Reconquista cristã da Península Ibérica, de onde descendem as famílias nobres portuguesas. História A, 10º ano, Módulo 2 52
  • 53. Nos séculos XIII e XIV, os Europeus adquirem uma nova visão do Mundo. O gosto pelas viagens difunde-se. Mercadores, peregrinos, diplomatas, missionários, cavaleiros andantes percorrem os caminhos da Europa, e alguns deles viajam para além dela, as cruzadas, Marco Polo, etc.. Os mercadores são grandes viajantes, movidos pela necessidade de realizarem negócios. Em meados do século XIII, os irmãos Polo, realizaram uma viagem até à longínqua China, fruto da abertura do império Mongol (na altura governava a China). Marco Polo, filho de um dos irmãos, que os acompanhou, escreveu, o mais famoso livro de viagens, “O Livro de Marco Polo”, onde contava as suas aventuras na China. História A, 10º ano, Módulo 2 53
  • 54. Muitas vezes estas viagens de negócios de mercadores, juntavam missões político-diplomáticas, e os comerciantes desempenhavam o papel de embaixadores. Roma era a cidade onde se encontravam muitos desses embaixadores, pois o Papa desempenhava o papel de medianeiro entre os conflitos, não só entre estados mas entre senhores. História A, 10º ano, Módulo 2 54
  • 55. Romarias e peregrinações O fervor religioso desempenhava um papel muito importante na Idade Média. Abundavam igrejas, capelas e ermidas que eram objeto de uma devoção especial, pela posse de uma relíquia ou qualquer outro artefacto religioso. As romarias organizavam-se numa determinada data do ano e atraíam numerosos fiéis das zonas circundantes. Organizavam-se cerimónias religiosas mas também era um tempo e local para convívio, festa (cantar, dançar) e tratar de negócios. As romarias foram umas das expressões mais notáveis da cultura popular medieval. História A, 10º ano, Módulo 2 55
  • 56. O costume das grandes peregrinações reavivou-se no século XII. Grandes senhores, burgueses, homens do povo, velhos, novos doentes e sãos, organizavam-se em grupos e partiam em peregrinação. Três principais locais de peregrinação na Idade Média: Jerusalém (cenário da vida e morte de Cristo); Roma (sede do papado e da morte do apóstolo Pedro) Santiago de Compostela (onde a lenda situava o túmulo do apóstolo São Tiago). História A, 10º ano, Módulo 2 56
  • 57. A peregrinação mais longa e perigosa, mas a mais redentora é a que terminava em Jerusalém. Mas, em geral, os europeus afluíam para Santiago de Compostela. História A, 10º ano, Módulo 2 57
  • 58. Ao longo dos caminhos foram nascendo albergarias, albergues, mosteiros e hospitais. Chegados ao seu destino, os peregrinos recebiam a bênção e as indulgências. História A, 10º ano, Módulo 2 58
  • 59. Todas estas romarias e peregrinações contribuíram para a divulgação da cultura medieval e para a criação de uma cultura europeia. Esta a apresentação foi construída tendo por base o manual, O tempo da História, COUTO, Célia Pinto e outros, Porto Editora,2011, Porto História A, 10º ano, Módulo 2 59
  • 60. História A, 10º ano, Módulo 2 60