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História A - Módulo 3
A Abertura Europeia ao Mundo – Mutações nos
Conhecimentos, Sensibilidades e Valores nos
Séculos XV e XVI
Unidade 2
O alargamento do conhecimento do mundo
História A, 10º ano, Mòdulo 3 2
O início dos descobrimentos portugueses foram motivados por
razões de ordem económica, social, politicas, religiosas e de
evolução técnica:
Económica: falta de metais preciosos e cereais;
Sociais: nobreza, clero e povo, embora por razões distintas,
estavam interessadas nos descobrimentos;
Politicas: a situação de paz com Castela;
Religiosas: expansão da fé cristã;
Técnicas: a atividade piscatória e comercial levou ao
desenvolvimento de novas técnicas na arte de navegar.
História A, 10º ano, Mòdulo 3 3
Principais etapas da expansão portuguesa:
Ilhas atlânticas (arquipélagos da Madeira e açores);
Descoberta da costa ocidental africana até ao Cabo Bojador (1450);
D. João II (1455-1495) – as descobertas são lideradas pelo rei;
Ultrapassagem do cabo da Boa Esperança (Tormentas) (1487);
Chegada à Índia (1498);
Chegada ao Brasil (1500);
2.1. O contributo português
2.1.1 Inovação técnica
Os principais avanços das técnicas náuticas:
leme de cadaste (central);
bússola;
cartas-portulano;
astrolábio, quadrante, balestilha;
utilização de velas triangulares ou latinas;
Surge um novo tipo de barco, a caravela, que permite bolinar. Mais
tarde surgem as naus e galeões;História A, 10º ano, Mòdulo 3 4
Desenvolve-se a cartografia
História A, 10º ano, Mòdulo 3 5
Grandes avanços na determinação das coordenadas geográficas
(latitude e longitude);
Os portugueses resolveram o problema de determinar a latitude;
O problema de determinar a longitude só foi completamente
resolvido no século XVIII;
Mercator (1569) desenvolve um novo sistema de projeção cilíndrica
mais rigoroso;
Cantino publica um novo planisfério em 1502;
História A, 10º ano, Mòdulo 3 6
2.1.2 Observação e descrição da Natureza
As descobertas iniciadas pelos portugueses substituíram a visão
limitada do mundo mediterrânico por uma visão global do planeta;
Os portugueses, baseados na observação, contrariaram muitas
ideias preconcebidas sobre os mares, terras, faunas e flora de
regiões pouco conhecidas ou mesmo desconhecidas;
É uma atitude pré-científica, resulta do conhecimento empírico, de
vivências experimentadas, da realidade observada
(experiencialismo);
História A, 10º ano, Mòdulo 3 7
Contributo de alguns homens:
Duarte Pacheco Pereira (1460-1533) – é o primeiro a valorizar a
experiência no contexto da observação empírica;
Garcia de Orta (1501-1568) – registo das plantas medicinais do
Oriente;
D. João de Castro (1500-1548) – vice-rei da Índia, é autor de três
Roteiros;
História A, 10º ano, Mòdulo 3 8
História A, 10º ano, Mòdulo 3 9
Os portugueses negam e corrigem os clássicos, ajudam a construir
um saber novo saber;
Os novos conhecimentos, derivados do experiencialismo,
resumiram-se, na maior parte dos casos, a observações e
descrições da Natureza;
O saber português, (XV e XVI) contribuiu para o desenvolvimento
do espírito crítico.
Experiencialismo: princípio que define a experiência como a fonte
prioritária de conhecimento; (Infopédia, 2020)
2.2. O conhecimento científico da Natureza
2.2.1 A matematização do real
A conjugação da valorização da experiência e da matemática está na
origem do método experimental (método científico);
Leonardo da Vinci (1452-1519) teve um papel percursor na
afirmação de uma nova mentalidade científica;
No processo de matematização do real surge a noção de que só a
demonstração matemática das hipóteses suscitadas pela
observação permitiria a formulação de leis científicas;
História A, 10º ano, Mòdulo 3 10
Pouco a pouco vulgariza-se o uso dos números e das medidas;
Uma lenta transformação das estruturas mentais leva a uma
mentalidade quantitativa;
A numeração romana é substituída pela árabe;
O Homem renascentista recorre aos números no decorrer das suas
atividades:
Navegador - calcula distâncias, latitudes, etc.;)
Mercador, banqueiro - avalia lucros e perdas, etc.;
Funcionários do Estado - calcula impostos, coleta rendas, etc.
História A, 10º ano, Mòdulo 3 11
2.2.2 A revolução das conceções cosmológicas
No início do Renascimento, a teoria geocêntrica, era a conceção
cosmológica dominante. Derivava dos trabalhos de Aristóteles (384-
322 a.c.) e Ptolomeu (100-165);
Já na Antiguidade houve autores que contrariaram esta teoria,
como Aristarco de Samos (320-250 a.c.), que defendeu uma
perspetiva heliocêntrica;
Nicolau Copérnico (1453-1543) retomou a perspetiva heliocêntrica.
História A, 10º ano, Mòdulo 3 12
Na obra “De Revolutionibus Orbium Coelestium”, Copérnico
defende que o Sol está no centro do universo.
A Terra e os outros planetas giram em seu redor (movimento de
translação) e giram em torno do seu próprio centro (movimento
de rotação), em esferas celestes.
História A, 10º ano, Mòdulo 3 13
As repercussões das conclusões de Copérnico, publicadas nas
vésperas da sua morte, não foram sentidas de imediato;
No entanto outros vão continuar o caminho iniciado por ele;
As conceções do universo geocêntrico de Ptolomeu e a doutrina da
Igreja vão ser abaladas;
Inicia-se uma verdadeira revolução das conceções cosmológicas.
História A, 10º ano, Mòdulo 3 14
Giordano Bruno (1548-1600) – frade italiano, defendeu a teoria de
um universo infinito, com inúmeras estrelas que eram o centro de
outros sistemas planetários. A Inquisição condenou-o a morte na
fogueira.
Ticho Brahe (1546-1601) – astrónomo dinamarquês, pensou um
novo sistema planetários que conciliava a teoria heliocêntrica (os
planetas giram à volta do sol) e a geocêntrica (o Sol e a Lua
deslocam-se à volta da Terra);
Johannes Kepler (1571-1630) – astrónomo alemão, formulou as leis
do movimento dos planetas
História A, 10º ano, Mòdulo 3 15
Galileu Galilei (1564-1642) – astrónomo italiano, aperfeiçoou o
telescópio.
Estas novas descobertas foram perseguidas pela Inquisição e
muitas das obras publicadas que defendiam as teorias
heliocêntricas foram colocadas no Índex.
Inquisição – tribunal religioso criado no século XIII e restabelecido
no século XVI. Investigava, julgava e condenava todos os que
fossem suspeitos de terem ideias contrárias às definidas pela Igreja
Católica
Índex – Lista de livros publicada pela Igreja Católica, cuja leitura era
proibida aos católicos.
História A, 10º ano, Mòdulo 3 16
História A, 10º ano, Mòdulo 3 17
No entanto as novas conceções cosmológicas iam ganhando cada
vez mais adeptos;
Estava definitivamente definido que os progressos da ciência
estavam assentes na formulação de leis a partir da observação,
registo e interpretação de factos e experimentação de hipóteses.
História A, 10º ano, Mòdulo 3 18
Esta a apresentação foi construída tendo por base os manuais:
O tempo da História, COUTO, Célia Pinto e outros, Porto
Editora,2011, Porto
Linhas da História, Fortes, Alexandra e outros, Areal Editores,
O essencial da História A, Mário Sanches, Edições ASA, 2005

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02 o alargamento do conhecimento do mundo

  • 1. http://divulgacaohistoria.wordpress.com/ História A - Módulo 3 A Abertura Europeia ao Mundo – Mutações nos Conhecimentos, Sensibilidades e Valores nos Séculos XV e XVI Unidade 2 O alargamento do conhecimento do mundo
  • 2. História A, 10º ano, Mòdulo 3 2 O início dos descobrimentos portugueses foram motivados por razões de ordem económica, social, politicas, religiosas e de evolução técnica: Económica: falta de metais preciosos e cereais; Sociais: nobreza, clero e povo, embora por razões distintas, estavam interessadas nos descobrimentos; Politicas: a situação de paz com Castela; Religiosas: expansão da fé cristã; Técnicas: a atividade piscatória e comercial levou ao desenvolvimento de novas técnicas na arte de navegar.
  • 3. História A, 10º ano, Mòdulo 3 3 Principais etapas da expansão portuguesa: Ilhas atlânticas (arquipélagos da Madeira e açores); Descoberta da costa ocidental africana até ao Cabo Bojador (1450); D. João II (1455-1495) – as descobertas são lideradas pelo rei; Ultrapassagem do cabo da Boa Esperança (Tormentas) (1487); Chegada à Índia (1498); Chegada ao Brasil (1500);
  • 4. 2.1. O contributo português 2.1.1 Inovação técnica Os principais avanços das técnicas náuticas: leme de cadaste (central); bússola; cartas-portulano; astrolábio, quadrante, balestilha; utilização de velas triangulares ou latinas; Surge um novo tipo de barco, a caravela, que permite bolinar. Mais tarde surgem as naus e galeões;História A, 10º ano, Mòdulo 3 4
  • 5. Desenvolve-se a cartografia História A, 10º ano, Mòdulo 3 5
  • 6. Grandes avanços na determinação das coordenadas geográficas (latitude e longitude); Os portugueses resolveram o problema de determinar a latitude; O problema de determinar a longitude só foi completamente resolvido no século XVIII; Mercator (1569) desenvolve um novo sistema de projeção cilíndrica mais rigoroso; Cantino publica um novo planisfério em 1502; História A, 10º ano, Mòdulo 3 6
  • 7. 2.1.2 Observação e descrição da Natureza As descobertas iniciadas pelos portugueses substituíram a visão limitada do mundo mediterrânico por uma visão global do planeta; Os portugueses, baseados na observação, contrariaram muitas ideias preconcebidas sobre os mares, terras, faunas e flora de regiões pouco conhecidas ou mesmo desconhecidas; É uma atitude pré-científica, resulta do conhecimento empírico, de vivências experimentadas, da realidade observada (experiencialismo); História A, 10º ano, Mòdulo 3 7
  • 8. Contributo de alguns homens: Duarte Pacheco Pereira (1460-1533) – é o primeiro a valorizar a experiência no contexto da observação empírica; Garcia de Orta (1501-1568) – registo das plantas medicinais do Oriente; D. João de Castro (1500-1548) – vice-rei da Índia, é autor de três Roteiros; História A, 10º ano, Mòdulo 3 8
  • 9. História A, 10º ano, Mòdulo 3 9 Os portugueses negam e corrigem os clássicos, ajudam a construir um saber novo saber; Os novos conhecimentos, derivados do experiencialismo, resumiram-se, na maior parte dos casos, a observações e descrições da Natureza; O saber português, (XV e XVI) contribuiu para o desenvolvimento do espírito crítico. Experiencialismo: princípio que define a experiência como a fonte prioritária de conhecimento; (Infopédia, 2020)
  • 10. 2.2. O conhecimento científico da Natureza 2.2.1 A matematização do real A conjugação da valorização da experiência e da matemática está na origem do método experimental (método científico); Leonardo da Vinci (1452-1519) teve um papel percursor na afirmação de uma nova mentalidade científica; No processo de matematização do real surge a noção de que só a demonstração matemática das hipóteses suscitadas pela observação permitiria a formulação de leis científicas; História A, 10º ano, Mòdulo 3 10
  • 11. Pouco a pouco vulgariza-se o uso dos números e das medidas; Uma lenta transformação das estruturas mentais leva a uma mentalidade quantitativa; A numeração romana é substituída pela árabe; O Homem renascentista recorre aos números no decorrer das suas atividades: Navegador - calcula distâncias, latitudes, etc.;) Mercador, banqueiro - avalia lucros e perdas, etc.; Funcionários do Estado - calcula impostos, coleta rendas, etc. História A, 10º ano, Mòdulo 3 11
  • 12. 2.2.2 A revolução das conceções cosmológicas No início do Renascimento, a teoria geocêntrica, era a conceção cosmológica dominante. Derivava dos trabalhos de Aristóteles (384- 322 a.c.) e Ptolomeu (100-165); Já na Antiguidade houve autores que contrariaram esta teoria, como Aristarco de Samos (320-250 a.c.), que defendeu uma perspetiva heliocêntrica; Nicolau Copérnico (1453-1543) retomou a perspetiva heliocêntrica. História A, 10º ano, Mòdulo 3 12
  • 13. Na obra “De Revolutionibus Orbium Coelestium”, Copérnico defende que o Sol está no centro do universo. A Terra e os outros planetas giram em seu redor (movimento de translação) e giram em torno do seu próprio centro (movimento de rotação), em esferas celestes. História A, 10º ano, Mòdulo 3 13
  • 14. As repercussões das conclusões de Copérnico, publicadas nas vésperas da sua morte, não foram sentidas de imediato; No entanto outros vão continuar o caminho iniciado por ele; As conceções do universo geocêntrico de Ptolomeu e a doutrina da Igreja vão ser abaladas; Inicia-se uma verdadeira revolução das conceções cosmológicas. História A, 10º ano, Mòdulo 3 14
  • 15. Giordano Bruno (1548-1600) – frade italiano, defendeu a teoria de um universo infinito, com inúmeras estrelas que eram o centro de outros sistemas planetários. A Inquisição condenou-o a morte na fogueira. Ticho Brahe (1546-1601) – astrónomo dinamarquês, pensou um novo sistema planetários que conciliava a teoria heliocêntrica (os planetas giram à volta do sol) e a geocêntrica (o Sol e a Lua deslocam-se à volta da Terra); Johannes Kepler (1571-1630) – astrónomo alemão, formulou as leis do movimento dos planetas História A, 10º ano, Mòdulo 3 15
  • 16. Galileu Galilei (1564-1642) – astrónomo italiano, aperfeiçoou o telescópio. Estas novas descobertas foram perseguidas pela Inquisição e muitas das obras publicadas que defendiam as teorias heliocêntricas foram colocadas no Índex. Inquisição – tribunal religioso criado no século XIII e restabelecido no século XVI. Investigava, julgava e condenava todos os que fossem suspeitos de terem ideias contrárias às definidas pela Igreja Católica Índex – Lista de livros publicada pela Igreja Católica, cuja leitura era proibida aos católicos. História A, 10º ano, Mòdulo 3 16
  • 17. História A, 10º ano, Mòdulo 3 17 No entanto as novas conceções cosmológicas iam ganhando cada vez mais adeptos; Estava definitivamente definido que os progressos da ciência estavam assentes na formulação de leis a partir da observação, registo e interpretação de factos e experimentação de hipóteses.
  • 18. História A, 10º ano, Mòdulo 3 18 Esta a apresentação foi construída tendo por base os manuais: O tempo da História, COUTO, Célia Pinto e outros, Porto Editora,2011, Porto Linhas da História, Fortes, Alexandra e outros, Areal Editores, O essencial da História A, Mário Sanches, Edições ASA, 2005