Iluminismo
Ideias políticas
O Iluminismo
Movimento cultural e filosófico que se desenvolveu na
Europa, no século XVIII (Século das Luzes), e que se
caracterizou pela afirmação do valor da Razão e do
conhecimento para atingir o progresso; pela crítica da
ordem política, social e religiosa existente e pela defesa
dos ideais de liberdade, igualdade, tolerância e justiça.
Frontispício da Enciclopédia (1772)
A crítica à ordem estabelecida
Os principais filósofos iluministas, criticaram o
absolutismo, a monarquia, a ordem social e
religiosa existente e propuseram uma nova
organização da sociedade e do poder político,
assente nos ideais de liberdade, igualdade,
tolerância e justiça.
Charles-Louis de Secondatt,
ou barão de Montesquieu,
1689-1755
Quais são os grandes pensadores políticos do século XVIII?
Jean-Jacques Rousseau,
1712-1778
François Marie Arouet, conhecido
como Voltaire,
1694-1778
Tolerância
Deísmo
Separação dos
poderes políticos
Igualdade e liberdade
Voto / maioria
Quais as ideias fundamentais de cada um?
Existem, no Estado, três poderes: o poder legislativo, o
poder executivo e o poder judicial (…). Quando na mesma
pessoa ou no mesmo órgão político o poder legislativo
está reunido ao poder executivo não há liberdade (…).
Também não há liberdade se o poder judicial não estiver
separado dos poderes legislativo e executivo.
Montesquieu, O Espírito das Leis (1748)
defendia, a separação de poderes
(teoria segundo a qual os poderes
legislativo, executivo e judicial têm
de ser exercidos por órgãos políticos
diferentes e independentes).
Teoria da separação de poderes
PODERES INSTITUIÇÕES
Legislativo
Assembleia de deputados
eleitos pelo povo
Executivo Rei e Ministros
Judicial Tribunais
 Montesquieu
Possam todos os homens lembrar-se de que são
irmãos, que devem ter terror à tirania exercida sobre
os espíritos. (…) Se as guerras, são inevitáveis, não
nos odiemos uns aos outros no seio da paz.
Voltaire, Contrato sobre a Tolerância (1763).
defendia a justiça social, a tolerância e a liberdade e criticava
a política, a Igreja, a moral e os costumes da época.
 Voltaire
Como se exprime a vontade geral?
O que garante a lei?
O cidadão aprova todas as leis, aquelas que
não obtiveram o seu acordo e até as que o punem se
não as respeitar. A vontade constante de todos os
membros do Estado é a vontade geral; é devido a ela
que são cidadãos e livres. Quando se propõe uma lei, o
que se pede de cada um não é que a aprove ou rejeite,
mas se está ou não conforme com a vontade geral, que
é também a sua: cada cidadão ao entregar o seu voto,
dá assim a sua opinião e, pela contagem dos votos, se
exprime a vontade geral.
Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social, 1762
Rousseau defendia a soberania popular
(teoria segundo a qual o poder pertence ao
povo que, através do voto, o delega nos
seus representantes), o voto universal e a
igualdade de todos os homens perante a lei.
Quais são os fundamentos da ideia de tolerância?
John Locke,
1632 -1704
Qual é a influência de Locke no pensamento político iluminista?
Quais são os perigos da intolerância?
Como encara Locke a relação entre o poder temporal e o poder espiritual?
O que é o bem comum? Quem o defende?
A tolerância daqueles que diferem uns dos outros em matéria de religião é (…) agradável ao
Evangelho de Jesus Cristo e à genuína razão da Humanidade. (…)
Que não possam cobrir alguns o seu espírito de perseguição e de crueldade anticristã, fingindo
cuidado com a segurança da República e a observação das leis e que outros sob a capa da religião,
não possam procurar a impunidade do seu libertinismo (…).
É necessário distinguir exactamente o problema do governo civil e da religião e estabelecer os justos
limites que existem entre um e outro (…) entre a preocupação com as almas (…) e o bem comum.
O bem comum parece-me ser uma sociedade de homens constituída para a procura, conservação e
progresso dos seus próprios interesses civis (…): a vida, liberdade, saúde e segurança corporal e a
posse de coisas exteriores como moeda, terra, casa, mobiliário e semelhantes. É dever do magistrado
civil (…) assegurar para todo o povo em geral para cada um em particular, a justa posse das coisas que
[lhe] pertencem.
Locke, Carta sobre a tolerância, 1689
O que defendia John Locke?
John Locke,
1632-1704
Filósofo
Montesquieu,
1689-1755
Que influências de Locke se verificam em Montesquieu?
[Escrevi para] fortalecer o trono do nosso libertador, nosso actual rei
Guilherme, estabelecer o seu título sobre o consentimento do povo… e
justificar à face do mundo o povo inglês, cujo amor dos seus direitos justos e
naturais, junto à sua determinação de conservá-los, salvou a nação.
Locke, Ensaio sobre o poder civil, 1689
Quando na mesma pessoa, ou no mesmo corpo de magistratura, o poder
legislativo está unido ao poder executivo, não existe liberdade (…). E também
não existe liberdade se o poder de julgar não estiver separado do poder
legislativo e do poder executivo (…). Deveria caber ao povo em corpo o poder
legislativo. Mas isso é impossível nos grandes Estados e sujeito a muitos
inconvenientes nos pequenos, pelo que é preciso que o povo faça por meio de
representantes seus tudo aquilo que não poder fazer por si próprio.
Montesquieu, O Espírito das Leis, 1748
 Enciclopédia (dirigida por Diderot e D`Alembert, foi
publicada entre 1751 e 1772; Tinha 28 volumes, 11 dos
quais com gravuras, e contou com a colaboração de
muitos sábios da época);
Principais meios de difusão do Iluminismo
 Jornais e outras publicações periódicas (Gazetas,
Correios, Magazines e Mercúrios);
 Academias;
 Salões, cafés e clubes;
 Maçonaria (sociedade secreta cujos membros, os
maçons, se organizavam em pequenas células, as
lojas maçónicas, e obedeciam a normas e rituais
próprios).
Anicet Lemonnier, Leitura de um texto de Voltaire por d’Alembert no
salão de madame de Geoffrin, 1812, óleo sobre tela, 130x196 cm, Museu
Nacional dos castelos de Malmaison e de Bois-Préau
Montesquieu
Diderot
Voltaire
Rousseau
D’Alembert
Cafés
Londres, gravura de 1750
Salões
Madame
Geoffrin
Reunião da Maçonaria – cerimónia de iniciação de um maçon.
Denis Diderot, 1713-84
Jean d’Alembert,
1717-83
Qual é o objetivo da Enciclopédia?
A Enciclopédia
De que forma a Enciclopédia responde às necessidades de
quem quer “aprender sem dificuldade e em pouco tempo”?
As pessoas gostam de saber, mas querem aprender sem
dificuldade e em pouco tempo; é essa sem dúvida a causa pela
qual nos aparecem todos os dias tantos métodos diferentes, e a
razão pela qual se nos deparam tantos resumos.
Jornal dos Sábios, novembro de 1749
Considera este texto atual?
No século XVIII, os princípios iluministas também chegaram a
Portugal através dos estrangeirados que convenceram o
Marquês de Pombal a iniciar uma série de reformas.
Portugal e o movimento iluminista
Luís António Verney (1713-1792).
 Os estrangeirados:
Eram intelectuais portugueses que, tendo viajado, estudado e
trabalhado no estrangeiro, trouxeram para Portugal as novas
ideias iluministas.
Exemplo: Luís António Verney (padre e professor), António
Ribeiro Sanches (médico), Francisco Xavier de Oliveira
(diplomata) e Avelar Brotero (botânico).
 A reforma pombalina do ensino:
A partir de 1759, após a expulsão dos Jesuítas de
Portugal, o Marquês de Pombal iniciou a laicização e a
reforma do ensino:
Marquês de Pombal (1699-1782).
 fundou as escolas menores (escolas régias de “ler,
escrever e contar”);
 criou escolas régias (base do ensino secundário) para
o ensino das Humanidades;
 fundou o Real Colégio dos Nobres;
 fundou a Aula do Comércio (para burgueses);
 encerrou a Universidade de Évora, dominada pelos
Jesuítas;
 reformou a Universidade de Coimbra, através da
criação das faculdades de Matemática e de Filosofia,
do Jardim Botânico, do Gabinete de Física e do Museu
de História Natural.

Iluminismo

  • 1.
  • 2.
    O Iluminismo Movimento culturale filosófico que se desenvolveu na Europa, no século XVIII (Século das Luzes), e que se caracterizou pela afirmação do valor da Razão e do conhecimento para atingir o progresso; pela crítica da ordem política, social e religiosa existente e pela defesa dos ideais de liberdade, igualdade, tolerância e justiça. Frontispício da Enciclopédia (1772)
  • 3.
    A crítica àordem estabelecida Os principais filósofos iluministas, criticaram o absolutismo, a monarquia, a ordem social e religiosa existente e propuseram uma nova organização da sociedade e do poder político, assente nos ideais de liberdade, igualdade, tolerância e justiça.
  • 4.
    Charles-Louis de Secondatt, oubarão de Montesquieu, 1689-1755 Quais são os grandes pensadores políticos do século XVIII? Jean-Jacques Rousseau, 1712-1778 François Marie Arouet, conhecido como Voltaire, 1694-1778 Tolerância Deísmo Separação dos poderes políticos Igualdade e liberdade Voto / maioria Quais as ideias fundamentais de cada um?
  • 5.
    Existem, no Estado,três poderes: o poder legislativo, o poder executivo e o poder judicial (…). Quando na mesma pessoa ou no mesmo órgão político o poder legislativo está reunido ao poder executivo não há liberdade (…). Também não há liberdade se o poder judicial não estiver separado dos poderes legislativo e executivo. Montesquieu, O Espírito das Leis (1748) defendia, a separação de poderes (teoria segundo a qual os poderes legislativo, executivo e judicial têm de ser exercidos por órgãos políticos diferentes e independentes). Teoria da separação de poderes PODERES INSTITUIÇÕES Legislativo Assembleia de deputados eleitos pelo povo Executivo Rei e Ministros Judicial Tribunais  Montesquieu
  • 6.
    Possam todos oshomens lembrar-se de que são irmãos, que devem ter terror à tirania exercida sobre os espíritos. (…) Se as guerras, são inevitáveis, não nos odiemos uns aos outros no seio da paz. Voltaire, Contrato sobre a Tolerância (1763). defendia a justiça social, a tolerância e a liberdade e criticava a política, a Igreja, a moral e os costumes da época.  Voltaire
  • 7.
    Como se exprimea vontade geral? O que garante a lei? O cidadão aprova todas as leis, aquelas que não obtiveram o seu acordo e até as que o punem se não as respeitar. A vontade constante de todos os membros do Estado é a vontade geral; é devido a ela que são cidadãos e livres. Quando se propõe uma lei, o que se pede de cada um não é que a aprove ou rejeite, mas se está ou não conforme com a vontade geral, que é também a sua: cada cidadão ao entregar o seu voto, dá assim a sua opinião e, pela contagem dos votos, se exprime a vontade geral. Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social, 1762 Rousseau defendia a soberania popular (teoria segundo a qual o poder pertence ao povo que, através do voto, o delega nos seus representantes), o voto universal e a igualdade de todos os homens perante a lei.
  • 8.
    Quais são osfundamentos da ideia de tolerância? John Locke, 1632 -1704 Qual é a influência de Locke no pensamento político iluminista? Quais são os perigos da intolerância? Como encara Locke a relação entre o poder temporal e o poder espiritual? O que é o bem comum? Quem o defende? A tolerância daqueles que diferem uns dos outros em matéria de religião é (…) agradável ao Evangelho de Jesus Cristo e à genuína razão da Humanidade. (…) Que não possam cobrir alguns o seu espírito de perseguição e de crueldade anticristã, fingindo cuidado com a segurança da República e a observação das leis e que outros sob a capa da religião, não possam procurar a impunidade do seu libertinismo (…). É necessário distinguir exactamente o problema do governo civil e da religião e estabelecer os justos limites que existem entre um e outro (…) entre a preocupação com as almas (…) e o bem comum. O bem comum parece-me ser uma sociedade de homens constituída para a procura, conservação e progresso dos seus próprios interesses civis (…): a vida, liberdade, saúde e segurança corporal e a posse de coisas exteriores como moeda, terra, casa, mobiliário e semelhantes. É dever do magistrado civil (…) assegurar para todo o povo em geral para cada um em particular, a justa posse das coisas que [lhe] pertencem. Locke, Carta sobre a tolerância, 1689
  • 9.
    O que defendiaJohn Locke? John Locke, 1632-1704 Filósofo Montesquieu, 1689-1755 Que influências de Locke se verificam em Montesquieu? [Escrevi para] fortalecer o trono do nosso libertador, nosso actual rei Guilherme, estabelecer o seu título sobre o consentimento do povo… e justificar à face do mundo o povo inglês, cujo amor dos seus direitos justos e naturais, junto à sua determinação de conservá-los, salvou a nação. Locke, Ensaio sobre o poder civil, 1689 Quando na mesma pessoa, ou no mesmo corpo de magistratura, o poder legislativo está unido ao poder executivo, não existe liberdade (…). E também não existe liberdade se o poder de julgar não estiver separado do poder legislativo e do poder executivo (…). Deveria caber ao povo em corpo o poder legislativo. Mas isso é impossível nos grandes Estados e sujeito a muitos inconvenientes nos pequenos, pelo que é preciso que o povo faça por meio de representantes seus tudo aquilo que não poder fazer por si próprio. Montesquieu, O Espírito das Leis, 1748
  • 10.
     Enciclopédia (dirigidapor Diderot e D`Alembert, foi publicada entre 1751 e 1772; Tinha 28 volumes, 11 dos quais com gravuras, e contou com a colaboração de muitos sábios da época); Principais meios de difusão do Iluminismo  Jornais e outras publicações periódicas (Gazetas, Correios, Magazines e Mercúrios);  Academias;  Salões, cafés e clubes;  Maçonaria (sociedade secreta cujos membros, os maçons, se organizavam em pequenas células, as lojas maçónicas, e obedeciam a normas e rituais próprios).
  • 11.
    Anicet Lemonnier, Leiturade um texto de Voltaire por d’Alembert no salão de madame de Geoffrin, 1812, óleo sobre tela, 130x196 cm, Museu Nacional dos castelos de Malmaison e de Bois-Préau Montesquieu Diderot Voltaire Rousseau D’Alembert Cafés Londres, gravura de 1750 Salões Madame Geoffrin
  • 12.
    Reunião da Maçonaria– cerimónia de iniciação de um maçon.
  • 13.
    Denis Diderot, 1713-84 Jeand’Alembert, 1717-83 Qual é o objetivo da Enciclopédia? A Enciclopédia De que forma a Enciclopédia responde às necessidades de quem quer “aprender sem dificuldade e em pouco tempo”? As pessoas gostam de saber, mas querem aprender sem dificuldade e em pouco tempo; é essa sem dúvida a causa pela qual nos aparecem todos os dias tantos métodos diferentes, e a razão pela qual se nos deparam tantos resumos. Jornal dos Sábios, novembro de 1749 Considera este texto atual?
  • 14.
    No século XVIII,os princípios iluministas também chegaram a Portugal através dos estrangeirados que convenceram o Marquês de Pombal a iniciar uma série de reformas. Portugal e o movimento iluminista Luís António Verney (1713-1792).  Os estrangeirados: Eram intelectuais portugueses que, tendo viajado, estudado e trabalhado no estrangeiro, trouxeram para Portugal as novas ideias iluministas. Exemplo: Luís António Verney (padre e professor), António Ribeiro Sanches (médico), Francisco Xavier de Oliveira (diplomata) e Avelar Brotero (botânico).
  • 15.
     A reformapombalina do ensino: A partir de 1759, após a expulsão dos Jesuítas de Portugal, o Marquês de Pombal iniciou a laicização e a reforma do ensino: Marquês de Pombal (1699-1782).  fundou as escolas menores (escolas régias de “ler, escrever e contar”);  criou escolas régias (base do ensino secundário) para o ensino das Humanidades;  fundou o Real Colégio dos Nobres;  fundou a Aula do Comércio (para burgueses);  encerrou a Universidade de Évora, dominada pelos Jesuítas;  reformou a Universidade de Coimbra, através da criação das faculdades de Matemática e de Filosofia, do Jardim Botânico, do Gabinete de Física e do Museu de História Natural.