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sobre o autor

 Machado de Assis, o bruxo
 das palavras - o cronista e
 seu tempo
 21min49seg em 14/09/2008


 O início da vida intelectual e
 literária do Rio de Janeiro do
 século XIX, por Machado de
 Assis. Um retrato da época
 pelo olhar oblíquo das
 crônicas, romances e contos
 do autor.


     http://globotv.globo.com/globo-news/gnews-documento/v/machado-de-assis-o-bruxo-das-palavras-o-cronista-e-seu-tempo/882633/
O “novo” Machado de Assis
“Memórias Póstumas de Brás Cubas marca
o início de uma segunda etapa da produção
de Machado de Assis. A partir dessa obra
ele se revela um gênio na análise
psicológica de personagens, tornando-se o
mais extreordinário contista (…),e um dos
raros de interesse universal, conforme
atestam as inúmeras traduções das suas
obras mais representativas.”

                  ( CEREJA, 1999. p.282)
Publicação da obra
     Machado de Assis publicou o
    romance na Revista Brasileira,
      como folhetim, em 1880.
   Em 1881 a obra ganhou formato
              de livro.
Estrutura da obra
      160 capítulos irregulares:
    alguns curtos, outros maiores.

              narrativa em 1ª pessoa
   faz jus ao título: “memórias”, contadas pelo
                    protagonista.

                   Narrativa não linear:
             fluxo de consciência do narrador.


        Quebra de verossimilhança: o narrador é um defunto.



              Narrador é observador e personagem (protagonista)
                              ao mesmo tempo.
A pena da galhofa
Machado de Assis cria um prólogo e nele
adianta que o leitor não está diante de um
romance comum, e alerta para a
despreocupação do narrador com a opinião do
leitor sobre o livro.

“Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da
melancolia;(...) a gente grave achará no livro
umas aparências de puro romance, ao passo
que a gente frívola não achará nele o seu
romance usual; (...) A obra em si mesma é tudo:
se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se
te não agradar, pago-te com um piparote, e
adeus.”
“O livro, inusitado, logo em sua primeira página, prepara o leitor para muitas
surpresas, ao escrever uma dedicatória em forma de epitáfio, onde Brás Cubas é
um defunto-autor que conta detalhes do seu funeral e, depois de algumas
divagações (...) retorna a sua infância de menino travesso e mimado pelo pai”
                                                              (LANDI, Evorah)




                                        “Algum tempo hesitei se devia abrir estas
                                      memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se
                                    poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a
                                    minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar
                                        pelo nascimento, duas considerações me
                                    levaram a adotar diferente método: a primeira é
                                     que eu não sou propriamente um autor defunto,
                                      mas um defunto autor, para quem a campa foi
                                      outro berço; a segunda é que o escrito ficaria
                                            assim mais galante e mais novo.”
                                                                            (Cap. I)
Irônico ou realista?
A visão irônica dos acontecimentos (...) mesclada a
comentários amargos e cínicos sobre a existência
produz uma concepção de mundo absolutamente
singular . (passeiweb.com.br)
“Acresce que chovia - peneirava - uma chuvinha
miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que
levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta
engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de
minha cova: (...) “Este ar sombrio, estas gotas do céu,
aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um
crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à
natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um
sublime louvor ao nosso ilustre finado."
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte
apólices que lhe deixei.”                     (Cap 1)
Defunto autor
           Ao declarar-se como alguém que escreve do túmulo, o narrador se disfarça como
alguém livre de pudores ou hipocrisia social ao contar suas experiências, pois não teria mais nada
a perder. Mas, em Machado de Assis, isso é uma armadilha para o leitor (lembre-se de Bentinho
em Dom Casmurro).
           Por tratar-se de “memórias”, a narrativa não segue ordem cronológica dos fatos, mas
obedece uma ordem regida pela emoção de Brás Cubas: “uma lembrança puxa outra”, e todas são
comentadas pelo próprio narrador que além de ser protagonista é também seu observador.


         “Com esse procedimento, o
        narrador consegue ficar além
        de nosso julgamento terreno e,
         desse modo, pode contar as
          memórias da forma como
             melhor lhe convém.”

                           (Guia do estudante)
Assunto da obra
                  “É o drama da irremediável tolice
              humana. São as memórias de um homem
              igual a tantos outros, o cauto e desfrutador
              Brás Cubas, que tudo tentou e nada
              deixou.
                  A vida moral e afetiva é superada pela
              existência biologicamente satisfeita, e as
              personagens se acomodam cinicamente ao
              erro.
                   O autor, nesta obra, acabou com o
              sentimentalismo, o moralismo superficial,
              a fictícia unidade da pessoa humana, as
              frases piegas, o receio de chocar
              preconceitos, a concepção do domínio do
              amor sobre todas as outras paixões”
                                    (Passeiweb.com.br)
Desmascaramento humano
            Machado de Assis usa Brás Cubas como o
           modelo do homem egoísta e que se ilude com
                   uma vida vazia de valores.

             Ao contar tudo o que viveu, o defunto faz
          reflexões sobre a falta de perspectiva do homem
                       burguês de seu tempo.

                “os erros e transgressões do personagem
                   expressariam o arbítrio e a falta de
              significado ético de uma elite historicamente
                        condenada à destruição.”
Personagens/enredo
                • morto aos 64 anos . Tornou-se um homem egoísta a ponto de discutir
 Brás Cubas       com a irmã pela prataria que fiou de herança do pai e trair seu
                  amigo, Lobo Neves..



                • Cunhado,casado com a irmã de Brás, Sabina. Cotrim é interesseiro,
   Cotrim         traficante de escravos e cruel com as pessoas que considera
                  “inferiores”, mandando castigar os negros até correr sangue.



                • casado com Virgília, homem frio e calculista, ambicioso, mas muito
 Lobo Neves       supersticioso. Chegou a pois recusar a nomeação para presidente de
                  uma província só porque a referida nomeação aconteceu num dia 13.



                 colega de escola de Brás e mendigo. Homem de um temperamento
Quincas Borba    exaltado, de certa arrogância . Evoluiu para filósofo e desenvolveu a
                       teoria do Humanitismo, que pretendia ser uma religião.
Personagens/enredo
               • Interesseira, bonita e ambiciosa,; amante apaixonada por Brás mas não
  Virgília       está disposta a romper com sua posição social, o conforto e o
                 reconhecimento da sociedade.

               • uma prostituta de elite, interessada no dinheiro de Brás. Mulher
  Marcela        sensual e mentirosa. Ganha muitas jóias de Brás Cubas. Contrai
                 varíola e fica feia.


             •menina bela, mas com um defeito físico (é coxa). Era moça séria,
  Eugênia    tranquila, olhos negros .

               • irmã de Brás e também valoriza mais o interesse pessoal e a
   Sabina        posição social do que os sentimentos ou laços familiares.


             moça simplória, tem a simpatia de Brás e sua morte - morre de febre
  Nhá Loló   amarela- choca o narrador.



 Venância    Sobrinha de Brás, a quem ele se refere como o “lírio do vale”.
As mulheres de
Brás Cubas
 “As quatro mulheres que participam da vida
 amorosa de Brás diferem em vários aspectos
 uma das outras. Marcela representa o
 profano, a descoberta do prazer carnal ao
 mesmo tempo que significa avareza,
 ambição e interesse financeiro. Eugênia
 representa a moça prendada, de família -
 mesmo não sendo fruto do matrimônio -
 pronta para se casar, mas infelizmente é
 coxa. "É bonita, mas é coxa". Virgília é o
 grande amor de Cubas. A mulher capaz de
 virar o mundo deste com um simples olhar.
 Virgília é repleta de sedução, pecado, feitiço
 e, por que não dizer: uma mulher feita para
 o amor da cabeça aos pés. E Nhã-loló tinha
 a beleza da conveniência social.”
                       (SOUSA, Cícera Araújo)
Machado e a cultura de sua época
 Em Memórias Póstumas de
Brás Cubas, a cultura “é
examinada sob o ângulo da
paródia. Todas as citações e
referências são extraídas de
seu contexto específico e
remetidas para o contexto
pessoal do narrador, como
se este debochasse da
tradição histórica e
religiosa, colocando o saber
culto de seu tempo de cabeça
para baixo.”
A borboleta preta (cap. 4)
  O capítulo A borboleta preta
ilustra as atitudes irracionais e
 socialmente justificadas, mas         “…foi parar em cima de um velho retrato de meu
  que de fato, são ilógicas. O         pai. Era negra como a noite.”
narrador leva o leitor a refletir      “Lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu”.
sobre a liberdade cínica que a             “Também por que diabo não era ela azul?”
sociedade nos oferece: somos                                                          (Cap XXXI)

  livres, desde que dentro do
             padrão.


                         “Este capítulo evidencia como um ser que se sente superior pode
                         agir contra um outro que “parece estar incomodando”. É mais fácil
                         dar um golpe de toalha de linho cru. Como podemos notar,
                         Machado se remete a uma análise da sua própria conduta, como se
                         estivesse ciente do que poderia fazer o contrário. E o estava.
                                                                  (COSTA,Paulo Machado da.)
O delírio (cap. 7)
   Neste capítulo, o narrador metaforicamente se
     encontra com a Natureza, que lhe permite
      contemplar a passagem dos séculos e
    entender o absurdo da existência, sempre
   igual, centrada apenas no egoísmo e na luta
                 pela conservação.
       O personagem vê a história como uma
                  eterna repetição.
                           (Passeiweb.com.br, adaptado)


“— Viver somente, não te peço mais nada. Quem me pôs
no coração este amor da vida, senão tu? e, se eu amo a
vida, por que te hás de golpear a ti mesma, matando-me?
— Porque já não preciso de ti. Não importa ao tempo o
minuto que passa, mas o minuto que vem. O minuto que
vem é forte, jucundo, supõe trazer em si a eternidade, e
traz a morte, e perece como o outro, mas o tempo
subsiste.”
           (Cap. VII)
Crítica ao cientificismo
(cap.117)
  A personagem Quincas Borba é a                    “não há mendigo que não prefira a miséria à
caricatura condensada dos cientistas e              morte (...). Porquanto, verdadeiramente há só
 filósofos da época, e seu discurso se              uma desgraça: é não nascer.”
aproxima da insanidade , dizendo que a
        evolução (darwinismo) é                             “(…)é claro que nenhum homem é
      “centrada na luta selvagem                      fundamentalmente oposto a outro homem,
     do indivíduo para estabelecer                   quaisquer que sejam as aparências contrárias.
    algum tipo de supremacia sobre                  (...) e sendo a luta a grande função do gênero
              os demais.”                           humano, todos os sentimentos belicosos são os
    – a sobrevivência do mais apto.                 mais adequados à sua felicidade. Daí vem que a
                                                                  inveja é uma virtude.
                                                                  (Memórias Póstumas de Brás Cubas cap.CXVII)




      Quincas Borba é o criador do Humanitismo, sistema de filosofia destinado a arruinar
      todos os demais, segundo o qual a dor é uma ilusão, e a única desgraça é não nascer: a
      filosofia definitiva deixava seu criador na ante-sala da loucura, na busca de explicações
      únicas para fenômenos das várias ordens - físicas, químicas, psíquicas, sociais.
Das negativas (cap.)
NÃO-REALIZAÇÕES
          O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo
que se realize por completo.
          A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas.
• Brás Cubas não se casa.
• Não consegue concluir o emplasto.
• Não consegue conquistar a glória na sociedade.
• Torna-se deputado, mas seu desempenho é medíocre.
• e não tem filhos.

           A força da obra está justamente nessas não-realizações, nesses detalhes. Os
leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer.
           Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista.

                                                            (Guia do Estudante Abril)
O desfecho da obra
                     Assim, esse romance poderia ser
                conceituado como a história dos
                caprichos da elite brasileira do século
                XIX e seus desdobramentos, contexto
                do qual Brás Cubas é,
                metonimicamente, um representante.
                    Aos 64 anos, ao tentar inventar
                um remédio sublime para a
                hipocondria, morre Brás Cubas. E
                com ele o segredo do seu invento.

                                    (Guia do Estudante Abril)
“Machado de Assis
  fundou a literatura
  brasileira enquanto
  entidade autônoma,
  desvinculada de um
  projeto nacional, e
 exatamente por isso
   madura, aberta ao
diálogo com os valores
     universais da
     humanidade.”
          (UOL Educação)
Filmografia Indicada

     Brasil, 2001.
Fontes de pesquisa
Todas as imagens utilizadas nesta apresentação estão disponíveis na internet.
•   http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_416007.shtml
•   LANDI, Evorah. Disponível em http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2010/08/15/resenha-literaria-memorias-postumas-de-
    bras-cubas/
•   http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/m/memorias_postumas_bras_cubas
•   Assis, Machado de. Obra Completa. vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
•   Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro http://www.bibvirt.futuro.usp.br
•   http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=1263&cat=Teses_Monologos&vinda=S
•   SOUSA, Cícera Araújo. As mulheres inviáveis nas Memórias Póstumas de Brás Cubas
•   disponível em://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/37/artigo225099-2.asp)




                              Pesquisa e organização
Profa. Cláudia Heloísa C. Andria
Graduada em Letras – Unisantos
Contato: clauheloisa@yahoo.com.br

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Memórias Póstumas de Brás Cubas

  • 1.
  • 2. sobre o autor Machado de Assis, o bruxo das palavras - o cronista e seu tempo 21min49seg em 14/09/2008 O início da vida intelectual e literária do Rio de Janeiro do século XIX, por Machado de Assis. Um retrato da época pelo olhar oblíquo das crônicas, romances e contos do autor. http://globotv.globo.com/globo-news/gnews-documento/v/machado-de-assis-o-bruxo-das-palavras-o-cronista-e-seu-tempo/882633/
  • 3. O “novo” Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cubas marca o início de uma segunda etapa da produção de Machado de Assis. A partir dessa obra ele se revela um gênio na análise psicológica de personagens, tornando-se o mais extreordinário contista (…),e um dos raros de interesse universal, conforme atestam as inúmeras traduções das suas obras mais representativas.” ( CEREJA, 1999. p.282)
  • 4. Publicação da obra Machado de Assis publicou o romance na Revista Brasileira, como folhetim, em 1880. Em 1881 a obra ganhou formato de livro.
  • 5. Estrutura da obra 160 capítulos irregulares: alguns curtos, outros maiores. narrativa em 1ª pessoa faz jus ao título: “memórias”, contadas pelo protagonista. Narrativa não linear: fluxo de consciência do narrador. Quebra de verossimilhança: o narrador é um defunto. Narrador é observador e personagem (protagonista) ao mesmo tempo.
  • 6. A pena da galhofa Machado de Assis cria um prólogo e nele adianta que o leitor não está diante de um romance comum, e alerta para a despreocupação do narrador com a opinião do leitor sobre o livro. “Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia;(...) a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; (...) A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.”
  • 7. “O livro, inusitado, logo em sua primeira página, prepara o leitor para muitas surpresas, ao escrever uma dedicatória em forma de epitáfio, onde Brás Cubas é um defunto-autor que conta detalhes do seu funeral e, depois de algumas divagações (...) retorna a sua infância de menino travesso e mimado pelo pai” (LANDI, Evorah) “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.” (Cap. I)
  • 8. Irônico ou realista? A visão irônica dos acontecimentos (...) mesclada a comentários amargos e cínicos sobre a existência produz uma concepção de mundo absolutamente singular . (passeiweb.com.br) “Acresce que chovia - peneirava - uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de minha cova: (...) “Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado." Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei.” (Cap 1)
  • 9. Defunto autor Ao declarar-se como alguém que escreve do túmulo, o narrador se disfarça como alguém livre de pudores ou hipocrisia social ao contar suas experiências, pois não teria mais nada a perder. Mas, em Machado de Assis, isso é uma armadilha para o leitor (lembre-se de Bentinho em Dom Casmurro). Por tratar-se de “memórias”, a narrativa não segue ordem cronológica dos fatos, mas obedece uma ordem regida pela emoção de Brás Cubas: “uma lembrança puxa outra”, e todas são comentadas pelo próprio narrador que além de ser protagonista é também seu observador. “Com esse procedimento, o narrador consegue ficar além de nosso julgamento terreno e, desse modo, pode contar as memórias da forma como melhor lhe convém.” (Guia do estudante)
  • 10. Assunto da obra “É o drama da irremediável tolice humana. São as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas, que tudo tentou e nada deixou. A vida moral e afetiva é superada pela existência biologicamente satisfeita, e as personagens se acomodam cinicamente ao erro. O autor, nesta obra, acabou com o sentimentalismo, o moralismo superficial, a fictícia unidade da pessoa humana, as frases piegas, o receio de chocar preconceitos, a concepção do domínio do amor sobre todas as outras paixões” (Passeiweb.com.br)
  • 11. Desmascaramento humano Machado de Assis usa Brás Cubas como o modelo do homem egoísta e que se ilude com uma vida vazia de valores. Ao contar tudo o que viveu, o defunto faz reflexões sobre a falta de perspectiva do homem burguês de seu tempo. “os erros e transgressões do personagem expressariam o arbítrio e a falta de significado ético de uma elite historicamente condenada à destruição.”
  • 12. Personagens/enredo • morto aos 64 anos . Tornou-se um homem egoísta a ponto de discutir Brás Cubas com a irmã pela prataria que fiou de herança do pai e trair seu amigo, Lobo Neves.. • Cunhado,casado com a irmã de Brás, Sabina. Cotrim é interesseiro, Cotrim traficante de escravos e cruel com as pessoas que considera “inferiores”, mandando castigar os negros até correr sangue. • casado com Virgília, homem frio e calculista, ambicioso, mas muito Lobo Neves supersticioso. Chegou a pois recusar a nomeação para presidente de uma província só porque a referida nomeação aconteceu num dia 13. colega de escola de Brás e mendigo. Homem de um temperamento Quincas Borba exaltado, de certa arrogância . Evoluiu para filósofo e desenvolveu a teoria do Humanitismo, que pretendia ser uma religião.
  • 13. Personagens/enredo • Interesseira, bonita e ambiciosa,; amante apaixonada por Brás mas não Virgília está disposta a romper com sua posição social, o conforto e o reconhecimento da sociedade. • uma prostituta de elite, interessada no dinheiro de Brás. Mulher Marcela sensual e mentirosa. Ganha muitas jóias de Brás Cubas. Contrai varíola e fica feia. •menina bela, mas com um defeito físico (é coxa). Era moça séria, Eugênia tranquila, olhos negros . • irmã de Brás e também valoriza mais o interesse pessoal e a Sabina posição social do que os sentimentos ou laços familiares. moça simplória, tem a simpatia de Brás e sua morte - morre de febre Nhá Loló amarela- choca o narrador. Venância Sobrinha de Brás, a quem ele se refere como o “lírio do vale”.
  • 14. As mulheres de Brás Cubas “As quatro mulheres que participam da vida amorosa de Brás diferem em vários aspectos uma das outras. Marcela representa o profano, a descoberta do prazer carnal ao mesmo tempo que significa avareza, ambição e interesse financeiro. Eugênia representa a moça prendada, de família - mesmo não sendo fruto do matrimônio - pronta para se casar, mas infelizmente é coxa. "É bonita, mas é coxa". Virgília é o grande amor de Cubas. A mulher capaz de virar o mundo deste com um simples olhar. Virgília é repleta de sedução, pecado, feitiço e, por que não dizer: uma mulher feita para o amor da cabeça aos pés. E Nhã-loló tinha a beleza da conveniência social.” (SOUSA, Cícera Araújo)
  • 15. Machado e a cultura de sua época Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, a cultura “é examinada sob o ângulo da paródia. Todas as citações e referências são extraídas de seu contexto específico e remetidas para o contexto pessoal do narrador, como se este debochasse da tradição histórica e religiosa, colocando o saber culto de seu tempo de cabeça para baixo.”
  • 16. A borboleta preta (cap. 4) O capítulo A borboleta preta ilustra as atitudes irracionais e socialmente justificadas, mas “…foi parar em cima de um velho retrato de meu que de fato, são ilógicas. O pai. Era negra como a noite.” narrador leva o leitor a refletir “Lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu”. sobre a liberdade cínica que a “Também por que diabo não era ela azul?” sociedade nos oferece: somos (Cap XXXI) livres, desde que dentro do padrão. “Este capítulo evidencia como um ser que se sente superior pode agir contra um outro que “parece estar incomodando”. É mais fácil dar um golpe de toalha de linho cru. Como podemos notar, Machado se remete a uma análise da sua própria conduta, como se estivesse ciente do que poderia fazer o contrário. E o estava. (COSTA,Paulo Machado da.)
  • 17. O delírio (cap. 7) Neste capítulo, o narrador metaforicamente se encontra com a Natureza, que lhe permite contemplar a passagem dos séculos e entender o absurdo da existência, sempre igual, centrada apenas no egoísmo e na luta pela conservação. O personagem vê a história como uma eterna repetição. (Passeiweb.com.br, adaptado) “— Viver somente, não te peço mais nada. Quem me pôs no coração este amor da vida, senão tu? e, se eu amo a vida, por que te hás de golpear a ti mesma, matando-me? — Porque já não preciso de ti. Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem. O minuto que vem é forte, jucundo, supõe trazer em si a eternidade, e traz a morte, e perece como o outro, mas o tempo subsiste.” (Cap. VII)
  • 18. Crítica ao cientificismo (cap.117) A personagem Quincas Borba é a “não há mendigo que não prefira a miséria à caricatura condensada dos cientistas e morte (...). Porquanto, verdadeiramente há só filósofos da época, e seu discurso se uma desgraça: é não nascer.” aproxima da insanidade , dizendo que a evolução (darwinismo) é “(…)é claro que nenhum homem é “centrada na luta selvagem fundamentalmente oposto a outro homem, do indivíduo para estabelecer quaisquer que sejam as aparências contrárias. algum tipo de supremacia sobre (...) e sendo a luta a grande função do gênero os demais.” humano, todos os sentimentos belicosos são os – a sobrevivência do mais apto. mais adequados à sua felicidade. Daí vem que a inveja é uma virtude. (Memórias Póstumas de Brás Cubas cap.CXVII) Quincas Borba é o criador do Humanitismo, sistema de filosofia destinado a arruinar todos os demais, segundo o qual a dor é uma ilusão, e a única desgraça é não nascer: a filosofia definitiva deixava seu criador na ante-sala da loucura, na busca de explicações únicas para fenômenos das várias ordens - físicas, químicas, psíquicas, sociais.
  • 19. Das negativas (cap.) NÃO-REALIZAÇÕES O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo que se realize por completo. A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas. • Brás Cubas não se casa. • Não consegue concluir o emplasto. • Não consegue conquistar a glória na sociedade. • Torna-se deputado, mas seu desempenho é medíocre. • e não tem filhos. A força da obra está justamente nessas não-realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista. (Guia do Estudante Abril)
  • 20. O desfecho da obra Assim, esse romance poderia ser conceituado como a história dos caprichos da elite brasileira do século XIX e seus desdobramentos, contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um representante. Aos 64 anos, ao tentar inventar um remédio sublime para a hipocondria, morre Brás Cubas. E com ele o segredo do seu invento. (Guia do Estudante Abril)
  • 21. “Machado de Assis fundou a literatura brasileira enquanto entidade autônoma, desvinculada de um projeto nacional, e exatamente por isso madura, aberta ao diálogo com os valores universais da humanidade.” (UOL Educação)
  • 22. Filmografia Indicada Brasil, 2001.
  • 23. Fontes de pesquisa Todas as imagens utilizadas nesta apresentação estão disponíveis na internet. • http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_416007.shtml • LANDI, Evorah. Disponível em http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2010/08/15/resenha-literaria-memorias-postumas-de- bras-cubas/ • http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/m/memorias_postumas_bras_cubas • Assis, Machado de. Obra Completa. vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. • Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro http://www.bibvirt.futuro.usp.br • http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=1263&cat=Teses_Monologos&vinda=S • SOUSA, Cícera Araújo. As mulheres inviáveis nas Memórias Póstumas de Brás Cubas • disponível em://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/37/artigo225099-2.asp) Pesquisa e organização Profa. Cláudia Heloísa C. Andria Graduada em Letras – Unisantos Contato: clauheloisa@yahoo.com.br