Álvares de Azevedo

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Introdução a obra de Álvares de Azevedo, autor brasileiro do ultrarromantismo.

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Álvares de Azevedo

  1. 1. Álvares de Azevedo 2ª geração do Romantismo no Brasil
  2. 2. O jovem autor Nascido em São Paulo, Manuel Antônio Álvares de Azevedo viveu os primeiros anos de vida no Rio de Janeiro mas retornou para São Paulo para estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. (adaptado de Educação.globo.com)
  3. 3. Obras Poesia Lira dos vinte anos Conto Noite na Taverna Teatro Macário O jovem autor ultrarromântico
  4. 4. A lira dos vinte anos “É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.” (Álvares de Azevedo. in A lira dos vinte anos, prefácio)
  5. 5. A lira dos vinte anos A obra é organizada em três partes. • A primeira apresenta uma poesia de cunho idealizante, sentimental e abstrato. • São 33 poemas 1ª parte • Na segunda, o poeta envereda pela ironia e pelo sarcasmo. • São 19 poemas 2ª parte A terceira parte é uma retomada da primeira São 29 poemas3ª parte Conteúdo extraído de Guia do Estudante online
  6. 6. Ariel e Caliban “As poesias são escritas sob o signo das entidades místicas Ariel e Caliban, que foram tomadas emprestadas da peça A Tempestade, de William Shakespeare. Pode-se dizer que, grosso modo, Ariel representa a face do bem e Caliban, a do mal. Em A Lira dos Vinte Anos, esses personagens encarnam as duas facetas exploradas pelo autor na primeira e na segunda partes do livro.” (Guia do Estudante)
  7. 7. Ariel “Com Ariel estão os temas (...) como o amor, a mulher e Deus, trabalhados num viés platônico e sentimental. A mulher assume caráter sobre-humano de virgem angelical, objeto amoroso de um encontro que, para a angústia do eu-lírico, nunca se realiza.” [Ariel rege a primeira parte do livro], que recebe uma influência mais idealizada e terna, típica dos franceses Musset e Lamartine.” (Guia do Estudante) “Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou — como isso dou a lume essas harmonias”. (Álvares de Azevedo. in A lira dos vinte anos, prefácio da primeira parte) O poema a seguir está na 1ª parte da obra...
  8. 8. Ai! quando de noite, sozinha à janela Co'a face na mão te vejo ao luar, Por que, suspirando, tu sonhas, donzela? A noite vai bela, E a vista desmaia Ao longe na praia Do mar! Por quem essa lágrima orvalha-te os dedos, Como água da chuva cheiroso jasmim? Na cisma que anjinho te conta segredos? Que pálidos medos? Suave morena, Acaso tens pena De mim? Donzela sombria, na brisa não sentes A dor que um suspiro em meus lábios tremeu? E a noite, que inspira no seio dos entes Os sonhos ardentes, Não diz-te que a voz Que fala-te a sós Sou eu? Acorda! Não durmas da cisma no véu! Amemos, vivamos, que amor é sonhar! Um beijo, donzela! Não ouves? no céu A brisa gemeu... As vagas murmuraram... As folhas sussurram: Amar! Cismar Pela janela, John Simmons
  9. 9. Caliban “Caliban (...) é a face sarcástica, irônica e autocrítica do fazer poético. Sobressaem os temas da melancolia, da tristeza, da morbidez e de Satã. [Caliban rege a segunda parte do livro: ]irônica e satânica, vem diretamente do poeta Lord Byron. “ (Guia do Estudante) “Vamos entrar num mundo novo, terra fantástica (...) Nos mesmos lábios onde suspirava a monodia amorosa, vem a sátira que morde” (Álvares de Azevedo. in A lira dos vinte anos, prefácio da segunda parte) O poema a seguir está na 2ª parte da obra...
  10. 10. De tanta inspiração e tanta vida, Que os nervos convulsivos inflamava E ardia sem conforto... O que resta? — uma sombra esvaecida, Um triste que sem mãe agonizava... — Resta um poeta morto! Morrer! E resvalar na sepultura, Frias na fronte as ilusões! no peito Quebrado o coração! Nem saudades levar da vida impura Onde arquejou de fome... sem um leito! Em treva e solidão! Tu foste como o sol; tu parecias Ter na aurora da vida a eternidade Na larga fronte escrita... Porém não voltarás como surgias! Apagou-se teu sol da mocidade Numa treva maldita! Tua estrela mentiu. E do fadário De tua vida a página primeira Na tumba se rasgou... Pobre gênio de Deus, nem um sudário! Nem túmulo nem cruz! como a caveira Que um lobo devorou!... Um cadáver de poeta
  11. 11. Livroclip disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kQ9w2iB0m34 “-Mancebo, quem és tu? Que importa o nome? Um poeta de santas harmonias Que a Musa obscena do bordel profana”. (in Glória Moribunda) “O poeta rock ‘n roll
  12. 12. Por que mentias? Trecho da novela essas mulheres SBT disponível em https://www.youtube.com/watch?v=shfRgd2kLfM Por que mentias leviana e bela? Se minha face pálida sentias Queimada pela febre, e minha vida Tu vias desmaiar, por que mentias? Acordei da ilusão, a sós morrendo Sinto na mocidade as agonias. Por tua causa desespero e morro... Leviana sem dó, por que mentias? Sabe Deus se te amei! Sabem as noites Essa dor que alentei, que tu nutrias! Sabe esse pobre coração que treme Que a esperança perdeu por que mentias! Vê minha palidez- a febre lenta Esse fogo das pálpebras sombrias... Pousa a mão no meu peito! Eu morro! Eu morro! Leviana sem dó, por que mentias? Este poema está na 3ª parte do livro
  13. 13. Álvares de Azevedo na TV Em Malhação 2012, as personagens Morgana e Rafael declamam um poema do autor (capítulo do dia 30 de Out de 2012) http://globoplay.globo.com/v/2216586/ Lembrança doa quinze anos Nos meus quinze anos eu sofria tanto! Agora enfim meu padecer descansa... Minh 'alma emudeceu, na noite dela Adormeceu a pálida esperança! Já não sinto ambições e se esvaíram As vagas formas, a visão confusa De meus dias de amor, nem doces voltam Os sons aéreos da divina Musa! (...) Quanto, quanto sonhei! como velava Cheio de febre, ansioso de ternuras! Como era virgem o meu lábio ardente! A alma tão santa! as emoções tão puras! E como t'esperei, anjo dos sonhos, Ideal de mulher que me sorrias, E me beijando nesta fronte pálida A um mundo belo de ilusões me erguias! O meu peito era um eco de murmúrios... De delírio vivi como os insanos! Nos meus quinze anos eu sofria tanto! Ardi ao fogo dos primeiros anos!
  14. 14. Se eu morresse amanhã Este poema foi escrito pouco tempo antes de sua morte Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã! Que sol! que céu azul! que doce n'alva Acorda a natureza mais loucã! Não me batera tanto amor no peito Se eu morresse amanhã! Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã! Ouça na voz de Paulo Autran https://www.youtube.com/watch?v=CDfrY62cCEM
  15. 15. Fontes de Pesquisa • AZEVEDO, Alvares. A lira dos vinte anos. São Paulo. FTD, 1994. • http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_414737.shtml • http://educacao.globo.com/literatura/assunto/autores/alvares-de-azevedo.html Profa. Cláudia Heloísa Cunha Andria contato: clauheloisa@yahoo.com.br Organização e pesquisa

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