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MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE
BRÁS CUBAS
(1881)
MACHADO DE ASSIS
A INAUGURAÇÃO DO ROMANCE
PSICOLÓGICO NA LITERATURA
BRASILEIRA
Nesta história fantasticamente narrada
por um defunto-autor, Machado de Assis
utiliza-se da pretensa superioridade do
narrador-protagonista, Brás Cubas, para
denunciar a precariedade da condição
humana, num exemplo universal e
intemporal de Realismo irônico, niilista,
filosófico e metafísico.
AO VERME
QUE
PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES
DO MEU CADÁVER
DEDICO
COMO SAUDOSA LEMBRANÇA
ESTAS
MEMÓRIAS PÓSTUMAS
CAPÍTULO I – ÓBITO DO AUTOR
Algum tempo hesitei se devia abrir estas
memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria
em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha
morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo
nascimento, duas considerações me levaram a
adotar diferente método: a primeira é que eu não
sou propriamente um autor defunto, mas um
defunto autor, para quem a campa foi outro berço;
a segunda é que o escrito ficaria assim mais
galante e mais novo. Moisés, que também contou a
sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo;
diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
CAPÍTULO I – ÓBITO DO AUTOR
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma
sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela
chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos,
rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos
contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.
Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem
anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma
chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão
triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a
intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu
à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus
senhores, vós podeis
dizer comigo que a natureza parece estar chorando a
perda irreparável de um dos mais belos caracteres que
tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas
gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul
como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que
lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso
é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.”
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte
apólices que lhe deixei. (...)
NARRADOR:
 Foco narrativo em 1º pessoa: armadilha
machadiana;
 Dica: colocar em dúvida a veracidade do relato,
seguindo de perto as pistas dadas pelo próprio
narrador;
 Manipulação, presunção e superioridade (mania
de grandeza).
CAPÍTULO II – O EMPLASTO
Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na
chácara, pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha
no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear,
a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível
crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um
grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a
forma de um X: decifra-me ou devoro-te.
Essa ideia era nada menos que a invenção de um
medicamento sublime, um emplasto antihipocondríaco,
destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na
petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do
governo para esse resultado, verdadeiramente cristão.
Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que
deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e
tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro
lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu
principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais,
mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas do
remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que
negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do cartaz, do foguete
de lágrimas. Talvez os modestos me arguam esse defeito; fio,
porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis (...)
ENREDO
 Brás Cubas é um homem rico e solteiro que, depois de morto, resolve
se dedicar à tarefa de narrar sua própria vida. Dessa perspectiva,
emite opiniões sem se preocupar com o julgamento que os vivos
podem fazer dele. De sua infância, registra apenas o contato com um
colega de escola, Quincas Borba, e o comportamento de menino
endiabrado, que o fazia maltratar o escravo Prudêncio e atrapalhar os
amores adúlteros de uma amiga da família, D. Eusébia. Da
juventude, resgata o envolvimento com uma prostituta de luxo,
Marcela. 
 Depois de retornar de uma temporada de estudos na Europa, vive
uma existência de moço rico, despreocupado e fútil. Conhece a filha de
D. Eusébia, Eugênia, e a despreza por ser manca. Envolve-se com
Virgília, uma namorada da juventude, agora casada com o político
Lobo Neves. O adultério dura muitos anos e se desfaz de maneira fria.
Brás ainda se aproxima de Nhã Loló, parenta de seu cunhado Cotrim,
mas a morte da moça interrompe o projeto de casamento. 
 Desse ponto até o fim da vida, Brás se dedica à carreira política, que
exerce sem talento, e a ações beneficentes, que pratica sem nenhuma
paixão. O balanço final, tão melancólico quanto a própria existência,
arremata a narrativa de forma pessimista: “Não tive filhos, não
transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.
PERSONAGENS
o Brás Cubas (protagonista): espécie de anti-
modelo quanto ao ideal burguês de “vencer na
vida”; constitui uma inversão da travessia dos
heróis burgueses; com este personagem, Machado
de Assis questiona o formato do Realismo
tradicional, da neutralidade do sujeito e da
imparcialidade de quem narra.
o Quincas Borba: por meio desse personagem, o
autor faz uma paródia às doutrinas positivistas e
deterministas importadas pelo Brasil. Quincas
Borba é um dos raros amigos de Brás Cubas, que
de mendigo ladrão de relógios torna-se filósofo,
enlouquecendo pouco antes de sua morte. A
temática do Humanitismo reaparecerá no
romance Quicas Borba (de 1891)
PERSONAGENS
o Marcela: cortesã interesseira que o enganou,
acaba sendo atacada pela varíola, que deixa
marcas no rosto da espanhola.
o Lobo Neves: o homem que lhe rouba a esposa e
o cargo de deputado. É supersticioso.
o Cotrim: o cunhado com quem é obrigado a
dividir a herança do pai.
o Virgínia: esposa de Lobo Neves e amante de
Brás Cubas, a única a quem ele diz ter amado e
que o amou.
LINGUAGEM
o Linguagem sutil, ambígua e repleta de humor
cáustico;
o Ironiza as ilusões românticas;
o Distancia-se das obras realistas de seu tempo e
anuncia a modernidade literária produzida no
século seguinte (XX).
CAPÍTULO VII – O DELÍRIO
Que me conste, ainda ninguém relatou o seu
próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo
agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação
destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo;
vá direito à narração. Mas, por menos curioso que
seja, sempre lhe digo que é interessante saber o
que se passou na minha cabeça durante uns vinte a
trinta minutos.
CAPÍTULO LXXI – O SENÃO DO
LIVRO
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele
me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente,
expedir alguns magros capítulos para esse mundo
sempre é tarefa que distrai um pouco da
eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a
sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício
grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste
livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o
livro anda devagar; tu amas a narração direita e
nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o
meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à
esquerda, andam e param, resmungam, urram,
gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
LIVRO
Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me
lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um
tanto agastada com o capítulo anterior, começa a
tremer pela sorte de Eugênia, e talvez..., sim,
talvez, lá no fundo de si mesma, me chame cínico.
Eu cínico, alma sensível? Pela coxa de Diana! Esta
injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue
lavasse alguma coisa nesse mundo. Não, alma
sensível, eu não sou cínico, eu fui homem; meu
cérebro foi um tablado em que se deram peças de
todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a
comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as
bufonerias, um pandemônio, alma sensível, uma
barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver
tudo, desde a rosa de Smirna até a arruda do teu
quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o
recanto da praia em que o mendigo tirita o seu
CONTEXTO
A publicação desse romance, em 1881, é
precedida pela formato em folhetim da obra,
publicado na “Revista Brasileira” entre março e
dezembro de 1880. Memórias Póstumas de Brás
Cubas é o marco inaugural do realismo no Brasil.
Como fica explícito no título, quem narra as
memórias já está morto, o que estabelece um
diálogo crítico com a estética realista. Noções como
verdade, ciência e razão são colocadas em discussão
e relativizadas por Brás Cubas. O narrador vê o
mundo com ceticismo e desprezo e, dirigindo sua
crítica ao gênero humano, transforma o próprio
leitor em uma das vítimas das ironias do livro.
CONTEXTO
A ação do romance abarca a segunda metade do
século XIX, período que corresponde ao governo de
D. Pedro II. A juventude de Brás coincide com a
Independência do Brasil, em 1822. Assim, sua
chegada à idade adulta pode simbolizar a
maturidade social brasileira.
ANÁLISE
Memórias póstumas de Brás Cubas se enquadra no
gênero literário conhecido como sátira menipéia, no
qual um morto se dirige aos vivos para criticar a
sociedade humana. É exatamente o que faz o
narrador, ao contar a história de sua vida após o
próprio falecimento. A leitura do romance deve
levar em conta a dupla condição do protagonista:
há o Brás vivo e o Brás morto.
ANÁLISE
o A sociedade é caracterizada como o espaço do jogo
entre aparência e essência, onde as pessoas
interpretam papéis e fingem ser o que realmente
não são. A impossibilidade de conhecer as
profundezas da alma não impede o narrador de
reconhecer a miséria moral da humanidade.
o Essa descoberta é sustentada sem problemas pelo
Brás vivo, embasado na filosofia do humanitismo,
que afirma que toda atitude humana, boa ou má,
é justificável como um ato de preservação da
espécie. O Brás morto, de sua parte, é capaz de
olhar com ceticismo a própria teoria, chegando a
uma conclusão que nada tem de otimista: por ele,
a espécie humana termina ali, já que não deixa
herdeiros da “nossa miséria”.
LIVRO
Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me
lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um
tanto agastada com o capítulo anterior, começa a
tremer pela sorte de Eugênia, e talvez..., sim,
talvez, lá no fundo de si mesma, me chame cínico.
Eu cínico, alma sensível? Pela coxa de Diana! Esta
injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue
lavasse alguma coisa nesse mundo. Não, alma
sensível, eu não sou cínico, eu fui homem; meu
cérebro foi um tablado em que se deram peças de
todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a
comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as
bufonerias, um pandemônio, alma sensível, uma
barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver
tudo, desde a rosa de Smirna até a arruda do teu
quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o
recanto da praia em que o mendigo tirita o seu
CAPÍTULO CLX – DAS NEGATIVAS
Entre a morte do Quincas Borba e a minha,
mediaram os sucessos narrados na primeira parte
do livro. O principal deles foi a invenção do
emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por
causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, tu
me darias o primeiro lugar entre os homens, acima
da ciência e da riqueza, porque eras a genuína e
direta inspiração do céu. O acaso determinou o
contrário; e ai vos ficais eternamente
hipocondríacos.
LIVRO
Este último capítulo é todo de negativas. Não
alcancei a celebridade do emplasto, não fui
ministro, não fui califa, não conheci o casamento.
Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a
boa fortuna de não comprar o pão com o suor do
meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona
Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba.
Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa
imaginará que não houve míngua nem sobra, e,
conseguintemente que saí quite com a vida. E
imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado
do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é
a derradeira negativa deste capítulo de negativas:
— Não tive filhos, não transmiti a nenhuma
criatura o legado da nossa miséria.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMARAL, E.; ANTÔNIO, S.; PATROCÍNIO, M. F.
Iracema. In: Português: redação, gramática,
literatura e interpretação de texto. São Paulo:
Nova Cultural, 1999, p. 369-372.
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás
Cubas. São Paulo: Martin Claret, 2004.
MARCÍLIO, Fernando. Resumo de Memórias
póstumas de Brás Cubas. Disponível em:
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resu
mos-de-livros/memorias-postumas-de-bras-
cubas.html. Acesso em 31 de maio de 2015.

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Memórias póstumas de brás cubas

  • 1. MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (1881) MACHADO DE ASSIS
  • 2. A INAUGURAÇÃO DO ROMANCE PSICOLÓGICO NA LITERATURA BRASILEIRA Nesta história fantasticamente narrada por um defunto-autor, Machado de Assis utiliza-se da pretensa superioridade do narrador-protagonista, Brás Cubas, para denunciar a precariedade da condição humana, num exemplo universal e intemporal de Realismo irônico, niilista, filosófico e metafísico.
  • 3. AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER DEDICO COMO SAUDOSA LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS
  • 4. CAPÍTULO I – ÓBITO DO AUTOR Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
  • 5. CAPÍTULO I – ÓBITO DO AUTOR Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. (...)
  • 6. NARRADOR:  Foco narrativo em 1º pessoa: armadilha machadiana;  Dica: colocar em dúvida a veracidade do relato, seguindo de perto as pistas dadas pelo próprio narrador;  Manipulação, presunção e superioridade (mania de grandeza).
  • 7. CAPÍTULO II – O EMPLASTO Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te. Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto antihipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me arguam esse defeito; fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis (...)
  • 8. ENREDO  Brás Cubas é um homem rico e solteiro que, depois de morto, resolve se dedicar à tarefa de narrar sua própria vida. Dessa perspectiva, emite opiniões sem se preocupar com o julgamento que os vivos podem fazer dele. De sua infância, registra apenas o contato com um colega de escola, Quincas Borba, e o comportamento de menino endiabrado, que o fazia maltratar o escravo Prudêncio e atrapalhar os amores adúlteros de uma amiga da família, D. Eusébia. Da juventude, resgata o envolvimento com uma prostituta de luxo, Marcela.   Depois de retornar de uma temporada de estudos na Europa, vive uma existência de moço rico, despreocupado e fútil. Conhece a filha de D. Eusébia, Eugênia, e a despreza por ser manca. Envolve-se com Virgília, uma namorada da juventude, agora casada com o político Lobo Neves. O adultério dura muitos anos e se desfaz de maneira fria. Brás ainda se aproxima de Nhã Loló, parenta de seu cunhado Cotrim, mas a morte da moça interrompe o projeto de casamento.   Desse ponto até o fim da vida, Brás se dedica à carreira política, que exerce sem talento, e a ações beneficentes, que pratica sem nenhuma paixão. O balanço final, tão melancólico quanto a própria existência, arremata a narrativa de forma pessimista: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.
  • 9. PERSONAGENS o Brás Cubas (protagonista): espécie de anti- modelo quanto ao ideal burguês de “vencer na vida”; constitui uma inversão da travessia dos heróis burgueses; com este personagem, Machado de Assis questiona o formato do Realismo tradicional, da neutralidade do sujeito e da imparcialidade de quem narra. o Quincas Borba: por meio desse personagem, o autor faz uma paródia às doutrinas positivistas e deterministas importadas pelo Brasil. Quincas Borba é um dos raros amigos de Brás Cubas, que de mendigo ladrão de relógios torna-se filósofo, enlouquecendo pouco antes de sua morte. A temática do Humanitismo reaparecerá no romance Quicas Borba (de 1891)
  • 10. PERSONAGENS o Marcela: cortesã interesseira que o enganou, acaba sendo atacada pela varíola, que deixa marcas no rosto da espanhola. o Lobo Neves: o homem que lhe rouba a esposa e o cargo de deputado. É supersticioso. o Cotrim: o cunhado com quem é obrigado a dividir a herança do pai. o Virgínia: esposa de Lobo Neves e amante de Brás Cubas, a única a quem ele diz ter amado e que o amou.
  • 11. LINGUAGEM o Linguagem sutil, ambígua e repleta de humor cáustico; o Ironiza as ilusões românticas; o Distancia-se das obras realistas de seu tempo e anuncia a modernidade literária produzida no século seguinte (XX).
  • 12. CAPÍTULO VII – O DELÍRIO Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direito à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos.
  • 13. CAPÍTULO LXXI – O SENÃO DO LIVRO Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
  • 14. LIVRO Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um tanto agastada com o capítulo anterior, começa a tremer pela sorte de Eugênia, e talvez..., sim, talvez, lá no fundo de si mesma, me chame cínico. Eu cínico, alma sensível? Pela coxa de Diana! Esta injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue lavasse alguma coisa nesse mundo. Não, alma sensível, eu não sou cínico, eu fui homem; meu cérebro foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as bufonerias, um pandemônio, alma sensível, uma barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver tudo, desde a rosa de Smirna até a arruda do teu quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o recanto da praia em que o mendigo tirita o seu
  • 15. CONTEXTO A publicação desse romance, em 1881, é precedida pela formato em folhetim da obra, publicado na “Revista Brasileira” entre março e dezembro de 1880. Memórias Póstumas de Brás Cubas é o marco inaugural do realismo no Brasil. Como fica explícito no título, quem narra as memórias já está morto, o que estabelece um diálogo crítico com a estética realista. Noções como verdade, ciência e razão são colocadas em discussão e relativizadas por Brás Cubas. O narrador vê o mundo com ceticismo e desprezo e, dirigindo sua crítica ao gênero humano, transforma o próprio leitor em uma das vítimas das ironias do livro.
  • 16. CONTEXTO A ação do romance abarca a segunda metade do século XIX, período que corresponde ao governo de D. Pedro II. A juventude de Brás coincide com a Independência do Brasil, em 1822. Assim, sua chegada à idade adulta pode simbolizar a maturidade social brasileira.
  • 17. ANÁLISE Memórias póstumas de Brás Cubas se enquadra no gênero literário conhecido como sátira menipéia, no qual um morto se dirige aos vivos para criticar a sociedade humana. É exatamente o que faz o narrador, ao contar a história de sua vida após o próprio falecimento. A leitura do romance deve levar em conta a dupla condição do protagonista: há o Brás vivo e o Brás morto.
  • 18. ANÁLISE o A sociedade é caracterizada como o espaço do jogo entre aparência e essência, onde as pessoas interpretam papéis e fingem ser o que realmente não são. A impossibilidade de conhecer as profundezas da alma não impede o narrador de reconhecer a miséria moral da humanidade. o Essa descoberta é sustentada sem problemas pelo Brás vivo, embasado na filosofia do humanitismo, que afirma que toda atitude humana, boa ou má, é justificável como um ato de preservação da espécie. O Brás morto, de sua parte, é capaz de olhar com ceticismo a própria teoria, chegando a uma conclusão que nada tem de otimista: por ele, a espécie humana termina ali, já que não deixa herdeiros da “nossa miséria”.
  • 19. LIVRO Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um tanto agastada com o capítulo anterior, começa a tremer pela sorte de Eugênia, e talvez..., sim, talvez, lá no fundo de si mesma, me chame cínico. Eu cínico, alma sensível? Pela coxa de Diana! Esta injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue lavasse alguma coisa nesse mundo. Não, alma sensível, eu não sou cínico, eu fui homem; meu cérebro foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as bufonerias, um pandemônio, alma sensível, uma barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver tudo, desde a rosa de Smirna até a arruda do teu quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o recanto da praia em que o mendigo tirita o seu
  • 20. CAPÍTULO CLX – DAS NEGATIVAS Entre a morte do Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro lugar entre os homens, acima da ciência e da riqueza, porque eras a genuína e direta inspiração do céu. O acaso determinou o contrário; e ai vos ficais eternamente hipocondríacos.
  • 21. LIVRO Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
  • 22. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, E.; ANTÔNIO, S.; PATROCÍNIO, M. F. Iracema. In: Português: redação, gramática, literatura e interpretação de texto. São Paulo: Nova Cultural, 1999, p. 369-372. ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Martin Claret, 2004. MARCÍLIO, Fernando. Resumo de Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resu mos-de-livros/memorias-postumas-de-bras- cubas.html. Acesso em 31 de maio de 2015.