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Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas
       Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas
Publicadas em capítulos na Revista Brasileira,
de 15 de março a 15 de dezembro de 1880 (Em
livro = 1881), as Memórias póstumas de Brás
Cubas revelam uma narrativa inovadora,
revolucionária, que, através de seu protagonista-
narrador “defunto-autor”, promovia a “viravolta
machadiana.”
A “viravolta machadiana”

A perspectiva universal e filosófica
A dedicatória em forma de epitáfio
       (inscrição tumular)

Ao verme
que
primeiro roeu as frias carnes
do meu cadáver
dedico
como saudosa lembrança
estas Memórias Póstumas
A dedicatória

• Chocante ou irônica pouco importa... Fugindo
  ao senso comum, Brás Cubas dedica suas
  memórias aos vermes, como se não houvesse
  alguém digno de lembrança, deixando em
  evidência as “tintas” de seu pessimismo,
  através de sua pena carregada de humor.
A dedicatória
• O verbo “roeu” (no passado), significa que Brás
  Cubas não é, materialmente, mais nada, não
  deve satisfações a ninguém. É livre, soberano
  e absoluto para pintar a vida, as pessoas, a si
  próprio: “... estas são as memórias de um
  finado, que pintou a si e aos outros, conforme
  lhe pareceu melhor e mais certo.”
O defunto autor
Um autor defunto ou um defunto autor?



• Do túmulo (campa) um “defunto autor” examina
  de forma memorialística sua vida. Apesar de
  morto, nada comenta sobre sua existência
  além-túmulo. Está interessado apenas em
  recordar o passado e submetê-lo à análise e
  ao julgamento definitivo de seu significado.
Por que um “defunto autor”?


• A) Símbolo do fim da concepção romântica.

• B) Desafio do escritor frente às propostas do
  Real-Naturalismo, já que uma fala vinda do
  túmulo contrariava os princípios de
  racionalidade e verossimilhança.
Por que um “defunto autor”?


• C) A idéia machadiana de que só um
  morto poderia apresentar os fatos de sua
  existência sem escrúpulos, sem fantasias
  e sem temor da opinião pública.
Por que um “defunto autor”?



• Enfim: Só um morto – por não ter nada a
  perder – revelaria seus intuitos mesquinhos,
  seu egoísmo, sua impotência para a vida
  prática e sua desesperada sede de glória.
Por que um “defunto autor”?



• Só alguém que ultrapassasse o limite fatal
  seria capaz de apontar a verdade
  definitiva de sua própria condição.
O prólogo: Ao leitor
• Referências:
• Stendhal = (pseudônimo de Henri Beyle)
  escritor francês romântico que abordou, em
  seus romances, paixões violentas e perfis
  irônicos e psicológicos de seus personagens
  (Obra mais famosa = O vermelho e o negro –
  Sua obra de “cem leitores” = Do Amor)
Prólogo: Ao leitor
• Recepção da obra:
• “... O que não admira, nem provavelmente
  consternará, é se este outro livro não tiver os
  cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem
  vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez
  cinco... Fica privado da estima dos graves e do
  amor dos frívolos, que são as duas colunas
  máximas da opinião.”
Prólogo: Ao leitor
•   Referências:
•   Sterne = escritor inglês
•   Xavier de Maistre = escritor francês
•   Ambos de estilo digressivo e irônico (autores
    admirados por Machado)

• “Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da
  melancolia” = Visão irônica e pessimista.
Prólogo: Ao leitor
• Diálogo com o leitor = sugestão = que o
  leitor mude sua postura e prefira a reflexão
  do que a anedota, ou...

• “... se te agradar , fino leitor, pago-me da
  tarefa; se te não agradar, pago-te com um
  piparote, e adeus.”
Ironia ao leitor
• O leitor também é parte, além dos
  personagens e seus atos, da “galhofa” do
  autor.
• Capítulo LXXI(71) O senão do livro

 “Começo a arrepender-me deste livro... é
 enfadonho, cheira a sepulcro... porque o maior
 defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa
 de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas
 a narração direita e nutrida, o estilo regular e
 fluente, e este livro e o meu estilo são como os
 ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e
 param, resmungam, urram, gargalham,
 ameaçam o céu, escorregam e caem...”
A estrutura narrativa

• O diálogo constante com o leitor e as
  interrupções na narrativa para digressões,
  saltos de um assunto para o outro, do
  particular para o geral, do abstrato para o
  concreto e vice-versa, do real para o
  imaginário, as pilhérias, as teorias filosóficas,
  as citações, as teorizações sobre a própria
  técnica narrativa, a metalinguagem...
A estrutura narrativa
• ... constituem inúmeros subterfúgios que
  tornam a história contada por Brás um mosaico
  de peças, aparentemente desconexas, que
  formam uma narrativa de estrutura híbrida
  (irregular), descontínua, com capítulos que se
  intercalam a outros produzindo a quebra da
  linearidade do enredo.
A estrutura narrativa

• Entretanto, todos esses aspectos não
  deixam de estarem ligados a um fio
  condutor que é a própria vida do defunto
  autor, marcada pelo tédio e pelo vazio.
O narrador
• Memórias Póstumas de Brás Cubas é
  uma obra em que os acontecimentos ou
  sua seqüência são menos importantes do
  que a atmosfera de ambigüidade que
  perpassa toda a narrativa. Se num
  momento o narrador se mostra humilde,
  noutro se proclamará superior a tudo e a
  todos;...
O narrador
• ... trata-se, portanto, de um “narrador não
  confiável e volúvel” que, com sarcasmo,
  cinismo e tédio, expõe sua mediocridade,
  como salienta no célebre capítulo “Curto, mais
  alegre”, com a saborosa liberdade de quem
  morreu e já não tem platéia para espreitar
  suas ações e, portanto, pode apreciar o
  “desdém dos finados”, ou seja, sua “franqueza
  de defunto” não teme a opinião pública e pode
  “apresentar os fatos de sua existência sem
  escrúpulos ou fantasias.”
Capítulo XXIV: Curto, mas alegre
• “Talvez espante ao leitor a franqueza com
  que lhe exponho e realço a minha
  mediocridade; advirta que a franqueza é a
  primeira virtude de um defunto. Na vida, o
  olhar da opinião, o contraste dos interesses,
  a luta das cobiças obrigam a gente a calar os
  trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os
  remendos, a não estender ao mundo as
  revelações que faz a consciência;...
• ... e o melhor da obrigação é quando, à força
  de embaçar os outros, embaça-se um homem
  a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o
  vexame, que é uma sensação penosa e a
  hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na
  morte, que diferença! Que desabafo! Que
  liberdade! Como a gente pode sacudir fora a
  capa, deitar ao fosso as lantejoulas,
  despregar-se, despintar-se, desafeitar-se,
  confessar lisamente o que foi e o que deixou
  de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos,
  nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos,
  nem estranhos; não há platéia...”
A narrativa

• Assim, evidencia-se uma narrativa irônica
  e niilista sobre a precariedade humana
  que emerge da vida, das relações e dos
  projetos fracassados e perecíveis de um
  típico representante de uma elite
  dominante e parasitária.
• Ou seja, Brás Cubas pertence ao mundo dos
  grandes proprietários e, vivendo de rendas que
  herdou de sua família, praticamente durante
  toda a sua vida, foi um indivíduo cheio de
  caprichos que levou sua vazia existência sem
  perspectivas. E todas as suas transgressões e
  atitudes mesquinhas expressam a falta de ética
  e escrúpulos de uma elite escravocrata e
  tacanha do Brasil do século XIX.
Crítica ao Romantismo
• Capítulo XIV , O primeiro beijo
• Brás Cubas se descreve aos 17 anos:
  “... o corcel das antigas baladas, que o
  Romantismo foi buscar ao castelo medieval,
  para dar com ele nas ruas do nosso século. O
  pior é que o estafaram a tal ponto, que foi
  preciso deitá-lo à margem, onde o Realismo o
  veio achar, comido de lazeira e vermes e, por
  compaixão, o transportou para os seus livros.”
Crítica ao Romantismo
• No trecho citado, o crítico Machado de Assis
  opõe a crueza da realidade da nova escola (o
  Realismo) à esgotada idealização do
  Romantismo; como o cavalo do herói medieval,
  os temas da literatura realista são colhidos à
  margem (da sociedade; da superada moda
  literária) e denunciam um estado de putrefação
  = “comido de lazeira e vermes”
Capítulo VII = O delírio
Capítulo VII = O delírio
• Em estado de transe causado pela febre, Brás
  Cubas é arrebatado por um hipopótamo, que o
  leva à origem dos séculos. Surge então uma
  mulher imensa, de contornos indefinidos, que
  se diz chamar Natureza ou Pandora. Quando,
  por fim, Brás vê de perto o rosto da estranha,
  percebe-lhe a impassibilidade egoísta e sua
  eterna surdez. Ou seja, é alguém indiferente ao
  clamor humano.
Capítulo VII = O delírio


• Ela conduz o defunto-autor ao alto de uma
  montanha e lhe permite contemplar a
  passagem dos séculos e entender o absurdo
  da existência, sempre igual, centrada apenas
  no egoísmo e na luta pela sobrevivência. O
  personagem vê a História como uma eterna
  repetição:
Capítulo VII = O delírio
• “flagelos, misérias, cobiça, cólera, inveja,
  ambição, fome, vaidade, melancolia, riqueza,
  agitando o homem como um chocalho até
  destruí-lo como um farrapo.” “A regra é
  egoísmo, conservação e satisfação do próprio
  eu: lei de Brás Cubas e dos homens que
  aparecem no delírio, fantoches sacudidos
  pelas paixões, variedades de um mal que
  devora o homem, a buscar a quimera da
  felicidade que se some na ilusão.”
Capítulo VII = O delírio
• Não há, portanto, um sentido de evolução
  na humanidade. A natureza humana
  pouco ou nada se modifica. O homem
  procura inutilmente a “quimera da
  felicidade”, e esta, sem deixar apanhar-se,
  apenas “ria, como um escárnio, e sumia-
  se, como uma ilusão.”
• E Brás Cubas vendo o mundo com “olhar
  enfarado”, implora mais um pouco de vida.
Capítulo VII = O delírio
• Como assinala Augusto Meyer, Brás
  Cubas revela um sentimento ambivalente
  diante do infinito ciclo humano: o de
  vertigem e desamparo diante da
  inutilidade de todas as buscas e, ao
  mesmo tempo, o de sarcasmo consciente
  contra a fatalidade da existência. A ironia
  é a defesa do personagem contra a
  natureza cega e insensível.
Capítulo VII = O delírio
• Ainda segundo Meyer, ao “passar em
  revista a monotonia da miséria humana”,
  Brás Cubas dá a “impressão de quem vai
  caindo num vazio espantoso e na queda
  goza a volúpia de cair.” Daí a aparente e
  enigmática maneira como Pandora o
  define: “Grande lascivo, espera-te a
  voluptuosidade do nada”.
O encontro com Quincas Borba
• O primeiro encontro de Brás Cubas com
  Quincas Borba, ocorre no capítulo LIX, Um
  encontro.

• Amigo de infância de Brás, aparece na
  condição de mendigo, furta-lhe o relógio e
  depois reaparece rico (herdeiro de um
  parente mineiro) e passa a freqüentar a casa
  do amigo, até sua morte, expondo-lhe,
  sempre, elementos de sua singular filosofia:
  “o Humanitismo”.
Quincas Borba & O
  Humanitismo
Quincas e o Humanitismo
• O humanitismo é o ponto de contato entre
  Memórias póstumas de Brás Cubas e o
  Quincas Borba. A teoria do Humanitas é uma
  caricatura feroz do positivismo e do
  cientificismo dominantes na época. A
  personificação da impassibilidade egoísta, da
  eterna surdez, da vontade imóvel é, afinal,
  Humanitas, “o princípio das coisas que não é
  outro senão o mesmo homem repartido por
  todos os homens”.
• Enfim, o “Humanitismo” é, conforme a visão aguda
  de Machado de Assis, uma impiedosa sátira
  complementar das ideias do determinismo social,
  que constituíam a base filosófica do Realismo. O
  “Humanitismo” é uma caricatural doutrina híbrida de
  Positivismo e Darwinismo Social. Ou seja, uma
  hilariante paródia de todos os “ismos”, com a
  mesma visão fatalista (a supremacia das raças = a
  lei do mais forte) que constituíram as doutrinas
  científicas que dominaram a Europa, no século XIX,
  e chegaram, naturalmente, ao Brasil.
Os amores de Brás Cubas
Os amores de Brás Cubas
• Marcela = a cortesã = seu primeiro amor,
  que lhe amou “durante quinze meses e
  onze contos de réis”.

• Eugênia = a “flor da moita”, coxa e infeliz.

• Eulália = com quem pretendia casar mas
  que morre de febre amarela com apenas
  19 anos.
Marcela: a prostituta
• A bela dama espanhola, alegre e sem
  escrúpulos, luxuosa, impaciente, amiga de
  dinheiro e rapazes, a primeira mulher de sua
  vida, a doce prostituta Marcela. Ela o amou
  “durante quinze meses e onze contos de réis;
  nada menos”. Seu pai, logo que teve
  conhecimento dos onze contos, uma fortuna
  para a época, ficou furioso e o enviou para
  estudar na Europa, receoso do envolvimento
  profundo do filho com uma prostituta.
Eugênia: a “flor da moita” e... coxa...
• Eugênia tem um defeito de nascença: é coxa.
  Todos esses aspectos fazem com que ele
  confirme que não deve envolver-se
  seriamente com ela, já que estava em
  condição social inferior à sua e não lhe era
  possível esquecer a origem da moça: “uma
  flor que foi gerada na moita”. Além do mais,
  ela era, segundo o seu cinismo e sarcasmo,
  coxa. E pergunta-se: “Por que bonita, se
  coxa? Por que coxa, se bonita?”
• E, assim, quando resolve despedir-se de
  Eugênia, alegando que precisava descer da
  Tijuca, depara-se com a nobreza de caráter da
  menina que não leva em consideração suas
  hipérboles frias e evasivas e o encoraja a
  partir, pois, assim, escaparia do ridículo de
  casar-se com ela. Ou seja, talvez a “Vênus
  manca” de Brás seja a única personagem
  dessa história que demonstra dignidade e
  caráter.
Vírgilia, o maior amor de sua vida
• Virgília foi o maior amor de sua vida, com
  quem estabelece uma relação adúltera, já que
  ela torna-se esposa do deputado Lobo Neves.
• Virgília, com seus braços tentadores, nascera
  para ser bela um momento, trair o primeiro
  noivo com o futuro marido, e este com aquele,
  quase sem perceber o que fazia, num
  amoralismo ingênuo, e depois envelhecer e
  morrer como vivera, sem pensar que há, para
  catalogar as ações humanas, um código do
  bem e do mal.
Eulália, a “flor do pântano”.
• Eulália, com quem pretendia casar, visto que a
  moça comportava-se com altivez, e ele
  pretendia “arrancar aquela flor do pântano em
  que vivia”, morre de febre amarela com apenas
  19 anos.
Brás Cubas
BRÁS CUBAS
• Homem de posses, nunca trabalhara,
  dedicando-se, antes, a imaginar
  estratégias pessoais que poderiam torná-
  lo famoso e admirado. Moveu-o sempre o
  “amor da glória”. Falecido aos 64 anos,
  torna-se claro que ele sempre fora um ser
  destituído de vontade e, portanto, incapaz
  de qualquer ação significativa (social ou
  individual). Trata-se, pois, de um homem
  inútil, entediado, com a “volúpia do
  aborrecimento”, que parece expressar o
  parasitismo e a falta de perspectivas da
  elite escravocrata brasileira.
BRÁS CUBAS
• Possui uma natureza complexa, cheia de
  contradições, ambicioso e retraído,
  vaidoso e displicente, apaixonado e
  indiferente. Sua alma “foi um tablado em
  que se deram peças de todo gênero, o
  drama sacro, o austero, o piegas
  (ridículo), a comédia louçã, a
  desgrenhada farsa, os autos, as
  bufonerias.”
BRÁS CUBAS
• Infância mimada & juventude despreocupada:
• Narrando-lhe a primeira infância, Machado,
  tão acusado de se haver alheado aos
  grandes problemas do seu tempo, traçou,
  sem rodeios, a crítica da organização servil e
  familiar de então. Mostrou o mal que fez a
  escravidão a brancos e negros. Sem o
  moleque Prudêncio para lhe servir de cavalo,
  sem as pretas para alvos passivos das suas
  judiarias , sem os costumes relaxados que a
  promiscuidade das escravas com os...
BRÁS CUBAS
...sinhô-moços facilitava, o Brás Cubas não
   teria sido o que foi. Também a vaidade do
   menino era cultivada pela beata admiração
   dos pais. Tudo contribuiu para fazer dele um
   perfeito egoísta. Representou o resultado do
   meio e da educação viciada agindo sobre
   um temperamento mórbido.
BRÁS CUBAS
• Rico, conheceu todas as facilidades, todos os
  prazeres. E porque teve tudo, mas não se
  deixou empolgar por coisa alguma, cedo
  conheceu o tédio, “esta flor amarela, solitária e
  mórbida, de um cheiro penetrante e sutil.”
• O TÉDIO, irmão do ceticismo, o tédio do herói
  e do autor, é a personagem central do livro.
“Brás Cubas viajou à roda da vida.”

• UMA VIAGEM À RODA DA VIDA = A vida do
  homem que vive em sociedade, afeito às
  formalidades, às convenções, governado pelo
  onipresente olhar da opinião. A vida marcada
  por egoísmos, atos mesquinhos motivados
  pela incessante necessidade de o homem
  superar e embaçar o seu semelhante.
A morte de Brás Cubas
Morte de Brás Cubas
• Enquanto medita sobre a forma de criar um
  “medicamento sublime” – um emplasto que
  aliviasse a humanidade do tédio e da
  melancolia – e, assim, tornar-se uma
  personalidade conhecida e invejada, Brás
  recebe um golpe de vento, adoece e,
  obcecado pela idéia fixa de inventar o
  emplasto que levaria seu nome, não trata da
  pneumonia e morre.
Capítulo final = Das negativas
• Visão sarcástica com sabor de escárnio?

• Ironia a pobre humanidade e sua sede de
  permanência e preservação?

• Pessimismo ou uma dor escamoteada?
Capítulo final = Das negativas
• No último capítulo, o narrador Brás Cubas faz
  um último balanço das perdas e dos ganhos de
  sua existência, convicto de ter saído quite com
  a vida. É verdade que não se tornara califa
  nem ministro, não se casara nem criara o
  emplasto que lhe daria acesso à celebridade.
  Contudo, essa impressão de sair da vida sem
  “míngua nem sobra” se desfaz quando Brás
  dá-se conta de que havia um saldo positivo a
  seu favor: “Não tive filhos, não transmiti a
  nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
O Rio de Janeiro de Brás Cubas

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Machado de Assis e as Memórias Póstumas

  • 2. Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis
  • 3. Memórias póstumas de Brás Cubas Publicadas em capítulos na Revista Brasileira, de 15 de março a 15 de dezembro de 1880 (Em livro = 1881), as Memórias póstumas de Brás Cubas revelam uma narrativa inovadora, revolucionária, que, através de seu protagonista- narrador “defunto-autor”, promovia a “viravolta machadiana.”
  • 4. A “viravolta machadiana” A perspectiva universal e filosófica
  • 5. A dedicatória em forma de epitáfio (inscrição tumular) Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas
  • 6. A dedicatória • Chocante ou irônica pouco importa... Fugindo ao senso comum, Brás Cubas dedica suas memórias aos vermes, como se não houvesse alguém digno de lembrança, deixando em evidência as “tintas” de seu pessimismo, através de sua pena carregada de humor.
  • 7. A dedicatória • O verbo “roeu” (no passado), significa que Brás Cubas não é, materialmente, mais nada, não deve satisfações a ninguém. É livre, soberano e absoluto para pintar a vida, as pessoas, a si próprio: “... estas são as memórias de um finado, que pintou a si e aos outros, conforme lhe pareceu melhor e mais certo.”
  • 9. Um autor defunto ou um defunto autor? • Do túmulo (campa) um “defunto autor” examina de forma memorialística sua vida. Apesar de morto, nada comenta sobre sua existência além-túmulo. Está interessado apenas em recordar o passado e submetê-lo à análise e ao julgamento definitivo de seu significado.
  • 10. Por que um “defunto autor”? • A) Símbolo do fim da concepção romântica. • B) Desafio do escritor frente às propostas do Real-Naturalismo, já que uma fala vinda do túmulo contrariava os princípios de racionalidade e verossimilhança.
  • 11. Por que um “defunto autor”? • C) A idéia machadiana de que só um morto poderia apresentar os fatos de sua existência sem escrúpulos, sem fantasias e sem temor da opinião pública.
  • 12. Por que um “defunto autor”? • Enfim: Só um morto – por não ter nada a perder – revelaria seus intuitos mesquinhos, seu egoísmo, sua impotência para a vida prática e sua desesperada sede de glória.
  • 13. Por que um “defunto autor”? • Só alguém que ultrapassasse o limite fatal seria capaz de apontar a verdade definitiva de sua própria condição.
  • 14. O prólogo: Ao leitor • Referências: • Stendhal = (pseudônimo de Henri Beyle) escritor francês romântico que abordou, em seus romances, paixões violentas e perfis irônicos e psicológicos de seus personagens (Obra mais famosa = O vermelho e o negro – Sua obra de “cem leitores” = Do Amor)
  • 15. Prólogo: Ao leitor • Recepção da obra: • “... O que não admira, nem provavelmente consternará, é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco... Fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.”
  • 16. Prólogo: Ao leitor • Referências: • Sterne = escritor inglês • Xavier de Maistre = escritor francês • Ambos de estilo digressivo e irônico (autores admirados por Machado) • “Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia” = Visão irônica e pessimista.
  • 17. Prólogo: Ao leitor • Diálogo com o leitor = sugestão = que o leitor mude sua postura e prefira a reflexão do que a anedota, ou... • “... se te agradar , fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.”
  • 18. Ironia ao leitor • O leitor também é parte, além dos personagens e seus atos, da “galhofa” do autor.
  • 19. • Capítulo LXXI(71) O senão do livro “Começo a arrepender-me deste livro... é enfadonho, cheira a sepulcro... porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...”
  • 20. A estrutura narrativa • O diálogo constante com o leitor e as interrupções na narrativa para digressões, saltos de um assunto para o outro, do particular para o geral, do abstrato para o concreto e vice-versa, do real para o imaginário, as pilhérias, as teorias filosóficas, as citações, as teorizações sobre a própria técnica narrativa, a metalinguagem...
  • 21. A estrutura narrativa • ... constituem inúmeros subterfúgios que tornam a história contada por Brás um mosaico de peças, aparentemente desconexas, que formam uma narrativa de estrutura híbrida (irregular), descontínua, com capítulos que se intercalam a outros produzindo a quebra da linearidade do enredo.
  • 22. A estrutura narrativa • Entretanto, todos esses aspectos não deixam de estarem ligados a um fio condutor que é a própria vida do defunto autor, marcada pelo tédio e pelo vazio.
  • 23. O narrador • Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra em que os acontecimentos ou sua seqüência são menos importantes do que a atmosfera de ambigüidade que perpassa toda a narrativa. Se num momento o narrador se mostra humilde, noutro se proclamará superior a tudo e a todos;...
  • 24. O narrador • ... trata-se, portanto, de um “narrador não confiável e volúvel” que, com sarcasmo, cinismo e tédio, expõe sua mediocridade, como salienta no célebre capítulo “Curto, mais alegre”, com a saborosa liberdade de quem morreu e já não tem platéia para espreitar suas ações e, portanto, pode apreciar o “desdém dos finados”, ou seja, sua “franqueza de defunto” não teme a opinião pública e pode “apresentar os fatos de sua existência sem escrúpulos ou fantasias.”
  • 25. Capítulo XXIV: Curto, mas alegre • “Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz a consciência;...
  • 26. • ... e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! Que desabafo! Que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lantejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia...”
  • 27. A narrativa • Assim, evidencia-se uma narrativa irônica e niilista sobre a precariedade humana que emerge da vida, das relações e dos projetos fracassados e perecíveis de um típico representante de uma elite dominante e parasitária.
  • 28. • Ou seja, Brás Cubas pertence ao mundo dos grandes proprietários e, vivendo de rendas que herdou de sua família, praticamente durante toda a sua vida, foi um indivíduo cheio de caprichos que levou sua vazia existência sem perspectivas. E todas as suas transgressões e atitudes mesquinhas expressam a falta de ética e escrúpulos de uma elite escravocrata e tacanha do Brasil do século XIX.
  • 29. Crítica ao Romantismo • Capítulo XIV , O primeiro beijo • Brás Cubas se descreve aos 17 anos: “... o corcel das antigas baladas, que o Romantismo foi buscar ao castelo medieval, para dar com ele nas ruas do nosso século. O pior é que o estafaram a tal ponto, que foi preciso deitá-lo à margem, onde o Realismo o veio achar, comido de lazeira e vermes e, por compaixão, o transportou para os seus livros.”
  • 30. Crítica ao Romantismo • No trecho citado, o crítico Machado de Assis opõe a crueza da realidade da nova escola (o Realismo) à esgotada idealização do Romantismo; como o cavalo do herói medieval, os temas da literatura realista são colhidos à margem (da sociedade; da superada moda literária) e denunciam um estado de putrefação = “comido de lazeira e vermes”
  • 31. Capítulo VII = O delírio
  • 32. Capítulo VII = O delírio • Em estado de transe causado pela febre, Brás Cubas é arrebatado por um hipopótamo, que o leva à origem dos séculos. Surge então uma mulher imensa, de contornos indefinidos, que se diz chamar Natureza ou Pandora. Quando, por fim, Brás vê de perto o rosto da estranha, percebe-lhe a impassibilidade egoísta e sua eterna surdez. Ou seja, é alguém indiferente ao clamor humano.
  • 33. Capítulo VII = O delírio • Ela conduz o defunto-autor ao alto de uma montanha e lhe permite contemplar a passagem dos séculos e entender o absurdo da existência, sempre igual, centrada apenas no egoísmo e na luta pela sobrevivência. O personagem vê a História como uma eterna repetição:
  • 34. Capítulo VII = O delírio • “flagelos, misérias, cobiça, cólera, inveja, ambição, fome, vaidade, melancolia, riqueza, agitando o homem como um chocalho até destruí-lo como um farrapo.” “A regra é egoísmo, conservação e satisfação do próprio eu: lei de Brás Cubas e dos homens que aparecem no delírio, fantoches sacudidos pelas paixões, variedades de um mal que devora o homem, a buscar a quimera da felicidade que se some na ilusão.”
  • 35. Capítulo VII = O delírio • Não há, portanto, um sentido de evolução na humanidade. A natureza humana pouco ou nada se modifica. O homem procura inutilmente a “quimera da felicidade”, e esta, sem deixar apanhar-se, apenas “ria, como um escárnio, e sumia- se, como uma ilusão.” • E Brás Cubas vendo o mundo com “olhar enfarado”, implora mais um pouco de vida.
  • 36. Capítulo VII = O delírio • Como assinala Augusto Meyer, Brás Cubas revela um sentimento ambivalente diante do infinito ciclo humano: o de vertigem e desamparo diante da inutilidade de todas as buscas e, ao mesmo tempo, o de sarcasmo consciente contra a fatalidade da existência. A ironia é a defesa do personagem contra a natureza cega e insensível.
  • 37. Capítulo VII = O delírio • Ainda segundo Meyer, ao “passar em revista a monotonia da miséria humana”, Brás Cubas dá a “impressão de quem vai caindo num vazio espantoso e na queda goza a volúpia de cair.” Daí a aparente e enigmática maneira como Pandora o define: “Grande lascivo, espera-te a voluptuosidade do nada”.
  • 38. O encontro com Quincas Borba
  • 39. • O primeiro encontro de Brás Cubas com Quincas Borba, ocorre no capítulo LIX, Um encontro. • Amigo de infância de Brás, aparece na condição de mendigo, furta-lhe o relógio e depois reaparece rico (herdeiro de um parente mineiro) e passa a freqüentar a casa do amigo, até sua morte, expondo-lhe, sempre, elementos de sua singular filosofia: “o Humanitismo”.
  • 40. Quincas Borba & O Humanitismo
  • 41. Quincas e o Humanitismo • O humanitismo é o ponto de contato entre Memórias póstumas de Brás Cubas e o Quincas Borba. A teoria do Humanitas é uma caricatura feroz do positivismo e do cientificismo dominantes na época. A personificação da impassibilidade egoísta, da eterna surdez, da vontade imóvel é, afinal, Humanitas, “o princípio das coisas que não é outro senão o mesmo homem repartido por todos os homens”.
  • 42. • Enfim, o “Humanitismo” é, conforme a visão aguda de Machado de Assis, uma impiedosa sátira complementar das ideias do determinismo social, que constituíam a base filosófica do Realismo. O “Humanitismo” é uma caricatural doutrina híbrida de Positivismo e Darwinismo Social. Ou seja, uma hilariante paródia de todos os “ismos”, com a mesma visão fatalista (a supremacia das raças = a lei do mais forte) que constituíram as doutrinas científicas que dominaram a Europa, no século XIX, e chegaram, naturalmente, ao Brasil.
  • 43. Os amores de Brás Cubas
  • 44. Os amores de Brás Cubas • Marcela = a cortesã = seu primeiro amor, que lhe amou “durante quinze meses e onze contos de réis”. • Eugênia = a “flor da moita”, coxa e infeliz. • Eulália = com quem pretendia casar mas que morre de febre amarela com apenas 19 anos.
  • 46. • A bela dama espanhola, alegre e sem escrúpulos, luxuosa, impaciente, amiga de dinheiro e rapazes, a primeira mulher de sua vida, a doce prostituta Marcela. Ela o amou “durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos”. Seu pai, logo que teve conhecimento dos onze contos, uma fortuna para a época, ficou furioso e o enviou para estudar na Europa, receoso do envolvimento profundo do filho com uma prostituta.
  • 47. Eugênia: a “flor da moita” e... coxa...
  • 48. • Eugênia tem um defeito de nascença: é coxa. Todos esses aspectos fazem com que ele confirme que não deve envolver-se seriamente com ela, já que estava em condição social inferior à sua e não lhe era possível esquecer a origem da moça: “uma flor que foi gerada na moita”. Além do mais, ela era, segundo o seu cinismo e sarcasmo, coxa. E pergunta-se: “Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?”
  • 49. • E, assim, quando resolve despedir-se de Eugênia, alegando que precisava descer da Tijuca, depara-se com a nobreza de caráter da menina que não leva em consideração suas hipérboles frias e evasivas e o encoraja a partir, pois, assim, escaparia do ridículo de casar-se com ela. Ou seja, talvez a “Vênus manca” de Brás seja a única personagem dessa história que demonstra dignidade e caráter.
  • 50. Vírgilia, o maior amor de sua vida
  • 51. • Virgília foi o maior amor de sua vida, com quem estabelece uma relação adúltera, já que ela torna-se esposa do deputado Lobo Neves. • Virgília, com seus braços tentadores, nascera para ser bela um momento, trair o primeiro noivo com o futuro marido, e este com aquele, quase sem perceber o que fazia, num amoralismo ingênuo, e depois envelhecer e morrer como vivera, sem pensar que há, para catalogar as ações humanas, um código do bem e do mal.
  • 52. Eulália, a “flor do pântano”.
  • 53. • Eulália, com quem pretendia casar, visto que a moça comportava-se com altivez, e ele pretendia “arrancar aquela flor do pântano em que vivia”, morre de febre amarela com apenas 19 anos.
  • 55. BRÁS CUBAS • Homem de posses, nunca trabalhara, dedicando-se, antes, a imaginar estratégias pessoais que poderiam torná- lo famoso e admirado. Moveu-o sempre o “amor da glória”. Falecido aos 64 anos, torna-se claro que ele sempre fora um ser destituído de vontade e, portanto, incapaz de qualquer ação significativa (social ou individual). Trata-se, pois, de um homem inútil, entediado, com a “volúpia do aborrecimento”, que parece expressar o parasitismo e a falta de perspectivas da elite escravocrata brasileira.
  • 56. BRÁS CUBAS • Possui uma natureza complexa, cheia de contradições, ambicioso e retraído, vaidoso e displicente, apaixonado e indiferente. Sua alma “foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas (ridículo), a comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as bufonerias.”
  • 57. BRÁS CUBAS • Infância mimada & juventude despreocupada: • Narrando-lhe a primeira infância, Machado, tão acusado de se haver alheado aos grandes problemas do seu tempo, traçou, sem rodeios, a crítica da organização servil e familiar de então. Mostrou o mal que fez a escravidão a brancos e negros. Sem o moleque Prudêncio para lhe servir de cavalo, sem as pretas para alvos passivos das suas judiarias , sem os costumes relaxados que a promiscuidade das escravas com os...
  • 58. BRÁS CUBAS ...sinhô-moços facilitava, o Brás Cubas não teria sido o que foi. Também a vaidade do menino era cultivada pela beata admiração dos pais. Tudo contribuiu para fazer dele um perfeito egoísta. Representou o resultado do meio e da educação viciada agindo sobre um temperamento mórbido.
  • 59. BRÁS CUBAS • Rico, conheceu todas as facilidades, todos os prazeres. E porque teve tudo, mas não se deixou empolgar por coisa alguma, cedo conheceu o tédio, “esta flor amarela, solitária e mórbida, de um cheiro penetrante e sutil.” • O TÉDIO, irmão do ceticismo, o tédio do herói e do autor, é a personagem central do livro.
  • 60. “Brás Cubas viajou à roda da vida.” • UMA VIAGEM À RODA DA VIDA = A vida do homem que vive em sociedade, afeito às formalidades, às convenções, governado pelo onipresente olhar da opinião. A vida marcada por egoísmos, atos mesquinhos motivados pela incessante necessidade de o homem superar e embaçar o seu semelhante.
  • 61. A morte de Brás Cubas
  • 62. Morte de Brás Cubas • Enquanto medita sobre a forma de criar um “medicamento sublime” – um emplasto que aliviasse a humanidade do tédio e da melancolia – e, assim, tornar-se uma personalidade conhecida e invejada, Brás recebe um golpe de vento, adoece e, obcecado pela idéia fixa de inventar o emplasto que levaria seu nome, não trata da pneumonia e morre.
  • 63. Capítulo final = Das negativas • Visão sarcástica com sabor de escárnio? • Ironia a pobre humanidade e sua sede de permanência e preservação? • Pessimismo ou uma dor escamoteada?
  • 64. Capítulo final = Das negativas • No último capítulo, o narrador Brás Cubas faz um último balanço das perdas e dos ganhos de sua existência, convicto de ter saído quite com a vida. É verdade que não se tornara califa nem ministro, não se casara nem criara o emplasto que lhe daria acesso à celebridade. Contudo, essa impressão de sair da vida sem “míngua nem sobra” se desfaz quando Brás dá-se conta de que havia um saldo positivo a seu favor: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
  • 65. O Rio de Janeiro de Brás Cubas