Aula 1 historia da epidemiologia

502 visualizações

Publicada em

Epidemiologia clínica, Aula ministrada na FAMINAS - BH

Publicada em: Saúde e medicina
0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
502
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Aula 1 historia da epidemiologia

  1. 1. Historia da Epidemiologia Ricardo Alexandre de Souza 1
  2. 2. PERSPECTIVA HISTÓRICA 2
  3. 3. Perspectiva Histórica A busca de raízes da epidemiologia confunde-se com a história da medicina e com a própria evolução das teorias sobre doenças. Os acontecimentos do passado norteiam as ações do presente. 3
  4. 4. Hipócrates (c. 460-c. 377 a.C. ) Médico grego que viveu há cerca de 2.500 anos Analisava as doenças em bases racionais, afastando a ideia do sobrenatural. Ao invés de atribuir uma origem divina às doenças, discute suas causas ambientais. 4
  5. 5. Hipócrates (c. 460-c. 377 a.C. ) Sugere que considerações tais como o clima de uma população, a água ou sua situação num lugar em que os ventos sejam favoráveis são elementos que podem ajudar ao médico a avaliar à saúde geral de seus habitantes. Anteciparam a ideia, então revolucionária, de que o médico poderia predizer a evolução de uma doença mediante a observação de um número suficiente de casos. 5
  6. 6. Um tratado sobre a epilepsia, revela o conhecimento rudimentar da anatomia que imperava na antiga Grécia. Se acreditava que sua causa era a falta de ar, transportada ao cérebro e às extremidades através das veias. 6
  7. 7. A ideia da medicina preventiva, concebida pela primeira vez, faz um ponto não só na dieta, mas também no estilo de vida do paciente e em como ele influi sobre seu estado de saúde e convalescença. 7
  8. 8. Galeno (201-130 a.C.) Os primeiros médicos romanos eram, geralmente, escravos gregos Galeno demonstrou que as artérias transportavam sangue e não ar Foi o responsável pela saúde do imperador romano Marco Aurélio Responsável pelo controle de óbitos e nascimentos 8
  9. 9. Galeno Foco na medicina do indivíduo 9
  10. 10. IDADE MÉDIA 10
  11. 11. O mágico religioso O objetivo era a salvação da alma, porque em terra tudo estava condenado. Europa: Foco no indivíduo Oriente Médio: Foco no coletivo 11
  12. 12. Avicena (989-1037 d.C.) Publica “Cânon da medicina” Principal tratado clínico da Idade Média tardia. Reintroduz Hipócrates e Galeno na Medicina ocidental; 12
  13. 13. TEORIA MIASMÁTICA 13
  14. 14. Segundo esta teoria as doenças eram resultado da má qualidade do ar. Malária= Mal + ar As emanações passariam do doente para os suscetíveis causando as epidemias. Nota-se que ainda hoje o sobrenatural e os miasmas são utilizados por leigos para explicar as doenças. 14
  15. 15. John Graunt (1620-1674) 1662 – Londres – John Graunt publicou um tratado sobre tabelas mortuárias de Londres. Analisou nascimentos e óbitos semanais e quantificou o padrão de doença na população londrina. Importante: reconhecimento do valor dos dados coletados rotineiramente = BASE DA EPIDEMIOLOGIA MODERNA 15
  16. 16. John Graunt ( 1620 a 1674) Ele é considerado o pai da demografia ou das estatísticas vitais A estatística tem seu nascimento originado na política, pela necessidade de implantação do modo capitalista de produção, indicava a necessidade não apenas de contar o povo e o exército, ou seja o Estado, mas também que tivessem disciplina e saúde. 16
  17. 17. Hermann Conring (1606-1681) O termo estatística significa medida do Estado. 17
  18. 18. John Sydenham (1624-1689) Um dos fundadores da clínica moderna, no modelo anglo-saxão História natural das enfermidades Médico e político inglês 18
  19. 19. O SÉCULO XIX 19
  20. 20. O século XIX Revolução industrial na Inglaterra em 1750 deslocando as pessoas do campo. Epidemias de cólera, febre tifoide e febre amarela. Alguns defendiam as teorias miasmática outros acreditavam em germes. 20
  21. 21. Pierre Louis ( 1787-1872) França Estudou a tuberculose e a febre tifoide Propôs a contagem rigoroso de casos de doenças Introduzindo o método estatístico. Mostrou através de dados que a sangria feita no tratamento de pneumonias era prejudicial e aumentava a letalidade. 21
  22. 22. Louis Villermé ( 1782-1863) França Investigou a pobreza e o trabalho, as condições de trabalho e suas repercussões sobre a saúde. Realçando a estreita relação entre situação socioeconômica e mortalidade. 22
  23. 23. William Farr (1807-1883) Lei de Farr: leis das epidemias Lei das epidemias: Ascensão rápida no inicio, elevação lenta até o ápice e, em seguida uma queda mais rápida. Em 1839 apresentou dados que apontavam para as desigualdades sociais relacionados as mortalidades. “Doenças são mais facilmente prevenidas do que curadas, e o primeiro papel para a prevenção é a descoberta das suas respectivas causas.” 23
  24. 24. John Snow ( 1813-1858) Estudou as epidemias de cólera em Londres e consegui incriminar o uso de água contaminada como a responsável pelos eventos. Traçou métodos de controle de novos surtos que são validos até hoje. 24
  25. 25. Louis Pasteur ( 1822-1895) Considerado o pai da bacteriologia Identificou e isolou inúmeras bactérias. Descobriu o princípio da pasteurização Desenvolveu a vacina antirrábica. Fermentação da cerveja e do leite. Teoria dos germes..... 25
  26. 26. Robert Koch ( 1843-1910) Outro brilhante bacteriologista Teoria dos germes Isolou o agente transmissor da tuberculose. 26
  27. 27. Outra figuras de destaque Semmelweis: investigou infecções puerperais e obitos, concluindo que higiene e a lavagem das mãos diminuiam os indices de mortalidade e morbidade. Edward jenner( 1743-1823) foi o primeiro a utilizar uma vacina contra variola por isso ficou conhecido como o pai da imunologia 27
  28. 28. O CONCEITO DE CAUSA E AS ORIGENS DA EPIDEMIOLOGIA 28
  29. 29. O conceito de causa e as origens da epidemiologia A epidemiologia constitui-se como ciência apenas no século XIX. Entretanto, desde o século XVII, é possível identificar um conjunto de saberes ou — para utilizar a expressão de Michel Foucault (1987) — uma positividade discursiva aplicada ao processo saúde-doença na dimensão coletiva. 29
  30. 30. No século seguinte, aprofundam-se os estudos dos fatos vitais e das doenças, lançando-se mão da quantificação, classificação e descrição detalhada de sintomas, procurando-se estabelecer vínculos causais como aqueles encontrados por James Lind no estudo do escorbuto em marinheiros britânicos. 30
  31. 31. No século XIX, acontecimentos influenciam fortemente a constituição da epidemiologia como disciplina científica: o nascimento da clínica; o desenvolvimento da bioestatística e a medicina social. 31
  32. 32. Segundo Almeida Filho, a Epidemiologia fundamenta=se em três eixos: Um Saber Clínico naturalizado, racionalista e moderno Uma base metodológica, a Estatística Um substrato político-ideológico, a Medicina Social 32
  33. 33. A epidemiologia constitui-se sob a influência do conjunto dessas contribuições. 33
  34. 34. A definição de caso fornecida pela clínica, o instrumental técnico de análise da bioestatística, o sistema de lógica do positivismo deram-lhe as bases necessárias para se caracterizar como disciplina científica, ao passo que o movimento da medicina social conferiu-lhe sua motivação ética: a superação das desigualdades entre os grupos humanos. 34
  35. 35. A CIÊNCIA EPIDEMIOLÓGICA NO SÉCULO XX 35
  36. 36. A ciência epidemiológica no século XX Influencia da microbiologia: A clinica patológica busca comprovação laboratorial da existência de germes. Oswaldo Cruz( 1872-1917) Criou em Manguinhos o instituto que possibilitou numerosas pesquisas entre eles a descoberta da agente da doença de Chagas. 36
  37. 37. Desdobramento da teoria dos germes Grandes avanços nesse campo com o progresso das tecnologias , caminhos que consolidaram a prevenção e a proteção específica, com uso de vacinas e saneamento ambiental. 37
  38. 38. Saneamento ambiental, vetores e reservatório de agentes Coloca-se o papel do meio ambiente na transmissão das doenças. Descoberta dos ciclos dos parasitas. Investigações levaram os vetores e larvas com da esquistossomose. 38
  39. 39. Ecologia O aprofundamento do conhecimento, leva ao conceito da multicausalidade, fazendo o homem pensar no ambiente a na resposta adaptativa que pode causar desequilíbrio É a epidemiologia ecológica que preocupa-se com os fatores ambientais 39
  40. 40. Base de dados para a Epidemiologia moderna: As coletas sistemática de dados sobre: Pessoas falecidas Causa de mortes Número de nascimentos Fatores de risco Outros sistemas de informação 40
  41. 41. Epidemiologia Nutricional Lind e a prevenção do escorbuto, deficiência de vitamina C Takaki e a prevenção do Beribéri, deficiência de vitamina B1 Goldberger e a prevenção da pelagra, deficiência de niacina. 41
  42. 42. A SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX 42
  43. 43. A segunda metade do século XX A ênfase às pesquisas: Houve um crescimento das doenças crônicas como causa de mortalidade e morbidade. A epidemiologia progride na determinação das condições de saúde da população; A busca sistemática de fatores de risco Avaliação através de estudos para controlar as doenças. 43
  44. 44. Os estudos de coorte Estudos prospectivos, com o seguimento de centenas de pessoas por anos e até décadas e o uso da técnica sofisticada de análise estatística, para esclarecimento do papel dos fatores de risco nas doenças crônicas. 44
  45. 45. Os estudos caso-controle De natureza retrospectiva, esta modalidade de investigação, tem como ponto de partida o paciente, é mais rápida e facilitou a realização de pesquisas em ambientes clínicos. Uma ilustração foi a investigação da etiologia do câncer de pulmão. 45
  46. 46. Situação atual Praticamente todos os agravos à saúde já foram ou estão sendo estudados, através de investigações epidemiológicas. A aproximação com outras disciplinas ( sociologia, psicologia) Investigação de múltiplos fatores... 46
  47. 47. Três tendências da epidemiologia atual Epidemiologia Clínica: uso da epidemiologia no ambiente clinico, conferindo uma visão mais abrangente. Epidemiologia Social: O estudo dos determinantes sociais da doença Epidemiologia multidimensional: Compreensão do indivíduo como um todo, vários fatores de risco, várias causas, várias relações. Previsão do modelo complexo. 47
  48. 48. Pilares da Epidemiologia atual: Ciências Biológica: Estudo de todos os fatores físicos relacionados com o aparecimento de doenças... Ciência social; Os determinantes sociais como fatores produtores de doenças Estatísticas: Coletar, descrever e analisar dados sujeitos a variações. 48
  49. 49. (Susser & Susser, 1996)
  50. 50. O QUE É EPIDEMIOLOGIA 50
  51. 51. Conceito Epidemiologia é o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos estados ou eventos relacionados a saúde em específicas populações e a aplicação desses estudos no controle dos problemas de saúde. Last, 1995 51
  52. 52. EXERCÍCIOS 52
  53. 53. Responda: O que é epidemiologia? Quais os pilares que criaram a epidemiologia? Quem foi Hipócrates? Quem foi Galeno? Quem foi considerado o pai da epidemiologia moderna? Quem foi considerado o pai da clinica moderna? 53

×