Aula 2 estudo transversal

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Epidemiologia clínica, Aula ministrada na FAMINAS - BH

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    1. 1. ESTUDO TRANSVERSAL OU SECCIONAL OU DE PREVALÊNCIA Ricardo Alexandre de Souza 1
    2. 2. Souza RA, 2015 ESTRUTURA
    3. 3. Souza RA, 2015 Estrutura Semelhante à de um estudo de coorte, no entanto, nos estudos transversais todas as medições são feitas num único "momento", não existindo, portanto, período de seguimento dos indivíduos. TEMPO
    4. 4. Souza RA, 2015 Estrutura
    5. 5. Souza RA, 2015 Estrutura Para levar a cabo um estudo transversal o investigador tem que, primeiro, definir a questão a responder, depois, definir a população a estudar e um método de escolha da amostra e, por último, definir os fenómenos a estudar e os métodos de medição das variáveis de interesse.
    6. 6. Souza RA, 2015 UTILIDADE
    7. 7. Souza RA, 2015 Utilidade Este tipo de estudos são apropriados para descrever características das populações no que diz respeito a determinadas variáveis e os seus padrões de distribuição.
    8. 8. Souza RA, 2015 Utilidade Melhor estratégia de investigação para se conhecer estimativas de parâmetros como médias(, beijos, pressão sistólica), Proporções(categorias de obesidade, grupos etários de hipertensos) e outras razões ou índices(morador do domicílio), Assim também como as dispersões(variância, desvio padrão).
    9. 9. Souza RA, 2015 Utilidade Os estudos transversais podem, também, ser utilizados para descrever associações entre variáveis. Neste caso, a definição de quais as variáveis independentes e quais as dependentes depende, ao contrário dos estudos de coorte, da hipótese de causalidade estabelecida pelo investigador e não do próprio desenho de estudo.
    10. 10. Souza RA, 2015 VARIÁVEIS
    11. 11. Souza RA, 2015 Variáveis Decidir se uma variável é dependente ou independente é relativamente fácil no caso de certos fatores constitucionais como a idade, sexo ou grupo étnico uma vez que estes não são alterados por outras variáveis e são, assim, geralmente, variáveis independentes. Para a maior parte das variáveis, porém, a escolha é algo mais complicada.
    12. 12. Souza RA, 2015 Variáveis Dependente independente independente independente
    13. 13. Souza RA, 2015 Variáveis Por exemplo se através de um estudo transversal se encontra uma associação entre a prática de exercício físico e a presença de doença coronária esta pode dever-se ao facto de os indivíduos que praticam pouco exercício físico desenvolverem mais frequentemente doença coronária ou ao facto de os indivíduos com doença coronária praticarem menos frequentemente exercício físico devido à sua doença.
    14. 14. Souza RA, 2015 Variáveis DAC Exercício físico Tabagismo Alimentação
    15. 15. Souza RA, 2015 AMOSTRA
    16. 16. Souza RA, 2015 Amostra População geral Amostra
    17. 17. Souza RA, 2015 Amostra População geral Expostos e doentes Expostos e não doentes Não Expostos e doentes Não Expostos e Não doentes
    18. 18. Souza RA, 2015 Amostra Se toda uma amostra for selecionada a pesquisa trata-se de um Censo.
    19. 19. Souza RA, 2015 MEDIDAS
    20. 20. Souza RA, 2015 Medidas Neste exemplo encontra-se uma importante medida de frequência que é, caracteristicamente, encontrada a partir de estudos transversais - a prevalência (de fato, este tipo de estudo é muitas vezes designados de "estudos de prevalência"). A prevalência de uma determinada doença é definida como a proporção de indivíduos de uma população que apresentam tal doença num determinado momento no tempo. Voltaremos ao assunto na próxima aula.
    21. 21. Souza RA, 2015 Medidas Expostos e doentes Expostos e não doentes Não Expostos e doentes Não Expostos e Não doentes Frequências Doentes Não-Doentes Total Expostos a b a + b Não-expostos c d c + d Total a + c b + d n
    22. 22. Souza RA, 2015 Medidas imperfeitas Se um instrumento de medida for imperfeito (virtualmente quase todos são) detectando menos de 100%, podemos usar uma fórmula de correção: Pr = Pa + Esp - 1 Sen + Esp - 1 Onde: Sen é a Sensibilidade Esp é a Especificidade Pa é a Prevalência adquirida Pr é a Prevalência real
    23. 23. Souza RA, 2015 Medidas imperfeitas k = Po- Pe 1- Pe Onde Po é a proporção total de concordâncias observadas Pe é a proporção total de concordâncias que seriam esperadas por pura casualidade
    24. 24. Souza RA, 2015 Medidas imperfeitas • Índice Kappa pode ir de negativo até +1 • Ele deve ser usado para mostrar a concordância entre duas formas de medidas, onde uma delas é a medida chamada padrão- ouro. • Padrão-ouro é a medida que consegue 100% de certeza, ou mais próximo possível a ele.
    25. 25. Souza RA, 2015 VANTAGENS E DESVANTAGENS
    26. 26. Souza RA, 2015 Vantagens Rápidos Custo menor Insensível a perda de seguimento Adequados à análise de redes de causalidade. Os estudos transversais podem ser levados a cabo como a primeira etapa de um estudo de coorte ou ensaio clínico sem grandes custos adicionais. Os resultados definem as características demográficas e clínicas de base da amostra em estudo e podem, por vezes, revelar associações de interesse para o restante do estudo.
    27. 27. Souza RA, 2015 Desvantagens Impossibilidade de estabelecer relações causais por não provarem a existência de uma sequência temporal entre exposição ao fator e o subsequente desenvolvimento da doença. Estes estudos são pouco práticos no estudo de doenças raras, uma vez que estas obrigam à seleção de amostras muito numerosas.
    28. 28. Souza RA, 2015 Desvantagens O fato de nos estudos transversais só se poder medir a prevalência, e não a incidência, torna limitada a informação produzida por este tipo de estudos no que respeita à história natural das doenças e ao seu prognóstico. Este tipo de estudos são susceptíveis aos chamados vieses de prevalência/incidência ou de duração da doença
    29. 29. Souza RA, 2015 VIÉS DE DURAÇÃO DA DOENÇA
    30. 30. Souza RA, 2015 Viés de duração da doença Acontece quando o efeito de determinados fatores relacionados com a duração da doença é confundido com um efeito na ocorrência da doença. Por exemplo, num estudo realizado na década de 70 encontrou-se uma grande frequência de antígeno linfocitário humano A2 (HLA-A2) entre crianças que sofriam de leucemia linfocítica aguda (LLA) e os investigadores concluíram que as crianças com este tipo de HLA tinham um risco acrescido de desenvolver esta doença.
    31. 31. Souza RA, 2015 Viés de duração da doença Estudos subsequentes vieram, no entanto, demonstrar que o HLA-A2 não era um fator de risco para o desenvolvimento da LLA, mas sim, um fator que estava associado a um melhor prognóstico em crianças com esta doença. Assim, a maior sobrevida dos doentes com HLA-A2 fazia com que na amostra de doentes do estudo transversal houvesse uma maior probabilidade de encontrar doentes com este tipo de HLA em comparação com os outros tipos. Observou-se, assim, que uma aparente maior incidência era na realidade o efeito de uma maior prevalência devido a um melhor prognóstico.
    32. 32. Souza RA, 2015 Viés de duração da doença Tempo Com HLA Sem HLA
    33. 33. Souza RA, 2015 FASES DE ESTUDO TRANSVERSAL
    34. 34. Souza RA, 2015 Fases de estudo transversal Amostragem Seleção e treinamento de pesquisadores de campo Execução Piloto Coleta de dados Controle de qualidade Análise e divulgação de resultados Análises univariadas Análises bivariadas Análises multivariadas
    35. 35. Souza RA, 2015 Análise univariada Análises univariadas são aquelas em que apenas o comportamento de uma variável é objeto atenção. Basicamente é a descrição da variável média, desvio padrão, histogramas, gráficos de barra, etc.
    36. 36. Souza RA, 2015 Análise bivariada Análises bivariadas são aquelas em que duas variáveis ou as relações entre elas são analisadas ao mesmo tempo. Estudo de prevalência deve usar a razão de prevalência Tradicionalmente, para testar associação estatística, isto é, de frequências, em duas variáveis dicotomias ou mesmo categóricas, podem ser utilizados testes de hipóteses baseados na estatística do qui-quadrado
    37. 37. Souza RA, 2015 Análise bivariada DAC Exercício físico Tabagismo Alimentação
    38. 38. Souza RA, 2015 RAZÃO DE PREVALÊNCIAS
    39. 39. Souza RA, 2015 Razão de prevalências Uma razão de prevalência tão-somente estima quantas vezes mais o exposto está doente quando comparados aos não expostos, na época do estudo seccional. Uma razão de prevalência não estabelece risco desenvolver a doença.
    40. 40. Souza RA, 2015 Razão de prevalências Uma razão de prevalência tão-somente estima quantas vezes mais o exposto está doente quando comparados aos não expostos, na época do estudo seccional. Uma razão de prevalência não estabelece risco desenvolver a doença. RP = a.(c+ d) c(a+b)
    41. 41. Souza RA, 2015 Razão de prevalências RP = a.(c + d) c(a + b) Frequências Doentes Não-Doentes Total Expostos a b a + b Não-expostos c d c + d Total a + c b + d n Frequências Asma Sem asma Total Tempo de fumo > 10 anos 192 120 312 Tempo de fumo < 10 anos 251 257 508 Total 443 377 820 RP = 1,24
    42. 42. Souza RA, 2015 Razão de prevalências Uma razão de prevalência tão-somente estima quantas vezes mais o exposto está doente quando comparados aos não expostos, na época do estudo seccional. Uma razão de prevalência não estabelece risco desenvolver a doença.
    43. 43. Souza RA, 2015 Análise multivariada DAC Exercício físico Tabagismo Alimentação DAC Alimentação Exercício físico Tabagismo
    44. 44. Souza RA, 2015 Análise multivariada DAC Exercício físico Tabagismo Alimentação DAC Alimentação Exercício físico Tabagismo
    45. 45. Souza RA, 2015 Análise multivariada
    46. 46. Souza RA, 2015 EXERCÍCIOS
    47. 47. Souza RA, 2015 Exercícios 1) Liste 3 vantagens e igual número de limitações do estudo de corte transversal. 2) Liste 3 desvantagens e igual número de limitações do estudo de corte transversal. 3) Qual é o desenho de estudo mais adequado para pesquisar a prevalência de tuberculose em distritos rurais de um município a) Estudo transversal b) Estudo de caso e controle c) Estudo cruzado d) Estudo de coorte e) Estudo randomizado em paralelo.
    48. 48. Souza RA, 2015 Exercícios 4) São vantagens dos estudos transversais, EXCETO o seguinte: a) São rápidos e baratos. b) Medem prevalência da exposição. c) São adequados para fazer inferência causal. d) São úteis para planejamentos em saúde. e) Medem prevalência do desfecho.
    49. 49. Souza RA, 2015 Exercícios A hepatite C é uma das principais causas de doença hepática crônica em todo o mundo. Existe grande variação na prevalência da infecção pelo vírus da hepatite C (HCV) de acordo com a região geográfica estudada, refletindo não só características epidemiológicas distintas entre as populações, mas diferenças nas metodologias utilizadas para a realização das estimativas. Um estudo foi realizado, acessando as pessoas em base populacional uma vez e perguntando e fazendo exames para mensuração do marcador para HCV e para fatores de risco. Um dos fatores de risco para a infecção é o sexo sem proteção. Em um estudo de 2010 foi percebido que de 120 pessoas que faziam sexo sem proteção 20% tinham HCV e 15% não tinham, já das que faziam uso da proteção, apenas 10% tinham. Qual a melhor medida para quantificar a força de associação entre as duas condições? Como calculá-la, Qual o valor encontrado?

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