Entrevista motivacional

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Aula proferida para a LAMFAC da UFMG sobre Entrevista Motivacional em abril de 2016

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Entrevista motivacional

  1. 1. ENTREVISTA MOTIVACIONAL Ricardo Alexandre de Souza MFC MSc Professor UFSJ
  2. 2. Núcleo: Pessoas não são boas nem más, são pessoas. A relação médico paciente exige que nos dispamos de crenças e lidemos com o outro sem julgamentos. Simplesmente aceitemos o outro.
  3. 3. OBJETIVOS DIDÁTICOS
  4. 4. POR QUE AS PESSOAS MUDAM? Antes do compromisso, há hesitação, a oportunidade de recuar, uma ineficácia permanente. Em todo ato de iniciativa (e de criação), há uma verdade elementar cujo desconhecimento destrói muitas ideias e planos esplêndidos. No momento em que nos comprometemos de fato, a providência também age. Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar, coisas que de outro modo nunca ocorreriam. Toda uma cadeia de eventos emana da decisão, J.W. Goethe – Ante o Compromisso
  5. 5. POR QUE AS PESSOAS MUDAM? Mudança natural Efeitos das intervenções breves Dose efeito Efeito da fé e da esperança Efeito do aconselhamento • Ready, Willing and Able • Willing (Desejo): a importância da mudança • Able: Confiança na mudança • Ready: Uma questão de prioridades
  6. 6. O QUE DISPARA A MUDANÇA? • O que você faria se precisasse que alguém mudasse seu comportamento?
  7. 7. AMBIVALÊNCIA • Conflito-Conflito • Aproximação-Aproximação • Aproximação-Conflito • Aproximação-Conflito duplo
  8. 8. BALANÇA DECISIONAL Curso da mudança Benefício do Status Quo Custo do Status Quo Benefícios da mudança
  9. 9. ARGUMENTAÇÃO POR ENFRENTAMENTO Ambivalente Correto
  10. 10. MOTIVAÇÃO Fonte da Charge: http://motivacsoesamc.blogspot.com.br/2011/05/motivacao-e-uma-forca-interna-que.html Motivação é um processo interpessoal, que depende de duas pessoas.
  11. 11. DISCREPÂNCIA • Um homem define seu dia para parar de fumar depois de um dia em que foi pegar as crianças na biblioteca da cidade. O homem procura em seus bolsos e encontro um problema familiar: está sem cigarros. Continuando a dirigir seu carro ele vê de relance que sua criança está saindo mulher na chuva, mas ele continua em direção à esquina, certo que dará tempo de correr e comprar cigarros, antes que as crianças fiquem encharcadas. A visão dele mesmo como pai que poderia ”realmente deixar as crianças na chuva enquanto vai atrás cigarros ” foi… humilhante e ele parou de fumar.
  12. 12. DISCURSO AUTO MOTIVACIONAL Assim o desafio é primeiro intensificar e então resolver a ambivalência por Desenvolver a discrepância entre o presente e o futuro desejado. Perguntas como... • Por que você não muda? • Como você pode me dizer que não tem um problema? • Por que você não... • Por que você apenas não... ...Só irão fazer você se tornar o Correto
  13. 13. DISCURSO AUTO MOTIVACIONAL As mudanças são facilitadas pela comunicação de uma forma que explicite as razões pessoais para a vantagem da mudança. Caindo em quatro categorias: 1. Desvantagens do Status quo 2. Vantagens da mudança 3. Otimismo para a mudança 4. Intenção de mudar
  14. 14. DEFINIÇÃO
  15. 15. DEFINIÇÃO Entrevista motivacional é um método centrado na pessoa, diretivo para aumento da motivação intrínseca para a mudança ao explorar e resolver a ambivalência.
  16. 16. DEFINIÇÃO - PONTOS CHAVE É centrada na pessoa, ou seja, focada no interesse presente da pessoa e suas preocupações. Não se escava o passado, não se ensina habilidades de empatia ou remodela a cognição. Diretiva porque move a pessoa para uma mudança focando-se na resolução da ambivalência. EC é um método de comunicação ao invés de um conjunto de técnicas. O foco da EC é esclarecer as motivações intrínsecas da pessoa para a mudança. O método foca na exploração e resolução da ambivalência como uma chave para o estímulo à mudança.
  17. 17. PARA QUE PODE SER USADA?
  18. 18. PARA QUE PODE SER USADA? • Manejo da DM2 • Pré-natal • Tratamento da Dependência • Enfrentamentos para comportamentos deletérios • Resultados de exames • Pacientes cardiopatas, incluindo HAS
  19. 19. FUNDAMENTOS • Colaboração • Evocação (provocação) • Autonomia
  20. 20. FUNDAMENTO E SEU OPOSITOR Colaboração: Aconselhamento envolve uma parceria que honra o expertise da pessoa e suas perspectivas. O Terapeuta provê uma atmosfera que é condutiva ao invés de coercitiva. Confrontação: O terapeuta sobrepuja as perspectivas do cliente ao impor percepção e aceitação da realidade que o cliente não pode ver ou admitir.
  21. 21. FUNDAMENTO E SEU OPOSITOR Evocação: Os recursos e motivações para mudanças são presumíveis de residir dentro do paciente. Motivação intrínseca para mudança é aumentada, por tocar as percepções, objetivos e valores da próprias pessoa Educação: O paciente presumível mente não possui o conhecimento chave, percepção ou habilidades necessárias para que a mudança ocorra. O terapeuta procura acessar esse déficits provendo os esclarecimentos necessários
  22. 22. FUNDAMENTO E SEU OPOSITOR Autonomia: O terapeuta afirma ao sujeito seus direitos e capacidade de autodirecionamento e facilita a escolha informada. Autoridade: O terapeuta diz ao cliente o que ele deve e não deve fazer.
  23. 23. FUNDAMENTO E SEU OPOSITOR Autonomia: O terapeuta afirma ao sujeito seus direitos e capacidade de autodirecionamento e facilita a escolha informada. Autoridade: O terapeuta diz ao cliente o que ele deve e não deve fazer.
  24. 24. PRINCÍPIOS
  25. 25. PRINCÍPIOS • Expresse empatia • Desenvolva a discrepância • Lide com a resistência • Suporte a auto eficácia
  26. 26. EXPRESSE EMPATIA Compreendemos a habilidade terapêutica da escuta reflexiva ou empatia precisa, como descrito por Carl Rogers, como a fundação pela qual a habilidade clínica na entrevista motivacional é construída. Através da escuta reflexiva habilidosa, o terapeuta procura entender sentimentos e perspectivas sem julgar, criticar ou condenar. Aceitação facilita a mudança. A ambivalência é normal.
  27. 27. DESENVOLVA A DISCREPÂNCIA Dissonância cognitiva de Leon Festinger (Entre o presente e o querer ser) O sujeito deve apresentar os argumentos para a mudança e não o terapeuta. Mudança é motivada pela percepção da discrepância entre o comportamento presente e importante objetivos pessoais e valores.
  28. 28. LIDAR COM A RESISTÊNCIA Evite argumentar pela mudança. Resistencia não é diretamente oposta. Novas perspectivas são convidadas e não impostas. O cliente é o recurso primário nas suas soluções e respostas. Resistencia é um sinal para responder diferentemente.
  29. 29. LIDAR COM A RESISTÊNCIA A crença da pessoa na possibilidade da mudança é um importante motivador O paciente, não o terapeuta, é responsável por escolher e ocasionar a mudança A crença do terapeuta na habilidade da pessoa se transforma em uma profecia que se auto realiza.
  30. 30. METODOLOGIA
  31. 31. METODOLOGIA •Perguntas abertas •Afirme •Resuma •Conduza a conversa de mudança •Ouça reflexivamente
  32. 32. ESTÁGIOS DE PROCHASKA E DICLEMENTE
  33. 33. ESTÁGIOS DE PROCHASKA E DICLEMENTE Pré- Contemplação Contemplação PreparaçãoAção Manutenção Recaída Saída
  34. 34. ESTÁGIOS DE PROCHASKA E DICLEMENTE Estágio Características Técnicas Pré-contemplação Ainda não está considerando a mudança; não reconhece o problema Valide a falta de prontidão para a mudança Esclareça que a decisão é dele Encoraje a re-avaliação do comportamento atual Encoraje a auto-exploração, não a ação Explique e personalize o risco
  35. 35. ESTÁGIOS DE PROCHASKA E DICLEMENTE Estágio Características Técnicas Contemplação Ambivalente quanto a mudança: “Estou em cima do muro” Não considerando a mudança no próximo mês Valide a falta de prontidão para a mudança Esclareça que a decisão é dele Encoraje a avaliação dos prós e contras da mudança do comportamento Identifique e promova novas expectativas positivas do resultado da mudança
  36. 36. ESTÁGIOS DE PROCHASKA E DICLEMENTE Estágio Características Técnicas Preparação O paciente relata alguma experiência de mudança e está tentando mudar Planeja agir dentro de um mês Identifique e ajude na resolução de problemas: superar obstáculos para a mudança Ajude o paciente a identificar seu apoio social Verifique que o paciente tem as capacidades necessárisa para a mudança de comportamento. Encoraje os pequenos passos iniciais: passos de bebe
  37. 37. ESTÁGIOS DE PROCHASKA E DICLEMENTE Estágio Características Técnicas Ação Praticando o novo comportamento durante 3 a 6 meses Foque na pistas de reestruturação e no suporte social Aumente a auto-eficácia para lidar com obstáculos Combata os sentimentos de perda e reforce os benefícios a longo prazo
  38. 38. ESTÁGIOS DE PROCHASKA E DICLEMENTE Estágio Características Técnicas Manutenção Engajamento para continuar mantendo o novo comportamento Planeje o seguimento a longo prazo Reforce as recompensas internas Discuta como lidar com a recaída Recaída Retomada de velhos comportamentos: “Caindo em desgraça Avalie os gatilhos para a recaída Reassegure a motivação e trabalhe as barreiras Planeje estratégias para lidar com os gatilhos e as recaídas
  39. 39. OUTRAS TÉCNICAS
  40. 40. ACONSELHAMENTO É a intervenção psicossocial mais amplamente utilizada em dependência química e contribui para uma evolução positiva do tratamento. Consiste, fundamentalmente, de apoio, proporcionando estrutura, monitoração, acompanhamento da conduta e encorajamento da abstinência. Proporciona, também, serviços ou tarefas concretas tais como encaminhamento para emprego, serviços médicos e auxílio com questões legais.
  41. 41. ACONSELHAMENTO Pode ser mínimo (3 minutos), breve (3-10 minutos) ou intensivo (mais de 10 minutos). Pode ser aplicado por qualquer profissional adequadamente treinado e apresenta quatro fases: • 1. Avaliação (identificação do problema). • 2. Aconselhamento (estratégias motivacionais). • 3. Assistência. • 4. Acompanhamento.
  42. 42. INTERVENÇÃO BREVE A Intervenção Breve é uma técnica mais estruturada que o aconselhamento. Possui um formato claro e simples, e também pode ser utilizada por qualquer profissional. Quando tais intervenções são estruturadas em uma até quatro sessões, produzem um impacto igual ou maior que tratamentos mais extensivos para a dependência de álcool. Terapias fundamentadas na entrevista motivacional produzem bons resultados no tratamento e podem ser utilizadas na forma de intervenções breves.
  43. 43. INTERVENÇÃO BREVE As intervenções breves utilizam técnicas comportamentais para alcançar a abstinência ou a moderação do consumo. Ela começa pelo estabelecimento de uma meta. Em seguida, desenvolve-se a auto-monitorização, identificação das situações de risco e estratégias para evitar o retorno ao padrão de consumo problemático. O espectro de problemas também determina que se apliquem intervenções mais especializadas para indivíduos com problemas graves, além de adicionais terapêuticos, como manuais de auto-ajuda, aumentando a efetividade dos tratamentos.
  44. 44. TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL (TCC) E PREVENÇÃO DE RECAÍDA A abordagem básica da TCC pode ser resumida em “reconhecer, evitar e criar habilidades para enfrentar” as situações que favorecem o uso de drogas. As sessões seguem uma estrutura padronizada e os indivíduos têm papel ativo no tratamento.
  45. 45. TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL (TCC) E PREVENÇÃO DE RECAÍDA Após a motivação e a implementação de estratégias para interromper o uso da droga, surge uma tarefa tão ou mais difícil, que consiste em evitar que o indivíduo volte a consumi-la. O modelo de “prevenção de recaída” (Marlatt, 1993) incorpora os aspectos cognitivo-comportamentais e objetiva treinar as habilidades/estratégias de enfrentamento de situações de risco, além de promover amplas modificações no estilo de vida do indivíduo.
  46. 46. TERAPIA DE GRUPO O desenvolvimento da técnica de grupo terapia é uma alternativa para atender um maior número de pessoas, num menor tempo, e, portanto, com um custo mais baixo. É considerada uma alternativa viável e também efetiva. O tratamento em grupo de dependentes de álcool e de outras drogas vem ocupando um espaço amplo, mas o seu estudo ainda é restrito, pois exige uma metodologia de avaliação muito rigorosa.
  47. 47. TERAPIA DE FAMÍLIA A comunicação com os familiares traz amiúde novos dados que podem ter fundamental importância no esclarecimento diagnóstico e tratamento do paciente. Quando se percebe que o conflito familiar interfere diretamente no tratamento, costuma-se indicar terapia de família. A terapia de família objetiva aprimorar a comunicação entre cada um de seus componentes e abordar a ambivalência de sentimentos. Ela pretende reforçar positivamente o papel do dependente químico na família, levando a uma melhor adaptação no seu funcionamento social.
  48. 48. REDUÇÃO DE DANOS Utilizado com a finalidade de prevenir ou reduzir as consequências negativas associadas a um determinado comportamento. Considerando o tratamento de dependência química, ele é útil, por exemplo, na redução da transmissão de HIV e hepatites através de programas de troca de seringas, para usuários de drogas injetáveis.

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