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Introdução à Atenção Farmacêutica

Cassyano Correr
Cassyano Correr
Cassyano CorrerFarmacêutico, BPharm, MSc, PhD em UFPR

Slides da disciplina MB 038 - Atenção Farmacêutica I - Curso de Farmácia da UFPR. Fev 2014.

Introdução à Atenção Farmacêutica

1 de 33
Introdução à Atenção
Farmacêutica

Cassyano J Correr
Farmacêutico
Doutor em Medicina Interna
Departamento de Farmácia
Universidade Federal do Paraná
cassyano@ufpr.br
•A situação atual da assistência farmacêutica no Brasil leva à
população a conviver com um duplo padrão de problemas relacionados
aos medicamentos, próprios tanto de países desenvolvidos como daqueles
em desenvolvimento.
•Por um lado, deficiências políticas, gerenciais e estruturais
comprometem o acesso oportuno de parte da população aos
medicamentos, em quantidade e qualidade suficientes.
•Por outro lado, o desenvolvimento sócio-econômico, o acesso à
informação e a medicamentos sem prescrição médica, a alta prevalência
das condições crônicas e a polimedicação criaram novas necessidades
coletivas e individuais relacionadas com os medicamentos que os serviços
farmacêuticos de hoje não atendem.

Correr CJ, Otuki MF, Soler O. Revista Pan-Amazonica de Saude. 2011;2(3).
2
Necessidade Social:
No sistema de saúde, precisamos melhorar o controle
sobre os resultados dos medicamentos após sua
dispensação, a fim de prevenir a morbidade e
mortalidade relacionadas
Segundo HEPLER (2001), precisamos mudar de um
sistema de gestão de medicamentos em que “se espera o
melhor” para um em que “se gerencia para o melhor”

3
“Os farmacêuticos deveriam sair detrás
do balcão e começar a servir ao público,
provendo cuidado ao invés de apenas
pílulas. Não há futuro no simples ato de
dispensar. Essa atividade pode e será
feita pela Internet, máquinas e/ou
técnicos bem treinados. O fato de o
farmacêutico ter um treinamento
acadêmico e agir como um profissional de
saúde coloca uma obrigação sobre ele
para melhor servir à comunidade de uma
forma melhor do que faz atualmente”.

WIEDENMAYER, K. et al. – Developing pharmacy practice: a focus on patient care. Geneva,
World Health Organization, 2006.
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Representa um movimento de mudança e
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Introdução à Atenção Farmacêutica

  • 1. Introdução à Atenção Farmacêutica Cassyano J Correr Farmacêutico Doutor em Medicina Interna Departamento de Farmácia Universidade Federal do Paraná cassyano@ufpr.br
  • 2. •A situação atual da assistência farmacêutica no Brasil leva à população a conviver com um duplo padrão de problemas relacionados aos medicamentos, próprios tanto de países desenvolvidos como daqueles em desenvolvimento. •Por um lado, deficiências políticas, gerenciais e estruturais comprometem o acesso oportuno de parte da população aos medicamentos, em quantidade e qualidade suficientes. •Por outro lado, o desenvolvimento sócio-econômico, o acesso à informação e a medicamentos sem prescrição médica, a alta prevalência das condições crônicas e a polimedicação criaram novas necessidades coletivas e individuais relacionadas com os medicamentos que os serviços farmacêuticos de hoje não atendem. Correr CJ, Otuki MF, Soler O. Revista Pan-Amazonica de Saude. 2011;2(3). 2
  • 3. Necessidade Social: No sistema de saúde, precisamos melhorar o controle sobre os resultados dos medicamentos após sua dispensação, a fim de prevenir a morbidade e mortalidade relacionadas Segundo HEPLER (2001), precisamos mudar de um sistema de gestão de medicamentos em que “se espera o melhor” para um em que “se gerencia para o melhor” 3
  • 4. “Os farmacêuticos deveriam sair detrás do balcão e começar a servir ao público, provendo cuidado ao invés de apenas pílulas. Não há futuro no simples ato de dispensar. Essa atividade pode e será feita pela Internet, máquinas e/ou técnicos bem treinados. O fato de o farmacêutico ter um treinamento acadêmico e agir como um profissional de saúde coloca uma obrigação sobre ele para melhor servir à comunidade de uma forma melhor do que faz atualmente”. WIEDENMAYER, K. et al. – Developing pharmacy practice: a focus on patient care. Geneva, World Health Organization, 2006. 4
  • 5. ATENÇÃO FARMACÊUTICA Representa um movimento de mudança e adaptação da profissão farmacêutica
  • 7. Linha do tempo Holland RW, Nimmo CM. Transitions, part 1: beyond pharmaceutical care. Am J Health Syst Pharm. 1999 Sep 1;56(17):1758-64. 7
  • 8. ATENÇÃO FARMACÊUTICA “O cuidado que um determinado paciente necessita e recebe, que assegura o uso racional e seguro dos medicamentos.” (Mikeal et al., 1975) Mikeal, R.L. et al. Quality of pharmaceutical care in hospitals. Am J Hosp Pharm 1975; 32:567-574. 8
  • 9. ATENÇÃO FARMACÊUTICA “Inclui a determinação das necessidades de medicamentos para um dado indivíduo e a provisão não somente do medicamento requerido, mas também dos serviços necessários (antes, durante e depois do tratamento) para assegurar uma terapia perfeitamente efetiva e segura.” (Brodie et al., 1980) Brodie,D.C. et al. Societal needs for drugs and drug-related services. Am J Pharm Ed, 1980; 44:276-278. 9
  • 10. ATENÇÃO FARMACÊUTICA “É uma relação baseada no acordo entre paciente e farmacêutico, na qual o farmacêutico realiza uma função de controle do uso de medicamentos, baseado na vigilância e buscando o interesse do paciente.” (Hepler, 1987) HEPLER, C.D. The Third wave in pharmaceutical care and the clinical movement. Am J Pharm Ed 1987; 51:369-385. 10
  • 11. ATENÇÃO FARMACÊUTICA “A provisão responsável da farmacoterapia com propósito de alcançar resultados definidos que melhorem a qualidade de vida do paciente” (Hepler & Strand, 1990) HEPLER, CD; STRAND LM. Opportunities and responsabilities in pharmaceutical care. Am J Hosp Pharm. 1990; 47:533-543]. 11
  • 12. ATENÇÃO FARMACÊUTICA “Prática profissional em que o profissional assume a responsabilidade das necessidades do paciente com relação aos medicamentos e adquire um compromisso a respeito.” (Cipolle, Strand & Morley, 1997) 12
  • 13. • Farmácia Clínica é definida como a área da farmácia voltada para a ciência e prática do uso racional de medicamentos. • Farmácia Clínica é uma ciência da saúde pela qual farmacêuticos proporcionam cuidado ao paciente de forma a otimizar a farmacoterapia e promover saúde, bem estar e prevenção de doenças. • Farmacêuticos clínicos cuidam de pacientes em todos os locais onde se pratica atenção à saúde, não somente nos hospitais. • A prática da farmácia clínica incorpora a filosofia da atenção farmacêutica ou dos cuidados farmacêuticos. Dessa forma, combina uma orientação para o cuidado com conhecimentos especializados de terapêutica, experiência e juízo clínico, com propósito de garantir resultados ideais para o paciente. • Como ciência, a farmácia clínica também tem o dever de contribuir para a geração de novos conhecimentos que promovam avanços para a saúde e qualidade de vida da população. American College of Clinical Pharmacy, USA. Pharmacotherapy 2008;28(6):816–817
  • 14. Idéias-chave: • • • • • • • Relação de confiança mútua Busca de resultado clínicos Trabalho em equipe Atividade generalista Abordagem integral do paciente Foco na terapêutica Especialista em medicamentos 14
  • 15. Necessidades de atenção sanitária de um paciente Atenção Atenção Ocular Ocular Atenção Atenção Médica Médica Atenção Atenção Geriátrica Geriátrica Atenção Atenção Farmacêutica Farmacêutica Atenção Atenção Dental Dental Autocuidado Atenção Atenção Cirúrgica Cirúrgica Cuidados de Cuidados de Enfermagem Enfermagem Atenção Atenção Pediátrica Pediátrica Atenção Atenção Nutricional Nutricional Atenção Atenção Materna Materna 15
  • 16. 16
  • 17. ATENÇÃO FARMACÊUTICA É um modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e co-responsabilidades na prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. OPAS (org) Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica: Proposta. Brasília: OPAS, 2002. 17
  • 18. Declaração de Tel Aviv (1999) Associação Médica Mundial (...) C. Responsabilidades do farmacêutico 13. Assegurar a obtenção, armazenamento e distribuição segura de medicamentos (dentro das regulamentações pertinentes). 14. Repasse de informações aos pacientes, que pode incluir o nome do medicamento, sua ação, interações potenciais e efeitos secundários, como também o uso e armazenamento corretos. 18
  • 19. Declaração de Tel Aviv (1999) Associação Médica Mundial 15. Seguimento da prescrição para identificar interações, reações alérgicas, contra-indicações e duplicações terapêuticas. As preocupações devem discutidas com o médico. 16. A solicitação do paciente, discussão dos problemas relacionados com medicamentos ou preocupações com respeito aos medicamentos prescritos. 19
  • 20. Declaração de Tel Aviv (1999) Associação Médica Mundial 17. Assessoramento aos pacientes, quando corresponda, sobre a seleção e utilização dos medicamentos não prescritos e o manejo dos sintomas ou mal-estares menores (aceitando a responsabilidade do dito assessoramento). Quando a automedicação não é apropriada, pedir aos pacientes que consultem a seus médicos para tratamento e diagnóstico. 18. Informar as reações adversas aos medicamentos, às autoridades de saúde, quando necessário. 20
  • 21. Declaração de Tel Aviv (1999) Associação Médica Mundial 19. Repasse e repartição de informação geral e específica relacionada com os medicamentos, e assessorar ao público e provedores de atenção médica. 20. Manter um alto nível de conhecimentos sobre a terapia de medicamentos, através de um desenvolvimento profissional continuado. 21
  • 22. Rede de Cuidado e Informações de alta relevância para o paciente FARMACÊUTICO DEMAIS PROF. SAÚDE MÉDICO PACIENTE PSICÓLOGO NUTRICIONISTA 22
  • 23. 23
  • 24. Serviços Farmacêuticos Clínicos 11 Aconselhamento Aconselhamento ao paciente ao paciente 2 Programas de rastreamento 33 Adesão ao Adesão ao tratamento tratamento 4 Revisão da farmacoterapia 5 Acompanhamento da farmacoterapia 66 Reconciliação Reconciliação terapêutica terapêutica 7 Informação e suporte à equipe 88 Prescrição Prescrição independente independente Correr CJ, Rotta I, Salgado TM, Fernandez-Llimos F. Tipos de Serviços Farmacêuticos Clínicos: O que dizem as Revisões Sistemáticas? Acta Farmaceutica Portuguesa. 2012;1(2):23–42. 24
  • 25. Serviços Clínicos Aconselhamento Aconselhamento ao paciente ao paciente Aconselhamento sobre os medicamentos, doenças e medidas não farmacológicas Promover o uso correto de medicamentos e o autocuidado Juntamente ou não com a entrega de medicamentos Pode utilizar materiais educativos impressos ou multimídia 25
  • 26. Serviços Clínicos Programas de Programas de rastreamento rastreamento Programas para detecção, prevenção ou controle de fatores de risco específicos (p.ex. tabagismo, point-of-care tests) Intervenções centradas em técnicas comportamentais e educação individual ou em grupo 26
  • 27. Serviços Clínicos Adesão ao Adesão ao tratamento tratamento Serviços focados na adesão do paciente ao tratamento Técnicas diversas, como educação e aconselhamento, dispositivos, recursos facilitadores, consultas domiciliares, na farmácia comunitária ou remotas (telefone, web, email). 27
  • 28. Serviços Clínicos Revisão e ajustes na farmacoterapia, em contato direto com o paciente ou não. Corrigir falhas na utilização pelo paciente, seleção inapropriada e regime terapêutico, custos do tratamento ou minimizar efeitos secundários Revisão da Revisão da farmacoterapia farmacoterapia Recomendações ao paciente ou ao médico Farmacêutico com maior ou menor autonomia para realizar modificações no tratamento. 28
  • 29. Serviços Clínicos Acompanhamento da evolução do doente, com foco nos resultados em saúde (outcomes) obtidos e no cuidado contínuo da condição de saúde Acompanha-mento Acompanha-mento da farmacoterapia da farmacoterapia Diversas formas de contato com o doente e com o médico (consulta presencial, telefone, fax, web, email) Tempo de seguimento ou número de consultas variados. 29
  • 30. Serviços Clínicos Elaboração e aprimoramento da história farmacoterapêutica completa e confiável No internamento hospitalar, na transferência entre centros ou após a alta hospitalar Informações ao médico para corrigir discrepâncias na medicação. Reconciliação Reconciliação terapêutica terapêutica 30
  • 31. Serviços Clínicos Informações ao médico e equipe de saúde, sem haver necessariamente cuidado direto do paciente Discussões de caso, rondas, protocolos clínicos, prontuários terapêuticos e relações mais próximas com a equipe Visitas ao médico, a fim de divulgar informações científicas Informação ee Informação suporte ààequipe suporte equipe 31
  • 32. Serviços Clínicos Autonomia para prescrever ou iniciar um tratamento farmacológico Segundo protocolos definidos ou convênios colaborativos entre centros de saúde Inclui experiências com medicamentos isentos de prescrição médica Prescrição Prescrição independente independente 32
  • 33. “As expectativas que os pacientes têm hoje em dia são resultado do que foi feito por eles no passado... ...As expectativas que os pacientes desenvolverão no futuro serão resultado do trabalho que se faz hoje” CIPOLLE, STRAND & MORLEY, 1998 33