• Literatura produzidadurante o século XVI, no
período do Renascimento (XIV a XVI), que valoriza
e resgata elementos artísticos da cultura clássica
(greco-romana);
• Renascimento – movimento artístico, cultural e
científico inspirado nas ideias clássicas greco-latinas;
3.
Contexto histórico
• ORenascimento é a expressão artística e cultural de uma época
marcada por fatos decisivos, que acentuaram o declínio da Idade
Média e deram origem à Era Moderna;
• Navegações e os descobrimentos, no final do século XV;
• A Reforma Protestante (1517);
• A Revolução Comercial, iniciada no século XV;
• O fortalecimento da burguesia comercial – os mecenas;
• Os humanistas – invenção da imprensa;
• Teoria heliocêntrica de Copérnico;
Botticelli
4.
Características do Classicismo
•Racionalismo: a razão predomina sobre o sentimento, ou seja, a expressão dos sentimentos
era controlada pela razão;
• Universalismo: os assuntos pessoais ficaram de lado e as verdades universais (de
preocupação universal) passaram a ser privilegiadas;
• Perfeição formal: métrica, rima, correção gramatical, tudo isso passa a ser motivo de atenção
e preocupação;
• Presença da mitologia greco-latina;
• Antropocentrismo: o homem dessa época se liberta dos dogmas da Igreja e passa a se
preocupar com si próprio, valorizando a sua vida aqui na Terra e cultivando a sua capacidade
de produzir e conquistar. Porém, a religiosidade não desapareceu por completo.
6.
Principais autores:
• DanteAlighieri – Divina Comédia,
criador da medida nova;
- Dante’s Inferno (trailer)
• Petrarca – poemas em forma de
sonetos, amor platônico;
7.
• Bocaccio –Decameron, narrativas curtas e
picantes, sátira e crítica;
• Shakespeare – tragédias e comédias;
• Em Portugal: Retorno de Sá de Miranda da
Itália, trazendo o doce estilo novo: soneto +
medida nova;
• No entanto, o maior expoente do
Classicismo em Portugal é Luís Vaz de
Camões;
8.
Luís Vaz deCamões
(1525-1580)
• Todo seu conhecimento literário, filosófico,
histórico, político e geográfico foi
aproveitado para escrever seus poemas
líricos e, principalmente sua obra épica
Os Lusíadas, tida como a principal
expressão do Renascimento português.
9.
A poesia lírica
•Escreveu sonetos, odes, éclogas e elegias;
• Presença de temas, tais como:
- neoplatonismo amoroso;
- reflexão filosófica,
- natureza;
10.
Amor é umfogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
11.
Ao desconcerto domundo
Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e, para mais m´espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau, mas fui castigado:
Assi que, só para mim
anda o mundo concertado.
•
O poema épicose organiza tradicionalmente em cinco partes:
1. Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3)
Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadores portugueses, em
especial os da esquadra de Vasco da Gama e a história do povo português.
• 2. Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5)
O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irão inspirá-lo na
composição da obra.
• 3. Dedicatória ou oferecimento (Canto I, Estrofes 6 a 18)
O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança de propagação
da fé católica e continuação das grandes conquistas portuguesas por todo o mundo.
14.
• 4. Narração(Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144)
A matéria do poema em si, parte mais longa do poema. A viagem de Vasco
da Gama e as glórias da história heróica portuguesa.
• 5. Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156)
Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua “voz rouca” não ser
ouvida com mais atenção. Conclui aconselhando ao rei e ao povo português
para que sejam fiés à pátria e ao cristianismo.
15.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE
VIÇOSA(UFV) Leia o soneto a
seguir, de Luís de Camões:
Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho e arte.
16.
É CORRETO afirmarque o soneto é metalinguístico
porque o eu lírico:
a) descreve a amada. b) idealiza o amor.
c) canta seus sentimentos. d) fala sobre poesia.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE
PERNAMBUCO(UFPE).
A poesia lírica é o espaço ideal para a temática do
amor, desde a antiguidade clássica até a
atualidade. Mudam-se os tempos, as ideologias, e
o amor continua um sentimento indecifrável e
paradoxal. Daí ser motivo dos dois poemas que
seguem. Leia-os e analise as proposições que a
eles se referem.
!
Sete anos de pastor Jacó servia
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se não a tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
19.
Soneto de Fidelidade
Detudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
20.
0-0) Nos doispoemas, pertencentes, respectivamente, ao Classicismo e ao
Romantismo, o tema do amor é trabalhado numa forma fixa.
1-1) São dois sonetos que mantêm relação de intertextualidade, pois o segundo
retoma o primeiro em sua forma e em seu conteúdo.
2-2) Nos dois poemas, a concepção de amor é diversa, pois o primeiro expressa a
finitude desse sentimento, e o segundo, ao contrário, apresenta-o como eterno.
3-3) No último verso de seu poema, Camões usa uma antítese para dar conta da
idealização do amor. Vinicius de Moraes, nos dois últimos versos do segundo
quarteto, recorre também a oposições, que expressam o desejo de viver o
sentimento amoroso em todos os momentos.
4-4) Enquanto o segundo soneto apresenta uma concepção do amor mais fiel à
vivência dos afetos no século XX, o primeiro traz uma visão platônica idealizada
do sentimento amoroso, própria do Classicismo do século XVI.
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA(UnB)
Mudam-se os Tempos, Mudam-se as
Vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esp’rança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
]
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía*.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
*Ter por costume, habitualmente.
23.
Considerando o textopoético, julgue os itens (certo ou errado) a seguir,
relativos a aspectos linguísticos e literários.
• A repetição do verbo mudar e do substantivo mudança que se observa
na primeira e na última estrofes é um recurso de linguagem que confere
ênfase ao texto poético.
• O esquema de rimas das estrofes do texto poético acima é: ABBA –
ABBA – ABA – BAB.
• A elisão da vogal em “esp’rança” (v. 6) justifica-se porque mantém a
métrica dos versos alexandrinos.
• Antes de “as saudades” (v. 8), subentende-se a forma verbal ficam.
• O desenvolvimento das atividades humanas é influenciado pela
sucessão das estações do ano, referenciadas nos versos 9 e 10.
Identifique a alternativaque não contenha
ideais clássicos de arte:
a) Universalismo e racionalismo.
b) Formalismo e perfeccionismo.
c) Obediência às regras e modelos e contenção
do lirismo.
d) Valorização do homem (do aventureiro, do
soldado, do sábio e do amante) e
verossimilhança (imitação da verdade e da
natureza).
e) Liberdade de criação e predomínio dos
impulsos pessoais.
(Fuvest) –
"Amor éum fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer."
De poeta muito conhecido, está é a primeira estrofe de
um poema que parece comprazer-se com o paradoxo,
enfeixando sensações contraditórias do sentimento
humano, se examinadas sob o prisma da razão.
Indique, na relação a seguir, o nome do autor.
a) Bocage. b) Camilo Pessanha.
c) Gil Vicente. d) Luís de Camões.
Nas obras classicistas,são fortes as seguintes características:
a) Valorização da fé; presença de elementos da cultura antiga;
presença de figuras de linguagem; poesias acompanhadas de
músicas.
b) Presença e valorização de elementos da cultura clássica;
equilíbrio entre razão e emoção, com valorização do racionalismo,
do homem e da vida terrena; desejo de perfeição na estrutura
poéticas a partir de novas formas e medidas.
c) Ênfase na efemeridade do tempo; valorização da vida terrena;
presença de figuras de linguagem; conflitos entre razão e emoção.
d) Sentimentalismo; exaltação da religião e da fé; desilusão e tédio;
valorização da nobreza; presença de símbolos que remetem à cultura
clássica.
(Mack-2002) Assinale aalternativa correta sobre Camões.
a) Além de usar metros mais populares, utilizou-se da medida nova,
especialmente nas redondilhas que recriam, poeticamente, um quadro
harmônico da vida e do mundo.
b) O tema do desconcerto do mundo é um dos aspectos característicos de
sua poesia, presente, por exemplo, nos sonetos de inspiração petrarquiana.
c) Introduziu o estilo cultista em Portugal, em 1580, explorando antíteses
e paradoxos nos poemas de temática religiosa.
d) Autor mais representativo da poesia medieval portuguesa, produziu,
além de sonetos satíricos, a obra épica Os lusíadas.
e) Influenciado pelo Humanismo português, aderiu ao cânone clássico de
composição poética, afastando-se, porém, das inovações métricas e dos
modelos greco-romanos.
O marco parao surgimento do Classicismo se dá a partir
de um movimento intelectual que revolucionou valores
culturais, políticos e econômicos, chamado:
(12 letras)
• Além dosvalores do Renascimento, o Classicismo
português foi também fortemente influenciado
pelos ideais trazidos pelas:
(Duas palavras, 7 e 10 letras)
Em Portugal, oClassicismo surgiu em meados de 1527, tendo como principais
autores:
A. Luiz de Camões; Sá de Miranda; Bernardim Ribeiro.
B. Bernardo Bonaval; Luiz de Camões; Gregório de Matos.
C. Padre Antônio Vieira; Almeida Garret; Luiz de Camões.
D. Gregório de Matos; Padre Antônio Vieira; Almeida Garret; Luiz de
Camões.
• Considerada amaior epopeia portuguesa, de autoria de
Luiz Vaz de Camões, esta obra narra a descoberta das
Índias através de uma viagem de Vasco da Gama,
contando também outros momentos da história de
Portugal. Como se chama esta obra?
(Duas palavras, 2 e 8 letras.)