CLASSICISMO (QUINHENTISMO)
O Classicismo ou Quinhentismo (século XVI) surgiu como escola literária
durante o Renascimento (séc. XV a XVI, na Itália, estendendo-se depois
aos demais países da Europa.). Um período de grandes transformações
culturais, políticas e econômicas.
Relembrando o Renascimento...
O Renascimento surge entre os séculos XIV e XVII na civilização europeia, com a
intenção de reviver a literatura clássica greco-romana.
Durante o período renascentista várias mudanças ocorreram. A princípio, a denominação
deste movimento cultural propõe uma ressurreição do passado clássico, fonte de
inspiração e modelo seguido.
Logo, o homem é valorizado, bem como a natureza, pois é concreta e visível. O
humanismo e antropocentrismo se despontam em oposição ao teocentrismo, ao divino, ao
sobrenatural.
O ser humano começa a se vangloriar por sua razão, por sua capacidade de raciocínio,
por seu cientificismo.
Logo, todas as formas de arte refletem esse ideário: a literatura, a filosofia, a escultura e a
pintura.
Nessa última destacam-se: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Botticelli.
A nova realidade econômica, com a decadência do feudalismo e ascensão do capitalismo,
por si só, exigiu uma reformulação na arte. Afinal, os burgueses começavam a frequentar
universidades e as grandes navegações aceleravam ainda mais o processo cultural através
do comércio.
Enquanto isso, os autores humanistas italianos se despontavam: Dante Alighieri,
Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio.
Contudo, os autores tipicamente renascentistas são portugueses: Sá de Miranda, Antônio
Ferreira e Luís de Camões.
Vários foram os fatores que levaram a tais transformações, dentre eles a crise
religiosa (era a época da Reforma Protestante, liderada por Lutero), as
grandes navegações (onde o homem foi além dos limites da sua terra) e a
invenção da Imprensa que contribuiu muito para a divulgação das obras de
vários autores gregos e latinos (cultura clássica) proporcionando mais
conhecimento para todos.
Foi na arte renascentista que o antropocentrismo atingiu a sua plenitude,
agora, era o homem que passava a ser evidenciado, e não mais Deus.
A arte renascentista se inspirava no mundo greco-romano (Antiguidade
Clássica) já que estes também eram antropocêntricos.
Características do Classicismo
Racionalismo: a razão predomina sobre o sentimento, ou seja, a
expressão dos sentimentos era controlada pela razão.
Universalismo: os assuntos pessoais ficaram de lado e as verdades
universais (de preocupação universal) passaram a ser privilegiadas,
abrangendo a reflexão moral, a filosofia, a política, além do
lirismo amoroso.
Perfeição formal ou estática: métrica (medida nova: versos
decassílabos), rima, correção gramatical, tudo isso passa a ser
motivo de atenção e preocupação.
Ideias de beleza;
Retomada da mitologia pagã greco-latina
Principais Autores e Obras
- Luís Vaz de Camões- Um dos maiores nomes da Literatura Universal, e
certamente, o maior nome da Literatura Portuguesa. Escreveu poesias (líricas
e épicas) e peças teatrais, porém sua obra mais conhecida e consagrada é a
epopeia “Os Lusíadas” considerada uma obra-prima.
Essa obra é dividida em 10 partes (cantos) com 8816 versos distribuídos em
1120 estrofes e narra a viagem de Vasco da Gama às Índias enfatizando
alguns momentos importantes da história de Portugal.
O Classicismo terminou em 1580, com a passagem de Portugal ao domínio
espanhol e também com a morte de Camões.
Camões lírico - Escreveu poemas líricos, marcados pela dualidade: ora são
poemas da velha métrica (redondilhas menores e maiores), ora são poemas da
nova métrica, com versos decassílabos.
Os temas da poesia lírica Camoniana eram o amor encarado pela ótica
neoplatoniana e pela visão carnal, terrena, erótica e o desconcerto do mundo,
que falava das injustiças, da ambição, dos constantes sofrimentos terrenos,
etc.
O tema do amor na poesia lírica:
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? (Camões)
O desconcerto do mundo na poesia camoniana:
Ao desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
CAMÕES ÉPICO - OS LUSÍADAS
Publicado em 1572, Os Lusíadas é considerado o maior poema épico da
língua portuguesa, não pelos 8816 versos decassílabos distribuídos em 1102
estrofes de 8 versos cada, mas pelo seu valor poético e histórico.
Herói- o herói de Os lusíadas não é Vasco da Gama, como se poderia pensar numa
leitura superficial do poema, mas sim todo o povo português (do qual Vasco da Gama é
digno representante). O próprio poeta afirma que vai cantar “as armas e os barões
assinalados” que navegaram “por mares nunca dantes navegados”. Ou seja, todo o povo
lusitano navegador que enfrenta a morte pelos mares desconhecidos (lembre-se de que
corriam várias lendas sobre o Mar Tenebroso).
Estrutura- os dez cantos que formam o poema aparecem divididos em cinco partes,
comuns a todas as epopeias clássicas:
- Proposição: é a apresentação do poema, com destaque para o tema e o herói.
-Invocação: o poeta pede inspiração as Tágides, ninfas do rio Tejo, para que lhe deem um
“engenho ardente” e “um som alto e sublimado, um estilo grandíloquo”. A invocação
inicial é feita nas estrofes 4 e 5 do Canto I.
-Dedicatória: o poema é dedicado a D. Sebastião, rei de Portugal à época da publicação
do poema. A Dedicatória se estende da estrofe 6 à 18 do Canto I.
-Narração: é a longa parte narrativa na qual o poeta desenvolve o tema contando os
episódios da viagem de Vasco da Gama e a história de Portugal. Estende-se da estrofe 19
do Canto I até a estrofe 144 do Canto 10, totalizando 1072 estrofes.
Epílogo: é o final do poema, abrangendo as estrofes 145 a 156 do Canto X. O Epílogo
inicia-se com uma das mais belas e angustiadas estrofes de todo o poema, na qual o poeta
mostra-se triste, abatido, desiludido com a Pátria, que não merece mais ser cantada:
Estrofe 145
“No’mais, Musa, no’mais, que a lira tem
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho,
Não no dá a Pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.”
Relembrando o Renascimento...
O Renascimento surge entre os séculos XIV e XVII na civilização europeia, com a
intenção de reviver a literatura clássica greco-romana.
Durante o período renascentista várias mudanças ocorreram. A princípio, a denominação
deste movimento cultural propõe uma ressurreição do passado clássico, fonte de
inspiração e modelo seguido.
Logo, o homem é valorizado, bem como a natureza, pois é concreta e visível. O
humanismo e antropocentrismo se despontam em oposição ao teocentrismo, ao divino, ao
sobrenatural.
O ser humano começa a se vangloriar por sua razão, por sua capacidade de raciocínio,
por seu cientificismo.
Logo, todas as formas de arte refletem esse ideário: a literatura, a filosofia, a escultura e a
pintura.
Nessa última destacam-se: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Botticelli.
A nova realidade econômica, com a decadência do feudalismo e ascensão do capitalismo,
por si só, exigiu uma reformulação na arte. Afinal, os burgueses começavam a frequentar
universidades e as grandes navegações aceleravam ainda mais o processo cultural
através do comércio.
Enquanto isso, os autores humanistas italianos se despontavam: Dante Alighieri,
Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio.
Contudo, os autores tipicamente renascentistas são portugueses: Sá de Miranda, Antônio
Ferreira e Luís de Camões.
A literatura tenta recuperar a Antiguidade Clássica através da retomada de seus modelos
artísticos. Assim, a busca pela perfeição estética e a pureza das formas, trazem de volta
os sonetos, a ode, a elegia, a écloga e a epopeia, inspirados em Homero, Platão e
Virgílio.

Aula classicismo

  • 1.
    CLASSICISMO (QUINHENTISMO) O Classicismoou Quinhentismo (século XVI) surgiu como escola literária durante o Renascimento (séc. XV a XVI, na Itália, estendendo-se depois aos demais países da Europa.). Um período de grandes transformações culturais, políticas e econômicas. Relembrando o Renascimento... O Renascimento surge entre os séculos XIV e XVII na civilização europeia, com a intenção de reviver a literatura clássica greco-romana. Durante o período renascentista várias mudanças ocorreram. A princípio, a denominação deste movimento cultural propõe uma ressurreição do passado clássico, fonte de inspiração e modelo seguido. Logo, o homem é valorizado, bem como a natureza, pois é concreta e visível. O humanismo e antropocentrismo se despontam em oposição ao teocentrismo, ao divino, ao sobrenatural. O ser humano começa a se vangloriar por sua razão, por sua capacidade de raciocínio, por seu cientificismo. Logo, todas as formas de arte refletem esse ideário: a literatura, a filosofia, a escultura e a pintura. Nessa última destacam-se: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Botticelli. A nova realidade econômica, com a decadência do feudalismo e ascensão do capitalismo, por si só, exigiu uma reformulação na arte. Afinal, os burgueses começavam a frequentar universidades e as grandes navegações aceleravam ainda mais o processo cultural através do comércio. Enquanto isso, os autores humanistas italianos se despontavam: Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio. Contudo, os autores tipicamente renascentistas são portugueses: Sá de Miranda, Antônio Ferreira e Luís de Camões. Vários foram os fatores que levaram a tais transformações, dentre eles a crise religiosa (era a época da Reforma Protestante, liderada por Lutero), as grandes navegações (onde o homem foi além dos limites da sua terra) e a invenção da Imprensa que contribuiu muito para a divulgação das obras de vários autores gregos e latinos (cultura clássica) proporcionando mais conhecimento para todos. Foi na arte renascentista que o antropocentrismo atingiu a sua plenitude, agora, era o homem que passava a ser evidenciado, e não mais Deus. A arte renascentista se inspirava no mundo greco-romano (Antiguidade Clássica) já que estes também eram antropocêntricos. Características do Classicismo Racionalismo: a razão predomina sobre o sentimento, ou seja, a expressão dos sentimentos era controlada pela razão. Universalismo: os assuntos pessoais ficaram de lado e as verdades universais (de preocupação universal) passaram a ser privilegiadas, abrangendo a reflexão moral, a filosofia, a política, além do lirismo amoroso. Perfeição formal ou estática: métrica (medida nova: versos decassílabos), rima, correção gramatical, tudo isso passa a ser motivo de atenção e preocupação. Ideias de beleza; Retomada da mitologia pagã greco-latina Principais Autores e Obras - Luís Vaz de Camões- Um dos maiores nomes da Literatura Universal, e certamente, o maior nome da Literatura Portuguesa. Escreveu poesias (líricas e épicas) e peças teatrais, porém sua obra mais conhecida e consagrada é a epopeia “Os Lusíadas” considerada uma obra-prima. Essa obra é dividida em 10 partes (cantos) com 8816 versos distribuídos em 1120 estrofes e narra a viagem de Vasco da Gama às Índias enfatizando alguns momentos importantes da história de Portugal. O Classicismo terminou em 1580, com a passagem de Portugal ao domínio espanhol e também com a morte de Camões. Camões lírico - Escreveu poemas líricos, marcados pela dualidade: ora são poemas da velha métrica (redondilhas menores e maiores), ora são poemas da nova métrica, com versos decassílabos. Os temas da poesia lírica Camoniana eram o amor encarado pela ótica neoplatoniana e pela visão carnal, terrena, erótica e o desconcerto do mundo, que falava das injustiças, da ambição, dos constantes sofrimentos terrenos, etc. O tema do amor na poesia lírica: Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? (Camões) O desconcerto do mundo na poesia camoniana: Ao desconcerto do Mundo Os bons vi sempre passar No Mundo graves tormentos; E pera mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado. Assim que, só pera mim, Anda o Mundo concertado. CAMÕES ÉPICO - OS LUSÍADAS Publicado em 1572, Os Lusíadas é considerado o maior poema épico da língua portuguesa, não pelos 8816 versos decassílabos distribuídos em 1102 estrofes de 8 versos cada, mas pelo seu valor poético e histórico. Herói- o herói de Os lusíadas não é Vasco da Gama, como se poderia pensar numa leitura superficial do poema, mas sim todo o povo português (do qual Vasco da Gama é digno representante). O próprio poeta afirma que vai cantar “as armas e os barões assinalados” que navegaram “por mares nunca dantes navegados”. Ou seja, todo o povo lusitano navegador que enfrenta a morte pelos mares desconhecidos (lembre-se de que corriam várias lendas sobre o Mar Tenebroso). Estrutura- os dez cantos que formam o poema aparecem divididos em cinco partes, comuns a todas as epopeias clássicas: - Proposição: é a apresentação do poema, com destaque para o tema e o herói. -Invocação: o poeta pede inspiração as Tágides, ninfas do rio Tejo, para que lhe deem um “engenho ardente” e “um som alto e sublimado, um estilo grandíloquo”. A invocação inicial é feita nas estrofes 4 e 5 do Canto I. -Dedicatória: o poema é dedicado a D. Sebastião, rei de Portugal à época da publicação do poema. A Dedicatória se estende da estrofe 6 à 18 do Canto I. -Narração: é a longa parte narrativa na qual o poeta desenvolve o tema contando os episódios da viagem de Vasco da Gama e a história de Portugal. Estende-se da estrofe 19 do Canto I até a estrofe 144 do Canto 10, totalizando 1072 estrofes. Epílogo: é o final do poema, abrangendo as estrofes 145 a 156 do Canto X. O Epílogo inicia-se com uma das mais belas e angustiadas estrofes de todo o poema, na qual o poeta mostra-se triste, abatido, desiludido com a Pátria, que não merece mais ser cantada: Estrofe 145 “No’mais, Musa, no’mais, que a lira tem Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho, Não no dá a Pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Duma austera, apagada e vil tristeza.” Relembrando o Renascimento... O Renascimento surge entre os séculos XIV e XVII na civilização europeia, com a intenção de reviver a literatura clássica greco-romana. Durante o período renascentista várias mudanças ocorreram. A princípio, a denominação deste movimento cultural propõe uma ressurreição do passado clássico, fonte de inspiração e modelo seguido. Logo, o homem é valorizado, bem como a natureza, pois é concreta e visível. O humanismo e antropocentrismo se despontam em oposição ao teocentrismo, ao divino, ao sobrenatural. O ser humano começa a se vangloriar por sua razão, por sua capacidade de raciocínio, por seu cientificismo. Logo, todas as formas de arte refletem esse ideário: a literatura, a filosofia, a escultura e a pintura. Nessa última destacam-se: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Botticelli. A nova realidade econômica, com a decadência do feudalismo e ascensão do capitalismo, por si só, exigiu uma reformulação na arte. Afinal, os burgueses começavam a frequentar universidades e as grandes navegações aceleravam ainda mais o processo cultural através do comércio. Enquanto isso, os autores humanistas italianos se despontavam: Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio. Contudo, os autores tipicamente renascentistas são portugueses: Sá de Miranda, Antônio Ferreira e Luís de Camões. A literatura tenta recuperar a Antiguidade Clássica através da retomada de seus modelos artísticos. Assim, a busca pela perfeição estética e a pureza das formas, trazem de volta os sonetos, a ode, a elegia, a écloga e a epopeia, inspirados em Homero, Platão e Virgílio.