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Modernismo
Modernismo
Chama-se genericamente modernismo (ou movimento moderno) o conjunto
de movimentos culturais, escolas e estilos que permearam as artes e o
design da primeira metade do século XX.
A palavra moderno também é utilizada em contraponto ao que é
ultrapassado. Neste sentido, ela é sinônimo de contemporâneo,
embora, do ponto de vista histórico-cultural, moderno e
contemporâneo abranjam contextos bastante diversos.
Vanguardas Artísticas
Futurismo Cubismo
Expressionismo Dadaísmo
Surrealismo
Uma nova mentalidade emergiu nesse
período. Diante de novos
conhecimentos, possibilidades e
percepções do mundo, o ser humano
teve de encarar uma vida muito mais
complexa e contraditória do que a de
seus ancestrais.
O efêmero, o gosto pelo novo e a
renovação constante passaram a fazer
parte da rotina das pessoas. Para
expressar e responder aos anseios e às
angústias dessa nova etapa da
modernidade, a arte respondeu com
experimentações radicais
principalmente na literatura, nas artes
visuais, na arquitetura, no teatro, na
dança e na música.
Pablo Picasso Cubismo
Henry Matisse Fauvismo
Henri Cartier-Bresson
O foco é quase obsessivo nos
detalhes exteriores num livro em
que muito da ação relevante
ocorre dentro das mentes dos
personagens.
Dublin, 1882-1941
The Waste Land
(1922)
Thomas Stearns Eliot (USA, 1888- 1965)
“Não deixaremos de explorar e,ao
término da nossa exploração deveremos
chegar ao ponto de partida e conhecer
esse lugar pela primeira vez.”
T. S. Eliot
Tornou-se referencial da
literatura moderna, sendo
considerado o reflexo poético
de um romance publicada no
mesmo ano: Ulysses, de
James Joyce.
Prêmio Nobel de Literatura
em 1948.
Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em
1969, utiliza em suas obras, traduzidas em mais
de trinta línguas, uma riqueza metafórica imensa,
privilegiando uma visão pessimista acerca do
fenômeno humano. É considerado um dos
principais autores do denominado teatro do
absurdo. Sua obra mais famosa no Brasil é a
peça Esperando Godot.
Samuel Beckett
Instante
Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões
Quando o ser só dura um instante onde cada instante
Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido
Sem esta onda onde por fim
Corpo e sombra juntos se dissipam
Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios
Arquejando furiosos em direção ao socorro
em direção ao amor
Sem este céu que se eleva
Sobre o pó dos seus lastros
Que faria eu
eu faria como ontem como hoje
Olhando para a minha janela vendo se não serei o único
A errar e a mudar distante de toda a vida
preso num espaço-marioneta
Sem voz entre as vozes
Que se fecham comigo.Dublin, 1906 - 1989
A
metamorfose
A metamorfose de
Kafka não conta
apenas a história de
um homem que se
transformou num
inseto. É sobretudo
uma história de alerta à
sociedade e aos
comportamentos
humanos. Nesta
história, Kafka
presenteia-nos com a
sua escrita sui generis,
retratando o desespero
do homem perante o
absurdo do mundo.
"Há esperanças,
só não para nós."
“Gregor Samsa reproduz a
sensação do homem que virou
o inseto insignificante das
cidades modernas e que,
quando em vez, morre aos
milhões nos campos de
guerra. Nenhum autor
representou de forma tão
contundente a modernidade.”
(Renato Roschel para o Almanaque Folha)
Orson
Welles
USA 1915 - 1985
Em 1938, Orson Welles
produziu uma
transmissão radiofônica
intitulada A Guerra dos
Mundos, adaptação da
obra homônima de
Herbert George Wells e
que ficou famosa
mundialmente por
provocar pânico nos
ouvintes, que
imaginavam estar
enfrentando uma invasão
de extraterrestres.
Modernismo
“(...) a Semana da Arte
Moderna serviu como uma
redescoberta estética do
Brasil, mostrando-o fruto de
uma cultura mestiça,
vacilando sempre entre a
rusticidade e a civilização,
em perpétuas dúvidas
hamletianas sobre ser ou
não ser do Terceiro
Mundo.”
(Voltaire Schilling)
http://www.youtube.com/watch?v=IZnQj9yWTlo
Trenzinho
Caipira
Operários - Tarsila do Amaral
1ª fase
Fase Heróica
(1922-1930)
2ª fase
Fase de Consolidação
(1930 – 1945)
3ª fase
pós modernismo?
1945 até 1978
1ª geração (Heroica) (1922-1930)
Este é o período mais radical do
movimento modernista, justamente em
conseqüência da necessidade de
definições e do rompimento com todas as
estruturas do passado. Daí o caráter
anárquico dessa primeira fase e seu forte
sentido destruidor, assim definido por
Mário de Andrade:
ICONOCLASTAS!!!
“(...) se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do
movimento modernista. Isto é, o seu sentido
verdadeiramente específico. Porque, embora
lançando inúmeros processos e idéias novas, o
movimento modernista foi essencialmente destruidor.
(...)”
Mário de Andrade publica
Macunaíma
A partir da figura de
Macunaíma, o herói sem
nenhum caráter, temos o
choque do índio amazônico
com a tradição e a cultura
européia.
O romance pode ser assim
resumido: Macunaíma nasce
sem pai, na tribo dos índios
Tapanhumas. Após a morte
da mãe, ele e os irmãos
(Maamape e Jinguê), partem
em busca de aventuras. Após
inúmeras aventuras em sua
caminhada, o herói recupera o
amuleto, matando Piaimã. Em
seguida, Macunaíma volta
para o Amazonas e, após uma
série de aventuras finais, sobe
aos céus, transformando-se
na constelação da Ursa Maior.
Antônio de Alcântara Machado
Cassiano Ricardo
Guilherme de Almeida
Manuel Bandeira
Menotti del Picchia
Oswald de Andrade
Em 1924 publica, pela primeira vez, no jornal
"Correio da manhã", na edição de 18 de março de
1924, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil.
Em 1926, Oswald casa-se com a Tarsila do Amaral e
os dois tornam-se o casal mais importante das artes
brasileiras. Apelidados carinhosamente por Mário de
Andrade como "Tarsiwald", o casal funda, dois
anos depois, o Movimento Antropófago. A crise de
29 abalou as suas finanças, ele rompe com Mário de
Andrade, separa-se de Tarsila do Amaral e
apaixona-se pela escritora comunista Patrícia Galvão
(Pagu).
A principal proposta
desse Movimento era
que o Brasil devorasse a
cultura estrangeira e
criasse uma cultura
revolucionária própria.
"Memórias sentimentais de João Miramar"
O livro chama a atenção pela
linguagem e pela montagem inédita.
O romance apresenta uma técnica de
composição revolucionária, se
comparado aos romances
tradicionais: são 163 episódios
numerados e intitulados, que
constituem capítulos-relâmpagos
(tudo muito influenciado pela
linguagem do cinema) ou, mais
precisamente, como se os
fragmentos estivessem dispostos
num álbum, tal qual fotos que
mantêm relação entre si. Cada
episódio narra, com ironia e humor,
um fragmento da vida de Miramar.
"Recorte, colagem, montagem",
resume o crítico Décio Pignatari.
Manifestos e
revistas
Klaxon foi inovadora em todos os
sentidos: desde o projeto gráfico (tanto
da capa como das páginas internas) até
a publicidade das contracapas e da
quarta capa (propagandas sérias, como
a dos chocolates Lacta, e propagandas
satíricas, como a da "Panuosopho,
Pateromnium & Cia." - uma grande
fábrica internacional de... sonetos!). Na
oposição entre o velho e o novo, era
uma revista que anunciava a
modernidade: o século XX buzinando
(Klaxon era o termo empregado para
designar a buzina externa dos
automóveis), pedindo passagem.
1922/1923
Manifesto da Poesia Pau-Brasil
No manifesto Oswald de Andrade propõe uma literatura extremamente vinculada à
realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil..
"A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e
de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino,
são fatos estéticos.
A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e
neológica. A contribuição milionária de todos os
erros. Como falamos. Como somos.
(...) Só não se inventou uma máquina de fazer versos -
já havia o poeta parnasiano. (...)
A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar
domingueira, com passarinhos cantando na mata
resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo
uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal.
No jornal anda todo o presente.
Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão
do mundo. Ver com olhos livres."
1925
bucólica
Agora vamos correr o pomar antigo
Bicos aéreos de patos selvagens
Tetas verdes entre folhagens
E uma passarinhada nos vaia
Num tamarindo
Que decola para o anil
Árvores sentadas
Quitandas vivas de laranjas maduras
Vespas
A poesia pastoril, em versão
modernista, começa exatamente por
dissolver o plano narrativo, pela sua
substituição por elementos da
paisagem descrita, dispersos nos
versos como dispersos na
natureza.
O efeito é originado da ausência de
proporções na arte popular, primitiva
ou ingênua, ou no cubismo sintético
com seu ajuste de elementos díspares
na superfície da tela, ou seja, uma
percepção sensualista do espaço,
aqui reforçada pela carga erótica de
parte do material discursivo
apresentado: “bicos”, “tetas verdes
entre folhas”, “árvores sentadas”,
“quitandas vivas de laranjas maduras”,
“vespas”. Uma certa reapresentação
do mundo quase física aos nossos
olhos e sentidos todos.
Verde-Amarelismo
1926
Escola da Anta
Foi uma resposta ao nacionalismo do
Pau-Brasil, e era formado por Plínio
Salgado, Menotti del Picchia,
Guilherme de Almeida e Cassiano
Ricardo. O grupo criticava o
"nacionalismo afrancesado" de
Oswald de Andrade e apresentava
como proposta um nacionalismo
primitivista, ufanista e identificado
com o fascismo. Parte-se para a
idolatria do tupi e elege-se a anta
como símbolo nacional.
"O grupo 'verdamarelo', cuja regra é a liberdade plena
de cada um ser brasileiro como quiser e puder; cuja
condição é cada um interpretar o seu país e o seu povo
através de si mesmo, da própria determinação
instintiva; - o grupo `verdamarelo', à tirania das
sistematizações ideológicas, responde com a sua
alforria e a amplitude sem obstáculo de sua ação
brasileira (...) Nosso nacionalismo é `verdamarelo' e
tupi. (...)"
Revista de Antropofagia
A Revista de Antropofagia teve duas
fases (ou "dentições", segundo o
antropófagos).
A primeira contou com 10 números e
foi uma miscelânea de ideologias.
A segunda apareceu nas páginas do
jornal Diário de S. Paulo (foram 16
números publicados) e deixava claro o
rompimento entre os modernistas, já
que Oswald atacava seus antigos
amigos Mário de Andrade, Guilherme
de Almeida e Menotti del Picchia
1928/1929
Abaporu
Tarsila do Amaral
(aba, "homem";
poru, "que come"),
Antropofagia, Tarsila do Amaral
"Só a antropofagia
nos une.
Socialmente.
Economicamente.
Filosoficamente.
Única lei do mundo.
Expressão
mascarada de todos
os individualismos,
de todos os
coletivismos. De
todas as religiões.
De todos os tratados
de paz. Tupy or not
tupy, that is the
question.(...)
Oswald de Andrade
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
Canto de Regresso à Pátria
Uma das características dessa
geração é o gosto pela paródia
Filmografia Indicada
2ª geração
em plena
Era Vargas
(1930-1945)
Fase de Consolidação (1930-1945)
Na década de 30, temos o início do
período conhecido como Segunda
Fase do Modernismo ou Fase de
Consolidação que é caracterizado
pelo predomínio da prosa de ficção. A
partir deste período, os ideais
difundidos em 1922 se espalham e se
normalizam.Os esforços anteriores
para redefinir a linguagem artística se
unem a um forte interesse pelas
temáticas nacionalistas, percebe-se
um amadurecimento nas obras dos
autores da primeira fase, que
continuam produzindo, e também o
surgimento de novos poetas, entre eles
Carlos Drummond de Andrade.
O amadurecimento da prosa
O universo temático
amplia-se com a
preocupação dos
artistas com o destino
do Homem e no estar-
no-mundo.
Ao contrário da 1ª
geração, foi
construtiva.
•Preocupações novas
de ordem política,
social, econômica,
humana e espiritual.
•A piada deu lugar à
gravidade de
espírito, a seriedade
da alma, propósitos e
meios.
Essa geração foi grave, assumindo uma postura
séria em relação ao mundo, cujas dores,
considerava-se responsável. Também caracterizou
o romance dessa época, o encontro do autor com
seu povo, havendo uma busca do homem
brasileiro em diversas regiões.
Portinari,O lavrador de café (1939)
A identidade
brasileira (ainda)
A inquietação diante do homem
brasileiro que não conhecia a si
mesmo surgiu durante a 1ª
geração modernista. Porém,
nesta 2ª geração, os intelectuais
de várias regiões começaram a
manifestar-se de modo mais
crítico: a verdadeira arte
moderna devia retratar um
Brasil mais abrangente, que mal
se conhecia, cujas desigualdades
sociais fossem retratadas com
vigor num realismo próprio do
século XX.
É dessas primeiras
manifestações que surgirá
um dos momentos mais
AUTÊNTICOS da literatura
brasileira: o Romance de 30.
O Romance de 30
Graciliano Ramos: São Bernardo, de (1934);
Angústia ( 1936);Vidas Secas (1938).
Rachel de Queiroz: O quinze, (1930); O caminho
das pedras (1937).
Jorge Amado: O país do Carnaval (1931);
Capitães da areia (1937).
José Lins do Rego: Menino de engenho, (1932);
Riacho Doce ( 1939); Fogo Morto (1943).
Filmografia Indicada
Poesia
A poesia da geração
de 22 e 30 foram
contemporâneas.
A maioria dos
poetas de 30
absorveram
experiências de 22:
Fim ao
academicismo.
Gosto
pela
expressão
inventiva
verso
livre
liberdade
temática
Poesia
de
30
Principais Poetas
Vinícius de
Moraes
Jorge de Lima Augusto
Frederico
Schmidt
Murilo
Mendes
Carlos
Drummond
de Andrade
Cecília
Meireles
Cassiano
Ricardo
Manuel Bandeira
“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros. (...)”
(Drummond)
Vinícius de Moraes
Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[extático da aurora.
Didaticamente sua produção
poética é dividida em duas
fases. Na primeira, mostrou-se
intimamente ligado às
características simbolistas.
Os textos dessa época
apresentam temas ligados a
aspectos religiosos,
à angústia, ao conflito entre o
carnal e o espiritual.
Jorge de Lima
Mulher Proletária
Mulher proletária - única fábrica
que o operário tem, (fabrica filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.
Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar o teu proprietário.
A carreira poética de Jorge de
Lima apresenta uma evolução
contínua, fazendo que se possa
dividi-la em três momentos ou
fases. A primeira – e a de
menor importância – se
estabelece a partir de rígidos
princípios parnasianos. A
segunda é a fase nordestina
por se vincular ao universo
regional alagoano. E a
terceira é a fase religiosa, já
que o autor impregna seus
poemas de conteúdos místicos
e metafísicos.
Augusto Frederico Schmidt
“Quando eu morrer o mundo continuará o mesmo,
A doçura das tardes continuará a envolver as coisas todas.
Como as envolve agora neste instante.
O vento fresco dobrará as árvores esguias
E levantará as nuvens de poesia nas estradas...
Quando eu morrer as águas claras dos rios rolarão ainda,
Rolarão sempre, alvas de espuma
Quando eu morrer as estrelas não cessarão de acender-se
no lindo céu noturno,
E nos vergéis onde os pássaros cantam as frutas
continuarão a ser doces e boas.
Quando eu morrer os homens continuarão sempre os mesmos.
E hão de esquecer-se do meu caminho silencioso entre eles,
Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão
Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão.
Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão.
Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão.
Quando eu morrer a humanidade continuará a mesma.
Porque nada sou, nada conto e nada tenho.
Porque sou um grão de poeira perdido no infinito.
Sinto porém, agora, que o mundo sou eu mesmo
E que a sombra descerá por sobre o universo vazio de mim
Quando eu morrer..."
Frederico Schmidt tematizou
em sua obra a morte, a perda, a
ausência. Para Manuel
Bandeira, o poeta quebrou os
clichês gastos do modernismo
da primeira geração.
Murilo Mendes
O homem, a luta e a eternidade
Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!
Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.
Murilo Mendes, assim como
Cecília Meireles também
pertenceu à corrente
espiritualista do Modernismo.
A religiosidade voltada para a
crítica das injustiças
sociais é uma de suas
características.
Carlos Drummond de Andrade
“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.”
Drummond é considerado o grande representante da poesia brasileira. Seus textos, embora
partindo da realidade brasileira, refletem os problemas universais do ser humano,
apresentando textos com uma temática variada: o amor, a saudade, a metalinguagem, a,
o cotidiano e uma forte preocupação política e social.
Drummond, influenciado pelo contexto histórico de seu tempo
(2ª Guerra Mundial, sistemas políticos autoritários), mostrou-se sempre preocupado com a
transformação da sociedade a partir da compreensão do tempo presente.
“Escritor: não somente uma certa maneira especial de
ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as
ver de qualquer outra maneira.”
Cecília Meireles
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles voltou-se para uma poesia mais espiritualista, com fortes marcas religiosas
e místicas É uma poesia mais intimista, que segue um caminho muito particular, o que
dificulta sua classificação numa estética literária determinada. Seus versos apresentam
características de vários movimentos, em especial do Simbolismo.São curtos e cheios de
musicalidade, refletem sobre a brevidade da vida, as razões da existência, a solidão e a
morte, imprimindo um caráter intimista em toda sua produção poética.
Homenagens - 1989
Pesquisa e Organização
• http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/modernismo2.htm
• http://almanaque.folha.uol.com.br/kafka.htm
• Wikipedia
• CEREJA, W. Roberto. Literatura Brasileira.
• http://www.mundocultural.com.br/index.asp?
url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/modernismo/brasil/1_fase/mario_andrade.html
• http://educacao.uol.com.br/literatura/modernismo-romance-30.jhtm
• www.projetotimoteo.org.br/Livros/CarlosDrummond.
• www.releituras.com/biofotos/murilomendes
• http://www.jornaldepoesia.jor.br/afs02.html
• PRADO, Edna. Disponível em www.scribd.com/document_downloads/3373920?
extension=pdf&secret_password=
Fontes
Profa. Cláudia Heloísa Cunha Andria
Contato: clauheloisa@yahoo.com.br

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  • 2. Modernismo Chama-se genericamente modernismo (ou movimento moderno) o conjunto de movimentos culturais, escolas e estilos que permearam as artes e o design da primeira metade do século XX. A palavra moderno também é utilizada em contraponto ao que é ultrapassado. Neste sentido, ela é sinônimo de contemporâneo, embora, do ponto de vista histórico-cultural, moderno e contemporâneo abranjam contextos bastante diversos. Vanguardas Artísticas Futurismo Cubismo Expressionismo Dadaísmo Surrealismo
  • 3. Uma nova mentalidade emergiu nesse período. Diante de novos conhecimentos, possibilidades e percepções do mundo, o ser humano teve de encarar uma vida muito mais complexa e contraditória do que a de seus ancestrais. O efêmero, o gosto pelo novo e a renovação constante passaram a fazer parte da rotina das pessoas. Para expressar e responder aos anseios e às angústias dessa nova etapa da modernidade, a arte respondeu com experimentações radicais principalmente na literatura, nas artes visuais, na arquitetura, no teatro, na dança e na música.
  • 7. O foco é quase obsessivo nos detalhes exteriores num livro em que muito da ação relevante ocorre dentro das mentes dos personagens. Dublin, 1882-1941
  • 8. The Waste Land (1922) Thomas Stearns Eliot (USA, 1888- 1965) “Não deixaremos de explorar e,ao término da nossa exploração deveremos chegar ao ponto de partida e conhecer esse lugar pela primeira vez.” T. S. Eliot Tornou-se referencial da literatura moderna, sendo considerado o reflexo poético de um romance publicada no mesmo ano: Ulysses, de James Joyce. Prêmio Nobel de Literatura em 1948.
  • 9. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1969, utiliza em suas obras, traduzidas em mais de trinta línguas, uma riqueza metafórica imensa, privilegiando uma visão pessimista acerca do fenômeno humano. É considerado um dos principais autores do denominado teatro do absurdo. Sua obra mais famosa no Brasil é a peça Esperando Godot. Samuel Beckett Instante Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões Quando o ser só dura um instante onde cada instante Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido Sem esta onda onde por fim Corpo e sombra juntos se dissipam Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios Arquejando furiosos em direção ao socorro em direção ao amor Sem este céu que se eleva Sobre o pó dos seus lastros Que faria eu eu faria como ontem como hoje Olhando para a minha janela vendo se não serei o único A errar e a mudar distante de toda a vida preso num espaço-marioneta Sem voz entre as vozes Que se fecham comigo.Dublin, 1906 - 1989
  • 10. A metamorfose A metamorfose de Kafka não conta apenas a história de um homem que se transformou num inseto. É sobretudo uma história de alerta à sociedade e aos comportamentos humanos. Nesta história, Kafka presenteia-nos com a sua escrita sui generis, retratando o desespero do homem perante o absurdo do mundo. "Há esperanças, só não para nós." “Gregor Samsa reproduz a sensação do homem que virou o inseto insignificante das cidades modernas e que, quando em vez, morre aos milhões nos campos de guerra. Nenhum autor representou de forma tão contundente a modernidade.” (Renato Roschel para o Almanaque Folha)
  • 11. Orson Welles USA 1915 - 1985 Em 1938, Orson Welles produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells e que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres.
  • 13. “(...) a Semana da Arte Moderna serviu como uma redescoberta estética do Brasil, mostrando-o fruto de uma cultura mestiça, vacilando sempre entre a rusticidade e a civilização, em perpétuas dúvidas hamletianas sobre ser ou não ser do Terceiro Mundo.” (Voltaire Schilling)
  • 15. Operários - Tarsila do Amaral
  • 16. 1ª fase Fase Heróica (1922-1930) 2ª fase Fase de Consolidação (1930 – 1945) 3ª fase pós modernismo? 1945 até 1978
  • 17. 1ª geração (Heroica) (1922-1930) Este é o período mais radical do movimento modernista, justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento com todas as estruturas do passado. Daí o caráter anárquico dessa primeira fase e seu forte sentido destruidor, assim definido por Mário de Andrade: ICONOCLASTAS!!! “(...) se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movimento modernista. Isto é, o seu sentido verdadeiramente específico. Porque, embora lançando inúmeros processos e idéias novas, o movimento modernista foi essencialmente destruidor. (...)”
  • 18. Mário de Andrade publica Macunaíma A partir da figura de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, temos o choque do índio amazônico com a tradição e a cultura européia. O romance pode ser assim resumido: Macunaíma nasce sem pai, na tribo dos índios Tapanhumas. Após a morte da mãe, ele e os irmãos (Maamape e Jinguê), partem em busca de aventuras. Após inúmeras aventuras em sua caminhada, o herói recupera o amuleto, matando Piaimã. Em seguida, Macunaíma volta para o Amazonas e, após uma série de aventuras finais, sobe aos céus, transformando-se na constelação da Ursa Maior.
  • 19. Antônio de Alcântara Machado Cassiano Ricardo Guilherme de Almeida Manuel Bandeira Menotti del Picchia
  • 20. Oswald de Andrade Em 1924 publica, pela primeira vez, no jornal "Correio da manhã", na edição de 18 de março de 1924, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil. Em 1926, Oswald casa-se com a Tarsila do Amaral e os dois tornam-se o casal mais importante das artes brasileiras. Apelidados carinhosamente por Mário de Andrade como "Tarsiwald", o casal funda, dois anos depois, o Movimento Antropófago. A crise de 29 abalou as suas finanças, ele rompe com Mário de Andrade, separa-se de Tarsila do Amaral e apaixona-se pela escritora comunista Patrícia Galvão (Pagu). A principal proposta desse Movimento era que o Brasil devorasse a cultura estrangeira e criasse uma cultura revolucionária própria.
  • 21. "Memórias sentimentais de João Miramar" O livro chama a atenção pela linguagem e pela montagem inédita. O romance apresenta uma técnica de composição revolucionária, se comparado aos romances tradicionais: são 163 episódios numerados e intitulados, que constituem capítulos-relâmpagos (tudo muito influenciado pela linguagem do cinema) ou, mais precisamente, como se os fragmentos estivessem dispostos num álbum, tal qual fotos que mantêm relação entre si. Cada episódio narra, com ironia e humor, um fragmento da vida de Miramar. "Recorte, colagem, montagem", resume o crítico Décio Pignatari.
  • 22. Manifestos e revistas Klaxon foi inovadora em todos os sentidos: desde o projeto gráfico (tanto da capa como das páginas internas) até a publicidade das contracapas e da quarta capa (propagandas sérias, como a dos chocolates Lacta, e propagandas satíricas, como a da "Panuosopho, Pateromnium & Cia." - uma grande fábrica internacional de... sonetos!). Na oposição entre o velho e o novo, era uma revista que anunciava a modernidade: o século XX buzinando (Klaxon era o termo empregado para designar a buzina externa dos automóveis), pedindo passagem. 1922/1923
  • 23. Manifesto da Poesia Pau-Brasil No manifesto Oswald de Andrade propõe uma literatura extremamente vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.. "A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. (...) Só não se inventou uma máquina de fazer versos - já havia o poeta parnasiano. (...) A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente. Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres." 1925
  • 24. bucólica Agora vamos correr o pomar antigo Bicos aéreos de patos selvagens Tetas verdes entre folhagens E uma passarinhada nos vaia Num tamarindo Que decola para o anil Árvores sentadas Quitandas vivas de laranjas maduras Vespas A poesia pastoril, em versão modernista, começa exatamente por dissolver o plano narrativo, pela sua substituição por elementos da paisagem descrita, dispersos nos versos como dispersos na natureza. O efeito é originado da ausência de proporções na arte popular, primitiva ou ingênua, ou no cubismo sintético com seu ajuste de elementos díspares na superfície da tela, ou seja, uma percepção sensualista do espaço, aqui reforçada pela carga erótica de parte do material discursivo apresentado: “bicos”, “tetas verdes entre folhas”, “árvores sentadas”, “quitandas vivas de laranjas maduras”, “vespas”. Uma certa reapresentação do mundo quase física aos nossos olhos e sentidos todos.
  • 25. Verde-Amarelismo 1926 Escola da Anta Foi uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil, e era formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. O grupo criticava o "nacionalismo afrancesado" de Oswald de Andrade e apresentava como proposta um nacionalismo primitivista, ufanista e identificado com o fascismo. Parte-se para a idolatria do tupi e elege-se a anta como símbolo nacional. "O grupo 'verdamarelo', cuja regra é a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser e puder; cuja condição é cada um interpretar o seu país e o seu povo através de si mesmo, da própria determinação instintiva; - o grupo `verdamarelo', à tirania das sistematizações ideológicas, responde com a sua alforria e a amplitude sem obstáculo de sua ação brasileira (...) Nosso nacionalismo é `verdamarelo' e tupi. (...)"
  • 26. Revista de Antropofagia A Revista de Antropofagia teve duas fases (ou "dentições", segundo o antropófagos). A primeira contou com 10 números e foi uma miscelânea de ideologias. A segunda apareceu nas páginas do jornal Diário de S. Paulo (foram 16 números publicados) e deixava claro o rompimento entre os modernistas, já que Oswald atacava seus antigos amigos Mário de Andrade, Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia 1928/1929
  • 27. Abaporu Tarsila do Amaral (aba, "homem"; poru, "que come"),
  • 28. Antropofagia, Tarsila do Amaral "Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupy or not tupy, that is the question.(...) Oswald de Andrade
  • 29. Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo. Canto de Regresso à Pátria Uma das características dessa geração é o gosto pela paródia
  • 31. 2ª geração em plena Era Vargas (1930-1945)
  • 32. Fase de Consolidação (1930-1945) Na década de 30, temos o início do período conhecido como Segunda Fase do Modernismo ou Fase de Consolidação que é caracterizado pelo predomínio da prosa de ficção. A partir deste período, os ideais difundidos em 1922 se espalham e se normalizam.Os esforços anteriores para redefinir a linguagem artística se unem a um forte interesse pelas temáticas nacionalistas, percebe-se um amadurecimento nas obras dos autores da primeira fase, que continuam produzindo, e também o surgimento de novos poetas, entre eles Carlos Drummond de Andrade.
  • 33. O amadurecimento da prosa O universo temático amplia-se com a preocupação dos artistas com o destino do Homem e no estar- no-mundo. Ao contrário da 1ª geração, foi construtiva. •Preocupações novas de ordem política, social, econômica, humana e espiritual. •A piada deu lugar à gravidade de espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Essa geração foi grave, assumindo uma postura séria em relação ao mundo, cujas dores, considerava-se responsável. Também caracterizou o romance dessa época, o encontro do autor com seu povo, havendo uma busca do homem brasileiro em diversas regiões. Portinari,O lavrador de café (1939)
  • 34. A identidade brasileira (ainda) A inquietação diante do homem brasileiro que não conhecia a si mesmo surgiu durante a 1ª geração modernista. Porém, nesta 2ª geração, os intelectuais de várias regiões começaram a manifestar-se de modo mais crítico: a verdadeira arte moderna devia retratar um Brasil mais abrangente, que mal se conhecia, cujas desigualdades sociais fossem retratadas com vigor num realismo próprio do século XX. É dessas primeiras manifestações que surgirá um dos momentos mais AUTÊNTICOS da literatura brasileira: o Romance de 30.
  • 35. O Romance de 30 Graciliano Ramos: São Bernardo, de (1934); Angústia ( 1936);Vidas Secas (1938). Rachel de Queiroz: O quinze, (1930); O caminho das pedras (1937). Jorge Amado: O país do Carnaval (1931); Capitães da areia (1937). José Lins do Rego: Menino de engenho, (1932); Riacho Doce ( 1939); Fogo Morto (1943).
  • 37. Poesia A poesia da geração de 22 e 30 foram contemporâneas. A maioria dos poetas de 30 absorveram experiências de 22: Fim ao academicismo. Gosto pela expressão inventiva verso livre liberdade temática Poesia de 30
  • 38. Principais Poetas Vinícius de Moraes Jorge de Lima Augusto Frederico Schmidt Murilo Mendes Carlos Drummond de Andrade Cecília Meireles Cassiano Ricardo Manuel Bandeira “Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. (...)” (Drummond)
  • 39. Vinícius de Moraes Ternura Eu te peço perdão por te amar de repente Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos Das horas que passei à sombra dos teus gestos Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos Das noites que vivi acalentado Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente. E posso te dizer que o grande afeto que te deixo Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas Nem as misteriosas palavras dos véus da alma... É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias E só te pede que te repouses quieta, muito quieta E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar [extático da aurora. Didaticamente sua produção poética é dividida em duas fases. Na primeira, mostrou-se intimamente ligado às características simbolistas. Os textos dessa época apresentam temas ligados a aspectos religiosos, à angústia, ao conflito entre o carnal e o espiritual.
  • 40. Jorge de Lima Mulher Proletária Mulher proletária - única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos) tu na tua superprodução de máquina humana forneces anjos para o Senhor Jesus, forneces braços para o senhor burguês. Mulher proletária, o operário, teu proprietário há de ver, há de ver: a tua produção, a tua superprodução, ao contrário das máquinas burguesas salvar o teu proprietário. A carreira poética de Jorge de Lima apresenta uma evolução contínua, fazendo que se possa dividi-la em três momentos ou fases. A primeira – e a de menor importância – se estabelece a partir de rígidos princípios parnasianos. A segunda é a fase nordestina por se vincular ao universo regional alagoano. E a terceira é a fase religiosa, já que o autor impregna seus poemas de conteúdos místicos e metafísicos.
  • 41. Augusto Frederico Schmidt “Quando eu morrer o mundo continuará o mesmo, A doçura das tardes continuará a envolver as coisas todas. Como as envolve agora neste instante. O vento fresco dobrará as árvores esguias E levantará as nuvens de poesia nas estradas... Quando eu morrer as águas claras dos rios rolarão ainda, Rolarão sempre, alvas de espuma Quando eu morrer as estrelas não cessarão de acender-se no lindo céu noturno, E nos vergéis onde os pássaros cantam as frutas continuarão a ser doces e boas. Quando eu morrer os homens continuarão sempre os mesmos. E hão de esquecer-se do meu caminho silencioso entre eles, Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão. Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão. Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão. Quando eu morrer a humanidade continuará a mesma. Porque nada sou, nada conto e nada tenho. Porque sou um grão de poeira perdido no infinito. Sinto porém, agora, que o mundo sou eu mesmo E que a sombra descerá por sobre o universo vazio de mim Quando eu morrer..." Frederico Schmidt tematizou em sua obra a morte, a perda, a ausência. Para Manuel Bandeira, o poeta quebrou os clichês gastos do modernismo da primeira geração.
  • 42. Murilo Mendes O homem, a luta e a eternidade Adivinho nos planos da consciência dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos mundo de planetas em fogo vertigem desequilíbrio de forças, matéria em convulsão ardendo pra se definir. Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades, o mundo ainda é pequeno pra te encher. Abala as colunas da realidade, desperta os ritmos que estão dormindo. À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando! Um dia a morte devolverá meu corpo, minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins meus olhos verão a luz da perfeição e não haverá mais tempo. Murilo Mendes, assim como Cecília Meireles também pertenceu à corrente espiritualista do Modernismo. A religiosidade voltada para a crítica das injustiças sociais é uma de suas características.
  • 43. Carlos Drummond de Andrade “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.” Drummond é considerado o grande representante da poesia brasileira. Seus textos, embora partindo da realidade brasileira, refletem os problemas universais do ser humano, apresentando textos com uma temática variada: o amor, a saudade, a metalinguagem, a, o cotidiano e uma forte preocupação política e social. Drummond, influenciado pelo contexto histórico de seu tempo (2ª Guerra Mundial, sistemas políticos autoritários), mostrou-se sempre preocupado com a transformação da sociedade a partir da compreensão do tempo presente. “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.”
  • 44. Cecília Meireles Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. Cecília Meireles voltou-se para uma poesia mais espiritualista, com fortes marcas religiosas e místicas É uma poesia mais intimista, que segue um caminho muito particular, o que dificulta sua classificação numa estética literária determinada. Seus versos apresentam características de vários movimentos, em especial do Simbolismo.São curtos e cheios de musicalidade, refletem sobre a brevidade da vida, as razões da existência, a solidão e a morte, imprimindo um caráter intimista em toda sua produção poética.
  • 46. Pesquisa e Organização • http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/modernismo2.htm • http://almanaque.folha.uol.com.br/kafka.htm • Wikipedia • CEREJA, W. Roberto. Literatura Brasileira. • http://www.mundocultural.com.br/index.asp? url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/modernismo/brasil/1_fase/mario_andrade.html • http://educacao.uol.com.br/literatura/modernismo-romance-30.jhtm • www.projetotimoteo.org.br/Livros/CarlosDrummond. • www.releituras.com/biofotos/murilomendes • http://www.jornaldepoesia.jor.br/afs02.html • PRADO, Edna. Disponível em www.scribd.com/document_downloads/3373920? extension=pdf&secret_password= Fontes Profa. Cláudia Heloísa Cunha Andria Contato: clauheloisa@yahoo.com.br