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Quinhentismo- séc. XVI ( 1500-1601) Em 1500 os portugueses chegaram ao Brasil. Até 1500 o Brasil não possuía nenhum registro histórico ou literário.
QUINHENTISMO –  séc. XVI ( 1500-1601) Em 1500 os portugueses chegaram ao Brasil. Até 1500 o Brasil não possuía nenhum registro histórico ou literário.
Os autores eram viajantes, que vieram, quase sempre, com o objetivo de enriquecer rapidamente e produzirem esses relatos não só para informar os europeus sobre a nova terra, mas também para despertar o interesse dos governantes portugueses pela Colônia. Isto é, os aventureiros, entusiasmados com a terra recém-descoberta, deixaram manuscritos informando sobre o gentio, a vegetação, o clima, a fauna e as riquezas.  A esse conjunto de obras dá-se o nome de  LITERATURA INFORMATIVA
“ Esta terra me parece(...) tem ao longo do mar,nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.” O primeiro documento histórico do Brasil foi  a carta de Pero Vaz de  Caminha ao rei de Portugal, descreve as belezas de Nova Terra e o hábitos e costumes dos que aqui habitavam.
"...a feição  deles  é  serem   pardos ,maneira de avermelhados,de bons rostos e bons narizes,bem feitos.Andam nus,sem cobertura alguma.Não fazem o menor caso de encobrir ou mostrar suas vergonhas e nisso têm tanta inocência com que têm em mostrar o rosto..."   Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha
LITERATURA CATEQUÉTICA Além das crônicas dos viajantes, havia também a poesia religiosa cultivada pelos jesuítas no trabalho de catequese. Os representantes mais significativos da poesia jesuítica do quinhentismo brasileiro são: Padre Manuel da Nóbrega e Padre José de Anchieta.  Anchieta com os índios
E 1549, os padres jesuítas começaram a vir para o Brasil a fim de propagar o cristianismo, a fé e catequizar os índios. Escreveu  a primeira gramática do tupi-guarani, verdadeira cartilha para ensino da língua aos nativos: Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil (1595).  Anchieta   escreveu  poesias, peças teatrais, cartas e sermões. Merece destaque, no entanto, apenas a parte poética e teatral.  Na poesia, sua linguagem é simples, os versos são curtos (redondilha menor) e o assunto é sempre religioso, de contestação aos bens terrenos
Manuel da Nóbrega escreveu uma das mais famosas cartas relatando os acontecimentos referentes à sua chegada ao Brasil
José de Anchieta e Manuel da Nóbrega fundaram em  1554 um colégio no planalto de Piratininga que deu origem à cidade de São Paulo
QUADRO ESQUEMÁTICO Quinhentismo 1500 Primeiros documentos sobre o Brasil Carta de  Pero Vaz de Caminha  1601 Início da Era Barroca Prosopopéia de Bento Teixeira
DENOMINAÇÕES Literatura de Informação Literatura dos Viajantes Literatura  sobre o Brasil Quinhentismo
Eram Viajantes Cronistas de Ofício Missionários O PERÍODO   INFORMATIVO Autores:   Não eram propriamente literatos. Tinham uma   proposta meramente utilitária. Pero Vaz de Caminha     Carta a D. Manuel I Pero Lopes de Sousa     Diário de Navegação Gabriel Soares de Sousa     Tratado Descritivo do Brasil Hans Staden     As Duas Viagens ao Brasil Jean de Lery     Viagem à Terra do Brasil Quinhentismo
Eram Cartas Diários Relatos O PERÍODO   INFORMATIVO As Obras:   Não eram literárias. Faltava-lhes o caráter    inventivo. Tratados Quinhentismo
Político-Econômica:  Evidenciar o potencial de riqueza. O PERÍODO   INFORMATIVO A Proposta:   As obras marcam o interesse de Portugal nos    empreendimentos ultramarinos. Contra-Reformista:  Conversão dos indígenas. Quinhentismo
O PERÍODO   INFORMATIVO O Conteúdo:   Estas obras limitam-se à informação, à coleta e dados sobre a nova terra: * o clima   * o solo   * a vegetação   * o relevo   * os índios Quinhentismo
Objetividade O PERÍODO   INFORMATIVO O Estilo:   Era clássico, vigente em Portugal. Clareza Comedimento Quinhentismo
No Romantismo:  Revisitação do Brasil primordial,    através da visão mítica do índio   e da paisagem. O PERÍODO   INFORMATIVO Reflexo em Períodos Posteriores No Modernismo:  Movimentos de raízes, de buscas dos   arquétipos culturais. Movimentos Pau Brasil Verde Amarelo Antropofágico Tropicalismo Quinhentismo
Quinhentismo DECLARAÇÃO DE AMOR Eu vim do mar! sou filho de outra raça. Para servir meu rei andei à caça de mundos nunca vistos nem sonhados, por mares nunca de outrem navegados. Ora de braço dado com a procela, ora a brigar com ventos malcriados. Trago uma cruz de sangue em cada vela! Na crista da onda, em meio do escarcéu, na solidão azulada e redonda, quanta vez me afundei no inferno d’água ou com a cabeça fui bater no céu! Simples brinquedo em mãos da tempestade fabulosa ambição me trouxe aqui. A ambição pode mais do que a saudade... Ambas me foram ver, quando eu parti. A saudade abraçou-me, tão sincera, soluçando, no adeus do nunca-mais. A ambição de olhar verde, junto ao cais, me disse: vai que eu fico à tua espera! Cassiano Ricardo   (em: “Martim Cererê”)
Quinhentismo FADO TROPICAL (Chico Buarque & Ruy Guerra) Oh, musa do meu fado, Oh, minha mãe gentil, Te deixo consternado, No primeiro abril. Mas não sê tão ingrata, Não esquece quem te amou, E em tua densa mata Se perdeu e se encontrou. Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, Ainda vai tornar-se um imenso Portugal. “Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo. Além da sífilis, é claro. Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar,  esganar, trucidar, meu coração fecha os olhos e, sinceramente, chora.” Com avencas na caatinga, Alecrins no canavial, Licores na moringa, Um vinho tropical. E a linda mulata, Com rendas do Alentejo, De quem, numa bravata, Arrebato um beijo. Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, Ainda vai tornar-se um imenso Portugal.  “Meu coração tem um sereno jeito E as minhas mãos o golpe duro e presto. De tal maneira que, depois de feito, Desencontrado eu mesmo me contesto. Se trago as mãos distantes do meu peito, É que há distância  entre intenção e gesto. E se meu coração nas mãos estreito, Me assombra a súbita impressão de incesto. Quando me encontro no calor da luta, Ostento a aguda empunhadura à proa, Mas o meu peito se desabotoa. E se a sentença se anuncia bruta, Mais que depressa a mão cega executa, Pois que senão o coração perdoa.” Guitarras e sanfonas, Jasmim, coqueiros, fontes, Sardinhas, mandioca, Num suave azulejo. O rio Amazonas, Que corre trás-os-montes E, numa pororoca, Deságua no Tejo. Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, Ainda vai tornar-se um império colonial.
Quinhentismo HISTÓRIA DO BRASIL (Pero Vaz Caminha) a descoberta Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até à oitava da Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra os selvagens Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela E não queriam pôr a mão E depois a tomaram como espantados primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muitos bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha.
Quinhentismo A terra mui graciosa, Tão fértil eu nunca vi. A gente vai passear, No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Banana que nem chuchu. Quanto aos bichos, tem-nos muitos, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeraldas é para os trouxas. Reforçai, Senhor, a arca, Cruzados não faltarão, Vossa perna encanareis, Salvo o devido respeito. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui. Murilo Mendes

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  • 1. Quinhentismo- séc. XVI ( 1500-1601) Em 1500 os portugueses chegaram ao Brasil. Até 1500 o Brasil não possuía nenhum registro histórico ou literário.
  • 2. QUINHENTISMO – séc. XVI ( 1500-1601) Em 1500 os portugueses chegaram ao Brasil. Até 1500 o Brasil não possuía nenhum registro histórico ou literário.
  • 3. Os autores eram viajantes, que vieram, quase sempre, com o objetivo de enriquecer rapidamente e produzirem esses relatos não só para informar os europeus sobre a nova terra, mas também para despertar o interesse dos governantes portugueses pela Colônia. Isto é, os aventureiros, entusiasmados com a terra recém-descoberta, deixaram manuscritos informando sobre o gentio, a vegetação, o clima, a fauna e as riquezas. A esse conjunto de obras dá-se o nome de LITERATURA INFORMATIVA
  • 4. “ Esta terra me parece(...) tem ao longo do mar,nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.” O primeiro documento histórico do Brasil foi a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, descreve as belezas de Nova Terra e o hábitos e costumes dos que aqui habitavam.
  • 5. "...a feição deles é serem pardos ,maneira de avermelhados,de bons rostos e bons narizes,bem feitos.Andam nus,sem cobertura alguma.Não fazem o menor caso de encobrir ou mostrar suas vergonhas e nisso têm tanta inocência com que têm em mostrar o rosto..." Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha
  • 6. LITERATURA CATEQUÉTICA Além das crônicas dos viajantes, havia também a poesia religiosa cultivada pelos jesuítas no trabalho de catequese. Os representantes mais significativos da poesia jesuítica do quinhentismo brasileiro são: Padre Manuel da Nóbrega e Padre José de Anchieta. Anchieta com os índios
  • 7. E 1549, os padres jesuítas começaram a vir para o Brasil a fim de propagar o cristianismo, a fé e catequizar os índios. Escreveu a primeira gramática do tupi-guarani, verdadeira cartilha para ensino da língua aos nativos: Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil (1595).  Anchieta escreveu poesias, peças teatrais, cartas e sermões. Merece destaque, no entanto, apenas a parte poética e teatral.  Na poesia, sua linguagem é simples, os versos são curtos (redondilha menor) e o assunto é sempre religioso, de contestação aos bens terrenos
  • 8. Manuel da Nóbrega escreveu uma das mais famosas cartas relatando os acontecimentos referentes à sua chegada ao Brasil
  • 9. José de Anchieta e Manuel da Nóbrega fundaram em 1554 um colégio no planalto de Piratininga que deu origem à cidade de São Paulo
  • 10. QUADRO ESQUEMÁTICO Quinhentismo 1500 Primeiros documentos sobre o Brasil Carta de Pero Vaz de Caminha 1601 Início da Era Barroca Prosopopéia de Bento Teixeira
  • 11. DENOMINAÇÕES Literatura de Informação Literatura dos Viajantes Literatura sobre o Brasil Quinhentismo
  • 12. Eram Viajantes Cronistas de Ofício Missionários O PERÍODO INFORMATIVO Autores: Não eram propriamente literatos. Tinham uma proposta meramente utilitária. Pero Vaz de Caminha  Carta a D. Manuel I Pero Lopes de Sousa  Diário de Navegação Gabriel Soares de Sousa  Tratado Descritivo do Brasil Hans Staden  As Duas Viagens ao Brasil Jean de Lery  Viagem à Terra do Brasil Quinhentismo
  • 13. Eram Cartas Diários Relatos O PERÍODO INFORMATIVO As Obras: Não eram literárias. Faltava-lhes o caráter inventivo. Tratados Quinhentismo
  • 14. Político-Econômica: Evidenciar o potencial de riqueza. O PERÍODO INFORMATIVO A Proposta: As obras marcam o interesse de Portugal nos empreendimentos ultramarinos. Contra-Reformista: Conversão dos indígenas. Quinhentismo
  • 15. O PERÍODO INFORMATIVO O Conteúdo: Estas obras limitam-se à informação, à coleta e dados sobre a nova terra: * o clima * o solo * a vegetação * o relevo * os índios Quinhentismo
  • 16. Objetividade O PERÍODO INFORMATIVO O Estilo: Era clássico, vigente em Portugal. Clareza Comedimento Quinhentismo
  • 17. No Romantismo: Revisitação do Brasil primordial, através da visão mítica do índio e da paisagem. O PERÍODO INFORMATIVO Reflexo em Períodos Posteriores No Modernismo: Movimentos de raízes, de buscas dos arquétipos culturais. Movimentos Pau Brasil Verde Amarelo Antropofágico Tropicalismo Quinhentismo
  • 18. Quinhentismo DECLARAÇÃO DE AMOR Eu vim do mar! sou filho de outra raça. Para servir meu rei andei à caça de mundos nunca vistos nem sonhados, por mares nunca de outrem navegados. Ora de braço dado com a procela, ora a brigar com ventos malcriados. Trago uma cruz de sangue em cada vela! Na crista da onda, em meio do escarcéu, na solidão azulada e redonda, quanta vez me afundei no inferno d’água ou com a cabeça fui bater no céu! Simples brinquedo em mãos da tempestade fabulosa ambição me trouxe aqui. A ambição pode mais do que a saudade... Ambas me foram ver, quando eu parti. A saudade abraçou-me, tão sincera, soluçando, no adeus do nunca-mais. A ambição de olhar verde, junto ao cais, me disse: vai que eu fico à tua espera! Cassiano Ricardo (em: “Martim Cererê”)
  • 19. Quinhentismo FADO TROPICAL (Chico Buarque & Ruy Guerra) Oh, musa do meu fado, Oh, minha mãe gentil, Te deixo consternado, No primeiro abril. Mas não sê tão ingrata, Não esquece quem te amou, E em tua densa mata Se perdeu e se encontrou. Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, Ainda vai tornar-se um imenso Portugal. “Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo. Além da sífilis, é claro. Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, meu coração fecha os olhos e, sinceramente, chora.” Com avencas na caatinga, Alecrins no canavial, Licores na moringa, Um vinho tropical. E a linda mulata, Com rendas do Alentejo, De quem, numa bravata, Arrebato um beijo. Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, Ainda vai tornar-se um imenso Portugal. “Meu coração tem um sereno jeito E as minhas mãos o golpe duro e presto. De tal maneira que, depois de feito, Desencontrado eu mesmo me contesto. Se trago as mãos distantes do meu peito, É que há distância entre intenção e gesto. E se meu coração nas mãos estreito, Me assombra a súbita impressão de incesto. Quando me encontro no calor da luta, Ostento a aguda empunhadura à proa, Mas o meu peito se desabotoa. E se a sentença se anuncia bruta, Mais que depressa a mão cega executa, Pois que senão o coração perdoa.” Guitarras e sanfonas, Jasmim, coqueiros, fontes, Sardinhas, mandioca, Num suave azulejo. O rio Amazonas, Que corre trás-os-montes E, numa pororoca, Deságua no Tejo. Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, Ainda vai tornar-se um império colonial.
  • 20. Quinhentismo HISTÓRIA DO BRASIL (Pero Vaz Caminha) a descoberta Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até à oitava da Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra os selvagens Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela E não queriam pôr a mão E depois a tomaram como espantados primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muitos bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha.
  • 21. Quinhentismo A terra mui graciosa, Tão fértil eu nunca vi. A gente vai passear, No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Banana que nem chuchu. Quanto aos bichos, tem-nos muitos, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeraldas é para os trouxas. Reforçai, Senhor, a arca, Cruzados não faltarão, Vossa perna encanareis, Salvo o devido respeito. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui. Murilo Mendes