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CLASSICISMO
O que foi o renascimento? ,[object Object],[object Object],[object Object]
Naturalismo: volta à natureza Hedonismo: defesa do prazer individual Neoplatonismo: elevação espiritual por meio da interiorização.
Qual a visão do mundo? ,[object Object],[object Object]
Monalisa Revela o interesse do Renascimento pelo homem. Reproduzida de todas as formas imagináveis, a magia dessa figura “feminina” continua intacta.
A última ceia Visão mais humanista
Davi A valorização do ser humano resultou na criação de muitas telas e esculturas que valorizavam as formas humanas ou que retratavam corpos nus.
Pietá A figura do Cristo morto parece ter vida correndo nas veias. Os olhos abaixados da Virgem, ao contrário da tradição,emocionam pela dor e pela resignação. Seu manto, drapeado, arranca do mármore uma leveza.
Arquitetura A aplicação dessas ordens não é arbitrária, elas representam as tão almejadas proporções humanas: a base é o pé, a coluna, o corpo, e o capitel, a cabeça.
Arquitetura Palácio de Carlos V Alhandra, Granada Palácio de Vázquez de Molina Úbeda, Jaén
Arquitetura Cúpula da igreja de Bruneleschi, Florença.
LITERATURA - MARCO INICIAL Em 1527, quando Francisco Sá de Miranda retorna a Portugal, vindo da Itália, trazendo o doce estilo novo (soneto + medida nova).
Momento sócio-cultural
Naquele tempo... . Crise da Igreja. . Expansão marítima. . Mercantilismo. . Absolutismo monárquico. . Reforma protestante . Copérnico: heliocentrismo. . Galileu Galilei: sistema astronômico.
Em Portugal... . Conquista do norte da África;  . Caminho marítimo para as Índias;  . Descobrimento do Brasil;  . Monopólio do Poder político e econômico do rei;  . Dinastia de Avis: D. Afonso V, D. JoãoII, D. Manuel, o Venturoso
Características do Classicismo
1- Imitação dos autores clássicos gregos e romanos da antigüidade:  Homero, Virgílio, Ovídio, etc...  2- Uso da mitologia:   Os deuses e as musas, inspiradoras dos clássicos gregos e latinos  aparecem também nos clássicos renascentistas: Os Lusíadas:(Vênus) = a deusa do amor; Marte( o deus da guerra), protegem os portugueses em suas conquistas marítimas.
3- Predomínio da razão sobre os sentimentos:  A linguagem clássica não é subjetiva nem impregnada de sentimentalismos e de figuras, porque procura coar, através da razão, todas os dados fornecidos pela natureza e, desta forma expressou verdades universais.  4- Uso de uma linguagem sóbria, simples, sem excesso de figuras literárias.
5- Idealismo:  O classicismo aborda o homem ideal, liberto de suas necessidades diárias, comuns. Os personagens centrais das epopéias(grandes poemas sobre grandes feitos e heróicos) nos são apresentados como seres superiores, verdadeiros semi-deuses, sem defeitos. Ex.: Vasco da Gama em os Lusíadas: é um ser dotados de virtudes extraordinárias, incapaz de cometer qualquer erro.
6- Amor Platônico:  Os poetas clássicos revivem a idéia de Platão de que o amor deve ser sublime, elevado, espiritual, puro, não-físico.  7- Busca da universalidade e impessoalidade:  A obra clássica torna-se a expressão de verdades universais, eternas e despreza o particular, o individual, aquilo que é relativo.
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LUÍS VAZ  DE CAMÕES
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  Eu cantarei de amor tão docemente, Por uns termos em si tão concertados,  Que dois mil acidentes namorados   Faça sentir ao peito que não sente. Farei que amor a todos avivente,   Pintando mil segredos delicados,  Brandas iras, suspiros magoados,   Temerosa ousadia e pena ausente.   Também, Senhora, do desprezo honesto   De vossa vista branda e rigorosa,  Contentar-me-ei dizendo a menor parte.  Porém, pera cantar de vosso gesto  A composição alta e milagrosa  Aqui falta saber, engenho e arte.
Alma minha gentil, que te partiste         Tão cedo desta vida, descontente,         Repousa lá no céu eternamente         E viva eu cá na terra sempre triste.         Se lá no assento etéreo, onde subiste,         Memória desta vida se consente,         Não te esqueças daquele amor ardente         Que já nos olhos meus tão puro viste.        E se vires que pode merecer-te         Alguma cousa a dor que me ficou         Da mágoa, sem remédio, de perder-te,        Roga a Deus, que teus anos encurtou,         Que tão cedo de cá me leve a ver-te,         Quão cedo de meus olhos te levou.
Os Lusíadas
Os Lusíadas  (1572)   O poema se organiza tradicionalmente em cinco partes:  1. Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3)  Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadores portugueses, em especial os da esquadra de Vasco da Gama e a história do povo português.  2. Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5)  O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irão inspirá-lo na composição da obra.  3. Dedicatória (Canto I, Estrofes 6 a 18)  O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança de propagação da fé católica e continuação das grandes conquistas portuguesas por todo o mundo.  4. Narração (Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144)  A matéria do poema em si. A viagem de Vasco da Gama e as glórias da história heróica portuguesa.  5. Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156)  Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua “voz rouca” não ser ouvida com mais atenção.
A armada de Vasco da Gama partiu do Restelo no dia 8 de Julho de 1497 e chegou a Calecute, na Índia, no dia 20 de Maio de 1498.
   Resumo do enredo         Portugal, como foi visto anteriormente, passava por um momento de grandiosidade diante das demais nações européias. Esse momento era ainda mais valorizado pelo espírito de nacionalismo que surgia nos séculos XV e XVI. Motivados com a liderança nas grandes navegações, foram várias as tentativas de fazer uma epopéia sobre o assunto e, com isso, registrar para a posteridade esse momento de glória.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 *         1.  As  –   ar - mas  –   e os  –  ba – rões  –   a  –   ssi – na –  la  - dos A        2. Que da ocidental praia lusitana B         3. Por mares nunca dantes navegados, A         4. Passaram ainda muito além da Taprobana, B         5. E em perigos e guerras esforçados A         6. Mais do que prometia a força humana, B         7. E entre gente remota edificaram C         8. Novo reino, que tanto sublimaram; C
A morte de Inês de Castro
O EPISÓDIO DE INÊS DE CASTRO    Camões, como outros artistas que retrataram a morte de Inês de Castro, prefere a imagem da espada encravada no peito, sem dúvida, mais lírica, à do degolamento:         Tais contra Inês os brutos matadores,         No colo de alabastro, que sustinha         As obras com que Amor matou de amores         Aquele que depois a fez rainha,         As espadas banhando e as brancas flores         Que ela dos olhos seus regadas tinha,         Se encarniçavam, férvidos e irosos,         No futuro castigo não cuidosos.
Tu, só tu puro Amor, com força crua, Que os corações humanos tanto obriga Deste causa à molesta morte sua, Como se fora pérfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga, É porque queres, áspero e tirano Tuas aras banhar em sangue humano .
 
O lirismo dentro da obra épica Os Lusíadas  é uma obra de caráter épico onde o universo masculino é o predominante. Assim, todo o episódio de Inês de Castro entra em perfeito contraste com a restante obra. Neste episódio a personagem central é feminina e o lirismo presente nos sonetos camonianos é transposto para estas estâncias. Luís de Camões consegue estabelecer com o leitor um contacto inquestionavelmente emotivo. com os versos O desespero que Camões coloca nas falas de Inês (inventadas por si) faz com que um universo de terror progrida e “arraste” consigo o próprio leitor. Existem momentos em que o leitor é levado a sentir compaixão e levado também a partilhar o sofrimento das personagens da tragédia, a piedade perante tal destino trágico instala-se dando assim origem à Catarse.
O velho do Restelo
— "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas! — "Dura inquietação d'alma e da vida, Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios: Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana!
O velho do Restelo
EPISÓDIO DO VELHO DO RESTELO A cena mostra, logo de início urna massa aflita e desesperada com a partida de seus filhos e esposos. As mulheres, chorando, representam toda a multidão que ficava em terra firme vendo seus queridos partirem para o desconhecido:         Em tão longo caminho e duvidoso,         Por perdidos as gentes nos julgavam;         As mulheres c’um choro piedoso,         Mães, esposas, irmãs, que o temeroso         Amor mais desconfia, acrescentavam         A desesperação e frio medo         De já nos não tornar a ver tão cedo         Qual via dizendo: — “Ó filho, a quem eu tinha         Só para refrigério e doce amparo         Desta cansada já velhice minha,         Que em choro acabará penoso e amaro         Porque me deixas, mísera e mesquinha?         Porque de mi te vás, á filho caro,         A fazer funéreo enterramento         Onde sejas de peixes mantimento?
A  fala do velho do Restelo pode ser interpretada como a sobrevivência da mentalidade feudal, agrária, oposta ao expansionismo e às navegações, que configuravam os interesses da burguesia e da monarquia. É a expressão rigorosa do conservadorismo. Certo é que Camões, mesmo numa epopéia que se propõe a exaltar as Grandes Navegações, dá a palavra aos que se opõem ao projeto expansionista. Portanto,  O Velho do Restelo  representa a oposição passado x presente, antigo x novo. O Velho chama de vaidoso aqueles que, por cobiça ou ânsia de glória, por sua audácia ou coragem, se lançam às aventuras ultramarinas. Simboliza a preocupação daqueles que antevêem um futuro sombrio para a Pátria.
MAR PORTUGUÊS     Ó mar salgado, quanto do teu sal    São lágrimas de Portugal!    Por te cruzarmos, quantas mães choraram,    Quantos filhos em vão rezaram!    Quantas noivas ficaram por casar    Para que fosses nosso, ó mar!    Valeu a pena? Tudo vale a pena    Se a alma não é pequena.    Quem quer passar além do Bojador    Tem que passar além da dor.    Deus ao mar o perigo e o abismo deu,    Mas nele é que espelhou o céu.    Fernando Pessoa
Gigante Adamastor
GIGANTE ADAMASTOR O gigante chama os portugueses de ousados e afirma que nunca repousam e que tem por meta a glória particular, pois chegaram aos confins do mundo. Repare na ênfase que se dá ao fato de aquelas águas nunca terem sido navegadas por outros: o gigante diz que aquele mar que há tanto ele guarda nunca foi conhecido por outros. E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas No mundo cometeram grandes cousas, Tu, que por guerras cruas, tais e tantas, E por trabalhos vãos nunca repousas, Pois os vedados términos quebrantas E navegar nos longos mares ousas, Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho, Nunca arados d’estranho ou próprio lenho:
Não acabava, quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura; O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados, e a postura Medonha e má e a cor terrena e pálida; Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos.
 
No plano histórico,   simboliza a superação pelos portugueses do medo do “Mar Tenebroso”, das superstições medievais que povoavam o Atlântico e o Índico de monstros e abismos. Adamastor é uma visão, um espectro, uma alucinação que existe só nas crendices dos portugueses. É contra seus próprios medos que os navegadores triunfam.
 
Vasco da Gama quando chegou às Índias.
Ilha dos amores
ILHA DOS AMORES Vênus imagina um meio de recompensá-los por todas as dificuldades enfrentadas com um prêmio. Auxiliada por Cupido prepara-lhes uma ilha maravilhosa onde as mais belas ninfas esperarão por eles. Camões mostra o local como um verdadeiro paraíso: Nesta frescura tal desembarcaram  Já das naus os segundos argonautas, Onde pela floresta se deixavam Andar as belas deusas, como incautas Algüas doces cítaras tocavam, Algüas harpas e sonoras flautas; Outras, cos arcos de ouro, se fingiam Seguir os animais que não seguiam. (...) Duma os cabelos de ouro o vento leva  Correndo, e de outra as flaldas delicadas. Acende-se o desejo, que se cava Nas alvas carnes, súbito mostradas.
Mas cá onde mais se alarga, ali tereis Parte também, co pau vermelho nota; De Santa Cruz o nome lhe poreis; Descobri-la-á a primeira vossa frota. Ao longo desta costa, que tereis, Irá buscando a parte mais remota O Magalhães, no feito, com verdade Português, porém não na lealdade.
 
Todo o episódio tem um carácter simbólico.  Em primeiro lugar, serve para desmitificar o recurso à mitologia pagã, apresentada aqui como simples ficção, útil para "fazer versos deleitosos".  Em segundo lugar, representa a glorificação do povo português, a quem é reconhecido um estatuto de excepcionalidade. Pelo seu esforço continuado, pela sua persistência, pela sua fidelidade à tarefa de expansão da fé cristã, os portugueses como que se divinizam. Tornam-se assim dignos de ombrear com os deuses, adquirindo um estatuto de imortalidade que é afinal o prémio máximo a que pode aspirar o ser humano.  De certo modo, podemos dizer que é o amor que conduz os portugueses à imortalidade. Não o amor no sentido vulgar da palavra, mas o amor num sentido mais amplo: o amor desinteressado, o amor da pátria, o amor ao dever, o empenhamento total nas tarefas colectivas, a capacidade de suportar todas as dificuldades, todos os sacrifícios.
Voltando aos comentários que se podem tecer a respeito do epílogo da obra, é perceptível certo tom melancólico nas palavras do poeta que, prevendo o fim dos bons tempos de Portugal, aproveita para fazer sua “voz rouca” ser ouvida novamente ao criticar a corte que cercava D.Sebastião e a perda dos bons costumes da sociedade, a corrupção que por sua vez levaria o país ao “caos”, como se pode notar na estrofe 145  “ No mais, Musa, no mais, que a lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com quem mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Dua austera, apagada e vil tristeza.”.
De mais, há que se dizer que Camões estava correto em sua “profecia”, pois após 8 anos da publicação de “Os Lusíadas”, data que coincide com a morte do poeta, o rei D.Sebastião desaparece na Batalha de Alcácer-Quibir, o que tem como consequência o declive de Portugal e submissão ao domínio espanhol.
 

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O Classicismo no Renascimento

  • 2.
  • 3. Naturalismo: volta à natureza Hedonismo: defesa do prazer individual Neoplatonismo: elevação espiritual por meio da interiorização.
  • 4.
  • 5. Monalisa Revela o interesse do Renascimento pelo homem. Reproduzida de todas as formas imagináveis, a magia dessa figura “feminina” continua intacta.
  • 6. A última ceia Visão mais humanista
  • 7. Davi A valorização do ser humano resultou na criação de muitas telas e esculturas que valorizavam as formas humanas ou que retratavam corpos nus.
  • 8. Pietá A figura do Cristo morto parece ter vida correndo nas veias. Os olhos abaixados da Virgem, ao contrário da tradição,emocionam pela dor e pela resignação. Seu manto, drapeado, arranca do mármore uma leveza.
  • 9. Arquitetura A aplicação dessas ordens não é arbitrária, elas representam as tão almejadas proporções humanas: a base é o pé, a coluna, o corpo, e o capitel, a cabeça.
  • 10. Arquitetura Palácio de Carlos V Alhandra, Granada Palácio de Vázquez de Molina Úbeda, Jaén
  • 11. Arquitetura Cúpula da igreja de Bruneleschi, Florença.
  • 12. LITERATURA - MARCO INICIAL Em 1527, quando Francisco Sá de Miranda retorna a Portugal, vindo da Itália, trazendo o doce estilo novo (soneto + medida nova).
  • 14. Naquele tempo... . Crise da Igreja. . Expansão marítima. . Mercantilismo. . Absolutismo monárquico. . Reforma protestante . Copérnico: heliocentrismo. . Galileu Galilei: sistema astronômico.
  • 15. Em Portugal... . Conquista do norte da África; . Caminho marítimo para as Índias; . Descobrimento do Brasil; . Monopólio do Poder político e econômico do rei; . Dinastia de Avis: D. Afonso V, D. JoãoII, D. Manuel, o Venturoso
  • 17. 1- Imitação dos autores clássicos gregos e romanos da antigüidade: Homero, Virgílio, Ovídio, etc... 2- Uso da mitologia: Os deuses e as musas, inspiradoras dos clássicos gregos e latinos aparecem também nos clássicos renascentistas: Os Lusíadas:(Vênus) = a deusa do amor; Marte( o deus da guerra), protegem os portugueses em suas conquistas marítimas.
  • 18. 3- Predomínio da razão sobre os sentimentos: A linguagem clássica não é subjetiva nem impregnada de sentimentalismos e de figuras, porque procura coar, através da razão, todas os dados fornecidos pela natureza e, desta forma expressou verdades universais. 4- Uso de uma linguagem sóbria, simples, sem excesso de figuras literárias.
  • 19. 5- Idealismo: O classicismo aborda o homem ideal, liberto de suas necessidades diárias, comuns. Os personagens centrais das epopéias(grandes poemas sobre grandes feitos e heróicos) nos são apresentados como seres superiores, verdadeiros semi-deuses, sem defeitos. Ex.: Vasco da Gama em os Lusíadas: é um ser dotados de virtudes extraordinárias, incapaz de cometer qualquer erro.
  • 20. 6- Amor Platônico: Os poetas clássicos revivem a idéia de Platão de que o amor deve ser sublime, elevado, espiritual, puro, não-físico. 7- Busca da universalidade e impessoalidade: A obra clássica torna-se a expressão de verdades universais, eternas e despreza o particular, o individual, aquilo que é relativo.
  • 21.
  • 22. LUÍS VAZ DE CAMÕES
  • 23.
  • 24. Eu cantarei de amor tão docemente, Por uns termos em si tão concertados, Que dois mil acidentes namorados Faça sentir ao peito que não sente. Farei que amor a todos avivente, Pintando mil segredos delicados, Brandas iras, suspiros magoados, Temerosa ousadia e pena ausente. Também, Senhora, do desprezo honesto De vossa vista branda e rigorosa, Contentar-me-ei dizendo a menor parte. Porém, pera cantar de vosso gesto A composição alta e milagrosa Aqui falta saber, engenho e arte.
  • 25. Alma minha gentil, que te partiste       Tão cedo desta vida, descontente,       Repousa lá no céu eternamente       E viva eu cá na terra sempre triste.       Se lá no assento etéreo, onde subiste,       Memória desta vida se consente,       Não te esqueças daquele amor ardente       Que já nos olhos meus tão puro viste.       E se vires que pode merecer-te       Alguma cousa a dor que me ficou       Da mágoa, sem remédio, de perder-te,       Roga a Deus, que teus anos encurtou,       Que tão cedo de cá me leve a ver-te,       Quão cedo de meus olhos te levou.
  • 27. Os Lusíadas (1572) O poema se organiza tradicionalmente em cinco partes: 1. Proposição (Canto I, Estrofes 1 a 3) Apresentação da matéria a ser cantada: os feitos dos navegadores portugueses, em especial os da esquadra de Vasco da Gama e a história do povo português. 2. Invocação (Canto I, Estrofes 4 e 5) O poeta invoca o auxílio das musas do rio Tejo, as Tágides, que irão inspirá-lo na composição da obra. 3. Dedicatória (Canto I, Estrofes 6 a 18) O poema é dedicado ao rei Dom Sebastião, visto como a esperança de propagação da fé católica e continuação das grandes conquistas portuguesas por todo o mundo. 4. Narração (Canto I, Estrofe 19 a Canto X, Estrofe 144) A matéria do poema em si. A viagem de Vasco da Gama e as glórias da história heróica portuguesa. 5. Epílogo (Canto X, Estrofes 145 a 156) Grande lamento do poeta, que reclama o fato de sua “voz rouca” não ser ouvida com mais atenção.
  • 28. A armada de Vasco da Gama partiu do Restelo no dia 8 de Julho de 1497 e chegou a Calecute, na Índia, no dia 20 de Maio de 1498.
  • 29.   Resumo do enredo       Portugal, como foi visto anteriormente, passava por um momento de grandiosidade diante das demais nações européias. Esse momento era ainda mais valorizado pelo espírito de nacionalismo que surgia nos séculos XV e XVI. Motivados com a liderança nas grandes navegações, foram várias as tentativas de fazer uma epopéia sobre o assunto e, com isso, registrar para a posteridade esse momento de glória.
  • 30. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 *       1. As – ar - mas – e os – ba – rões – a – ssi – na – la - dos A       2. Que da ocidental praia lusitana B       3. Por mares nunca dantes navegados, A       4. Passaram ainda muito além da Taprobana, B       5. E em perigos e guerras esforçados A       6. Mais do que prometia a força humana, B       7. E entre gente remota edificaram C       8. Novo reino, que tanto sublimaram; C
  • 31. A morte de Inês de Castro
  • 32. O EPISÓDIO DE INÊS DE CASTRO    Camões, como outros artistas que retrataram a morte de Inês de Castro, prefere a imagem da espada encravada no peito, sem dúvida, mais lírica, à do degolamento:       Tais contra Inês os brutos matadores,       No colo de alabastro, que sustinha       As obras com que Amor matou de amores       Aquele que depois a fez rainha,       As espadas banhando e as brancas flores       Que ela dos olhos seus regadas tinha,       Se encarniçavam, férvidos e irosos,       No futuro castigo não cuidosos.
  • 33. Tu, só tu puro Amor, com força crua, Que os corações humanos tanto obriga Deste causa à molesta morte sua, Como se fora pérfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga, É porque queres, áspero e tirano Tuas aras banhar em sangue humano .
  • 34.  
  • 35. O lirismo dentro da obra épica Os Lusíadas é uma obra de caráter épico onde o universo masculino é o predominante. Assim, todo o episódio de Inês de Castro entra em perfeito contraste com a restante obra. Neste episódio a personagem central é feminina e o lirismo presente nos sonetos camonianos é transposto para estas estâncias. Luís de Camões consegue estabelecer com o leitor um contacto inquestionavelmente emotivo. com os versos O desespero que Camões coloca nas falas de Inês (inventadas por si) faz com que um universo de terror progrida e “arraste” consigo o próprio leitor. Existem momentos em que o leitor é levado a sentir compaixão e levado também a partilhar o sofrimento das personagens da tragédia, a piedade perante tal destino trágico instala-se dando assim origem à Catarse.
  • 36. O velho do Restelo
  • 37. — "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas! — "Dura inquietação d'alma e da vida, Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios: Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana!
  • 38. O velho do Restelo
  • 39. EPISÓDIO DO VELHO DO RESTELO A cena mostra, logo de início urna massa aflita e desesperada com a partida de seus filhos e esposos. As mulheres, chorando, representam toda a multidão que ficava em terra firme vendo seus queridos partirem para o desconhecido:       Em tão longo caminho e duvidoso,       Por perdidos as gentes nos julgavam;       As mulheres c’um choro piedoso,       Mães, esposas, irmãs, que o temeroso       Amor mais desconfia, acrescentavam       A desesperação e frio medo       De já nos não tornar a ver tão cedo       Qual via dizendo: — “Ó filho, a quem eu tinha       Só para refrigério e doce amparo       Desta cansada já velhice minha,       Que em choro acabará penoso e amaro       Porque me deixas, mísera e mesquinha?       Porque de mi te vás, á filho caro,       A fazer funéreo enterramento       Onde sejas de peixes mantimento?
  • 40. A fala do velho do Restelo pode ser interpretada como a sobrevivência da mentalidade feudal, agrária, oposta ao expansionismo e às navegações, que configuravam os interesses da burguesia e da monarquia. É a expressão rigorosa do conservadorismo. Certo é que Camões, mesmo numa epopéia que se propõe a exaltar as Grandes Navegações, dá a palavra aos que se opõem ao projeto expansionista. Portanto, O Velho do Restelo representa a oposição passado x presente, antigo x novo. O Velho chama de vaidoso aqueles que, por cobiça ou ânsia de glória, por sua audácia ou coragem, se lançam às aventuras ultramarinas. Simboliza a preocupação daqueles que antevêem um futuro sombrio para a Pátria.
  • 41. MAR PORTUGUÊS    Ó mar salgado, quanto do teu sal   São lágrimas de Portugal!   Por te cruzarmos, quantas mães choraram,   Quantos filhos em vão rezaram!   Quantas noivas ficaram por casar   Para que fosses nosso, ó mar!   Valeu a pena? Tudo vale a pena   Se a alma não é pequena.   Quem quer passar além do Bojador   Tem que passar além da dor.   Deus ao mar o perigo e o abismo deu,   Mas nele é que espelhou o céu.   Fernando Pessoa
  • 43. GIGANTE ADAMASTOR O gigante chama os portugueses de ousados e afirma que nunca repousam e que tem por meta a glória particular, pois chegaram aos confins do mundo. Repare na ênfase que se dá ao fato de aquelas águas nunca terem sido navegadas por outros: o gigante diz que aquele mar que há tanto ele guarda nunca foi conhecido por outros. E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas No mundo cometeram grandes cousas, Tu, que por guerras cruas, tais e tantas, E por trabalhos vãos nunca repousas, Pois os vedados términos quebrantas E navegar nos longos mares ousas, Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho, Nunca arados d’estranho ou próprio lenho:
  • 44. Não acabava, quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura; O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados, e a postura Medonha e má e a cor terrena e pálida; Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos.
  • 45.  
  • 46. No plano histórico, simboliza a superação pelos portugueses do medo do “Mar Tenebroso”, das superstições medievais que povoavam o Atlântico e o Índico de monstros e abismos. Adamastor é uma visão, um espectro, uma alucinação que existe só nas crendices dos portugueses. É contra seus próprios medos que os navegadores triunfam.
  • 47.  
  • 48. Vasco da Gama quando chegou às Índias.
  • 50. ILHA DOS AMORES Vênus imagina um meio de recompensá-los por todas as dificuldades enfrentadas com um prêmio. Auxiliada por Cupido prepara-lhes uma ilha maravilhosa onde as mais belas ninfas esperarão por eles. Camões mostra o local como um verdadeiro paraíso: Nesta frescura tal desembarcaram Já das naus os segundos argonautas, Onde pela floresta se deixavam Andar as belas deusas, como incautas Algüas doces cítaras tocavam, Algüas harpas e sonoras flautas; Outras, cos arcos de ouro, se fingiam Seguir os animais que não seguiam. (...) Duma os cabelos de ouro o vento leva Correndo, e de outra as flaldas delicadas. Acende-se o desejo, que se cava Nas alvas carnes, súbito mostradas.
  • 51. Mas cá onde mais se alarga, ali tereis Parte também, co pau vermelho nota; De Santa Cruz o nome lhe poreis; Descobri-la-á a primeira vossa frota. Ao longo desta costa, que tereis, Irá buscando a parte mais remota O Magalhães, no feito, com verdade Português, porém não na lealdade.
  • 52.  
  • 53. Todo o episódio tem um carácter simbólico. Em primeiro lugar, serve para desmitificar o recurso à mitologia pagã, apresentada aqui como simples ficção, útil para "fazer versos deleitosos". Em segundo lugar, representa a glorificação do povo português, a quem é reconhecido um estatuto de excepcionalidade. Pelo seu esforço continuado, pela sua persistência, pela sua fidelidade à tarefa de expansão da fé cristã, os portugueses como que se divinizam. Tornam-se assim dignos de ombrear com os deuses, adquirindo um estatuto de imortalidade que é afinal o prémio máximo a que pode aspirar o ser humano. De certo modo, podemos dizer que é o amor que conduz os portugueses à imortalidade. Não o amor no sentido vulgar da palavra, mas o amor num sentido mais amplo: o amor desinteressado, o amor da pátria, o amor ao dever, o empenhamento total nas tarefas colectivas, a capacidade de suportar todas as dificuldades, todos os sacrifícios.
  • 54. Voltando aos comentários que se podem tecer a respeito do epílogo da obra, é perceptível certo tom melancólico nas palavras do poeta que, prevendo o fim dos bons tempos de Portugal, aproveita para fazer sua “voz rouca” ser ouvida novamente ao criticar a corte que cercava D.Sebastião e a perda dos bons costumes da sociedade, a corrupção que por sua vez levaria o país ao “caos”, como se pode notar na estrofe 145 “ No mais, Musa, no mais, que a lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com quem mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Dua austera, apagada e vil tristeza.”.
  • 55. De mais, há que se dizer que Camões estava correto em sua “profecia”, pois após 8 anos da publicação de “Os Lusíadas”, data que coincide com a morte do poeta, o rei D.Sebastião desaparece na Batalha de Alcácer-Quibir, o que tem como consequência o declive de Portugal e submissão ao domínio espanhol.
  • 56.