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Petróleo e Ecologia: Uma Contestação à	Ciência	Ortodoxa




                    Datações, Paleontologia e Pesquisa

	         Existe uma relação próxima entre Geologia e Paleontologia e há necessidade de esclarecer-
se tal relação para evitar confusões dentro da exploração.
	         Todas as coisas, as mais triviais, precisam ser datadas sob pena de invalidez do fato. Isso é
especialmente importante em Geologia exploratória e é assunto virgem frente à sua importância. To-
dos nos acostumamos a ouvir falar em milhões de anos quando se trata de datar assuntos geológicos.
Exemplos: a Terra tem 4,5 bilhões de anos; os dinossauros morreram há 65 milhões de anos e tal ou
qual animal tem dois ou três ou seis milhões de anos.
	         Ter em conta que só depois de Kepler, em 1618, começou a tomar corpo a idéia do que devia
ser conhecido como ano: uma volta completa da Terra ao redor do Sol. Isso facilitou as datações
humanas. Os dias e as noites eram óbvios e a descoberta do que era o ano foi um salto fantástico no
conhecimento humano. Essa medida do tempo, então, passou a ser usada, também, na contagem do
tempo geológico. A partir disso, misturou-se a medida das idades geológicas com as humanas, com-
plicando tudo.

                                    As Datações Humanas
	        As datações são objetos de estudos desde muitos séculos antes da era cristã, por isso baseada
em festas religiosas especiais de cada povo. A unidade de tempo para uns era o dia e para outros era
a noite. Uns contavam as lunações e outros o dia solar. Para imaginar a confusão vamos citar apenas
as principais modificações havidas na parte ocidental do mundo.
	        Foram duas as principais reformas de calendário havidas por aqui. A primeira foi a reforma
feita por Júlio César ( ano 46), que passou de um calendário lunar para o solar tentando corrigir dis-
crepâncias (o equinócio que devia cair em março já estava caindo em maio!) e que acabou em outro
calendário tão defeituoso quanto o anterior, tendo de ser modificado novamente. O equinócio da
primavera estava dez dias fora do seu lugar, e em 1572 com a eleição de Gregório XIII foi iniciada
uma nova reforma do calendário de maneira que se trouxesse o equinócio da primavera (pois é ele
que determina a Páscoa, a festa mais importante do calendário católico e a partir dele todas as outras
datas católicas), de novo para seu verdadeiro lugar, perdendo-se com isso cerca de dez dias. Esta foi
a última reforma, mas não quer dizer que tenha sido a última. Essas reformas são tão polêmicas que
nem todos os povos aceitaram-na pacificamente. Na França, Itália, Luxemburgo e Portugal ela só
foi aceita em 1582; na Suíça, a adoção foi tão lenta que levou quase três séculos para ser admitida:
iniciada em 1583 só terminou de ser adotada em 1812. O Japão só adotou o calendário gregoriano
em 1873; a União Soviética em 1918 e a Grécia em 192314.
	        Por tais razões as datações não são levadas a sério, e qualquer pessoa pode datar um evento
qualquer, em quantos milhões de anos quiser e lhe aprouver. Banalizou-se o problema das datações
e a própria Paleontologia e a chamada geocronologia e seus cientistas procedem dessa maneira. De


                                                   144
Datações, Paleontologia e Pesqui

fato, a Igreja trabalhava no problema do calendário humano (problema científico) usando as armas
da fé. Do outro lado, os geólogos, também batalhavam e batalham, por resolver problemas de data-
ção geológica das rochas, sem qualquer possibilidades de fazê-lo, pois, continuam dependendo dos
laboratórios e da opinião dos paleontólogos sobre a idade de fósseis e, especialmente, porque desco-
nhecem o que vem a ser uma unidade de sedimentação.

                     Breve História das Datações Paleontológicas
	        Duas espécies de homens cavoucavam a terra naqueles tempos remotos: uns tentavam pedras
preciosas ou metais valiosos e outros buscavam coisas esquisitas como ossos, esqueletos, marcas e
pegadas, escamas, dentes de animais etc., que davam idéia de que alguns animais no passado exis-
tiram por ali e que seus restos indicavam sua presença. Os dois grupos procuravam fósseis, como
eram chamados antigamente todos os corpos que estivessem enterrados. Posteriormente os grupos se
individualizaram: os que procuravam fósseis passaram a ser chamados paleontólogos e paleobotâni-
cos, enquanto os outros eram garimpeiros ou geólogos. Muitas vezes pesquisavam juntos, mas não
necessariamente. Ambos precisavam de datações geológicas que lhes dissessem de que idade seriam
os fósseis encontrados. Tentaram ajudar-se mutuamente, mas não deu certo, resultando uma discus-
são grandiosa que se prolonga até hoje. Mas era tácito também que os paleontólogos manejavam os
objetos que podiam sugerir a idade da rocha onde eles estivessem encastoados, e assim iniciou-se a
pior fase dos erros cometidos no âmbito da ciência geológica: a suposição que a Paleontologia era a
chave para conseguir as necessárias datações.
	        Desse ponto em diante apareceriam os cientistas que batizariam períodos, estágios, etapas,
eras, éons, tendo como critério somente a existência de fósseis aos quais eram dadas idades, as mais
arbitrárias, para que eles se integrassem à tabela do tempo geológico que também aparecia aos pou-
cos.
	        Um dos primeiros cientistas a sugerir uma idéia sobre datação de rochas foi Giovanni Ardui-
no (1714-1795), que em 1759 lançou a idéia de que as rochas podiam ser datadas ou classificadas
   15

em quatro grupos que chamou de:
         •	 Primárias,
         •	 Secundárias,
         •	 Terciárias e
         •	 Quaternárias.

	        Esses nomes começaram a sofrer modificações conforme os resultados de outros cientistas
aqui e acolá. Em 1795 surge o nome Jurássico proposto por von Humbolt, um naturalista, para de-
signar rochas que ocorriam nas montanhas Jura, da fronteira franco-suiça, onde ocorrem calcários
ricos em amonitas, e isso passou a ser um dos períodos do tempo geológico. Em seguida, o Jurássico
foi dividido e subdividido em dezenas de fatias conforme o estudante e o novo fóssil que ele desco-
brisse, além de mudar de nome conforme a origem da amostra estudada. Na Alemanha, o Jurássico
foi dividido em Superior, Médio e Inferior, que mais tarde passou a ser conhecido por outros autores
como Black (Lias), Brown (Dogger) e White (Malm), que por sua vez foram subdivididos em Vol-
giano, Kimmerdgiano, Oxfordiano, Calloviano, Bathoniano, Bajociano, Toarciano, Pliensbachiano,
Sinemuriano, e Hettangiano. E a confusão fica muito maior se forem acrescentados os resultados
das pesquisas feitas na Rússia, na Inglaterra, nos EUA, em outros lugares e por outros autores, que
encontravam outros fósseis de outros animais.
	        Em 1799, surge William Smith que estudou com afinco determinada parte da Inglaterra e pu-
blicou uma lista de fósseis com os quais acabou por fazer um “mapa” todo calcado na lei da sucessão

                                              145
Petróleo e Ecologia: Uma Contestação à	Ciência	Ortodoxa

faunal. O mapa não era geológico (mapa geológico é construído com a individualização das forma-
ções geológicas, isto é, rochas na ordem do seu aparecimento) como ele disse ser, mas um mapa de
ocorrência de fósseis. Mas a moda pegou e a idéia passou a ser usada mundialmente, inclusive aqui
no Brasil. Apareceram em seguida os Sistemas Carbonífero e Cretáceo (1822); em 1833, Charles
Lyell dividiu o Terciário, nomeado por Arduino, em Eoceno, Mioceno e Plioceno, com subdivisões
para o Plioceno.
	       Triássico surgiu na Alemanha (1834); Cambriano e Siluriano surgiram na Inglaterra (1835).
Em 1839 apareceu o Devoniano. Em 1841 é que J.Phillips propõe Kainozóico e Mesozóico suce-
dendo o Paleozóico distinguindo animais de tempo antigo, médio e mais moderno ou mais jovem,
respectivamente.
	       Observe-se então que o tempo de evolução do globo ficaria balizado pela existência ou
não de alguma espécie de vida, sem que se soubesse corretamente o que era a vida ou a origem da
vida e quanto tempo duraria uma espécie de vida. Quantos anos têm a espécie humana? Quantos
anos terão durado os ictiossauros? E os ostrácodas, os conchostraceos e qualquer outro animal que
tenha existido e desaparecido? Ora, se não sabemos ao menos quando nasceu e morreu J. Cristo e
desconhecemos a verdadeira data do descobrimento do Brasil, como responder quanto tempo durou
na superfície da Terra tal espécie animal ou vegetal? Evidente que sem poder datar corretamente os
eventos, “tenta-se” uma possibilidade. Eis porque a inutilidade da paleontologia para balizar o tempo
geológico: as datações são todas emitidas sem apuro, por um clube fechado. Em Geologia, as da-
tações não são feitas apoiadas em dados paleontológicos e/ou geocronológicos e especialmente,
não são referidas em número de anos.

                 Datações Paleontolológicas na Bacia do Recôncavo
O que aconteceu na Bacia do Recôncavo ao datar-se seu volume de clásticos foi um erro duplo:
        •	 As datações foram feitas com o auxílio da paleontologia (primeiro erro) e
        •	 Os fósseis colhidos para serem datados em análises laboratoriais usando refossilizações
           (segundo erro).

	        Não podia dar em algo que não fosse um grande desastre exploratório.
	        Os paleontólogos contam-se aos milhares pelo mundo afora estudando tudo e qualquer coisa
que seja de origem orgânica e todos eles tentando uma classificação, não somente científica como
cronológica para abrigar novas espécies sugeridas por fragmentos de ossos, dentes, escamas ou ves-
tígios delas.
	        É fácil imaginar a quantidade fantástica de fósseis que ainda poderão ser encontrados, os
quais acrescentarão mais e mais confusão ao já confuso mundo da Paleontologia. Mais poços são
furados a cada dia que passa e mais fósseis são descobertos. Em vez de esclarecer problemas, novos
estudos causam mais conturbação. Cada cientista da Paleontologia acha que descobriu ou o mais an-
tigo, ou o maior dos fósseis, o “elo perdido” entre dois elos conhecidos, aquele que era quadrúpede,
mas virou bípede, os que tinham rabo e o perderam ou ao contrário, ganharam um rabo, pois não o
tinham e tais resultados não passam de concurso para ver quem será o descobridor do maior e mais
antigo fóssil achado em determinado local.
	        Paralelamente há o trabalho dos geocronologistas e suas análises químicas feitas com car-
bono, potássio, chumbo e outros materiais, as quais são tão inconseqüentes e arbitrárias quanto as
análises paleontológicas, pois os números obtidos podem dar o resultado mais conveniente ao analis-
ta que não cohece a origem da amostra, coletada que foi por alguém que não sabe coletar amostras.
Este método foi inventado a um século passado, precisamente em 1905, a partir de uma idéia de outro

                                                  146
Datações, Paleontologia e Pesqui

gênio científico, o neozelandês Ernest Rutherford16 (1871-1937), que publicou em 1900 sua “Teoria
da Desintegração” onde sugeriu que a radiatividade poderia ser usada para datar as rochas. Arthur
Holmes17 (1890-1965) adotou a idéia e tentou inclusive montar uma coluna cronoestratigráfica, que
junta mais confusão ao já confuso quadro de datações paleontológicas.
	        Fica fácil imaginar o tamanho do problema sabendo que isso se passa em cada país, a cada
latitude e longitude. Os cientistas da Terra acabaram por brigar formalmente e hoje, cada um cuida da
sua parte: paleontólogos e geocronólogos para um lado e geólogos para o outro, perdidos em uma sel-
va de nomes complicados, sem relação entre si e sem que haja solução à vista. Os paleontólogos, por
sua vez, examinando milhões de amostras de fósseis, nanofósseis, plânctons, foraminíferos, amonitas
etc. fazem conclusões muito corajosas sobre falsos paleoambientes, source-beds e alguns chegam a
se aventurar em problemas de pesquisa e/ou históricos, evidentemente sem qualquer resultado que
justifique o investimento. É sintomático que a própria Petrobras tenha relegado o seu laboratório de
paleontologia para segundo plano tendendo a extingui-lo.
	        Enfim, para resolver problemas de pesquisa de petróleo ou de outra substância qualquer,
que faça parte da crosta da Terra, há necessidade primária de datarem-se as rochas armazenadoras da
substância, um trabalho feito antecipadamente ao próprio mapeamento. Isso independe de exames
de amostras e de resultados desses exames. A datação geológica consiste na observação visual das
formações no campo, ou seja, na determinação dos seus contatos, regidos pela Segunda Lei da Sedi-
mentação. (v.“ Fundamentos da Geologia”).
	        Ao determinar-se uma formação e seus contatos, determina-se também o período de tempo
geológico e todos os acontecimentos desse período inclusive os Paleontológicos, Arqueológicos etc.
nunca ao contrário, como se procede atualmente, pois isso prejudica o raciocínio que leva às grandes
minas de petróleo ou qualquer outra substância da subsuperfície do globo.
	        O padrão temporal determinado pelos geólogos e paleontólogos do passado é incorreto e
deve ser substituído por outro (v. “Código de Nomenclatura Estratigráfica”) mais prático, mais novo,
mais fácil e especialmente mais preciso.
	        O novo padrão temporal independe de arbitrariedades humanas (idades em milhões de anos)
desde que é apenas fruto da observação visual de um fato da natureza. Ele está determinado no cam-
po, desde o princípio do mundo: o que estiver em baixo é sempre mais velho do que aquele que está
em cima. Chama-se a isto “Segunda Lei da Sedimentação”.




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  • 1. Petróleo e Ecologia: Uma Contestação à Ciência Ortodoxa Datações, Paleontologia e Pesquisa Existe uma relação próxima entre Geologia e Paleontologia e há necessidade de esclarecer- se tal relação para evitar confusões dentro da exploração. Todas as coisas, as mais triviais, precisam ser datadas sob pena de invalidez do fato. Isso é especialmente importante em Geologia exploratória e é assunto virgem frente à sua importância. To- dos nos acostumamos a ouvir falar em milhões de anos quando se trata de datar assuntos geológicos. Exemplos: a Terra tem 4,5 bilhões de anos; os dinossauros morreram há 65 milhões de anos e tal ou qual animal tem dois ou três ou seis milhões de anos. Ter em conta que só depois de Kepler, em 1618, começou a tomar corpo a idéia do que devia ser conhecido como ano: uma volta completa da Terra ao redor do Sol. Isso facilitou as datações humanas. Os dias e as noites eram óbvios e a descoberta do que era o ano foi um salto fantástico no conhecimento humano. Essa medida do tempo, então, passou a ser usada, também, na contagem do tempo geológico. A partir disso, misturou-se a medida das idades geológicas com as humanas, com- plicando tudo. As Datações Humanas As datações são objetos de estudos desde muitos séculos antes da era cristã, por isso baseada em festas religiosas especiais de cada povo. A unidade de tempo para uns era o dia e para outros era a noite. Uns contavam as lunações e outros o dia solar. Para imaginar a confusão vamos citar apenas as principais modificações havidas na parte ocidental do mundo. Foram duas as principais reformas de calendário havidas por aqui. A primeira foi a reforma feita por Júlio César ( ano 46), que passou de um calendário lunar para o solar tentando corrigir dis- crepâncias (o equinócio que devia cair em março já estava caindo em maio!) e que acabou em outro calendário tão defeituoso quanto o anterior, tendo de ser modificado novamente. O equinócio da primavera estava dez dias fora do seu lugar, e em 1572 com a eleição de Gregório XIII foi iniciada uma nova reforma do calendário de maneira que se trouxesse o equinócio da primavera (pois é ele que determina a Páscoa, a festa mais importante do calendário católico e a partir dele todas as outras datas católicas), de novo para seu verdadeiro lugar, perdendo-se com isso cerca de dez dias. Esta foi a última reforma, mas não quer dizer que tenha sido a última. Essas reformas são tão polêmicas que nem todos os povos aceitaram-na pacificamente. Na França, Itália, Luxemburgo e Portugal ela só foi aceita em 1582; na Suíça, a adoção foi tão lenta que levou quase três séculos para ser admitida: iniciada em 1583 só terminou de ser adotada em 1812. O Japão só adotou o calendário gregoriano em 1873; a União Soviética em 1918 e a Grécia em 192314. Por tais razões as datações não são levadas a sério, e qualquer pessoa pode datar um evento qualquer, em quantos milhões de anos quiser e lhe aprouver. Banalizou-se o problema das datações e a própria Paleontologia e a chamada geocronologia e seus cientistas procedem dessa maneira. De 144
  • 2. Datações, Paleontologia e Pesqui fato, a Igreja trabalhava no problema do calendário humano (problema científico) usando as armas da fé. Do outro lado, os geólogos, também batalhavam e batalham, por resolver problemas de data- ção geológica das rochas, sem qualquer possibilidades de fazê-lo, pois, continuam dependendo dos laboratórios e da opinião dos paleontólogos sobre a idade de fósseis e, especialmente, porque desco- nhecem o que vem a ser uma unidade de sedimentação. Breve História das Datações Paleontológicas Duas espécies de homens cavoucavam a terra naqueles tempos remotos: uns tentavam pedras preciosas ou metais valiosos e outros buscavam coisas esquisitas como ossos, esqueletos, marcas e pegadas, escamas, dentes de animais etc., que davam idéia de que alguns animais no passado exis- tiram por ali e que seus restos indicavam sua presença. Os dois grupos procuravam fósseis, como eram chamados antigamente todos os corpos que estivessem enterrados. Posteriormente os grupos se individualizaram: os que procuravam fósseis passaram a ser chamados paleontólogos e paleobotâni- cos, enquanto os outros eram garimpeiros ou geólogos. Muitas vezes pesquisavam juntos, mas não necessariamente. Ambos precisavam de datações geológicas que lhes dissessem de que idade seriam os fósseis encontrados. Tentaram ajudar-se mutuamente, mas não deu certo, resultando uma discus- são grandiosa que se prolonga até hoje. Mas era tácito também que os paleontólogos manejavam os objetos que podiam sugerir a idade da rocha onde eles estivessem encastoados, e assim iniciou-se a pior fase dos erros cometidos no âmbito da ciência geológica: a suposição que a Paleontologia era a chave para conseguir as necessárias datações. Desse ponto em diante apareceriam os cientistas que batizariam períodos, estágios, etapas, eras, éons, tendo como critério somente a existência de fósseis aos quais eram dadas idades, as mais arbitrárias, para que eles se integrassem à tabela do tempo geológico que também aparecia aos pou- cos. Um dos primeiros cientistas a sugerir uma idéia sobre datação de rochas foi Giovanni Ardui- no (1714-1795), que em 1759 lançou a idéia de que as rochas podiam ser datadas ou classificadas 15 em quatro grupos que chamou de: • Primárias, • Secundárias, • Terciárias e • Quaternárias. Esses nomes começaram a sofrer modificações conforme os resultados de outros cientistas aqui e acolá. Em 1795 surge o nome Jurássico proposto por von Humbolt, um naturalista, para de- signar rochas que ocorriam nas montanhas Jura, da fronteira franco-suiça, onde ocorrem calcários ricos em amonitas, e isso passou a ser um dos períodos do tempo geológico. Em seguida, o Jurássico foi dividido e subdividido em dezenas de fatias conforme o estudante e o novo fóssil que ele desco- brisse, além de mudar de nome conforme a origem da amostra estudada. Na Alemanha, o Jurássico foi dividido em Superior, Médio e Inferior, que mais tarde passou a ser conhecido por outros autores como Black (Lias), Brown (Dogger) e White (Malm), que por sua vez foram subdivididos em Vol- giano, Kimmerdgiano, Oxfordiano, Calloviano, Bathoniano, Bajociano, Toarciano, Pliensbachiano, Sinemuriano, e Hettangiano. E a confusão fica muito maior se forem acrescentados os resultados das pesquisas feitas na Rússia, na Inglaterra, nos EUA, em outros lugares e por outros autores, que encontravam outros fósseis de outros animais. Em 1799, surge William Smith que estudou com afinco determinada parte da Inglaterra e pu- blicou uma lista de fósseis com os quais acabou por fazer um “mapa” todo calcado na lei da sucessão 145
  • 3. Petróleo e Ecologia: Uma Contestação à Ciência Ortodoxa faunal. O mapa não era geológico (mapa geológico é construído com a individualização das forma- ções geológicas, isto é, rochas na ordem do seu aparecimento) como ele disse ser, mas um mapa de ocorrência de fósseis. Mas a moda pegou e a idéia passou a ser usada mundialmente, inclusive aqui no Brasil. Apareceram em seguida os Sistemas Carbonífero e Cretáceo (1822); em 1833, Charles Lyell dividiu o Terciário, nomeado por Arduino, em Eoceno, Mioceno e Plioceno, com subdivisões para o Plioceno. Triássico surgiu na Alemanha (1834); Cambriano e Siluriano surgiram na Inglaterra (1835). Em 1839 apareceu o Devoniano. Em 1841 é que J.Phillips propõe Kainozóico e Mesozóico suce- dendo o Paleozóico distinguindo animais de tempo antigo, médio e mais moderno ou mais jovem, respectivamente. Observe-se então que o tempo de evolução do globo ficaria balizado pela existência ou não de alguma espécie de vida, sem que se soubesse corretamente o que era a vida ou a origem da vida e quanto tempo duraria uma espécie de vida. Quantos anos têm a espécie humana? Quantos anos terão durado os ictiossauros? E os ostrácodas, os conchostraceos e qualquer outro animal que tenha existido e desaparecido? Ora, se não sabemos ao menos quando nasceu e morreu J. Cristo e desconhecemos a verdadeira data do descobrimento do Brasil, como responder quanto tempo durou na superfície da Terra tal espécie animal ou vegetal? Evidente que sem poder datar corretamente os eventos, “tenta-se” uma possibilidade. Eis porque a inutilidade da paleontologia para balizar o tempo geológico: as datações são todas emitidas sem apuro, por um clube fechado. Em Geologia, as da- tações não são feitas apoiadas em dados paleontológicos e/ou geocronológicos e especialmente, não são referidas em número de anos. Datações Paleontolológicas na Bacia do Recôncavo O que aconteceu na Bacia do Recôncavo ao datar-se seu volume de clásticos foi um erro duplo: • As datações foram feitas com o auxílio da paleontologia (primeiro erro) e • Os fósseis colhidos para serem datados em análises laboratoriais usando refossilizações (segundo erro). Não podia dar em algo que não fosse um grande desastre exploratório. Os paleontólogos contam-se aos milhares pelo mundo afora estudando tudo e qualquer coisa que seja de origem orgânica e todos eles tentando uma classificação, não somente científica como cronológica para abrigar novas espécies sugeridas por fragmentos de ossos, dentes, escamas ou ves- tígios delas. É fácil imaginar a quantidade fantástica de fósseis que ainda poderão ser encontrados, os quais acrescentarão mais e mais confusão ao já confuso mundo da Paleontologia. Mais poços são furados a cada dia que passa e mais fósseis são descobertos. Em vez de esclarecer problemas, novos estudos causam mais conturbação. Cada cientista da Paleontologia acha que descobriu ou o mais an- tigo, ou o maior dos fósseis, o “elo perdido” entre dois elos conhecidos, aquele que era quadrúpede, mas virou bípede, os que tinham rabo e o perderam ou ao contrário, ganharam um rabo, pois não o tinham e tais resultados não passam de concurso para ver quem será o descobridor do maior e mais antigo fóssil achado em determinado local. Paralelamente há o trabalho dos geocronologistas e suas análises químicas feitas com car- bono, potássio, chumbo e outros materiais, as quais são tão inconseqüentes e arbitrárias quanto as análises paleontológicas, pois os números obtidos podem dar o resultado mais conveniente ao analis- ta que não cohece a origem da amostra, coletada que foi por alguém que não sabe coletar amostras. Este método foi inventado a um século passado, precisamente em 1905, a partir de uma idéia de outro 146
  • 4. Datações, Paleontologia e Pesqui gênio científico, o neozelandês Ernest Rutherford16 (1871-1937), que publicou em 1900 sua “Teoria da Desintegração” onde sugeriu que a radiatividade poderia ser usada para datar as rochas. Arthur Holmes17 (1890-1965) adotou a idéia e tentou inclusive montar uma coluna cronoestratigráfica, que junta mais confusão ao já confuso quadro de datações paleontológicas. Fica fácil imaginar o tamanho do problema sabendo que isso se passa em cada país, a cada latitude e longitude. Os cientistas da Terra acabaram por brigar formalmente e hoje, cada um cuida da sua parte: paleontólogos e geocronólogos para um lado e geólogos para o outro, perdidos em uma sel- va de nomes complicados, sem relação entre si e sem que haja solução à vista. Os paleontólogos, por sua vez, examinando milhões de amostras de fósseis, nanofósseis, plânctons, foraminíferos, amonitas etc. fazem conclusões muito corajosas sobre falsos paleoambientes, source-beds e alguns chegam a se aventurar em problemas de pesquisa e/ou históricos, evidentemente sem qualquer resultado que justifique o investimento. É sintomático que a própria Petrobras tenha relegado o seu laboratório de paleontologia para segundo plano tendendo a extingui-lo. Enfim, para resolver problemas de pesquisa de petróleo ou de outra substância qualquer, que faça parte da crosta da Terra, há necessidade primária de datarem-se as rochas armazenadoras da substância, um trabalho feito antecipadamente ao próprio mapeamento. Isso independe de exames de amostras e de resultados desses exames. A datação geológica consiste na observação visual das formações no campo, ou seja, na determinação dos seus contatos, regidos pela Segunda Lei da Sedi- mentação. (v.“ Fundamentos da Geologia”). Ao determinar-se uma formação e seus contatos, determina-se também o período de tempo geológico e todos os acontecimentos desse período inclusive os Paleontológicos, Arqueológicos etc. nunca ao contrário, como se procede atualmente, pois isso prejudica o raciocínio que leva às grandes minas de petróleo ou qualquer outra substância da subsuperfície do globo. O padrão temporal determinado pelos geólogos e paleontólogos do passado é incorreto e deve ser substituído por outro (v. “Código de Nomenclatura Estratigráfica”) mais prático, mais novo, mais fácil e especialmente mais preciso. O novo padrão temporal independe de arbitrariedades humanas (idades em milhões de anos) desde que é apenas fruto da observação visual de um fato da natureza. Ele está determinado no cam- po, desde o princípio do mundo: o que estiver em baixo é sempre mais velho do que aquele que está em cima. Chama-se a isto “Segunda Lei da Sedimentação”. 147