O documento discute diferentes técnicas de demonstração em lógica, incluindo: (1) validade absoluta de argumentos formais vs validade em um contexto específico; (2) técnicas formais vs menos formais; (3) conjecturas, teoremas e contraexemplos.
Em Lógica, estudamoscomo demonstrar a
validade de argumentos formais na forma P → Q.
Neste contexto, a validade do argumento é
absoluta (depende apenas da forma ou estrutura
do argumento e não do conteúdo ou significado
das proposições).
2.
No entanto, muitasvezes queremos provar
argumentos que são verdadeiros em um determinado
contexto (para uma interpretação particular).
Queremos provar que P → Q é verdadeiro para um
contexto específico. Podemos usar fatos que
dependem do contexto como hipóteses e então
provar que o argumento é verdadeiro (Teorema).
3.
Não existe umareceita para demonstração de
Teoremas. Muitas vezes, é muito difícil demonstrar
teoremas utilizando Lógica Formal.
Existem técnicas de demonstração “menos formais”:
‣ não usam elementos das lógicas proposicional e de
predicados;
‣ não são escritas passo a passo, com justificativas formais a
cada passo.
‣ os passos de dedução e raciocínio são explicados em
linguagem natural.
Entretanto, essas demonstrações podem ser descritas com
Lógica Formal.
4.
Conjectura
• Podemos formularuma conjectura por
meio de raciocínio indutivo
‣ concluir algo baseado na experiência
• Podemos entender uma conjectura como
um argumento que não se sabe se é
verdadeiro ou não.
5.
Teorema
• Se provamosque uma conjectura é
verdadeira, então ela se torna um Teorema.
‣ Para isso podemos usar raciocínio dedutivo
(técnicas de demonstração)
• Podemos provar que uma conjectura é falsa
encontrando um contra-exemplo (um caso
em que P é verdadeiro e Q é falso)
6.
Exemplo
• Prove ouencontre um contra-exemplo
para a seguinte conjectura:
‣ “Para todo número inteiro positivo n, n! ≤ n2”.
Sumário
• Técnicas básicasde demonstração
• Primeiro Princípio da Indução
• Segundo Princípio da Indução
9.
Técnicas Básicas de
Demonstração
•Demonstração por Exaustão
• Demonstração Direta
• Demonstração por Contraposição
• Demonstração por Absurdo
10.
Demonstração
Exaustiva
• Se umaconjectura é uma asserção sobre
uma coleção finita de elementos, sua
validade pode ser provada verificando-se se
ela é verdadeira para cada elemento
coleção.
‣ consiste em exaurir todos os casos possíveis.
11.
Exemplo
• Prove aconjectura:
‣ “Se um inteiro entre 1 e 20 é divisível por 6,
então ele é também divisível por 3”
Exemplo
• Prove aconjectura:
‣ Se x e y são números inteiros pares, então o
produto xy é um número inteiro par.
14.
Sabemos que sez é um número inteiro par,
então existe um número inteiro k,
tal que z = 2k. (definição de um número par).
Sejam x = 2m e y = 2n,
onde m e n são inteiros.
Então xy = (2m)(2n) = 2(2mn),
onde 2mn é um inteiro.
Logo o produto xy tem a forma 2k,
onde k = 2mn é um inteiro,
e, portanto, é par, como queríamos
demonstrar
15.
Contraposição
• Demonstração porcontraposição consiste
na técnica de provar P → Q através da
demonstração direta de Q′ → P′.
‣ Sabemos que (Q′ → P′) → (P → Q)
‣ Q′ → P′ é a contrapositiva de (P → Q)
n2 é ímpar→ n é ímpar
A contrapositiva é:
n é par → n2 é par
Temos que n2 = nn
Como n é par, n = 2k.
Assim, n2 = 2k 2k = 2(k+k).
Portanto, n2 é par.
18.
Demonstração por
Absurdo
• (P∧ Q′ → 0) → (P → Q) é uma tautologia
• Assim, para provar a conjectura P → Q,
basta provar que P ∧ Q′ → 0
• Ou seja, em uma demonstração por
absurdo, supomos que a hipótese e a
negação da conclusão são ambas
verdadeiras e tentamos deduzir uma
contradição.
19.
Exemplo
• Prove porabsurdo a proposição:
‣ “Se um número somado a ele mesmo é igual a
ele mesmo, então esse número é 0.”
‣ Se x+x=x, então x=0.
‣ x+x=x → x=0
20.
Proposição: x+x=x →x=0
Suponhamos P ∧ Q′ → 0:
(x+x=x) ∧ (x≠0) → 0
Ou seja, x+x=x e x é diferente de zero.
Assim, 2x=x e x≠0.
Como x≠0, podemos dividir ambos os lados da primeira
equação por x. Logo,
2x/x = x/x
2 = 1
O que é uma contradição, portando x+x=x → x=0.
21.
Técnica
Abordagem para provar
P→ Q
Observações
Exaustão
Demonstrar P → Q
para todos os casos.
É viável apenas para
um número finito de
casos.
Direta Suponha P, deduza Q.
Contraposição Suponha Q′, deduza P′.
Absurdo
Suponha P ∧ Q′,
chegue a uma
contradição.
Indicada para os
casos em que Q diz
que algo não é
verdade.
22.
Exercício
• Prove asseguintes conjecturas:
‣ “Para todo inteiro positivo n, n2+n+1 é primo”;
‣ “Se n=25, 100 ou 169, então n é um quadrado
perfeito e também é uma soma de dois
quadrados perfeitos”;
‣ “a soma de dois inteiros ímpares é par”.
23.
Exercício
• Demonstre que,dados dois números
inteiros positivos x e y,
‣ x < y se, e somente se, x2 < y2
24.
Resumo
• O raciocínioindutivo é usado para formular
uma conjectura baseada na experiência.
• O raciocínio dedutivo é usado para provar
uma conjectura ou refutá-la através de um
contra-exemplo.
• Ao provar uma conjectura sobre algum
assunto, pode-se usar fatos sobre o assunto.
Demonstre que vocêconsegue subir até
o n-ésimo degrau de uma escada!
a) Eu consigo subir até o primeiro degrau.
30.
Demonstre que vocêconsegue subir até
o n-ésimo degrau de uma escada!
b) Estando no primeiro degrau, eu consigo
subir até o segundo.
a) Eu consigo subir até o primeiro degrau.
31.
Demonstre que vocêconsegue subir até
o n-ésimo degrau de uma escada!
b) Estando no primeiro degrau, eu consigo
subir até o segundo.
a) Eu consigo subir até o primeiro degrau.
c) Estando no segundo degrau, eu consigo
subir até o terceiro.
32.
Demonstre que vocêconsegue subir até
o n-ésimo degrau de uma escada!
b) Estando no primeiro degrau, eu consigo
subir até o segundo.
a) Eu consigo subir até o primeiro degrau.
c) Estando no segundo degrau, eu consigo
subir até o terceiro.
...
Demonstre que vocêconsegue subir até
o n-ésimo degrau de uma escada!
a) Eu consigo subir até o primeiro degrau.
35.
Demonstre que vocêconsegue subir até
o n-ésimo degrau de uma escada!
b) Se eu estou em algum degrau, eu
consigo subir até o próximo.
a) Eu consigo subir até o primeiro degrau.
36.
Demonstre que vocêconsegue subir até
o n-ésimo degrau de uma escada!
b) Se eu estou em algum degrau, eu
consigo subir até o próximo.
a) Eu consigo subir até o primeiro degrau.
Portanto, eu consigo subir n degraus.
37.
Primeiro Princípio de
InduçãoMatemática
P(1) ∧ (∀k)[P(k)→P(k+1)] →(∀n)P(n),
k, n são inteiros positivos
P(1) é a base da indução;
(∀k)[P(k)→P(k+1)] é o passo indutivo,
onde P(k) é a hipótese de indução.
Exercício
• Usando oprimeiro princípio de indução,
demonstre que:
‣ A soma dos n primeiros números ímpares é
igual a n2.
‣ Para qualquer inteiro positivo n, o número 22n-1
é divisível por 3.
41.
Sumário
• Técnicas básicasde demonstração
• Primeiro Princípio da Indução
• Segundo Princípio da Indução
• Em geral,as propriedades podem ser
demonstradas por ambas as formas de
indução. Mas, para a maioria dos problemas,
existe uma forma mais apropriada.
‣ A diferença entre as formas está apenas na
hipótese de indução
• Usamos a segunda forma quando:
‣ o problema se divide no meio ao invés de
crescer em um dos lados.
‣ o caso k+1 depende de resultados anteriores a k
Exemplo 2
• Proveque qualquer franquia postal, maior
ou igual a 8 centavos, pode ser obtida
usando-se selos de 3 e 5 centavos.
‣ P(n): para se obter n centavos em selos precisa-
se apenas de selos de 3 e 5 centavos (n ≥ 8)
46.
Resumo
• A InduçãoMatemática é uma técnica para
provar propriedades de números inteiros
positivos
• Uma demonstração por indução não precisa
começar com 1.
• As propriedades podem ser demonstradas
por qualquer um dos princípios de indução,
mas uma das formas pode ser mais
apropriada em cada caso.