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Indicador de aprendizagem
• Enquadrar as relações cidade- campo
  no renascimento de uma economia de
  mercado
• Descrever a configuração da cidade
  medieval
Dos burgos e abadias fortificadas surgem novas cidades

Típicas criações medievais, os burgos e as abadias fortificadas deram origem a novas
cidades, aproveitando-se das condições benéficas dos séculos XI e XII.
Burgo é a denominação das inúmeras fortalezas edificadas nos inseguros séculos IX e
X. Mantinham guarnições permanentes, sediavam os tribunais e as residências dos
grandes senhores e serviam de refúgio às populações vizinhas, tornando-se locais
naturalmente procurados pelos mercadores. Com o crescimento demográfico, eles
ficaram pequenos para abrigar o crescente número de viajantes e comerciantes. Estes
instalaram-se então em subúrbios fora das muralhas,novos burgos. Com o tempo, os os
novos burgos cercaram-se também de muralhas que, envolvendo as antigas
fortificações senhoriais, deram origem a novas cidades. Foi o caso de Bruges e Gand,
na atual região da Bélgica, de Douai e Arras, na atual França.
As abadias, fortificadas para dar maior segurança aos monges, também abrigavam os
camponeses da região em caso das invasões. A revitalização comercial fez com que ao
pé de suas muralhas se estabelecessem núcleos de mercadores, que acabaram
atraindo populações que lá se fixaram permanentemente.
Assim, muitas abadias constituíram os núcleos de novas cidades, que conservaram os
nomes dos santos aos quais eram dedicadas. Foi o que ocorreu com Saint-Omer, Saint-
Girons e Saint-Fargeau, na atual França; com San Marino e San Gimignano, na
península Itálica.
                         ARRUDA, José Jobson ,Toda a história: história geral e do Brasil
•   Embora permanecesse rural, a Europa dos Séculos XII e XIII conheceu um significativo
    crescimento urbano. O desenvolvimento urbano manifestou-se primeiro pelo crescimento
    dos velhos centros populacionais ou burgos. A população aumentara de tal forma que a
    área urbana deixara de a comportar, obrigando à formação de novos bairros fora das
    muralhas. Os burgos de fora foram crescendo na zona de arrabalde, terras vizinhas onde os
    moradores da cidade possuíam campos de cultivo, vinhedos e pomares. A partir dos
    séculos XI e XII em consequência da expansão económica, novas zonas de povoamento
    urbano nasceram fora das primitivas muralhas, dando origem a burgos novos e a novas
    muralhas exteriores. Em muitas delas, começaram a ser edificados novos bairros. Eram
    habitados sobretudo por comerciantes e artesãos e ficavam fora das muralhas, pois já não
    cabiam no seu interior. Esses bairros constituíam o burgo novo. Por isso se deu, ao grupo
    social que aí morava, o nome de burguesia.
Nos séculos XII e XIII, muitas cidades europeias, apesar do seu crescimento,
continuavam sujeitas ao poder dos grandes senhores feudais e sofriam com as normas
feudais que impedia seu crescimento.
Para poder exercer suas atividades as cidades tinham de pagar taxas (Franquia) aos
senhores feudais que, em tese, eram proprietários do espaço físico ocupado. Para
poder pagar a franquia os habitantes se reuniam em confrarias: os artesãos se uniam
nas Corporações de Oficio e os mercadores nas Guildas. As cidades que conseguiam
suas franquias eram chamadas de cidades Francas.
Para se libertarem do poder senhorial, algumas cidades, sob a direcção dos
burgueses mais influentes, tiveram de travar prolongadas lutas, por vezes
violentas para obter a Carta de Franquia. Conquistaram, assim, a sua autonomia e
puderam formar governos próprios. Uma vez libertos da tutela feudal, os antigos
burgos passavam a ser conhecidos como comunas
Eu, Roberto pela graça de Deus, conde de Dreux, quis através de escritura ,
notificar todos os presentes e futuros que, tendo nascido um desacordo entre mim
e os burgueses de Dreux , concordarmos enfim , com este acordo , pelo qual lhe
concedemos ter a comuna que eles tiverem em dias de meu pai.
Para mais , jurámos aos ditos burgueses que não cobrearemos, nós e nossos
sucessores, nenhum imposto sobre os ditos burgueses e não lhe faremos
nenhuma violência.Mas , suspenderemos todas as discórdias através um acordo,
se isto se puder fazer. Se a sua discórdia não puder ser ultrapassada , pôr-lhe –
emos cobro na nossa corte , pelo julgamento de homens sábios e dos nossos fiéis.
Concedemos também aos burgueses que não forçaríamos ninguém da sua
comuna a usar os nossos moinhos nem a pagar outros foros.

                                         Corfirmação da Comuna de Dreux, 1180

1- Indica os aspetos do compromisso tomado pelo conde de Dreux relativamenete
                                                              aos burgueses.
                                                                             .
Em geral, entende-se por comuna uma associação jurada que obtém a confirmação dos
seus usos e costumes , o direito de escolher no seu seio os magistrados que se
encarreguem de defender os seus privilégios e que exerçam em seu nome uma
jurisdição mais ou menos alargada.
 A redação de uma carta de comuna expressa o seu reconhecimento por parte d
autoridade local. Estes textos são antes de mais, uma garantia contra a arbitrariedade .
Eles concediam aos “Conjurados” a liberdade pessoal, corolário da paz , limitam os
impostos , requisições e corveias , fixam os deveres militares dos citadinos , instituem
árbitros encarregados de zelar pela manutenção da paz , bem como julgar e aplicar
sanções.

                                                  M. Balard. A Idade Média no Ocidente

1-Caracteriza as comunas , indicando as suas especificidades em relação às cidades
senhoriais
2- Demonstre como a obtenção de uma carta de comuna possibilitava o
desenvolvimento das cidades medievais.
A obtenção de uma carta de comuna possibilitava o desenvolvimento das cidades
medievais porque naquela estavam definidos os deveres e direitos dos habitantes
das cidades, entre os quais se destacava o direito de se governarem a si próprios,
a definição do montante a pagar de imposto, a limitação dos deveres militares.
A obtenção de uma carta de comuna possibilitou, dessa forma, o
desenvolvimento económico e comercial das cidades medievais e a libertação
dos abusos cometidos pelos senhores feudais nobres e/ou eclesiásticos.
Mapa da cidade de Braga




O ESPAÇO URBANO
·É circundado por muralhas, com altas torres de vigia, fora das quais se
encontra o arrabalde, local onde se fixam os ofícios poluentes e ruidosos,
e o termo, espaço circundante de campos e aldeias.
· Possui vulgarmente uma planta irregular, que se distribui organicamente,
e algumas vezes uma planta regular, de malha ortogonal, ao estilo romano.
· Organiza-se à volta da praça do mercado – a símbolo das actividades
económicas –, da câmara municipal – símbolo das actividades
administrativas – e da catedral – símbolo do poder religioso.
Tem ruas sinuosas e irregulares que se adaptam ao terreno.
Dentro dos limites cercados das cidades, os terrenos eram caríssimos e procurava-se
aproveitar cada centímetro. As contruções, em geral de madeira, eram colocadas
umas às outras, e os andares superiores eram projetados sobre as ruas, que já eram
estreitas, tornando-as ainda mais sombrias. O perigo de incêndio era constante.
O incontrolável crescimento
demográfico dificultava a
observância de padrões de
higiene e de conforto. As
condições sanitárias eram
péssimas: o lixo eram
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eventuais chuvas; até que isso
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Surto urbano 2

  • 1.
  • 2. Indicador de aprendizagem • Enquadrar as relações cidade- campo no renascimento de uma economia de mercado • Descrever a configuração da cidade medieval
  • 3. Dos burgos e abadias fortificadas surgem novas cidades Típicas criações medievais, os burgos e as abadias fortificadas deram origem a novas cidades, aproveitando-se das condições benéficas dos séculos XI e XII. Burgo é a denominação das inúmeras fortalezas edificadas nos inseguros séculos IX e X. Mantinham guarnições permanentes, sediavam os tribunais e as residências dos grandes senhores e serviam de refúgio às populações vizinhas, tornando-se locais naturalmente procurados pelos mercadores. Com o crescimento demográfico, eles ficaram pequenos para abrigar o crescente número de viajantes e comerciantes. Estes instalaram-se então em subúrbios fora das muralhas,novos burgos. Com o tempo, os os novos burgos cercaram-se também de muralhas que, envolvendo as antigas fortificações senhoriais, deram origem a novas cidades. Foi o caso de Bruges e Gand, na atual região da Bélgica, de Douai e Arras, na atual França. As abadias, fortificadas para dar maior segurança aos monges, também abrigavam os camponeses da região em caso das invasões. A revitalização comercial fez com que ao pé de suas muralhas se estabelecessem núcleos de mercadores, que acabaram atraindo populações que lá se fixaram permanentemente. Assim, muitas abadias constituíram os núcleos de novas cidades, que conservaram os nomes dos santos aos quais eram dedicadas. Foi o que ocorreu com Saint-Omer, Saint- Girons e Saint-Fargeau, na atual França; com San Marino e San Gimignano, na península Itálica. ARRUDA, José Jobson ,Toda a história: história geral e do Brasil
  • 4. Embora permanecesse rural, a Europa dos Séculos XII e XIII conheceu um significativo crescimento urbano. O desenvolvimento urbano manifestou-se primeiro pelo crescimento dos velhos centros populacionais ou burgos. A população aumentara de tal forma que a área urbana deixara de a comportar, obrigando à formação de novos bairros fora das muralhas. Os burgos de fora foram crescendo na zona de arrabalde, terras vizinhas onde os moradores da cidade possuíam campos de cultivo, vinhedos e pomares. A partir dos séculos XI e XII em consequência da expansão económica, novas zonas de povoamento urbano nasceram fora das primitivas muralhas, dando origem a burgos novos e a novas muralhas exteriores. Em muitas delas, começaram a ser edificados novos bairros. Eram habitados sobretudo por comerciantes e artesãos e ficavam fora das muralhas, pois já não cabiam no seu interior. Esses bairros constituíam o burgo novo. Por isso se deu, ao grupo social que aí morava, o nome de burguesia.
  • 5. Nos séculos XII e XIII, muitas cidades europeias, apesar do seu crescimento, continuavam sujeitas ao poder dos grandes senhores feudais e sofriam com as normas feudais que impedia seu crescimento. Para poder exercer suas atividades as cidades tinham de pagar taxas (Franquia) aos senhores feudais que, em tese, eram proprietários do espaço físico ocupado. Para poder pagar a franquia os habitantes se reuniam em confrarias: os artesãos se uniam nas Corporações de Oficio e os mercadores nas Guildas. As cidades que conseguiam suas franquias eram chamadas de cidades Francas.
  • 6. Para se libertarem do poder senhorial, algumas cidades, sob a direcção dos burgueses mais influentes, tiveram de travar prolongadas lutas, por vezes violentas para obter a Carta de Franquia. Conquistaram, assim, a sua autonomia e puderam formar governos próprios. Uma vez libertos da tutela feudal, os antigos burgos passavam a ser conhecidos como comunas
  • 7. Eu, Roberto pela graça de Deus, conde de Dreux, quis através de escritura , notificar todos os presentes e futuros que, tendo nascido um desacordo entre mim e os burgueses de Dreux , concordarmos enfim , com este acordo , pelo qual lhe concedemos ter a comuna que eles tiverem em dias de meu pai. Para mais , jurámos aos ditos burgueses que não cobrearemos, nós e nossos sucessores, nenhum imposto sobre os ditos burgueses e não lhe faremos nenhuma violência.Mas , suspenderemos todas as discórdias através um acordo, se isto se puder fazer. Se a sua discórdia não puder ser ultrapassada , pôr-lhe – emos cobro na nossa corte , pelo julgamento de homens sábios e dos nossos fiéis. Concedemos também aos burgueses que não forçaríamos ninguém da sua comuna a usar os nossos moinhos nem a pagar outros foros. Corfirmação da Comuna de Dreux, 1180 1- Indica os aspetos do compromisso tomado pelo conde de Dreux relativamenete aos burgueses. .
  • 8. Em geral, entende-se por comuna uma associação jurada que obtém a confirmação dos seus usos e costumes , o direito de escolher no seu seio os magistrados que se encarreguem de defender os seus privilégios e que exerçam em seu nome uma jurisdição mais ou menos alargada. A redação de uma carta de comuna expressa o seu reconhecimento por parte d autoridade local. Estes textos são antes de mais, uma garantia contra a arbitrariedade . Eles concediam aos “Conjurados” a liberdade pessoal, corolário da paz , limitam os impostos , requisições e corveias , fixam os deveres militares dos citadinos , instituem árbitros encarregados de zelar pela manutenção da paz , bem como julgar e aplicar sanções. M. Balard. A Idade Média no Ocidente 1-Caracteriza as comunas , indicando as suas especificidades em relação às cidades senhoriais 2- Demonstre como a obtenção de uma carta de comuna possibilitava o desenvolvimento das cidades medievais.
  • 9. A obtenção de uma carta de comuna possibilitava o desenvolvimento das cidades medievais porque naquela estavam definidos os deveres e direitos dos habitantes das cidades, entre os quais se destacava o direito de se governarem a si próprios, a definição do montante a pagar de imposto, a limitação dos deveres militares. A obtenção de uma carta de comuna possibilitou, dessa forma, o desenvolvimento económico e comercial das cidades medievais e a libertação dos abusos cometidos pelos senhores feudais nobres e/ou eclesiásticos.
  • 10. Mapa da cidade de Braga O ESPAÇO URBANO ·É circundado por muralhas, com altas torres de vigia, fora das quais se encontra o arrabalde, local onde se fixam os ofícios poluentes e ruidosos, e o termo, espaço circundante de campos e aldeias. · Possui vulgarmente uma planta irregular, que se distribui organicamente, e algumas vezes uma planta regular, de malha ortogonal, ao estilo romano. · Organiza-se à volta da praça do mercado – a símbolo das actividades económicas –, da câmara municipal – símbolo das actividades administrativas – e da catedral – símbolo do poder religioso.
  • 11. Tem ruas sinuosas e irregulares que se adaptam ao terreno. Dentro dos limites cercados das cidades, os terrenos eram caríssimos e procurava-se aproveitar cada centímetro. As contruções, em geral de madeira, eram colocadas umas às outras, e os andares superiores eram projetados sobre as ruas, que já eram estreitas, tornando-as ainda mais sombrias. O perigo de incêndio era constante.
  • 12. O incontrolável crescimento demográfico dificultava a observância de padrões de higiene e de conforto. As condições sanitárias eram péssimas: o lixo eram despejado nas ruas e sua coleta ficava a cargo das eventuais chuvas; até que isso ocorresse, formavam-se montes de detritos, resolvidos por cães e porcos.