Apresentação:
Ddo Marcos Antonio Lopes Pinheiro
Coordenação:
Prof. Leonardo Moura Ferreira de Souza
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
DEPARTAMENTO DE PEDIATRIA
INTERNATO EM PEDIATRIA I– PED I
Natal, RN – 06/05/2013
Caso clínico
 Identificação:
C.R.B, masculino, 08 anos, estudante, procedente
de Natal/RN
Caso clínico
 QP e HDA:
Mãe relata que a criança desde o primeiro ano de vida
apresenta máculas hiperpigmentadas disseminadas pelo
corpo, e que as mesmas vem aumentando de tamanho e
número.
Diz que atualmente, ter notado 28 máculas pelo corpo
do filho.
Nega febre, sudorese, cefaléia, convulsão, diminuição
da acuidade visual, dor óssea, artralgia, mialgia.
Caso clínico
 APF:
Filho mais novo de uma prole de três;
Mãe relata que teve pré-natal de alto risco (Diabetes
Mellitus gestacional);
Refere atraso no DNPM da criança, começou a andar e
falar mais tarde (não soube precisar quando), apresenta
dificuldade no aprendizado (não sabe ler, escrever, fazer
contas...) e relata quedas constantes, mais quando corre.
Caso clínico
 APP:
Refere que ao nascer apresentou quadro de cianose e
foi diagnosticado com “coração crescido”, mas não
prosseguiu com acompanhamento cardiológico.
Nega alergias, cirurgias, transfusões sanguíneas, uso
de medicamentos e doenças.
 AF:
Pais e Irmãos saudáveis
Caso clínico
 HV: Ndn
 Exames complementares:
22/04/13: Hb: 13,2g/dL, Hct: 39%, Leuco: 5100
cél/mm3(seg: 50%, linf: 40%), glicose: 70mg/dL,
EPF: ausência de crescimento de cistos ou helmintos
EAS: Hm 2pc e leuco 6pc
Caso clínico
 Exame Físico:
EGB, vigil, hidratado, corado, acianótico, anictérico, eupinéico, b
oa perfusão tissular, sem linfonodomegalias.
ACV: RCR, 2T, BNF, s/ sopros, Fc: 84bpm.
AP: MV(+), simétrico, s/RA, Fr: 2oipm.
Abd: Plano, flácido, RHA(+), sem visceromegalias e sem dor à
palpação superficial e dolorosa.
MMII: s/ edema.
Genitália: Testículos tópicos, prepúcio retraível e Tanner: G1?P1
ME/AO: Presença de escoliose postural.
Neuro: Instabilidade postural, Força e sensibilidade
preservada, s/ SIMR.
Pele: Presença de efélides axilares bilateralmente, e máculas
hiperpigmentadas por todo o corpo .
Caso clínico
Caso clínico
MANCHAS -CAFÉ - COM LEITE
HIPÓTESES DIAGNÓSTICAS BASEADA EM CAUSAS DE MANCHAS
CAFÉ-COM-LEITE
Doença de von Recklinghausen's ( Neurofibromatose tipo I )
Síndrome de McCune-Albright
Nevo basocelular
Doença de Von Hippel-Lindau
Anemia de Fanconi
Esclerose tuberosa
Nanismo de Silver-Russell
Ataxia telangiectasia
Síndrome de Bloom
Doença de Gaucher
Síndrome de Chédiak-Higashi
Síndrome de Hunter
Síndrome de Marfan
Síndrome de Maffucci
Síndrome de Peutz-Jeghers
Neoplasia endócrina múltipla tipo 2
Doença de von Recklinghausen's
 Epidemiologia e Patogênese:
Acomete 1 para cada 3000 indivíduos
Doença autossômica dominante de penetrância
completa
Expressão altamente variável
Doença de von Recklinghausen's
 Epidemiologia e Patogênese:
Defeito genético ocorre no cromossomo 17q11.2
Codifica a proteína Neurofibrina
Metade são familiares e a outra metade é
resultante de uma nova mutação (existem várias
catalogadas)
Doença de von Recklinghausen's
 Critérios de diagnóstico:
1) Seis ou mais manchas café-com-leite com tamanho maior que 5mm
em púberes e 15mm em pós-púberes
2) Efélides axilares ou inguinais
3) Dois ou mais nódulos de Lisch
4) Dois ou mais neurofibromas de qualquer tipo
5) Lesões ósseas (como displasia do esfenoide ou adelgaçamento do
córtex de ossos longos com ou sem pseudoartrose)
6) Glioma óptico
7) Parente de primeiro grau com NF-I
Manchas café-com-leite-> sardas axilares -> Lisch nódulos -> neurofibromas
Lesões ósseas (1 ano) e Glioma Óptico (3 anos)
Doença de von Recklinghausen's
 Manchas café-com-leite:
Aparece no primeiro ano de vida
Aumenta de número na infância até estabilizar
 Efélides
Aparecem normalmente com 4-5 anos
Doença de von Recklinghausen's
 Neurofibromas:
Tumores benignos, que são compostos de uma mistura de células
de Schwann, fibroblastos e mastócitos.
Os quatro tipos de neurofibromas são:
1) Cutânea- (+) comum, aparecem na adolecência e não apresentam risco
de malignidade, são indolores, mas causam problemas estéticos
2) Subcutâneo- Nódulos dolorosos ao longo do curso dos nervos
periféricos.
3 e 4) Nodular e Difusa plexiforme- Agrupamentos complexos ao longo
das raízes nervosas e de grandes nervos, e são dolorosos.
Doença de von Recklinghausen's
Doença de von Recklinghausen's
 Nódulos de lisch (hamartomas da íris)
Específico para NF1
Detectado em menos de 10% das crianças e mais de
90% dos adultos
Oftalmoscópio
Doença de von Recklinghausen's
 Anormalidades ósseas
- Pseudoartrose
- Afinamento cortical dos ossos longos com maior risco de
fratura
- Baixa estatura
- Escoliose e cifose
- Osteoporose
Doença de von Recklinghausen's
 Tumores
Maior risco tanto para benignos quanto para malignos 5-15%
- Gliomas da via óptica:
+ comum , 15% das crianças com menos de 6 anos, raro
depois
Minoria sintomático por efeito em massa(alterações
visuais, puberdade precoce)
- Outros: Astrocitomas e gliomas do tronco cerebral
(HIC), neurofibrosarcomas, sarcomas de partes
moles, feocromocitoma/GIST
Doença de von Recklinghausen's
Doença de von Recklinghausen's
 Desordens neurológicas:
Déficits cognitivos com dificuldade de aprendizagem
(escrita, leitura, matemática)
Anomalias na coordenação motora grossa e fina
Convulsões (4,2%)
Macrocefalia
Alterações de neuroimagem (áreas focais com
hipersinal/pontos brilhantes em T2) visto em 60-70%
Doença de von Recklinghausen's
 Tratamento:
Não há cura
Agir nas complicações
1 - Cirurgia ortopédica para correção de pseudo-artrose e escoliose;
2 -Cirurgia plástica na remoção de tumores, principalmente, em áreas de
atrito e os tumores que causam alguma alteração funcional do paciente.
3 -Neurocirurgia para prevenir sérias complicações decorridas do
desenvolvimento de tumores cerebral e espinhal.
Doença de von Recklinghausen's
 Manejo:
Monitorar o progresso do desenvolvimento da criança
(PC, estatura, estágios puberais, TA...)
Exames neurológicos cuidadosos anuais
Apoio acadêmico
Aconselhamento genético e avaliação dos pais
(dermatológico e oftalmológico)
Exames de imagem (RNM) se déficit específico
Equipe multidisciplinar (fisioterapeuta, terapia
ocupacional, neurologia
pediátrica, oftalmologia, dermatologista, cirurgião
plástico, geneticista)
Doença de von Recklinghausen's
 Referência bibliográfica:
 Kasper, DL. et al. Harrison Medicina Interna, v.2. 16ª. Edição. Rio de Jan
eiro: McGraw-Hill, 2006.
 Lopes AC, Amato Neto, V. TRATADO DE CLÍNICA MÉDICA - 3 VOL. 1ª
Edição. São Paulo: Roca, 2006.
Obrigado.
“Seja humilde, pois, até o sol com toda sua grandeza se põe e deixa a lua brilhar.”

Doença de von Recklinghausen's ( Neurofibromatose Tipo I )

  • 1.
    Apresentação: Ddo Marcos AntonioLopes Pinheiro Coordenação: Prof. Leonardo Moura Ferreira de Souza UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE DEPARTAMENTO DE PEDIATRIA INTERNATO EM PEDIATRIA I– PED I Natal, RN – 06/05/2013
  • 2.
    Caso clínico  Identificação: C.R.B,masculino, 08 anos, estudante, procedente de Natal/RN
  • 3.
    Caso clínico  QPe HDA: Mãe relata que a criança desde o primeiro ano de vida apresenta máculas hiperpigmentadas disseminadas pelo corpo, e que as mesmas vem aumentando de tamanho e número. Diz que atualmente, ter notado 28 máculas pelo corpo do filho. Nega febre, sudorese, cefaléia, convulsão, diminuição da acuidade visual, dor óssea, artralgia, mialgia.
  • 4.
    Caso clínico  APF: Filhomais novo de uma prole de três; Mãe relata que teve pré-natal de alto risco (Diabetes Mellitus gestacional); Refere atraso no DNPM da criança, começou a andar e falar mais tarde (não soube precisar quando), apresenta dificuldade no aprendizado (não sabe ler, escrever, fazer contas...) e relata quedas constantes, mais quando corre.
  • 5.
    Caso clínico  APP: Refereque ao nascer apresentou quadro de cianose e foi diagnosticado com “coração crescido”, mas não prosseguiu com acompanhamento cardiológico. Nega alergias, cirurgias, transfusões sanguíneas, uso de medicamentos e doenças.  AF: Pais e Irmãos saudáveis
  • 6.
    Caso clínico  HV:Ndn  Exames complementares: 22/04/13: Hb: 13,2g/dL, Hct: 39%, Leuco: 5100 cél/mm3(seg: 50%, linf: 40%), glicose: 70mg/dL, EPF: ausência de crescimento de cistos ou helmintos EAS: Hm 2pc e leuco 6pc
  • 7.
    Caso clínico  ExameFísico: EGB, vigil, hidratado, corado, acianótico, anictérico, eupinéico, b oa perfusão tissular, sem linfonodomegalias. ACV: RCR, 2T, BNF, s/ sopros, Fc: 84bpm. AP: MV(+), simétrico, s/RA, Fr: 2oipm. Abd: Plano, flácido, RHA(+), sem visceromegalias e sem dor à palpação superficial e dolorosa. MMII: s/ edema. Genitália: Testículos tópicos, prepúcio retraível e Tanner: G1?P1 ME/AO: Presença de escoliose postural. Neuro: Instabilidade postural, Força e sensibilidade preservada, s/ SIMR. Pele: Presença de efélides axilares bilateralmente, e máculas hiperpigmentadas por todo o corpo .
  • 8.
  • 10.
  • 12.
  • 13.
    HIPÓTESES DIAGNÓSTICAS BASEADAEM CAUSAS DE MANCHAS CAFÉ-COM-LEITE Doença de von Recklinghausen's ( Neurofibromatose tipo I ) Síndrome de McCune-Albright Nevo basocelular Doença de Von Hippel-Lindau Anemia de Fanconi Esclerose tuberosa Nanismo de Silver-Russell Ataxia telangiectasia Síndrome de Bloom Doença de Gaucher Síndrome de Chédiak-Higashi Síndrome de Hunter Síndrome de Marfan Síndrome de Maffucci Síndrome de Peutz-Jeghers Neoplasia endócrina múltipla tipo 2
  • 14.
    Doença de vonRecklinghausen's  Epidemiologia e Patogênese: Acomete 1 para cada 3000 indivíduos Doença autossômica dominante de penetrância completa Expressão altamente variável
  • 15.
    Doença de vonRecklinghausen's  Epidemiologia e Patogênese: Defeito genético ocorre no cromossomo 17q11.2 Codifica a proteína Neurofibrina Metade são familiares e a outra metade é resultante de uma nova mutação (existem várias catalogadas)
  • 16.
    Doença de vonRecklinghausen's  Critérios de diagnóstico: 1) Seis ou mais manchas café-com-leite com tamanho maior que 5mm em púberes e 15mm em pós-púberes 2) Efélides axilares ou inguinais 3) Dois ou mais nódulos de Lisch 4) Dois ou mais neurofibromas de qualquer tipo 5) Lesões ósseas (como displasia do esfenoide ou adelgaçamento do córtex de ossos longos com ou sem pseudoartrose) 6) Glioma óptico 7) Parente de primeiro grau com NF-I Manchas café-com-leite-> sardas axilares -> Lisch nódulos -> neurofibromas Lesões ósseas (1 ano) e Glioma Óptico (3 anos)
  • 17.
    Doença de vonRecklinghausen's  Manchas café-com-leite: Aparece no primeiro ano de vida Aumenta de número na infância até estabilizar  Efélides Aparecem normalmente com 4-5 anos
  • 18.
    Doença de vonRecklinghausen's  Neurofibromas: Tumores benignos, que são compostos de uma mistura de células de Schwann, fibroblastos e mastócitos. Os quatro tipos de neurofibromas são: 1) Cutânea- (+) comum, aparecem na adolecência e não apresentam risco de malignidade, são indolores, mas causam problemas estéticos 2) Subcutâneo- Nódulos dolorosos ao longo do curso dos nervos periféricos. 3 e 4) Nodular e Difusa plexiforme- Agrupamentos complexos ao longo das raízes nervosas e de grandes nervos, e são dolorosos.
  • 19.
    Doença de vonRecklinghausen's
  • 20.
    Doença de vonRecklinghausen's  Nódulos de lisch (hamartomas da íris) Específico para NF1 Detectado em menos de 10% das crianças e mais de 90% dos adultos Oftalmoscópio
  • 21.
    Doença de vonRecklinghausen's  Anormalidades ósseas - Pseudoartrose - Afinamento cortical dos ossos longos com maior risco de fratura - Baixa estatura - Escoliose e cifose - Osteoporose
  • 22.
    Doença de vonRecklinghausen's  Tumores Maior risco tanto para benignos quanto para malignos 5-15% - Gliomas da via óptica: + comum , 15% das crianças com menos de 6 anos, raro depois Minoria sintomático por efeito em massa(alterações visuais, puberdade precoce) - Outros: Astrocitomas e gliomas do tronco cerebral (HIC), neurofibrosarcomas, sarcomas de partes moles, feocromocitoma/GIST
  • 23.
    Doença de vonRecklinghausen's
  • 24.
    Doença de vonRecklinghausen's  Desordens neurológicas: Déficits cognitivos com dificuldade de aprendizagem (escrita, leitura, matemática) Anomalias na coordenação motora grossa e fina Convulsões (4,2%) Macrocefalia Alterações de neuroimagem (áreas focais com hipersinal/pontos brilhantes em T2) visto em 60-70%
  • 25.
    Doença de vonRecklinghausen's  Tratamento: Não há cura Agir nas complicações 1 - Cirurgia ortopédica para correção de pseudo-artrose e escoliose; 2 -Cirurgia plástica na remoção de tumores, principalmente, em áreas de atrito e os tumores que causam alguma alteração funcional do paciente. 3 -Neurocirurgia para prevenir sérias complicações decorridas do desenvolvimento de tumores cerebral e espinhal.
  • 26.
    Doença de vonRecklinghausen's  Manejo: Monitorar o progresso do desenvolvimento da criança (PC, estatura, estágios puberais, TA...) Exames neurológicos cuidadosos anuais Apoio acadêmico Aconselhamento genético e avaliação dos pais (dermatológico e oftalmológico) Exames de imagem (RNM) se déficit específico Equipe multidisciplinar (fisioterapeuta, terapia ocupacional, neurologia pediátrica, oftalmologia, dermatologista, cirurgião plástico, geneticista)
  • 27.
    Doença de vonRecklinghausen's  Referência bibliográfica:  Kasper, DL. et al. Harrison Medicina Interna, v.2. 16ª. Edição. Rio de Jan eiro: McGraw-Hill, 2006.  Lopes AC, Amato Neto, V. TRATADO DE CLÍNICA MÉDICA - 3 VOL. 1ª Edição. São Paulo: Roca, 2006.
  • 28.
    Obrigado. “Seja humilde, pois,até o sol com toda sua grandeza se põe e deixa a lua brilhar.”