ENTREVISTA  Profa. Dra. Lucila Pesce Profa. Dra. Sonia Ignácio Metodologia de Pesquisa
Observações gerais A entrevista aumenta sensivelmente a taxa de resposta, em relação ao questionário. Entrevista (entre + vista) = ato de perceber realizado entre duas pessoas. Questionários e entrevistas como técnicas de observação direta. Questionários e entrevistas são valiosos instrumentos de coleta, mas não um fim em si mesmos.
Observações gerais Ao formular as perguntas, deve-se observar se não está dirigindo o entrevistado (ex: o senhor não acha que...?). Enquanto pesquisador, ter ciência de que sua ideologia permeia a pesquisa social. Em ciências humanas, não existe objeto de pesquisa; pesquisador e pesquisado são sujeitos de um processo em desenvolvimento.
É na  realização  de Entrevistas que se situa o  fazer  História Oral Elaboração dos roteiros das entrevistas Produção de instrumentos de controle e de acompanhamento Carta de cessão de direitos dos depoimentos Especificidade da relação que se estabelece com o Entrevistado
Pesquisando o objeto de estudo Investigação exaustiva do objeto de estudo, em fontes primárias e secundárias (sempre que possível), para posterior planejamento e execução das entrevistas
Tipologia Estruturada ou dirigida: Permite um grau mínimo de liberdade e aprofundamento. Formulada a partir de perguntas precisas, pré-formuladas, com ordem pré-estabelecida. Sua padronização facilita o tratamento de dados.
Tipologia Semi-estruturada ou guiada: Permite um grau médio de liberdade e aprofundamento. Assim como na entrevista não dirigida, o objetivo é obter relatos nas próprias palavras do entrevistado. Formulada a partir de um guia de temas, sem pré-formular questões e sem pré-estabelecer a ordem delas. O entrevistador conhece previamente os aspectos que deseja pesquisar e formula alguns pontos a tratar (o guia da entrevista).
Tipologia Semi-estruturada ou guiada: Ao formular o guia, colocar-se no papel do entrevistado, sobretudo se for arrolado algum tema delicado (ex: preconceito). Se necessário, o guia pode conter lembretes vinculados a uma dada questão. (ex: que trabalho a senhora faz? Lembretes – conceito de trabalho, tipos de trabalho, diferenças entre trabalho do homem e da mulher, conflitos pessoais). O objetivo do guia e dos lembretes é proporcionar ao pesquisador uma lista de aspectos que devem ser enfocados na entrevista.
Tipologia Não estruturada ou não diretiva: Também chamada de entrevista em profundidade. Tem um caráter exploratório.  Assim como na entrevista guiada, o objetivo é obter relatos nas próprias palavras do entrevistado. Utilizada quando se quer obter do entrevistado e que ele considera mais relevante de determinado problema, ou, ainda, para detectar atitudes, motivações e opiniões dos entrevistados.
Tipologia Não estruturada ou não diretiva: Permite um grau máximo de liberdade e aprofundamento. Todavia, o tratamento de dados é mais complexo que nas modalidades acima. Não há um guia; ao contrário, o entrevistador apenas orienta e estimula o entrevistado, para que ele desenvolva suas opiniões da maneira que estimar conveniente.  A entrevista não estruturada pode ser de pesquisa, de seleção ou de aconselhamento.
Tipologia Não estruturada ou não diretiva: No caso de entrevista de pesquisa, os objetivos são: a) obter informações do entrevistado (de fato que conheça ou do seu comportamento); b) conhecer a opinião do entrevistado, explorar suas atividades e motivações; c) mudar opiniões ou atitudes, modificar comportamentos (ex: criança difícil).  Princípios: a) não dirigir o entrevistado, apenas guiá-lo; b) levar o entrevistado a precisar, desenvolver e aprofundar os pontos que coloca espontaneamente; c) facilitar o processo da entrevista (para manter o foco, retornar às colocações feitas pelo entrevistado); d) esclarecer a importância do problema para o entrevistador.
Roteiros das entrevistas  Roteiro geral  para:  1) sintetizar as questões levantadas a partir da pesquisa em fontes primárias e secundárias;  2) orientar as atividades subseqüentes
Roteiros das entrevistas  Roteiro individual : instrumento de consulta e de apoio durante a entrevista. Roteiro parcial : desdobramento do roteiro individual, é elaborado a partir das entrevistas   efetuadas
Preparação de uma Entrevista Seleção do entrevistado Escolha do(s) pesquisador(es) Contato inicial: relevância do depoimento para a pesquisa; franqueza na descrição dos propósitos do trabalho e na condução da entrevista; respeito pelo entrevistado e por suas posições Cessão de direitos da entrevista (esclarecer a necessidade desse contrato, que será selado ao final do conjunto de entrevistas)
Realização da entrevista A relação de entrevista  (códigos e padrões de conduta específicos; interesse comum pelo tema; criação de um clima de confiança e diálogo; escutar e intervir apropriadamente; singularidade de cada entrevista)
Realização da entrevista As circunstâncias da entrevista: o local  da entrevista (decisão conjunta, conforto e funcionalidade, evitar a dispersão);  a duração  (respeitar os limites do entrevistado, especialmente; avaliação do momento apropriado para encerrar uma sessão);  apresentação física do entrevistador  (deve adequar-se à realidade e ambientação do entrevistado);  outras pessoas presentes à entrevista  (não é adequado);  o gravador  (é meio e não fim).
INSTRUMENTOS DE ACOMPANHAMENTO    DA ENTREVISTA Ficha da entrevista  (instrumento de controle geral da pesquisa, inicia-se na preparação da mesma, devendo ser atualizada e arquivada em ordem alfabética). Deve conter: nome/endereço do entrevistado, tipo de entrevista, nomes dos pesquisadores e entrevistadores (ver p. 67) Caderno de campo  (deve ser elaborado pelo entrevistador, ao final de cada sessão de entrevista). Deve conter: observações sobre o entrevistado, a relação estabelecida, reações diversas, dificuldades, etc.
Etapas Introdução: Explicações e solicitações (o que se pretende e por que se está fazendo a entrevista). Explicar o objetivo da entrevista. Assegurar o anonimato e o sigilo das respostas. Explicitar que as opiniões e experiências do entrevistado são relevantes. Deixar o entrevistado livre para interromper, a qualquer momento. Antes de gravar, solicitar autorização.
Etapas Início: Utilizado para conhecer as características sociodemográficas. Pode ser apresentado em folha. Dados usuais (avaliá-los, de acordo com a problemática de pesquisa): a) nome do entrevistado e no. da entrevista; b) data; c) lugar; d) sexo do entrevistado; e) idade; f) nível de escolaridade; g) endereço; h) naturalidade; i) ocupação (no caso de estar trabalhando).
Etapas Transcrição: A entrevista deve ser transcrita e analisada. Em geral, se gasta para transcrever o dobro do tempo da entrevista. Em entrevistas não diretivas, não mais que 20, pela complexidade da análise.
Condução da entrevista Melhor em dupla ( divisão das tarefas de condução da entrevista e controle técnico);  No máximo três (mais do que isso vira debate).
Condução da entrevista Atitude dos pesquisadores  (baseada na ética e respeito ao entrevistado):  conversa (diálogo informal e prolongado);  informar o depoente (sobre: a carta de cessão, os objetivos e destino da entrevista;  desligar o gravador sempre que solicitado; atender a eventuais solicitações do entrevistado.
Condução da entrevista PRESTAR ATENÇÃO permanente, OLHANDO para o entrevistado, EXPRESSANDO o acompanhamento e compreensão do relato. Conduzir a entrevista com CALMA e TRANQUILIDADE, evitando expressar impaciência ou ansiedade para encerrar o depoimento, cobrir os pontos do roteiro, ou questionar o que está sendo dito.  Aprender a conviver com os SILÊNCIOS, aguardando que o entrevistado recomponha sua narrativa.
Dicas Crie um clima de cordialidade com o entrevistado. Ajude-o a adquirir confiança. Não apresse o entrevistado e permita que ele conclua seu relato (cuidado para não atropelá-lo), evitando autoritarismo ou ser o protagonista. Formule perguntas compreensíveis, evitando as de caráter pessoal, ou privado. Não discuta a partir das conseqüências das respostas, não dê conselhos, não faça considerações moralistas.
Referências bibliográficas ALBERTI, Verena.  História Oral:  a experiência do CPDOC. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, 1989, p. 45-100. LAVILLE, C. & DIONNE, J. Entrevistas. In: ______.  A construção do saber :  manual de metodologia de pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed, 1999. pp. 186-190. RICHARDSON, R. J. Entrevista. In: ______.  Pesquisa social:  métodos e técnicas. 3ª ed. ver. ampl. São Paulo: Editora Atlas, 1999. pp. 207-219.

Entrevista

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    ENTREVISTA Profa.Dra. Lucila Pesce Profa. Dra. Sonia Ignácio Metodologia de Pesquisa
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    Observações gerais Aentrevista aumenta sensivelmente a taxa de resposta, em relação ao questionário. Entrevista (entre + vista) = ato de perceber realizado entre duas pessoas. Questionários e entrevistas como técnicas de observação direta. Questionários e entrevistas são valiosos instrumentos de coleta, mas não um fim em si mesmos.
  • 3.
    Observações gerais Aoformular as perguntas, deve-se observar se não está dirigindo o entrevistado (ex: o senhor não acha que...?). Enquanto pesquisador, ter ciência de que sua ideologia permeia a pesquisa social. Em ciências humanas, não existe objeto de pesquisa; pesquisador e pesquisado são sujeitos de um processo em desenvolvimento.
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    É na realização de Entrevistas que se situa o fazer História Oral Elaboração dos roteiros das entrevistas Produção de instrumentos de controle e de acompanhamento Carta de cessão de direitos dos depoimentos Especificidade da relação que se estabelece com o Entrevistado
  • 5.
    Pesquisando o objetode estudo Investigação exaustiva do objeto de estudo, em fontes primárias e secundárias (sempre que possível), para posterior planejamento e execução das entrevistas
  • 6.
    Tipologia Estruturada oudirigida: Permite um grau mínimo de liberdade e aprofundamento. Formulada a partir de perguntas precisas, pré-formuladas, com ordem pré-estabelecida. Sua padronização facilita o tratamento de dados.
  • 7.
    Tipologia Semi-estruturada ouguiada: Permite um grau médio de liberdade e aprofundamento. Assim como na entrevista não dirigida, o objetivo é obter relatos nas próprias palavras do entrevistado. Formulada a partir de um guia de temas, sem pré-formular questões e sem pré-estabelecer a ordem delas. O entrevistador conhece previamente os aspectos que deseja pesquisar e formula alguns pontos a tratar (o guia da entrevista).
  • 8.
    Tipologia Semi-estruturada ouguiada: Ao formular o guia, colocar-se no papel do entrevistado, sobretudo se for arrolado algum tema delicado (ex: preconceito). Se necessário, o guia pode conter lembretes vinculados a uma dada questão. (ex: que trabalho a senhora faz? Lembretes – conceito de trabalho, tipos de trabalho, diferenças entre trabalho do homem e da mulher, conflitos pessoais). O objetivo do guia e dos lembretes é proporcionar ao pesquisador uma lista de aspectos que devem ser enfocados na entrevista.
  • 9.
    Tipologia Não estruturadaou não diretiva: Também chamada de entrevista em profundidade. Tem um caráter exploratório. Assim como na entrevista guiada, o objetivo é obter relatos nas próprias palavras do entrevistado. Utilizada quando se quer obter do entrevistado e que ele considera mais relevante de determinado problema, ou, ainda, para detectar atitudes, motivações e opiniões dos entrevistados.
  • 10.
    Tipologia Não estruturadaou não diretiva: Permite um grau máximo de liberdade e aprofundamento. Todavia, o tratamento de dados é mais complexo que nas modalidades acima. Não há um guia; ao contrário, o entrevistador apenas orienta e estimula o entrevistado, para que ele desenvolva suas opiniões da maneira que estimar conveniente. A entrevista não estruturada pode ser de pesquisa, de seleção ou de aconselhamento.
  • 11.
    Tipologia Não estruturadaou não diretiva: No caso de entrevista de pesquisa, os objetivos são: a) obter informações do entrevistado (de fato que conheça ou do seu comportamento); b) conhecer a opinião do entrevistado, explorar suas atividades e motivações; c) mudar opiniões ou atitudes, modificar comportamentos (ex: criança difícil). Princípios: a) não dirigir o entrevistado, apenas guiá-lo; b) levar o entrevistado a precisar, desenvolver e aprofundar os pontos que coloca espontaneamente; c) facilitar o processo da entrevista (para manter o foco, retornar às colocações feitas pelo entrevistado); d) esclarecer a importância do problema para o entrevistador.
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    Roteiros das entrevistas Roteiro geral para: 1) sintetizar as questões levantadas a partir da pesquisa em fontes primárias e secundárias; 2) orientar as atividades subseqüentes
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    Roteiros das entrevistas Roteiro individual : instrumento de consulta e de apoio durante a entrevista. Roteiro parcial : desdobramento do roteiro individual, é elaborado a partir das entrevistas efetuadas
  • 14.
    Preparação de umaEntrevista Seleção do entrevistado Escolha do(s) pesquisador(es) Contato inicial: relevância do depoimento para a pesquisa; franqueza na descrição dos propósitos do trabalho e na condução da entrevista; respeito pelo entrevistado e por suas posições Cessão de direitos da entrevista (esclarecer a necessidade desse contrato, que será selado ao final do conjunto de entrevistas)
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    Realização da entrevistaA relação de entrevista (códigos e padrões de conduta específicos; interesse comum pelo tema; criação de um clima de confiança e diálogo; escutar e intervir apropriadamente; singularidade de cada entrevista)
  • 16.
    Realização da entrevistaAs circunstâncias da entrevista: o local da entrevista (decisão conjunta, conforto e funcionalidade, evitar a dispersão); a duração (respeitar os limites do entrevistado, especialmente; avaliação do momento apropriado para encerrar uma sessão); apresentação física do entrevistador (deve adequar-se à realidade e ambientação do entrevistado); outras pessoas presentes à entrevista (não é adequado); o gravador (é meio e não fim).
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    INSTRUMENTOS DE ACOMPANHAMENTO DA ENTREVISTA Ficha da entrevista (instrumento de controle geral da pesquisa, inicia-se na preparação da mesma, devendo ser atualizada e arquivada em ordem alfabética). Deve conter: nome/endereço do entrevistado, tipo de entrevista, nomes dos pesquisadores e entrevistadores (ver p. 67) Caderno de campo (deve ser elaborado pelo entrevistador, ao final de cada sessão de entrevista). Deve conter: observações sobre o entrevistado, a relação estabelecida, reações diversas, dificuldades, etc.
  • 18.
    Etapas Introdução: Explicaçõese solicitações (o que se pretende e por que se está fazendo a entrevista). Explicar o objetivo da entrevista. Assegurar o anonimato e o sigilo das respostas. Explicitar que as opiniões e experiências do entrevistado são relevantes. Deixar o entrevistado livre para interromper, a qualquer momento. Antes de gravar, solicitar autorização.
  • 19.
    Etapas Início: Utilizadopara conhecer as características sociodemográficas. Pode ser apresentado em folha. Dados usuais (avaliá-los, de acordo com a problemática de pesquisa): a) nome do entrevistado e no. da entrevista; b) data; c) lugar; d) sexo do entrevistado; e) idade; f) nível de escolaridade; g) endereço; h) naturalidade; i) ocupação (no caso de estar trabalhando).
  • 20.
    Etapas Transcrição: Aentrevista deve ser transcrita e analisada. Em geral, se gasta para transcrever o dobro do tempo da entrevista. Em entrevistas não diretivas, não mais que 20, pela complexidade da análise.
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    Condução da entrevistaMelhor em dupla ( divisão das tarefas de condução da entrevista e controle técnico); No máximo três (mais do que isso vira debate).
  • 22.
    Condução da entrevistaAtitude dos pesquisadores (baseada na ética e respeito ao entrevistado): conversa (diálogo informal e prolongado); informar o depoente (sobre: a carta de cessão, os objetivos e destino da entrevista; desligar o gravador sempre que solicitado; atender a eventuais solicitações do entrevistado.
  • 23.
    Condução da entrevistaPRESTAR ATENÇÃO permanente, OLHANDO para o entrevistado, EXPRESSANDO o acompanhamento e compreensão do relato. Conduzir a entrevista com CALMA e TRANQUILIDADE, evitando expressar impaciência ou ansiedade para encerrar o depoimento, cobrir os pontos do roteiro, ou questionar o que está sendo dito. Aprender a conviver com os SILÊNCIOS, aguardando que o entrevistado recomponha sua narrativa.
  • 24.
    Dicas Crie umclima de cordialidade com o entrevistado. Ajude-o a adquirir confiança. Não apresse o entrevistado e permita que ele conclua seu relato (cuidado para não atropelá-lo), evitando autoritarismo ou ser o protagonista. Formule perguntas compreensíveis, evitando as de caráter pessoal, ou privado. Não discuta a partir das conseqüências das respostas, não dê conselhos, não faça considerações moralistas.
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    Referências bibliográficas ALBERTI,Verena. História Oral: a experiência do CPDOC. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, 1989, p. 45-100. LAVILLE, C. & DIONNE, J. Entrevistas. In: ______. A construção do saber : manual de metodologia de pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed, 1999. pp. 186-190. RICHARDSON, R. J. Entrevista. In: ______. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3ª ed. ver. ampl. São Paulo: Editora Atlas, 1999. pp. 207-219.