Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                            co             a         a
                                                                                  ´
                                                                                 MODULO 1 – AULA 1


  Aula 1 – Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
              co             a         a

Objetivo
   • Apresentar as fun¸˜es de v´rias vari´veis.
                      co       a         a


 Introdu¸˜o
        ca

     A partir desta aula, at´ o fim do semestre, o foco de nossas aten¸˜es ser´
                              e                                      co      a
as fun¸˜es de v´rias vari´veis. Vocˆ j´ estudou as fun¸˜es reais e vetoriais
      co          a        a         e a                 co
de uma vari´vel que servem para descrever fenˆmenos que dependem de um
             a                                 o
unico parˆmetro ou vari´vel. Como exemplos, vocˆ pode tomar a posi¸˜o
´         a                a                         e                     ca
de uma part´   ıcula, a sua velocidade e a sua acelera¸˜o. Nesses casos, os
                                                       ca
fenˆmenos variam em fun¸˜o do tempo. No entanto, h´ diversas situa¸˜es
   o                         ca                           a               co
nas quais o resultado depende de mais de uma vari´vel. Vamos a um exemplo.
                                                  a
      Podemos usar uma fun¸˜o para descrever as diversas temperaturas em
                           ca
diferentes pontos de uma dada placa de metal. Isto ´, a cada ponto P da
                                                    e
placa associamos a sua temperatura T (P ), dada em graus Celsius, digamos.
     Muito bem; para determinarmos um ponto em uma placa, precisamos
de duas informa¸˜es: uma latitude e uma longitude. Isto ´, necessitamos de
               co                                       e
duas coordenadas. Ou seja, T ´ uma fun¸˜o de duas vari´veis.
                              e       ca               a
      Veja uma outra situa¸˜o. Dado um corpo com a forma de um parale-
                          ca
lep´
   ıpedo, podemos associar a cada um de seus pontos P a densidade δ(P )
do objeto nesse exato ponto. Isso nos d´ uma fun¸˜o δ, que depende de trˆs
                                       a          ca                    e
vari´veis, uma vez que, para localizar um ponto no paralelogramo, necessi-
    a
tamos de trˆs informa¸˜es: altura, largura e profundidade.
            e         co
     Vocˆ seria capaz de imaginar uma situa¸˜o que demandasse uma fun¸˜o
         e                                 ca                        ca
de quatro vari´veis para descrever um determinado fenˆmeno?
              a                                      o


 Fun¸˜es de duas vari´veis
    co               a
     Chamamos fun¸˜es de duas vari´veis as fun¸˜es do tipo
                 co               a           co

                             f : A ⊂ lR 2 −→ lR ,

cuja lei de defini¸˜o tem a forma
                 ca

                                 z = f (x, y).


                                                                                     7    CEDERJ
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                                         co             a         a


                  Isto ´, x e y s˜o as vari´veis independentes. O subconjunto A de lR 2 ´
                       e         a         a                                            e
             o dom´ınio da fun¸˜o.
                               ca

             Exemplo 1.1
                  Seja f : lR 2 −→ lR a fun¸˜o definida por f (x, y) = x + 2y.
                                           ca
                  Este exemplo ´ bem simples. Esta fun¸˜o de duas vari´veis ´ chamada,
                                e                       ca            a     e
                ´
             na Algebra Linear, de um funcional linear.
                   As fun¸˜es de duas vari´veis tˆm um papel importante no nosso estudo
                         co                 a     e
             de fun¸˜es de v´rias vari´veis, pois podemos esbo¸ar seus gr´ficos. Em geral,
                   co       a         a                        c          a
             o gr´fico de uma fun¸˜o de duas vari´veis ´ uma superf´ em lR 3 . No caso
                 a                ca                a   e            ıcie
             em quest˜o, esta superf´ ´ um plano que cont´m a origem. Sua interse¸˜o
                      a              ıcie e                  e                       ca
                               e                                  e               ´
             com o plano xOz ´ a reta z = x e com o plano yOz ´ a reta z = 2y. E claro
             que na figura representamos apenas parte do plano. Veja a seguir.



                                                z




                                       x                        y




                  Em geral, representamos o espa¸o tridimensional com o plano z = 0,
                                                   c
             gerado pelos eixos Ox e Oy, fazendo o papel de ch˜o onde estamos, o plano
                                                                a
             x = 0, gerado pelos eixos Oy e Oz, como se fosse uma parede ligeiramente a`
             nossa frente e o plano y = 0, gerado pelos eixos Ox e Oz, como se fosse uma
             outra parede ligeiramente a nossa esquerda.
                                        `
                   Note, tamb´m, que representamos apenas parte da superf´
                              e                                               ıcie. Na ver-
             dade, o gr´fico da fun¸˜o ´ um plano e, como tal, deve continuar em todas as
                       a          ca e
             dire¸˜es. No entanto, limitamo-nos a representar sua interse¸˜o com o plano
                 co                                                      ca
             zOy, fazendo x = 0, obtendo a reta z = 2y, e a sua interse¸˜o com o plano
                                                                         ca
             zOx, fazendo y = 0 e obtendo a reta x = x. Al´m disso, na regi˜o x ≥ 0,
                                                              e                  a
             y ≥ 0, desenhamos apenas uma parte do plano, sobre um dom´ triangular.
                                                                           ınio
                   ´
                   E bom acostumar-se com essas representa¸˜es. Temos de contar com a
                                                            co
             ajuda delas para visualizar a geometria das fun¸˜es de v´rias vari´veis.
                                                            co       a         a

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Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                              co             a         a
                                                                                  ´
                                                                                 MODULO 1 – AULA 1


     A seguir, mais duas fun¸˜es com seus gr´ficos.
                            co              a

Exemplo 1.2




               f (x, y) = x2 + y 2                  g(x, y) =   1 − x2 − y 2




      Note que estas duas superf´
                                ıcies s˜o conhecidas da Geometria Anal´
                                       a                                ıtica.
O gr´fico de f ´ o parabol´ide de revolu¸˜o definido pela equa¸˜o z = x + y 2
     a         e          o              ca                    ca       2

e o gr´fico de g ´ uma semi-esfera. Isto ´, os pontos (x, y, z) que pertencem
       a         e                        e
ao gr´fico de g satisfazem ` equa¸˜o z = 1 − x2 − y 2 e, portanto, tamb´m
      a                   a      ca                                        e
                       2    2   2
satisfazem ` equa¸˜o x + y + z = 1, pertencendo, por isso, a esfera de raio
           a       ca                                          `
1, centrada na origem.



 Dom´
    ınios das fun¸˜es de duas v´rias vari´veis
                 co            a         a

      Seguindo a mesma regra geral usada no C´lculo I, quando dizemos “seja
                                             a
z = f (x, y) uma fun¸˜o”, estamos subentendendo que seu dom´ ´ o maior
                    ca                                        ınio e
                  2
subconjunto de lR no qual a lei esteja bem definida.

Exemplo 1.2 (Revisitado)
     No caso de f (x, y) = x2 + y 2 , cujo gr´fico ´ um parabol´ide, o dom´
                                             a    e           o          ınio
                 2
´ todo o plano lR . Esta ´ uma fun¸˜o polinomial, pois sua lei de defini¸˜o
e                         e           ca                                  ca
´ um polinˆmio em duas vari´veis.
e          o                a
     Nesses casos, costumamos usar a express˜o “o plano todo”.
                                            a
      Consideremos agora a fun¸˜o g(x, y) =
                               ca            1 − x2 − y 2 , que est´ bem
                                                                   a                      y

definida, desde que 1 − x − y ≥ 0. Em outras palavras, o dom´
                        2    2
                                                              ınio de g ´
                                                                        e
o conjunto
                                                                                                1 x
                      A = { (x, y) ∈ lR ; x2 + y2 ≤ 1 },

a que chamamos disco fechado de raio 1, centrado na origem.


                                                                                     9    CEDERJ
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
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                                   Exerc´ 1
                                        ıcio
                                        Determine o dom´
                                                       ınio de

                                                             f (x, y) = ln (x + y − 2)

                                   e fa¸a um esbo¸o, representando-o.
                                       c         c



                                    Fun¸˜es de trˆs ou mais vari´veis
                                       co        e              a

                                         No caso das fun¸˜es com mais do que duas vari´veis, n˜o dispomos dos
                                                         co                           a       a
                                   esbo¸os de seus gr´ficos, sen˜o de maneira simplificada, uma vez que eles s˜o
                                       c              a        a                                            a
                                   subconjuntos de lR n , com n ≥ 4. No entanto, podemos esbo¸ar os dom´
                                                                                               c         ınios
                                                                                                  3
                                   de fun¸˜es de trˆs vari´veis, pois eles s˜o subconjuntos de lR . Veja um
                                          co        e       a               a
                                   exemplo a seguir.
Quando o dom´    ınio da fun¸˜o
                             ca
                                   Exemplo 1.3
´ um subconjunto de lR 3 ,
e
costumamos usar as letras                Vamos determinar o dom´
                                                               ınio da fun¸˜o
                                                                          ca
x, y e z para indicar as
coordenadas de um ponto
gen´rico, estabelecendo, as-
    e                                                w = f (x, y, z) =         4 − x2 − y 2 − z 2
sim, essa nomenclatura para
as vari´veis independentes,
          a
usando, em geral, w para a         e fazer um esbo¸o deste subconjunto de lR 3 .
                                                  c
vari´vel dependente. Isto ´,
    a                          e
atribu´ ıdos valores para x, y          Nesse caso, para que a fun¸˜o esteja bem definida, as coordenadas do
                                                                   ca
e z, de modo que (x, y, z)
´ um elemento do dom´
e                           ınio
                                   ponto devem satisfazer a condi¸˜o
                                                                 ca
da fun¸˜o, o valor de w =
         ca
f (x, y, z) fica determinado.
                                                              4 − x2 − y 2 − z 2 ≥ 0.

               z
                                         Ou seja, o dom´
                                                       ınio de f ´ o conjunto
                                                                 e

                            y
                                                    A = { (x, y, z) ∈ lR 3 ; x2 + y2 + z2 ≤ 4 },
                        2
    x
                                   que corresponde aos pontos interiores a esfera de raio 2 e o seu bordo.
                                                                         `

                                   Exerc´ 2
                                        ıcio
                                        Determine o dom´
                                                       ınio da fun¸˜o
                                                                  ca

                                                                                               √
                                                     g(x, y, z) =     x2 + y 2 − z 2 − 1 +         z

                                   e fa¸a um esbo¸o desse conjunto.
                                       c         c

   CEDERJ          10
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                           co             a         a
                                                                                ´
                                                                               MODULO 1 – AULA 1


 Alguns gr´ficos de fun¸˜es (simples) de duas vari´veis
          a           co                         a
      Em geral, esbo¸ar o gr´fico de uma fun¸˜o de duas vari´veis pode ser
                     c       a                ca               a
uma tarefa trabalhosa, a menos que vocˆ disponha de um computador com
                                        e
algum programa pr´prio para fazer isso. Mas vocˆ j´ acumula uma consi-
                    o                               e a
der´vel bagagem matem´tica, enriquecida nos cursos de Pr´-C´lculo, C´lculo
    a                    a                                e a         a
I, Geometria Anal´         ´
                  ıtica e Algebra Linear I, que lhe permite lidar com alguns
casos mais simples.


Superf´
      ıcies quadr´ticas
                 a

     Comecemos com os casos que usam as superf´
                                              ıcies quadr´ticas que vocˆ
                                                         a             e
estudou na Geometria Anal´
                         ıtica.

Exemplo 1.4
     Vamos determinar o dom´
                           ınio e esbo¸ar o gr´fico da fun¸˜o
                                      c       a          ca

                       f (x, y) =      36 − 9x2 − 4y 2.
                                                                                        y
      O dom´ ´ determinado pela condi¸˜o 36−9x2 −4y 2 ≥ 0, equivalente
            ınio e                        ca
a
` inequa¸˜o
        ca
                               x2 y 2                                                             x
                                  +     ≤ 1,
                                4    9                                                        2

que corresponde ao interior de uma elipse, incluindo o seu bordo.
     Agora, o gr´fico da fun¸˜o. Para determinarmos o gr´fico de f , po-
                 a          ca                            a                             3

demos observar que os pontos cujas coordenadas satisfazem a equa¸˜o z =
                                                                ca
  36 − 9x2 − 4y 2 tamb´m satisfazem a equa¸˜o
                      e                   ca

                            x2 y 2 z 2
                              +   +    = 1,
                            4   9   36
que determina um elips´ide com centro na origem. O gr´fico ´ a parte do
                         o                              a     e
elips´ide que est´ contida no semi-espa¸o determinado por z ≥ 0:
     o           a                     c



                                         6




                                        2           3



                                                                                   11   CEDERJ
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                                                co             a         a


              Exerc´ 3
                   ıcio
                   Esboce o gr´fico da fun¸˜o f : lR 2 −→ lR 2 , definida por
                               a         ca
                                   
                                    − x2 + y 2 − 1, se x2 + y 2 ≥ 1,
                                   
                        f (x, y) =
                                   
                                   
                                          1 − x2 − y 2 , se x2 + y 2 ≤ 1.

              Superf´
                    ıcies cil´
                             ındricas

                    Veremos, agora, gr´ficos de fun¸˜es que s˜o superf´
                                        a           co       a        ıcies cil´
                                                                               ındricas. Lem-
              bre-se, superf´
                            ıcies cil´
                                     ındricas s˜o aquelas obtidas por um feixe de retas pa-
                                               a
              ralelas colocadas ao longo de uma curva plana. Exemplos de tais superf´     ıcies
              do nosso dia-a-dia s˜o um cano de pvc ou uma telha de cobertura.
                                   a




                   Os gr´ficos das fun¸˜es de duas vari´veis cujas leis de defini¸˜o envolvem
                          a            co              a                         ca
              apenas uma vari´vel independente s˜o superf´
                               a                   a        ıcies cil´
                                                                     ındricas. O feixe de retas
              paralelas ´ paralelo ao eixo correspondente a vari´vel que est´ faltando. Veja
                        e                                 `      a            a
              a seguir alguns exemplos.

              Exemplo 1.5
                                                                         z


                                     z




                                                                                 y
                             x                y                  x

                        z = f (x, y) = 6 + sen x                  z = g(x, y) = y 2

                                 z
                                                                         z




                                                                  x                  y
                                         y
                         x
                        z = h(x, y) = x2                         z = k(x, y) = |y|


CEDERJ   12
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                             co             a         a
                                                                                       ´
                                                                                      MODULO 1 – AULA 1


Superf´
      ıcies de revolu¸˜o
                     ca

      As fun¸˜es cujas leis de defini¸˜o tˆm a forma
            co                      ca e

                          z = f (x, y) = g(x2 + y 2 ),

em que g ´ uma fun¸˜o real de uma vari´vel, s˜o relativamente simples.
          e             ca                        a       a
Essas fun¸˜es s˜o constantes ao longo dos c´
         co    a                                    ırculos concˆntricos na origem.
                                                                e
Realmente, se (x1 , y1 ) e (x2 , y2 ) s˜o tais que x2 + y1 = x2 + y2 , ent˜o
                                       a              1
                                                           2
                                                                  2
                                                                      2
                                                                           a

                             f (x1 , y1) = f (x2 , y2 ).

     Portanto, os gr´ficos de tais fun¸˜es s˜o superf´
                    a                co    a        ıcies de revolu¸˜o em
                                                                   ca
torno do eixo Oz.
     Para esbo¸ar o gr´fico de alguma dessas fun¸˜es, basta esbo¸ar o gr´fico
              c       a                        co              c       a
da fun¸˜o
      ca
                                z = f (x, 0),
por exemplo, e girar esta curva sobre o eixo Oz. A superf´ obtida ser´ o
                                                           ıcie          a
gr´fico da fun¸˜o z = f (x, y). O parabol´ide e a semi-esfera apresentados no
  a          ca                         o
exemplo 21.2 ilustram essa situa¸˜o. Vejamos um outro exemplo.
                                 ca

Exemplo 1.6
      Vamos esbo¸ar o gr´fico da fun¸˜o
                c       a          ca

                           f (x, y) = arctg (x2 + y 2).

     Usando a t´cnica que aprendemos no C´lculo I, conclu´
               e                         a               ımos que o gr´fico
                                                                      a
                                           2
da fun¸˜o z = h(x) = f (x, 0) = arctg x ´
      ca                                     e




      Portanto, o gr´fico de f (x, y) = arctg (x2 + y 2) ´
                    a                                   e




                                                                                          13   CEDERJ
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                                          co             a         a


                     Chegamos, assim, ao fim da primeira aula sobre fun¸˜es de v´rias
                                                                           co          a
              vari´veis. Vocˆ deve ter percebido que a maior parte do conte´ do, de al-
                   a          e                                                 u
              guma forma, n˜o lhe era estranho. No entanto, muito provavelmente vocˆ
                              a                                                             e
              reviu essas coisas numa nova perspectiva. As inequa¸˜es que vocˆ estudou
                                                                    co            e
              no Pr´-C´lculo lhe ser˜o uteis no momento em que vocˆ for determinar os
                     e a              a ´                              e
              dom´ ınios dessas novas fun¸˜es. Os conte´ dos de Geometria Anal´
                                         co            u                      ıtica estar˜o
                                                                                          a
              constantemente servindo como fonte de exemplos, atrav´s das cˆnicas e das
                                                                       e      o
              qu´dricas. Vocˆ usar´ tudo o que aprendeu no C´lculo I sobre as fun¸˜es
                 a             e     a                            a                     co
                                              o                 a        a          ´
              de uma vari´vel real e, nas pr´ximas aulas, ver´ a importˆncia da Algebra
                           a
              Linear. Espero que esta aula, assim como as pr´ximas, sejam de grande
                                                                  o
              est´
                 ımulo para vocˆ. Aproveite bem esta experiˆncia.
                                 e                            e
                   Agora, as respostas dos exerc´
                                                ıcios propostos acompanhadas de uma
              pequena lista de mais alguns.



              Exerc´
                   ıcios

              Exerc´ 1
                   ıcio
                   Determine o dom´
                                  ınio de

                                        f (x, y) = ln (x + y − 2)

              e fa¸a um esbo¸o, representando-o.
                  c         c
              Solu¸˜o:
                  ca
                   O dom´
                        ınio de f ´ o conjunto
                                  e

                                 Dom(f ) = { (x, y) ∈ lR 2 ; x + y > 2 }.

                   Este ´ o conjunto dos pontos do plano que est˜o acima da reta x+y = 2.
                        e                                       a




CEDERJ   14
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                            co             a         a
                                                                                    ´
                                                                                   MODULO 1 – AULA 1


Exerc´ 2
     ıcio
     Determine o dom´
                    ınio da fun¸˜o
                               ca
                                                             √
                  g(x, y, z) =      x2 + y 2 − z 2 − 1 +         z

e fa¸a um esbo¸o desse conjunto.
    c         c
Solu¸˜o:
    ca
       Nesse caso, temos duas condi¸˜es que devem ser simultaneamente sa-
                                    co
tisfeitas. Assim, o dom´
                       ınio de g ´ a interse¸˜o de dois conjuntos:
                                 e          ca

Dom(g) = { (x, y, z) ∈ lR 3 ; x2 + y2 ≥ z2 + 1 } ∩ { (x, y, z) ∈ lR 3 ; z ≥ 0 }.

     A equa¸˜o x2 + y 2 − z 2 = 1 determina um hiperbol´ide de uma folha.
            ca                                         o
                                                    3
Este hiperbol´ide divide o espa¸o tridimensional lR em duas regi˜es: uma
             o                 c                                   o
que cont´m o eixo Oz, que chamaremos interior ao hiperbol´ide, e a outra,
        e                                                  o
que chamaremos exterior ao hiperbol´ide. A condi¸˜o x2 + y 2 ≥ z 2 + 1, mais
                                     o            ca
z ≥ 0, determina o subconjunto do espa¸o que ´ exterior ao hiperbol´ide e
                                        c      e                      o
que fica acima do plano xOy:




Exerc´ 3
     ıcio
     Esboce o gr´fico da fun¸˜o f : lR 2 −→ lR 2 , definida por
                 a         ca
                     
                      − x2 + y 2 − 1, se x2 + y 2 ≥ 1,
                     
          f (x, y) =
                     
                     
                            1 − x2 − y 2 , se x2 + y 2 ≤ 1.

Solu¸˜o:
    ca
    Na regi˜o determinada por x2 + y 2 ≤ 1, a fun¸˜o ´ dada pela equa¸˜o
           a                                       ca e              ca
z = 1−x   2 − y 2 . Nesta regi˜o, seu gr´fico ´ uma semi-esfera.
                              a         a    e
      Na regi˜o x2 + y 2 ≥ 1, a fun¸˜o ´ definida por z = − x2 + y 2 − 1.
             a                     ca e
Esta equa¸˜o define a parte inferior de um hiperbol´ide de uma folha (veja
          ca                                       o
exerc´
     ıcio anterior). Combinando as partes das superf´  ıcies, chegamos ao
gr´fico esperado:
  a


                                                                                       15   CEDERJ
Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis
                                         co             a         a




              Exerc´ 4
                   ıcio
                   Determine e fa¸a um esbo¸o do dom´
                                 c         c        ınio de cada uma das fun¸˜es
                                                                            co
              a seguir:
               a) f (x, y) =    x2 − 4y 2 − 4.    b) g(x, y) = ln (x2 + y 2 − 1).

               c) h(x, y) = sec (x + y).           d) k(x, y, z) =               1 + x2 + y 2 − z 2 .

              Exerc´ 5
                   ıcio
                 Esboce o gr´fico das seguintes fun¸˜es:
                            a                     co
                            
                             4−x
                            
                                     2 − y2,   se x2 + y 2 ≤ 4;
              a) f (x, y) =
                            
                            
                              0,               se x2 + y 2 ≥ 4.
              b) g(x, y) =      1 + x2 + y 2.

              Exerc´ 6
                   ıcio
                   Esboce o gr´fico de cada uma das fun¸˜es a seguir:
                              a                       co
                                                                   2
               a) f (x, y) = cos y.        b) g(x, y) = e1−y .

                                                                    2 −y 2
               c) h(x, y) = ln (x).         d) k(x, y) = e1−x                .




CEDERJ   16
Derivadas parciais
                                                                                  ´
                                                                                 MODULO 1 – AULA 5

               Aula 5 – Derivadas parciais

Objetivos
   • Aprender a calcular as derivadas parciais de fun¸˜es de v´rias vari´veis.
                                                     co       a         a

   • Conhecer a interpreta¸˜o geom´trica desse conceito.
                          ca      e




 Introdu¸˜o
        ca
      Ao longo das quatro ultimas aulas vocˆ aprendeu os conceitos b´sicos da
                          ´                  e                       a
teoria das fun¸˜es de v´rias vari´veis, incluindo o conceito de continuidade.
              co       a         a
      Nesta aula, iniciaremos uma nova etapa, o estudo das no¸˜es de di-
                                                               co
ferenciabilidade das fun¸˜es de v´rias vari´veis. Na verdade, esse assunto
                         co      a         a
ocupar´ todas as nossas aulas, de agora em diante.
       a
     As derivadas parciais desempenham um papel relevante nesse contexto,
especialmente do ponto de vista pr´tico; por´m, como veremos um pouco
                                   a        e
mais adiante, n˜o completamente decisivo. Mas estamos antecipando demais
                a
nossa hist´ria. Tudo a seu tempo.
          o
      Seguindo a pr´tica j´ rotineira, estabeleceremos os conceitos para os
                    a     a
casos das fun¸˜es de duas e de trˆs vari´veis, observando que eles podem ser
             co                  e      a
estendidos para fun¸˜es com mais vari´veis.
                   co                  a
    Antes de atacarmos o nosso tema principal, no entanto, precisamos de
um novo conceito sobre conjuntos.

 Conjuntos abertos
     Essa no¸˜o caracterizar´ os dom´
            ca              a       ınios das fun¸˜es que estudaremos de
                                                 co
agora em diante.
       Intuitivamente, podemos dizer que um subconjunto do plano lR 2 ou do
espa¸o lR 3 ´ aberto se for um conjunto sem fronteiras ou bordos. Exemplos
     c       e
t´
 ıpicos s˜o
          a

               D = { (x, y) ∈ lR 2 ; (x − a)2 + (y − b)2 < r },

o disco de centro em (a, b) e raio r, aberto em lR 2 ,

         B = { (x, y, z) ∈ lR 3 ; (x − a)2 + (y − b)2 + (z − c) < r },


                                                                                     55   CEDERJ
Derivadas parciais


                  a bola de centro em (a, b, c) e raio r > 0, aberta em lR 3 .




                         Um detalhe importante: a no¸˜o conjunto aberto ´ uma no¸˜o relativa.
                                                    ca                  e        ca
                  Isto ´, depende do ambiente. Veja, a sintaxe ´: A ´ aberto em lR 2 .
                       e                                       e    e
                        Para tornarmos este conceito mais preciso, introduziremos a no¸˜o de
                                                                                      ca
 ponto interior   ponto interior. Dizemos que um ponto (a, b) ∈ A ⊂ lR ´ um ponto interior
                                                                        2
                                                                          e
                  do conjunto A se existe um disco aberto D de centro em (a, b) e raio r > 0
                  contido em A. Em s´ ımbolos matem´ticos, (a, b) ∈ D ⊂ A ⊂ lR 2 .
                                                    a
                        Analogamente, um ponto (a, b, c) ∈ A ⊂ lR 3 ´ um ponto interior de A
                                                                      e
                  se existe uma bola aberta B de centro em (a, b, c) e raio r > 0 contida em A.
                       Intuitivamfente, um ponto (a, b) ´ um ponto interior de A se todos os
                                                        e
                               2
                  pontos de lR que o cercam tamb´m s˜o pontos de A.
                                                  e    a

                  Exemplo 5.1
                        Seja H = { (x, y) ∈ lR 2 ; y ≥ 1 }. O ponto (1, 2) ´ um ponto interior
                                                                           e
                  de H, pois o disco aberto de centro em (1, 2) e raio 1/2, por exemplo, est´  a
                  contido em H. J´ o ponto (2, 1) ∈ H n˜o ´ ponto interior de H, pois qualquer
                                  a                     a e
                  disco que tomarmos, com centro em (2, 1), conter´ pontos do tipo (2, b), com
                                                                  a
                  b < 1 e, portanto, pontos que n˜o pertencem a H. Em outras palavras, (2, 1)
                                                 a
                  pertence a H mas n˜o est´ envolvido por pontos de H. Veja a ilustra¸˜o
                                       a     a                                              ca
                  a seguir.



                                                                           H

                                                               2

                                                               1


                                                                       1   2
CEDERJ     56
Derivadas parciais
                                                                                   ´
                                                                                  MODULO 1 – AULA 5


Conjunto aberto

     Um subconjunto A ⊂ lR 2 ´ dito aberto em lR 2 se todos os seus pontos
                             e
forem pontos interiores.
      O conjunto H, do Exemplo 25.1, n˜o ´ um subconjunto aberto de lR 2 ,
                                       a e
pois (2, 0) ∈ H, mas n˜o ´ ponto interior. Aqui est˜o alguns exemplos de
                      a e                          a
subconjuntos abertos de lR 2 .

Exemplo 5.2
     A1 = { (x, y) ∈ lR 2 ; y > 1 };
     A2 = { (x, y) ∈ lR 2 ; x = y };
     A3 = { (x, y) ∈ lR 2 ; 0 < x < 1, 0 < y < 1 };
     A4 = { (x, y) ∈ lR 2 ; (x, y) = (1, 2) }.

     O argumento usado no Exemplo 25.1, para mostrar que (1, 2) ´ um e
ponto interior de H, pode ser adaptado para mostrar que todos os elementos
de A1 s˜o pontos interiores. Note que A1 se diferencia de H exatamente por
       a
n˜o conter os pontos do tipo (a, 1), que est˜o no bordo.
 a                                          a
     Para se convencer de que cada ponto (a, b) ∈ A2 ´ ponto interior, basta
                                                      e
observar que a distˆncia de (a, b) at´ a reta x = y ´ positiva, uma vez que
                   a                 e              e
a = b. Assim, basta tomar o disco D, de centro em (a, b), com raio igual a `
metade dessa distˆncia, por exemplo.
                 a
     Caso (a, b) ∈ A3 , sabemos que 0 < a, b < 1. Escolha r > 0, um n´ mero
                                                                      u
menor do que qualquer um dos n´ meros |a|, |b|, |a − 1|, |b − 1|. O disco D,
                                  u
de centro em (a, b) e raio r, n˜o tocar´ nenhum dos bordos do quadrado.
                               a       a
Portanto, estar´ contido em A3 .
               a
     Para constatar que A4 ´ um conjunto aberto (A4 ´ o plano todo menos
                            e                         e
um ponto), basta escolher r > 0 menor do que a distˆncia entre (a, b) e (1, 2).
                                                    a
O disco D centrado em (a, b), com tal raio, n˜o cont´m o ponto (1, 2). Logo,
                                              a     e
D est´ contido em A4 e isso mostra que A4 ´ um subconjunto aberto de lR 2 .
     a                                      e
      Os discos abertos de lR 2 e as bolas abertas de lR 3 fazem o papel dos
intervalos abertos de lR . Al´m disso, se A ´ um subconjunto aberto de lR 2 ,
                             e              e
ent˜o A ´ igual a uma uni˜o de discos abertos, pois todos os seus pontos
   a      e                 a
s˜o interiores. Al´m disso, todos os pontos de A s˜o, tamb´m, pontos de
 a                e                                  a         e
acumula¸˜o de A.
         ca
      ´
      E bom lembrar que o plano lR 2 ´, ele mesmo, um aberto em lR 2 e,
                                         e
como ´ imposs´ exibir um elemento do conjunto vazio que n˜o seja ponto
       e       ıvel                                         a
interior, dizemos que ∅ ´ um conjunto aberto (em qualquer ambiente).
                        e


                                                                                      57   CEDERJ
Derivadas parciais


                                           A uni˜o qualquer de conjuntos abertos ´ um conjunto aberto, mas,
                                                 a                                  e
                                      surpreendentemente, a interse¸˜o infinita de conjuntos abertos pode n˜o ser
                                                                   ca                                     a
                                      um conjunto aberto.
                                           Terminamos agora essa conversa, que est´ um pouco longa, e vamos ao
                                                                                  a
                                      nosso tema principal.


                                       Derivadas parciais
                                           Seja f : A ⊂ lR 2 → lR uma fun¸˜o tal que A ´ um subconjunto aberto
                                                                              ca           e
                                      de lR , e seja (a, b) ∈ A. Ent˜o, existe um certo n´ mero r > 0, tal que, se
                                           2
                                                                      a                    u
                                      x ∈ (a − r, a + r), ent˜o f (x, b) est´ bem definida.
                                                             a              a
                                           Assim, z = f (x, b), com x ∈ (a−r, a+r), ´ uma fun¸˜o de uma vari´vel
                                                                                       e          ca           a
     O s´ ımbolo ∂ ´ chamado
                     e                e podemos, portanto, considerar a existˆncia da derivada de tal fun¸˜o em
                                                                                e                           ca
           derronde, que ´ uma
                          e
                                      x = a. Isto ´, considere
                                                  e
      corruptela do francˆs de
                            e
        rond que quer dizer dˆ    e                     f (x, b) − f (a, b)       f (a + h, b) − f (a, b)
                                                    lim                     = lim                         .
    redondo. Isso se deveu ao                       x→a        x−a            h→0            h
       fato de os franceses, na
            ´poca da Revolu¸˜o
            e                  ca           Se esse limite for um n´ mero real, ele ser´ chamado derivada parcial de
                                                                     u                 a
      Francesa, adotarem essa
 forma especial de escrever a
                                      f em rela¸ao a x, no ponto (a, b). Nesse caso, usamos as seguintes nota¸˜es
                                                c˜                                                             co
        letra d. Esse s´
                       ımbolo ´   e   para represent´-lo:
                                                     a
    particularmente util para
                       ´
                                                             ∂f          ∂z
diferenciar a derivada parcial                                  (a, b) =    (a, b) = fx (a, b).
     de uma fun¸˜o de v´rias
                  ca        a                                ∂x          ∂x
        vari´veis, em rela¸˜o a
              a            ca
                      “ ∂f ”               Analogamente, podemos considerar a derivada parcial de f em rela¸˜o  ca
      alguma delas            , da
                        ∂x            a y no ponto (a, b). Nesse caso, tomamos
  derivada de uma fun¸˜o de
                         ca
                         “ df ”
           uma vari´vel
                    a
                            dx
                                  .                      f (a, y) − f (a, b)          f (a, b + h) − f (a, b)
                                                     lim                     = lim                            ,
                                                    y→b         y−b              h→0             h
                                      e, caso o limite seja um n´ mero, denotamos por
                                                                   u
                                                               ∂f            ∂z
                                                                  (a, b) =      (a, b) = fy (a, b).
                                                               ∂y            ∂y
                                      Exemplo 5.3
                                            Vamos calcular a derivada parcial da fun¸˜o f (x, y) = sen xy, em
                                                                                    ca
                                      rela¸˜o a x, no ponto (a, b).
                                          ca
                                              ∂f              f (a + h, b) − f (a, b)
                                                 (a, b) = lim                           =
                                              ∂x          h→0            h
                                                              sen (a + h)b − sen ab
                                                        = lim                             =
                                                          h→0             h
                                                              sen ab cos hb + cos ab sen hb − sen ab
                                                        = lim                                        =
                                                          h→0                         h
                                                              sen ah (cos hb − 1) + sen hb cos ab
                                                        = lim                                     .
                                                          h→0                      h

   CEDERJ           58
Derivadas parciais
                                                                                  ´
                                                                                 MODULO 1 – AULA 5


                       cos hb − 1           sen hb
     Observe que lim              = 0 e lim        = b. Assim,
                   h→0      h           h→0   h
       ∂f              sen ah (cos hb − 1)   sen hb
          (a, b) = lim                     +        cos ab          =
       ∂x          h→0          h              h

                 = b cos ab.

      Na verdade, podemos concluir que, se f (x, y) = sen xy, ent˜o, subs-
                                                                 a
titutindo o termo gen´rico a por x e b por y, temos
                     e

                            ∂f
                               (x, y) = y cos xy.
                            ∂x

                 ∂f ∂f
 As fun¸˜es
       co          ,
                 ∂x ∂y
      Seja z = f (x, y) uma fun¸˜o definida num subconjunto aberto A de lR 2 .
                               ca
Suponha que f admita derivadas parciais, em rela¸˜o a x e a y, em todos os
                                                 ca
                                                                      ∂f
pontos (x, y) ∈ A. Nesse caso, obtemos duas fun¸˜es, denotadas por
                                                  co                       e
                                                                      ∂x
∂f                                  ∂z ∂z
   , definidas em A. As nota¸˜esco      e     tamb´m s˜o muito usadas para
                                                 e    a
∂y                                  ∂x ∂y
representar essas fun¸˜es.
                       co
                                                        ∂w ∂w ∂w
      De maneira an´loga, se w = g(x, y, z), usamos
                       a                                  ,     e     para
                                                        ∂x ∂y     ∂z
denotar as respectivas fun¸˜es obtidas pela deriva¸˜o parcial, no caso das
                            co                     ca
fun¸˜es de trˆs vari´veis.
   co        e       a

Exemplo 5.4
     Seja
                       f (x, y, z) = xy 2 + z sen xyz.
                                                            ∂f ∂f         ∂f
Esta fun¸˜o est´ definida no espa¸o lR 3 . Vamos calcular
        ca     a                c                             ,      e       .
                                                            ∂x ∂y         ∂z
Isto ´, queremos calcular as derivadas parciais de f . Podemos fazer isso di-
     e
retamente, usando as regras de deriva¸˜o aprendidas no C´lculo I. Basta que
                                     ca                   a
derivemos em rela¸˜o a vari´vel indicada, considerando as outras vari´veis
                  ca `       a                                          a
como constantes.
                      ∂f
                         (x, y, z) = y 2 + yz 2 cos xyz.
                      ∂x
     Veja que usamos a Regra da Cadeia na segunda parcela.

                     ∂f
                        (x, y, z) = 2xy + xz 2 cos xyz.
                     ∂y

                                                                                     59   CEDERJ
Derivadas parciais


                                 ∂f
                                    (x, y, z) = sen xyz + xyz cos xyz.
                                 ∂z
                    No caso da derivada em rela¸˜o a z, a derivada da primeira parcela
                                                 ca
              ´ nula, pois ´ constante em rela¸˜o a z. A derivada da segunda parcela ´
              e            e                  ca                                     e
              calculada com a Regra do Produto de duas fun¸˜es: z × sen xyz.
                                                           co

              Exerc´ 1
                   ıcio
                             ∂f          ∂f
                   Calcule      (x, y) e    (1, −1), onde f (x, y) = 3x sen (x + y).
                             ∂x          ∂y
                   H´ situa¸˜es em que o c´lculo da derivada parcial requer a defini¸˜o.
                    a      co             a                                        ca
              Veja mais um exemplo.

              Exemplo 5.5
                                     
                                     
                                      2                       1
                                      (x + y 2 ) sen
                                                                   ,   se       (x, y) = (0, 0)
                                                         x2   + y2
                   Seja f (x, y) =                                                                 .
                                     
                                     
                                     
                                     
                                      0,                               se       (x, y) = (0, 0)

                                         ∂f              ∂f
                   Vamos verificar que       (0, 0) = 0 e    (0, 0) = 0.
                                         ∂x              ∂y
                     Note que a fun¸˜o n˜o se altera se trocarmos a ordem das vari´veis:
                                    ca a                                                a
               f (x, y) = f (y, x) . Isso significa que, caso a fun¸˜o admita alguma das
                                                                     ca
              derivadas parciais em (0, 0), a primeira igualdade j´ estar´ estabelecida. Por-
                                                                  a      a
              tanto, basta calcular, digamos,

                     ∂f              f (h, 0) − f (0, 0)
                        (0, 0) = lim                     =
                     ∂x          h→0          h
                                                1
                                     h2 sen          −0
                                                h2                               1
                               = lim                      = lim h sen                   = 0,
                                 h→0          h             h→0                  h2

                                                                  1
              pois lim h = 0 e a fun¸˜o g(x) = sen
                                    ca                               , definida em lR − { 0 },
                    h→0                                           x2
              ´ limitada.
              e
                                             ∂f              ∂f
                   Conclu´
                         ımos, ent˜o, que
                                  a             (0, 0) = 0 e    (0, 0) = 0.
                                             ∂x              ∂y

              Exemplo 5.6
                                   
                                    x3 + 2y 2
                                   
                                    2
                                    x + y2 ,        se    (x, y) = (0, 0)
                   Seja f (x, y) =                                           .
                                   
                                   
                                   
                                    0,              se    (x, y) = (0, 0)

CEDERJ   60
Derivadas parciais
                                                                                ´
                                                                               MODULO 1 – AULA 5


                                                              ∂f
     Esse exemplo nos reserva uma surpresa. Vamos calcular       (0, 0).
                                                              ∂x

                   ∂f              f (h, 0) − f (0, 0)
                      (0, 0) = lim                     =
                   ∂x          h→0          h
                                   h3
                                     2
                                       −0
                             = lim h         = lim 1 = 1.
                               h→0     h        h→0


     No entanto,

                    ∂f              f (0, h) − f (0, 0)
                       (0, 0) = lim                       =
                    ∂y          h→0          h
                                    3h2
                                       2
                                          −0            2
                              = lim h          = lim .
                                h→0      h        h→0 h


                             2
      Como a fun¸˜o g(x) = , definida em lR − { 0 }, n˜o admite limite
                 ca                                  a
                             x
quando x → 0, dizemos que a fun¸˜o f n˜o admite derivada parcial em
                               ca     a
rela¸˜o a y no ponto (0, 0).
    ca


 Interpreta¸˜o geom´trica da derivada parcial
           ca      e

     Vamos usar o fato de que a derivada g (a), de uma fun¸˜o y = g(x), no
                                                          ca
ponto a, pode ser interpretada geometricamente como o coeficiente angular
da reta tangente ao gr´fico de g no ponto (a, b), para uma interpreta¸˜o
                       a                                               ca
geom´trica para as derivadas parciais.
     e
      Seja z = f (x, y) uma fun¸˜o que admite derivadas parciais, em rela¸˜o
                               ca                                         ca
a x e em rela¸˜o a y, num dado ponto (a, b) de seu dom´
             ca                                       ınio. Ao fixarmos uma
das vari´veis, digamos y = b, estamos considerando a restri¸˜o da fun¸˜o f
         a                                                  ca         ca
sobre a reta y = b. Geometricamente, estamos considerando a interse¸˜o do
                                                                     ca
gr´fico de f com o plano y = b. Essa interse¸˜o ´ uma curva do plano e pode
  a                                         ca e
ser vista como o gr´fico da fun¸˜o z = f (x, b).
                    a          ca




                                                                                   61   CEDERJ
Derivadas parciais


                   Na figura da esquerda, vemos o gr´fico de f com o plano y = b e, na
                                                    a
              figura da direita, vemos o plano y = b com curva obtida da sua interse¸˜o
                                                                                   ca
              com o gr´fico de f .
                      a
                    A derivada parcial de f , em rela¸˜o a x, no ponto (a, b), pode ser
                                                      ca
              interpretada como o coeficiente angular da reta tangente a curva de interse¸˜o
                                                                      `                 ca
              do plano com o gr´fico de f , no ponto (a, b, f (a, b)). Veja, a seguir, mais
                                a
              uma ilustra¸˜o.
                         ca
                          z                                        z




                                                                                     x
                        x                   y
                   Chegamos ao fim da aula. Aqui est´ uma s´rie de exerc´
                                                       a       e       ıcios para vocˆ
                                                                                     e
              colocar em pr´tica os conceitos e t´cnicas que aprendeu.
                           a                     e


              Exerc´
                   ıcios

              Exerc´ 1
                   ıcio
                                ∂f          ∂f
                      Calcule      (x, y) e    (1, −1), onde f (x, y) = 3x sen (x + y).
                                ∂x          ∂y
              Solu¸˜o:
                  ca

                                   ∂f
                                      (x, y) = 3 sen (x + y) + 3x cos(x + y).
                                   ∂x
                                ∂f                              ∂f
                                   (x, y) = 3x cos(x + y) =⇒       (1, −1) = 3.
                                ∂y                              ∂y

              Exerc´ 2
                   ıcio
                      Em cada um dos seguintes exerc´
                                                    ıcios, calcule a derivada parcial indi-
              cada.

                                                       ∂f         ∂f
               a) f (x, y) = 2xy + y 2 ;                  (x, y),    (x, y).
                                                       ∂x         ∂y

                                                       ∂f ∂f ∂f
               b) f (x, y, z) = 2xy(1 − 3xz)2 ;          ,  ,   .
                                                       ∂x ∂y ∂z

                                  x                    ∂z ∂z
               c) z = x ln          ;                    ,   .
                                  y                    ∂x ∂y

CEDERJ   62
Derivadas parciais
                                                                                              ´
                                                                                             MODULO 1 – AULA 5




  d) x =     1 + x2 + y 2 + z 2 ;            wx , wz , wy (0, 0, 0).

                                             ∂f
  e) f (u, v) = uv − u2 + v 2 ;                 , fv (0, −1).
                                             ∂u

                                             ∂g ∂g
  f) g(r, θ) = r cos θ + r sen θ;              ,   .
                                             ∂r ∂θ

                   y                         ∂z ∂z
  g) z = arctg       ;                         ,   .
                   x                         ∂x ∂y

                                             ∂f ∂f ∂f
  h) f (x, y, z) = (x + y) ex−y+2z ;           ,  ,   .
                                             ∂x ∂y ∂z

                                             ∂f ∂f
  i) f (u, v) = u2 arcsen v;                   ,   .
                                             ∂u ∂v

Exerc´ 3
     ıcio
     Seja f (x, y) = ln         x2 + y 2 .
a) Mostre que Dom(f ) ´ um conjunto aberto.
                      e
b) Determine a curva de n´ 0.
                         ıvel
                  ∂f     ∂f
c) Verifique que x    +y       = 1.
                  ∂x     ∂y

Exerc´ 4
     ıcio
                                  y
     Seja f (x, y, z) =                   . Verifique que
                           x2   + y2 + z2

                            x fx + y fy + z fz = −f.


Exerc´ 5
     ıcio            
                      x2 y
                     
                      2
                      x + y2 ,              se     (x, y) = (0, 0)
     Seja f (x, y) =                                                   .
                     
                     
                     
                      0,                    se     (x, y) = (0, 0)

              ∂f      ∂f
     Calcule       e     . (Veja que vocˆ dever´ usar as regras de deriva¸˜o
                                           e      a                         ca
              ∂x      ∂y
              ∂f           ∂f
para calcular    (x, y) e      (x, y), no caso de (x, y) = (0, 0), e a defini¸˜o
                                                                            ca
              ∂x            ∂y
                                                                   ∂f          ∂f
de derivada parcial num ponto espec´
                                   ıfico para calcular                 (0, 0) e    (0, 0)).
                                                                   ∂x          ∂y

                                                                                                 63   CEDERJ
Derivadas parciais


                   As derivadas parciais s˜o usadas para expressar um par de equa¸˜es
                                          a                                      co
              muito importantes, na teoria das fun¸˜es de vari´vel complexa, chamadas
                                                  co          a
              Equa¸˜es de Cauchy-Riemann.
                  co
                   Um par de fun¸˜es u(x, y) e v(x, y) que satisfazem as equa¸˜es
                                co                                           co

                                        ∂u   ∂v   ∂u     ∂v
                                           =    e    = −
                                        ∂x   ∂y   ∂y     ∂x
              s˜o, respectivamente, a parte real e a parte complexa de uma fun¸˜o dife-
               a                                                              ca
              renci´vel (num sentido complexo) de uma vari´vel complexa.
                   a                                        a

              Exerc´ 6
                   ıcio
                  Mostre que cada par de fun¸˜es de duas vari´veis a seguir satisfaz as
                                            co               a
              Equa¸˜es de Cauchy-Riemann.
                  co


               a) u(x, y) = x2 − y 2;                   v(x, y) = 2xy.

               b) u(x, y) = ex cos y;                   v(x, y) = ex sen y.

               c) u(x, y) = x3 + x2 − 3xy 2 − y 2 ;     v(x, y) = 3x2 y + 2xy − y 3 .
                                   x                                 −y
               d) u(x, y) =             ;               v(x, y) =         .
                              x2   + y2                             x2
                                                                     + y2
                              1                                           y
               e) u(x, y) =     ln (x2 + y 2);          v(x, y) = arctg     .
                              2                                           x




CEDERJ   64
Plano tangente, diferencial e gradiente
                                                                                  ´
                                                                                 MODULO 1 – AULA 9


     Aula 9 – Plano tangente, diferencial e
                                  gradiente

Objetivos
   • Aprender o conceito de plano tangente ao gr´fico de uma fun¸˜o dife-
                                                a              ca
     renci´vel de duas vari´veis.
          a                a

   • Conhecer a nota¸˜o cl´ssica para a melhor aproxima¸˜o linear de uma
                      ca    a                          ca
     fun¸˜o diferenci´vel – a diferencial.
        ca           a

   • Aprender o conceito de vetor gradiente como o dual da diferencial.

      As duas ultimas aulas apresentaram a no¸˜o de diferenciabilidade de
               ´                                ca
uma fun¸˜o de v´rias vari´veis e as suas implica¸˜es imediatas. Foram aulas
        ca       a        a                     co
teoricamente mais densas e, portanto, o car´ter um pouco mais simples que
                                           a
esta aula pretende ter deve ser uma bem-vinda mudan¸a de ritmo.
                                                       c
      Antes de prosseguir, no entanto, vamos reconhecer um d´bito que ser´
                                                                 e           a
pago na pr´xima aula de exerc´
            o                   ıcios. Veja, na aula anterior, foi provado que
toda fun¸˜o de classe C 1 ´ diferenci´vel. Isto ´, ser de classe C 1 ´ uma
         ca                 e           a          e                    e
condi¸˜o suficiente para ser diferenci´vel. Diante disso, vocˆ deve conside-
     ca                                a                       e
rar a quest˜o da necessidade dessa condi¸˜o para a diferenciabilidade. Em
            a                              ca
outras palavras, essa condi¸˜o suficiente ´ tamb´m necess´ria? Muito bem,
                            ca             e      e         a
adiantando a resposta: n˜o! H´ fun¸˜es diferenci´veis cujas fun¸˜es deriva-
                         a      a     co            a              co
das parciais n˜o s˜o cont´
              a a         ınuas. Vocˆ ver´ um exemplo na pr´xima aula de
                                      e    a                     o
exerc´
     ıcios. Promessa ´ d´
                      e ıvida!
     Muito bem, com isso fora da pauta, vamos ao primeiro tema desta aula.


Plano tangente
      Na defini¸˜o de diferenciabilidade de uma fun¸˜o f : A ⊂ lR 2 −→ lR ,
               ca                                          ca
no ponto (a, b) ∈ A, subconjunto aberto de lR , a equa¸˜o
                                                    2
                                                               ca
                            ∂f                     ∂f
      f (x, y) = f (a, b) +     (a, b) (x − a) +      (a, b) (y − b) + E(x, y)
                            ∂x                     ∂y
desempenha um papel fundamental, pois define o erro E(x, y), que converge
para zero mais rapidamente do que |(x, y) − (a, b)|. Isso quer dizer que a
aplica¸˜o afim
      ca
                                  ∂f                    ∂f
            A(x, y) = f (a, b) +      (a, b) (x − a) +      (a, b) (y − b),
                                  ∂x                    ∂y

                                                                                     95   CEDERJ
Plano tangente, diferencial e gradiente


              no caso de f ser diferenci´vel em (a, b), ´ aquela que, entre todas as aplica¸˜es
                                        a               e                                  co
              afins, d´ as melhores aproxima¸˜es aos valores da fun¸˜o f , em alguma vizi-
                     a                        co                       ca
              nhan¸a do ponto (a, b).
                   c
                   Mas, como sabemos, equa¸˜es do tipo
                                          co

                                              z = c + mx + ny

              definem planos em lR 3 .
                   Isso nos motiva a estabelecer o seguinte.

              Defini¸˜o 9.1:
                   ca
                    Seja f : A ⊂ lR 2 −→ lR , uma fun¸˜o definida no subconjunto aberto
                                                        ca
                      2
              A de lR , diferenci´vel no ponto (a, b). Dizemos que o plano definido pela
                                 a
              equa¸˜o
                   ca
                                           ∂f                  ∂f
                            z = f (a, b) +    (a, b) (x − a) +    (a, b) (y − b)
                                           ∂x                  ∂y
              ´ o plano tangente ao gr´fico da fun¸˜o f , no ponto (a, b).
              e                        a           ca




              Exemplo 9.1
                  Vamos calcular a equa¸˜o do plano tangente ao gr´fico de f (x, y) =
                                         ca                       a
              x − xy − y no ponto (1, 1, −1).
               2        2



                    Para isso, calculamos as derivadas parciais:
              ∂f                     ∂f
                 (x, y) = 2x − y,        (x, y) = −x − 2y.
              ∂x                     ∂y
                    Substituindo (x, y) por (1, 1), obtemos:
              ∂f               ∂f
                 (1, 1) = 1,      (1, 1) = −3.
              ∂x               ∂y
                    Assim, a equa¸˜o procurada ´
                                   ca              e
                                        ∂f                  ∂f
                           z = f (1, 1) +  (1, 1) (x − 1) +    (1, 1) (y − 1);
                                        ∂x                  ∂y
                           z = −1 + (x − 1) − 3(y − 1);
                           z = x − 3y + 1.

CEDERJ   96
Plano tangente, diferencial e gradiente
                                                                                       ´
                                                                                      MODULO 1 – AULA 9


Exemplo 9.2
     Vamos calcular a equa¸˜o do plano tangente ao gr´fico de f (x, y) =
                            ca                       a
2xy − y que seja paralelo ao plano z = 2x + 4y.
       2


                                           ∂f                   ∂f
      Para que os planos z = f (a, b) +       (a, b) (x − a) +     (a, b) (y − b) e
                                           ∂x                   ∂y
                                              ∂f                 ∂f
z = 2x + 4y sejam paralelos, ´ preciso que
                               e                  (a, b) = 2 e      (a, b) = 4.
                                              ∂x                 ∂y
              ∂f                ∂f
       Como      (x, y) = 2y e     (x, y) = 2x − 2y, temos de achar os valores
              ∂x                ∂y
a e b tais que 2b = 2 e 2a − 2b = 4. Portanto, o ponto que procuramos ´           e
(a, b) = (3, 1), e a equa¸˜o do plano tangente procurado ´
                          ca                                  e

                     z = f (3, 1) + 2(x − 3) + 4(x − 1);
                     z = 2x + 4y − 5.


 Reta normal ao gr´fico
                  a
      O espa¸o tridimensional lR 3 ´ munido de um produto que o torna
              c                       e
muito especial. Dados v1 , v2 ∈ lR 3 , podemos efetuar o produto vetorial,
v1 × v2 , obtendo um terceiro vetor. Se v1 e v2 s˜o linearmente independentes,
                                                 a
ent˜o v1 × v2 ´ perpendicular ao plano gerado por eles.
   a            e
                               v1 × v2




                          v1
                                         v2

      Isso est´ ligado ao fato de todo plano contido em lR 3 ter uma unica
              a                                                         ´
dire¸˜o ortogonal. Ou seja, dado um plano π ⊂ lR e um ponto (a, b, c) ∈ lR 3 ,
    ca                                           3

existe uma unica reta r, tal que r ´ perpendicular a π e (a, b, c) ∈ r.
            ´                      e
      E ainda, se a equa¸˜o cartesiana do plano tem a forma
                        ca

                               α x + β y + γ z = δ,

´ f´cil obter uma equa¸˜o param´trica da reta ortogonal:
e a                   ca       e

                       r(t) = (α t + a, β t + b, γ t + c).


                                                                                          97   CEDERJ
Plano tangente, diferencial e gradiente


                   Portanto, reescrevendo a equa¸˜o do plano tangente ao gr´fico de f , no
                                                ca                         a
              ponto (a, b, f (a, b)) como
                    ∂f            ∂f                ∂f            ∂f
                       (a, b) x +    (a, b) y − z =    (a, b) a +    (a, b) b − f (a, b),
                    ∂x            ∂y                ∂x            ∂y
              obtemos uma equa¸˜o param´trica da reta normal ao gr´fico de f no ponto
                                ca     e                          a
              (a, b, f (a, b)):

                                   ∂f               ∂f
                         r(t) =       (a, b) t + a,    (a, b) t + b, −t + f (a, b) .
                                   ∂x               ∂y

              Exemplo 9.3
                     Vamos calcular uma equa¸˜o param´trica da reta normal ao gr´fico de
                                            ca       e                          a
              f (x, y) = xy no ponto (−1, −2, 2).
                    Come¸amos calculando as derivadas parciais de f :
                          c
              ∂f                 ∂f
                 (x, y) = y e       (x, y) = x,
              ∂x                 ∂y
                        ımos (x, y) por (−1, −2):
              e substitu´
              ∂f                    ∂f
                 (1, −1) = −2 e         (1, −1) = −1.
              ∂x                     ∂y
                    Aqui est´ uma equa¸˜o param´trica da reta normal ao gr´fico de z = xy
                            a           ca        e                       a
              no ponto (−1, −2, 1):

                                    r(t) = (−2t − 1, −t − 2, 2 − t).




                   O pr´ximo tema ´ um cl´ssico da Matem´tica: a diferencial.
                       o          e      a              a


              Diferencial
                    Vocˆ deve ter notado que, em diversas situa¸˜es, usamos a termino-
                       e                                        co
              logia “melhor aproxima¸˜o linear”, enquanto em outras usamos “a melhor
                                     ca
              aproxima¸˜o afim”. Vamos esclarecer a diferen¸a que h´ entre uma e outra
                       ca                                   c       a
              terminologia. No fundo, ´ uma quest˜o de referencial.
                                      e          a

CEDERJ   98
Plano tangente, diferencial e gradiente
                                                                                ´
                                                                               MODULO 1 – AULA 9


      O termo linear ´ usado para caracterizar um tipo especial de fun¸˜es:
                     e                                                co
as transforma¸˜es lineares. Uma transforma¸˜o linear de um espa¸o vetorial
             co                              ca                  c
V no espa¸o vetorial W (digamos, reais) ´ uma fun¸˜o T : V −→ W , com as
          c                             e        ca
seguintes propriedades: ∀v, w ∈ V, ∀λ ∈ lR ,

   • T (v + w) = T (v) + T (w);

   • T (λv) = λ T (v).

      Ou seja, T preserva as opera¸˜es que caracterizam V como um espa¸o
                                  co                                  c
vetorial, na imagem em W .
    Em particular, as transforma¸˜es lineares de lR 2 em lR , tamb´m cha-
                                   co                             e
                               2
madas funcionais lineares de lR , tˆm a forma geral
                                   e

                               T (x, y) = α x + β y,

onde α e β s˜o n´ meros reais.
            a u
     Isto ´, cada funcional linear de lR 2 ´ caracterizado unicamente por um
          e                                e
par ordenado (α, β).
      O gr´fico de um funcional linear de lR 2 ´ um plano contido em lR 3 que
          a                                   e
cont´m a origem, pois T (0, 0) = 0.
    e
     J´ uma aplica¸˜o afim de lR 2 em lR tem a forma geral
      a           ca

                              A(x, y) = α x + β y + γ,

onde α, β e γ s˜o n´ meros reais.
               a u
      O gr´fico de A ´ um plano contido em lR 3 que intersecta o eixo Oz na
          a         e
altura γ.
      No caso das aplica¸˜es afins, temos um grau de liberdade a mais em
                          co
rela¸˜o aos funcionais lineares, pois temos um n´mero extra γ para determi-
    ca                                          u
nar a aplica¸˜o.
            ca
       Suponha que f : A ⊂ lR 2 −→ lR seja uma fun¸˜o diferenci´vel em
                                                  ca           a
(a, b). A aplica¸˜o
                ca
                                     ∂f                  ∂f
          A(x, y) = f (a, b) +          (a, b) (x − a) +    (a, b) (y − b)
                                     ∂x                  ∂y
´ a melhor aproxima¸˜o afim da fun¸˜o f , numa pequena vizinhan¸a do
e                  ca            ca                           c
ponto (a, b).
      H´ uma maneira cl´ssica de apresentar este tema, isto ´, a no¸˜o de
       a                 a                                  e      ca
diferencial. A terminologia usada ´ a de acr´scimos. Usando a nota¸˜o de
                                  e         e                      ca


                                                                                   99   CEDERJ
Plano tangente, diferencial e gradiente


               acr´scimos, mudaremos a aplica¸˜o afim para uma linear, que passar´ a ser
                  e                          ca                                 a
               chamada diferencial.
                    Coloquemos z = f (x, y). Nesses termos, x e y s˜o as vari´veis indepen-
                                                                   a         a
               dentes e z ´ a vari´vel dependente.
                          e       a
                    Veja: se colocarmos h = x−a e k = y−b, podemos reescrever a equa¸˜o
                                                                                    ca
               que define a aplica¸˜o afim A da seguinte maneira:
                                  ca

                                                             ∂f            ∂f
                           A(a + h, b + k) − f (a, b) =         (a, b) h +    (a, b) k.
                                                             ∂x            ∂y

                     A f´rmula do lado direito da igualdade define um funcional linear nas
                        o
               vari´veis h e k, os respectivos acr´scimos de x e de y, aplicados em (a, b):
                   a                              e

                                                   ∂f            ∂f
                                    T (h, k) =        (a, b) h +    (a, b) k,
                                                   ∂x            ∂y

                                                              ∂f           ∂f
               determinada unicamente pelo par ordenado           (a, b),     (a, b) .
                                                              ∂x           ∂y
                                                                         ∂f            ∂f
                      Resumindo, dados os acr´scimos h e k, T (h, k) =
                                             e                               (a, b) h+ (a, b) k
                                                                          ∂x           ∂y
               ´ a melhor aproxima¸˜o linear ao acr´scimo obtido na vari´vel z. Isto ´,
               e                     ca               e                          a           e
               T (h, k) ´ a melhor aproxima¸˜o ao acr´scimo f (a + h, b + k) − f (a, b).
                        e                  ca        e
                    Classicamente, denotam-se os acr´scimos em x e em y por dx e dy
                                                       e
               (h = dx e k = dy). O acr´scimo real, f (a + dx, b + dy) − f (a, b), em z, ´
                                          e                                               e
               denotado por ∆z, para diferenci´-lo do acr´scimento obtido com a diferencial,
                                              a          e
               denotado por dz.
                    Assim, representamos a transforma¸˜o linear T (h, k) por
                                                     ca

                                                    ∂f      ∂f
                                            dz =       dx +    dy,
                                                    ∂x      ∂y

               chamada diferencial da fun¸˜o z = f (x, y).
                                         ca
                    Como
                                                         ∂f             ∂f
                 E(h, k) = f (a + h, b + k) − f (a, b) −    (a, b) h −     (a, b) k
                                                         ∂x             ∂y
                                                              ∂f               ∂f
                           = f (a + h, b + k) − f (a, b) −        (a, b) dx +      (a, b) dy
                                                              ∂x               ∂y
                           = ∆z − dz,

               denotamos dz      ∆z para indicar que dz ´ uma aproxima¸˜o de ∆z. Eles
                                                        e             ca
               diferem pelo erro E(h, k) que ´ t˜o menor quanto mais h e k estiverem
                                              e a
               pr´ximos de zero.
                 o

CEDERJ   100
Plano tangente, diferencial e gradiente
                                                                                      ´
                                                                                     MODULO 1 – AULA 9



        A(a + dx, b + dy)                                                            Esta figura ´ esquem´tica.
                                                                                                   e          a
                                                            Erro = |∆z − dz|         Note que o dom´    ınio de f ,
        f (a + dx, b + dy)
                                                                                     que est´ contido em lR 2 , foi
                                                                                             a
                                               ∆z      dz                            representado como um
                     f (a, b)                                                        subconjunto de lR . Dessa
                                                                                     forma, o gr´fico de f , que ´
                                                                                                  a                 e
                                                                                     uma superf´  ıcie, est´
                                                                                                           a
                                                                                     representado por uma curva,
                                                                                     enquanto o gr´fico de A, que
                                                                                                     a
                                                                                     ´ um plano, est´
                                                                                     e                 a
                                (a, b) (a + dx, b + dy)                              representado por uma reta.
                                                                                     A pr´tica de representar
                                                                                           a
                                                                                     espa¸os de dimens˜es
                                                                                          c               o
                                                                                     maiores por seus similares de
                                                                                     dimens˜es menores ´ comum
                                                                                             o              e
                                                                                     em Matem´tica. Com isso
                                                                                                 a
     Veja como usar essa nota¸˜o no seguinte exemplo.
                             ca                                                      facilita-se a visualiza¸˜o e
                                                                                                             ca
                                                                                     espera-se ajudar o
Exemplo 9.4                                                                          entendimento.

     Vamos calcular a express˜o geral para a diferencial da fun¸˜o
                             a                                 ca

                                f (x, y) =   6 − x2 − y 2

e us´-la para calcular uma aproxima¸˜o ao valor f (0.99, 1.02).
    a                              ca

     Para calcular a forma geral da diferencial, precisamos calcular as deri-
vadas parciais de f .


       ∂f                   −x                  ∂f                   −y
          (x, y) =                      ;          (x, y) =                      .
       ∂x               6 − x2 − y 2            ∂y                6 − x2 − y 2

     Assim, se colocarmos z = f (x, y), a diferencial de f ´
                                                           e
                              x                     y
             dz = −                    dx −                  dy
                          6 − x2 − y 2          6 − x2 − y 2
                      −x dx − y dy
             dz =                   .
                       6 − x2 − y 2

     Agora, vamos usar essa f´rmula para avaliar f (0.99, 1.02).
                             o
     O ponto de referˆncia ´, nesse caso, (1, 1). Isto ´, a = 1, b = 1,
                       e     e                         e
a + h = 0.99 e b + h = 1.02.
     Calculada em (1, 1), a diferencial fica
                                        1    1
                                  dz = − dx − dy.
                                        2    2
     Os acr´scimos s˜o: dx = 0.99 − 1 = −0.01 e dy = 1.02 − 1 = 0.02.
           e        a
Portanto,
                            0.01 − 0.02
                       dz =             = −0.005.
                                 2

                                                                                          101       CEDERJ
Plano tangente, diferencial e gradiente


                    Como f (1, 1) = 2, f (0.99, 1.02)      f (1, 1) + dz = 1.995.
                    Veja, usando uma m´quina de calcular, obtemos uma aproxima¸˜o mais
                                          a                                      ca
               acurada do valor f (0.99, 1.02), como 1.994868417. Nada mal para uma apro-
               xima¸˜o, vocˆ n˜o acha?
                   ca       e a
                    Chegamos ao ultimo tema da aula.
                                ´


               O vetor gradiente

                     A palavra dualidade ´ usada em circunstˆncias bem especiais, na Ma-
                                         e                  a
               tem´tica. Em geral, ela indica a existˆncia de uma bije¸˜o entre certos
                   a                                  e                 ca
               conjuntos. Mas ´ mais do que isso.
                               e
                     Por exemplo, podemos dizer que h´ uma dualidade entre os s´lidos de
                                                        a                         o
               Plat˜o, estabelecida pela rela¸˜o entre n´ meros de v´rtices e n´ meros de
                   a                          ca          u             e       u
               faces. Veja, na tabela a seguir, o nome, o n´mero de v´rtices, o n´ mero de
                                                            u            e       u
               arestas e o n´ mero de faces desses poliedros regulares.
                            u


                                         Nome             v´rtices
                                                           e           arestas   faces
                                       Tetraedro              4           6       4
                                    Hexaedro (cubo)           8           12      6
                                       Octaedro               6           12      8
                                      Dodecaedro              20          30      12
                                       Icosaedro              12          30      20

                     Note que o nome do poliedro tem o prefixo grego que indica o n´mero
                                                                                  u
               de faces. Assim, por exemplo, o hexaedro ´ o s´lido regular que tem seis
                                                          e    o
                                       ´ o nosso popular cubo.
               faces, todas quadradas. E
                     O hexaedro, ou cubo, ´ dual ao octaedro. Isso porque o cubo tem seis
                                             e
               faces e oito v´rtices (f = 6, v = 8), enquanto o octaedro tem oito faces e seis
                             e
               v´rtices (f = 8, v = 6).
                e
                     O dodecaedro ´ dual ao icosaedro. Assim, n˜o ´ surpresa que, conhe-
                                     e                         a e
               cendo o dodecaedro, os gregos acabaram descobrindo o seu dual, o icosaedro.
               Veja: se no centro de cada face do dodecaedro marcarmos um ponto, e li-
               garmos todos esses pontos, obteremos um icosaedro inscrito no dodecaedro
               original, e vice-versa.
                     Resta a pergunta: quem ´ o dual do tetraedro, o mais simples dos
                                               e
               s´lidos regulares? Ora, sem mais delongas, o tetraedro ´ auto-dual, pois ´ o
                o                                                     e                 e
               unico s´lido regular a ter o mesmo n´mero de faces e de v´rtices.
               ´      o                            u                     e

CEDERJ   102
Plano tangente, diferencial e gradiente
                                                                                         ´
                                                                                        MODULO 1 – AULA 9


      Depois disso tudo, voltamos ` nossa aula.
                                  a
     H´ uma bije¸˜o entre o espa¸o dos funcionais lineares de lR 2 e o pr´prio
      a          ca             c                                        o
  2
lR , que associa o funcional definido por T (x, y) = α x + β y ao par
ordenado (α, β).
      Isso ´ um outro exemplo de uma dualidade. Na verdade, o espa¸o dos
           e                                                        c
                         2                                                               A palavra gradiente prov´m    e
funcionais lineares de lR ´ um espa¸o vetorial e ´ chamado espa¸o dual.
                           e       c             e             c                                  do latim gradientis,
                                                                                              partic´ıpio de gradi, que
                                                                                            significa caminhar, assim
                                                ∂f         ∂f                           como a palavra grau prov´m     e
      Isso nos faz olhar para o vetor              (x, y),    (x, y) , como o dual da
                                                ∂x         ∂y                                 de gradus, que significa
                   ∂f             ∂f                                                      passo, medida, hierarquia,
diferencial dz =      (x, y) dx +    (x, y) dy, num ponto gen´rico (x, y) do
                                                             e                                              intensidade.
                   ∂x             ∂y
                                                                                                  A palavra gradiente
dom´
   ınio de f , e nome´-lo gradiente de f . Usamos a nota¸˜o
                      a                                  ca                                    significa, na linguagem
                                                                                                 comum, a medida da
                                           ∂f         ∂f                                  declividade de um terreno.
                          ∇f (x, y) =         (x, y),    (x, y) .                       Significa, tamb´m, a medida
                                                                                                          e
                                           ∂x         ∂y                                 da varia¸˜o de determinada
                                                                                                  ca
                                                                                          caracter´ ıstica de um meio,
                                                                                                  tal como press˜o ou
                                                                                                                   a
      Esse vetor desempenhar´ um papel importante de agora em diante.
                            a
                                                                                          temperatura, de um ponto
      Com isso, chegamos ao fim desta aula. A seguir, uma lista com alguns                      para outro desse meio.
                                                                                           Como tal, nada mais ´ do  e
exerc´
     ıcios para vocˆ praticar o que acabou de aprender.
                   e                                                                      que uma taxa de varia¸˜o.  ca
                                                                                           O s´ ımbolo ∇, usado para
                                                                                             representar esse vetor, ´   e
                                                                                                        chamado nabla.
Exerc´
     ıcios

Exerc´ 1
     ıcio
      Calcule a equa¸˜o do plano tangente e uma equa¸˜o param´trica da
                    ca                              ca       e
reta normal ao gr´fico de f no ponto indicado.
                 a

 (a) f (x, y) = x2 − 2y                  (1, 0, 1);

 (b) f (x, y) = ln (x2 + y 2 )           (1, −1, ln 2);

 (c) f (x, y) = sen xy                   (π, 1/2, 1);
                     2y
 (d) f (x, y) = ex                       (1, 0, 1);

 (e) f (x, y) = xy − y 3                 (1, 1, 0).

Exerc´ 2
     ıcio
     Determine o plano tangente ao gr´fico de f (x, y) = x2 + 3xy + y 2, que
                                      a
´ paralelo ao plano z = 10x + 5y + 15.
e


                                                                                             103        CEDERJ
Plano tangente, diferencial e gradiente


               Exerc´ 3
                    ıcio
                      Calcule a diferencial (forma geral) das seguintes fun¸˜es:
                                                                           co

                (a) z = 2xy − x2 + y 2 ;         (b) z =      1 − x2 − y 2;

                                                           x−y
                (c) z = exy − 1;                 (d) z =       ;
                                                           x+y

                (e) w = xy + xz + yz;            (f) w = ln (1 + x2 + y 2 + z 2 ).

               Exerc´ 4
                    ıcio
                      Use uma diferencial para calcular uma aproxima¸˜o ao n´mero
                                                                    ca      u
               √       √
                       3
                   17 + 26.

               Exerc´ 5
                    ıcio
                    Use a diferencial para calcular uma aproxima¸˜o de f (2.997, 4.008),
                                                                ca
               onde f (x, y) = x2 + y 2 .

               Exerc´ 6
                    ıcio
                      Sabendo que o vetor gradiente de f (x, y), no ponto (1, 2), ´ ∇f (1, 2) =
                                                                                  e
               (1, −1) e que f (1, 2) = 3, calcule o plano tangente ao gr´fico de f no ponto
                                                                          a
               (1, 2, f (1, 2)).




CEDERJ   104
Derivadas parciais de ordens superiores
                                                                                ´
                                                                               MODULO 1 – AULA 15


    Aula 15 – Derivadas parciais de ordens
                                 superiores


Objetivos
   • Usar a Regra da Cadeia para calcular derivadas parciais de
     ordens superiores.

   • Conhecer uma condi¸˜o suficiente para a comutatividade das
                         ca
     derivadas parciais.



Introdu¸˜o
       ca
                  Por que derivar mais do que uma vez?
      Antes de responder a esta pergunta, vamos considerar alguns aspectos
da derivada. Vejamos: quando algu´m menciona o termo derivada, o que
                                    e
ocorre a vocˆ? Digamos que tenha sido algo como “a derivada ´ a medida
             e                                                 e
da mudan¸a da fun¸˜o em torno de um certo ponto”. Bom! Em particular,
          c        ca
se a fun¸˜o for constante, n˜o h´ mudan¸a na fun¸˜o e essa medida ´ nula,
        ca                  a a         c        ca                 e
o que se encaixa nessa vis˜o geral.
                          a
      Vocˆ aprendeu que, se a derivada de uma fun¸˜o de uma vari´vel real ´
          e                                      ca             a         e
positiva ao longo de um intervalo, ent˜o essa fun¸˜o ´ crescente
                                            a            ca e
nesse intervalo.
     Resumindo: o estudo dos sinais da derivada, assim como o seu com-
portamento em torno de seus zeros, nos d´ informa¸˜es valiosas a respeito
                                        a        co
da fun¸˜o.
      ca
     Mas veja: esse estudo de sinais da derivada n˜o detecta a diferen¸a que
                                                  a                   c
h´ entre as duas fun¸˜es cujos gr´ficos est˜o esbo¸ados a seguir, uma vez
 a                   co           a         a       c
que ambas s˜o crescentes.
            a




              Figura 15.1                                      Figura 15.2

                                                                                  171   CEDERJ
Derivadas parciais de ordens superiores


                    Enquanto a derivada mede o crescimento do gr´fico da fun¸˜o, sua
                                                                   a         ca
               curvatura ´ detectada pela derivada segunda. Essa ´ uma motiva¸˜o para
                         e                                       e           ca
               considerarmos derivadas de ordens superiores.
                    H´ outras. Por exemplo, a F´rmula de Taylor, um tema que ainda
                      a                        o
               exploraremos.
                    Agora, ao assunto da aula!


               Parciais de parciais
                     Vocˆ aprendeu a calcular derivadas parciais de uma dada fun¸˜o de duas
                        e                                                       ca
               ou mais vari´veis. Essas derivadas s˜o, elas pr´prias, fun¸˜es que podem
                            a                        a           o         co
               ser, por sua vez, submetidas ao mesmo processo: derivar parcialmente as
               derivadas parciais. Veja um exemplo.

               Exemplo 15.1
               Vamos calcular as derivadas parciais de segunda ordem da fun¸˜o
                                                                           ca

                                           f (x, y) = x3 y 2 − 3xy 4 .

                    Primeiro, as derivadas parciais:


                      ∂f                                      ∂f
                         (x, y) = 3x2 y 2 − 3y 4;                (x, y) = 2x3 y − 12xy 3.
                      ∂x                                      ∂y

                    Agora, as parciais das parciais:
                    
                     ∂ ∂f
                    
                    
                                         ∂ 2f
                    
                     ∂x ∂x     (x, y) =       (x, y) = 6xy 2 ;
                    
                                          ∂x2
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                     ∂
                             ∂f          ∂ 2f
                    
                                (x, y) =      (x, y) = 6x2 y − 12y 3.
                      ∂y      ∂x          ∂y∂x
                    
                     ∂
                    
                    
                             ∂f          ∂ 2f
                    
                     ∂x         (x, y) =      (x, y) = 6x2 y − 12y 3;
                    
                             ∂y          ∂x∂y
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                     ∂ ∂f           ∂ 2f
                    
                           (x, y) =      (x, y) = 2x3 − 36xy 2.
                      ∂y ∂y          ∂y 2


CEDERJ   172
Derivadas parciais de ordens superiores
                                                                                  ´
                                                                                 MODULO 1 – AULA 15


Nota¸˜es
    co
     No exemplo anterior vocˆ j´ conheceu a principal nota¸˜o para as deri-
                              e a                           ca
                             ∂ 2f
vadas de ordens superiores:       significa que estamos derivando duas vezes
                             ∂x2
em rela¸˜o a x.
       ca
                ∂ 2f
     Note que         significa: derive em rela¸˜o a y e, depois, em rela¸˜o a
                                              ca                        ca
                ∂x∂y
x. Ou seja, essa nota¸˜o deve ser lida da direita para a esquerda.
                     ca

                                       ∂ 2f
                                       ∂x∂y
                                       


     A nota¸˜o fy x = fy x tamb´m ´ muito util, especialmente quando
            ca                    e e         ´
lidamos com f´rmulas mais longas. Neste caso, a nota¸˜o deve ser lida da
              o                                     ca
esquerda para a direita.

                                       fy x
                                           -


      H´ uma terceira maneira de denotar as derivadas parciais de ordens
       a
superiores, semelhante a esta ultima, usando n´ meros no lugar das vari´veis
                               ´                u                        a
para indicar a vari´vel respectiva ` qual a deriva¸˜o est´ sendo feita. Assim,
                   a               a              ca     a

                    f1 ,     f2 ,     f1 1 ,     f1 2 ,     f2 2 ,

correspondem, respectivamente, a

                   fx ,      fy ,     fx x ,     fx y ,     fy y ,

por exemplo.
      A vantagem dessa nota¸˜o ´ que ela n˜o enfatiza o nome da vari´vel
                             ca e           a                        a
(x, ou y, u ou outra qualquer). Veja mais um exemplo, onde usamos as trˆs
                                                                       e
nota¸˜es.
     co

Exemplo 15.2
Vamos calcular as derivadas parciais at´ ordem dois da fun¸˜o
                                       e                  ca

                           f (x, y, z) = z exy − 3yz 2 .

     N˜o ´ incomum, especialmente nos nossos manuscritos, omitirmos da
       a e
nota¸˜o o par ordenado (x, y) (ou a tripla (x, y, z), dependendo do caso),
    ca


                                                                                    173   CEDERJ
Derivadas parciais de ordens superiores


               deixando subentendido que a fun¸˜o deve ser calculada num ponto gen´rico.
                                              ca                                  e
               Assim, temos:
                 ∂f                        ∂f                                     ∂f
                    = yz exy ;                = xz exy − 3z 2 ;                      = exy − 6yz.
                 ∂x                        ∂y                                     ∂z

                    Agora, as parciais de ordem dois:

                ∂ 2f
                     = y 2 z exy ;            fx y = z exy + xyz exy ;             f1 3 y exy ;
                ∂x2

                                                                                   ∂ 2f
                f2 1 = z exy + xyz exy ;      fy y = x2 z exy ;                         = x exy − 6z;
                                                                                   ∂z∂y

                                              ∂ 2f
                fz x = y exy ;                     = x exy − 6z;                   f3 3 = −6y.
                                              ∂y∂z


               Quem deriva uma, duas vezes, deriva muitas vezes
                                                                              ∂ 3f
                    As nota¸˜es se generalizam naturalmente. Por exemplo,
                           co                                                       indica
                                                                             ∂x2 ∂y
               a derivada parcial da fun¸˜o f em rela¸˜o a y e, em seguida, em rela¸˜o a x
                                        ca           ca                            ca
               duas vezes.
                     Al´m disso, quando dizemos que f ´ uma fun¸˜o de classe C k , significa
                       e                                e          ca
               que f admite as derivadas parciais de todas as ordens, at´ k, e todas essas
                                                                         e
               derivadas s˜o fun¸˜es cont´
                          a     co       ınuas. Em particular, ´ conveniente usar a nota¸˜o
                                                               e                         ca
               fun¸˜o de classe C 0 para indicar que a fun¸˜o f ´ uma fun¸˜o cont´
                  ca                                      ca     e        ca       ınua.


               Atividade 15.4
               Aqui est´ uma oportunidade de vocˆ testar essas diferentes nota¸˜es.
                        a                       e                             co
                    Seja f (x, y, z) = cos(xy 2 ) − sen (yz 2 ).
                    Calcule as seguintes derivadas parciais:
                                     ∂ 2f
                                          ;            fyyz ;            f321 .
                                     ∂x∂z

               Uma condi¸˜o suficiente para a comutatividade das de-
                        ca
               rivadas parciais
                     Uma coisa deve ter chamado a sua aten¸˜o, especialmente no exemplo
                                                             ca
                                                                           ∂ 2f    ∂ 2f
               15.2. As derivadas de ordem dois, de termos cruzados, como ∂x∂y e ∂y∂x ,
               s˜o iguais, apesar da diferente ordem de deriva¸˜o.
                a                                             ca

CEDERJ   174
Derivadas parciais de ordens superiores
                                                                               ´
                                                                              MODULO 1 – AULA 15


     No entanto, nem toda fun¸˜o tem essa propriedade. Veja o
                             ca
pr´ximo exemplo.
  o

Exemplo 15.3
                                 ∂ 2f            ∂ 2f
Veja agora uma fun¸˜o f tal que
                  ca                   (0, 0) =        (0, 0).
                                 ∂x∂y            ∂y∂x
     Na aula anterior, vimos que a fun¸˜o definida por
                                       ca
                      
                       x3 y
                      
                      
                      
                       2
                       x + y2 ,      se        (x, y) = (0, 0),
                      
                      
                      
                      
             f (x) =
                      
                      
                      
                      
                      
                      
                      
                      
                       0,
                                     se        (x, y) = (0, 0),

admite derivadas direcionais em todas as dire¸˜es, na origem, e todas essas
                                             co
derivadas s˜o iguais a zero. Em particular,
           a
                         ∂f          ∂f
                            (0, 0) =    (0, 0) = 0.
                         ∂x          ∂y

     Se (x, y) = (0, 0), temos:
          ∂f          3x2 y (x2 + y 2 ) − x3 y 2x    x4 y + 3x2 y 3
             (x, y) =                             =                 ;
          ∂x                  (x2 + y 2 )2             (x2 + y 2 )2
          ∂f          x3 (x2 + y 2 ) − x3 y 2y     x5 − x3 y 2
             (x, y) =                           =               .
          ∂y                (x2 + y 2 )2           (x2 + y 2 )2

     Resumindo,
                     
                      x4 y + 3x2 y 3
                     
                     
                     
                     
                      (x2 + y 2 )2 ,           se        (x, y) = (0, 0),
                     
                     
                     
                     
        ∂f
           (x, y) =
        ∂x          
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                    
                     0,
                                               se        (x, y) = (0, 0),

e                     
                       x5 − x3 y 2
                      
                      
                      
                       2
                       (x + y 2 )2 ,          se        (x, y) = (0, 0),
                      
                      
                      
                      
         ∂f
            (x, y) =
         ∂y          
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                      0,
                                              se        (x, y) = (0, 0),


                                                                                 175   CEDERJ
Derivadas parciais de ordens superiores


                    Portanto,

                                           ∂f          ∂f
                         ∂ 2f                 (0, y) −    (0, 0)       0
                              (0, 0) = lim ∂x          ∂x        = lim   = 0
                         ∂y∂x          y→0           y             y→0 y

               e
                                        ∂f          ∂f               x5
                                           (x, 0) −    (0, 0)
                      ∂ 2f              ∂y          ∂y              (x2 )2
                           (0, 0) = lim                       = lim        = 1.
                      ∂x∂y          x→0           x             x→0   x
                                                        ∂ 2f   ∂ 2f
                    Ou seja, pelo menos na origem,           =      .
                                                        ∂y∂x   ∂x∂y
                    O teorema que enunciaremos a seguir nos d´ uma condi¸˜o suficiente
                                                              a          ca
               para que as derivadas de ordem dois, em rela¸˜o as diferentes vari´veis,
                                                            ca `                 a
               comutem.

               Teorema 15.1
               Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o de classe C 2 (ou seja, f admite deri-
                                                ca
               vadas parciais de ordem dois e essas fun¸˜es s˜o todas cont´nuas), definida
                                                       co    a            ı
               em um subconjunto aberto D de lR 2 . Ent˜o, ∀(x, y) ∈ D,
                                                       a

                                       ∂ 2f          ∂ 2f
                                            (x, y) =      (x, y).
                                       ∂x∂y          ∂y∂x



                     Em geral, os textos de C´lculo omitem a demonstra¸˜o desse teorema.
                                             a                            ca
               Para provar esse resultado, usamos o Teorema do Valor M´dio, de maneira
                                                                            e
               semelhante ` que fizemos na aula Diferenciabilidade – continua¸˜o, para
                            a                                                      ca
               provar que, se a fun¸˜o for de classe C 1 , ent˜o ela ´ diferenci´vel, por´m,
                                    ca                        a      e          a        e
               em dose dupla. Vocˆ poder´ encontrar essa demonstra¸˜o no livro C´lculo
                                    e      a                            ca             a
               Diferencial e Integral, Volume II, de Richard Courant (Editora Globo), a
               partir da p´gina 55.
                          a
                    No entanto, vocˆ pode usar o teorema imediatamente. Aqui est´ uma
                                    e                                           a
               oportunidade de fazer isso.

               Atividade 15.5
               Calcule todas as derivadas parciais, at´ ordem trˆs, da fun¸˜o f (x, y) =
                                                      e         e         ca
                2 −y
               x e .
                      Veja: usando o Teorema 15.1, vocˆ poder´ concluir que fxxy = fxyx =
                                                      e      a
               fyxx , por exemplo. Isso far´ com que vocˆ calcule quatro derivadas parciais
                                           a             e
               de ordem trˆs no lugar de oito, certo?
                            e

CEDERJ   176
Derivadas parciais de ordens superiores
                                                                                      ´
                                                                                     MODULO 1 – AULA 15


     Apresentaremos, agora, uma s´rie de exemplos com os quais vocˆ apren-
                                 e                                e
der´ a usar a Regra da Cadeia para calcular derivadas parciais de ordens
   a
superiores de fun¸˜es compostas.
                 co

Exemplo 15.4
Come¸aremos com uma composi¸˜o de uma fun¸˜o de duas vari´veis f (x, y)
     c                     ca            ca              a
com uma curva α(t).
      Seja f : lR 2 −→ lR uma fun¸˜o de classe C 2 e seja g(t) = f (t2 +1, 2t3 ),
                                 ca
a composi¸˜o de f com α(t) = (t2 + 1, 2t3).
           ca
                                 d2 g
      Vamos expressar g (t) =         (t) em termos das derivadas parciais de
                                 dt2
f . Observe que
                          g (t) = ∇f α(t) · α (t).

     Assim,
                     ∂f 2                   ∂f 2
             g (t) =    (t + 1, 2t3 )(2t) +    (t + 1, 2t3)(6t2 )
                     ∂x                     ∂y
                        ∂f 2                   ∂f 2
             g (t) = 2t    (t + 1, 2t3 ) + 6t2    (t + 1, 2t3 ).
                        ∂x                     ∂y
      Muito bem! Antes de prosseguirmos, observe a fun¸˜o obtida ap´s a
                                                        ca            o
primeira deriva¸˜o. Ela ´ formada por duas parcelas, sendo cada uma o
               ca         e
                                                         ∂f 2
produto de duas fun¸˜es de t. Por exemplo, h(t) = 2t
                     co                                     (t + 1, 2t3 ) ´
                                                                          e
                                                         ∂x
o produto da fun¸˜o k(t) = 2t pela composi¸˜o da fun¸˜o derivada par-
                  ca                           ca       ca
cial de f em rela¸˜o a x com a curva α(t). Para calcularmos a pr´xima
                  ca                                                o
derivada, temos de levar isso em conta. Ou seja, usaremos a Regra do Pro-
duto com mais uma aplica¸˜o da Regra da Cadeia. Veja como derivar a
                            ca
primeira parcela,
                                   ∂f 2
                        h(t) = 2t      (t + 1, 2t3 ).
                                    ∂x


            ∂f 2                  ∂ 2f 2                    ∂ 2f 2
h (t) = 2      (t + 1, 2t3 ) + 2t    2
                                       (t + 1, 2t3 ) (2t) +      (t + 1, 2t3 ) 6t2
            ∂x                    ∂x                        ∂y∂x

                                                    d ∂f 2
                                                          (t +1,2t3 )
                                                    dt ∂x
              ∂f 2                   ∂ 2f 2                   ∂ 2f 2
 h (t) = 2       (t + 1, 2t3 ) + 4t2     (t + 1, 2t3 ) + 12t3      (t + 1, 2t3 ).
              ∂x                     ∂x2                      ∂y∂x
                                         ∂f 2
     Vamos denotar por j(t) = 6t2           (t + 1, 2t3), a segunda parcela. Aqui
                                         ∂y
est´ a derivada de j(t):
   a


                                                                                        177   CEDERJ
Derivadas parciais de ordens superiores




                             ∂f 2                ∂ 2f 2                    ∂ 2f 2
               j (t) = 12t      (t +1, 2t3 )+6t2      (t + 1, 2t3 ) (2t) +      (t + 1, 2t3 ) 6t2
                             ∂y                  ∂x∂y                      ∂y 2

                                                                    d ∂f 2
                                                                          (t +1,2t3 )
                                                                    dt ∂y

                              ∂f 2                    ∂ 2f 2                   ∂ 2f 2
               j (t) = 12t       (t + 1, 2t3 ) + 12t3      (t + 1, 2t3) + 36t4      (t + 1, 2t3 ).
                              ∂y                      ∂x∂y                     ∂y 2

                    F´rmulas enormes, n˜o? No entanto, note que h´ muita repeti¸˜o.
                      o                  a                             a             ca
               Podemos abreviar um pouco se usarmos a nota¸˜o fxx , por exemplo. Para
                                                              ca
               expressar a segunda derivada de g(t), usaremos que g (t) = h (t) + j (t).

                g (t) = 2 fx (t2 + 1, 2t3 ) + 4t2 fxx (t2 + 1, 2t3 ) + 12t3 fxy (t2 + 1, 2t3 ) +
                           +12t fy (t2 + 1, 2t3 ) + 12t3 fyx (t2 + 1, 2t3 ) + 36t4 fyy (t2 + 1, 2t3 ).

                     Sabendo que f ´ de classe C 2 , podemos somar os termos fxy e fyx .
                                   e
               Al´m disso, deixaremos subentendido que as derivadas parciais s˜o todas
                 e                                                            a
                                       2       3
               calculadas em α(t) = (t + 1, 2t ). Com isso, conseguimos uma express˜o
                                                                                    a
               bem mais simples para g (t):

                             g (t) = 2 fx + 12t fy + 4t2 fxx + 24t3 fxy + 36t4 fyy .

               Atividade 15.6
               Suponha que f seja uma fun¸˜o de classe C 2 , de duas vari´veis, e considere
                                         ca                              a
               g(t) = f (et , e−t ).
                      Expresse a derivada segunda g (t) em termos das derivadas parciais de
               f , usando a nota¸˜o fx , fxy e omitindo o fato de que essas derivadas parciais
                                 ca
               devem ser calculadas em (et , e−t ).
                     Uma vez isso feito, fa¸a f (x, y) = xy 2 , efetue a composi¸˜o e derive a
                                           c                                    ca
               fun¸˜o obtida diretamente, comprovando seus c´lculos.
                  ca                                               a

               Exemplo 15.5
               No caso de x e y serem, por sua vez, fun¸˜es de duas vari´veis, digamos
                                                       co               a
               u e v, podemos, novamente, aplicar a Regra da Cadeia para expressar as
               derivadas parciais.
                     Mais uma vez omitiremos os pontos onde as parciais devem ser calcu-
               ladas, por raz˜es de simplicidade.
                             o

CEDERJ   178
Derivadas parciais de ordens superiores
                                                                                      ´
                                                                                     MODULO 1 – AULA 15


      Digamos que z = f (x, y), x = g(u, v) e y = h(u, v) e que todas as
                                                         ∂ 2z   ∂ 2z
fun¸˜es envolvidas sejam de classe C 2 . Vamos expressar
   co                                                         e      em
                                                         ∂u2    ∂v∂u
termos das outras derivadas parciais.
     Come¸amos derivando a composta em rela¸˜o a u:
         c                                 ca

                             zu = fx xu + fy yu .

      Na pr´xima etapa, devemos observar que fx , xu , fy e yu s˜o, cada
              o                                                 a
uma delas, fun¸˜es de u e de v. Por exemplo, fx simboliza a composi¸˜o
                  co                                                 ca
fx (x(u, v), y(u, v)).
     Ent˜o, derivando novamente, em rela¸˜o a u, obtemos:
        a                               ca

   zuu = (fxx xu + fxy yu ) xu + fx xuu + (fyx xu + fyy yu ) yu + fy yuu
   zuu = fxx (xu )2 + 2 fxy xu yu + fyy (yu )2 + fx xuu + fy yuu .

     Derivando zu em rela¸˜o a v, temos:
                         ca

  zuv = (fxx xv + fxy yv ) xu + fx xuv + (fyx xv + fyy yv ) yu + fy yuv
  zuv = fxx xu xv + fxy (xu yv + xv yu ) + fyy yu yv + fx xuv + fy yuv .

      Note que, nas f´rmulas anteriores, fxy deve ser calculado em (x(u, v), y(u, v)) =
                      o
(g(u, v), h(u, v)), por exemplo, e xuv deve ser calculado em (u, v).

     Essas computa¸˜es causam um certo impacto, devido ao tamanho que
                    co
costumam alcan¸ar (e olhe que n˜o estamos calculando derivadas de ordens
                c              a
maiores do que dois!). No entanto, uma vez acostumado com a nota¸˜o  ca
abreviada, vocˆ perceber´ uma imperativa l´gica em suas forma¸˜es.
              e         a                 o                  co

     No pr´ximo exemplo usaremos, de maneira ainda informal, a linguagem
            o
das equa¸˜es diferenciais. Uma equa¸˜o diferencial parcial, EDP para os
         co                          ca
´
ıntimos, ´ uma equa¸˜o que envolve derivadas parciais. Uma solu¸˜o de uma
         e         ca                                          ca
EDP ´ uma rela¸˜o que n˜o cont´m derivadas e que satisfaz a equa¸˜o em
     e          ca        a      e                                 ca
todos os pontos do dom´ınio em quest˜o.
                                    a

Exemplo 15.6
Vamos determinar os valores de a, b e c tais que a fun¸˜o u(x, y) = a x2 +
                                                      ca
          2
b xy + c y seja uma solu¸˜o da equa¸˜o
                        ca         ca

                                uxx + uyy = 0.


                                                                                          179   CEDERJ
Derivadas parciais de ordens superiores


                    Veja: devemos calcular as derivadas correspondentes, substituir na
               equa¸˜o e descobrir se h´ alguma rela¸˜o a que elas devam obedecer.
                   ca                  a            ca

                                 ux = 2a x + b y;                uy = b x + 2c y;

                                        uxx = 2a;                uyy = 2c.

                     Portanto, se a = −c temos uxx + uyy = 0.
                     Na verdade, a fun¸˜o polinomial
                                      ca

                                  u(x, y) = a x2 + b xy − a y 2 + d x + e y + f

               ´ uma solu¸˜o de uxx + uyy = 0.
               e         ca
                     Para ver se vocˆ pegou mesmo a id´ia, determine os valores de a, b, c e
                                    e                  e
               d tais que a fun¸˜o u(x, y) = a x + b x y + c xy 2 + d y 3 seja solu¸˜o da EDP
                               ca               3     2
                                                                                   ca
               uxx + uyy = 0.


                     Apresentamos agora, uma s´rie de exerc´
                                              e            ıcios para vocˆ praticar.
                                                                         e



               Exerc´
                    ıcios

               Exerc´ 1
                    ıcio
                    Dizemos que uma fun¸˜o de duas vari´veis ´ harmˆnica se ela satisfaz
                                       ca              a     e     o
               a equa¸˜o de Laplace
                     ca

                                                    ∂ 2f   ∂ 2f
                                          ∆f =           +      = 0.
                                                    ∂x2    ∂y 2

                     Mostre que as seguintes fun¸˜es s˜o harmˆnicas:
                                                co    a      o

                (a) f (x, y) = x3 − 3xy 2 − 2x2 + 2y 2 + 2xy;


                (b) g(x, y) = ln (x2 + y 2 );

                                       y
                (c) h(x, y) = arctg      ;
                                       x

                (d) k(x, y) = ex sen y + ey cos x.


CEDERJ   180
Derivadas parciais de ordens superiores
                                                                                      ´
                                                                                     MODULO 1 – AULA 15


Exerc´ 2
     ıcio                      
                                xy(x2 − y 2 )
                               
                               
                               
                               
                                x2 + y 2 ,           se     (x, y) = (0, 0);
                               
                               
                               
                               
     Considere f (x, y)) =
                               
                               
                               
                               
                               
                               
                               
                               
                                0,
                                                     se         (x, y) = (0, 0).

     Mostre que fxy (0, 0) = −1 e fyx (0, 0) = 1.

Exerc´ 3
     ıcio
              ∂ 2u      ∂ 2u
      A EDP        = c2      , onde c ´ uma constante, ´ chamada equa¸˜o
                                      e                e             ca
              ∂t2       ∂x2
da onda e ´ uma das primeiras EDPs a serem estudadas. Mostre que as
           e
fun¸˜es do tipo
   co
                       u(x, t) = f (x + c t) + g(x − c t),

onde f e g s˜o fun¸˜es de uma vari´vel real, de classe C 2 , s˜o solu¸˜es para
            a     co              a                           a      co
a equa¸˜o da onda.
      ca

Exerc´ 4
     ıcio
                          2
      A EDP ∂w = k ∂ w , onde k ´ uma constante, ´ chamada equa¸˜o do
              ∂t      ∂x2
                                e                e               ca
calor, e ´ uma outra EDP bem conhecida. Mostre que as fun¸˜es do tipo
         e                                               co

                                                                 2
                   w(x, t) = (a cos(cx) + b sen (cx)) e−kc t ,

onde a, b e c s˜o constantes, s˜o solu¸˜es para a equa¸˜o do calor.
               a               a      co              ca

Exerc´ 5
     ıcio
       Seja g(u, v) = f (u + v, uv), onde f ´ uma fun¸˜o de classe C 2 . Calcule
                                             e         ca
gu (1, 1) e gvu (1, 1), sabendo que fx (2, 1) = 3, fy (2, 1) = −3, fxx (2, 1) = 0,
fxy (2, 1) = 1 e fyy (2, 1) = 2.

Exerc´ 6
     ıcio
     Sejam z = z(x, y), x = eu cos v, y = eu sen v. Suponha que

                                ∂ 2z ∂ 2z
                                    + 2 = 0.
                                ∂x2  ∂y

             ∂ 2z ∂ 2z
     Calcule     + 2.
             ∂u2  ∂v

                                                                                        181   CEDERJ
Derivadas parciais de ordens superiores


               Exerc´ 7
                    ıcio
                     Expresse g (t) em termos das derivadas parciais de f , sendo g(t) =
               f (1 − t, t2 ).

               Exerc´ 8
                    ıcio
                      Considere h(u, v) = f (u2 −v 2 , 2uv), onde f (x, y) ´ uma fun¸˜o de classe
                                                                           e        ca
                              ∂ 2h
               C 2 . Expresse      (u, v) em termos das derivadas parciais da fun¸˜o f .
                                                                                     ca
                              ∂u2
               Exerc´ 9
                    ıcio
                     Seja v(r, θ) = u(x, y), onde x = r cos θ e y = r sen θ. Mostre que

                                  ∂ 2u ∂ 2u    ∂ 2 v 1 ∂v   1 ∂ 2v
                                      +      =      +     + 2, 2 .
                                  ∂x2   ∂y 2   ∂r 2   r ∂r r ∂θ


               Exerc´ 10
                    ıcio
                    Encontre uma fun¸˜o f de uma vari´vel tal que a fun¸˜o u(x, y) da
                                     ca                  a               ca
                                   2    2
               forma u(x, y) = f (x + y ) satisfa¸a a equa¸˜o de Laplace
                                                 c         ca

                                                   ∂ 2u ∂ 2u
                                                       +      .
                                                   ∂x2   ∂y 2




CEDERJ   182
ınimos – 1a parte
                        M´ximos e m´
                         a
                                                                                 ´
                                                                                MODULO 1 – AULA 16



                       ınimos – 1a parte
  Aula 16 – M´ximos e m´
             a                                                                        Aqui est´ uma tradu¸˜o
                                                                                              a            ca
                                                                                    (livre) da poesia. Ela ´ a
                                                                                                           e
                                              The lowest trees have tops,             primeira estrofe de uma
                                                                                     can¸˜o de John Dowland
                                                                                         ca
                                                            the ant her gall,
                                                                                    (1563 - 1626), alaudista e
                                                         The fly her spleen,       compositor inglˆs da ´poca
                                                                                                  e     e
                                                   the little spark his heat;    de Shakespeare, cuja letra ´ e
                                                                                atribu´ a Sir Edward Dyer.
                                                                                       ıda
                                            And slender hairs cast shadows
                                                                                 As ´rvores mais baixas tˆm
                                                                                     a                       e
                                                          though but small,                        suas copas,
                                                      And bees have stings          a formiguinha sua ardida
                                                                                                      ferroada,
                                                although they be no great;
                                                                                   A mosca pode incomodar,
                                                    Seas have their source,        a pequenina fagulha pode
                                              and so have shallow springs,                            queimar;
                                                                                   E mesmo cabelos fininhos
                                                             and love is love                  fazem sombras
                                                   in beggars and in kings.            apesar de pequeninas;
                                                                                  Os mares tˆm suas fontes,
                                                                                              e
                                                                                   assim como os min´sculos
                                                                                                         u
                                                                                                        riachos,
                                                                                          e o amor ´ o amor
                                                                                                      e
Objetivos                                                                       tanto em mendigos como em
                                                                                                    soberanos.
   • Aprender as defini¸˜es e a nomenclatura.
                      co


   • Localizar e classificar pontos extremos locais.



Introdu¸˜o
       ca
      Encontrar os pontos extremos de uma fun¸˜o lembra o trabalho de um
                                               ca
detetive. A primeira etapa do trabalho consiste em localizar os suspeitos.
Quem faz esse papel na nossa hist´ria s˜o os pontos cr´ticos.
                                 o     a              ı
      A importˆncia dessa etapa consiste em limitar a busca a um conjunto
              a
relativamente pequeno.
     A segunda etapa ´ mais sutil e depende muito da situa¸˜o estudada. Por
                       e                                  ca
exemplo, a natureza do dom´  ınio considerado pode introduzir complica¸˜es
                                                                       co
deveras interessantes no problema.
      Enquanto que no caso das fun¸˜es de uma vari´vel nosso detetive tinha
                                   co              a
uma unica dire¸˜o a seguir, subindo e descendo em busca de pontos extremos,
     ´        ca
no contexto atual, das fun¸˜es com duas ou mais vari´veis, sua busca se
                            co                          a
estender´ aos mais profundos vales e as mais altas montanhas.
        a                             `
     Mas, calma! Estamos nos antecipando um pouco. Nesta aula nos ocu-
paremos das defini¸˜es e da an´lise local.
                 co          a


                                                                                     183       CEDERJ
ınimos – 1a parte
                                        M´ximos e m´
                                         a




                                                   Figura 16.1


               M´ximos e m´
                a         ınimos – defini¸˜es
                                        co
                     Nesta etapa estabeleceremos as defini¸˜es para o caso das fun¸˜es de
                                                          co                      co
               duas vari´veis, mas elas podem ser estendidas naturalmente para o caso das
                        a
               fun¸˜es com mais vari´veis.
                  co                 a

                      Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o. Dizemos que (a, b) ∈ D ´
                                                           ca                     e
               um ponto de m´ximo local de f se existe um n´ mero r  0 tal que, se
                                  a                           u
               ||(x, y) − (a, b)||  r, ent˜o (x, y) ∈ D e
                                           a

                                          f (x, y) ≤ f (a, b) = M.

                    Neste caso, dizemos que M ´ um valor m´ximo local de f .
                                              e           a
                    Em outras palavras, queremos que haja uma vizinhan¸a em torno do
                                                                             c
               ponto (a, b) onde a fun¸˜o est´ definida e, nesta vizinhan¸a, o valor da fun¸˜o
                                      ca     a                          c                 ca
               em (a, b) ´ o maior que ela atinge.
                         e




                                                       r
                                            b

                                                        a      D



                                                   Figura 16.2

                    Analogamente, definimos pontos de m´ ınimo local, assim como valor
               m´
                ınimo local, invertendo a desigualdade:

                                          f (x, y) ≥ f (a, b) = m.

CEDERJ   184
ınimos – 1a parte
                         M´ximos e m´
                          a
                                                                                 ´
                                                                                MODULO 1 – AULA 16


Exemplo 16.1
     A fun¸˜o f cujo gr´fico est´ esbo¸ado na figura a seguir admite um
          ca            a       a    c
ponto de m´ximo local, assim como um ponto de m´
          a                                    ınimo local.




                                    Figura 16.3




     Em certos problemas, queremos considerar apenas uma parte do dom´
                                                                     ınio
da fun¸˜o. Por isso, ´ conveniente introduzir a defini¸˜o a seguir.
      ca             e                               ca
      Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o e seja A ⊂ D um subconjunto do
                                      ca
dom´ınio de f . Dizemos que o ponto (a, b) ∈ A ´ um ponto m´ximo de f em
                                               e           a
A se, para todo (x, y) ∈ A,


                           f (x, y) ≤ f (a, b) = M.


     Nesse caso, dizemos que M ´ o valor m´ximo de f em A.
                               e          a
      Em particular, se A = D, dizemos que (a, b) ´ um ponto de m´ximo
                                                  e              a
absoluto da fun¸˜o f e M ´ o valor m´ximo de f .
               ca         e         a
     Analogamente, definimos pontos de m´
                                       ınimo de f em A e pontos de
m´
 ınimo absolutos de f .



Exemplo 16.2
     A fun¸˜o f (x, y) = x2 + y 2 est´ definida em todo o espa¸o lR 2 e admite
          ca                         a                       c
um ponto de m´ ınimo local e absoluto em (0, 0). Na verdade, neste caso o
ponto de m´
          ınimo absoluto ´ unico.
                           e´
     Veja que esta fun¸˜o n˜o admite pontos de m´ximo, sejam absolutos
                        ca a                         a
ou locais, pois ela assume valores arbitrariamente grandes.


                                                                                   185   CEDERJ
ınimos – 1a parte
                                        M´ximos e m´
                                         a




                                              Figura 16.4




                    Vamos, agora, considerar a mesma fun¸˜o f , por´m restrita a um sub-
                                                        ca         e
               conjunto pr´prio de seu dom´
                          o               ınio. Seja

                                 A = { (x, y) ∈ lR 2 ; 9x2 + 4y2 ≤ 36 }.


 Figura 16.5        Como o ponto (0, 0) ∈ A, este ponto continua sendo o m´ ınimo de f ,
               agora no conjunto A. A quest˜o que resta resolver ´: h´ um ponto m´ximo
                                           a                     e a             a
               de f em A?
                    Bem, considerando a natureza da fun¸˜o f , devemos buscar os pontos
                                                          ca
               de A que estejam mais afastados da origem. Esses pontos s˜o (0, 3) e (0, −3).
                                                                        a
               Veja o gr´fico.
                        a




                                                         A


                                              Figura 16.6

                     Conclus˜o: restrita ao conjunto A a fun¸˜o f admite um ponto m´
                             a                              ca                        ınimo
               em (0, 0), que tamb´m ´ um ponto m´
                                   e e               ınimo local, e dois pontos m´ximos em
                                                                                  a
               (0, 3) e (0, −3). O valor m´ ınimo de f ´m A ´ f (0, 0) = 0 e o valor m´ximo
                                                       e     e                        a
               de f em A ´ f (0, 3) = f (0, −3) = 9.
                           e

CEDERJ   186
ınimos – 1a parte
                          M´ximos e m´
                           a
                                                                                    ´
                                                                                   MODULO 1 – AULA 16


Atividade 16.1
      Usando o que vocˆ aprendeu no exerc´ anterior, determine os pontos
                      e                  ıcio
de m´ximo e de m´
    a            ınimo de f (x, y) = x + y 2 no conjunto
                                      2


                B = { (x, y) ∈ lR 2 ; 1 ≤ x ≤ 3, 2 ≤ y ≤ 5 }.


M´ximos e m´
 a         ınimos locais
     Nesta se¸˜o vamos concentrar nossos esfor¸os no estudo dos pontos
              ca                                 c
de m´ximo e de m´
     a             ınimo locais das fun¸˜es diferenci´veis. Observe que os
                                       co            a
pontos de m´ınimo da fun¸˜o f s˜o os pontos de m´ximo da fun¸˜o g = −f .
                         ca     a                 a           ca
Portanto, as considera¸˜es que fizermos para os pontos de m´ximo ter˜o sua
                      co                                    a       a
formula¸˜o correspondente para pontos de m´
       ca                                   ınimo.
     Vamos a pergunta que est´ no ar: Como sabemos que chegamos a um
            `                a
ponto de m´ximo local? (Como sabemos que atingimos o alto do morro?)
          a
     Ora, isso ocorre quando n˜o h´ mais como subir, n˜o ´?
                              a a                     a e
      Veja, esse fenˆmeno deve ser detectado pelas taxas de varia¸˜o da
                    o                                              ca
fun¸˜o. Ou seja, num ponto (a, b), de m´ximo local da fun¸˜o diferenci´vel
   ca                                  a                 ca           a
f teremos, para cada vetor unit´rio u,
                               a
                                ∂f
                                   (a, b) = 0.
                                ∂u
     Em particular, ∇f (a, b) = 0.
     Isso nos motiva a introduzir a seguinte defini¸˜o:
                                                  ca
     Se ∇f (a, b) = 0, dizemos que (a, b) ´ um ponto cr´tico ou estacion´rio
                                          e            ı                a
da fun¸˜o f .
      ca
      A observa¸˜o que fizemos ´ que todo ponto extremo local de f ´ ponto
                ca             e                                  e
estacion´rio de f . Vamos formular mais precisamente.
        a

Teorema 16.1
      Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o diferenci´vel em (a, b) ∈ D, um
                                           ca          a
aberto de lR 2 , tal que (a, b) ´ um de m´ximo ou de m´
                                e        a            ınimo local de f . Ent˜o,
                                                                            a

                                ∇f (a, b) = 0.



Demonstra¸˜o:
         ca
                      ∂f                f (x, b) − f (a, b)
     Sabemos que         (a, b) = lim                       = h (a), onde h(x) =
                      ∂x            x→0        x−a
f (x, b), a restri¸˜o de f a reta y = b, em alguma vizinhan¸a de x = a.
                  ca       `                                  c


                                                                                      187   CEDERJ
ınimos – 1a parte
                                        M´ximos e m´
                                         a


                    Ora, como (a, b) ´ extremo local de f , a ´ extremo local de h. Como
                                     e                        e
               vimos no estudo das fun¸˜es de uma vari´vel, h (a) = 0. Assim,
                                       co              a

                                              ∂f
                                                 (a, b) = 0.
                                              ∂x

                                     ∂f
                    Analogamente,       (a, b) = 0 e, portanto,
                                     ∂y

                                              ∇f (a, b) = 0.



                     Isso quer dizer que a busca pelos pontos extremos locais de uma fun¸˜o
                                                                                        ca
               deve ser feita no conjunto dos pontos estacion´rios de f , quando ela ´ uma
                                                               a                      e
               fun¸˜o diferenci´vel.
                  ca            a
                    Nesse ponto, a pergunta mais natural para um matem´tico ´: ser˜o
                                                                        a   e     a
               todos os pontos estacion´rios m´ximos ou m´
                                       a      a          ınimos locais?
                   Bem, vocˆ j´ deve ter antecipado a resposta: n˜o!
                           e a                                   a           Veja o pr´ximo
                                                                                      o
               exemplo.

               Exemplo 16.3
                    Vamos analisar os pontos cr´
                                               ıticos (ou estacion´rios) das fun¸˜es
                                                                  a             co

                                          f (x, y) = λ x2 + µ y 2

               nas quais λ µ = 0.
                     Come¸amos com a determina¸˜o de tais pontos. Para isso, temos de
                           c                     ca
               resolver a equa¸˜o ∇f (x, y) = 0.
                              ca

                                    ∇f (x, y) = (2λ x, 2µ y) = (0, 0).

                    Ou seja, em cada caso, (0, 0) ´ o unico ponto cr´
                                                  e ´               ıtico.
                     Observe que, se λ µ  0, estas duas constantes tˆm o mesmo sinal. Se
                                                                      e
               as duas constantes forem positivas, (0, 0) ´ um ponto de m´
                                                          e               ınimo local de f .
               Se as duas constantes forem negativas, o ponto (0, 0) ´ um ponto de m´ximo
                                                                     e               a
               local de f . Em ambos os casos, o gr´fico de f ´ um parabol´ide.
                                                   a          e            o
                    No entanto, se λ µ  0, o ponto cr´ ıtico n˜o ´ um ponto de m´
                                                               a e               ınimo
               nem ´ um ponto de m´ximo local de f . Neste caso, o gr´fico de f ´ um
                    e                 a                                 a         e
               hiperbol´ide e o ponto cr´
                       o                ıtico ´ chamado ponto de sela.
                                              e

CEDERJ   188
ınimos – 1a parte
                         M´ximos e m´
                          a
                                                                                ´
                                                                               MODULO 1 – AULA 16




   λ  0, µ  0                λ  0, µ  0                    λµ  0
     Figura 16.7                Figura 16.8                Figura 16.9

     As trˆs configura¸˜es apresentadas no exemplo anterior s˜o t´
          e           co                                    a ıpicas para
pontos estacion´rios. No entanto, h´ outras, como vocˆ poder´ constatar no
               a                   a                 e      a
pr´ximo exemplo.
  o

Exemplo 16.4
      As fun¸˜es f (x, y) = x3 − 3xy 2 e g(x, y) = 2xy(x2 − y 2 ) tˆm ponto
             co                                                    e
cr´
  ıtico na origem, pois

                  ∇f (x, y) = (3x2 − 3y 2, −6xy);
                  ∇g(x, y) = (6x2 y − 2y 3, 2x3 − 6x2 y).

      Na verdade, em ambos os casos a origem ´ o unico ponto cr´
                                                 e ´              ıtico. No
entanto, nenhum deles o ponto ´ m´
                               e ınimo ou m´ximo local. Nem mesmo ser´
                                               a                           a
um ponto de sela, do tipo hiperb´lico, apresentado no exemplo anterior. Veja
                                o
os gr´ficos.
     a




            f (x, y) = x3 − 3xy 2             g(x, y) = 2xy(x2 − y 2 )
                 Figura 16.10                     Figura 16.11


Atividade 16.2
    Aqui est´ uma oportunidade para vocˆ praticar. A fun¸˜o f (x, y) =
            a                          e                ca
 1 4 4 3 4 2 22
− y − y + y +        − x tem seu gr´fico esbo¸ado na figura a seguir.
                        2
                                    a        c
 3    9      3     9

                                                                                  189   CEDERJ
ınimos – 1a parte
                                             M´ximos e m´
                                              a




                                               Figura 16.12

                    Determine seus pontos cr´
                                            ıticos e classifique-os como pontos de m´ximo
                                                                                   a
               ou de m´
                      ınimo locais ou como pontos de sela.


               Teste da derivada segunda para fun¸˜es de duas vari´veis
                                                 co               a
                     A ultima quest˜o que consideraremos nesta aula ser´ a seguinte: como
                       ´            a                                     a
               podemos diferenciar pontos de sela de pontos de m´   ınimo ou de m´ximo lo-
                                                                                   a
               cais? H´ algum crit´rio f´cil de calcular que classifique o ponto cr´
                      a            e    a                                         ıtico como
               ponto de sela, de m´ximo ou de m´
                                    a               ınimo local, ou outros? Muito bem, a
               resposta est´ na maneira como a fun¸˜o se curva em torno do ponto. E o que
                           a                        ca
               mede a curvatura ´ a derivada de ordem dois. Antes de enunciar o teorema,
                                 e
               vamos estabelecer algumas nota¸˜es.
                                                co
                    Observe que ao lidarmos com uma fun¸˜o de duas vari´veis, de classe
                                                          ca            a
                1
               C , em cada ponto temos trˆs derivadas de segunda ordem:
                                         e
                              ∂ 2f                ∂ 2f                      ∂ 2f
                                   (a, b),             (a, b)      e             (a, b).
                              ∂x2                 ∂x∂y                      ∂y 2

                     O que determinar´, pelo menos em muitos casos, se o ponto cr´
                                       a                                         ıtico ´
                                                                                       e
               de sela ou de m´ximo local ou de m´
                               a                 ınimo local ´ uma combina¸˜o alg´brica
                                                             e             ca    e
               desses n´ meros, que ´ chamado de hessiano da fun¸˜o calculado no ponto.
                        u           e                           ca
               Aqui est´ a sua defini¸˜o.
                        a            ca
                    Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o de classe C 2 , definida no aberto
                                                   ca
               D de lR . Definimos uma fun¸˜o H : D ⊂ lR 2 −→ lR colocando
                      2
                                           ca


                                                     ∂ 2f          ∂ 2f
                                                          (x, y)        (x, y)
                                                     ∂x2           ∂x∂y
                                 H(x, y) =
                                                     ∂ 2f           ∂ 2f
                                                          (x, y)         (x, y)
                                                     ∂x∂y           ∂y 2

               chamada hessiana da fun¸˜o f .
                                      ca

CEDERJ   190
ınimos – 1a parte
                         M´ximos e m´
                          a
                                                                                  ´
                                                                                 MODULO 1 – AULA 16


      Essa nota¸˜o, do determinante, se deve a tradi¸˜o e ´ muito conveni-
               ca                            `      ca    e
ente. Podemos, tamb´m, usar a nota¸˜o mais simples:
                     e              ca
                                                              2
               H(x, y) = fxx (x, y) fyy (x, y) −    fxy (x, y) .

      Esse determinante mede a curvatura do gr´fico da fun¸˜o em torno
                                                    a             ca
desse ponto cr´ ıtico. Isto ´, se ´ negativo, h´ duas dire¸˜es principais com
                            e     e            a           co
curvaturas diferentes: uma para cima, outra para baixo. Se ´ positivo, ambas
                                                              e
curvaturas est˜o para o mesmo lado. Se essas curvaturas principais, digamos
               a
assim, est˜o do mesmo lado plano tangente, o ponto cr´
           a                                             ıtico ´ ponto extremo
                                                               e
local. Se essas curvaturas s˜o reversas, uma para cada lado do plano tangente,
                            a
ent˜o temos um ponto de sela.
   a
     Veja a formula¸˜o completa no teorema a seguir.
                   ca

Teorema 16.2 (Teste das derivadas de ordem dois)
      Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o diferenci´vel em (a, b) ∈ D, um
                                          ca            a
            2
aberto de lR , tal que (a, b) ´ um cr´tico de f , tal que H(a, b) = 0. Ent˜o,
                              e      ı                                    a
      (a) se H(a, b)  0 e fxx (a, b)  0, o ponto (a, b) ´ ponto de m´
                                                          e           ınimo
local de f ;
      (b) se H(a, b)  0 e fxx (a, b)  0, o ponto (a, b) ´ ponto de m´ximo
                                                          e           a
local de f ;
     (c) se H(a, b)  0, o ponto (a, b) n˜o ´ um ponto de m´ximo nem de
                                         a e               a
m´
 ınimo local de f .

     Observe que o teorema n˜o afirma coisa alguma, caso H(a, b) = 0.
                                a
Nesse caso, devemos recorrer a uma an´lise direta da fun¸˜o para concluir se
                                     a                  ca
o ponto em quest˜o ´ de m´ximo ou de m´
                 a e      a              ınimo local de f .
      A demonstra¸˜o deste teorema ser´ adiada at´ a aula sobre F´rmula
                   ca                  a           e                o
de Taylor, onde observaremos como as derivadas de ordens superiores podem
ser usadas para se obter aproxima¸˜es polinomiais para a fun¸˜o.
                                 co                         ca

     Terminaremos a aula com um exemplo do uso do teorema para analisar
os pontos cr´
            ıticos de uma fun¸˜o.
                             ca

Exemplo 16.5
     Vamos determinar os pontos cr´
                                  ıticos da fun¸˜o
                                               ca
                                        πx       πy
                    f (x, y) =   sen       , cos
                                         2        2

                                                                                    191   CEDERJ
ınimos – 1a parte
                                           M´ximos e m´
                                            a


               e classific´-los usando o teste das derivadas de ordem dois.
                         a
                     Aqui est´ o c´lculo do gradiente:
                             a    a
                                               π      πx        π      πy
                               ∇f (x, y) =       cos       , − sen           .
                                               2       2        2       2
               Note que, ∇f (x, y) = (0, 0) se, e somente se, x for um n´ mero inteiro ´
                                                                         u             ımpar
               e y for um inteiro par. Isto ´, os pontos cr´
                                            e              ıticos da fun¸˜o s˜o os pontos
                                                                        ca a

                                           2k + 1, 2s , com k, s ∈ ∠
                                                                   Z.

                    Os pontos da forma (3, 2), (5, 0), (−9, −4), e assim por diante. O
               problema ´: quais deles s˜o m´ximos locais? Quais s˜o m´
                         e              a   a                      a    ınimos? Haver´
                                                                                     a
               ponto de sela? Muito bem, est´ na hora da hessiana!
                                            a

                             ∂ 2f           ∂ 2f                    π2     πx
                                  (x, y)         (x, y)         −      sen               0
                             ∂x2            ∂x∂y                    4       2
               H(x, y) =                                   =                                    .
                               2              2                                      2
                             ∂ f             ∂ f                                     π     πy
                                  (x, y)          (x, y)                  0      −     cos
                             ∂x∂y            ∂y 2                                    4      2

                    Assim,
                                                  π4     πx               πy
                                   H(x, y) =         sen          cos        .
                                                  16      2                2
                                                                     π4             πx
                                     e ımpar e y ´ par, H(x, y) = ± , pois sen
                     Note que, se x ´ ´          e                                        ´
                                                                                          e
                                                                     16              2
                                                         πy
               igual a 1 ou igual a −1, assim como cos        . Realmente, como x ´ ´
                                                                                   e ımpar,
                                                          2
               πx             π                                         πy
                   difere de por um m´ ltiplo de π, e como y ´ par,
                                           u                      e         difere de 0 por
                2             2                                          2
               um m´ ltiplo de π.
                     u
                    Portanto, sabemos que a an´lise do sinal do hessiano ser´ decisiva em
                                                  a                           a
               todos os casos. Para isso, precisamos determinar os pontos cr´
                                                                            ıticos nos quais
               o hessiano ´ 1 (positivo) e os pontos cr´
                           e                             ıticos nos quais o hessiano ´ −1
                                                                                       e
               (negativo).
               Pontos de sela:
                     Os pontos de sela s˜o aqueles onde o hessiano ´ negativo. Isso ocorrer´
                                        a                           e                      a
                                         πx           πy
               quando os sinais de sen         e cos        se alternarem. Ou seja, quando
                                          2            2
               a primeira coordenada for da forma 4n + 3 e a segunda coordenada for um
               m´ ltiplo de 4. Aqui est˜o alguns exemplos: (−1, 0), (3, 0), (7, 4).
                 u                     a
                     Al´m desses, os pontos cuja primeira coordenada ´ da forma 4m + 1
                       e                                             e
               e a segunda coordenada da forma 4r + 2 s˜o pontos de sela. Veja alguns
                                                          a
               exemplos: (1, 2), (5, 2), (9, 4).

CEDERJ   192
ınimos – 1a parte
                            M´ximos e m´
                             a
                                                                                           ´
                                                                                          MODULO 1 – AULA 16


Pontos de m´
           ınimo local:
                                 πx                  πy
      Neste caso, queremos sen         = −1 = cos        . Isso ocorre quando
                                  2                   2
x ´ da forma 4j + 3 e y ´ da forma 4k + 2. Aqui est˜o alguns exemplos: (3, 2),
  e                     e                          a
(3, 6), (7, 10).

Pontos de m´ximo local:
           a
                                 πx              πy
      Neste caso, queremos sen       = 1 = cos       . Isso ocorre quando
                                  2               2
x = 4j + 1 e y ´ m´ ltiplo de 4. Aqui est˜o alguns exemplos: (1, 0), (5, 4),
               e u                       a
(9, −8).
     Isso parece mais complicado do que realmente ´. Veja, vamos dividir
                                                  e
o plano em quadrados, cada um de tamanho dois por dois, com v´rtices nos
                                                              e
pontos de coordenadas do tipo (´
                               ımpar, par), como um tabuleiro de xadrez.




            Figura 16.13: Localiza¸˜o dos pontos cr´
                                  ca               ıticos de f


      Esses v´rtices s˜o os pontos cr´
             e        a                ıticos. As selas v˜o se alternando dois a
                                                           a
dois. Entre elas, nas linhas verticais do tipo y = · · · − 4, 0, 4, 8, . . . , aparecem
os pontos de m´ximo local. Ainda alternando com as selas, aparecem os
                 a
m´ınimos, nas linhas verticais do tipo y = · · · − 6, , −2, 2, 6, . . . . Veja o gr´fico
                                                                                   a
da fun¸˜o assim como as curvas de n´
       ca                               ıvel.


                                                       M          M

                                                             m         m

                                                       M          M


                                                             m         m

                                                       M          M



   Figura 16.14: Gr´fico de f
                   a
                                                         Figura 16.15
                                                Curvas de n´ de f com a localiza¸˜o
                                                           ıvel                  ca
                                                dos pontos de m´ximo e de m´
                                                                a          ınimo

                                                                                             193   CEDERJ
ınimos – 1a parte
                                        M´ximos e m´
                                         a


                     Realmente, denotamos os pontos de m´ximo com a letra M e os pontos
                                                        a
               de m´ınimo com a letra m. Os pontos de sela s˜o aqueles que aparecem nas
                                                            a
               intersec¸˜es (em X) das curvas de n´ que s˜o retas.
                       co                         ıvel    a
                     Al´m disso, devido a natureza da fun¸˜o f , os pontos de m´ximo local
                       e                                 ca                    a
               s˜o, tamb´m, os pontos de m´ximo absolutos da fun¸˜o, assim como os
                a        e                    a                        ca
               pontos de m´ınimo.
                    Todos os exemplos que consideramos at´ agora apresentavam pontos
                                                            e
               extremos isolados, mas isso n˜o ocorre sempre. Por exemplo, se a fun¸˜o ´
                                            a                                        ca e
               constante ou tem por gr´fico uma superf´ cil´
                                      a               ıcie ındrica, ela poder´ ter fam´
                                                                             a        ılias
               de pontos extremos. Veja o pr´ximo exemplo.
                                             o

               Exemplo 16.6
                    As duas fun¸˜es cujos gr´ficos est˜o esbo¸ados nas figuras a seguir,
                                  co            a         a      c
               apresentam pontos de m´ximo e de m´
                                         a              ınimos n˜o isolados. Num exemplo,
                                                                a
               temos duas fam´ ılias de c´
                                         ırculos concˆntricos na origem, uma de pontos de
                                                      e
               m´ximo e outra de pontos de m´
                 a                                ınimo, que se alternam uma ap´s a outra.
                                                                               o
               Note que a origem ´ o unico ponto de m´ximo isolado.
                                   e ´                   a
                    No outro exemplo, temos duas retas de m´ximos locais e uma reta de
                                                           a
               m´
                ınimos locais.




                     Figura 16.16                                Figura 16.17




               Coment´rios finais
                     a
                     Nesta aula vocˆ aprendeu as defini¸˜es da teoria de m´ximos e m´
                                   e                    co                 a          ınimos
               de fun¸˜es de v´rias vari´veis. Al´m disso, vocˆ recebeu o kit b´sico para
                      co       a        a          e             e                a
               lidar com os pontos extremos locais das fun¸˜es de duas vari´veis. Isso ´,
                                                              co               a            e
               se a fun¸˜o ´ de classe C 2 , os pontos extremos locais est˜o entre os pontos
                         ca e                                             a
               cr´
                 ıticos da fun¸˜o. Al´m disso, o teste da derivada segunda pode ser muito
                              ca     e
               util. N˜o deixe de trabalhar os exerc´
               ´       a                             ıcios que ser˜o apresentados a seguir.
                                                                  a
                    A pr´xima aula trar´ mais informa¸˜es sobre m´ximos e m´
                        o              a             co          a         ınimos.


CEDERJ   194
ınimos – 1a parte
                           M´ximos e m´
                            a
                                                                                        ´
                                                                                       MODULO 1 – AULA 16


Exerc´
     ıcios
Exerc´ 1
     ıcio
     Determine os pontos de m´ximo e de m´
                               a           ınimo da fun¸˜o f (x, y) = (x −
                                                       ca
  2         2
2) + (y + 1) , caso existam, em cada um dos conjuntos a seguir.


       A = {(x, y) ∈ lR 2 ; 0 ≤ x ≤ 4, −3 ≤ y ≤ 1 };


       B = {(x, y) ∈ lR 2 ; 1 ≤ x ≤ 2, 1 ≤ y ≤ 3 };


       C = {(x, y) ∈ lR 2 ; 0 ≤ x ≤ 1, };


       D = {(x, y) ∈ lR 2 ; 2x − 1 ≤ y ≤ 2x + 1 }.

Exerc´ 2
     ıcio
      Em cada uma das fun¸˜es a seguir, determine os pontos estacion´rios
                         co                                         a
e classifique-os como m´ximos ou m´
                      a            ınimo locais, ou como pontos de sela,
quando for o caso.

       (a) f (x, y) = x2 + y 2 − 2x + 6y + 6;         (b) g(x, y) = −x2 − y 2 − 4x + 1;


       (c) h(x, y) = y 2 − x2 + 2x + 4y − 4;          (d) j(x, y) = xy + 2x − y − 2;


       (e) k(x, y) = x3 + y 3 + 3xy;                  (f) l(x, y) = 4xy − 2x4 − y 2;


       (g) m(x, y) = y 2 + sen x;                     (h) n(x, y) = xy e−x ;

                       1   1
       (i) p(x, y) =     + 2 + xy;                    considere x  0 e y  0.
                       x y


Exerc´ 3
     ıcio
      Seja g(x, y, z) = a x2 + b y 2 + d z 2 , com a, b e c constantes n˜o nulas.
                                                                        a
      Mostre que (0, 0, 0) ´ o unico ponto cr´
                           e ´               ıtico de g. Determine a natureza
deste ponto cr´
              ıtico nos casos em que as constantes a, b e c tˆm o mesmo sinal.
                                                             e
     O que podemos afirmar sobre tal ponto cr´     ıtico no caso em que uma
dessas constantes tem sinal diferente das outras duas?




                                                                                          195   CEDERJ
ınimos – 1a parte
                                       M´ximos e m´
                                        a


               Exerc´ 4
                    ıcio
                     Dˆ um exemplo de uma fun¸˜o f (x, y) que tenha uma fam´ de retas
                       e                      ca                           ılia
               paralelas de pontos extremos locais, alternando-se: uma de m´ximos e a
                                                                            a
               seguinte de m´ınimos, mas que n˜o tenha m´ximo nem m´
                                              a            a           ınimo absolutos.
               Basta esbo¸ar o gr´fico.
                          c      a

               Exerc´ 5
                    ıcio
                     Dˆ um exemplo de uma fun¸˜o que tenha dois pontos de m´ximo abso-
                       e                      ca                            a
               lutos, mais um ponto de m´ximo local, mas que n˜o tenha m´
                                        a                      a         ınimo absoluto.
               Basta esbo¸ar o gr´fico. Ser´ que todas as fun¸˜es com essa caracter´
                          c      a        a                 co                    ısticas
               tˆm, necessariamente, um ponto do tipo sela?
                e




CEDERJ   196

Livrocalculo2 miolo

  • 1.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a ´ MODULO 1 – AULA 1 Aula 1 – Fun¸˜es reais de v´rias vari´veis co a a Objetivo • Apresentar as fun¸˜es de v´rias vari´veis. co a a Introdu¸˜o ca A partir desta aula, at´ o fim do semestre, o foco de nossas aten¸˜es ser´ e co a as fun¸˜es de v´rias vari´veis. Vocˆ j´ estudou as fun¸˜es reais e vetoriais co a a e a co de uma vari´vel que servem para descrever fenˆmenos que dependem de um a o unico parˆmetro ou vari´vel. Como exemplos, vocˆ pode tomar a posi¸˜o ´ a a e ca de uma part´ ıcula, a sua velocidade e a sua acelera¸˜o. Nesses casos, os ca fenˆmenos variam em fun¸˜o do tempo. No entanto, h´ diversas situa¸˜es o ca a co nas quais o resultado depende de mais de uma vari´vel. Vamos a um exemplo. a Podemos usar uma fun¸˜o para descrever as diversas temperaturas em ca diferentes pontos de uma dada placa de metal. Isto ´, a cada ponto P da e placa associamos a sua temperatura T (P ), dada em graus Celsius, digamos. Muito bem; para determinarmos um ponto em uma placa, precisamos de duas informa¸˜es: uma latitude e uma longitude. Isto ´, necessitamos de co e duas coordenadas. Ou seja, T ´ uma fun¸˜o de duas vari´veis. e ca a Veja uma outra situa¸˜o. Dado um corpo com a forma de um parale- ca lep´ ıpedo, podemos associar a cada um de seus pontos P a densidade δ(P ) do objeto nesse exato ponto. Isso nos d´ uma fun¸˜o δ, que depende de trˆs a ca e vari´veis, uma vez que, para localizar um ponto no paralelogramo, necessi- a tamos de trˆs informa¸˜es: altura, largura e profundidade. e co Vocˆ seria capaz de imaginar uma situa¸˜o que demandasse uma fun¸˜o e ca ca de quatro vari´veis para descrever um determinado fenˆmeno? a o Fun¸˜es de duas vari´veis co a Chamamos fun¸˜es de duas vari´veis as fun¸˜es do tipo co a co f : A ⊂ lR 2 −→ lR , cuja lei de defini¸˜o tem a forma ca z = f (x, y). 7 CEDERJ
  • 2.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a Isto ´, x e y s˜o as vari´veis independentes. O subconjunto A de lR 2 ´ e a a e o dom´ınio da fun¸˜o. ca Exemplo 1.1 Seja f : lR 2 −→ lR a fun¸˜o definida por f (x, y) = x + 2y. ca Este exemplo ´ bem simples. Esta fun¸˜o de duas vari´veis ´ chamada, e ca a e ´ na Algebra Linear, de um funcional linear. As fun¸˜es de duas vari´veis tˆm um papel importante no nosso estudo co a e de fun¸˜es de v´rias vari´veis, pois podemos esbo¸ar seus gr´ficos. Em geral, co a a c a o gr´fico de uma fun¸˜o de duas vari´veis ´ uma superf´ em lR 3 . No caso a ca a e ıcie em quest˜o, esta superf´ ´ um plano que cont´m a origem. Sua interse¸˜o a ıcie e e ca e e ´ com o plano xOz ´ a reta z = x e com o plano yOz ´ a reta z = 2y. E claro que na figura representamos apenas parte do plano. Veja a seguir. z x y Em geral, representamos o espa¸o tridimensional com o plano z = 0, c gerado pelos eixos Ox e Oy, fazendo o papel de ch˜o onde estamos, o plano a x = 0, gerado pelos eixos Oy e Oz, como se fosse uma parede ligeiramente a` nossa frente e o plano y = 0, gerado pelos eixos Ox e Oz, como se fosse uma outra parede ligeiramente a nossa esquerda. ` Note, tamb´m, que representamos apenas parte da superf´ e ıcie. Na ver- dade, o gr´fico da fun¸˜o ´ um plano e, como tal, deve continuar em todas as a ca e dire¸˜es. No entanto, limitamo-nos a representar sua interse¸˜o com o plano co ca zOy, fazendo x = 0, obtendo a reta z = 2y, e a sua interse¸˜o com o plano ca zOx, fazendo y = 0 e obtendo a reta x = x. Al´m disso, na regi˜o x ≥ 0, e a y ≥ 0, desenhamos apenas uma parte do plano, sobre um dom´ triangular. ınio ´ E bom acostumar-se com essas representa¸˜es. Temos de contar com a co ajuda delas para visualizar a geometria das fun¸˜es de v´rias vari´veis. co a a CEDERJ 8
  • 3.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a ´ MODULO 1 – AULA 1 A seguir, mais duas fun¸˜es com seus gr´ficos. co a Exemplo 1.2 f (x, y) = x2 + y 2 g(x, y) = 1 − x2 − y 2 Note que estas duas superf´ ıcies s˜o conhecidas da Geometria Anal´ a ıtica. O gr´fico de f ´ o parabol´ide de revolu¸˜o definido pela equa¸˜o z = x + y 2 a e o ca ca 2 e o gr´fico de g ´ uma semi-esfera. Isto ´, os pontos (x, y, z) que pertencem a e e ao gr´fico de g satisfazem ` equa¸˜o z = 1 − x2 − y 2 e, portanto, tamb´m a a ca e 2 2 2 satisfazem ` equa¸˜o x + y + z = 1, pertencendo, por isso, a esfera de raio a ca ` 1, centrada na origem. Dom´ ınios das fun¸˜es de duas v´rias vari´veis co a a Seguindo a mesma regra geral usada no C´lculo I, quando dizemos “seja a z = f (x, y) uma fun¸˜o”, estamos subentendendo que seu dom´ ´ o maior ca ınio e 2 subconjunto de lR no qual a lei esteja bem definida. Exemplo 1.2 (Revisitado) No caso de f (x, y) = x2 + y 2 , cujo gr´fico ´ um parabol´ide, o dom´ a e o ınio 2 ´ todo o plano lR . Esta ´ uma fun¸˜o polinomial, pois sua lei de defini¸˜o e e ca ca ´ um polinˆmio em duas vari´veis. e o a Nesses casos, costumamos usar a express˜o “o plano todo”. a Consideremos agora a fun¸˜o g(x, y) = ca 1 − x2 − y 2 , que est´ bem a y definida, desde que 1 − x − y ≥ 0. Em outras palavras, o dom´ 2 2 ınio de g ´ e o conjunto 1 x A = { (x, y) ∈ lR ; x2 + y2 ≤ 1 }, a que chamamos disco fechado de raio 1, centrado na origem. 9 CEDERJ
  • 4.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a Exerc´ 1 ıcio Determine o dom´ ınio de f (x, y) = ln (x + y − 2) e fa¸a um esbo¸o, representando-o. c c Fun¸˜es de trˆs ou mais vari´veis co e a No caso das fun¸˜es com mais do que duas vari´veis, n˜o dispomos dos co a a esbo¸os de seus gr´ficos, sen˜o de maneira simplificada, uma vez que eles s˜o c a a a subconjuntos de lR n , com n ≥ 4. No entanto, podemos esbo¸ar os dom´ c ınios 3 de fun¸˜es de trˆs vari´veis, pois eles s˜o subconjuntos de lR . Veja um co e a a exemplo a seguir. Quando o dom´ ınio da fun¸˜o ca Exemplo 1.3 ´ um subconjunto de lR 3 , e costumamos usar as letras Vamos determinar o dom´ ınio da fun¸˜o ca x, y e z para indicar as coordenadas de um ponto gen´rico, estabelecendo, as- e w = f (x, y, z) = 4 − x2 − y 2 − z 2 sim, essa nomenclatura para as vari´veis independentes, a usando, em geral, w para a e fazer um esbo¸o deste subconjunto de lR 3 . c vari´vel dependente. Isto ´, a e atribu´ ıdos valores para x, y Nesse caso, para que a fun¸˜o esteja bem definida, as coordenadas do ca e z, de modo que (x, y, z) ´ um elemento do dom´ e ınio ponto devem satisfazer a condi¸˜o ca da fun¸˜o, o valor de w = ca f (x, y, z) fica determinado. 4 − x2 − y 2 − z 2 ≥ 0. z Ou seja, o dom´ ınio de f ´ o conjunto e y A = { (x, y, z) ∈ lR 3 ; x2 + y2 + z2 ≤ 4 }, 2 x que corresponde aos pontos interiores a esfera de raio 2 e o seu bordo. ` Exerc´ 2 ıcio Determine o dom´ ınio da fun¸˜o ca √ g(x, y, z) = x2 + y 2 − z 2 − 1 + z e fa¸a um esbo¸o desse conjunto. c c CEDERJ 10
  • 5.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a ´ MODULO 1 – AULA 1 Alguns gr´ficos de fun¸˜es (simples) de duas vari´veis a co a Em geral, esbo¸ar o gr´fico de uma fun¸˜o de duas vari´veis pode ser c a ca a uma tarefa trabalhosa, a menos que vocˆ disponha de um computador com e algum programa pr´prio para fazer isso. Mas vocˆ j´ acumula uma consi- o e a der´vel bagagem matem´tica, enriquecida nos cursos de Pr´-C´lculo, C´lculo a a e a a I, Geometria Anal´ ´ ıtica e Algebra Linear I, que lhe permite lidar com alguns casos mais simples. Superf´ ıcies quadr´ticas a Comecemos com os casos que usam as superf´ ıcies quadr´ticas que vocˆ a e estudou na Geometria Anal´ ıtica. Exemplo 1.4 Vamos determinar o dom´ ınio e esbo¸ar o gr´fico da fun¸˜o c a ca f (x, y) = 36 − 9x2 − 4y 2. y O dom´ ´ determinado pela condi¸˜o 36−9x2 −4y 2 ≥ 0, equivalente ınio e ca a ` inequa¸˜o ca x2 y 2 x + ≤ 1, 4 9 2 que corresponde ao interior de uma elipse, incluindo o seu bordo. Agora, o gr´fico da fun¸˜o. Para determinarmos o gr´fico de f , po- a ca a 3 demos observar que os pontos cujas coordenadas satisfazem a equa¸˜o z = ca 36 − 9x2 − 4y 2 tamb´m satisfazem a equa¸˜o e ca x2 y 2 z 2 + + = 1, 4 9 36 que determina um elips´ide com centro na origem. O gr´fico ´ a parte do o a e elips´ide que est´ contida no semi-espa¸o determinado por z ≥ 0: o a c 6 2 3 11 CEDERJ
  • 6.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a Exerc´ 3 ıcio Esboce o gr´fico da fun¸˜o f : lR 2 −→ lR 2 , definida por a ca   − x2 + y 2 − 1, se x2 + y 2 ≥ 1,  f (x, y) =   1 − x2 − y 2 , se x2 + y 2 ≤ 1. Superf´ ıcies cil´ ındricas Veremos, agora, gr´ficos de fun¸˜es que s˜o superf´ a co a ıcies cil´ ındricas. Lem- bre-se, superf´ ıcies cil´ ındricas s˜o aquelas obtidas por um feixe de retas pa- a ralelas colocadas ao longo de uma curva plana. Exemplos de tais superf´ ıcies do nosso dia-a-dia s˜o um cano de pvc ou uma telha de cobertura. a Os gr´ficos das fun¸˜es de duas vari´veis cujas leis de defini¸˜o envolvem a co a ca apenas uma vari´vel independente s˜o superf´ a a ıcies cil´ ındricas. O feixe de retas paralelas ´ paralelo ao eixo correspondente a vari´vel que est´ faltando. Veja e ` a a a seguir alguns exemplos. Exemplo 1.5 z z y x y x z = f (x, y) = 6 + sen x z = g(x, y) = y 2 z z x y y x z = h(x, y) = x2 z = k(x, y) = |y| CEDERJ 12
  • 7.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a ´ MODULO 1 – AULA 1 Superf´ ıcies de revolu¸˜o ca As fun¸˜es cujas leis de defini¸˜o tˆm a forma co ca e z = f (x, y) = g(x2 + y 2 ), em que g ´ uma fun¸˜o real de uma vari´vel, s˜o relativamente simples. e ca a a Essas fun¸˜es s˜o constantes ao longo dos c´ co a ırculos concˆntricos na origem. e Realmente, se (x1 , y1 ) e (x2 , y2 ) s˜o tais que x2 + y1 = x2 + y2 , ent˜o a 1 2 2 2 a f (x1 , y1) = f (x2 , y2 ). Portanto, os gr´ficos de tais fun¸˜es s˜o superf´ a co a ıcies de revolu¸˜o em ca torno do eixo Oz. Para esbo¸ar o gr´fico de alguma dessas fun¸˜es, basta esbo¸ar o gr´fico c a co c a da fun¸˜o ca z = f (x, 0), por exemplo, e girar esta curva sobre o eixo Oz. A superf´ obtida ser´ o ıcie a gr´fico da fun¸˜o z = f (x, y). O parabol´ide e a semi-esfera apresentados no a ca o exemplo 21.2 ilustram essa situa¸˜o. Vejamos um outro exemplo. ca Exemplo 1.6 Vamos esbo¸ar o gr´fico da fun¸˜o c a ca f (x, y) = arctg (x2 + y 2). Usando a t´cnica que aprendemos no C´lculo I, conclu´ e a ımos que o gr´fico a 2 da fun¸˜o z = h(x) = f (x, 0) = arctg x ´ ca e Portanto, o gr´fico de f (x, y) = arctg (x2 + y 2) ´ a e 13 CEDERJ
  • 8.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a Chegamos, assim, ao fim da primeira aula sobre fun¸˜es de v´rias co a vari´veis. Vocˆ deve ter percebido que a maior parte do conte´ do, de al- a e u guma forma, n˜o lhe era estranho. No entanto, muito provavelmente vocˆ a e reviu essas coisas numa nova perspectiva. As inequa¸˜es que vocˆ estudou co e no Pr´-C´lculo lhe ser˜o uteis no momento em que vocˆ for determinar os e a a ´ e dom´ ınios dessas novas fun¸˜es. Os conte´ dos de Geometria Anal´ co u ıtica estar˜o a constantemente servindo como fonte de exemplos, atrav´s das cˆnicas e das e o qu´dricas. Vocˆ usar´ tudo o que aprendeu no C´lculo I sobre as fun¸˜es a e a a co o a a ´ de uma vari´vel real e, nas pr´ximas aulas, ver´ a importˆncia da Algebra a Linear. Espero que esta aula, assim como as pr´ximas, sejam de grande o est´ ımulo para vocˆ. Aproveite bem esta experiˆncia. e e Agora, as respostas dos exerc´ ıcios propostos acompanhadas de uma pequena lista de mais alguns. Exerc´ ıcios Exerc´ 1 ıcio Determine o dom´ ınio de f (x, y) = ln (x + y − 2) e fa¸a um esbo¸o, representando-o. c c Solu¸˜o: ca O dom´ ınio de f ´ o conjunto e Dom(f ) = { (x, y) ∈ lR 2 ; x + y > 2 }. Este ´ o conjunto dos pontos do plano que est˜o acima da reta x+y = 2. e a CEDERJ 14
  • 9.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a ´ MODULO 1 – AULA 1 Exerc´ 2 ıcio Determine o dom´ ınio da fun¸˜o ca √ g(x, y, z) = x2 + y 2 − z 2 − 1 + z e fa¸a um esbo¸o desse conjunto. c c Solu¸˜o: ca Nesse caso, temos duas condi¸˜es que devem ser simultaneamente sa- co tisfeitas. Assim, o dom´ ınio de g ´ a interse¸˜o de dois conjuntos: e ca Dom(g) = { (x, y, z) ∈ lR 3 ; x2 + y2 ≥ z2 + 1 } ∩ { (x, y, z) ∈ lR 3 ; z ≥ 0 }. A equa¸˜o x2 + y 2 − z 2 = 1 determina um hiperbol´ide de uma folha. ca o 3 Este hiperbol´ide divide o espa¸o tridimensional lR em duas regi˜es: uma o c o que cont´m o eixo Oz, que chamaremos interior ao hiperbol´ide, e a outra, e o que chamaremos exterior ao hiperbol´ide. A condi¸˜o x2 + y 2 ≥ z 2 + 1, mais o ca z ≥ 0, determina o subconjunto do espa¸o que ´ exterior ao hiperbol´ide e c e o que fica acima do plano xOy: Exerc´ 3 ıcio Esboce o gr´fico da fun¸˜o f : lR 2 −→ lR 2 , definida por a ca   − x2 + y 2 − 1, se x2 + y 2 ≥ 1,  f (x, y) =   1 − x2 − y 2 , se x2 + y 2 ≤ 1. Solu¸˜o: ca Na regi˜o determinada por x2 + y 2 ≤ 1, a fun¸˜o ´ dada pela equa¸˜o a ca e ca z = 1−x 2 − y 2 . Nesta regi˜o, seu gr´fico ´ uma semi-esfera. a a e Na regi˜o x2 + y 2 ≥ 1, a fun¸˜o ´ definida por z = − x2 + y 2 − 1. a ca e Esta equa¸˜o define a parte inferior de um hiperbol´ide de uma folha (veja ca o exerc´ ıcio anterior). Combinando as partes das superf´ ıcies, chegamos ao gr´fico esperado: a 15 CEDERJ
  • 10.
    Fun¸˜es reais dev´rias vari´veis co a a Exerc´ 4 ıcio Determine e fa¸a um esbo¸o do dom´ c c ınio de cada uma das fun¸˜es co a seguir: a) f (x, y) = x2 − 4y 2 − 4. b) g(x, y) = ln (x2 + y 2 − 1). c) h(x, y) = sec (x + y). d) k(x, y, z) = 1 + x2 + y 2 − z 2 . Exerc´ 5 ıcio Esboce o gr´fico das seguintes fun¸˜es: a co   4−x  2 − y2, se x2 + y 2 ≤ 4; a) f (x, y) =   0, se x2 + y 2 ≥ 4. b) g(x, y) = 1 + x2 + y 2. Exerc´ 6 ıcio Esboce o gr´fico de cada uma das fun¸˜es a seguir: a co 2 a) f (x, y) = cos y. b) g(x, y) = e1−y . 2 −y 2 c) h(x, y) = ln (x). d) k(x, y) = e1−x . CEDERJ 16
  • 11.
    Derivadas parciais ´ MODULO 1 – AULA 5 Aula 5 – Derivadas parciais Objetivos • Aprender a calcular as derivadas parciais de fun¸˜es de v´rias vari´veis. co a a • Conhecer a interpreta¸˜o geom´trica desse conceito. ca e Introdu¸˜o ca Ao longo das quatro ultimas aulas vocˆ aprendeu os conceitos b´sicos da ´ e a teoria das fun¸˜es de v´rias vari´veis, incluindo o conceito de continuidade. co a a Nesta aula, iniciaremos uma nova etapa, o estudo das no¸˜es de di- co ferenciabilidade das fun¸˜es de v´rias vari´veis. Na verdade, esse assunto co a a ocupar´ todas as nossas aulas, de agora em diante. a As derivadas parciais desempenham um papel relevante nesse contexto, especialmente do ponto de vista pr´tico; por´m, como veremos um pouco a e mais adiante, n˜o completamente decisivo. Mas estamos antecipando demais a nossa hist´ria. Tudo a seu tempo. o Seguindo a pr´tica j´ rotineira, estabeleceremos os conceitos para os a a casos das fun¸˜es de duas e de trˆs vari´veis, observando que eles podem ser co e a estendidos para fun¸˜es com mais vari´veis. co a Antes de atacarmos o nosso tema principal, no entanto, precisamos de um novo conceito sobre conjuntos. Conjuntos abertos Essa no¸˜o caracterizar´ os dom´ ca a ınios das fun¸˜es que estudaremos de co agora em diante. Intuitivamente, podemos dizer que um subconjunto do plano lR 2 ou do espa¸o lR 3 ´ aberto se for um conjunto sem fronteiras ou bordos. Exemplos c e t´ ıpicos s˜o a D = { (x, y) ∈ lR 2 ; (x − a)2 + (y − b)2 < r }, o disco de centro em (a, b) e raio r, aberto em lR 2 , B = { (x, y, z) ∈ lR 3 ; (x − a)2 + (y − b)2 + (z − c) < r }, 55 CEDERJ
  • 12.
    Derivadas parciais a bola de centro em (a, b, c) e raio r > 0, aberta em lR 3 . Um detalhe importante: a no¸˜o conjunto aberto ´ uma no¸˜o relativa. ca e ca Isto ´, depende do ambiente. Veja, a sintaxe ´: A ´ aberto em lR 2 . e e e Para tornarmos este conceito mais preciso, introduziremos a no¸˜o de ca ponto interior ponto interior. Dizemos que um ponto (a, b) ∈ A ⊂ lR ´ um ponto interior 2 e do conjunto A se existe um disco aberto D de centro em (a, b) e raio r > 0 contido em A. Em s´ ımbolos matem´ticos, (a, b) ∈ D ⊂ A ⊂ lR 2 . a Analogamente, um ponto (a, b, c) ∈ A ⊂ lR 3 ´ um ponto interior de A e se existe uma bola aberta B de centro em (a, b, c) e raio r > 0 contida em A. Intuitivamfente, um ponto (a, b) ´ um ponto interior de A se todos os e 2 pontos de lR que o cercam tamb´m s˜o pontos de A. e a Exemplo 5.1 Seja H = { (x, y) ∈ lR 2 ; y ≥ 1 }. O ponto (1, 2) ´ um ponto interior e de H, pois o disco aberto de centro em (1, 2) e raio 1/2, por exemplo, est´ a contido em H. J´ o ponto (2, 1) ∈ H n˜o ´ ponto interior de H, pois qualquer a a e disco que tomarmos, com centro em (2, 1), conter´ pontos do tipo (2, b), com a b < 1 e, portanto, pontos que n˜o pertencem a H. Em outras palavras, (2, 1) a pertence a H mas n˜o est´ envolvido por pontos de H. Veja a ilustra¸˜o a a ca a seguir. H 2 1 1 2 CEDERJ 56
  • 13.
    Derivadas parciais ´ MODULO 1 – AULA 5 Conjunto aberto Um subconjunto A ⊂ lR 2 ´ dito aberto em lR 2 se todos os seus pontos e forem pontos interiores. O conjunto H, do Exemplo 25.1, n˜o ´ um subconjunto aberto de lR 2 , a e pois (2, 0) ∈ H, mas n˜o ´ ponto interior. Aqui est˜o alguns exemplos de a e a subconjuntos abertos de lR 2 . Exemplo 5.2 A1 = { (x, y) ∈ lR 2 ; y > 1 }; A2 = { (x, y) ∈ lR 2 ; x = y }; A3 = { (x, y) ∈ lR 2 ; 0 < x < 1, 0 < y < 1 }; A4 = { (x, y) ∈ lR 2 ; (x, y) = (1, 2) }. O argumento usado no Exemplo 25.1, para mostrar que (1, 2) ´ um e ponto interior de H, pode ser adaptado para mostrar que todos os elementos de A1 s˜o pontos interiores. Note que A1 se diferencia de H exatamente por a n˜o conter os pontos do tipo (a, 1), que est˜o no bordo. a a Para se convencer de que cada ponto (a, b) ∈ A2 ´ ponto interior, basta e observar que a distˆncia de (a, b) at´ a reta x = y ´ positiva, uma vez que a e e a = b. Assim, basta tomar o disco D, de centro em (a, b), com raio igual a ` metade dessa distˆncia, por exemplo. a Caso (a, b) ∈ A3 , sabemos que 0 < a, b < 1. Escolha r > 0, um n´ mero u menor do que qualquer um dos n´ meros |a|, |b|, |a − 1|, |b − 1|. O disco D, u de centro em (a, b) e raio r, n˜o tocar´ nenhum dos bordos do quadrado. a a Portanto, estar´ contido em A3 . a Para constatar que A4 ´ um conjunto aberto (A4 ´ o plano todo menos e e um ponto), basta escolher r > 0 menor do que a distˆncia entre (a, b) e (1, 2). a O disco D centrado em (a, b), com tal raio, n˜o cont´m o ponto (1, 2). Logo, a e D est´ contido em A4 e isso mostra que A4 ´ um subconjunto aberto de lR 2 . a e Os discos abertos de lR 2 e as bolas abertas de lR 3 fazem o papel dos intervalos abertos de lR . Al´m disso, se A ´ um subconjunto aberto de lR 2 , e e ent˜o A ´ igual a uma uni˜o de discos abertos, pois todos os seus pontos a e a s˜o interiores. Al´m disso, todos os pontos de A s˜o, tamb´m, pontos de a e a e acumula¸˜o de A. ca ´ E bom lembrar que o plano lR 2 ´, ele mesmo, um aberto em lR 2 e, e como ´ imposs´ exibir um elemento do conjunto vazio que n˜o seja ponto e ıvel a interior, dizemos que ∅ ´ um conjunto aberto (em qualquer ambiente). e 57 CEDERJ
  • 14.
    Derivadas parciais A uni˜o qualquer de conjuntos abertos ´ um conjunto aberto, mas, a e surpreendentemente, a interse¸˜o infinita de conjuntos abertos pode n˜o ser ca a um conjunto aberto. Terminamos agora essa conversa, que est´ um pouco longa, e vamos ao a nosso tema principal. Derivadas parciais Seja f : A ⊂ lR 2 → lR uma fun¸˜o tal que A ´ um subconjunto aberto ca e de lR , e seja (a, b) ∈ A. Ent˜o, existe um certo n´ mero r > 0, tal que, se 2 a u x ∈ (a − r, a + r), ent˜o f (x, b) est´ bem definida. a a Assim, z = f (x, b), com x ∈ (a−r, a+r), ´ uma fun¸˜o de uma vari´vel e ca a O s´ ımbolo ∂ ´ chamado e e podemos, portanto, considerar a existˆncia da derivada de tal fun¸˜o em e ca derronde, que ´ uma e x = a. Isto ´, considere e corruptela do francˆs de e rond que quer dizer dˆ e f (x, b) − f (a, b) f (a + h, b) − f (a, b) lim = lim . redondo. Isso se deveu ao x→a x−a h→0 h fato de os franceses, na ´poca da Revolu¸˜o e ca Se esse limite for um n´ mero real, ele ser´ chamado derivada parcial de u a Francesa, adotarem essa forma especial de escrever a f em rela¸ao a x, no ponto (a, b). Nesse caso, usamos as seguintes nota¸˜es c˜ co letra d. Esse s´ ımbolo ´ e para represent´-lo: a particularmente util para ´ ∂f ∂z diferenciar a derivada parcial (a, b) = (a, b) = fx (a, b). de uma fun¸˜o de v´rias ca a ∂x ∂x vari´veis, em rela¸˜o a a ca “ ∂f ” Analogamente, podemos considerar a derivada parcial de f em rela¸˜o ca alguma delas , da ∂x a y no ponto (a, b). Nesse caso, tomamos derivada de uma fun¸˜o de ca “ df ” uma vari´vel a dx . f (a, y) − f (a, b) f (a, b + h) − f (a, b) lim = lim , y→b y−b h→0 h e, caso o limite seja um n´ mero, denotamos por u ∂f ∂z (a, b) = (a, b) = fy (a, b). ∂y ∂y Exemplo 5.3 Vamos calcular a derivada parcial da fun¸˜o f (x, y) = sen xy, em ca rela¸˜o a x, no ponto (a, b). ca ∂f f (a + h, b) − f (a, b) (a, b) = lim = ∂x h→0 h sen (a + h)b − sen ab = lim = h→0 h sen ab cos hb + cos ab sen hb − sen ab = lim = h→0 h sen ah (cos hb − 1) + sen hb cos ab = lim . h→0 h CEDERJ 58
  • 15.
    Derivadas parciais ´ MODULO 1 – AULA 5 cos hb − 1 sen hb Observe que lim = 0 e lim = b. Assim, h→0 h h→0 h ∂f sen ah (cos hb − 1) sen hb (a, b) = lim + cos ab = ∂x h→0 h h = b cos ab. Na verdade, podemos concluir que, se f (x, y) = sen xy, ent˜o, subs- a titutindo o termo gen´rico a por x e b por y, temos e ∂f (x, y) = y cos xy. ∂x ∂f ∂f As fun¸˜es co , ∂x ∂y Seja z = f (x, y) uma fun¸˜o definida num subconjunto aberto A de lR 2 . ca Suponha que f admita derivadas parciais, em rela¸˜o a x e a y, em todos os ca ∂f pontos (x, y) ∈ A. Nesse caso, obtemos duas fun¸˜es, denotadas por co e ∂x ∂f ∂z ∂z , definidas em A. As nota¸˜esco e tamb´m s˜o muito usadas para e a ∂y ∂x ∂y representar essas fun¸˜es. co ∂w ∂w ∂w De maneira an´loga, se w = g(x, y, z), usamos a , e para ∂x ∂y ∂z denotar as respectivas fun¸˜es obtidas pela deriva¸˜o parcial, no caso das co ca fun¸˜es de trˆs vari´veis. co e a Exemplo 5.4 Seja f (x, y, z) = xy 2 + z sen xyz. ∂f ∂f ∂f Esta fun¸˜o est´ definida no espa¸o lR 3 . Vamos calcular ca a c , e . ∂x ∂y ∂z Isto ´, queremos calcular as derivadas parciais de f . Podemos fazer isso di- e retamente, usando as regras de deriva¸˜o aprendidas no C´lculo I. Basta que ca a derivemos em rela¸˜o a vari´vel indicada, considerando as outras vari´veis ca ` a a como constantes. ∂f (x, y, z) = y 2 + yz 2 cos xyz. ∂x Veja que usamos a Regra da Cadeia na segunda parcela. ∂f (x, y, z) = 2xy + xz 2 cos xyz. ∂y 59 CEDERJ
  • 16.
    Derivadas parciais ∂f (x, y, z) = sen xyz + xyz cos xyz. ∂z No caso da derivada em rela¸˜o a z, a derivada da primeira parcela ca ´ nula, pois ´ constante em rela¸˜o a z. A derivada da segunda parcela ´ e e ca e calculada com a Regra do Produto de duas fun¸˜es: z × sen xyz. co Exerc´ 1 ıcio ∂f ∂f Calcule (x, y) e (1, −1), onde f (x, y) = 3x sen (x + y). ∂x ∂y H´ situa¸˜es em que o c´lculo da derivada parcial requer a defini¸˜o. a co a ca Veja mais um exemplo. Exemplo 5.5    2 1  (x + y 2 ) sen  , se (x, y) = (0, 0)  x2 + y2 Seja f (x, y) = .      0, se (x, y) = (0, 0) ∂f ∂f Vamos verificar que (0, 0) = 0 e (0, 0) = 0. ∂x ∂y Note que a fun¸˜o n˜o se altera se trocarmos a ordem das vari´veis: ca a a f (x, y) = f (y, x) . Isso significa que, caso a fun¸˜o admita alguma das ca derivadas parciais em (0, 0), a primeira igualdade j´ estar´ estabelecida. Por- a a tanto, basta calcular, digamos, ∂f f (h, 0) − f (0, 0) (0, 0) = lim = ∂x h→0 h 1 h2 sen −0 h2 1 = lim = lim h sen = 0, h→0 h h→0 h2 1 pois lim h = 0 e a fun¸˜o g(x) = sen ca , definida em lR − { 0 }, h→0 x2 ´ limitada. e ∂f ∂f Conclu´ ımos, ent˜o, que a (0, 0) = 0 e (0, 0) = 0. ∂x ∂y Exemplo 5.6   x3 + 2y 2   2  x + y2 , se (x, y) = (0, 0) Seja f (x, y) = .     0, se (x, y) = (0, 0) CEDERJ 60
  • 17.
    Derivadas parciais ´ MODULO 1 – AULA 5 ∂f Esse exemplo nos reserva uma surpresa. Vamos calcular (0, 0). ∂x ∂f f (h, 0) − f (0, 0) (0, 0) = lim = ∂x h→0 h h3 2 −0 = lim h = lim 1 = 1. h→0 h h→0 No entanto, ∂f f (0, h) − f (0, 0) (0, 0) = lim = ∂y h→0 h 3h2 2 −0 2 = lim h = lim . h→0 h h→0 h 2 Como a fun¸˜o g(x) = , definida em lR − { 0 }, n˜o admite limite ca a x quando x → 0, dizemos que a fun¸˜o f n˜o admite derivada parcial em ca a rela¸˜o a y no ponto (0, 0). ca Interpreta¸˜o geom´trica da derivada parcial ca e Vamos usar o fato de que a derivada g (a), de uma fun¸˜o y = g(x), no ca ponto a, pode ser interpretada geometricamente como o coeficiente angular da reta tangente ao gr´fico de g no ponto (a, b), para uma interpreta¸˜o a ca geom´trica para as derivadas parciais. e Seja z = f (x, y) uma fun¸˜o que admite derivadas parciais, em rela¸˜o ca ca a x e em rela¸˜o a y, num dado ponto (a, b) de seu dom´ ca ınio. Ao fixarmos uma das vari´veis, digamos y = b, estamos considerando a restri¸˜o da fun¸˜o f a ca ca sobre a reta y = b. Geometricamente, estamos considerando a interse¸˜o do ca gr´fico de f com o plano y = b. Essa interse¸˜o ´ uma curva do plano e pode a ca e ser vista como o gr´fico da fun¸˜o z = f (x, b). a ca 61 CEDERJ
  • 18.
    Derivadas parciais Na figura da esquerda, vemos o gr´fico de f com o plano y = b e, na a figura da direita, vemos o plano y = b com curva obtida da sua interse¸˜o ca com o gr´fico de f . a A derivada parcial de f , em rela¸˜o a x, no ponto (a, b), pode ser ca interpretada como o coeficiente angular da reta tangente a curva de interse¸˜o ` ca do plano com o gr´fico de f , no ponto (a, b, f (a, b)). Veja, a seguir, mais a uma ilustra¸˜o. ca z z x x y Chegamos ao fim da aula. Aqui est´ uma s´rie de exerc´ a e ıcios para vocˆ e colocar em pr´tica os conceitos e t´cnicas que aprendeu. a e Exerc´ ıcios Exerc´ 1 ıcio ∂f ∂f Calcule (x, y) e (1, −1), onde f (x, y) = 3x sen (x + y). ∂x ∂y Solu¸˜o: ca ∂f (x, y) = 3 sen (x + y) + 3x cos(x + y). ∂x ∂f ∂f (x, y) = 3x cos(x + y) =⇒ (1, −1) = 3. ∂y ∂y Exerc´ 2 ıcio Em cada um dos seguintes exerc´ ıcios, calcule a derivada parcial indi- cada. ∂f ∂f a) f (x, y) = 2xy + y 2 ; (x, y), (x, y). ∂x ∂y ∂f ∂f ∂f b) f (x, y, z) = 2xy(1 − 3xz)2 ; , , . ∂x ∂y ∂z x ∂z ∂z c) z = x ln ; , . y ∂x ∂y CEDERJ 62
  • 19.
    Derivadas parciais ´ MODULO 1 – AULA 5 d) x = 1 + x2 + y 2 + z 2 ; wx , wz , wy (0, 0, 0). ∂f e) f (u, v) = uv − u2 + v 2 ; , fv (0, −1). ∂u ∂g ∂g f) g(r, θ) = r cos θ + r sen θ; , . ∂r ∂θ y ∂z ∂z g) z = arctg ; , . x ∂x ∂y ∂f ∂f ∂f h) f (x, y, z) = (x + y) ex−y+2z ; , , . ∂x ∂y ∂z ∂f ∂f i) f (u, v) = u2 arcsen v; , . ∂u ∂v Exerc´ 3 ıcio Seja f (x, y) = ln x2 + y 2 . a) Mostre que Dom(f ) ´ um conjunto aberto. e b) Determine a curva de n´ 0. ıvel ∂f ∂f c) Verifique que x +y = 1. ∂x ∂y Exerc´ 4 ıcio y Seja f (x, y, z) = . Verifique que x2 + y2 + z2 x fx + y fy + z fz = −f. Exerc´ 5 ıcio   x2 y   2  x + y2 , se (x, y) = (0, 0) Seja f (x, y) = .     0, se (x, y) = (0, 0) ∂f ∂f Calcule e . (Veja que vocˆ dever´ usar as regras de deriva¸˜o e a ca ∂x ∂y ∂f ∂f para calcular (x, y) e (x, y), no caso de (x, y) = (0, 0), e a defini¸˜o ca ∂x ∂y ∂f ∂f de derivada parcial num ponto espec´ ıfico para calcular (0, 0) e (0, 0)). ∂x ∂y 63 CEDERJ
  • 20.
    Derivadas parciais As derivadas parciais s˜o usadas para expressar um par de equa¸˜es a co muito importantes, na teoria das fun¸˜es de vari´vel complexa, chamadas co a Equa¸˜es de Cauchy-Riemann. co Um par de fun¸˜es u(x, y) e v(x, y) que satisfazem as equa¸˜es co co ∂u ∂v ∂u ∂v = e = − ∂x ∂y ∂y ∂x s˜o, respectivamente, a parte real e a parte complexa de uma fun¸˜o dife- a ca renci´vel (num sentido complexo) de uma vari´vel complexa. a a Exerc´ 6 ıcio Mostre que cada par de fun¸˜es de duas vari´veis a seguir satisfaz as co a Equa¸˜es de Cauchy-Riemann. co a) u(x, y) = x2 − y 2; v(x, y) = 2xy. b) u(x, y) = ex cos y; v(x, y) = ex sen y. c) u(x, y) = x3 + x2 − 3xy 2 − y 2 ; v(x, y) = 3x2 y + 2xy − y 3 . x −y d) u(x, y) = ; v(x, y) = . x2 + y2 x2 + y2 1 y e) u(x, y) = ln (x2 + y 2); v(x, y) = arctg . 2 x CEDERJ 64
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    Plano tangente, diferenciale gradiente ´ MODULO 1 – AULA 9 Aula 9 – Plano tangente, diferencial e gradiente Objetivos • Aprender o conceito de plano tangente ao gr´fico de uma fun¸˜o dife- a ca renci´vel de duas vari´veis. a a • Conhecer a nota¸˜o cl´ssica para a melhor aproxima¸˜o linear de uma ca a ca fun¸˜o diferenci´vel – a diferencial. ca a • Aprender o conceito de vetor gradiente como o dual da diferencial. As duas ultimas aulas apresentaram a no¸˜o de diferenciabilidade de ´ ca uma fun¸˜o de v´rias vari´veis e as suas implica¸˜es imediatas. Foram aulas ca a a co teoricamente mais densas e, portanto, o car´ter um pouco mais simples que a esta aula pretende ter deve ser uma bem-vinda mudan¸a de ritmo. c Antes de prosseguir, no entanto, vamos reconhecer um d´bito que ser´ e a pago na pr´xima aula de exerc´ o ıcios. Veja, na aula anterior, foi provado que toda fun¸˜o de classe C 1 ´ diferenci´vel. Isto ´, ser de classe C 1 ´ uma ca e a e e condi¸˜o suficiente para ser diferenci´vel. Diante disso, vocˆ deve conside- ca a e rar a quest˜o da necessidade dessa condi¸˜o para a diferenciabilidade. Em a ca outras palavras, essa condi¸˜o suficiente ´ tamb´m necess´ria? Muito bem, ca e e a adiantando a resposta: n˜o! H´ fun¸˜es diferenci´veis cujas fun¸˜es deriva- a a co a co das parciais n˜o s˜o cont´ a a ınuas. Vocˆ ver´ um exemplo na pr´xima aula de e a o exerc´ ıcios. Promessa ´ d´ e ıvida! Muito bem, com isso fora da pauta, vamos ao primeiro tema desta aula. Plano tangente Na defini¸˜o de diferenciabilidade de uma fun¸˜o f : A ⊂ lR 2 −→ lR , ca ca no ponto (a, b) ∈ A, subconjunto aberto de lR , a equa¸˜o 2 ca ∂f ∂f f (x, y) = f (a, b) + (a, b) (x − a) + (a, b) (y − b) + E(x, y) ∂x ∂y desempenha um papel fundamental, pois define o erro E(x, y), que converge para zero mais rapidamente do que |(x, y) − (a, b)|. Isso quer dizer que a aplica¸˜o afim ca ∂f ∂f A(x, y) = f (a, b) + (a, b) (x − a) + (a, b) (y − b), ∂x ∂y 95 CEDERJ
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    Plano tangente, diferenciale gradiente no caso de f ser diferenci´vel em (a, b), ´ aquela que, entre todas as aplica¸˜es a e co afins, d´ as melhores aproxima¸˜es aos valores da fun¸˜o f , em alguma vizi- a co ca nhan¸a do ponto (a, b). c Mas, como sabemos, equa¸˜es do tipo co z = c + mx + ny definem planos em lR 3 . Isso nos motiva a estabelecer o seguinte. Defini¸˜o 9.1: ca Seja f : A ⊂ lR 2 −→ lR , uma fun¸˜o definida no subconjunto aberto ca 2 A de lR , diferenci´vel no ponto (a, b). Dizemos que o plano definido pela a equa¸˜o ca ∂f ∂f z = f (a, b) + (a, b) (x − a) + (a, b) (y − b) ∂x ∂y ´ o plano tangente ao gr´fico da fun¸˜o f , no ponto (a, b). e a ca Exemplo 9.1 Vamos calcular a equa¸˜o do plano tangente ao gr´fico de f (x, y) = ca a x − xy − y no ponto (1, 1, −1). 2 2 Para isso, calculamos as derivadas parciais: ∂f ∂f (x, y) = 2x − y, (x, y) = −x − 2y. ∂x ∂y Substituindo (x, y) por (1, 1), obtemos: ∂f ∂f (1, 1) = 1, (1, 1) = −3. ∂x ∂y Assim, a equa¸˜o procurada ´ ca e ∂f ∂f z = f (1, 1) + (1, 1) (x − 1) + (1, 1) (y − 1); ∂x ∂y z = −1 + (x − 1) − 3(y − 1); z = x − 3y + 1. CEDERJ 96
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    Plano tangente, diferenciale gradiente ´ MODULO 1 – AULA 9 Exemplo 9.2 Vamos calcular a equa¸˜o do plano tangente ao gr´fico de f (x, y) = ca a 2xy − y que seja paralelo ao plano z = 2x + 4y. 2 ∂f ∂f Para que os planos z = f (a, b) + (a, b) (x − a) + (a, b) (y − b) e ∂x ∂y ∂f ∂f z = 2x + 4y sejam paralelos, ´ preciso que e (a, b) = 2 e (a, b) = 4. ∂x ∂y ∂f ∂f Como (x, y) = 2y e (x, y) = 2x − 2y, temos de achar os valores ∂x ∂y a e b tais que 2b = 2 e 2a − 2b = 4. Portanto, o ponto que procuramos ´ e (a, b) = (3, 1), e a equa¸˜o do plano tangente procurado ´ ca e z = f (3, 1) + 2(x − 3) + 4(x − 1); z = 2x + 4y − 5. Reta normal ao gr´fico a O espa¸o tridimensional lR 3 ´ munido de um produto que o torna c e muito especial. Dados v1 , v2 ∈ lR 3 , podemos efetuar o produto vetorial, v1 × v2 , obtendo um terceiro vetor. Se v1 e v2 s˜o linearmente independentes, a ent˜o v1 × v2 ´ perpendicular ao plano gerado por eles. a e v1 × v2 v1 v2 Isso est´ ligado ao fato de todo plano contido em lR 3 ter uma unica a ´ dire¸˜o ortogonal. Ou seja, dado um plano π ⊂ lR e um ponto (a, b, c) ∈ lR 3 , ca 3 existe uma unica reta r, tal que r ´ perpendicular a π e (a, b, c) ∈ r. ´ e E ainda, se a equa¸˜o cartesiana do plano tem a forma ca α x + β y + γ z = δ, ´ f´cil obter uma equa¸˜o param´trica da reta ortogonal: e a ca e r(t) = (α t + a, β t + b, γ t + c). 97 CEDERJ
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    Plano tangente, diferenciale gradiente Portanto, reescrevendo a equa¸˜o do plano tangente ao gr´fico de f , no ca a ponto (a, b, f (a, b)) como ∂f ∂f ∂f ∂f (a, b) x + (a, b) y − z = (a, b) a + (a, b) b − f (a, b), ∂x ∂y ∂x ∂y obtemos uma equa¸˜o param´trica da reta normal ao gr´fico de f no ponto ca e a (a, b, f (a, b)): ∂f ∂f r(t) = (a, b) t + a, (a, b) t + b, −t + f (a, b) . ∂x ∂y Exemplo 9.3 Vamos calcular uma equa¸˜o param´trica da reta normal ao gr´fico de ca e a f (x, y) = xy no ponto (−1, −2, 2). Come¸amos calculando as derivadas parciais de f : c ∂f ∂f (x, y) = y e (x, y) = x, ∂x ∂y ımos (x, y) por (−1, −2): e substitu´ ∂f ∂f (1, −1) = −2 e (1, −1) = −1. ∂x ∂y Aqui est´ uma equa¸˜o param´trica da reta normal ao gr´fico de z = xy a ca e a no ponto (−1, −2, 1): r(t) = (−2t − 1, −t − 2, 2 − t). O pr´ximo tema ´ um cl´ssico da Matem´tica: a diferencial. o e a a Diferencial Vocˆ deve ter notado que, em diversas situa¸˜es, usamos a termino- e co logia “melhor aproxima¸˜o linear”, enquanto em outras usamos “a melhor ca aproxima¸˜o afim”. Vamos esclarecer a diferen¸a que h´ entre uma e outra ca c a terminologia. No fundo, ´ uma quest˜o de referencial. e a CEDERJ 98
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    Plano tangente, diferenciale gradiente ´ MODULO 1 – AULA 9 O termo linear ´ usado para caracterizar um tipo especial de fun¸˜es: e co as transforma¸˜es lineares. Uma transforma¸˜o linear de um espa¸o vetorial co ca c V no espa¸o vetorial W (digamos, reais) ´ uma fun¸˜o T : V −→ W , com as c e ca seguintes propriedades: ∀v, w ∈ V, ∀λ ∈ lR , • T (v + w) = T (v) + T (w); • T (λv) = λ T (v). Ou seja, T preserva as opera¸˜es que caracterizam V como um espa¸o co c vetorial, na imagem em W . Em particular, as transforma¸˜es lineares de lR 2 em lR , tamb´m cha- co e 2 madas funcionais lineares de lR , tˆm a forma geral e T (x, y) = α x + β y, onde α e β s˜o n´ meros reais. a u Isto ´, cada funcional linear de lR 2 ´ caracterizado unicamente por um e e par ordenado (α, β). O gr´fico de um funcional linear de lR 2 ´ um plano contido em lR 3 que a e cont´m a origem, pois T (0, 0) = 0. e J´ uma aplica¸˜o afim de lR 2 em lR tem a forma geral a ca A(x, y) = α x + β y + γ, onde α, β e γ s˜o n´ meros reais. a u O gr´fico de A ´ um plano contido em lR 3 que intersecta o eixo Oz na a e altura γ. No caso das aplica¸˜es afins, temos um grau de liberdade a mais em co rela¸˜o aos funcionais lineares, pois temos um n´mero extra γ para determi- ca u nar a aplica¸˜o. ca Suponha que f : A ⊂ lR 2 −→ lR seja uma fun¸˜o diferenci´vel em ca a (a, b). A aplica¸˜o ca ∂f ∂f A(x, y) = f (a, b) + (a, b) (x − a) + (a, b) (y − b) ∂x ∂y ´ a melhor aproxima¸˜o afim da fun¸˜o f , numa pequena vizinhan¸a do e ca ca c ponto (a, b). H´ uma maneira cl´ssica de apresentar este tema, isto ´, a no¸˜o de a a e ca diferencial. A terminologia usada ´ a de acr´scimos. Usando a nota¸˜o de e e ca 99 CEDERJ
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    Plano tangente, diferenciale gradiente acr´scimos, mudaremos a aplica¸˜o afim para uma linear, que passar´ a ser e ca a chamada diferencial. Coloquemos z = f (x, y). Nesses termos, x e y s˜o as vari´veis indepen- a a dentes e z ´ a vari´vel dependente. e a Veja: se colocarmos h = x−a e k = y−b, podemos reescrever a equa¸˜o ca que define a aplica¸˜o afim A da seguinte maneira: ca ∂f ∂f A(a + h, b + k) − f (a, b) = (a, b) h + (a, b) k. ∂x ∂y A f´rmula do lado direito da igualdade define um funcional linear nas o vari´veis h e k, os respectivos acr´scimos de x e de y, aplicados em (a, b): a e ∂f ∂f T (h, k) = (a, b) h + (a, b) k, ∂x ∂y ∂f ∂f determinada unicamente pelo par ordenado (a, b), (a, b) . ∂x ∂y ∂f ∂f Resumindo, dados os acr´scimos h e k, T (h, k) = e (a, b) h+ (a, b) k ∂x ∂y ´ a melhor aproxima¸˜o linear ao acr´scimo obtido na vari´vel z. Isto ´, e ca e a e T (h, k) ´ a melhor aproxima¸˜o ao acr´scimo f (a + h, b + k) − f (a, b). e ca e Classicamente, denotam-se os acr´scimos em x e em y por dx e dy e (h = dx e k = dy). O acr´scimo real, f (a + dx, b + dy) − f (a, b), em z, ´ e e denotado por ∆z, para diferenci´-lo do acr´scimento obtido com a diferencial, a e denotado por dz. Assim, representamos a transforma¸˜o linear T (h, k) por ca ∂f ∂f dz = dx + dy, ∂x ∂y chamada diferencial da fun¸˜o z = f (x, y). ca Como ∂f ∂f E(h, k) = f (a + h, b + k) − f (a, b) − (a, b) h − (a, b) k ∂x ∂y ∂f ∂f = f (a + h, b + k) − f (a, b) − (a, b) dx + (a, b) dy ∂x ∂y = ∆z − dz, denotamos dz ∆z para indicar que dz ´ uma aproxima¸˜o de ∆z. Eles e ca diferem pelo erro E(h, k) que ´ t˜o menor quanto mais h e k estiverem e a pr´ximos de zero. o CEDERJ 100
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    Plano tangente, diferenciale gradiente ´ MODULO 1 – AULA 9 A(a + dx, b + dy) Esta figura ´ esquem´tica. e a Erro = |∆z − dz| Note que o dom´ ınio de f , f (a + dx, b + dy) que est´ contido em lR 2 , foi a ∆z dz representado como um f (a, b) subconjunto de lR . Dessa forma, o gr´fico de f , que ´ a e uma superf´ ıcie, est´ a representado por uma curva, enquanto o gr´fico de A, que a ´ um plano, est´ e a (a, b) (a + dx, b + dy) representado por uma reta. A pr´tica de representar a espa¸os de dimens˜es c o maiores por seus similares de dimens˜es menores ´ comum o e em Matem´tica. Com isso a Veja como usar essa nota¸˜o no seguinte exemplo. ca facilita-se a visualiza¸˜o e ca espera-se ajudar o Exemplo 9.4 entendimento. Vamos calcular a express˜o geral para a diferencial da fun¸˜o a ca f (x, y) = 6 − x2 − y 2 e us´-la para calcular uma aproxima¸˜o ao valor f (0.99, 1.02). a ca Para calcular a forma geral da diferencial, precisamos calcular as deri- vadas parciais de f . ∂f −x ∂f −y (x, y) = ; (x, y) = . ∂x 6 − x2 − y 2 ∂y 6 − x2 − y 2 Assim, se colocarmos z = f (x, y), a diferencial de f ´ e x y dz = − dx − dy 6 − x2 − y 2 6 − x2 − y 2 −x dx − y dy dz = . 6 − x2 − y 2 Agora, vamos usar essa f´rmula para avaliar f (0.99, 1.02). o O ponto de referˆncia ´, nesse caso, (1, 1). Isto ´, a = 1, b = 1, e e e a + h = 0.99 e b + h = 1.02. Calculada em (1, 1), a diferencial fica 1 1 dz = − dx − dy. 2 2 Os acr´scimos s˜o: dx = 0.99 − 1 = −0.01 e dy = 1.02 − 1 = 0.02. e a Portanto, 0.01 − 0.02 dz = = −0.005. 2 101 CEDERJ
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    Plano tangente, diferenciale gradiente Como f (1, 1) = 2, f (0.99, 1.02) f (1, 1) + dz = 1.995. Veja, usando uma m´quina de calcular, obtemos uma aproxima¸˜o mais a ca acurada do valor f (0.99, 1.02), como 1.994868417. Nada mal para uma apro- xima¸˜o, vocˆ n˜o acha? ca e a Chegamos ao ultimo tema da aula. ´ O vetor gradiente A palavra dualidade ´ usada em circunstˆncias bem especiais, na Ma- e a tem´tica. Em geral, ela indica a existˆncia de uma bije¸˜o entre certos a e ca conjuntos. Mas ´ mais do que isso. e Por exemplo, podemos dizer que h´ uma dualidade entre os s´lidos de a o Plat˜o, estabelecida pela rela¸˜o entre n´ meros de v´rtices e n´ meros de a ca u e u faces. Veja, na tabela a seguir, o nome, o n´mero de v´rtices, o n´ mero de u e u arestas e o n´ mero de faces desses poliedros regulares. u Nome v´rtices e arestas faces Tetraedro 4 6 4 Hexaedro (cubo) 8 12 6 Octaedro 6 12 8 Dodecaedro 20 30 12 Icosaedro 12 30 20 Note que o nome do poliedro tem o prefixo grego que indica o n´mero u de faces. Assim, por exemplo, o hexaedro ´ o s´lido regular que tem seis e o ´ o nosso popular cubo. faces, todas quadradas. E O hexaedro, ou cubo, ´ dual ao octaedro. Isso porque o cubo tem seis e faces e oito v´rtices (f = 6, v = 8), enquanto o octaedro tem oito faces e seis e v´rtices (f = 8, v = 6). e O dodecaedro ´ dual ao icosaedro. Assim, n˜o ´ surpresa que, conhe- e a e cendo o dodecaedro, os gregos acabaram descobrindo o seu dual, o icosaedro. Veja: se no centro de cada face do dodecaedro marcarmos um ponto, e li- garmos todos esses pontos, obteremos um icosaedro inscrito no dodecaedro original, e vice-versa. Resta a pergunta: quem ´ o dual do tetraedro, o mais simples dos e s´lidos regulares? Ora, sem mais delongas, o tetraedro ´ auto-dual, pois ´ o o e e unico s´lido regular a ter o mesmo n´mero de faces e de v´rtices. ´ o u e CEDERJ 102
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    Plano tangente, diferenciale gradiente ´ MODULO 1 – AULA 9 Depois disso tudo, voltamos ` nossa aula. a H´ uma bije¸˜o entre o espa¸o dos funcionais lineares de lR 2 e o pr´prio a ca c o 2 lR , que associa o funcional definido por T (x, y) = α x + β y ao par ordenado (α, β). Isso ´ um outro exemplo de uma dualidade. Na verdade, o espa¸o dos e c 2 A palavra gradiente prov´m e funcionais lineares de lR ´ um espa¸o vetorial e ´ chamado espa¸o dual. e c e c do latim gradientis, partic´ıpio de gradi, que significa caminhar, assim ∂f ∂f como a palavra grau prov´m e Isso nos faz olhar para o vetor (x, y), (x, y) , como o dual da ∂x ∂y de gradus, que significa ∂f ∂f passo, medida, hierarquia, diferencial dz = (x, y) dx + (x, y) dy, num ponto gen´rico (x, y) do e intensidade. ∂x ∂y A palavra gradiente dom´ ınio de f , e nome´-lo gradiente de f . Usamos a nota¸˜o a ca significa, na linguagem comum, a medida da ∂f ∂f declividade de um terreno. ∇f (x, y) = (x, y), (x, y) . Significa, tamb´m, a medida e ∂x ∂y da varia¸˜o de determinada ca caracter´ ıstica de um meio, tal como press˜o ou a Esse vetor desempenhar´ um papel importante de agora em diante. a temperatura, de um ponto Com isso, chegamos ao fim desta aula. A seguir, uma lista com alguns para outro desse meio. Como tal, nada mais ´ do e exerc´ ıcios para vocˆ praticar o que acabou de aprender. e que uma taxa de varia¸˜o. ca O s´ ımbolo ∇, usado para representar esse vetor, ´ e chamado nabla. Exerc´ ıcios Exerc´ 1 ıcio Calcule a equa¸˜o do plano tangente e uma equa¸˜o param´trica da ca ca e reta normal ao gr´fico de f no ponto indicado. a (a) f (x, y) = x2 − 2y (1, 0, 1); (b) f (x, y) = ln (x2 + y 2 ) (1, −1, ln 2); (c) f (x, y) = sen xy (π, 1/2, 1); 2y (d) f (x, y) = ex (1, 0, 1); (e) f (x, y) = xy − y 3 (1, 1, 0). Exerc´ 2 ıcio Determine o plano tangente ao gr´fico de f (x, y) = x2 + 3xy + y 2, que a ´ paralelo ao plano z = 10x + 5y + 15. e 103 CEDERJ
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    Plano tangente, diferenciale gradiente Exerc´ 3 ıcio Calcule a diferencial (forma geral) das seguintes fun¸˜es: co (a) z = 2xy − x2 + y 2 ; (b) z = 1 − x2 − y 2; x−y (c) z = exy − 1; (d) z = ; x+y (e) w = xy + xz + yz; (f) w = ln (1 + x2 + y 2 + z 2 ). Exerc´ 4 ıcio Use uma diferencial para calcular uma aproxima¸˜o ao n´mero ca u √ √ 3 17 + 26. Exerc´ 5 ıcio Use a diferencial para calcular uma aproxima¸˜o de f (2.997, 4.008), ca onde f (x, y) = x2 + y 2 . Exerc´ 6 ıcio Sabendo que o vetor gradiente de f (x, y), no ponto (1, 2), ´ ∇f (1, 2) = e (1, −1) e que f (1, 2) = 3, calcule o plano tangente ao gr´fico de f no ponto a (1, 2, f (1, 2)). CEDERJ 104
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    Derivadas parciais deordens superiores ´ MODULO 1 – AULA 15 Aula 15 – Derivadas parciais de ordens superiores Objetivos • Usar a Regra da Cadeia para calcular derivadas parciais de ordens superiores. • Conhecer uma condi¸˜o suficiente para a comutatividade das ca derivadas parciais. Introdu¸˜o ca Por que derivar mais do que uma vez? Antes de responder a esta pergunta, vamos considerar alguns aspectos da derivada. Vejamos: quando algu´m menciona o termo derivada, o que e ocorre a vocˆ? Digamos que tenha sido algo como “a derivada ´ a medida e e da mudan¸a da fun¸˜o em torno de um certo ponto”. Bom! Em particular, c ca se a fun¸˜o for constante, n˜o h´ mudan¸a na fun¸˜o e essa medida ´ nula, ca a a c ca e o que se encaixa nessa vis˜o geral. a Vocˆ aprendeu que, se a derivada de uma fun¸˜o de uma vari´vel real ´ e ca a e positiva ao longo de um intervalo, ent˜o essa fun¸˜o ´ crescente a ca e nesse intervalo. Resumindo: o estudo dos sinais da derivada, assim como o seu com- portamento em torno de seus zeros, nos d´ informa¸˜es valiosas a respeito a co da fun¸˜o. ca Mas veja: esse estudo de sinais da derivada n˜o detecta a diferen¸a que a c h´ entre as duas fun¸˜es cujos gr´ficos est˜o esbo¸ados a seguir, uma vez a co a a c que ambas s˜o crescentes. a Figura 15.1 Figura 15.2 171 CEDERJ
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    Derivadas parciais deordens superiores Enquanto a derivada mede o crescimento do gr´fico da fun¸˜o, sua a ca curvatura ´ detectada pela derivada segunda. Essa ´ uma motiva¸˜o para e e ca considerarmos derivadas de ordens superiores. H´ outras. Por exemplo, a F´rmula de Taylor, um tema que ainda a o exploraremos. Agora, ao assunto da aula! Parciais de parciais Vocˆ aprendeu a calcular derivadas parciais de uma dada fun¸˜o de duas e ca ou mais vari´veis. Essas derivadas s˜o, elas pr´prias, fun¸˜es que podem a a o co ser, por sua vez, submetidas ao mesmo processo: derivar parcialmente as derivadas parciais. Veja um exemplo. Exemplo 15.1 Vamos calcular as derivadas parciais de segunda ordem da fun¸˜o ca f (x, y) = x3 y 2 − 3xy 4 . Primeiro, as derivadas parciais: ∂f ∂f (x, y) = 3x2 y 2 − 3y 4; (x, y) = 2x3 y − 12xy 3. ∂x ∂y Agora, as parciais das parciais:   ∂ ∂f    ∂ 2f   ∂x ∂x (x, y) = (x, y) = 6xy 2 ;   ∂x2          ∂  ∂f ∂ 2f   (x, y) = (x, y) = 6x2 y − 12y 3. ∂y ∂x ∂y∂x   ∂    ∂f ∂ 2f   ∂x (x, y) = (x, y) = 6x2 y − 12y 3;   ∂y ∂x∂y           ∂ ∂f ∂ 2f   (x, y) = (x, y) = 2x3 − 36xy 2. ∂y ∂y ∂y 2 CEDERJ 172
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    Derivadas parciais deordens superiores ´ MODULO 1 – AULA 15 Nota¸˜es co No exemplo anterior vocˆ j´ conheceu a principal nota¸˜o para as deri- e a ca ∂ 2f vadas de ordens superiores: significa que estamos derivando duas vezes ∂x2 em rela¸˜o a x. ca ∂ 2f Note que significa: derive em rela¸˜o a y e, depois, em rela¸˜o a ca ca ∂x∂y x. Ou seja, essa nota¸˜o deve ser lida da direita para a esquerda. ca ∂ 2f ∂x∂y A nota¸˜o fy x = fy x tamb´m ´ muito util, especialmente quando ca e e ´ lidamos com f´rmulas mais longas. Neste caso, a nota¸˜o deve ser lida da o ca esquerda para a direita. fy x - H´ uma terceira maneira de denotar as derivadas parciais de ordens a superiores, semelhante a esta ultima, usando n´ meros no lugar das vari´veis ´ u a para indicar a vari´vel respectiva ` qual a deriva¸˜o est´ sendo feita. Assim, a a ca a f1 , f2 , f1 1 , f1 2 , f2 2 , correspondem, respectivamente, a fx , fy , fx x , fx y , fy y , por exemplo. A vantagem dessa nota¸˜o ´ que ela n˜o enfatiza o nome da vari´vel ca e a a (x, ou y, u ou outra qualquer). Veja mais um exemplo, onde usamos as trˆs e nota¸˜es. co Exemplo 15.2 Vamos calcular as derivadas parciais at´ ordem dois da fun¸˜o e ca f (x, y, z) = z exy − 3yz 2 . N˜o ´ incomum, especialmente nos nossos manuscritos, omitirmos da a e nota¸˜o o par ordenado (x, y) (ou a tripla (x, y, z), dependendo do caso), ca 173 CEDERJ
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    Derivadas parciais deordens superiores deixando subentendido que a fun¸˜o deve ser calculada num ponto gen´rico. ca e Assim, temos: ∂f ∂f ∂f = yz exy ; = xz exy − 3z 2 ; = exy − 6yz. ∂x ∂y ∂z Agora, as parciais de ordem dois: ∂ 2f = y 2 z exy ; fx y = z exy + xyz exy ; f1 3 y exy ; ∂x2 ∂ 2f f2 1 = z exy + xyz exy ; fy y = x2 z exy ; = x exy − 6z; ∂z∂y ∂ 2f fz x = y exy ; = x exy − 6z; f3 3 = −6y. ∂y∂z Quem deriva uma, duas vezes, deriva muitas vezes ∂ 3f As nota¸˜es se generalizam naturalmente. Por exemplo, co indica ∂x2 ∂y a derivada parcial da fun¸˜o f em rela¸˜o a y e, em seguida, em rela¸˜o a x ca ca ca duas vezes. Al´m disso, quando dizemos que f ´ uma fun¸˜o de classe C k , significa e e ca que f admite as derivadas parciais de todas as ordens, at´ k, e todas essas e derivadas s˜o fun¸˜es cont´ a co ınuas. Em particular, ´ conveniente usar a nota¸˜o e ca fun¸˜o de classe C 0 para indicar que a fun¸˜o f ´ uma fun¸˜o cont´ ca ca e ca ınua. Atividade 15.4 Aqui est´ uma oportunidade de vocˆ testar essas diferentes nota¸˜es. a e co Seja f (x, y, z) = cos(xy 2 ) − sen (yz 2 ). Calcule as seguintes derivadas parciais: ∂ 2f ; fyyz ; f321 . ∂x∂z Uma condi¸˜o suficiente para a comutatividade das de- ca rivadas parciais Uma coisa deve ter chamado a sua aten¸˜o, especialmente no exemplo ca ∂ 2f ∂ 2f 15.2. As derivadas de ordem dois, de termos cruzados, como ∂x∂y e ∂y∂x , s˜o iguais, apesar da diferente ordem de deriva¸˜o. a ca CEDERJ 174
  • 35.
    Derivadas parciais deordens superiores ´ MODULO 1 – AULA 15 No entanto, nem toda fun¸˜o tem essa propriedade. Veja o ca pr´ximo exemplo. o Exemplo 15.3 ∂ 2f ∂ 2f Veja agora uma fun¸˜o f tal que ca (0, 0) = (0, 0). ∂x∂y ∂y∂x Na aula anterior, vimos que a fun¸˜o definida por ca   x3 y     2  x + y2 , se (x, y) = (0, 0),     f (x) =          0,  se (x, y) = (0, 0), admite derivadas direcionais em todas as dire¸˜es, na origem, e todas essas co derivadas s˜o iguais a zero. Em particular, a ∂f ∂f (0, 0) = (0, 0) = 0. ∂x ∂y Se (x, y) = (0, 0), temos: ∂f 3x2 y (x2 + y 2 ) − x3 y 2x x4 y + 3x2 y 3 (x, y) = = ; ∂x (x2 + y 2 )2 (x2 + y 2 )2 ∂f x3 (x2 + y 2 ) − x3 y 2y x5 − x3 y 2 (x, y) = = . ∂y (x2 + y 2 )2 (x2 + y 2 )2 Resumindo,   x4 y + 3x2 y 3      (x2 + y 2 )2 , se (x, y) = (0, 0),     ∂f (x, y) = ∂x          0,  se (x, y) = (0, 0), e   x5 − x3 y 2     2  (x + y 2 )2 , se (x, y) = (0, 0),     ∂f (x, y) = ∂y          0,  se (x, y) = (0, 0), 175 CEDERJ
  • 36.
    Derivadas parciais deordens superiores Portanto, ∂f ∂f ∂ 2f (0, y) − (0, 0) 0 (0, 0) = lim ∂x ∂x = lim = 0 ∂y∂x y→0 y y→0 y e ∂f ∂f x5 (x, 0) − (0, 0) ∂ 2f ∂y ∂y (x2 )2 (0, 0) = lim = lim = 1. ∂x∂y x→0 x x→0 x ∂ 2f ∂ 2f Ou seja, pelo menos na origem, = . ∂y∂x ∂x∂y O teorema que enunciaremos a seguir nos d´ uma condi¸˜o suficiente a ca para que as derivadas de ordem dois, em rela¸˜o as diferentes vari´veis, ca ` a comutem. Teorema 15.1 Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o de classe C 2 (ou seja, f admite deri- ca vadas parciais de ordem dois e essas fun¸˜es s˜o todas cont´nuas), definida co a ı em um subconjunto aberto D de lR 2 . Ent˜o, ∀(x, y) ∈ D, a ∂ 2f ∂ 2f (x, y) = (x, y). ∂x∂y ∂y∂x Em geral, os textos de C´lculo omitem a demonstra¸˜o desse teorema. a ca Para provar esse resultado, usamos o Teorema do Valor M´dio, de maneira e semelhante ` que fizemos na aula Diferenciabilidade – continua¸˜o, para a ca provar que, se a fun¸˜o for de classe C 1 , ent˜o ela ´ diferenci´vel, por´m, ca a e a e em dose dupla. Vocˆ poder´ encontrar essa demonstra¸˜o no livro C´lculo e a ca a Diferencial e Integral, Volume II, de Richard Courant (Editora Globo), a partir da p´gina 55. a No entanto, vocˆ pode usar o teorema imediatamente. Aqui est´ uma e a oportunidade de fazer isso. Atividade 15.5 Calcule todas as derivadas parciais, at´ ordem trˆs, da fun¸˜o f (x, y) = e e ca 2 −y x e . Veja: usando o Teorema 15.1, vocˆ poder´ concluir que fxxy = fxyx = e a fyxx , por exemplo. Isso far´ com que vocˆ calcule quatro derivadas parciais a e de ordem trˆs no lugar de oito, certo? e CEDERJ 176
  • 37.
    Derivadas parciais deordens superiores ´ MODULO 1 – AULA 15 Apresentaremos, agora, uma s´rie de exemplos com os quais vocˆ apren- e e der´ a usar a Regra da Cadeia para calcular derivadas parciais de ordens a superiores de fun¸˜es compostas. co Exemplo 15.4 Come¸aremos com uma composi¸˜o de uma fun¸˜o de duas vari´veis f (x, y) c ca ca a com uma curva α(t). Seja f : lR 2 −→ lR uma fun¸˜o de classe C 2 e seja g(t) = f (t2 +1, 2t3 ), ca a composi¸˜o de f com α(t) = (t2 + 1, 2t3). ca d2 g Vamos expressar g (t) = (t) em termos das derivadas parciais de dt2 f . Observe que g (t) = ∇f α(t) · α (t). Assim, ∂f 2 ∂f 2 g (t) = (t + 1, 2t3 )(2t) + (t + 1, 2t3)(6t2 ) ∂x ∂y ∂f 2 ∂f 2 g (t) = 2t (t + 1, 2t3 ) + 6t2 (t + 1, 2t3 ). ∂x ∂y Muito bem! Antes de prosseguirmos, observe a fun¸˜o obtida ap´s a ca o primeira deriva¸˜o. Ela ´ formada por duas parcelas, sendo cada uma o ca e ∂f 2 produto de duas fun¸˜es de t. Por exemplo, h(t) = 2t co (t + 1, 2t3 ) ´ e ∂x o produto da fun¸˜o k(t) = 2t pela composi¸˜o da fun¸˜o derivada par- ca ca ca cial de f em rela¸˜o a x com a curva α(t). Para calcularmos a pr´xima ca o derivada, temos de levar isso em conta. Ou seja, usaremos a Regra do Pro- duto com mais uma aplica¸˜o da Regra da Cadeia. Veja como derivar a ca primeira parcela, ∂f 2 h(t) = 2t (t + 1, 2t3 ). ∂x ∂f 2 ∂ 2f 2 ∂ 2f 2 h (t) = 2 (t + 1, 2t3 ) + 2t 2 (t + 1, 2t3 ) (2t) + (t + 1, 2t3 ) 6t2 ∂x ∂x ∂y∂x d ∂f 2 (t +1,2t3 ) dt ∂x ∂f 2 ∂ 2f 2 ∂ 2f 2 h (t) = 2 (t + 1, 2t3 ) + 4t2 (t + 1, 2t3 ) + 12t3 (t + 1, 2t3 ). ∂x ∂x2 ∂y∂x ∂f 2 Vamos denotar por j(t) = 6t2 (t + 1, 2t3), a segunda parcela. Aqui ∂y est´ a derivada de j(t): a 177 CEDERJ
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    Derivadas parciais deordens superiores ∂f 2 ∂ 2f 2 ∂ 2f 2 j (t) = 12t (t +1, 2t3 )+6t2 (t + 1, 2t3 ) (2t) + (t + 1, 2t3 ) 6t2 ∂y ∂x∂y ∂y 2 d ∂f 2 (t +1,2t3 ) dt ∂y ∂f 2 ∂ 2f 2 ∂ 2f 2 j (t) = 12t (t + 1, 2t3 ) + 12t3 (t + 1, 2t3) + 36t4 (t + 1, 2t3 ). ∂y ∂x∂y ∂y 2 F´rmulas enormes, n˜o? No entanto, note que h´ muita repeti¸˜o. o a a ca Podemos abreviar um pouco se usarmos a nota¸˜o fxx , por exemplo. Para ca expressar a segunda derivada de g(t), usaremos que g (t) = h (t) + j (t). g (t) = 2 fx (t2 + 1, 2t3 ) + 4t2 fxx (t2 + 1, 2t3 ) + 12t3 fxy (t2 + 1, 2t3 ) + +12t fy (t2 + 1, 2t3 ) + 12t3 fyx (t2 + 1, 2t3 ) + 36t4 fyy (t2 + 1, 2t3 ). Sabendo que f ´ de classe C 2 , podemos somar os termos fxy e fyx . e Al´m disso, deixaremos subentendido que as derivadas parciais s˜o todas e a 2 3 calculadas em α(t) = (t + 1, 2t ). Com isso, conseguimos uma express˜o a bem mais simples para g (t): g (t) = 2 fx + 12t fy + 4t2 fxx + 24t3 fxy + 36t4 fyy . Atividade 15.6 Suponha que f seja uma fun¸˜o de classe C 2 , de duas vari´veis, e considere ca a g(t) = f (et , e−t ). Expresse a derivada segunda g (t) em termos das derivadas parciais de f , usando a nota¸˜o fx , fxy e omitindo o fato de que essas derivadas parciais ca devem ser calculadas em (et , e−t ). Uma vez isso feito, fa¸a f (x, y) = xy 2 , efetue a composi¸˜o e derive a c ca fun¸˜o obtida diretamente, comprovando seus c´lculos. ca a Exemplo 15.5 No caso de x e y serem, por sua vez, fun¸˜es de duas vari´veis, digamos co a u e v, podemos, novamente, aplicar a Regra da Cadeia para expressar as derivadas parciais. Mais uma vez omitiremos os pontos onde as parciais devem ser calcu- ladas, por raz˜es de simplicidade. o CEDERJ 178
  • 39.
    Derivadas parciais deordens superiores ´ MODULO 1 – AULA 15 Digamos que z = f (x, y), x = g(u, v) e y = h(u, v) e que todas as ∂ 2z ∂ 2z fun¸˜es envolvidas sejam de classe C 2 . Vamos expressar co e em ∂u2 ∂v∂u termos das outras derivadas parciais. Come¸amos derivando a composta em rela¸˜o a u: c ca zu = fx xu + fy yu . Na pr´xima etapa, devemos observar que fx , xu , fy e yu s˜o, cada o a uma delas, fun¸˜es de u e de v. Por exemplo, fx simboliza a composi¸˜o co ca fx (x(u, v), y(u, v)). Ent˜o, derivando novamente, em rela¸˜o a u, obtemos: a ca zuu = (fxx xu + fxy yu ) xu + fx xuu + (fyx xu + fyy yu ) yu + fy yuu zuu = fxx (xu )2 + 2 fxy xu yu + fyy (yu )2 + fx xuu + fy yuu . Derivando zu em rela¸˜o a v, temos: ca zuv = (fxx xv + fxy yv ) xu + fx xuv + (fyx xv + fyy yv ) yu + fy yuv zuv = fxx xu xv + fxy (xu yv + xv yu ) + fyy yu yv + fx xuv + fy yuv . Note que, nas f´rmulas anteriores, fxy deve ser calculado em (x(u, v), y(u, v)) = o (g(u, v), h(u, v)), por exemplo, e xuv deve ser calculado em (u, v). Essas computa¸˜es causam um certo impacto, devido ao tamanho que co costumam alcan¸ar (e olhe que n˜o estamos calculando derivadas de ordens c a maiores do que dois!). No entanto, uma vez acostumado com a nota¸˜o ca abreviada, vocˆ perceber´ uma imperativa l´gica em suas forma¸˜es. e a o co No pr´ximo exemplo usaremos, de maneira ainda informal, a linguagem o das equa¸˜es diferenciais. Uma equa¸˜o diferencial parcial, EDP para os co ca ´ ıntimos, ´ uma equa¸˜o que envolve derivadas parciais. Uma solu¸˜o de uma e ca ca EDP ´ uma rela¸˜o que n˜o cont´m derivadas e que satisfaz a equa¸˜o em e ca a e ca todos os pontos do dom´ınio em quest˜o. a Exemplo 15.6 Vamos determinar os valores de a, b e c tais que a fun¸˜o u(x, y) = a x2 + ca 2 b xy + c y seja uma solu¸˜o da equa¸˜o ca ca uxx + uyy = 0. 179 CEDERJ
  • 40.
    Derivadas parciais deordens superiores Veja: devemos calcular as derivadas correspondentes, substituir na equa¸˜o e descobrir se h´ alguma rela¸˜o a que elas devam obedecer. ca a ca ux = 2a x + b y; uy = b x + 2c y; uxx = 2a; uyy = 2c. Portanto, se a = −c temos uxx + uyy = 0. Na verdade, a fun¸˜o polinomial ca u(x, y) = a x2 + b xy − a y 2 + d x + e y + f ´ uma solu¸˜o de uxx + uyy = 0. e ca Para ver se vocˆ pegou mesmo a id´ia, determine os valores de a, b, c e e e d tais que a fun¸˜o u(x, y) = a x + b x y + c xy 2 + d y 3 seja solu¸˜o da EDP ca 3 2 ca uxx + uyy = 0. Apresentamos agora, uma s´rie de exerc´ e ıcios para vocˆ praticar. e Exerc´ ıcios Exerc´ 1 ıcio Dizemos que uma fun¸˜o de duas vari´veis ´ harmˆnica se ela satisfaz ca a e o a equa¸˜o de Laplace ca ∂ 2f ∂ 2f ∆f = + = 0. ∂x2 ∂y 2 Mostre que as seguintes fun¸˜es s˜o harmˆnicas: co a o (a) f (x, y) = x3 − 3xy 2 − 2x2 + 2y 2 + 2xy; (b) g(x, y) = ln (x2 + y 2 ); y (c) h(x, y) = arctg ; x (d) k(x, y) = ex sen y + ey cos x. CEDERJ 180
  • 41.
    Derivadas parciais deordens superiores ´ MODULO 1 – AULA 15 Exerc´ 2 ıcio   xy(x2 − y 2 )      x2 + y 2 , se (x, y) = (0, 0);     Considere f (x, y)) =          0,  se (x, y) = (0, 0). Mostre que fxy (0, 0) = −1 e fyx (0, 0) = 1. Exerc´ 3 ıcio ∂ 2u ∂ 2u A EDP = c2 , onde c ´ uma constante, ´ chamada equa¸˜o e e ca ∂t2 ∂x2 da onda e ´ uma das primeiras EDPs a serem estudadas. Mostre que as e fun¸˜es do tipo co u(x, t) = f (x + c t) + g(x − c t), onde f e g s˜o fun¸˜es de uma vari´vel real, de classe C 2 , s˜o solu¸˜es para a co a a co a equa¸˜o da onda. ca Exerc´ 4 ıcio 2 A EDP ∂w = k ∂ w , onde k ´ uma constante, ´ chamada equa¸˜o do ∂t ∂x2 e e ca calor, e ´ uma outra EDP bem conhecida. Mostre que as fun¸˜es do tipo e co 2 w(x, t) = (a cos(cx) + b sen (cx)) e−kc t , onde a, b e c s˜o constantes, s˜o solu¸˜es para a equa¸˜o do calor. a a co ca Exerc´ 5 ıcio Seja g(u, v) = f (u + v, uv), onde f ´ uma fun¸˜o de classe C 2 . Calcule e ca gu (1, 1) e gvu (1, 1), sabendo que fx (2, 1) = 3, fy (2, 1) = −3, fxx (2, 1) = 0, fxy (2, 1) = 1 e fyy (2, 1) = 2. Exerc´ 6 ıcio Sejam z = z(x, y), x = eu cos v, y = eu sen v. Suponha que ∂ 2z ∂ 2z + 2 = 0. ∂x2 ∂y ∂ 2z ∂ 2z Calcule + 2. ∂u2 ∂v 181 CEDERJ
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    Derivadas parciais deordens superiores Exerc´ 7 ıcio Expresse g (t) em termos das derivadas parciais de f , sendo g(t) = f (1 − t, t2 ). Exerc´ 8 ıcio Considere h(u, v) = f (u2 −v 2 , 2uv), onde f (x, y) ´ uma fun¸˜o de classe e ca ∂ 2h C 2 . Expresse (u, v) em termos das derivadas parciais da fun¸˜o f . ca ∂u2 Exerc´ 9 ıcio Seja v(r, θ) = u(x, y), onde x = r cos θ e y = r sen θ. Mostre que ∂ 2u ∂ 2u ∂ 2 v 1 ∂v 1 ∂ 2v + = + + 2, 2 . ∂x2 ∂y 2 ∂r 2 r ∂r r ∂θ Exerc´ 10 ıcio Encontre uma fun¸˜o f de uma vari´vel tal que a fun¸˜o u(x, y) da ca a ca 2 2 forma u(x, y) = f (x + y ) satisfa¸a a equa¸˜o de Laplace c ca ∂ 2u ∂ 2u + . ∂x2 ∂y 2 CEDERJ 182
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    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a ´ MODULO 1 – AULA 16 ınimos – 1a parte Aula 16 – M´ximos e m´ a Aqui est´ uma tradu¸˜o a ca (livre) da poesia. Ela ´ a e The lowest trees have tops, primeira estrofe de uma can¸˜o de John Dowland ca the ant her gall, (1563 - 1626), alaudista e The fly her spleen, compositor inglˆs da ´poca e e the little spark his heat; de Shakespeare, cuja letra ´ e atribu´ a Sir Edward Dyer. ıda And slender hairs cast shadows As ´rvores mais baixas tˆm a e though but small, suas copas, And bees have stings a formiguinha sua ardida ferroada, although they be no great; A mosca pode incomodar, Seas have their source, a pequenina fagulha pode and so have shallow springs, queimar; E mesmo cabelos fininhos and love is love fazem sombras in beggars and in kings. apesar de pequeninas; Os mares tˆm suas fontes, e assim como os min´sculos u riachos, e o amor ´ o amor e Objetivos tanto em mendigos como em soberanos. • Aprender as defini¸˜es e a nomenclatura. co • Localizar e classificar pontos extremos locais. Introdu¸˜o ca Encontrar os pontos extremos de uma fun¸˜o lembra o trabalho de um ca detetive. A primeira etapa do trabalho consiste em localizar os suspeitos. Quem faz esse papel na nossa hist´ria s˜o os pontos cr´ticos. o a ı A importˆncia dessa etapa consiste em limitar a busca a um conjunto a relativamente pequeno. A segunda etapa ´ mais sutil e depende muito da situa¸˜o estudada. Por e ca exemplo, a natureza do dom´ ınio considerado pode introduzir complica¸˜es co deveras interessantes no problema. Enquanto que no caso das fun¸˜es de uma vari´vel nosso detetive tinha co a uma unica dire¸˜o a seguir, subindo e descendo em busca de pontos extremos, ´ ca no contexto atual, das fun¸˜es com duas ou mais vari´veis, sua busca se co a estender´ aos mais profundos vales e as mais altas montanhas. a ` Mas, calma! Estamos nos antecipando um pouco. Nesta aula nos ocu- paremos das defini¸˜es e da an´lise local. co a 183 CEDERJ
  • 44.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a Figura 16.1 M´ximos e m´ a ınimos – defini¸˜es co Nesta etapa estabeleceremos as defini¸˜es para o caso das fun¸˜es de co co duas vari´veis, mas elas podem ser estendidas naturalmente para o caso das a fun¸˜es com mais vari´veis. co a Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o. Dizemos que (a, b) ∈ D ´ ca e um ponto de m´ximo local de f se existe um n´ mero r 0 tal que, se a u ||(x, y) − (a, b)|| r, ent˜o (x, y) ∈ D e a f (x, y) ≤ f (a, b) = M. Neste caso, dizemos que M ´ um valor m´ximo local de f . e a Em outras palavras, queremos que haja uma vizinhan¸a em torno do c ponto (a, b) onde a fun¸˜o est´ definida e, nesta vizinhan¸a, o valor da fun¸˜o ca a c ca em (a, b) ´ o maior que ela atinge. e r b a D Figura 16.2 Analogamente, definimos pontos de m´ ınimo local, assim como valor m´ ınimo local, invertendo a desigualdade: f (x, y) ≥ f (a, b) = m. CEDERJ 184
  • 45.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a ´ MODULO 1 – AULA 16 Exemplo 16.1 A fun¸˜o f cujo gr´fico est´ esbo¸ado na figura a seguir admite um ca a a c ponto de m´ximo local, assim como um ponto de m´ a ınimo local. Figura 16.3 Em certos problemas, queremos considerar apenas uma parte do dom´ ınio da fun¸˜o. Por isso, ´ conveniente introduzir a defini¸˜o a seguir. ca e ca Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o e seja A ⊂ D um subconjunto do ca dom´ınio de f . Dizemos que o ponto (a, b) ∈ A ´ um ponto m´ximo de f em e a A se, para todo (x, y) ∈ A, f (x, y) ≤ f (a, b) = M. Nesse caso, dizemos que M ´ o valor m´ximo de f em A. e a Em particular, se A = D, dizemos que (a, b) ´ um ponto de m´ximo e a absoluto da fun¸˜o f e M ´ o valor m´ximo de f . ca e a Analogamente, definimos pontos de m´ ınimo de f em A e pontos de m´ ınimo absolutos de f . Exemplo 16.2 A fun¸˜o f (x, y) = x2 + y 2 est´ definida em todo o espa¸o lR 2 e admite ca a c um ponto de m´ ınimo local e absoluto em (0, 0). Na verdade, neste caso o ponto de m´ ınimo absoluto ´ unico. e´ Veja que esta fun¸˜o n˜o admite pontos de m´ximo, sejam absolutos ca a a ou locais, pois ela assume valores arbitrariamente grandes. 185 CEDERJ
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    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a Figura 16.4 Vamos, agora, considerar a mesma fun¸˜o f , por´m restrita a um sub- ca e conjunto pr´prio de seu dom´ o ınio. Seja A = { (x, y) ∈ lR 2 ; 9x2 + 4y2 ≤ 36 }. Figura 16.5 Como o ponto (0, 0) ∈ A, este ponto continua sendo o m´ ınimo de f , agora no conjunto A. A quest˜o que resta resolver ´: h´ um ponto m´ximo a e a a de f em A? Bem, considerando a natureza da fun¸˜o f , devemos buscar os pontos ca de A que estejam mais afastados da origem. Esses pontos s˜o (0, 3) e (0, −3). a Veja o gr´fico. a A Figura 16.6 Conclus˜o: restrita ao conjunto A a fun¸˜o f admite um ponto m´ a ca ınimo em (0, 0), que tamb´m ´ um ponto m´ e e ınimo local, e dois pontos m´ximos em a (0, 3) e (0, −3). O valor m´ ınimo de f ´m A ´ f (0, 0) = 0 e o valor m´ximo e e a de f em A ´ f (0, 3) = f (0, −3) = 9. e CEDERJ 186
  • 47.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a ´ MODULO 1 – AULA 16 Atividade 16.1 Usando o que vocˆ aprendeu no exerc´ anterior, determine os pontos e ıcio de m´ximo e de m´ a ınimo de f (x, y) = x + y 2 no conjunto 2 B = { (x, y) ∈ lR 2 ; 1 ≤ x ≤ 3, 2 ≤ y ≤ 5 }. M´ximos e m´ a ınimos locais Nesta se¸˜o vamos concentrar nossos esfor¸os no estudo dos pontos ca c de m´ximo e de m´ a ınimo locais das fun¸˜es diferenci´veis. Observe que os co a pontos de m´ınimo da fun¸˜o f s˜o os pontos de m´ximo da fun¸˜o g = −f . ca a a ca Portanto, as considera¸˜es que fizermos para os pontos de m´ximo ter˜o sua co a a formula¸˜o correspondente para pontos de m´ ca ınimo. Vamos a pergunta que est´ no ar: Como sabemos que chegamos a um ` a ponto de m´ximo local? (Como sabemos que atingimos o alto do morro?) a Ora, isso ocorre quando n˜o h´ mais como subir, n˜o ´? a a a e Veja, esse fenˆmeno deve ser detectado pelas taxas de varia¸˜o da o ca fun¸˜o. Ou seja, num ponto (a, b), de m´ximo local da fun¸˜o diferenci´vel ca a ca a f teremos, para cada vetor unit´rio u, a ∂f (a, b) = 0. ∂u Em particular, ∇f (a, b) = 0. Isso nos motiva a introduzir a seguinte defini¸˜o: ca Se ∇f (a, b) = 0, dizemos que (a, b) ´ um ponto cr´tico ou estacion´rio e ı a da fun¸˜o f . ca A observa¸˜o que fizemos ´ que todo ponto extremo local de f ´ ponto ca e e estacion´rio de f . Vamos formular mais precisamente. a Teorema 16.1 Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o diferenci´vel em (a, b) ∈ D, um ca a aberto de lR 2 , tal que (a, b) ´ um de m´ximo ou de m´ e a ınimo local de f . Ent˜o, a ∇f (a, b) = 0. Demonstra¸˜o: ca ∂f f (x, b) − f (a, b) Sabemos que (a, b) = lim = h (a), onde h(x) = ∂x x→0 x−a f (x, b), a restri¸˜o de f a reta y = b, em alguma vizinhan¸a de x = a. ca ` c 187 CEDERJ
  • 48.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a Ora, como (a, b) ´ extremo local de f , a ´ extremo local de h. Como e e vimos no estudo das fun¸˜es de uma vari´vel, h (a) = 0. Assim, co a ∂f (a, b) = 0. ∂x ∂f Analogamente, (a, b) = 0 e, portanto, ∂y ∇f (a, b) = 0. Isso quer dizer que a busca pelos pontos extremos locais de uma fun¸˜o ca deve ser feita no conjunto dos pontos estacion´rios de f , quando ela ´ uma a e fun¸˜o diferenci´vel. ca a Nesse ponto, a pergunta mais natural para um matem´tico ´: ser˜o a e a todos os pontos estacion´rios m´ximos ou m´ a a ınimos locais? Bem, vocˆ j´ deve ter antecipado a resposta: n˜o! e a a Veja o pr´ximo o exemplo. Exemplo 16.3 Vamos analisar os pontos cr´ ıticos (ou estacion´rios) das fun¸˜es a co f (x, y) = λ x2 + µ y 2 nas quais λ µ = 0. Come¸amos com a determina¸˜o de tais pontos. Para isso, temos de c ca resolver a equa¸˜o ∇f (x, y) = 0. ca ∇f (x, y) = (2λ x, 2µ y) = (0, 0). Ou seja, em cada caso, (0, 0) ´ o unico ponto cr´ e ´ ıtico. Observe que, se λ µ 0, estas duas constantes tˆm o mesmo sinal. Se e as duas constantes forem positivas, (0, 0) ´ um ponto de m´ e ınimo local de f . Se as duas constantes forem negativas, o ponto (0, 0) ´ um ponto de m´ximo e a local de f . Em ambos os casos, o gr´fico de f ´ um parabol´ide. a e o No entanto, se λ µ 0, o ponto cr´ ıtico n˜o ´ um ponto de m´ a e ınimo nem ´ um ponto de m´ximo local de f . Neste caso, o gr´fico de f ´ um e a a e hiperbol´ide e o ponto cr´ o ıtico ´ chamado ponto de sela. e CEDERJ 188
  • 49.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a ´ MODULO 1 – AULA 16 λ 0, µ 0 λ 0, µ 0 λµ 0 Figura 16.7 Figura 16.8 Figura 16.9 As trˆs configura¸˜es apresentadas no exemplo anterior s˜o t´ e co a ıpicas para pontos estacion´rios. No entanto, h´ outras, como vocˆ poder´ constatar no a a e a pr´ximo exemplo. o Exemplo 16.4 As fun¸˜es f (x, y) = x3 − 3xy 2 e g(x, y) = 2xy(x2 − y 2 ) tˆm ponto co e cr´ ıtico na origem, pois ∇f (x, y) = (3x2 − 3y 2, −6xy); ∇g(x, y) = (6x2 y − 2y 3, 2x3 − 6x2 y). Na verdade, em ambos os casos a origem ´ o unico ponto cr´ e ´ ıtico. No entanto, nenhum deles o ponto ´ m´ e ınimo ou m´ximo local. Nem mesmo ser´ a a um ponto de sela, do tipo hiperb´lico, apresentado no exemplo anterior. Veja o os gr´ficos. a f (x, y) = x3 − 3xy 2 g(x, y) = 2xy(x2 − y 2 ) Figura 16.10 Figura 16.11 Atividade 16.2 Aqui est´ uma oportunidade para vocˆ praticar. A fun¸˜o f (x, y) = a e ca 1 4 4 3 4 2 22 − y − y + y + − x tem seu gr´fico esbo¸ado na figura a seguir. 2 a c 3 9 3 9 189 CEDERJ
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    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a Figura 16.12 Determine seus pontos cr´ ıticos e classifique-os como pontos de m´ximo a ou de m´ ınimo locais ou como pontos de sela. Teste da derivada segunda para fun¸˜es de duas vari´veis co a A ultima quest˜o que consideraremos nesta aula ser´ a seguinte: como ´ a a podemos diferenciar pontos de sela de pontos de m´ ınimo ou de m´ximo lo- a cais? H´ algum crit´rio f´cil de calcular que classifique o ponto cr´ a e a ıtico como ponto de sela, de m´ximo ou de m´ a ınimo local, ou outros? Muito bem, a resposta est´ na maneira como a fun¸˜o se curva em torno do ponto. E o que a ca mede a curvatura ´ a derivada de ordem dois. Antes de enunciar o teorema, e vamos estabelecer algumas nota¸˜es. co Observe que ao lidarmos com uma fun¸˜o de duas vari´veis, de classe ca a 1 C , em cada ponto temos trˆs derivadas de segunda ordem: e ∂ 2f ∂ 2f ∂ 2f (a, b), (a, b) e (a, b). ∂x2 ∂x∂y ∂y 2 O que determinar´, pelo menos em muitos casos, se o ponto cr´ a ıtico ´ e de sela ou de m´ximo local ou de m´ a ınimo local ´ uma combina¸˜o alg´brica e ca e desses n´ meros, que ´ chamado de hessiano da fun¸˜o calculado no ponto. u e ca Aqui est´ a sua defini¸˜o. a ca Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o de classe C 2 , definida no aberto ca D de lR . Definimos uma fun¸˜o H : D ⊂ lR 2 −→ lR colocando 2 ca ∂ 2f ∂ 2f (x, y) (x, y) ∂x2 ∂x∂y H(x, y) = ∂ 2f ∂ 2f (x, y) (x, y) ∂x∂y ∂y 2 chamada hessiana da fun¸˜o f . ca CEDERJ 190
  • 51.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a ´ MODULO 1 – AULA 16 Essa nota¸˜o, do determinante, se deve a tradi¸˜o e ´ muito conveni- ca ` ca e ente. Podemos, tamb´m, usar a nota¸˜o mais simples: e ca 2 H(x, y) = fxx (x, y) fyy (x, y) − fxy (x, y) . Esse determinante mede a curvatura do gr´fico da fun¸˜o em torno a ca desse ponto cr´ ıtico. Isto ´, se ´ negativo, h´ duas dire¸˜es principais com e e a co curvaturas diferentes: uma para cima, outra para baixo. Se ´ positivo, ambas e curvaturas est˜o para o mesmo lado. Se essas curvaturas principais, digamos a assim, est˜o do mesmo lado plano tangente, o ponto cr´ a ıtico ´ ponto extremo e local. Se essas curvaturas s˜o reversas, uma para cada lado do plano tangente, a ent˜o temos um ponto de sela. a Veja a formula¸˜o completa no teorema a seguir. ca Teorema 16.2 (Teste das derivadas de ordem dois) Seja f : D ⊂ lR 2 −→ lR uma fun¸˜o diferenci´vel em (a, b) ∈ D, um ca a 2 aberto de lR , tal que (a, b) ´ um cr´tico de f , tal que H(a, b) = 0. Ent˜o, e ı a (a) se H(a, b) 0 e fxx (a, b) 0, o ponto (a, b) ´ ponto de m´ e ınimo local de f ; (b) se H(a, b) 0 e fxx (a, b) 0, o ponto (a, b) ´ ponto de m´ximo e a local de f ; (c) se H(a, b) 0, o ponto (a, b) n˜o ´ um ponto de m´ximo nem de a e a m´ ınimo local de f . Observe que o teorema n˜o afirma coisa alguma, caso H(a, b) = 0. a Nesse caso, devemos recorrer a uma an´lise direta da fun¸˜o para concluir se a ca o ponto em quest˜o ´ de m´ximo ou de m´ a e a ınimo local de f . A demonstra¸˜o deste teorema ser´ adiada at´ a aula sobre F´rmula ca a e o de Taylor, onde observaremos como as derivadas de ordens superiores podem ser usadas para se obter aproxima¸˜es polinomiais para a fun¸˜o. co ca Terminaremos a aula com um exemplo do uso do teorema para analisar os pontos cr´ ıticos de uma fun¸˜o. ca Exemplo 16.5 Vamos determinar os pontos cr´ ıticos da fun¸˜o ca πx πy f (x, y) = sen , cos 2 2 191 CEDERJ
  • 52.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a e classific´-los usando o teste das derivadas de ordem dois. a Aqui est´ o c´lculo do gradiente: a a π πx π πy ∇f (x, y) = cos , − sen . 2 2 2 2 Note que, ∇f (x, y) = (0, 0) se, e somente se, x for um n´ mero inteiro ´ u ımpar e y for um inteiro par. Isto ´, os pontos cr´ e ıticos da fun¸˜o s˜o os pontos ca a 2k + 1, 2s , com k, s ∈ ∠ Z. Os pontos da forma (3, 2), (5, 0), (−9, −4), e assim por diante. O problema ´: quais deles s˜o m´ximos locais? Quais s˜o m´ e a a a ınimos? Haver´ a ponto de sela? Muito bem, est´ na hora da hessiana! a ∂ 2f ∂ 2f π2 πx (x, y) (x, y) − sen 0 ∂x2 ∂x∂y 4 2 H(x, y) = = . 2 2 2 ∂ f ∂ f π πy (x, y) (x, y) 0 − cos ∂x∂y ∂y 2 4 2 Assim, π4 πx πy H(x, y) = sen cos . 16 2 2 π4 πx e ımpar e y ´ par, H(x, y) = ± , pois sen Note que, se x ´ ´ e ´ e 16 2 πy igual a 1 ou igual a −1, assim como cos . Realmente, como x ´ ´ e ımpar, 2 πx π πy difere de por um m´ ltiplo de π, e como y ´ par, u e difere de 0 por 2 2 2 um m´ ltiplo de π. u Portanto, sabemos que a an´lise do sinal do hessiano ser´ decisiva em a a todos os casos. Para isso, precisamos determinar os pontos cr´ ıticos nos quais o hessiano ´ 1 (positivo) e os pontos cr´ e ıticos nos quais o hessiano ´ −1 e (negativo). Pontos de sela: Os pontos de sela s˜o aqueles onde o hessiano ´ negativo. Isso ocorrer´ a e a πx πy quando os sinais de sen e cos se alternarem. Ou seja, quando 2 2 a primeira coordenada for da forma 4n + 3 e a segunda coordenada for um m´ ltiplo de 4. Aqui est˜o alguns exemplos: (−1, 0), (3, 0), (7, 4). u a Al´m desses, os pontos cuja primeira coordenada ´ da forma 4m + 1 e e e a segunda coordenada da forma 4r + 2 s˜o pontos de sela. Veja alguns a exemplos: (1, 2), (5, 2), (9, 4). CEDERJ 192
  • 53.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a ´ MODULO 1 – AULA 16 Pontos de m´ ınimo local: πx πy Neste caso, queremos sen = −1 = cos . Isso ocorre quando 2 2 x ´ da forma 4j + 3 e y ´ da forma 4k + 2. Aqui est˜o alguns exemplos: (3, 2), e e a (3, 6), (7, 10). Pontos de m´ximo local: a πx πy Neste caso, queremos sen = 1 = cos . Isso ocorre quando 2 2 x = 4j + 1 e y ´ m´ ltiplo de 4. Aqui est˜o alguns exemplos: (1, 0), (5, 4), e u a (9, −8). Isso parece mais complicado do que realmente ´. Veja, vamos dividir e o plano em quadrados, cada um de tamanho dois por dois, com v´rtices nos e pontos de coordenadas do tipo (´ ımpar, par), como um tabuleiro de xadrez. Figura 16.13: Localiza¸˜o dos pontos cr´ ca ıticos de f Esses v´rtices s˜o os pontos cr´ e a ıticos. As selas v˜o se alternando dois a a dois. Entre elas, nas linhas verticais do tipo y = · · · − 4, 0, 4, 8, . . . , aparecem os pontos de m´ximo local. Ainda alternando com as selas, aparecem os a m´ınimos, nas linhas verticais do tipo y = · · · − 6, , −2, 2, 6, . . . . Veja o gr´fico a da fun¸˜o assim como as curvas de n´ ca ıvel. M M m m M M m m M M Figura 16.14: Gr´fico de f a Figura 16.15 Curvas de n´ de f com a localiza¸˜o ıvel ca dos pontos de m´ximo e de m´ a ınimo 193 CEDERJ
  • 54.
    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a Realmente, denotamos os pontos de m´ximo com a letra M e os pontos a de m´ınimo com a letra m. Os pontos de sela s˜o aqueles que aparecem nas a intersec¸˜es (em X) das curvas de n´ que s˜o retas. co ıvel a Al´m disso, devido a natureza da fun¸˜o f , os pontos de m´ximo local e ca a s˜o, tamb´m, os pontos de m´ximo absolutos da fun¸˜o, assim como os a e a ca pontos de m´ınimo. Todos os exemplos que consideramos at´ agora apresentavam pontos e extremos isolados, mas isso n˜o ocorre sempre. Por exemplo, se a fun¸˜o ´ a ca e constante ou tem por gr´fico uma superf´ cil´ a ıcie ındrica, ela poder´ ter fam´ a ılias de pontos extremos. Veja o pr´ximo exemplo. o Exemplo 16.6 As duas fun¸˜es cujos gr´ficos est˜o esbo¸ados nas figuras a seguir, co a a c apresentam pontos de m´ximo e de m´ a ınimos n˜o isolados. Num exemplo, a temos duas fam´ ılias de c´ ırculos concˆntricos na origem, uma de pontos de e m´ximo e outra de pontos de m´ a ınimo, que se alternam uma ap´s a outra. o Note que a origem ´ o unico ponto de m´ximo isolado. e ´ a No outro exemplo, temos duas retas de m´ximos locais e uma reta de a m´ ınimos locais. Figura 16.16 Figura 16.17 Coment´rios finais a Nesta aula vocˆ aprendeu as defini¸˜es da teoria de m´ximos e m´ e co a ınimos de fun¸˜es de v´rias vari´veis. Al´m disso, vocˆ recebeu o kit b´sico para co a a e e a lidar com os pontos extremos locais das fun¸˜es de duas vari´veis. Isso ´, co a e se a fun¸˜o ´ de classe C 2 , os pontos extremos locais est˜o entre os pontos ca e a cr´ ıticos da fun¸˜o. Al´m disso, o teste da derivada segunda pode ser muito ca e util. N˜o deixe de trabalhar os exerc´ ´ a ıcios que ser˜o apresentados a seguir. a A pr´xima aula trar´ mais informa¸˜es sobre m´ximos e m´ o a co a ınimos. CEDERJ 194
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    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a ´ MODULO 1 – AULA 16 Exerc´ ıcios Exerc´ 1 ıcio Determine os pontos de m´ximo e de m´ a ınimo da fun¸˜o f (x, y) = (x − ca 2 2 2) + (y + 1) , caso existam, em cada um dos conjuntos a seguir. A = {(x, y) ∈ lR 2 ; 0 ≤ x ≤ 4, −3 ≤ y ≤ 1 }; B = {(x, y) ∈ lR 2 ; 1 ≤ x ≤ 2, 1 ≤ y ≤ 3 }; C = {(x, y) ∈ lR 2 ; 0 ≤ x ≤ 1, }; D = {(x, y) ∈ lR 2 ; 2x − 1 ≤ y ≤ 2x + 1 }. Exerc´ 2 ıcio Em cada uma das fun¸˜es a seguir, determine os pontos estacion´rios co a e classifique-os como m´ximos ou m´ a ınimo locais, ou como pontos de sela, quando for o caso. (a) f (x, y) = x2 + y 2 − 2x + 6y + 6; (b) g(x, y) = −x2 − y 2 − 4x + 1; (c) h(x, y) = y 2 − x2 + 2x + 4y − 4; (d) j(x, y) = xy + 2x − y − 2; (e) k(x, y) = x3 + y 3 + 3xy; (f) l(x, y) = 4xy − 2x4 − y 2; (g) m(x, y) = y 2 + sen x; (h) n(x, y) = xy e−x ; 1 1 (i) p(x, y) = + 2 + xy; considere x 0 e y 0. x y Exerc´ 3 ıcio Seja g(x, y, z) = a x2 + b y 2 + d z 2 , com a, b e c constantes n˜o nulas. a Mostre que (0, 0, 0) ´ o unico ponto cr´ e ´ ıtico de g. Determine a natureza deste ponto cr´ ıtico nos casos em que as constantes a, b e c tˆm o mesmo sinal. e O que podemos afirmar sobre tal ponto cr´ ıtico no caso em que uma dessas constantes tem sinal diferente das outras duas? 195 CEDERJ
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    ınimos – 1aparte M´ximos e m´ a Exerc´ 4 ıcio Dˆ um exemplo de uma fun¸˜o f (x, y) que tenha uma fam´ de retas e ca ılia paralelas de pontos extremos locais, alternando-se: uma de m´ximos e a a seguinte de m´ınimos, mas que n˜o tenha m´ximo nem m´ a a ınimo absolutos. Basta esbo¸ar o gr´fico. c a Exerc´ 5 ıcio Dˆ um exemplo de uma fun¸˜o que tenha dois pontos de m´ximo abso- e ca a lutos, mais um ponto de m´ximo local, mas que n˜o tenha m´ a a ınimo absoluto. Basta esbo¸ar o gr´fico. Ser´ que todas as fun¸˜es com essa caracter´ c a a co ısticas tˆm, necessariamente, um ponto do tipo sela? e CEDERJ 196