1    O Conjunto dos N´ meros Reais
                     u
O primeiro conjunto num´rico que consideramos ´ o Conjunto dos N´ meros
                       e                      e                   u
Naturais. Este conjunto est´ relacionado com a opera¸˜o de contagem:
                           a                        ca

                               N = {0, 1, 2, 3, ...}.

   Admitiremos conhecidas as opera¸˜es usuais adi¸˜o e multiplica¸˜o em N
                                  co              ca              ca
bem como os conceitos de n´meros pares, ´
                          u             ımpares e primos.
   O processo de medi¸˜o de grandezas f´
                      ca                ısicas nos conduzir´ ao conjunto de
                                                           a
n´meros reais.
 u

                     Problema: Medir um segmento AB.
   Fixamos um segmento padr˜o u e vamos chamar sua medida de 1.
                             a
   Dado um segmento AB , se u couber um n´mero exato de vezes em AB,
                                             u
digamos n vezes, ent˜o dizemos que a medida de AB ser´ n.
                    a                                a
   Claramente isto nem sempre ocorre.

   Defini¸˜o: Dizemos que um segmento AB e o segmento padr˜o u s˜o
         ca                                               a     a
            ´
COMENSURAVEIS se existir algum segmento w que caiba n vezes em u e
m vezes em AB.

    Voltando ao nosso problema de medi¸˜o, se o segmento AB e o segmento
                                           ca
padr˜o u forem comensur´veis , conforme a defini¸˜o acima, diremos que a
     a                      a                       ca
                   a n                              a   a 1
medida de AB ser´ m . A medida do segmento w ser´ ent˜o n .
    Isto nos motiva definirmos um conjunto num´rico que inclua todas estas
                                                  e
poss´ıveis medidas. Chamaremos este conjunto de Conjunto de N´ meros    u
Racionais Positivos: Q+ = { m |m, n ∈ N, n = 0}.
                                  n
    Alguns racionais representam as mesmas medidas. Por exemplo 2 e 1 . De
                                                                      4    2
fato, se existe um semento w que cabe 2 vezes no segmento unit´rio ent˜o
                                                                     a          a
a metade deste segmento cabe 2 vezes nele e 4 vezes no segmento unit´rio.    a
Vamos ent˜o dizer que 1 = 2 . De um modo geral dizemos que m1 = m2 se
             a            2   4                                   n
                                                                    1
                                                                           n
                                                                             2


m1 n2 = n1 m2 .
    Continuando com o problema da medi¸˜o nos deparamos com um grande
                                             ca
problema. Nem sempre dois segmentos s˜o comensur´veis. De fato, considere-
                                           a         a
mos por exemplo a hipotenusa de um triˆngulo retˆngulo de catetos iguais a 1.
                                          a       a
Suponhamos que esta hipotenusa seja comensur´vel com o segmento unit´rio
                                                a                             a
padr˜o u.
     a
    Ent˜o existiriam naturais n e m tais que a medida da hipotenusa seria
        a
igual a m . Vamos supor que m e n sejam primos entre si, isto ´ , ´ imposs´
         n                                                    e e             ıvel
simplificarmos mais esta express˜o. De acordo com o teorema de Pit´goras
                                    a                                     a
ter´
   ıamos que
                                             m2
                                  12 + 12 = 2 .
                                             n
           2    2               2
Assim 2n = m e portanto m seria um n´mero par e portanto m tamb´m o
                                              u                             e
seria. Logo existiria algum k ∈ N tal que m = 2k. Assim 4k 2 = 2n2 e portanto

                                         1
n2 = 2k 2 o que implicaria que n tamb´m seria par. Note que isto ´ um absurdo.
                                     e                           e
Este absurdo surgiu do fato de termos suposto que a medida da hipotenusa fosse
um n´mero racional.
     u
    No entanto esta hipotenusa existe e ´ muito bem determinada em cima da
                                        e
reta. Ampliamos o conceito de n´mero de tal forma que todos os segmentos
                                   u
possuam uma medida associada. Introduzimos os chamados N´ meros Ir-u
racionais, de tal modo que , fixando uma unidade de comprimento padr˜o,     a
qualquer segmento de reta tem uma medida num´rica.
                                                 e

1.1    A Reta Real
Fixamos uma reta e um ponto chamamos de origem 0. Escolhemos um outro
ponto A, a direita da origem. Fixamos 0A como unidade de comprimento.
Facilmente marcamos sobre a reta os n´meros naturais.
                                     u
   Na semi-reta da esquerda marcamos segmentos, com extremidade na origem,
com as mesmas medidas dos segmentos que definem os naturais e associamos
`s suas extremidades esquerdas n´meros com um sinal −. Formamos ent˜o o
a                               u                                     a
chamado Conjunto dos N´ meros Inteiros:
                           u

                          Z = {..., −2, −1, 0, 1, 2, ...}.

    Em seguida marcamos todos os segmentos, com extremidade na origem,
comensur´veis com o segmento o segmento padr˜o 0A. Os que ficarem ` direita
         a                                      a                    a
ser˜o associados aos racionais positivos e os que ficarem ` esquerda ganhar˜o
   a                                                     a                a
um sinal −. Definimos ent˜o o Conjunto dos N´ meros Racionais:
                          a                       u
                                 m
                        Q == {     |m ∈ Z, n ∈ N, n = 0}.
                                 n
    Como vimos acima esta constru¸˜o n˜o ocupa todo o espa¸o existente na
                                 ca a                      c
reta. Se pararmos por aqui nossa reta ficar´ com v´rios ”buracos”. A cada
                                          a      a
um destes buracos associamos um n´mero, que chamaremos de irracional .
                                  u
Finalmente definimos o Conjunto dos N´ meros Reais:
                                       u

                       R = {x|x ∈ Q ou x eirracional}.
                                         ´

    Existe uma correspondˆncia biun´
                            e         ıvoca entre os n´meros reais e os pontos da
                                                      u
reta. Mais precisamente, a cada n´mero real est´ associado um e somente um
                                    u              a
ponto da reta e a cada ponto da reta est´ associado um e somente um n´mero
                                           a                               u
real. No que segue, n˜o distinguiremos pontos da reta e n´meros reais.
                      a                                    u
    ´
    E claro que N ⊂ Z ⊂ Q ⊂ R.
    Dizemos que x ∈ R ´ positivo, e denotamos x > 0, se x estiver no lado
                          e
direito da reta; dizemos que x ´ negativo, e denotaremos x < 0 , se x estiver no
                               e
lado esquerdo da reta. As nota¸˜es ≥ e ≤ indicam, respectivamente maior ou
                                 co
igual e menor ou igual.
    Vamos introduzir as opera¸˜es adi¸˜o e multiplica¸˜o em R.
                              co        ca              ca

   Defini¸˜o:
        ca

                                         2
a) Sejam x1 ∈ R e x2 ≥ 0. Definimos x1 + x2 como o n´mero real associado
                                                          u
a ”ponta final” do segmento, orientado para direita, com extremidade inicial em
x1 , e com medida igual a medida do segmento associado a x2 .
     b)Sejam x1 ∈ R e x2 ≤ 0. Marcamos na reta o seguinte ponto: com ex-
tremidade inicial em x1 e orientado para o lado esquerdo, com medida igual
a do segmento associado a x2 . O n´mero real associado a ”ponta final” deste
                                   u
segmento ser´ chamado de x1 + x2 .
              a

    Defini¸˜o:
          ca
    a) Se x > 0 e y > 0 definimos o produto xy da seguinte forma: Tra¸amos
                                                                      c
uma reta l formando um ˆngulo inferior a 90o com a reta real e passando
                            a
pela origem. Na reta real marcamos a unidade 1 e o n´mero y. Na reta l
                                                         u
marcamos o x. Consideramos a reta que passa por 1 e por x e chamamos de s.
Da geometria sabemos que existe uma unica reta t paralela a s e que passa y.
                                      ´
Finalmente marcamos em l o ponto P , itersec¸˜o desta com t. Com a ponta
                                              ca
seca do compasso em 0 e abertura igual a 0P marcamos na reta real o ponto
Q. O n´mero real associado a este ponto ser´ chamado de xy.
        u                                  a
    b) Nos demais casos ´ s´ mudar o sinal xy convenientemente:
                        e o
                                 x y xy
                                 + − +
                                 − + −
                                 − − +
   Observa¸˜o: Se fixarmos nossa aten¸˜o para os n´meros racionais veremos
            ca                        ca            u
que as defini¸˜es acima coincidem com as tradicionais:
            co
                             a    c       ad + bc
                               +      =
                             b    d          bd
                               a c        ac
                                .     =      .
                               b d        bd

   O conjunto R munido das opera¸˜es definidas acima forma o que chamamos
                                co
de CORPO. Mais precisamente , satisfaz as seguintes propriedades:

   1) Associatividade da Adi¸˜o e da Multiplica¸˜o:
                            ca                 ca
                  (x + y) + z   = x + (y + z), ∀x, y, z ∈ R
                       (xy)z    = x(yz), ∀x, y, z ∈ R
   2) Comutatividade da Adi¸˜o e da Multiplica¸˜o:
                           ca                 ca
                         x+y     = y + x, ∀x, y ∈ R
                          xy     = yx, ∀x, y ∈ R
   3) Existˆncia de Elemento Neutro para a Adi¸˜o e para a Multiplica¸˜o:
           e                                  ca                     ca
                            x + 0 = x, ∀x ∈ R
                              x.1 = x, ∀x ∈ R

                                      3
4) Existˆncia de Oposto para Adi¸˜o:
           e                       ca

                    ∀x ∈ R, ∃(−x) ∈ R tal que x + (−x) = 0.

   5) Existˆncia de Inverso para a Multiplica¸˜o:
           e                                 ca

                      ∀x ∈ R{0}, ∃y ∈ R tal que xy = 1.

   6) Distributividade da Multiplica¸˜o em Rela¸˜o ` Adi¸˜o:
                                    ca         ca a     ca

                        x(y + z) = xy + xz, ∀x, y, z ∈ R.


   Defini¸˜o: Dizemos que x < y se y − x > 0.
        ca

   Dentro dos reais destacamos o conjunto dos reais positivos:

                             R+ = {x ∈ R|x > 0}.

   Observe que as seguintes condi¸˜es s˜o satisfeitas:
                                 co    a
   a) A soma e o produto de elementos positivos s˜o positivos. Ou seja
                                                   a

                     x, y ∈ R+ ⇒ x + y ∈ R+ e x.y ∈ R+ .

   b) Dado x ∈ R ou x = 0 ou x ∈ R+ ou −x ∈ R+ .

   As duas propriedades acima caracterizam o que chamamos de CORPO OR-
DENADO.
   Como em qualquer outro corpo ordenado, rela¸˜o de ordem ” < ” goza das
                                                ca
seguintes propriedades:

   1) Transitiva:
                      (x, y, z ∈ R, x < y, y < z) ⇒ x < z.
   2) (Tricotomia) Quaisquer que sejam x e y ∈ R :

                           x < y ou y < x ou x = y.

   3) Compatibilidade da Ordem com a Adi¸˜o:
                                        ca

                      (x, y, z ∈ R, x < y) ⇒ x + z < y + z.

   4) Compatibilidade da Ordem com a Multiplica¸˜o:
                                               ca

                     (x, y, z ∈ R, x < y, 0 < z) ⇒ xz < yz.


   Observa¸˜o: Note que as propriedades de corpo e as propriedades de corpo
              ca
ordenado tamb´m s˜o satisfeiras para Q. Vamos agora destacar uma propriedade
                e a
que ´ satisfeita por R mas n˜o por Q.
    e                       a

                                       4
Defini¸˜o:Dado um subconjunto A ⊂ R dizemos que A ´ limitado se existe
          ca                                       e
K > 0 tal que
                      x ∈ A ⇒ −K < x < K.
   Defini¸˜o:Dizemos que s ∈ R ´ o supremo de A se s for a menor das cotas
          ca                  e
superiores de A :

                             x ≤ s, ∀x ∈ A;
                             x ≤ c, ∀x ∈ A ⇒ s ≤ c.

    Defini¸˜o:Dizemos que i ∈ R ´ o ´
           ca                  e ınfimo de A se i for a maior das cotas
inferiores de A :

                              x ≥ i, ∀x ∈ A;
                              x ≥ c, ∀x ∈ A ⇒ i ≥ c.

   O conjunto R satisfaz a propriedade:

    Axioma do Supremo: Todo conjunto limitado e n˜o vazio de n´meros
                                                 a            u
reais possui um supremo e um ´
                             ınfimo real.

   Observemos que esta propriedade n˜o ´ satisfeita por Q. Considere o con-
                                    a e
junto A = {x ∈ Q|0 < √2 < 2}.
                     x
   O supremo de A ´ 2 que como vimos antes n˜o ´ um n´mero racional.
                   e                           a e       u

  A propriedade acima nos diz que o conjunto dos n´meros reais ´ um CORPO
                                                  u            e
ORDENADO COMPLETO.

   Teorema dos Intervalos Encaixantes: Seja [a0 , b0 ] , [a1 , b1 ] , ..., [an , bn ] , ...
uma sequˆncia de intervalos satisfazendo:
        e
  a) [a0 , b0 ] ⊃ [a1 , b1 ] ⊃ ... ⊃ [an , bn ] ⊃ ...
  b) Para todo r > 0 existe um natural n tal que

                                     bn − an < r.

   Ent˜o, existe um unico real c tal que para todo natural n
      a             ´

                                     an ≤ c ≤ bn .

   Demonstra¸˜o: Temos que A = {a0 , a1 , ...} ´ n˜o vazio e limitado superi-
               ca                              e a
ormente. Seja ent˜o
                 a
                            c = sup A.
   ´
   E claro que
                                     an ≤ c ≤ bn .
   Suponhamos que exista d , diferente de c satisfazendo

                                     an ≤ d ≤ bn .

                                            5
Neste caso ter´
                 ıamos
                            |c − d| < bn − an , ∀n.
   Como a distˆncia bn − an aproxima-se de zero , ter´
              a                                      ıamos que c = d.

   Para completarmos esta se¸˜o vamos provar :
                            ca

   Teorema
   a) Entre dois n´meros reais distintos sempre existe um n´mero irracional;
                  u                                        u
   b) Entre dois n´meros reais distintos sempre existe um n´mero racional.
                  u                                        u

    Demonstra¸˜o: Provemos a primeira afirma¸˜o. Sejam x e y dois n´meros
                  ca                            ca                    u
reais distintos. Sem perda de generalidade suponhamos x < y. Assim y − x > 0.
    Observe que ´ poss´ encontrarmos n´meros naturais n, m tais que
                  e    ıvel               u

                             n (y − x) > 1
                                         √
                             m (y − x) >   2

(este fato ´ conhecido como Princ´
           e                     ıpio de Arquimedes). Desta forma temos que
                                        1
                             x <     x+    <y
                                        n
                                        √
                                          2
                             x <     x+     <y
                                         n
                                                                           √
e assim se x for irracional, assim ser´ x + n e se x for racional ent˜o x + n2
                                      a     1
                                                                     a
ser´ irracional. De qual quer forma conseguimos encontrar um irracional entre
   a
x e y.
    Provemos a segunda afirma¸˜o. Sejam x e y dois n´meros reais distintos.
                                 ca                      u
Inicialmente observemos que se x < 0 < y ent˜o nada temos para provar pois 0
                                              a
´ racional. Suponhamos 0 < x < y. Assim y − x > 0. Novamente aplicando o
e
princ´ıpio de Arquimedes encontramos um natural n tal que

                               n(y − x) > 1
                                    nx > 1

   Seja j tal que
                               j     j+1
                                 ≤x<
                               n      n
   Notemos que
                      j+1  j 1
                          = + < x + (y − x) = y
                       n   n n
    Logo basta tomarmos j+1 .
                          n
    Se x < y < 0 ent˜o 0 < −y < −x e pelo primeiro caso encontramos um
                     a
racional entre −y e −x. O sim´trico deste racional ser´ o racional procurado.
                              e                       a



                                      6
Exerc´ıcios: As propriedades que destacamos acima s˜o suficientes para
                                                           a
deduzirmos uma s´rie de outras, conforme os exerc´
                e                                ıcios abaixo.

   1) Prove que quaisquer que sejam os reais x, y, z

                             x + z = y + z ⇒ x = y.


   2) Prove que quaisquer que sejam os reais x, y, z, w

                             0≤x≤y
                                   ⇒ xz ≤ yw.
                             0≤z≤w

   3) Prove que quaisquer que sejam os reais x, y, z, w tem-se:

                          a)x < y ⇔ x + z < y + z.
                             b)z > 0 ⇔ z −1 > 0.
                              c)z > 0 ⇔ −z < 0.
                          d)z > 0, x < y ⇔ xz < yz.
                          e)z < 0, x < y ⇔ xz > yz.
                               0≤x<y
                        f)           ⇒ xz < yw
                               0≤z<w
                        g)0 < x < y ⇒ 0 < y −1 < x−1
                         h)x < y ou x = y ou y < x.
                         i)xy = 0 ⇔ x = 0 ou y = 0.


   4) Suponha x ≥ 0 e y ≥ 0. Prove que:

                             a)x < y ⇒ x2 < y 2 .
                             b)x ≤ y ⇒ x2 ≤ y 2
                             c)x < y ⇔ x2 < y 2 .



1.2    Sequˆncias de N´ meros Reais
           e          u
Nesta se¸˜o estudaremos fun¸˜es reais de uma vari´vel real cujo dom´
        ca                   co                    a                  ınio ´ um
                                                                           e
subconjunto do conjunto dos n´meros naturais. Tais fun¸˜es recebem o nome de
                              u                         co
sequˆncias. N˜o daremos um tratamento anal´
    e        a                               ıtico completo ao assunto, apenas
iremos introduzir o conceito e provaremos as principais propriedades.

   Defini¸˜o: Uma sequˆncia de n´meros reais ´ uma fun¸˜o
        ca           e         u            e        ca

                                f :A⊂N →R

                                       7
Nota¸˜o: Denotamos (an ) onde f (n) = an . Em geral apresentaremos a
         ca
sequˆncia pela lei de defini¸˜o e consideraremos o dom´
    e                      ca                        ınio como o maior sub-
conjunto de N onde tem sentido a lei de defini¸˜o.
                                             ca

   Exemplos:
   1) (an ) dada por an = n ´ a sequˆncia formada pelos n´meros 1, 1 , 3 , ...
                          1
                             e       e                       u     2
                                                                       1

   2) (an ) dada por an = 2 ´ a sequˆncia constante 2, 2, 2, ...
                            e       e
                               n
   3) (an ) dada por an = (−1) ´ a sequˆncia 1, −1, 1, −1,...
                                 e       e

   Defini¸˜o: Diz-se que uma sequˆncia (an ) converge para um n´mero L ou
          ca                       e                             u
tem limite L se , dado qualquer n´mero ε > 0 , ´ sempre poss´ encontrar um
                                 u             e            ıvel
n´mero natural N tal que
 u

                            n > N → |an − L| < ε.

   Denotamos
                            lim an = L ou an → L.
                          n→+∞

   Intuitivamente dizer que (an ) converge para L significa dizer que os termos
da sequˆncia aproximam-se de L quando n cresce .
       e
   Exemplo:
                                     1
   A sequˆncia (an ) dada por an = n converge para 0.
          e
   De fato, dado ε > 0, tomamos N o primeiro n´mero natural maior que 1 e
                                                 u                          ε
temos que
                                        1     1
                         n>N →n> →               < ε.
                                        ε     n
    Defini¸˜o: Quando uma sequˆncia n˜o converge diz-se que ela diverge ou
           ca                      e     a
que ´ divergente.
     e
    Exemplos:
                                           n
    1) A sequˆncia (an ) dada por an = (−1) ´ divergente. De fato, seus termos
              e                              e
oscilam entre −1 e 1.
    2) A sequˆncia (an ) dada por an = n ´ divergente. De fato, seus termos
               e                           e
crescem indefinidamente.

  Defini¸˜o: Uma sequˆncia (an ) ´ dita limitada se existir um n´mero real
          ca        e            e                             u
K > 0 tal que
                           |an | ≤ K, ∀n.
   Exemplos:
                                    1
   1) As sequˆncias dadas por an = n , an = cos n s˜o exemplos de sequˆncias
             e                                     a                  e
limitadas.
   2) A sequˆncia (an ) dada por an = n2 n˜o ´ limitada.
            e                             a e

    Observa¸˜o: Ser limitada n˜o ´ o mesmo que ter limite. Se uma sequˆncia
             ca                   a e                                      e
for convergente ent˜o ela ser´ limitada mas nem toda sequˆncia limitada ´ con-
                    a        a                              e             e
                                                                             n
vergente. De fato, considere por exemplo a sequˆncia (an ) dada por an = (−1) .
                                               e


                                       8
Defini¸˜o:
         ca
                              a        e         ´
  1) Se a1 < a2 < a3 < ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA CRESCENTE.
                                                   ´     ˜
  2) Se a1 ≤ a2 ≤ a3 ≤ ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA NAO DECRES-
                                a        e
CENTE.
                              a        e         ´
  3) Se a1 > a2 > a3 > ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA DECRESCENTE.
                                                     ´     ˜
  4) Se a1 ≥ a2 ≥ a3 ≥ ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA NAO CRES-
                                  a         e
CENTE.

   Teorema: Toda sequˆncia mon´tona limitada ´ convergente.
                       e         o               e
   Demonstra¸˜o:Vamos provar que toda sequˆncia n˜o decrescente e limi-
               ca                              e     a
tada converge para seu extremo superior e deixaremos os demais casos como
exerc´
     ıcio.
   Seja K > 0 tal que
                          a1 ≤ a2 ≤ a3 ≤ ... ≤ K
   Assim temos que o conjunto

                                  {an |n ∈ N }

´ limitado superiormente.Pela propriedade do supremo temos que existe L ∈ R
e
tal que
                             L = sup{an |n ∈ N }.
   Afirmamos que
                                L = lim an .
                                      n→+∞

    De fato , dado ε > 0 temos que L − ε n˜o ´ uma cota superior de {an |n ∈ N }
                                          a e
e assim exite N > 0 tal que
                                  aN > L − ε
e portanto

             n > N → L − ε < aN ≤ an < L < L + ε → |an − L| < ε.




                 Uma importante aplica¸˜o: O n´ mero e
                                      ca      u

   Vamos provar que:
   1) A sequˆncia dada por
            e
                                                 n
                                            1
                               an =    1+
                                            n

´ crescente e limitada e portanto convergente.
e
    2) Sendo (an ) convergente, escrevemos

                                  e = lim an
                                      n→∞


                                       9
e provamos que 2 < e < 3.

   1)
   Inicialmente mostremos que a sequˆncia ´ crescente.
                                    e     e
   Vamos provar que , para todo n temos
                                             an+1
                                                  > 1.
                                              an
   Temos
                         n+1                   n+1            n+1
                    1                  n+2              n+2
              1+   n+1                 n+1              n+1
                     1 n
                                 =      n+1 n
                                                 =                   =
               1+                                     n+1 n+1 n
                     n                   n             n        n+1
                                                 n+1               n+1
                                       n+2 n              n2 +2n
                                       n+1 n+1                  2
                                                          (n+1)
                                 =          n         =        n       =
                                           n+1                n+1
                                                  n+1                  n+1
                                       (n+1)2 −1                  1
                                        (n+1)2
                                                           1 − (n+1)2
                                 =           n         =          n                     =∗
                                           n+1                   n+1

   Aplicando a desigualdade de Bernoulli em ∗ temos
                                                −1
                               1 + (n + 1)    (n+1)2           1−    1
                                                                    n+1
                         ∗>             n                  =       n      = 1.
                                       n+1                        n+1

   Logo a sequˆncia ´ crescente.
              e     e
   Provemos agora que a sequˆncia ´ limitada. Temos
                              e   e
          n
      1                1   n(n − 1) 1          n (n − 1) ... (n − (k − 1)) 1          1
 1+            = 1 + n.  +         . 2 + ... +                                + ... + n =
      n                n       2    n                       k!             nk        n
                         1       1         1       1        2          k−1
               = 1+1+       1−     + ... + (1 − )(1 − )... 1 −                 +
                         2       n        k!       n        n            n
                      1      1      2          n−1
                 ... + (1 − )(1 − )... 1 −
                      n!    n       n            n
   Por indu¸˜o ´ f´cil provar que
           ca e a
                                     1     1
                                        ≤ n−1 , ∀n ∈ N.
                                     n!  2
   Assim
                           n                                                     n
                     1                    1          1       1− 1
                                                                2
               1+              ≤1+1+        + .... + n = 1 +                         < 3.
                     n                    2         2         1− 1
                                                                 2

   Conclu´
         ımos que
                                                       n
                                                  1
                                     2<      1+            < 3.
                                                  n

                                                10
2)
                 1 n
    Como    1+   n     ´ convergente escrevemos
                       e
                                                   n
                                              1
                             e = lim     1+            .
                                 n→∞          n

2     Limites de Fun¸˜es Reais Definidas em Inter-
                    co
      valos
2.1    Introdu¸˜o
              ca

Neste cap´ıtulo introduziremos o conceito de limite. Restringiremos nosso es-
tudo para as fun¸˜es reais definidas em intervalos. Deixaremos para o curso de
                  co
An´lise Matem´tica o estudo de limites quando as fun¸˜es est˜o definidas em
   a            a                                       co     a
um subconjunto qualquer da reta.
   Todas as fun¸˜es que consideraremos neste cap´
                 co                                ıtulo s˜o do tipo f : I → R
                                                          a
onde I ´ uma uni˜o de intervalos.
       e           a

   Defini¸˜o: Dizemos que f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a de p,
          ca                               a                   c
exceto possivelmente em p, se existir algum r > 0 tal que

                                 (p − r, p) ⊂ I

e
                                 (p, p + r) ⊂ I.
    Exemplos:
    1) Uma fun¸˜o definida em um intervalo aberto f : (a, b) → R est´ definida
               ca                                                   a
em uma vizinhan¸a de p, qualquer que seja p ∈ (a, b).
                  c
    2) Uma fun¸˜o definida em um intervalo fechado f : [a, b] → R est´ definida
               ca                                                   a
em uma vizinhan¸a de p, qualquer que seja p ∈ (a, b). Note que f n˜o est´
                   c                                                  a     a
definida em uma vizinhan¸a de a e nem em uma vizinhan¸a de b. O mesmo
                         c                                  c
permanece v´lido para qualquer outra combina¸˜o de ( ou [.(verifique isso).
            a                                ca
                                                        2
    3) Consideremos f : R{1} → R dada por f (x) = x −1 . Observe que f
                                                       x−1
est´ definida em uma vizinhan¸a de 1, exceto no ponto 1.
   a                        c

2.2    Defini¸˜o de Limite
            ca
Defini¸˜o: Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p,
       ca                              ca                              c
exceto possivelmente em p. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender a p ´    e
igual a L ∈ R se para qualquer ε > 0 existir δ > 0 tal que para 0 < |x − p| < δ
tem-se |f (x) − L| < ε. Denotamos

                                 lim f (x) = L.
                                 x→p




                                       11
Intuitivamente a defini¸˜o acima est´ nos dizendo que a medida que x
                         ca             a
aproxima-se de p temos que f (x) aproxima-se de L :

                ∀ε > 0, ∃δ > 0, 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| < ε
   Exemplos:
   1) Seja k ∈ R uma constante e p ∈ R. Provemos que lim k = k. De fato,
                                                              x→p
dado ε > 0 existe δ = 1 tal que

                       0 < |x − p| < 1 ⇒ |k − k| = 0 < ε.
                                                                       ε
   2) Provemos que lim (2x − 4) = 2. De fato, dado ε > 0 existe δ =    2   tal que
                     x→3

                              ε
              0 < |x − 3| <     ⇒ |2x − 6| < ε ⇒ |(2x − 4) − 2| < ε.
                              2
   3) Observe que o valor que a fun¸˜o assume no ponto p n˜o influencia seu
                                     ca                      a
                                                          −x + 4, se x = 1
limite ao x tender a p. Seja f : R → R dada por f (x) =                    .
                                                             7, se x = 1
   Temos que lim f (x) = 3. De fato, dado ε > 0 existe δ = ε tal que
               x→1

              0 < |x − 1| < ε ⇒ |−x + 4 − 3| < ε ⇒ |f (x) − 3| < ε.
                                                 16−x2
   4) Seja f : R{−4} → R dada por f (x) =        x+4 .   Temos que para x = −4,
16−x2
 x+4    = 4 − x e assim lim f (x) = lim (4 − x) = 8. De fato , dado ε > 0
                         x→−4           x→−4
tomamos δ = ε e temos

        0 < |x − (−4)| < ε ⇒ 0 < |x + 4| < ε ⇒ |4 − x − 8| = |x + 4| < ε.


   Podemos caracterizar o limite de fun¸˜es reais utilizando sequˆncias de
                                       co                        e
n´meros reais.
 u

   Teorema : Sejam f uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R
                                 ca                             c
exceto possivelmente em p e L ∈ R . Vale que lim f (x) = L se e somene se
                                                 x→p

              ∀ (xn ) tal que xn → p , xn = p , tem-se f (xn ) → L.


   Demonstra¸˜o: Suponhamos que lim f (x) = L. Seja xn tal que xn → p.
            ca
                                          x→p
Provemos que f (xn ) → L.
   Seja ε > 0. Ent˜o existe δ > 0 tal que
                  a

                       0 < |x − p| < δ → |f (x) − L| < ε.

   Como xn → p, xn = p temos que exite N natural tal que

                 n > N → 0 < |xn − p| < δ → |f (xn ) − L| < ε.

                                        12
Reciprocamente, suponhamos que

              ∀ (xn ) tal que xn → p , xn = p , tem-se f (xn ) → L.

   Provemos que lim f (x) = L.
                  x→p
   Se isto n˜o fosse verdade existiria ε > 0 tal que para qualquer δ > 0 existiria
            a
x tal que
                        0 < |x − p| < δ e |f (x) − L| > ε.
                  1
   Tomando δ =    n   existiria xn tal que
                                         1
                       0 < |xn − p| <      e |f (xn ) − L| > ε.
                                         n
         ı ıamos xn → p, xn = p e no entanto f (xn ) n˜o estaria convergindo
   Mas da´ ter´                                       a
para L.
   Logo
                            lim f (x) = L.
                                   x→p




2.3    Unicidade, Conserva¸˜o de Sinal e Limita¸˜o
                          ca                   ca
Come¸aremos esta se¸˜o provando a unicidade do limite.
    c              ca

   Teorema: Seja f uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R exceto
                              ca                          c
possivelmente em p. Se existe L ∈ R tal que lim f (x) = L ent˜o L ´ unico.
                                                             a    e´
                                                  x→p


   Demonstra¸˜o:Suponhamos que lim f (x) = M .Vamos provar que L = M.
            ca
                                          x→p
   Suponhamos que L = M. Sem perda de generalidade podemos supor L < M.
                 −L
   Tomemos ε = M 2 . Assim existe δ1 > 0 tal que
                                                M −L           M +L
          0 < |x − p| < δ1 ⇒ |f (x) − L| <           ⇒ f (x) <      .
                                                  2              2
   Por outro lado existe δ2 > 0 tal que
                                                M −L           M +L
         0 < |x − p| < δ2 ⇒ |f (x) − M | <           ⇒ f (x) >      .
                                                  2              2
   Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos que
                                        M +L           M +L
                  0 < |x − p| < δ ⇒          < f (x) <
                                          2              2
e isto ´ um absurdo.
       e
    Logo L = M.

   A seguir provaremos que a existˆncia de lim f (x) implicar´ na limita¸˜o da
                                  e                          a          ca
                                                 x→p
fun¸˜o em uma vizinhan¸a do ponto p.
   ca                 c

                                          13
Teorema: Seja f uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R exceto
                              ca                           c
possivelmente em p. Se existe L ∈ R tal que lim f (x) = L ent˜o existem δ > 0
                                                             a
                                                     x→p
e M > 0 tais que
                              0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x)| < M.

      Demonstra¸˜o: Tomando ε = 1 na defini¸˜o de limite temos que
               ca                         ca

                     ∃δ > 0, 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| < 1

      Da desigualdade triangular temos

                                |f (x)| − |L| ≤ |f (x) − L|

e portanto
                                     |f (x)| ≤ 1 + |L| .
      Logo basta tomarmos M = 1 + |L| e δ como acima.

    Vamos provar agora o teorema da conserva¸˜o do sinal. Em suma o teorema
                                                ca
ir´ nos dizer que o limite tem que ter o mesmo sinal da fun¸˜o em uma vizinhan¸a
  a                                                        ca                 c
do ponto ou ser nulo.

   Teorema: Sejam f uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R,
                                ca                         c
exceto possivelmente em p, e L ∈ R tais que lim f (x) = L.
                                                       x→p
      a) Se L > 0 ent˜o existe δ > 0 tal que
                     a

                               0 < |x − p| < δ ⇒ f (x) > 0.

      b) Se L < 0 ent˜o existe δ > 0 tal que
                     a

                               0 < |x − p| < δ ⇒ f (x) < 0.


      Demonstra¸˜o: Vamos provar a) e deixaremos como exerc´ a prova de
               ca                                          ıcio
b).
                    L
      Tomamos ε =   2   e temos que existe δ > 0 tal que

                                                              L
                          0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| <       .
                                                              2
                          L
      Segue que f (x) >   2   > 0.




                                             14
2.4    C´lculo de Limites
        a
Nesta se¸˜o demonstraremos algumas propriedades operacionais que facilitar˜o
         ca                                                               a
o c´lculo de limites.
   a




   Teorema: Sejam f e g fun¸˜es definidas em uma vizinhan¸a de um ponto
                             co                         c
p ∈ R , exceto possivelmente em p;L , M ∈ R tais que lim f (x) = L e
                                                                x→p
lim g(x) = M e k uma constante real.
x→p
   Ent˜o:
      a
   a) Existe lim (f (x) + g(x)) e lim (f (x) + g(x)) = L + M.
             x→p                     x→p
   b) Existe lim (f (x) − g(x)) e lim (f (x) − g(x)) = L − M.
             x→p                     x→p
   c) Existe lim (f (x).g(x)) e lim (f (x).g(x)) = L.M .
             x→p                x→p
   d) Existe lim kf (x) e lim kf (x) = kL.
             x→p            x→p
   e) Se M = 0, existe   lim f (x)   e lim f (x)
                                                   =   L
                                                       M.
                         x→p g(x)      x→p g(x)




   Demonstra¸˜o:ca
   a) Seja ε > 0. De acordo com nossa hip´tese temos que existem δ1 > 0 e
                                         o
δ2 > 0 tais que
                                                    ε
                   0 < |x − p| < δ1 ⇒ |f (x) − L| < ,
                                                    2
                                                     ε
                   0 < |x − p| < δ2 ⇒ |g(x) − M | < .
                                                     2
Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos que
               0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) + g(x) − (L + M )| <
                                               ε ε
                 < |f (x) − L| + |g(x) − M | < + = ε.
                                               2 2
   b) Deixamos como exerc´   ıcio.
   d) Se k = 0 ent˜o ´ trivial. Suponhamos k = 0. Seja ε > 0. Da nossa hip´tese
                  a e                                                     o
temos que existem δ > 0 tal que
                                                       ε
                      0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| <     .
                                                      |k|
   Assim temos
      ∃δ1   = δ > 0 tal que
                                                                    ε
        0 < |x − p| < δ1 ⇒ |kf (x) − kL| = |k| |f (x) − L| < |k|       = ε.
                                                                   |k|

                                           15
1
   c) Inicialmente observemos que f (x).g(x) = 4 [(f (x)+g(x))2 −(f (x)−g(x))2 ].
   Provemos que, dada uma fun¸˜o h definida em uma vizinhan¸a de p, exceto
                                ca                               c
possivelmente em p, e satisfazendo lim h(x) = N temos lim h(x)2 = N 2 . De
                                           x→p                      x→p
fato, de acordo com o teorema da limita¸˜o, temos
                                       ca
                        ∃δ1 > 0, ∃K > 0 tais que
                          0 < |x − p| < δ1 ⇒ |h(x)| < K.
    Al´m disso, dado ε > 0, temos
      e
                ∃δ2     > 0 tal que
                                                                  ε
                   0 < |x − p| < δ2 ⇒ |h(x) − N | <                     .
                                                               K + |N |
    Tomamos δ satisfazendo δ = min{δ1 , δ2 } temos
         0 < |x − p| < δ ⇒ h(x) − N 2 = |h(x) − N | |h(x) + N | <
                                ε                     ε
           < (|h(x)| + |N |)          < (K + |N |)          = ε.
                             K + |N |              K + |N |
    Desta forma
                                       1
         lim (f (x).g(x)) = lim          [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗
         x→p                     x→p   4
    Pela propriedade d) temos
                       1
                ∗=       lim [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗∗
                       4 x→p
e pela propriedade b)
                  1                      1
           ∗∗ =     lim (f (x) + g(x))2 − lim (f (x) − g(x))2 = ∗ ∗ ∗
                  4 x→p                  4 x→p
e aplicando o que acabamos de provar
                  1                         1
        ∗∗∗=        ( lim (f (x) + g(x)))2 − ( lim (f (x) − g(x)))2 = ∗ ∗ ∗∗
                  4 x→p                     4 x→p
e voltando a aplicar a) e b) finalmente temos
                                 1
                      ∗ ∗ ∗∗ =     [(L + M )2 − (L − M )2 ] = LM.
                                 4
                                                                     1          1
    e) Para provarmos e) ´ suficiente provarmos que lim
                         e                                                  =   M.   De fato
                                                                x→p g(x)
f (x)          1
g(x) = f (x). g(x) e sabemos operar o produto por d).
    Seja ε > 0. Como lim g(x) = M = 0 temos que
                        x→p

          ∃δ1   > 0 tal que
                                                         |M |            |M |
            0 < |x − p| < δ1 ⇒ |g(x) − M | <                  ⇒ |g(x)| >
                                                          2               2

                                              16
Por outro lado
                  ∃δ2       > 0 tal que
                                                                        2
                                                                    |M |
                      0 < |x − p| < δ2 ⇒ |g(x) − M | <                   ε
                                                                      2
    Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos
                                                  1    1   |g(x) − M |
              0 < |x − p| < δ ⇒                      −   =              <
                                                 g(x) M     |g(x)| |M |
                                                               2
                            2                           2    |M |
                  <             2   |g(x) − M | <          2      ε=ε
                        |M |                           |M | 2

    O Teorema do Confronto (” Teorema do Sandu´           ıche”): Sejam f, g, h
fun¸˜es definidas em uma vizinhan¸a de p, exceto possivelmente em p, satis-
   co                                c
fazendo:
    a) f (x) ≤ g(x) ≤ h(x), para todo x nesta vizinhan¸a,
                                                      c
    b) Existem os limites lim f (x), lim h(x) e
                                x→p          x→p
    c) lim f (x) = lim h(x) = L.
      x→p             x→p
    Ent˜o existe lim g(x) e lim g(x) = L.
       a
                  x→p                x→p



    Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Por c) temos:
             ca
                       ∃δ1 > 0 tal que
                         0 < |x − p| < δ1 ⇒ |f (x) − L| < ε
e
                       ∃δ2 > 0 tal que
                         0 < |x − p| < δ2 ⇒ |h(x) − L| < ε
    Tomamos δ = min{δ1 , δ2 } e temos
         0   < |x − p| < δ ⇒ L − ε < f (x) ≤ g(x) ≤ h(x) < L + ε ⇒
             ⇒ |g(x) − L| < ε


    Exerc´
         ıcio: Prove que
                             lim f (x) = 0 ⇔ lim |f (x)| = 0.
                             x→p                    x→p

    Exemplo: lim x cos x = 0.
                x→0
    De fato, vamos mostrar que lim |x cos x| = 0.
                                           x→0
    Temos que
                                       0 ≤ |x cos x| ≤ |x|
e pelo teorema do confronto segue o resultado.

                                                  17
2.5    Limites Laterais

Nesta se¸˜o iremos estudar limites quando x aproxima-se de um ponto p assu-
        ca
mindo somente valores maiores (ou menores) que p.



   Defini¸˜o:
          ca
   a)Dizemos que f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a ` direita de p,
                                 a                            c a
exceto possivelmente em p, se existir algum r > 0 tal que (p, p + r) ⊂ I.
   b)Dizemos que f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de p,
                                a                           c a
exceto possivelmente em p, se existir algum r > 0 tal que (p − r, p) ⊂ I.



    Exemplos:
    1) Uma fun¸˜o definida em um intervalo aberto f : (a, b) → R est´ definida
                ca                                                  a
em uma vizinhan¸a ` direita de p e em uma vizinhan¸a ` esquerda de p, qualquer
                  c a                             c a
que seja p ∈ (a, b).
    2) Uma fun¸˜o definida em um intervalo fechado f : [a, b] → R est´ definida
                ca                                                  a
em uma vizinhan¸a ` direita de p, qualquer que seja p ∈ [a, b) e est´ definida
                   c a                                              a
em uma vizinhan¸a ` esquerda de p, qualquer que seja p ∈ (a, b]. Note que f
                   c a
n˜o est´ definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de a e nem em uma vizinhan¸a
  a     a                          c a                                      c
a
` direita de b. O mesmo permanece v´lido para qualquer outra combina¸˜o de
                                      a                                 ca
( ou [.(verifique isso).
        ´
    3) E imediato verificarmos que uma fun¸˜o f est´ definida
                                             ca       a              em uma
vizinhan¸a de p se e somente se est´ definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de
          c                        a                          c a
p e em uma vizinhan¸a ` direita de p.
                      c a

    Defini¸˜o:
           ca
    a) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` direita de
                                   ca                          c a
p, exceto possivelmente em p. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender a p
pela direita ´ igual a L ∈ R se para qualquer ε > 0 existir δ > 0 tal que para
             e
x ∈ (p, p + δ) tem-se |f (x) − L| < ε. Denotamos lim f (x) = L.
                                                 x→p+
    b) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de
                                 ca                           c a
p, exceto possivelmente em p. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender a p
pela esquerda ´ igual a L ∈ R se para qualquer ε > 0 existir δ > 0 tal que para
               e
x ∈ (p − δ, p) tem-se |f (x) − L| < ε. Denotamos limx→p− f (x) = L.

    Observa¸˜o: Todas as propriedades provadas nas se¸˜es anteriores com
              ca                                          co
rela¸˜o a unicidade, conserva¸˜o de sinal e limita¸˜o permanecem v´lidas para
    ca                        ca                  ca              a
limites laterais, com as devidas altera¸˜es.Tamb´m permanecem v´lidas as pro-
                                       co       e               a
priedades operacionais provadas na se¸˜o anterior.
                                        ca




                                      18
Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de um
                                      ca                     c
ponto p exceto possivelmente em p. Vale que

       ∃ lim f (x) ⇔ ∃ lim+ f (x), ∃ lim− f (x) e lim− f (x) = lim+ f (x).
        x→p           x→p           x→p             x→p        x→p

   Deixamos a prova do resultado acima como exerc´
                                                 ıcio.

2.6    Limites no Infinito
Nesta se¸˜o iremos estudar o comportamento de algumas fun¸˜es quando a
         ca                                              co
vari´vel assume valores arbitrariamente grandes.
    a

  Defini¸˜o:
         ca
  a) Dizemos que uma      fun¸˜o f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a de
                             ca               a                        c
+∞ se existir a ∈ R tal   que (a, +∞) ⊂ I.
  b) Dizemos que uma      fun¸˜o f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a de
                             ca               a                        c
−∞ se existir a ∈ R tal   que (−∞, a) ⊂ I.

  Exemplos:
  a) Qualquer fun¸˜o f : R → R est´ definida em vizinhan¸as de +∞ e de
                  ca                a                   c
−∞.
  b) Qualquer fun¸˜o f : [b, +∞) → R ou f : (b, +∞) → R est´ definida em
                  ca                                        a
uma vizinhan¸a de +∞ mas n˜o est´ definida em uma vizinhan¸a de −∞.
            c                a   a                        c
  c) Qualquer fun¸˜o f : (−∞, b] → R ou f : (−∞, b) → R est´ definida em
                  ca                                        a
uma vizinhan¸a de −∞ mas n˜o est´ definida em uma vizinhan¸a de +∞.
            c                a   a                        c

   Defini¸˜o:
          ca
   a) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de +∞. Dizemos
                              ca                       c
que o limite de f (x) ao x tender a +∞ ´ L ∈ R e denotamos lim f (x) = L
                                       e
                                                                 x→+∞
se para todo ε > 0 existir x0 > 0 tal que

                            x > x0 ⇒ |f (x) − L| < ε.

   b) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de −∞. Dizemos
                              ca                       c
que o limite de f (x) ao x tender a −∞ ´ L ∈ R e denotamos lim f (x) = L
                                       e
                                                                 x→−∞
se para todo ε > 0 existir x0 < 0 tal que

                            x < x0 ⇒ |f (x) − L| < ε.


                                         1
   Exemplo: Vamos provar que lim             = 0.
                                  x→+∞ x
   De fato, dado ε > 0 tomamos    x0 = 1 e
                                       ε     temos

                                  1    1    1
                  x > x0 ⇒ x >      ⇒0< <ε⇒   < ε.
                                  ε    x    x


                                       19
ıcio: Sejam f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de
   Exerc´                               ca                       c
+∞ e L ∈ R tal que lim f (x) = L. Prove que existem x0 > 0 e M > 0 tais
                   x→+∞
que
                          x > x0 ⇒ |f (x)| < M.

   A seguir estabelecemos algumas propriedades operacionais dos limites no
infinito.

  Teorema: Sejam f e g fun¸˜es definidas em uma vizinhan¸a de +∞ ; L ,
                            co                         c
M ∈ R tais que lim f (x) = L e lim g(x) = M e k uma constante real.
                  x→+∞                 x→+∞
   Ent˜o:
      a
   a) Existe    lim (f (x) + g(x)) e    lim (f (x) + g(x)) = L + M.
               x→+∞                    x→+∞
   b) Existe    lim (f (x) − g(x)) e    lim (f (x) − g(x)) = L − M.
               x→+∞                    x→+∞
   c) Existe    lim (f (x).g(x)) e     lim (f (x).g(x)) = L.M .
               x→+∞                  x→+∞
   d) Existe    lim kf (x) e     lim kf (x) = kL.
               x→+∞           x→+∞
   e) Se M = 0, existe     lim f (x) e lim f (x)     =   L
                                                         M.
                          x→+∞ g(x)   x→+∞ g(x)


   Demonstra¸˜o:ca
   a) Seja ε > 0. De acordo com nossa hip´tese temos que existem x1 > 0 e
                                         o
x2 > 0 tais que
                                                  ε
                           x > x1 ⇒ |f (x) − L| <
                                                  2
                                                   ε
                           x > x2 ⇒ |g(x) − M | <
                                                   2
Tomando x0 = max{x1 , x2 } temos que

                  x > x0 ⇒ |f (x) + g(x) − (L + M )| <
                                                 ε ε
                    < |f (x) − L| + |g(x) − M | < + = ε.
                                                 2 2
   b) Deixamos como exerc´  ıcio.
   d) Se k = 0 ent˜o ´ trivial. Suponhamos k = 0.
                  a e
   Seja ε > 0. Da nossa hip´tese temos que existem x0 > 0 tal que
                            o
                                                      ε
                            x > x0 ⇒ |f (x) − L| <       .
                                                     |k|

   Assim temos
                                                                 ε
               x > x0 ⇒ |kf (x) − kL| = |k| |f (x) − L| < |k|       = ε.
                                                                |k|
                                               1
   c) Inicialmente observemos que f (x).g(x) = 4 [(f (x)+g(x))2 −(f (x)−g(x))2 ].



                                         20
Provemos que, dada uma fun¸˜o h definida em uma vizinhan¸a de +∞, e
                              ca                           c
satisfazendo lim h(x) = N temos lim h(x)2 = N 2 . De fato, pelo exerc´
                                                                     ıcio
             x→+∞                         x→+∞
acima,
                              ∃x1 > 0, ∃K > 0 tais que
                                x > x1 ⇒ |h(x)| < K
    Al´m disso, dado ε > 0, temos
      e
                        ∃x2   > 0 tal que
                                                           ε
                           x > x2 ⇒ |h(x) − N | <
                                                        K + |N |
    Tomamos x0 satisfazendo x0 = max{x1 , x2 } temos
           x > x0 ⇒ h(x) − N 2 = |h(x) − N | |h(x) + N | <
                                  ε                     ε
             < (|h(x)| + |N |)          < (K + |N |)          = ε.
                               K + |N |              K + |N |
    Desta forma
                                       1
         lim (f (x).g(x)) = lim          [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗
         x→+∞                  x→+∞    4
    Pela propriedade d) temos
                       1
                 ∗=       lim [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗∗
                       4 x→+∞
e pela propriedade b)
                 1                        1
          ∗∗ =      lim (f (x) + g(x))2 −    lim (f (x) − g(x))2 = ∗ ∗ ∗
                 4 x→+∞                   4 x→+∞
e aplicando o que acabamos de provar
                 1                         1
        ∗∗∗=       ( lim (f (x) + g(x)))2 − ( lim (f (x) − g(x)))2 = ∗ ∗ ∗∗
                 4 x→+∞                    4 x→+∞
e voltando a aplicar a) e b) finalmente temos
                                  1
                       ∗ ∗ ∗∗ =     [(L + M )2 − (L − M )2 ] = LM
                                  4
    e) Para provarmos e) ´ suficiente provarmos que
                         e                                   lim 1        =   1
                                                                              M.   De fato
                                                            x→+∞ g(x)
f (x)          1
g(x) = f (x). g(x) e sabemos operar o produto por d).
    Seja ε > 0.
    Como lim g(x) = M = 0 temos que
           x→+∞

                 ∃x1    > 0 tal que
                                                  |M |            |M |
                   x > x1 ⇒ |g(x) − M | <              ⇒ |g(x)| >
                                                   2               2

                                            21
Por outro lado

                     ∃x2     > 0 tal que
                                                                 2
                                                              |M |
                         x >         x2 ⇒ |g(x) − M | <            ε
                                                                2
   Tomando x0 = max{x1 , x2 } temos
                                       1    1   |g(x) − M |
                 x > x0 ⇒                 −   =              <
                                      g(x) M     |g(x)| |M |
                                                                2
                             2                        2  |M |
                     <           2   |g(x) − M | <        2   ε=ε
                           |M |                      |M | 2


   Observe que o resultado acima continua v´lido se considerarmos x → −∞.
                                           a

2.7   Limites Infinitos
Nesta se¸˜o estudaremos os limites infinitos. Neste caso os valores de f (x) ´
        ca                                                                  e
que assumem valores arbitrariamente grandes a medida que x aproxima-se de
algum ponto p ou de ±∞.

   Defini¸˜o:
          ca
   a) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` direita de
                                 ca                             c a
p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela direita ´ igual a +∞
                                                 a                e
e denotamos
                               lim+ f (x) = +∞
                                     x→p

se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que

                           x ∈ (p, p + δ) ⇒ f (x) > M.

   b) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` direita de
                                 ca                             c a
p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela direita ´ igual a −∞
                                                 a                e
e denotamos
                               lim+ f (x) = −∞
                                     x→p

se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que

                           x ∈ (p, p + δ) ⇒ f (x) < −M.

   c) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de
                             ca                            c a
p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela esquerda ´ igual a
                                                 a                 e
+∞ e denotamos
                              lim f (x) = +∞
                                     x→p−

se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que

                           x ∈ (p − δ, p) ⇒ f (x) > M.

                                            22
d) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de
                             ca                            c a
p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela esquerda ´ igual a
                                                 a                 e
−∞ e denotamos
                              lim f (x) = −∞
                                 x→p−

se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que

                          x ∈ (p − δ, p) ⇒ f (x) < −M.

   e) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de +∞. Dizemos
                              ca                        c
que o limite de f (x) ao x tender ` +∞ ´ igual a +∞ e denotamos
                                  a    e

                                  lim f (x) = +∞
                                x→+∞

se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que

                               x > N ⇒ f (x) > M.

   f ) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de +∞. Dizemos
                              ca                        c
que o limite de f (x) ao x tender ` +∞ ´ igual a −∞ e denotamos
                                  a    e

                                  lim f (x) = −∞
                                x→+∞

se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que

                               x > N ⇒ f (x) < −M.

   g) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de −∞. Dizemos
                              ca                        c
que o limite de f (x) ao x tender ` −∞ ´ igual a +∞ e denotamos
                                  a    e

                                  lim f (x) = +∞
                                x→−∞

se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que

                               x < −N ⇒ f (x) > M.

   h) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de −∞. Dizemos
                              ca                        c
que o limite de f (x) ao x tender ` −∞ ´ igual a −∞ e denotamos
                                  a    e

                                  lim f (x) = −∞
                                x→−∞

se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que

                            x < −N ⇒ f (x) < −M.

   Exemplos:
                           1
   1) Provemos que lim+    x   = +∞.
                    x→0



                                        23
1
   De fato, dado M > 0 existe δ =      M   tal que
                                       1    1
                             x ∈ (0,     ) ⇒ > M.
                                       M    x
                            1
   2) Provemos que lim     x−1   = −∞. De fato, dado M > 0 tomamos
                    x→1−

                                                1
                                 δ = min{         , 1}
                                                M
e temos
                                                        1     1
           x ∈ (1 − δ, 1) ⇒ x − 1 ∈ (−δ, 0) ⇒              < − < −M.
                                                       x−1    δ

    A seguir apresentamos a ”aritm´tica do infinito” isto ´ , estabelecemos as
                                      e                    e
rela¸˜es entre os limites infinitos e as opera¸˜es. Deixamos a prova do teorema
    co                                       co
como exerc´ıcio.

   Teorema: Sejam f, g : I → R definidas numa vizinhan¸a de p ∈ R , exceto
                                                     c
possivelmente em p . Valem as seguintes tabelas:
                                    TABELA I
                    lim f (x )   lim g(x ) lim (f (x ) + g(x )
                    x→p          x→p            x→p
                    +∞         +∞        +∞
                    −∞         −∞        −∞
                    +∞         −∞        indetermina¸˜o
                                                      ca
                    α∈R        +∞        +∞
                    α∈R        −∞        −∞
                                 TABELA II
                    lim f (x ) lim g(x ) lim f (x ).g(x )
                    x→p          x→p             x→p
                    +∞         +∞        +∞
                    +∞         −∞        −∞
                    −∞         −∞        +∞
                    0          +∞        indetermina¸˜o
                                                    ca
                    0          −∞        indetermina¸˜o
                                                    ca
                    α>0        +∞        +∞
                    α>0        −∞        −∞
                    α<0        −∞        +∞
                                TABELA III
                    lim f (x ) lim g(x ) lim f (x)
                                             g(x)
                    x→p          x→p             x→p
                    α∈R          +∞              0
                    α∈R          −∞              0
                    +∞           +∞              indetermina¸˜o
                                                            ca
                    +∞           −∞              indetermina¸˜o
                                                            ca
                    α>0          0+              +∞
                    α>0          0−              −∞
                    α<0          0+              −∞
                    α<0          0−              +∞

                                           24
Observa¸˜o: Indetermina¸˜o significa que nada se pode afirmar sobre o
            ca               ca
limite em quest˜o. Depende de f e g em cada caso particular.
               a
   O teorema continua v´lido para
                        a

                     vizinhan¸a
                             c    a
                                  ` direita de p      x   → p+
                     vizinhan¸a
                             c    a
                                  ` esquerda de p     x   → p−
                     vizinhan¸a
                             c    de +∞               x   → +∞
                     vizinhan¸a
                             c    de −∞               x   → −∞

2.8    Limite de Fun¸˜es Compostas
                    co
Para encerrarmos este cap´
                         ıtulo veremos como procedermos o calculo de limite
de compostas de fun¸˜es.
                   co

    Teorema: Sejam f : I1 → R e g : I2 → R fun¸˜es definidas em uma
                                                       co
vizinhan¸a de p ∈ R e a ∈ R , respectivamente, satisfazendo:
          c
    a) f (I1 ) ⊂ I2 ;
    b) lim f (x) = a;
      x→p
   c) lim g(u) = L;
      u→a
   d) Existe r > 0 tal que f (x) = a para 0 < |x − p| < r.
   Ent˜o lim g(f (x)) = lim g(u) = L.
      a
            x→p            u→a


    Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Como lim g(u) = L temos que existe δ1 > 0
             ca
                                    u→a
tal que
                  0 < |u − a| < δ1 ⇒ |g(u) − L| < ε.
   Al´m disso, como lim f (x) = a existe δ2 > 0 tal que
     e
                       x→p

                        0 < |x − p| < δ2 ⇒ |f (x) − a| < δ1 .

   Tomando δ = min{δ2 , r} temos

            0 < |x − p| < δ ⇒ 0 < |f (x) − a| < δ1 ⇒ |g(f (x)) − L| < ε.



   O teorema acima permanece v´lido para limites laterais, com as devidas
                                  a
adapta¸˜es. Fa¸a isso como exerc´
      co      c                 ıcio.

   Exemplo: Observe a importˆncia da hip´tese d). Consideremos o seguinte
                            a           o
exemplo:

                             f (x)   = 1, ∀x ∈ R
                                           u + 1, u = 1
                             g(u)    =
                                             3, u = 1


                                          25
Temos

                                 lim f (x)   =    1
                                 x→1
                                 lim g(u)    =    2
                                 u→1

e no entanto
                          lim g(f (x)) = 3 = lim g(u).
                          x→1                    u→1


    Teorema: Sejam f : I1 → R e g : I2 → R fun¸˜es definidas em uma
                                                   co
vizinhan¸a do +∞ e em uma vizinhan¸a de a ∈ R (exceto possivelmente em a),
          c                          c
respectivamente, e L ∈ R satisfazendo:
    a) f (I1 ) ⊂ I2 ;
    b) lim f (x) = a;
      x→+∞
    c) Existe N1 > 0 tal que para x > N1 tem-se f (x) = a.
    d) lim g(u) = L.
      u→a
    Ent˜o
       a     lim g(f (x)) = lim g(u) = L.
            x→+∞           u→a


    Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Como lim g(u) = L temos que existe δ > 0
             ca
                                    u→a
tal que
                   0 < |u − a| < δ ⇒ |g(u) − L| < ε.
    Como lim f (x) = a existe N2 > 0 tal que
            x→+∞

                           x > N2 ⇒ |f (x) − a| < δ.

    Tomando N = max{N1 , N2 } temos

               x > N ⇒ 0 < |f (x) − a| < δ ⇒ |g(f (x)) − L| < ε.


    O teorema permanece v´lido considerarmos x → −∞.
                         a


3     Continuidade de Fun¸˜es Reais de Vari´vel
                         co                a
      Real
3.1    Defini¸˜o de Continuidade
            ca
Neste cap´
         ıtulo introduziremos o conceito de continuidade. Restringiremos nosso
estudo para as fun¸˜es reais definidas em intervalos. Deixaremos para o curso de
                   co
An´lise Matem´tica o estudo da continuidade quando as fun¸˜es est˜o definidas
   a           a                                             co      a
em um subconjunto qualquer da reta.
   Todas as fun¸˜es que consideraremos neste cap´
                 co                                 ıtulo s˜o do tipo f : I → R
                                                           a
onde I ´ uma uni˜o de intervalos.
       e          a


                                        26
Defini¸˜o:
           ca
    a) Uma fun¸˜o f : I → R ´ dita cont´
                ca          e          ınua em p ∈ I se para todo ε > 0
existir δ > 0 tal que

                    x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ |f (x) − f (p)| < ε.

   b) Uma fun¸˜o f : I → R ´ dita cont´
             ca              e         ınua se o for em todos os pontos de
seu dom´
       ınio.
   c) Uma fun¸˜o f : I → R ´ dita descont´
             ca            e             ınua em p ∈ I se f n˜o ´ cont´
                                                             a e      ınua
em p.

    Observa¸˜es: A verifica¸˜o da continuidade de fun¸˜es definidas em inter-
              co               ca                          co
valos (a, b) ou [a, b] ´ um pouco mais simples:
                       e
    1) De acordo com a defini¸˜o acima , temos que f : (a, b) → R ´ cont´
                               ca                                    e    ınua se
existir lim f (x) , para todo p ∈ (a, b) e ainda lim f (x) = f (p). Em particular,
       x→p                                        x→p
usando a caracteriza¸˜o de limites por sequˆncias ter´
                    ca                     e         ıamos que f ´ cont´
                                                                 e     ınua em
p se e somente se

                   ∀ (xn ) tal que xn → p tem-se f (xn ) → f (p) .

   2) De acordo com a defini¸˜o acima , temos que f : [a, b] → R ´ cont´
                              ca                                   e  ınua se:
   a) Existe lim f (x) , para todo p ∈ (a, b) e lim f (x) = f (p);
             x→p                                 x→p
   b) Existe lim+ f (x) e lim+ f (x) = f (a);
             x→a            x→a
   c) Existe lim− f (x) e lim− f (x) = f (b).
             x→b            x→b


3.2    Opera¸˜es com Fun¸˜es e Continuidade
            co          co
Os resultados que obteremos nesta se¸˜o s˜o demonstrados da mesma forma
                                    ca a
que os an´logos para limites.
         a

  Teorema: Sejam f : I → R, g : I → R fun¸˜es cont´
                                          co      ınuas em p ∈ I e k ∈ R
uma constante. Ent˜o:
                   a
  a) f + g ´ cont´
            e     ınua em p.
  b) f − g ´ cont´
           e      ınua em p.
  c) f.g ´ cont´
         e      ınua em p.
  d) Se g(p) = 0 ent˜o f ´ cont´
                     a g e     ınua em p.
  e) kf ´ cont´
         e     ınua em p.

   Uma consequˆncia imediata do resultado acima ´:
              e                                 e

   Corol´rio:
         a
   a) Toda fun¸˜o polinomial ´ cont´
              ca              e    ınua.
   b) Toda fun¸˜o racional ´ cont´
              ca           e     ınua.

   Demonstra¸˜o:
            ca


                                         27
a) De fato, se f ´ polinomial ent˜o existe um polinˆmio
                    e               a                 o

                            p(x) = a0 + a1 x + ... + an xn

 tal que f (x) = p(x), para todo x ∈ R.
    Como as fun¸˜es dadas por xm , m ∈ N, s˜o cont´
                   co                              a        ınuas, segue do teorema
acima que as fun¸˜es dadas por aj xj , j ∈ {0, 1, ..., n}, tamb´m o s˜o. Como
                    co                                             e      a
soma de fun¸˜es cont´
              co         ınuas ´ cont´
                               e      ınua , segue que toda fun¸˜o polinomial ´
                                                                    ca             e
cont´ınua.
    b) De fato, se f ´ uma fun¸˜o racional , ent˜o existem polinˆmios p, q tais
                       e         ca                  a                 o
que f (x) = p(x) .
             q(x)
    Como o quociente de fun¸˜es cont´
                               co         ınuas ´ cont´
                                                e       ınua, desde que o polinˆmio
                                                                               o
do denominador n˜o se anule, segue que toda fun¸˜o racional ´ cont´
                     a                                 ca           e    ınua pois o
´ em todos os pontos de seu dom´
e                                   ınio.

    Teorema: Sejam f : I1 → R e g : I2 → R satisfazendo que f (I1 ) ⊂ I2 , f
      ınua em p ∈ I1 e que g ´ cont´
´ cont´
e                            e     ınua em f (p). Ent˜o g ◦ f ´ cont´
                                                     a        e     ınua em p.

   Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Como g ´ cont´
               ca                   e     ınua em f (p) temos que existe
δ1 > 0 tal que

              u ∈ I2 ∩ (f (p) − δ1 , f (p) + δ1 ) ⇒ |g(u) − g(f (p))| < ε.

   Como f ´ cont´
          e     ınua em p temos que existe δ > 0 tal que

      x    ∈ I1 ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ f (x) ∈ I2 , |f (x) − f (p)| < δ1 ⇒
           ⇒ f (x) ∈ I2 ∩ (f (p) − δ1 , f (p) + δ1 ) ⇒ |g(f (x)) − g(f (p))| < ε.



3.3       Algumas Propriedades das Fun¸˜es Cont´
                                      co       ınuas
Nesta se¸˜o provaremos alguns resultados sobre a conserva¸˜o de sinal e sobre
        ca                                               ca
a continuidade de fun¸˜es mon´tonas .
                     co      o

   Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o cont´
                                  ca      ınua em p ∈ I . Se f (p) > 0
ent˜o existe δ > 0 tal que
   a

                         x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ f (x) > 0.

                                                             f (p)
   Demonstra¸˜o: Como f (p) > 0, tomamos ε =
              ca                                               2     e temos que existe
δ > 0 tal que

                                                    f (p)           f (p)
       x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ |f (x) − f (p)| <         ⇒ f (x) >       > 0.
                                                      2               2



                                          28
Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o cont´
                                  ca      ınua em p ∈ I . Se f (p) < 0
ent˜o existe δ > 0 tal que
   a

                        x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ f (x) < 0.

   Demonstra¸˜o: Como f (p) < 0, tomamos ε = − f (p) e temos que existe
              ca                                 2
δ > 0 tal que

                                          f (p)                  f (p)   f (p)
x ∈ I ∩(p−δ, p+δ) ⇒ |f (x) − f (p)| < −         ⇒ f (x) < f (p)−       =       < 0.
                                            2                      2       2


    Teorema: Se f : I → R for crescente (ou decrescente) e al´m disso tanto
                                                                   e
a imagem quanto o dom´  ınio de f forem intervalos ent˜o f ´ cont´
                                                        a     e      ınua.
    Demonstra¸˜o: Sem perda de generalidade vamos supor que f ´ crescente.
                    ca                                                 e
Dado p ∈ I, provemos a continuidade de f em p.
    Seja ε > 0. Suponhamos tamb´m que f (p) n˜o seja extremidade do intervalo
                                 e              a
que ´ a imagem.
     e
    Como f (I) ´ um intervalo ent˜o existem x1 , x2 ∈ I tais que f (x1 ) = f (p) − ε
                  e              a
e f (x2 ) = f (p) + ε .
    Assim basta tomarmos δ = min{p − x1 , x2 − p} e temos

          |x − p| < δ ⇒ f (p) − ε = f (x1 ) < f (x) < f (x2 ) = f (p) + ε.

   Deixamos como exerc´ o caso geral.
                      ıcio

   Corol´rio: As fun¸˜es trigonom´tricas inversas s˜o cont´
          a            co           e               a       ınuas.
                ca ´
   Demonstra¸˜o: E imediato pelo teorema acima, visto que localmente todas
as trigonom´tricas inversas s˜o crescentes ou decrescentes e seus dom´
            e                a                                       ınios e
imagens s˜o intervalos.
          a

3.4    O Teorema do Valor Intermedi´rio
                                   a
Nesta se¸˜o estudaremos o principal teorema relativo a continuidade. O seu
         ca
enunciado ´ bastante simples mas as consequˆncias s˜o extremamente impor-
             e                                 e      a
tantes.
    Imagine uma fun¸˜o que seja cont´
                      ca               ınua em um intervalo [a, b]. Suponhamos
que d est´ entre f (a) e f (b). Como a fun¸˜o ´ cont´
           a                                 ca e     ınua o seu gr´fico pode
                                                                      a
ser desenhado sem que soltemos o l´pis. De fato, a continuidade impede que
                                     a
o gr´fico apresente saltos. Desta forma n˜o tem como sairmos de (a, f (a)) e
     a                                     a
chegarmos em (b, f (b)) sem que no caminho passemos por um ponto que tenha
ordenada d. Logo conclu´  ımos que deve existir algum ponto c em [a, b] tal que
f (c) = d. Esta ´ a conclus˜o do Teorema do Valor Intermedi´rio.
                e          a                                a
    Vamos enunciar este teorema.

   Teorema do Valor Intermedi´rio: Sejam f : [a, b] → R cont´
                                       a                        ınua e d
entre f (a) e f (b). Ent˜o existe c ∈ [a, b] tal que f (c) = d.
                        a


                                        29
Demonstra¸˜o : Dividiremos a prova em dois casos.
                  ca
    1o Caso:
    Suponhamos que f (a) < 0 e que f (b) > 0 e mostremos que existe c ∈ [a, b]
tal que f (c) = 0.
    Fa¸amos a0 = a e b0 = b. Consideremos c0 o ponto m´dio de [a0 , b0 ]. Calcu-
       c                                                                e
lamos f (c0 ). Se f (c0 ) < 0 ent˜o definimos a1 = c0 e b1 = b0 ( se f (c0 ) = 0 n˜o
                                     a                                              a
temos mais o que provar e se f (c0 ) > 0 ent˜o definimos a1 = a0 e b1 = c0 ).
                                                       a
    Em seguida consideramos c1 o ponto m´dio de [a1 , b1 ] e repetimos o processo
                                                     e
acima.
    Prosseguindo com este racioc´      ınio, construiremos uma sequˆncia de intervalos
                                                                          e
encaixantes
                         [a0 , b0 ] ⊃ [a1 , b1 ] ⊃ ... ⊃ [an , bn ] ⊃ ...
tais que f (an ) < 0 e f (bn ) > 0.
    Al´m disso bn − an aproxima-se de zero quando n cresce indefinidamente.
       e
    O Teorema dos Intervalos Encaixantes nos que diz que existe um unico       ´
c ∈ R tal que , para todo n, an ≤ c ≤ bn .
    A continuidade da f nos garante que f (c) = 0 pois se fosse diferente de zero
o teorema da conserva¸˜o do sinal implicaria que f (an ) e f (bn ) teriam o mesmo
                        ca
sinal para n suficientemente grande, j´ que a distˆncia de an a bn tende a zero.
                                         a            a
    Da mesma forma, se f (a) > 0 e f (b) < 0 existe c ∈ [a, b] tal que f (c) = 0.
    Logo, se f for cont´ ınua em [a, b] e se f (a) e f (b) tiverem sinais contr´rios,
                                                                               a
ent˜o existir´ pelo menos um c em [a, b] tal que f (c) = 0.
   a          a
    2o Caso: Caso Geral.
    Sem perda de generalidade, suponhamos que f (a) < d < f (b).
    Consideremos a fun¸˜o g(x) = f (x) − d.
                          ca
    Obviamente g ´ cont´
                    e      ınua e g(a) < 0, g(b) > 0.
    Pelo 1o caso existe c ∈ [a, b] tal que g(c) = 0. Logo f (c) = d.

    Exemplos:
    1) Prove que x3 − 4x + 8 = 0 tem pelo menos uma raiz real.
    Considere f : [−3, 0] → R dada por f (x) = x3 − 4x + 8.
    Como f ´ polinomial segue que f ´ cont´
             e                       e      ınua. Al´m disso, f (−3) = −7 < 0,
                                                    e
f (0) = 8 > 0.
    Logo pelo Teorema do Valor Intermedi´rio,
                                          a

                           ∃c ∈ [−3, 0] tal que f (c) = 0.

   Logo o polinˆmio acima admite uma raiz real.
               o
   2) Todo polinˆmio de grau ´
                o            ımpar admite uma raiz real. De fato, seja

                    p(x) = an xn + an−1 xn−1 + ... + a1 x + a0

com n ´
      ımpar. Suponhamos, sem perda de generalidade, que an > 0.
   Provemos inicialmente que lim p(x) = +∞ e lim p(x) = −∞.
                                 x→+∞                  x→−∞




                                         30
Temos

        lim p(x) =        lim (an xn + an−1 xn−1 + ... + a1 x + a0 ) =
      x→±∞               x→±∞
                                             an−1             a1      a0
                    =     lim an xn (1 +          + .... +         +       )=
                         x→±∞                an x          an xn−1   an xn
                    = ±∞.

   Logo existem a e b tais que p(a) < 0, p(b) > 0.
   Aplicando o TVI em [a, b] segue o resultado.

3.5    O Teorema de Weierstrass
Nesta se¸˜o demonstraremos outra importante propriedade das fun¸˜es cont´
        ca                                                     co         ınuas.
Provaremos que se uma fun¸˜o for cont´
                         ca          ınua em um intervalo fechado [a, b] ent˜o
                                                                            a
ela assumir´ um valor m´ximo e um valor m´
           a           a                   ınimo.

    Teorema da Limita¸˜o: Se f : [a, b] → R ´ cont´
                     ca                      e    ınua ent˜o existe M > 0
                                                          a
tal que
                        |f (x)| < M, ∀x ∈ [a, b].

   Demonstra¸˜o: Suponhamos que n˜o exista um M > 0 satisfazendo o
                   ca                         a
que ´ desejado.
    e
   Chamamos a1 = a, b1 = b.
   Deve ent˜o existir x1 ∈ [a1 , b1 ] tal que |f (x1 )| > 1.
               a
   Seja c1 o ponto m´dio de [a1 , b1 ].
                      e
   Como f n˜o ´ limitada em [a1 , b1 ] ent˜o f n˜o ser´ limitada em [a1 , c1 ] ou
                 a e                         a        a      a
em [c1 , b1 ].
   Sem perda de generalidade, suponhamos que f n˜o ´ limitada em [c1 , b1 ].
                                                          a e
   Chamamos a2 = c1 , b2 = b1 .
   Como f n˜o ´ limitada em em [a2 , b2 ] existe x2 ∈ [a2 , b2 ] tal que |f (x2 )| > 2.
                a e
   Prosseguindo com este racioc´  ınio constru´  ımos uma sequˆncia
                                                                e

                            [a1 , b1 ] ⊃ ... ⊃ [an , bn ] ⊃ ...

satisfazendo que a distˆncia bn −an est´ se aproximando de zero quando n cresce
                       a                a
e que, para todo natural n, existe xn ∈ [an , bn ] com |f (xn )| > n.
    Pelo T. I. Encaixantes, existe c, o unico real tal que c ∈ [an , bn ], para todo
                                        ´
n ∈ N.
    ´
    E claro que xn est´ convergindo para c e que |f (xn )| est´ divergindo para
                       a                                         a
o infinito. Pela continuidade de f ter´ ıamos que lim |f (x)| = +∞. Observemos
                                                    x→c
que isto ´ um absurdo. Logo existe M > 0 tal que
         e

                               |f (x)| < M, ∀x ∈ [a, b].




                                           31
Teorema de Weierstrass: Se f : [a, b] → R ´ cont´     e     ınua existem x1 e x2
em [a, b] tais que f (x1 ) ≤ f (x) ≤ f (x2 ), para qualquer x ∈ [a, b].
   Demonstra¸˜o : Sendo f cont´
                 ca                     ınua em [a, b], pelo teorema anterior f ser´
                                                                                   a
limitada em [a, b]. Assim o conjunto A = {f (x)|x ∈ [a, b]} admite supremo e
´
ınfimo.
   Sejam M = sup A, m = inf A.
   Est´ claro que m ≤ f (x) ≤ M.
       a
   Resta-nos provar que existem x1 e x2 tais que f (x1 ) = m e f (x2 ) = M.
   Observe que se f (x) < M para todo x ent˜o a fun¸˜o dada por
                                                  a        ca
                                       1
                           g(x) =             , x ∈ [a, b]
                                    M − f (x)

seria cont´
          ınua mas n˜o seria limitada. Logo existe x2 tal que f (x2 ) = M.
                    a
    Analogamente provamos a existˆncia de x1 .
                                   e

3.6    Potˆncias Irracionais
          e
Na se¸˜o 1.3 lembramos algumas propriedades das potˆncias racionais.
     ca                                            e
   Dado m ∈ Q, a > 0 definimos
         n
                                     m        √
                                              m
                               b = an ⇔           bn = a.

   O objetivo desta se¸˜o ´ definirmos ax , x ∈ R.
                      ca e
                     √
    O que significa 3 2 ?
    Sabemos que os racionais n˜o ocupam todo o espa¸o da reta mas mesmo
                                 a                       c
assim eles est˜o presentes em√
              a                qualquer intervalo, por menor que seja. Assim em
qualquer intervalo contendo 2 existem racionais e nestes sabemos calcular as
                                             √
potˆncias. Seria natural ent˜o definirmos 3 2 como o limite de 3r , r ∈ Q, ao r
    e    √                    a
tender a 2.
    A d´vida que sobra ´ se esse limite realmente existe.
       u                 e
    O teorema que iremos enunciar a seguir nos garantir´ que existe uma unica
                                                         a                 ´
fun¸˜o cont´
   ca       ınua em R tal que f (r) = 3r , para qualquer r ∈ Q. Em outras
palavras, existe uma unica maneira de completarmos o pontilhado do gr´fico
                       ´                                                    a
acima e obtermos uma fun¸˜o cont´
                            ca      ınua. Assim iremos definir
                             √      √
                           3 2 = f ( 2) = lim f (x).
                                              √
                                                  x→ 2



   Teorema: Dado a > 0, a = 1 temos que existe uma unica fun¸˜o cont´
                                                   ´        ca      ınua
definida em R tal que
                          f (r) = ar , ∀r ∈ Q.

   Para provarmos o teorema acima precisaremos de 3 resultados preliminares.


                                         32
Lema 1: Seja a > 1 um real dado. Ent˜o para todo ε > 0, existe um natural
                                       a
n tal que
                                 1
                               an − 1 < ε
   Demonstra¸˜o: Pela desigualdade de Bernoulli
            ca
                                         n
                                 (1 + ε) ≥ 1 + nε.
                          a−1
   Basta tomarmos n >      ε .

    Lema 2: Sejam a > 1 e x dois reais dados. Para todo ε > 0 existem
racionais r e s , com r < x < s tais que

                                    as − as < ε.

   Demonstra¸˜o: Tomamos t > x, racional; assim, para qualquer racional
                ca
r < x, tem-se ar < at .Pelo lema 1, existe n natural tal que
                                        1
                                  at a n − 1 < ε.

                                                                       1
Se escolhermos racionais r e s com r < x < s e satisfazendo s − r <    n   teremos
                                                         1
                  as − ar = ar (as−r − 1) < at a n − 1 < ε.



  Lema 3: Seja a > 1 um real dado. Ent˜o , para todo x real dado , existe
                                      a
um unico real γ tal que
   ´
                            ar < γ < as
para quaisquer que sejam os racionais r e s, com r < x < s.
   Demonstra¸˜o: Como o conjunto
                ca

                             {ar |r racional , r < x}

´ n˜o vazio e limitado superiormente por todo as , s racional, tal conjunto admite
e a
um supremo que indicamos por γ. Segue que

                                    ar < γ < as .

Falta provarmos que tal γ ´ unico. De fato, se γ1 for tal que
                          e´

                                    ar < γ1 < as

quaisquer que sejam os racionais r e s, com r < x < s ter´
                                                         ıamos

                                 |γ − γ1 | < as − ar

e pelo lema 2 ter´
                 ıamos que

                                 |γ − γ1 | < ε, ∀ε > 0

                                            33
e da´ γ = γ1 .
    ı

    Prova do Teorema: Inicialmente vamos supor a > 1. Com rela¸˜o ao lema
                                                                       ca
anterior , se x for racional ent˜o γ = ax . O unico γ ser´ indicado por f (x) . Fica
                                a              ´         a
constru´ıda, assim, uma fun¸˜o f definida em R, e tal que f (r) = ar para todo
                              ca
racional r. Antes de provarmos a continuidade de f provemos que f ´ crescente.
                                                                       e
Sejam x1 < x2 . Temos
                                 ar1 < f (x1 ) < as1
e
                                ar2 < f (x2 ) < as2
quaisquer que sejam os racionais r1 , s1 , r2 e s2 tais que

                          r1 < x1 < s1 e r2 < x2 < s2 .

Assim , sendo s um racional com x1 < s < x2 temos

                               f (x1 ) < as < f (x2 )

o que prova que f ´ crescente.
                   e
    Vamos provar a continuidade de f . Seja p ∈ R. Pelo lema 2 dado ε > 0
existem racionais r e s com r < p < s tais que

                                     as − ar < ε.

Para todo x ∈ (r, s) temos

                           |f (x) − f (p)| < as − ar < ε

o que prova a continuidade da f em p. Segue que f ´ cont´
                                                  e     ınua em R.
   Finalmente se 0 < a < 1 basta considerarmos a fun¸˜o dada por
                                                     ca
                                                    −x
                                                1
                                 f (x) =                 .
                                                a


  A fun¸˜o f : R → R dada por f (x) = ax , a > 0, a = 1 ´ chamada de
       ca                                               e
   ¸˜
FUNCAO EXPONENCIAL.


4     Derivadas de Fun¸˜es Reais de Vari´vel Real
                      co                a
4.1    Introdu¸˜o e Defini¸˜o de Derivada
              ca         ca
Defini¸˜o: Seja f : I → R, uma fun¸˜o definida em I ⊂ R uma uni˜o de
       ca                            ca                      a
intervalos abertos.
    a) Dizemos que f ´ deriv´vel em p ∈ I se existe o limite
                     e      a
                                   f (p + h) − f (p)
                               lim                   .
                               h→0         h

                                           34
Neste caso chamamos tal limite de derivada da f em p e denotamos:
                                          f (p + h) − f (p)
                            f (p) = lim                     .
                                      h→0         h
    b) Dizemos que f ´ deriv´vel em I se o for em todos os pontos de I.
                     e      a

    Observa¸˜es:
              co
    1) Dizer que existe a derivada de uma fun¸˜o f em um ponto p significa geo-
                                             ca
metricamente que seu gr´fico apresenta uma reta tangente no ponto (p, f (p)) .
                          a
Isto significa que o gr´fico n˜o pode apresentar uma quina neste ponto.
                       a      a
    2) Observe que
                                 f (p + h) − f (p)       f (x) − f (p)
                f (p) = lim                        = lim               .
                           h→0           h           x→p     x−p
De fato basta considerarmos a mudan¸a de vari´vel x = p + h. Assim para o
                                     c         a
c´lculo da derivada podemos escolher um dos limites acima.
 a

   Defini¸˜o: Dado uma fun¸˜o deriv´vel f : I → R definimos a fun¸˜o
          ca             ca       a                            ca
derivada f : I → R por
                                      f (x + h) − f (x)
                            f (x) = lim                 .
                                 h→0          h
    Teorema: Seja f : I → R, uma fun¸˜o definida em I ⊂ R uma uni˜o
                                            ca                            a
de intervalos abertos. Se f ´ deriv´vel em p ∈ I ent˜o f ´ cont´
                            e      a                  a   e    ınua em p.

    Demonstra¸˜o: Basta provarmos que
             ca
                                    lim f (x) = f (p).
                                    x→p

    De fato, temos
                     lim f (x) = f (p) ⇔ lim (f (x) − f (p)) = 0
                     x→p                    x→p
e
                                             (f (x) − f (p))
            lim (f (x) − f (p))      =    lim                . (x − p) =
            x→p                        x→p       (x − p)
                                     = f (p) .0 = 0.

   Observa¸˜o: Ser deriv´vel ´ condi¸˜o suficiente para ser cont´
             ca             a    e      ca                     ınua e ser
cont´
    ınua ´ condi¸˜o necess´ria para ser deriv´vel isto ´
         e      ca        a                  a         e
                                 deriv´vel ⇒ cont´nua.
                                      a          ı
A rec´ıproca ´ falsa, isto ´, ser deriv´vel n˜o ´ necess´rio para ser cont´
             e             e           a     a e        a                 ınua e ser
cont´
    ınua n˜o ´ suficiente para ser deriv´vel isto ´
           a e                             a        e
                                 cont´nua
                                     ı           deriv´vel.
                                                      a
De fato, considere por exemplo a fun¸˜o f : R → R dada por f (x) = |x| . Temos
                                    ca
que f ´ cont´
      e      ınua em x = 0 mas n˜o ´ deriv´vel em x = 0.
                                  a e       a

                                            35
4.2     Regras de Deriva¸˜o
                        ca
Nesta se¸˜o calcularemos a derivada da soma, da diferen¸a, do produto e do
         ca                                                 c
quociente de fun¸˜es. Em seguida estudaremos a derivada da composta de duas
                  co
fun¸˜es.
   co
   Teorema : Sejam I ⊂ R, uma uni˜o de intervalos abertos, f, g : I → R
                                         a
fun¸˜es deriv´veis em p ∈ I e k ∈ R uma constante real. Temos:
   co         a
   a) (f ± g) ´ deriv´vel em p e (f ± g) (p) = f (p) ± g (p) .
                e     a
   b) (kf ) ´ deriv´vel em p e (kf ) (p) = kf (p) .
            e       a
   c) (f g) ´ deriv´vel em p e (f g) (p) = f (p)g (p) + f (p) g (p) .
            e       a
                              f                               f           g(p)f (p)−f (p)g (p)
   d) Se g (p) = 0 ent˜o
                      a       g     ´ deriv´vel em p e
                                    e      a                  g   (p) =          g(p)2
                                                                                               .

   Demonstra¸˜o:
               ca
   a) A prova se reduz ao c´lculo do limite
                           a

                        (f ± g) (p + h) − (f ± g) (p)
      (f ± g) (p) =   lim                             =
                      h→0             h
                        f (p + h) ± g (p + h) − f (p) g (p)
                  = lim                                      =
                    h→0                   h
                           f (p + h) − f (p)       g (p + h) − g (p)
                  = lim                        ±                                       =
                    h→0             h                      h
                  = f (p) ± g (p) .

   b) Deixamos como exerc´ ıcio.
   c) A prova se reduz ao c´lculo do limite
                           a

                 (f.g) (p + h) − (f.g) (p)
(f.g) (p) =    lim                          =
             h→0             h
                 f (p + h) .g (p + h) − f (p) .g (p)
           = lim                                      =
             h→0                  h
                 f (p + h) .g (p + h) − f (p) g (p + h) + f (p) g (p + h) − f (p) .g (p)
           = lim                                                                         =
             h→0                                     h
                               f (p + h) − f (p)             g (p + h) − g (p)
           = lim g (p + h)                         + f (p)                         =∗
             h→0                       h                             h

   Como g ´ deriv´vel em p ent˜o g ´ cont´
          e      a            a    e     ınua em p e portanto

                                  lim g (p + h) = g (p) .
                                  h→0

   Assim temos
                            ∗ = f (p)g (p) + f (p) g (p) .
   d) Vamos inicialmente provar que

                                    1            −g (p)
                                        (p) =        2    .
                                    g            g (p)

                                            36
De fato, calculemos o limite

                                      1                         1
             1                        g   (p + h) −             g   (p)
                   (p) =      lim                                         =
             g                h→0                   h
                                       1            1
                                    g(p+h)    −    g(p)
                         =    lim                           =
                              h→0          h
                                    g(p)−g(p+h)
                                     g(p+h)g(p)
                         =    lim                       =
                              h→0         h
                                          −1        g (p + h) − g (p)
                         =    lim                                     =
                              h→0   g (p + h) g (p)         h
                              −g (p)
                         =         2 .
                              g (p)

    Para obtermos o caso geral basta aplicarmos c) e o que provamos acima.
    Teorema (REGRA DA CADEIA):Sejam f : I → R e g : J → R
satisfazendo que f (I) ⊂ J. Se f ´ deriv´vel em p e g ´ deriv´vel em f (p) ent˜o
                                 e      a              e      a               a
g ◦ f : I → R ´ deriv´vel em p e (g ◦ f ) (p) = g (f (p)) .f (p) .
              e      a

   Demonstra¸˜o:
              ca
   Calculemos o limite
                                     (g ◦ f ) (p + h) − (g ◦ f ) (p)
                 (g ◦ f ) (p) = lim                                  =
                               h→0                  h
                               g (f (p + h)) − g (f (p))
                         = lim                             =∗
                           h→0               h
   Para simplificarmos nosso c´lculo vamos supor que existe δ > 0 tal que
                             a

                          0 < |h| < δ ⇒ f (p + h) = f (p) .

   Assim temos

                                k = f (p + h) − f (p)
                         g(f (p) + k) − g (f (p)) f (p + h) − f (p)
              ∗ = lim                            .                  =
                   h→0              k                     h
                                 = g (f (p)) .f (p) .



4.3    Derivada da Fun¸˜o Inversa
                      ca
Nesta se¸˜o aprenderemos como derivar a inversa de uma dada fun¸˜o.
        ca                                                     ca

    Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o invers´
                                         ca         ıvel , com fun¸˜o inversa
                                                                  ca
f −1 : f (I) → R. Se f for deriv´vel em q = f −1 (p) , com f (q) = 0 e se f −1
                                a

                                              37
ınua em p, ent˜o f −1 ser´ deriv´vel em p e
for cont´             a          a      a
                                                   1
                                 f −1 (p) =            .
                                                 f (q)

    Demonstra¸˜o: Temos
             ca
                f −1 (x) − f −1 (p)           f −1 (x) − f −1 (p)
                                     =                               =
                       x−p               f (f −1 (x)) − f (f −1 (p))
                                     1
                       = f (f −1 (x))−f (f −1 (p)) , para x = p.
                             f −1 (x)−f −1 (p)

  Fazendo u = f −1 (x), pela continuidade de f −1 em p temos que u → q para
x→pe
                 f −1 (x) − f −1 (p)            1          1
             lim                     = lim f (u)−f (q) =       .
             x→p         x−p           u→q               f (q)
                                                      u−q




5     O Teorema do Valor M´dio e Aplica¸˜es
                          e            co
Estudaremos um dos principais teoremas do C´lculo: O Teorema do Valor
                                                a
M´dio. A partir deste teorema poderemos fazer uma an´lise detalhada do gr´fico
  e                                                   a                  a
de fun¸˜es reais de vari´vel real. Para provarmos este teorema precisamos ini-
      co                a
cialmente estudar m´ximos e m´
                    a            ınimos.

5.1      M´ximos e M´
          a         ınimos: O Teorema de Fermat
Lembremos que o Teorema de Weierstrass garante que se f : I → R for cont´    ınua,
e I for um intervalo fechado [a, b] ent˜o existem x1 e x2 em [a, b] tais que
                                       a

                       f (x1 ) ≤ f (x) ≤ f (x2 ) , ∀x ∈ [a, b] .

f (x1 ) ´ chamado de m´
        e              ınimo e f (x2 ) de m´ximo de f.
                                            a
    Nesta se¸˜o estudaremos m´ximos e m´
             ca                a           ınimos de fun¸˜es f : I → R onde I
                                                        co
´ um intervalo qualquer da reta. Utilizaremos a derivada para tal estudo.
e

    Proposi¸˜o: Sejam f : I → R e c ∈ I um ponto onde f ´ deriv´vel.
            ca                                          e      a
    a) Se f (c) > 0 ent˜o existe δ > 0 tal que para
                       a

                           c − δ < x1 < c < x2 < c + δ

tem-se
                             f (x1 ) < f (c) < f (x2 ) .
    b) Se f (c) < 0 ent˜o existe δ > 0 tal que para
                       a

                           c − δ < x1 < c < x2 < c + δ

                                           38
tem-se
                              f (x1 ) > f (c) > f (x2 ) .

      Demonstra¸˜o:
                  ca
      Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´
                                                ıcio.
      Se f (c) > 0 ent˜o temos
                      a

                                   f (x) − f (c)
                               lim               > 0.
                               x→c     x−c
      Logo existe δ1 > 0 tal que
                                   f (x) − f (c)
                c < x < c + δ1 ⇒                 > 0 ⇒ f (c) < f (x) .
                                       x−c
      Da mesma forma, existe δ2 > 0 tal que
                                   f (x) − f (c)
                c − δ2 < x < c ⇒                 > 0 ⇒ f (x) < f (c) .
                                       x−c
      Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos

        c − δ < x1 < c < x2 < c + δ ⇒ c − δ2 < x1 < c e c < x2 < c + δ1 ⇒
                            ⇒ f (x1 ) < f (c) < f (x2 ) .


   Defini¸˜o: Seja f : I → R.
         ca
   a) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´ximo de f
                         e                    a                 e f (c) ´ um valor
                                                                        e
m´ximo de f se
 a
                           f (x) ≤ f (c) , ∀x ∈ I.
   b) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´
                        e                ınimo de f e f (c) ´ um valor m´
                                                            e           ınimo
de f se
                            f (x) ≥ f (c) , ∀x ∈ I.
      c) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´ximo local de f se existir δ > 0 tal
                           e              a
que
                            |x − c| < δ ⇒ f (x) ≤ f (c) .
      d) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´
                           e              ınimo local de f se existir δ > 0 tal
que
                            |x − c| < δ ⇒ f (c) ≤ f (x) .

   Teorema de Fermat: Seja f : I → R uma fun¸˜o deriv´vel em c ∈ I,
                                                  ca       a
um ponto interior de I. Se c ´ ponto de m´ximo ou m´
                              e            a       ınimo local de f ent˜o
                                                                       a
f (c) = 0.
   Demonstra¸˜o:ca
   Suponhamos que f (c) = 0. Sem perda de generalidade podemos supor
f (c) > 0 e que c ´ ponto de m´ximo local.
                  e            a

                                          39
Pela proposi¸˜o anterior, existe δ1 > 0 tal que para
               ca

                         c − δ1 < x1 < c < x2 < c + δ1

tem-se
                            f (x1 ) < f (c) < f (x2 ) .
   Como c ´ ponto de m´ximo local, existe δ2 > 0 tal que
          e           a

                         |x − c| < δ2 ⇒ f (x) ≤ f (c) .

   Tomando δ = min{δ1 , δ2 } e x2 satifazendo c < x2 < c + δ segue que

                        c < x2 < c + δ1 e |x2 − c| < δ2

e portanto
                        f (c) < f (x2 ) e f (x2 ) ≤ f (c) .
   Esta contradi¸˜o implica que f (c) = 0.
                ca

    Observa¸˜es:
             co
    1) Observe que o teorema de Fermat d´ uma condi¸˜o necess´ria aos pontos
                                           a           ca         a
de m´ximo e m´
      a         ınimo locais de f. A condi¸˜o n˜o ´ suficiente. Considere por
                                             ca a e
exemplo f (x) = x3 .
    Temos que f (0) = 0 e no entanto 0 n˜o ´ ponto de m´ximo local nem de
                                            a e              a
m´ınimo local.
    2) Dada uma fun¸˜o f : I → R, podem ocorrer pontos de m´ximo e m´
                     ca                                          a         ınimo
em pontos onde f n˜o ´ deriv´vel. Considere por exemplo f (x) = |x| .
                     a e      a
    Observe que 0 ´ um ponto de m´
                   e                 ınimo local e no entanto n˜o existe f (0) .
                                                               a
    Defini¸˜o:c ´ um ponto cr´
          ca     e             ıtico de f : I → R se f (c) = 0 ou se n˜o existe
                                                                        a
f (c) .

    Teorema: Seja f : [a, b] → R cont´   ınua. Os valores m´ximo e m´
                                                           a         ınimo de f
s˜o assumidos ou nos pontos cr´
 a                               ıticos de f ou nos extremos do intervalo.
    Demonstra¸˜o: O Teorema de Weierstrass garante a existˆncia de x1 e x2
                ca                                              e
pontos de m´ximo e m´
            a           ınimo de f.
    Se x1 e x2 ∈ {a, b} nada temos a provar. Se um deles pertencer a (a, b)
ent˜o em tal ponto f ´ ou n˜o deriv´vel. Se n˜o for deriv´vel ent˜o o ponto
   a                   e      a         a         a          a       a
ser´ cr´
   a ıtico e se for deriv´vel ent˜o o teorema de Fermat garante que a derivada
                          a       a
em tal ponto se anular´, ou seja o ponto ser´ cr´
                       a                       a ıtico.

    Teorema: Sejam f : I → R deriv´vel e a, b ∈ I, a < b. Se f (a) .f (b) < 0
                                        a
ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que f (x0 ) = 0.
   a
    Demonstra¸˜o: Pelo teorema de Weierstrass existem α, β ∈ [a, b] tais que
                 ca
f (α) e f (β) s˜o os valores m´ximo e m´
               a               a          ınimo de f em [a, b] .
    Se α = β ent˜o f ´ constante em [a, b] e o teorema ´ trivialmente satisfeito.
                 a    e                                 e
    Se α = β ent˜o temos 3 possibilidades:
                 a



                                        40
a) Se pelo menos um dos dois est´ em (a, b) ent˜o o Teorema de Fermat
                                       a           a
aplica-se a tal ponto e o teorema est´ provado.
                                     a
    b) Se α = a e β = b ent˜o
                            a
                                       f (x) − f (a)
                      f   a+    =     lim+           ≤0
                                  x→a      x−a
                                       f (x) − f (b)
                      f   b−    = lim−               ≤0
                                  x→b      x−b
e isto contraria a hip´tese que f (a) .f (b) < 0.
                      o
    c) Se α = b e β = a ent˜o
                            a
                                       f (x) − f (a)
                      f   a+    =     lim            ≥0
                                     x→a+  x−a
                                       f (x) − f (b)
                      f   b−    = lim−               ≥0
                                  x→b      x−b
e isto contraria a hip´tese que f (a) .f (b) < 0.
                      o

   Teorema (Propriedade do Valor Intermedi´rio para Derivadas):
                                                  a
Sejam f : I → R deriv´vel e a < b ∈ I. Se k ∈ R satisfaz f (a) < k < f (b)
                         a
ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que f (x0 ) = k.
   a
   Demonstra¸˜o: Basta aplicar o teorema anterior para
                ca

                               F (x) = f (x) − kx.



   Corol´rio: Sejam f : I → R deriv´vel e a < b ∈ I. Se f (x) = 0 em [a, b]
          a                             a
ent˜o f tem sinal constante em [a, b] .
   a
   Demonstra¸˜o: Se existissem x1 e x2 tais que f (x1 ) < 0 e f (x2 ) > 0
                 ca
ent˜o existiria x0 tal que f (x0 ) = 0.
   a

5.2    Os Teoremas de Rolle e do Valor M´dio
                                        e

Nesta se¸˜o provaremos o TVM (Teorema do Valor M´dio) a partir da prova de
        ca                                      e
um caso particular (Teorema de Rolle).

   Teorema (Teorema de Rolle): Seja f : [a, b] → R cont´            ınua em [a, b] e
deriv´vel em (a, b) . Se f (a) = f (b) ent˜o existe c ∈ (a, b) tal que f (c) = 0.
     a                                    a
   Demonstra¸˜o: Se f for constante em [a, b] ent˜o f (x) = 0, para todo
                  ca                                     a
x ∈ (a, b) e neste caso nada temos para provar. Se f n˜o for constante ent˜o, pelo
                                                       a                   a
Teorema de Weierstass, existem x1 e x2 em [a, b] , x1 = x2 , tais que x1 ´ ponto
                                                                           e
de m´ximo e x2 ´ ponto de m´
     a             e            ınimo. Como f (a) = f (b) ent˜o necessariamente
                                                                a
um dos dois est´ em (a, b) . De fato, caso contr´rio f seria constante. Sem perda
                 a                              a
de generalidade, suponhamos que x1 ∈ (a, b) . Como f ´ deriv´vel em x1 segue,
                                                          e       a
pela proposi¸˜o anterior que f (x1 ) = 0 e portanto basta tomarmos c = x1 .
              ca

                                        41
Teorema (Teorema do Valor M´dio): Seja f : [a, b] → R cont´
                                           e                                ınua em
                                                                      f (b)−f (a)
[a, b] e deriv´vel em (a, b) . Ent˜o existe c ∈ (a, b) tal que f (c) = b−a .
              a                   a
     Demonstra¸˜o:Basta considerarmos a fun¸˜o g : [a, b] → R dada por
                  ca                               ca

                                             f (b) − f (a)
                   g(x) = f (x) − f (a) −                  (x − a) .
                                                 b−a
   ´
   E claro que g satisfaz as hip´teses do teorema de Rolle
                                o

                             g ´ cont´
                               e      ınua em [a, b]
                           g ´ diferenci´vel em (a, b)
                             e          a
                                g (b) = g (a) = 0

e portanto existe c ∈ (a, b) tal que

                                       g (c) = 0.

   Como
                                               f (b) − f (a)
                          g (x) = f (x) −
                                                   b−a
segue que
                                         f (b) − f (a)
                              f (c) =                  .
                                             b−a



5.3    Intervalos de Crescimento e Decrescimento
Teorema: Seja f : I → R deriv´vel.
                              a
  a) Se f (x) > 0, para todo x ∈ I, ent˜o f ´ crescente em I.
                                       a    e
  b) Se f (x) < 0,para todo x ∈ I, ent˜o f ´ decrescente em I.
                                      a    e

   Demonstra¸˜o:ca
   Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´   ıcio.
   Sejam x1 , x2 ∈ I, satisfazendo x1 < x2 . Vamos aplicar o TVM em [x1 , x2 ] .
   Assim existe c ∈ (x1 , x2 ) tal que

                                        f (x2 ) − f (x1 )
                             f (c) =                      .
                                            x2 − x1

   Como f (x) > 0 em I segue que

                               f (x2 ) − f (x1 )
                                                 >0
                                   x2 − x1
e portanto
                                 f (x2 ) > f (x1 )
j´ que x2 > x1 .
 a


                                          42
Logo f ´ crescente em I.
           e
   Teorema (Teste da Derivada Primeira): Seja f uma fun¸˜o cont´
                                                              ca       ınua ,
deriv´vel em uma vizinhan¸a V de x0 , exceto possivelmente em x0 . Vale que:
     a                   c
   a) Se f (x) < 0 para x ∈ V, x < x0 e f (x) > 0 para x ∈ V, x > x0 ent˜o a
x0 ´ ponto de m´
   e           ınimo local;
   b) Se f (x) > 0 para x ∈ V, x < x0 e f (x) < 0 para x ∈ V, x > x0 ent˜o a
x0 ´ ponto de m´ximo local.
   e           a

   Demonstra¸˜o:Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´
                ca                                                ıcio. Se f (x) <
0 para x ∈ V, x < x0 e f (x) > 0 para x ∈ V, x > x0 ent˜o f ´ decrescente para
                                                          a     e
x ∈ V, x < x0 e crescente para x ∈ V, x > x0 . Logo f (x0 ) ≤ f (x) , para x ∈ V.

5.4    Aplica¸˜es Geom´tricas da Derivada Segunda
             co       e
Nesta se¸˜o utilizaremos a derivada segunda para avaliar a concavidade do
        ca
gr´fico de fun¸˜es reais de vari´vel real e para decidirmos se um ponto cr´
  a          co                a                                         ıtico ´
                                                                               e
ponto de m´ximo ou m´
           a           ınimo local.

   Defini¸˜o:Seja f : I → R uma fun¸˜o deriv´vel definida em uma vizinhan¸a
          ca                         ca       a                             c
de p ∈ I.
   a)Dizemos que f ´ convexa em p se existir δ > 0 tal que em (p − δ, p + δ)∩I
                   e
tem-se
                       f (p) + f (p) (x − p) < f (x) .
   b)Dizemos que f ´ cˆncava em p se existir δ > 0 tal que em (p − δ, p + δ)∩I
                   e o
tem-se
                       f (p) + f (p) (x − p) > f (x) .

    Observa¸˜o: Dizer que uma fun¸˜o ´ convexa em um ponto p significa,
             ca                      ca e
geometricamente, que o gr´fico de f, para x suficientemente pr´ximo de p, est´
                         a                                    o            a
acima da reta tangente ao gr´fico de f em (p, f (p)) . Dizer que uma fun¸˜o ´
                            a                                          ca e
cˆncava em um ponto p significa, geometricamente, que o gr´fico de f, para x
 o                                                          a
suficientemente pr´ximo de p, est´ abaixo da reta tangente ao gr´fico de f em
                 o              a                               a
(p, f (p)) .

  Teorema : Seja f : I → R uma fun¸˜o duas vezes deriv´vel, definida em
                                     ca               a
uma vizinhan¸a de p ∈ I.
            c
  a) Se f (p) > 0 ent˜o f ´ convexa em p.
                      a   e
  b) Se f (p) < 0 ent˜o f ´ cˆncava em p.
                      a   e o

   Demonstra¸˜o:
              ca
   Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´
                                             ıcio.
   Queremos provar que

                        f (x) − f (p) − f (p) (x − p) > 0

para x suficientemente pr´ximo de p.
                        o

                                       43
Como f (p) > 0, do teorema da conserva¸˜o do sinal segue que
                                         ca

                              f (x) − f (p)
                                            >0
                                  x−p
para x suficientemente pr´ximo de p. Utilizando o teorema do valor m´dio,
                          o                                        e
temos que existe a entre x e p tal que

                                      f (x) − f (p)
                            f (a) =                 .
                                          x−p
   Assim ´ suficiente mostrarmos que
         e

                       f (a) (x − p) − f (p) (x − p) > 0.                    (*)

   Como a est´ entre x e p ent˜o , para x suficientemente pr´ximo de p temos
             a                a                            o

                              f (a) − f (p)
                                            > 0.
                                  a−p

   Assim, se x > p ent˜o a > p e f (a) > f (p) . Logo ∗ ocorre. Da mesma
                        a
forma, se x < p ent˜o a < p e f (a) < f (p) . Logo ∗ ocorre.
                   a
   Defini¸˜o: Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de
          ca                              ca                          c
p ∈ I. Dizemos que p ´ ponto de inflex˜o do gr´fico de f se p ´ ponto de troca
                      e               a        a             e
de concavidade.

   Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o duas vezes deriv´vel, definida em
                                     ca                 a
uma vizinhan¸a de p ∈ I. Se p for ponto de inflex˜o do gr´fico de f ent˜o
            c                                   a       a            a
f (p) = 0.

    Demonstra¸˜o: Basta observarmos que se f (p) n˜o fosse zero ent˜o f
                ca                                a                a
seria convexa ou cˆncava em p.
                  o

   Observa¸˜o: A rec´
            ca          ıproca ´ falsa. Basta considerar por exemplo a fun¸˜o
                               e                                          ca
dada por f (x) = x4 e p = 0.

   Teorema ( Teste da Derivada Segunda) Seja f : I → R uma fun¸˜o  ca
                                ınua e p ∈ I.
duas vezes deriv´vel, com f cont´
                a
   a) Se f (p) = 0 e f (p) > 0 ent˜o p ´ um ponto de m´
                                  a    e              ınimo local.
   b) Se f (p) = 0 e f (p) < 0 ent˜o p ´ um ponto de m´ximo local.
                                  a    e              a

    Demonstra¸˜o:Provemos a) e deixemos b) como exerc´
                  ca                                         ıcio.
    Como f (p) > 0 e f ´ cont´
                           e      ınua ent˜o f (x) > 0 para x em uma vizinhan¸a
                                          a                                  c
de p. Logo f ´ crescente em uma vizinhan¸a de p. Desta forma f (x) < 0 `
                e                              c                               a
direita de p e f (x) > 0 ` esquerda de p. Pelo teste da derivada primeira segue
                          a
que p ´ ponto de m´
       e             ınimo local.




                                       44
6       O Teorema de Cauchy, A Regra de L’Hospital
        e A F´rmula de Taylor
             o
6.1      O Teorema de Cauchy
Nesta se¸˜o provamos duas generaliza¸˜es do Teorema do Valor M´dio:
        ca                          co                           e
   1) O Teorema de Cauchy. Este teorema nos dar´ a ferramenta necess´ria
                                                   a                     a
para estudarmos a famosa regra de L’Hospital para o c´lculo de limites envol-
                                                     a
vendo indetermina¸˜es e
                 co
   2) A F´rmula de Taylor para aproximarmos fun¸˜es por polinˆmios.
          o                                      co            o

      Teorema de Cauchy: Sejam f, g fun¸˜es tais que :
                                         co
      a) f, g s˜o cont´
               a      ınuas em [a, b] ;
      b) f, g s˜o deriv´veis em (a, b) ;
               a       a
      Ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que
          a

                     f (x0 ) [g (b) − g (a)] = g (x0 ) [f (b) − f (a)] .

      Demonstra¸˜o: Basta aplicarmos o Teorema de Rolle para a fun¸˜o dada
               ca                                                 ca
por

         F (x) = [f (x) − f (a)] [g (b) − g (a)] − [g (x) − g (a)] [f (b) − f (a)] .



      Observa¸˜es:
               co
      1) Se g (x) = 0 em (a, b) e g (b) = g (a) ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que
                                                   a

                                 f (b) − f (a)   f (x0 )
                                               =         .
                                 g (b) − g (a)   g (x0 )


   2)O TVM ´ um caso particular do Teorema de Cauchy. De fato, basta
               e
considerar g (x) = x.

6.2      A Regra de L’Hospital
Teorema: Sejam f, g fun¸oes definidas em algum intervalo aberto contendo a,
                         c˜
exceto possivelmente em a,e satisfazendo

                           lim f (x) = lim g (x) = 0 (ou ∞) .
                          x→a           x→a

   Se
   a) f, g s˜o deriv´veis nesse intervalo, exceto possivelmente em a, com g (x) =
            a       a
0 e g (x) = 0 e
   b) Existe
                                    f (x)
                                lim        =L∈R
                               x→a g (x)



                                              45
ou
                                       f (x)
                                 lim         = ∞.
                                 x→a   g (x)
     Ent˜o
        a
                                 f (x)       f (x)
                           lim         = lim       .
                           x→a   g (x) x→a g (x)
    Demonstra¸˜o: Provaremos apenas um caso particular. Vamos provar que
                ca
                                0
se a indetermina¸˜o for do tipo 0 ent˜o
                ca                   a

                                 f (x)       f (x)
                           lim         = lim       .
                          x→a+   g (x) x→a+ g (x)

   Vamos tamb´m supor que f e g s˜o cont´
               e                   a     ınuas em a.
   Neste caso a conclus˜o do teorema ´ uma consequˆncia direta do Teorema
                       a             e            e
de Cauchy. De fato, temos

                    f (x)       f (x) − f (a)       f (cx )
              lim         = lim               = lim         =∗
              x→a   g (x)   x→a g (x) − g (a)   x→a g (cx )


onde cx est´ entre a e x. Obviamente ao x → a temos cx → a e portanto
           a

                                              f (x)
                                 ∗ = lim            .
                                       x→a    g (x)




6.3     Aproxima¸˜o de Fun¸˜es por Polinˆmios: A F´rmula
                  ca      co            o         o
        de Taylor

Vamos provar mais uma generaliza¸˜o do TVM:
                                ca

   Teorema ( Teorema Estendido da M´dia): Seja f uma fun¸˜o definida
                                           e              ca
em um intervalo aberto I satisfazendo:
   1) f ´ n vezes deriv´vel em I com f (n) cont´
        e              a                       ınua em I;
   2) Existe f (n+1) em I.

                                         46
Ent˜o dados a, b em I, existe x0 ∈ (a, b) tal que
      a

                                         f (n) (a)        n  f (n+1) (x0 )        n+1
f (b) = f (a) + f (a) (b − a) + ... +              (b − a) +               (b − a)    .
                                             n!                (n + 1)!


   Demonstra¸˜o: Seja k a constante dada por
            ca

                                              f (n) (a)        n     k            n+1
  f (b) = f (a) + f (a) (b − a) + ... +                 (b − a) +          (b − a)
                                                  n!              (n + 1)!
   Vamos aplicar o Teorema de Rolle para a fun¸˜o
                                              ca

                                                f (n) (a)        n     k            n+1
φ (x) = f (b)−f (x)−f (a) (b − x)−...−                    (b − x) −          (b − x)    .
                                                    n!              (n + 1)!
   Temos
   a) φ ´ cont´
         e     ınua em [a, b] ,
   b) φ ´ deriv´vel em (a, b) e
         e      a
   c) φ (a) = φ (b) = 0.
   Logo, pelo Teorema de Rolle, existe x0 ∈ (a, b) tal que φ (x0 ) = 0. Calcu-
lando φ (x0 ) obtemos

                       f (n+1) (x0 )          n  k           n
                   −                 (b − x0 ) +    (b − x0 ) = 0
                            n!                   n!
e portanto
                                  k = f (n+1) (x0 ) .

   Defini¸˜o: A f´rmula
        ca      o

                                         f (n) (a)        n  f (n+1) (x0 )        n+1
f (x) = f (a) + f (a) (x − a) + ... +              (x − a) +               (x − a)
                                             n!                (n + 1)!
                                              ´
obtida do teorema na troca de b por x ´ dita FORMULA DE TAYLOR de
                                      e
ordem n de f com RESTO DE LAGRANGE.

   Defini¸˜o: O polinˆmio
        ca          o
                                        n
                                              f (i) (a)        i
                           pn,a (x) =                   (x − a)
                                        i=0
                                                  i!

e           ˆ
´ dito POLINOMIO DE TAYLOR de grau n de f em potˆncias de (x − a) .
                                                e

   Nota¸˜o: Denotamos
       ca

                                      f (n+1) (x0 )        n+1
                         Rn,a (x) =                 (x − a)
                                        (n + 1)!

                                              47
a diferen¸a entre f (x) e pn,a (x) . Chamamos tal diferen¸a de Resto de Lagrange.
         c                                               c

   Proposi¸˜o: Vale que
          ca

                                         Rn,a (x)
                                   lim          n = 0.
                                  x→a    (x − a)

   Demonstra¸˜o: Basta efetuarmos o c´lculo
            ca                       a
                                                                       f (n) (a)          n
    Rn,a (x)             f (x) − f (a) − f (a) (x − a) − ... −            n!       (x − a)
lim        n     =    lim                             n                                        =
x→a (x − a)          x→a                       (x − a)
                                                                         f (n) (a)            n−1
                            f (x) − f (a) − f (a) (x − a) − ... −        (n−1)!      (x − a)
                 =    lim                                    n−1                                     =
                     x→a                             n (x − a)
                                f (n) (a) − f (n) (a)
                 = ... = lim                          = 0.
                            x→a           n!



   A proposi¸˜o acima nos motiva a utilizarmos a seguinte nota¸˜o
            ca                                                ca

                                                 f (n) (a)        n           n
       f (x) = f (a) + f (a) (x − a) + ... +               (x − a) + o (x − a)                 (*)
                                                     n!
onde
                                                 n
                                         o (x − a)
                                                                        n
denota uma fun¸˜o que tende a zero mais r´pido que (x − a) ao x tender a a.
              ca                         a
                                             n
Dizemos que Rn,a (x) ´ ”o pequeno” de (x − a) .
                     e




   Proposi¸˜o:
            ca
   1) O polinˆmio pn,a (x) ´ o unico polinˆmio de grau n que satisfaz a igual-
              o            e ´              o
      (k)        (k)
dade pn,a (a) = f (a) , k = 0, 1, ..., n.
   2) Se f (x) = qn (x) + E (x) com qn (x) sendo um polinˆmio de ordem n e
                                                         o
                 n
E (x) = o (x − a) ent˜o qn (x) = pn,a (x) .
                      a

   Demonstra¸˜o:
              ca
   1) Suponhamos que
                                                                   n
                     p (x) = a0 + a1 (x − a) + ... + an (x − a)

´ um polinˆmio que satisfaz p(k) (a) = f (k) (a) , k = 0, 1, ..., n.
e         o

                                            48
f (k) (a)
    Para provarmos que p (x) = pn,a (x) basta provarmos que ak =                           k! , k       =
0, 1, ..., n. De fato,
                               p(k) (a) = k!ak
e portanto
                                              f (k) (a)
                                     ak =               .
                                                  k!
   2) Suponhamos que
                                                                         n
                    qn (x) = a0 + a1 (x − a) + ... + an (x − a)
                                                                               n
´ um polinˆmio que satisfaz E (x) = f (x) − qn (x) = o (x − a) . Provemos que
e         o
                                                                                   f (k) (a)
qn (x) = pn,a (x) . Para isso ´ suficiente mostrarmos que ak =
                              e                                                       k! .     De fato
temos
                                               n                                        f (n) (a)           n
        f (x) − a0 − ... − an (x − a)       f (x) − f (a) − ... −                          n!       (x − a)
0 = lim                    n          − lim                       n                                             =
    x→a            (x − a)              x→a               (x − a)
                                                                   f (n) (a)                        n
             (f (a) − a0 ) + (f (a) − a1 ) (x − a) + ... +            n!       − an (x − a)
   =   lim                                                  n
       x→a                                      (x − a)

                              f (k) (a)
e isto s´ ´ poss´ se ak =
        oe      ıvel             k!       para k = 0, 1, ..., n.

6.4    Desenvolvimentos Assint´ticos Limitados
                              o
Defini¸˜o: Seja f uma fun¸˜o definida em um intervalo aberto I, contendo a,
        ca                   ca
satisfazendo:
    1) f ´ n vezes deriv´vel em I com f (n) cont´
         e              a                       ınua em I;
    2) Existe f (n+1) em I.
    A express˜o
              a

                                                    f (n) (a)        n           n
       f (x) = f (a) + f (a) (x − a) + ... +                  (x − a) + o (x − a)
                                                        n!
´ dita DAL (Desenvolvimento Assint´tico Limitado) de ordem n de f em a.
e                                 o

   Observa¸˜o: De acordo com o que vimos na se¸˜o anteior o DAL de ordem
            ca                                ca
n de f em a ´ unico.
            e´


        ´                               ´
TABELA BASICA DE DESENVOLVIMENTOS ASSINTOTICOS
                   LIMITADOS

                         1      1       1
   1) exp (x) = 1 + x + 2 x2 + 6 x3 + 24 x4 + o x4 ; ∀x ∈ R.
                       1 2    1 3    1 4
   2) ln(1 + x) = x − 2 x + 3 x − 4 x + o x4 ; ∀x, −1 < x ≤ 1.
   3) sin (x) = x − 6 x3 + 120 x5 − 5040 x7 + 3621880 x9 + o x9 ; ∀x ∈ R.
                    1       1         1



                                              49
4) cos (x) = 1 − 1 x2 + 24 x4 − 720 x6 + 40 1 x8 + o x8 ; ∀x ∈ R.
                      2
                              1       1
                                                 320
                a           1                1
     5) (1 + x) = 1 + ax + 2 a (a − 1) x2 + 6 a (a − 1) (a − 2) x3 + o x3 ; ∀x, |x| <
1.
    6) tan (x) = x + 3 x3 + 15 x5 + 315 x7 + 2835 x9 + o(x9 ); ∀x, |x| < π .
                      1        2        17        62
                                                                         2
                   −1
    7) cot (x) = x − 3 x − 45 x − 945 x − 4725 x7 − 93 2 x9 + o x9 ; ∀x =
                          1        1 3      2  5      1
                                                              555
0, |x| < π.
    8) sec (x) = 1 + 2 x2 + 24 x4 + 720 x6 + 8064 x8 + o x8 ; ∀x, |x| < π .
                     1        5        61        277
                                                                          2
    9) csc (x) = x−1 + 1 x + 360 x3 + 1531 x5 + 604 800 x7 + o x7 ; ∀x = 0, |x| < π.
                        6
                                7
                                           120
                                                     127
                          1        3        5        35
    10)arcsin (x) = x + 6 x3 + 40 x5 + 112 x7 + 1152 x9 + o x9 ; ∀x, |x| < 1.
                     1            1 3    3 5       5     35
    11)arccos (x) = 2 π − x − 6 x − 40 x − 112 x7 − 1152 x9 + o x9 ; ∀x, |x| < 1.
                           1 3     1 5     1 7    1 9
    12)arctan (x) = x − 3 x + 5 x − 7 x + 9 x + o x9 ; ∀x ∈ R.

  Observa¸˜o: Com os desenvolvimentos assint´ticos acima podemos deduzir
            ca                                  o
uma s´rie de outros. Considere os seguintes exemplos:
     e
  1) f (x) = sin (3x) para x em uma vizinhan¸a de 0 :
                                              c
                                                  9
                                   sin (3x) = 3x − x3 + o x3 .
                                                  2
                                                                              π
     2) f (x) = sin (x) para x em uma vizinhan¸a de
                                              c                               2   :
                                                         π
                                    y    = x−
                                                         2
                                                                  π
                           sin (x)       =       sin y +              = cos (y)
                                                                  2
                                                    1     1
                           cos (y)       =       1 − y2 + y4 + o y4
                                                    2    24
e assim
                                                 2                        4                       4
                           1         1                    1         1                       1
          sin (x) = 1 −            x− π              +            x− π        +o          x− π        .
                           2         2                   24         2                       2
                   √
     3) f (x) =        a2 + x para x em uma vizinhan¸a de 0 :
                                                    c
                                             1
                                    x        2
       a2 + x = |a| 1 +
                                    a2
               1
          x    2                1        1                             1 3         5
     1+            = 1+             x+ − 4                    x2 +         x + −                 x4 + o x4
          a2                   2a 2     8a                            16a6       128a8
e assim
                     1         1         1 3           5
     a2 + x = |a| +     x + − 4 x2 +         x + −           x4 + o x4                                       .
                    2a2       8a        16a6         128a8
                    √
     4) f (x) = x2 − x4 − x3 para x em uma vizinhan¸a do ∞ :
                                                   c
                                                                                      1

                               2                              2         1             2
                           x −          x4   −   x3   =x          1− 1−
                                                                        x


                                                          50
e assim
                      x   1   1.3 1         1.3..... (2n − 1) 1         1
x2 −      x4 − x3 =     + 2 + 3     + ... +                       +o          .
                      2 2 2! 2 3! x                2n n!     xn−2      xn−2

              ´                         ¸˜
           O CALCULO OPERACIONAL DA RELACAO o :
    Seja f, g, h definidas em um intervalo aberto contendo x0 . Utilizando as
propriedades operacionais de limites prova-se com facilidade as seguintes pro-
priedades:
                                                 f (x)+g(x)
   1) f = o (g) ⇒ f + g ∼ g, isto ´ lim
                                  e                  g(x)     = 1.
                                         x→x0
   2)   g = o (f ) , h = o(f ) ⇒ (g ± h) = o (f ) .
   3)   h = o (f ) , f = o (g) ⇒ h = o (g) .
   4)   g = o (f ) ⇒ kg = o (f ) , ∀k ∈ R, k = 0.
   5)   g = o (f ) ⇒ gh = o (f h) , h = o f .
                                    g
                                             h
   6)   g = o (f ) , h limitada ⇒ gh = o (f ) .

   Deixamos como exerc´ a prova das propriedades acima.
                      ıcio




       ¸˜                              ´
  OPERACOES COM DESENVOLVIMENTOS ASSINTOTICOS

   SOMA: Adiciona-se as parcelas conhecidas, como a adi¸˜o de polinˆmios,
                                                              ca   o
e utiliza-se o c´lculo operacional da rela¸˜o o. Por exemplo:
                a                         ca
                       1      1 5     1 7        1
           sin x = x − x3 +     x −      x +          x9 + o x9
                       6    120     5040      362 880
                       1     1      1 6       1
           cos x = 1 − x2 + x4 −       x +        x8 + o x8
                       2    24     720     40 320
                          1     1      1      1 5       1 6
   sin x + cos x = 1 + x − x2 − x3 + x4 +        x −       x + o x6
                          2     6     24     120       720

   PRODUTO: Para ilustrar como operamos com o produto considere o
seguinte exemplo:
           f (x) = sin x cos x
                        1       1 5      1 7       1
           sin x = x − x3 +        x −      x +         x9 + o x9
                        6      120     5040     362 880
                        1      1       1 6      1
           cos x = 1 − x2 + x4 −          x +        x8 + o x8
                        2      24     720     40 320

                                            51
Montamos uma tabela colocando na horizontal os coeficientes do desenvolvi-
mento do sin x e na vertical os coeficientes de cos x. Em seguida efetuamos os
produtos dos coeficientes
                                               1       1
                            0      1   0  −6 0       120       0
                                               1       1
                        1   0      1   0  −6 0       120       0
                        0   0      0   0       0 0       0     0
                       −1
                        2   0  −1  2   0      1
                                             12  0     1
                                                   − 240       0
                        0   0      0   0       0 0       0     0
                        1         1          1        1
                       24   0    24    0 − 144 0    2880       0
                       0    0      0   0       0 0       0     0
                     1           1          1        1
                  − 720     0 − 720    0 4320 0 − 86400        0
   Assim temos
                                                 1      1
sin x cos x = 0 + (1 + 0) x + (0 + 0 + 0) x2 + − + 0 − + 0 x3
                                                 6      2
                                             1       1      1
              + (0 + 0 + 0 + 0 + 0) x4 +        +0+    +0+    + 0 x5 + o x5
                                            120     12     24
e assim
                                        2     2
                       sin x cos x = x − x3 + x5 + o x5 .
                                        3    15

           ˜
    DIVISAO: Fazemos a divis˜o dos desenvolvimentos assint´ticos utilizando
                                a                           o
o processo de divis˜o de polinˆmios mas com ordem crescente das potˆncias de
                   a          o                                    e
x, truncando-se a divis˜o quando atingida o ordem pedida. Por exemplo vamos
                       a
obter o desenvolvimento de f (x) = tan x :

                    sin x          6
                                         1
                             x − 1 x3 + 120 x5 −       1   7
                                                     5040 x + o x
                                                                   7
             tan x =       =                                           =
                    cos x            2
                                          1
                              1 − 1 x2 + 24 x4 −      1   6      6
                                                     720 x + o (x )
                         1       2
                  = x + x3 + x5 + O x6
                         3      15
    Exemplos:
                                          1
    1) Determine f (4) (0) de f (x) = 1−3x+x2 . Podemos resolver este problema
utilizando o processo acima, isto ´ efetuando a divis˜o dos DAL’s:
                                   e                 a
                    1
                           = 1 + 3x + 8x2 + 21x3 + 55x4 + o x4
               1 − 3x + x2
e assim temos que
                                   f (4) (0)
                                             = 55
                                       4!
e portanto
                                 f (4) (0) = 1320.
   2) Podemos utilizar DAL’s para calcularmos limites. Calculemos por exem-
plo lim sinx3 .
           x−x
   x→0


                                        52
Temos
                               x3                      3
          sin x − x       x−   6    + o x3 − x       − x + o x3
                                                       6          1
      lim           = lim                      = lim            =− .
      x→0     x3      x→0            x3          x→0     x3       6

7     Primitiva¸˜o
               ca
7.1    Introdu¸˜o e Opera¸˜es Elementares
              ca         co
Nesta se¸˜o vamos introduzir o conceito de primitiva.
        ca
   Encontrar uma primitiva de uma fun¸˜o f ´ encontrar uma fun¸˜o F que
                                        ca     e              ca
tenha como derivada a fun¸˜o f.
                         ca

    Defini¸˜o:Sejam f : I → R, F : I → R fun¸˜es definidas em uma uni˜o de
           ca                                  co                  a
intervalos abertos. Dizemos que F ´ uma PRIMITIVA de f se F for deriv´vel
                                  e                                  a
e
                            F (x) = f (x) , ∀x ∈ I.
    Teorema: Se F : I → R e G : I → R s˜o primitivas de f : I → R ent˜o
                                         a                           a
existe k ∈ R tal que
                       F (x) = G (x) + k, ∀x ∈ I.
    Demonstra¸˜o: Provemos inicialmente que
             ca
                      h (x) = 0, ∀x ∈ I ⇒ h ´ constante.
                                            e
    De fato, dados x1 < x2 em I, aplicando o TVM em [x1 , x2 ] temos que
                               h (x2 ) − h (x1 )
                                                 =0
                                   x2 − x1
e portanto h (x1 ) = h (x2 ) . Logo h ´ constante em I.
                                      e
   Para provarmos o teorema basta aplicarmos o que acabamos de provar para
                                    h = F − G.



    Defini¸˜o: Dada f : I → R, o processo de determinar todas as suas primi-
           ca
      e               ¸˜
tivas ´ dito PRIMITIVACAO e a fun¸˜o dada por
                                  ca
                                     F (x) + k,
onde F ´ uma primitiva de f e k ´ uma constante, ´ dita PRIMITIVA GERAL
        e                       e                e
de f . Denotamos
                               f (x) dx = F (x) + k


    Teorema: Sejam F e G primitivas de f e g , respectivamente, em I. Vale:
    a) F ± G ´ primitiva de f ± g.
             e
    b) kF ´ primitiva de kf , onde k ∈ R.
          e
    Demonstra¸˜o: Imediato.
                ca

                                        53
7.2     Primeiro M´todo de Substitui¸˜o
                  e                 ca
Teorema: Sejam f, g, F fun¸˜es tais que :
                           co
  a) Im(g) ⊆Dom(f ) ;
  b) g ´ deriv´vel;
        e     a
  b) F ´ primitiva de f.
         e
  Ent˜o F (g (x)) ´ primitiva de f (g (x)) g (x) .
      a             e
  Demonstra¸˜o: Basta calcularmos (F (g (x))) :
               ca

              (F (g (x))) = F (g (x)) .g (x) = f (g (x)) .g (x) .


           ca ´
    Observa¸˜o: E usual a ado¸˜o do seguinte esquema pr´tico
                             ca                        a
                        u = g (x)
                      du
                          = g (x)
                      dx
                 g (x) dx = du

         f (g (x)) g (x) dx =      f (u) du = F (u) + k = F (g (x)) + k.


7.3     Primitiva¸˜o por Partes
                 ca
Teorema: Sejam f, g fun¸˜es deriv´veis. Se existirem as primitivas
                       co        a

                                  f (x) g (x) dx

e
                                  f (x) g (x) dx

ent˜o
   a
                 f (x) g (x) dx = f (x) g (x) −    f (x) g (x) dx.

             ca ´
   Demonstra¸˜o: E imediato. Basta lembrarmos da derivada do produto de
duas fun¸˜es
        co
               (f (x) g (x)) = f (x) g (x) + f (x) g (x) .


           ca ´
    Observa¸˜o: E usual a ado¸˜o do seguinte esquema pr´tico
                             ca                        a
                        u   = f (x) , v = g (x)
                       du   = f (x) dx, dv = g (x)dx
fornecendo a f´rmula
              o
                                udv = uv −    vdu.




                                      54
7.4      Primitiva¸˜o de Fun¸˜es Racionais
                  ca        co
Antes de apresentarmos a t´cnica vamos falar um pouco sobre os polinˆmios.
                          e                                         o
   Qualquer polinˆmio
                 o
                       q (x) = xm + bm−1 xm−1 + ... + b1 x + b0
pode ser escrito como
                         r                     rk                      s1                        sj
       q (x) = (x − α1 ) 1 ... (x − αk )             x2 + β1 x + γ1         ... x2 + βj x + γj
onde
                                  k                         j
                                          ri        +2           si   =m
                                 i=1                       i=1
e os fatores s˜o distintos entre si. Al´m disso
              a                        e
                                      2
                               (βi ) − 4γi < 0, i = 1, ...., j.
   Os fatores
                                x2 + βi x + γi , i = 1, ...., j
s˜o chamadas de fatores quadr´ticos irredut´
 a                              a            ıveis.
    O problema que queremos resolver nesta se¸˜o ´ o c´lculo de primitivas de
                                                  ca e   a
fun¸˜es racionais
    co
                                      p (x)
                                            dx.
                                      q (x)
    Vamos supor que o grau do polinˆmio p (x) ´ menor que o grau do polinˆmio
                                     o           e                       o
q (x) . Caso isso n˜o ocorra, efetuamos a divis˜o de p por q e obtemos :
                   a                            a
                                   p (x)           r (x)
                                         = t (x) +
                                   q (x)           q (x)
onde t (x) , r(x) s˜o polinˆmios e o grau de r (x) ´ menor que o grau de q (x) .
                   a       o                       e
   Sendo p (x) e q (x) polinˆmios com
                             o
                        r                      rk                      s1                        sj
      q (x) = (x − α1 ) 1 ... (x − αk )             x2 + β1 x + γ1          ... x2 + βj x + γj        ,
                                                                                         p(x)
grau de q (x) igual a m e grau de p (x) menor que m, temos que                           q(x)   pode ser
decomposto em fra¸˜es simples
                   co
p (x)             a11               a1r1                  ak1               akrk
          =              + ... +          r1 + ... +             + ... +          r  +
q (x)          (x − α1 )         (x − α1 )             (x − αk )         (x − αk ) k
                   b11 x + c11              b1s x + c1s1
              + 2                + ... + 2 1             s    + ... +
                 x + β1 x + γ1           (x + β1 x + γ1 ) 1
                   bj1 x + cj1              bjs x + cjsj
              + 2                + ... + 2 j             s
                 x + βj x + γj           (x + βj x + γj ) j
onde al,m , bp,q e cr,s s˜o coeficientes que devem ser determinados algebricamente.
                         a
    Desta forma o c´lculo da primitiva reduz-se ao c´lculo das primitivas das
                        a                                 a
fra¸˜es parciais.
   co



                                                      55
Resolu¸˜o das Primitivas que aparecem nas Fra¸˜es Parciais
          ca                                     co


   CASO I
                                              dx
                                             x−α
   Nas se¸˜es anteriores j´ vimos que a substitui¸˜o
         co               a                      ca

                                     u=x−α

resolve
                                  dx
                                     = ln |x − α| + k.
                                 x−α
   CASO II
                                            dx
                                                n
                                         (x − α)
   Da mesma forma que o anterior obtemos
                            dx               1
                                n =                n−1 + k.
                         (x − α)    (n − 1) (x − α)

   CASO III
                                         bx + c
                                                  dx.
                                    x2   + βx + γ
   Inicialmente fazemos
               bx + c                 1                  x
                        dx = c               dx + b             dx =
          x2   + βx + γ          x2 + βx + γ        x2 + βx + γ

                           = b (TIPO A) + c ( TIPO B)

   Vejamos como calcular as primitivas dos tipos A e B:

   TIPO A: Inicialmente completamos o quadrado
                                                          2            2
                                                      β            β
               x2 + βx + γ   = x2 + βx +                      −            +γ =
                                                      2            2
                                              2
                                         β            4γ − β 2
                             =     x+             +            .
                                         2               4




                                             56
Assim
                 1                                         1
                        dx =                               2                dx =
            x2 + βx + γ                                β           4γ−β 2
                                                x+     2       +     4
                                                           1
                               =               (2x+β)2
                                                                         dx =
                                                               4γ−β 2
                                                  4        +     4
                                                                      1
                               =       4                                             2
                                                                                              dx =
                                                                      √2x+β
                                                (4γ −      β2)              2
                                                                                         +1
                                                                          4γ−β

                                          4                               1
                               =                                                          dx = ∗
                                       4γ − β 2                                  2
                                                                   √2x+β
                                                                                     +1
                                                                     4γ−β 2


   Fazemos a substitui¸˜o
                      ca
                                                   2x + β
                                   u       =
                                                      4γ − β 2
                                                        2
                               du          =                        dx
                                                      4γ − β 2
e obtemos
                              4                       1            4γ − β 2
                  ∗ =                                                       du =
                           4γ − β 2              u2   +1             2
                               2
                       =                        arctan u + k =
                               4γ − β 2
                                 2                             2x + β
                       =                        arctan                        + k1 .
                               4γ −        β2                    4γ − β 2
   TIPO B: Temos
           x                      2x + β − β
                  dx =                         dx =
    x2   + βx + γ              2 (x2 + βx + γ)
                           1         2x + β        β          1
                       =           2 + βx + γ
                                              dx −       2 + βx + γ
                                                                     dx =
                           2      x                2    x
                           1         2x + β            β               2x + β
                       =                      dx −            arctan             .
                           2      x2 + βx + γ        4γ − β 2           4γ − β 2
   Resta calcularmos
                                              2x + β
                                                       dx.
                                           x2 + βx + γ
   Temos
                                u = x2 + βx + γ
                               du = (2x + β) dx

                                                  57
e assim
                          2x + β                    1
                                   dx =               du = ln |u| + k2 =
                       x2 + βx + γ                  u
                                      =          ln x2 + βx + γ + k2 .

   Assim
           x          1                                      β                      2x + β
                  dx = ln x2 + βx + γ −                                 arctan                  + k2
    x2   + βx + γ     2                                    4γ −    β2               4γ − β 2

e finalmente temos a f´rmula
                     o
                        bx + c                   2                      2x + β
                                 dx = c                     arctan                  +
                     x2 + βx + γ            4γ − β 2                     4γ − β 2
                   1                         β                       2x + β
          +b         ln x2 + βx + γ −                     arctan                     +k =
                   2                       4γ −      β2                 4γ − β 2
        b                       2c                    β                     2x + β
   =      ln x2 + βx + γ + (−b + )                               arctan                       +k =
        2                       β                    4γ −   β2               4γ − β 2
                   b                  (2c − bβ)                         2x + β
               =     ln x2 + βx + γ +            arctan                             + k.
                   2                    4γ − β 2                        4γ − β 2


   CASO IV:
                                        bx + c
                                                 n dx.
                                    (x2 + βx + γ)
   Inicialmente fazemos
              bx + c                         x                                      1
                       n dx = b                    n dx + c                               n dx
        (x2   + βx + γ)             (x2   + βx + γ)                       (x2    + βx + γ)
   Temos
                 x                        2x + β          β                         1
                       n dx =                      n dx −                                 n dx
        (x2   + βx + γ)           2 (x2   + βx + γ)       2                (x2   + βx + γ)
   Assim
        bx + c                  b       2x + β              bβ                                   1
                 n dx =               2 + βx + γ)n
                                                   dx + c −                                            n dx =
  (x2   + βx + γ)               2   (x                       2                          (x2   + βx + γ)
                                b                  bβ
                           =      (TIPO C) + c −       (TIPO D) .
                                2                   2

   TIPO C: Fazemos

                                   u = x2 + βx + γ
                                  du = (2x + β) dx

                                            58
e assim
                 2x + β                  1             1
                          n dx =           du =               + k1 =
             (x2 + βx + γ)              un       (1 − n) un−1
                                                  1
                                =                              + k1 .
                                     (1 − n) (x2 + βx + γ)n−1

   TIPO D: Inicialmente escrevemos
                                                             2
                                                2x + β
                    x2 + βx + γ = −             √                +1
                                        4         −
e assim
                                                n
                     1                      4                      1
                2 + βx + γ)n
                             dx =    −                                          n dx.
              (x                                            2x+β
                                                                       2
                                                            √
                                                              −
                                                                           +1

   Fazemos
                                            2x + β
                               u    =       √
                                              −
                                              2
                              du    =       √     dx
                                              −
e obtemos
                                                n   √
                   1                        4           −                  1
              2 + βx + γ)n
                           dx =         −                                      n du =
            (x                                          2          (u2     + 1)
                                                    2n−1
                                            2                        1
                               =        √                                n du.
                                            −                    (u2 + 1)
   Para o c´lculo desta ultima usamos uma f´rmula de redu¸˜o
           a            ´                  o             ca
              1            1         u        3 − 2n                            1
                  n du =                    +                                       n−1 du.
          (u2 + 1)       2n − 2 (u2 + 1)n−1   2 − 2n                   (u2   + 1)

7.5   Segundo M´todo de Substitui¸˜o
               e                 ca
Teorema: Sejam f : I → R e g : J → I tais que g ´ invers´ e deriv´vel. Se
                                                e       ıvel     a
F (t) ´ uma primitiva de
      e
                             f (g (t)) .g (t)
em J ent˜o F g −1 (x) ´ uma primitiva de f em I.
        a             e
   Demonstra¸˜o: Basta calcularmos a derivada de F g −1 (x) :
             ca

             F ◦ g −1 (x) = F       g −1 (x)        g −1 (x) =
                                                                             1
                           = f g g −1 (x)            g g −1 (x)                  =
                                                                           g (t)
                                                  1
                           = f (x) g (t)              =
                                                g (t)
                           = f (x) .

                                        59
ca ´
   Observa¸˜o: E usual a ado¸˜o do seguinte esquema pr´tico
                            ca                        a

                           PROBLEMA:                 f (x) dx

                                x = g (t) , conveniente
                                    dx = g (t) dt

                     f (x) dx =         f (g (t)) g (t) dt = F (t) + k

                              f (x) dx = F g −1 (x) + k

                     Primitivas de Fun¸˜es Irracionais
                                      co

   Sendo R (x, y) uma fun¸˜o racional nas vari´veis x,y e pn (x) um polinˆmio
                         ca                   a                          o
de grau n ent˜o vale que
             a

                                   R x,       pn (x) dx

´ elementar se e somente se n = 0, 1 ou 2. Este resultado ´ conhecido como
e                                                           e
Teorema de Hermite.
    1o Caso: Se n = 0 ent˜o a fun¸˜o ´ uma fun¸˜o racional.
                         a       ca e         ca

   2o Caso: Se n = 1 ent˜o
                        a
                                               √
                       R x,       p1 (x) = R x, ax + b .

   Neste caso o segundo m´todo de substitui¸˜o pode ajudar:
                         e                 ca

                                        t2 = ax + b.

   3o Caso: Se n = 2 e f envolve radicais do tipo

                                           a2 − x2

a dica ´ fazer a substitui¸˜o
       e                  ca
                                        x = a sin t.
   Neste caso quando voltarmos para a vari´vel x usamos que
                                          a
                                              x
                                sin t    =
                                              2
                                              √
                                                  a2 − x2
                                cos t    =                .
                                                    a
   4o Caso: Se n = 2 e f envolve radicais do tipo

                                           a2 + x2

                                             60
a dica ´ fazer a substitui¸˜o
       e                  ca
                                         x = a tan t.
   Neste caso quando voltarmos para a vari´vel x usamos que
                                          a
                                      √
                                        a2 + x2
                           sec t =
                                          a
                                      x
                           tan t =
                                      a
   5o Caso: Se n = 2 e f envolve radicais do tipo

                                             x2 − a2

a dica ´ fazer a substitui¸˜o
       e                  ca
                                         x = a sec t.

   Neste caso quando voltarmos para a vari´vel x usamos que
                                          a
                                                  x
                                 sec t       =
                                                  a
                                                  √
                                                      x2 − a2
                                 tan t       =
                                                        a
                                                                   p
                   Primitivas do Tipo                  xm (a + bxn ) dx


   Uma primitiva do tipo

                                         p
                        xm (a + bxn ) dx; m, n, p ∈ Q; a, b ∈ R

´ elementar se
e
                                m+1 m+1
                          {p,      ,    + p} ∩ Z = ∅.
                                 n   n

   Este resultado ´ conhecido como Teorema de Chebyshev.
                  e

   1o Caso: Se p ∈ Z ent˜o usamos a substitui¸˜o
                        a                    ca

                                             x = tN

onde N ´ o m´
       e    ınimo m´ltiplo comum dos denominadores de m e n.
                   u


                 m+1
   2o Caso: Se    n    ∈ Z ent˜o usamos a substitui¸˜o
                              a                    ca

                                    a + bxn = xN

onde N ´ o denominador de p.
       e

                                                 61
m+1
     3o Caso: Se    n    + p ∈ Z ent˜o usamos a substitui¸˜o
                                    a                    ca
                                       a
                                         + b = tN
                                      xn
onde N ´ o denominador de p.
       e


             Primitivas de Fun¸˜es Racionais que envolvem ex
                              co


     A dica que damos para este tipo de primitiva ´ a substitui¸˜o
                                                  e            ca

                                        x = ln t.



     Primitivas com fra¸˜es envolvendo potˆncias de seno e co-seno:
                       co                 e


     A dica ´ considerar a substitui¸˜o
            e                       ca

                                     x = 2 arctan t.

     Alguns casos particulares:
     1) Se
                       R (− sin x, cos x) = −R(sin x, cos x)
ou
                          R (sin x, − cos x) = −R(sin x, cos x)
pode-se usar
                                 t = cos x ou t = sin x.
     2) Se
                          R (− sin x, − cos x) = R(sin x, cos x)
pode-se usar
                                      x = arctan t.


8      A Integral de Riemann
8.1     Introdu¸˜o e Defini¸˜o
               ca         ca
As no¸˜es de derivada e integral constituem o par de conceitos mais importantes
      co
do C´lculo Diferencial e Integral. A derivada est´ relacionada com a no¸˜o
     a                                              a                       ca
geom´trica de tangente e com a no¸˜o f´
     e                              ca ısica de velocidade.
   Veremos nas pr´ximas se¸˜es que a integral est´ relacionada a no¸˜o geom´trica
                  o         co                   a                 ca      e
de ´rea e com a id´ia f´
   a              e ısica de trabalho.



                                           62
No final deste cap´ıtulo provaremos o Teorema Fundamental do C´lculo que
                                                                 a
relaciona estes dois conceitos aparentemente diversos.

   Defini¸˜o: Uma parti¸˜o de um intervalo [a, b] ´ um conjunto de pontos
        ca            ca                         e
                           P = {x0 , x1 , ..., xn } ⊂ [a, b]
satisfazendo
                           a = x0 < x1 < ... < xn = b.

   Observa¸˜o:
          ca
                                   n
                                       (xi − xi−1 ) = b − a.
                               i=1


   Nota¸˜es: Dada f : [a, b] → R limitada denotamos:
       co
                      m        = inf{f (x) |x ∈ [a, b]}
                      M        = sup{f (x) |x ∈ [a, b]}
                      mi       = inf{f (x) |x ∈ [xi−1 , xi ]}
                      Mi       = sup{f (x) |x ∈ [xi−1 , xi ]}
   A soma inferior de f relativamente a parti¸˜o P ´
                                             ca    e
                                            n
                         s (f, P ) =             mi (xi − xi−1 ) .
                                           i=1

   A soma superior de f relativamente a parti¸˜o P ´
                                             ca    e
                                            n
                        S (f, P ) =              Mi (xi − xi−1 ) .
                                           i=1

   ´
   E imediato que
                  m (b − a) ≤ s (f, P ) ≤ S (f, P ) ≤ M (b − a)
seja qual for a parti¸˜o de [a, b] .
                     ca
    Se f (x) ≥ 0 para todo x ∈ [a, b] ent˜o as somas inferior e superior s˜o
                                            a                                 a
valores aproximados, respectivamente por falta e por excesso, da ´rea da regi˜o
                                                                    a         a
limitada pelo gr´fico de f, pelo intervalo [a, b] e pelas retas x = a e x = b.
                 a

    Defini¸˜o: A integral inferior e a integral superior de uma fun¸˜o limitada
            ca                                                    ca
f : [a, b] → R s˜o definidas por
                a
                               b
                                   f (x) dx =         sup s (f, P )
                           a                           P
                           −
                           −
                            b
                                   f (x) dx =         inf S(f, P )
                           a                          P


                                                 63
Observa¸˜es:
            co
   A seguir listamos algumas propriedades que s˜o naturais do ponto de vista
                                               a
geom´trico. Deixaremos as demonstra¸˜es para o curso de An´lise Matem´tica.
     e                              co                     a          a
   1) Quando refinamos uma parti¸˜o a soma inferior n˜o diminui e a soma
                                  ca                   a
superior n˜o aumenta:
          a

                       P     ⊂ Q ⇒ s (f, P ) ≤ s (f, Q)
                       P     ⊂ Q ⇒ S (f, Q) ≤ S (f, P ) .

   2) A observa¸˜o anterior implica que para quaisquer parti¸˜es P, Q do inter-
                  ca                                         co
valo [a, b] e qualquer fun¸˜o limitada f : [a, b] → R tem-se
                          ca

                s (f, P ) ≤ s (f, P ∪ Q) ≤ S(f, P ∪ Q) ≤ S (f, Q)

e portanto
                                  s (f, P ) ≤ S (f, Q) .
   3) Dada f : [a, b] → R , se

                                    m ≤ f (x) ≤ M

para todo x ∈ [a, b] ent˜o
                        a
                                                     −
                              b                       b
              m (b − a) ≤         f (x) dx ≤              f (x) dx ≤ M (b − a) .
                             a                       a
                             −

    De fato, as desigualdades externas s˜o ´bvias e a do meio segue das ob-
                                        a o
serva¸˜es anteriores.
     co

    Defini¸˜o: Uma fun¸˜o limitada f : [a, b] → R diz-se integr´vel quando sua
           ca             ca                                      a
integral inferior e sua integral superior s˜o iguais. Esse valor comum chama-se
                                           a
integral de f e ´ indicado por
                 e
                                           b
                                               f (x) dx.
                                       a

   Interpreta¸˜o Geom´trica:
             ca          e
   Quando f ´ integr´vel , sua integral
            e       a
                                           b
                                               f (x) dx
                                       a

´ o n´mero real cujas aproxima¸˜es por falta s˜o as somas inferiores s (f, P ) e
e    u                            co             a
cujas aproxima¸˜es por excesso s˜o as somas superiores S (f, P ) .
                co                 a
    As aproxima¸˜es melhoram quando se refina a parti¸˜o P. Quando f (x) ≥ 0
                 co                                     ca
                                       b
para todo x ∈ [a, b] , a existˆncia de a f (x) dx significa que a regi˜o limitada
                              e                                      a
pelo gr´fico de f, pelo segmento [a, b] e pelas retas verticais x = a e x = b tem
       a
a
´rea e o valor da integral ´ por defini¸˜o a ´rea dessa regi˜o.
                           e          ca    a               a

                                                64
Exemplos:
    1) Seja f : [0, 1] → R definida por

                                                    0, x ∈ Q
                               f (x) =                        .
                                                    1, x ∈ Qc

    Temos, para qualquer parti¸˜o P de [0, 1] :
                              ca

                                             s(f, P ) = 0

e
                                         S(f, P ) = 1.
    Assim
                                             1
                                                 f (x) dx = 0
                                         0
                                         −
e
                                     −
                                      1
                                              f (x) dx = 1.
                                         0
    Logo f n˜o ´ integr´vel.
            a e        a

    2) Seja f : [a, b] → R definida por f (x) = k.
    Temos, para qualquer parti¸˜o P de [a, b] :
                                ca

                                s(f, P ) = k (b − a)

e
                                S(f, P ) = k (b − a) .
    Assim
                                     b
                                         kdx = k (b − a)
                                 a
                                 −
e
                                 −
                                  b
                                         kdx = k (b − a) .
                                 a
    Logo f ´ integr´vel e
           e       a
                                     b
                                         kdx = k (b − a) .
                                 a

    Defini¸˜o: Dizemos que um conjunto E ´ enumer´vel se existir uma bije¸˜o
          ca                              e       a                      ca
entre E e um subconjunto dos n´meros naturais. Em outras palavras os elemen-
                              u
tos de E podem ser listados:

                                  E = {e1 , e2 , ...}.


                                                    65
Alguns exemplos de conjuntos enumer´veis: vazio, qualquer conjunto finito,
                                      a
N, Z, Q.

   Teorema: Seja f : [a, b] → R limitada. Se D (f ) , conjunto dos pontos de
descontinuidade de f, for enumer´vel ent˜o f ´ integr´vel.
                                a       a    e       a

   O Teorema acima, cuja demonstra¸˜o ser´ omitida, ´ um caso particular
                                     ca      a         e
do Teorema de Riemann-Lebesgue que afirma que uma fun¸˜o ´ integr´vel se e
                                                         ca e      a
somente se o conjunto dos pontos de descontinuidade tem medida nula.
   Em particular,

    Corol´rio:Todas as fun¸˜es cont´
           a              co       ınuas em um intervalo fechado s˜o in-
                                                                  a
tegr´veis.
    a

8.2    Primeiras Tentativas de C´lculo de Integrais
                                a
A seguir enunciaremos um teorema que nos auxiliar´ no c´lculo de integrais.
                                                 a     a

   Teorema: Sejam f : [a, b] → R limitada e integr´vel ` Riemann e
                                                  a    a

                                 (b − a)              (b − a)                   (b − a)
   P = {x0 = a, x1 = a +                 , x2 = a + 2         , ..., xn = a + n         }
                                    n                    n                         n
uma parti¸˜o de [a, b] . Vale que
         ca
                            b                            n
                                                                         b−a
                                f (x) dx = lim                 f (ti )
                        a                  n→+∞
                                                         i=1
                                                                          n

onde ti ∈ [xi−1 , xi ] ´ um ponto qualquer.
                       e

   Exemplos:
   1) Sabemos que
                                        f : [a, b] → R
dada por f (x) = x2 ´ limitada e integr´vel em [a, b] . De fato, isto segue direto
                     e                 a
do fato de ser cont´
                   ınua.
   Calculemos
                                                b
                                                    x2 dx.
                                            a




                                                    66
i(b−a)
         Temos, pelo teorema anterior, usando ti = a +                                     n ,      que
     b                             n                                    2
                                                i (b − a)                   b−a
         x2 dx =             lim          a+                                    =
 a                          n→+∞
                                   i=0
                                                    n                        n
                                      n                                 n                            n                      3
                                          a2 (b − a)       2ai(b − a)2       i2 (b − a)
                =            lim                     +           2
                                                                       +                                                             =
                            n→+∞
                                    i=0
                                               n       i=0
                                                               n         i=0
                                                                                  n3
                                                      n                                      n                  3       n
                                    a2 (b − a)                          2a(b − a)2                        (b − a)
                =            lim                           1+                                     i+                            i2       =
                            n→+∞         n         i=0
                                                                            n2              i=0
                                                                                                             n3         i=0
                                                                                                                    3
                                    a2 (b − a)    2a(b − a)2 n (n − 1) (b − a) n (n + 1) (2n + 1)
                =            lim               n+                     +                                                                      =
                            n→+∞         n            n2         2        n3           6
                                                                               3
                                                       2           (b − a)
                = a2 (b − a) + a (b − a) +                                 =
                                                                       3
                            1 3 1 3
                =             b − a .
                            3    3


         2) Sabemos que
                                                  f : [a, b] → R
dada por f (x) = ex ´ limitada e integr´vel em [a, b] . De fato, isto segue direto
                     e                 a
do fato de ser cont´
                   ınua.
   Calculemos
                                                               b
                                                                   ex dx.
                                                           a

         Aplicando novamente o teorema anterior, usando ti = a + (i − 1) (b−a)
                                                                           n

                        b                          n
                                                                             (b−a)     b−a
                            ex dx =       lim              ea+(i−1)            n           =
                    a                     n→+∞
                                                  i=0
                                                                                        n
                                                                                   n
                                                       (b−a)         b−a                          (b−a)
                                   =      lim ea         n                             e(i−1)       n      =
                                          n→+∞                        n        i=0
                                                       (b−a)                     n
                                                  ea     n              b−a                 (b−a)
                                   =      lim         (b−a)
                                                                                       ei     n     = eb − ea .
                                          n→+∞
                                                  e     n                n     i=0


8.3         Propriedades das Integrais
Antes de listarmos as propriedades das integrais apresentamos algumas defini¸˜es
                                                                           co
complementares.




                                                                   67
Defini¸˜o: Dado f : [a, b] → R integr´vel definimos:
        ca                             a
                                      a
                             a)           f (x) dx =                    0.
                                  a
                                      a                                                 b
                             b)           f (x) dx = −                                      f (x) dx.
                                  b                                                 a




                              Propriedades das Integrais


   Consideremos f, g fun¸˜es integr´veis em [a, b] . Sejam c1 , c2 , c3 ∈ [a, b] e
                        co         a
k ∈ R. Valem:

   1) (f ± g) ´ integr´vel em [a, b] e
              e       a
                     b                                              b                                b
                         (f (x) ± g (x)) dx =                           f (x) dx ±                       g (x) dx.
                 a                                              a                                a



   2) kf ´ integr´vel em [a, b] e
         e       a
                                      b                                         b
                                          kf (x) dx = k                             f (x) dx.
                                  a                                         a



   3) Se f ≥ 0 em [a, b] ent˜o
                            a
                                                     b
                                                         f (x) dx ≥ 0.
                                                 a



   4) Se f ≤ g em [a, b] ent˜o
                            a
                                          b                                 b
                                              f (x) dx ≤                        g (x) dx.
                                      a                                 a



   5) |f | ´ integr´vel em [a, b] e
           e       a
                                          b                                 b
                                              f (x) dx ≤                        |f (x)| dx.
                                      a                                 a



   6) Se m ≤ f (x) ≤ M em [a, b] ent˜o
                                    a
                                                         b
                           m (b − a) ≤                       f (x) dx ≤ M (b − a) .
                                                     a


                                                              68
7) Se f = g a menos de um conjunto finito de pontos ent˜o
                                                            a
                                          b                            b
                                              f (x) dx =                   g (x) dx.
                                      a                            a



      8)
                            c2                           c3                      c2
                                 f (x) dx =                   f (x) dx +               f (x) dx.
                           c1                          c1                       c3


    N˜o iremos provar nenhuma das afirma¸˜es acima. Do ponto de vista
     a                                      co
geom´trico elas s˜o bem naturais. Para prov´-las precisar´
     e           a                         a             ıamos estudar as pro-
priedades de supremo e ´ınfimo e isso nos tomaria um bom tempo. Deixamos
para o curso de An´lise Matem´tica estas quest˜es.
                   a          a                o

      Exemplos:

      1) Provemos que
                                                   2
                                    1                           1          1
                                      ≤                                dx ≤ .
                                   11          1       x2     + 3x + 1     5

      Observe que para x ∈ [1, 2] temos que

                                          5 ≤ x2 + 3x + 1 ≤ 11

e assim
                                1        1         1
                                  ≤ 2           ≤ .
                               11   x + 3x + 1     5
      Integrando os trˆs lados obtemos a desigualdade desejada.
                      e

      2) Qual o erro de aproximar-se
                                                   100
                                                            e−x sin2 xdx
                                               0

por
                                                   10
                                                         e−x sin2 xdx?
                                               0
      Temos
                  100                               10                                 100
                        e−x sin2 xdx =                   e−x sin2 xdx +                      e−x sin2 xdx.
              0                                 0                                    10

      Assim o erro que precisa ser estimado ´
                                            e
                                                100
                                                         e−x sin2 xdx.
                                               10


                                                              69
Temos

                   0  sin2 x ≤ 1
                            ≤
                   0  e−x sin2 x ≤ e−x
                            ≤
                                    1         1
                  x ∈ [10, 100] ⇒ 100 ≤ e−x ≤ 10 ⇒
                                  e          e
                            −x   2      1
                    ⇒ 0 ≤ e sin x ≤ 10 .
                                       e
   Assim
                        100                                        100
                                                                                     90
                                e−x sin2 xdx ≤                           e−10 dx =       .
                       10                                         10                 e10

     Teorema do Valor M´dio Integral: Se f ´ uma fun¸˜o cont´
                                e          e        ca      ınua em
[a, b] ent˜o existe c ∈ [a, b] tal que
          a
                                      b
                                          f (x) dx = f (c) (b − a) .
                                  a

  Demonstra¸˜o: Como f ´ cont´
                ca               e    ınua em [a, b] ent˜o, pelo Teorema de
                                                        a
Weierstrass, existem x1 e x2 tais que

                        f (x1 ) ≤ f (x) ≤ f (x2 ) , ∀x ∈ [a, b] .

   Utilizando a propriedade 6) temos que
                                                   b
                 f (x1 ) (b − a) ≤                     f (x) dx ≤ f (x2 ) (b − a) .
                                               a
   Assim
                                               b
                                               a
                                                       f (x) dx
                              f (x1 ) ≤                         ≤ f (x2 ) .
                                                       b−a
   Pelo Teorema do Valor Intermedi´rio segue que existe c ∈ [a, b] tal que
                                  a
                                                         b
                                                         a
                                                             f (x) dx
                                          f (c) =                     .
                                                             b−a



8.4    O Teorema Fundamental do C´lculo
                                 a
Nesta se¸˜o faremos a conex˜o entre os conceitos de integral e de derivada.
        ca                 a

   Defini¸˜o: Seja f : [a, b] → R uma fun¸˜o integr´vel. A fun¸˜o F : [a, b] →
         ca                             ca        a          ca
R dada por
                                                              x
                                          F (x) =                 f (t) dt
                                                          a



                                                         70
¸˜ ´
´ chamada de INTEGRAL INDEFINIDA ou de FUNCAO AREA.
e

   Teorema: F ´ uma fun¸˜o cont´
              e        ca       ınua em [a, b] .
   Demonstra¸˜o: Sejam x, x0 ∈ [a, b] . Temos que
             ca
                                                      x
                         F (x) − F (x0 ) =                f (t) dt.
                                                    x0

   Como f ´ integr´vel ent˜o em particular f ´ limitada. Assim existem m, M ∈
           e      a       a                  e
R tais que
                 m (x − x0 ) ≤ F (x) − F (x0 ) ≤ M (x − x0 ) .
   Assim aplicando o Teorema do Sandu´
                                     ıche temos que

                              lim F (x) = F (x0 ) .
                             x→x0

   Observe que se x0 for extremo de intervalo ent˜o o limite ´ lateral.
                                                 a           e

   Teorema Fundamental do C´lculo: Seja f : I → R cont´
                                 a                    ınua, I intervalo
aberto contendo um ponto a. Ent˜o
                               a

                                    F :I→R

dada por
                                               x
                              F (x) =              f (t) dt
                                           a
´ deriv´vel e
e      a
                            F (x) = f (x) , ∀x ∈ I.

   Demonstra¸˜o: Basta mostrarmos que existe o limite
            ca

                                  F (x + h) − F (x)
                            lim                     .
                            h→0           h
   Temos
                                                           x+h
                   F (x + h) − F (x)            f (t) dt
               lim                   = lim x             =∗
               h→0         h           h→0      h
   Aplicando o Teorema do Valor M´dio Integral temos que
                                   e
                              x+h
                                    f (t) dt = f (cx ) h
                             x

onde cx est´ entre x e x + h. Logo
           a

                                        f (cx ) h
                            ∗ = lim               = f (x)
                                  h→0      h
j´ que f ´ cont´
 a       e     ınua em I.

                                          71
Corol´rio:Sejam
          a
   a) I ⊃ [a, b] um intervalo aberto;
   b) f : I → R uma fun¸ao cont´
                          c˜       ınua e
   c) g : I → R uma fun¸˜o deriv´vel satisfazendo
                         ca        a

                          g (x) = f (x) , ∀x ∈ [a, b] .

   Vale que
                               b
                                   f (t) dt = g (b) − g (a) .
                           a
   Demonstra¸˜o: O Teorema Fundamental do C´lculo nos fornece uma
                 ca                        a
primitiva de f :
                                                 x
                                   F (x) =           f (t) dt.
                                             a
   Como
                            F (x) = g (x) , ∀x ∈ I
segue que existe k ∈ R tal que

                                   g (x) = F (x) + k.

   Assim
                                                                     b
                  g (b) − g (a) = F (b) − F (a) =                        f (t) dt.
                                                                 a




    Observa¸˜o:
             ca
    1) Muitas vezes o teorema acima ´ chamado de 2o Teorema Fundamental do
                                     e
C´lculo. N˜o achamos muito conveniente esta nota¸˜o. O teorema acima ´ uma
  a        a                                      ca                    e
consequˆncia do Teorema Fundamental do C´lculo. Mais que isso ´ a principal
        e                                   a                    e
consequˆncia.
        e
    2) O corol´rio acima nos fornece um importante instrumento de c´lculo de
              a                                                      a
integrais. De fato, para calcularmos uma integral de uma fun¸˜o que possua
                                                              ca
primitiva elementar basta avaliarmos esta primitiva nos extremos do intervalo.




                                             72

Introducaoanalise

  • 1.
    1 O Conjunto dos N´ meros Reais u O primeiro conjunto num´rico que consideramos ´ o Conjunto dos N´ meros e e u Naturais. Este conjunto est´ relacionado com a opera¸˜o de contagem: a ca N = {0, 1, 2, 3, ...}. Admitiremos conhecidas as opera¸˜es usuais adi¸˜o e multiplica¸˜o em N co ca ca bem como os conceitos de n´meros pares, ´ u ımpares e primos. O processo de medi¸˜o de grandezas f´ ca ısicas nos conduzir´ ao conjunto de a n´meros reais. u Problema: Medir um segmento AB. Fixamos um segmento padr˜o u e vamos chamar sua medida de 1. a Dado um segmento AB , se u couber um n´mero exato de vezes em AB, u digamos n vezes, ent˜o dizemos que a medida de AB ser´ n. a a Claramente isto nem sempre ocorre. Defini¸˜o: Dizemos que um segmento AB e o segmento padr˜o u s˜o ca a a ´ COMENSURAVEIS se existir algum segmento w que caiba n vezes em u e m vezes em AB. Voltando ao nosso problema de medi¸˜o, se o segmento AB e o segmento ca padr˜o u forem comensur´veis , conforme a defini¸˜o acima, diremos que a a a ca a n a a 1 medida de AB ser´ m . A medida do segmento w ser´ ent˜o n . Isto nos motiva definirmos um conjunto num´rico que inclua todas estas e poss´ıveis medidas. Chamaremos este conjunto de Conjunto de N´ meros u Racionais Positivos: Q+ = { m |m, n ∈ N, n = 0}. n Alguns racionais representam as mesmas medidas. Por exemplo 2 e 1 . De 4 2 fato, se existe um semento w que cabe 2 vezes no segmento unit´rio ent˜o a a a metade deste segmento cabe 2 vezes nele e 4 vezes no segmento unit´rio. a Vamos ent˜o dizer que 1 = 2 . De um modo geral dizemos que m1 = m2 se a 2 4 n 1 n 2 m1 n2 = n1 m2 . Continuando com o problema da medi¸˜o nos deparamos com um grande ca problema. Nem sempre dois segmentos s˜o comensur´veis. De fato, considere- a a mos por exemplo a hipotenusa de um triˆngulo retˆngulo de catetos iguais a 1. a a Suponhamos que esta hipotenusa seja comensur´vel com o segmento unit´rio a a padr˜o u. a Ent˜o existiriam naturais n e m tais que a medida da hipotenusa seria a igual a m . Vamos supor que m e n sejam primos entre si, isto ´ , ´ imposs´ n e e ıvel simplificarmos mais esta express˜o. De acordo com o teorema de Pit´goras a a ter´ ıamos que m2 12 + 12 = 2 . n 2 2 2 Assim 2n = m e portanto m seria um n´mero par e portanto m tamb´m o u e seria. Logo existiria algum k ∈ N tal que m = 2k. Assim 4k 2 = 2n2 e portanto 1
  • 2.
    n2 = 2k2 o que implicaria que n tamb´m seria par. Note que isto ´ um absurdo. e e Este absurdo surgiu do fato de termos suposto que a medida da hipotenusa fosse um n´mero racional. u No entanto esta hipotenusa existe e ´ muito bem determinada em cima da e reta. Ampliamos o conceito de n´mero de tal forma que todos os segmentos u possuam uma medida associada. Introduzimos os chamados N´ meros Ir-u racionais, de tal modo que , fixando uma unidade de comprimento padr˜o, a qualquer segmento de reta tem uma medida num´rica. e 1.1 A Reta Real Fixamos uma reta e um ponto chamamos de origem 0. Escolhemos um outro ponto A, a direita da origem. Fixamos 0A como unidade de comprimento. Facilmente marcamos sobre a reta os n´meros naturais. u Na semi-reta da esquerda marcamos segmentos, com extremidade na origem, com as mesmas medidas dos segmentos que definem os naturais e associamos `s suas extremidades esquerdas n´meros com um sinal −. Formamos ent˜o o a u a chamado Conjunto dos N´ meros Inteiros: u Z = {..., −2, −1, 0, 1, 2, ...}. Em seguida marcamos todos os segmentos, com extremidade na origem, comensur´veis com o segmento o segmento padr˜o 0A. Os que ficarem ` direita a a a ser˜o associados aos racionais positivos e os que ficarem ` esquerda ganhar˜o a a a um sinal −. Definimos ent˜o o Conjunto dos N´ meros Racionais: a u m Q == { |m ∈ Z, n ∈ N, n = 0}. n Como vimos acima esta constru¸˜o n˜o ocupa todo o espa¸o existente na ca a c reta. Se pararmos por aqui nossa reta ficar´ com v´rios ”buracos”. A cada a a um destes buracos associamos um n´mero, que chamaremos de irracional . u Finalmente definimos o Conjunto dos N´ meros Reais: u R = {x|x ∈ Q ou x eirracional}. ´ Existe uma correspondˆncia biun´ e ıvoca entre os n´meros reais e os pontos da u reta. Mais precisamente, a cada n´mero real est´ associado um e somente um u a ponto da reta e a cada ponto da reta est´ associado um e somente um n´mero a u real. No que segue, n˜o distinguiremos pontos da reta e n´meros reais. a u ´ E claro que N ⊂ Z ⊂ Q ⊂ R. Dizemos que x ∈ R ´ positivo, e denotamos x > 0, se x estiver no lado e direito da reta; dizemos que x ´ negativo, e denotaremos x < 0 , se x estiver no e lado esquerdo da reta. As nota¸˜es ≥ e ≤ indicam, respectivamente maior ou co igual e menor ou igual. Vamos introduzir as opera¸˜es adi¸˜o e multiplica¸˜o em R. co ca ca Defini¸˜o: ca 2
  • 3.
    a) Sejam x1∈ R e x2 ≥ 0. Definimos x1 + x2 como o n´mero real associado u a ”ponta final” do segmento, orientado para direita, com extremidade inicial em x1 , e com medida igual a medida do segmento associado a x2 . b)Sejam x1 ∈ R e x2 ≤ 0. Marcamos na reta o seguinte ponto: com ex- tremidade inicial em x1 e orientado para o lado esquerdo, com medida igual a do segmento associado a x2 . O n´mero real associado a ”ponta final” deste u segmento ser´ chamado de x1 + x2 . a Defini¸˜o: ca a) Se x > 0 e y > 0 definimos o produto xy da seguinte forma: Tra¸amos c uma reta l formando um ˆngulo inferior a 90o com a reta real e passando a pela origem. Na reta real marcamos a unidade 1 e o n´mero y. Na reta l u marcamos o x. Consideramos a reta que passa por 1 e por x e chamamos de s. Da geometria sabemos que existe uma unica reta t paralela a s e que passa y. ´ Finalmente marcamos em l o ponto P , itersec¸˜o desta com t. Com a ponta ca seca do compasso em 0 e abertura igual a 0P marcamos na reta real o ponto Q. O n´mero real associado a este ponto ser´ chamado de xy. u a b) Nos demais casos ´ s´ mudar o sinal xy convenientemente: e o x y xy + − + − + − − − + Observa¸˜o: Se fixarmos nossa aten¸˜o para os n´meros racionais veremos ca ca u que as defini¸˜es acima coincidem com as tradicionais: co a c ad + bc + = b d bd a c ac . = . b d bd O conjunto R munido das opera¸˜es definidas acima forma o que chamamos co de CORPO. Mais precisamente , satisfaz as seguintes propriedades: 1) Associatividade da Adi¸˜o e da Multiplica¸˜o: ca ca (x + y) + z = x + (y + z), ∀x, y, z ∈ R (xy)z = x(yz), ∀x, y, z ∈ R 2) Comutatividade da Adi¸˜o e da Multiplica¸˜o: ca ca x+y = y + x, ∀x, y ∈ R xy = yx, ∀x, y ∈ R 3) Existˆncia de Elemento Neutro para a Adi¸˜o e para a Multiplica¸˜o: e ca ca x + 0 = x, ∀x ∈ R x.1 = x, ∀x ∈ R 3
  • 4.
    4) Existˆncia deOposto para Adi¸˜o: e ca ∀x ∈ R, ∃(−x) ∈ R tal que x + (−x) = 0. 5) Existˆncia de Inverso para a Multiplica¸˜o: e ca ∀x ∈ R{0}, ∃y ∈ R tal que xy = 1. 6) Distributividade da Multiplica¸˜o em Rela¸˜o ` Adi¸˜o: ca ca a ca x(y + z) = xy + xz, ∀x, y, z ∈ R. Defini¸˜o: Dizemos que x < y se y − x > 0. ca Dentro dos reais destacamos o conjunto dos reais positivos: R+ = {x ∈ R|x > 0}. Observe que as seguintes condi¸˜es s˜o satisfeitas: co a a) A soma e o produto de elementos positivos s˜o positivos. Ou seja a x, y ∈ R+ ⇒ x + y ∈ R+ e x.y ∈ R+ . b) Dado x ∈ R ou x = 0 ou x ∈ R+ ou −x ∈ R+ . As duas propriedades acima caracterizam o que chamamos de CORPO OR- DENADO. Como em qualquer outro corpo ordenado, rela¸˜o de ordem ” < ” goza das ca seguintes propriedades: 1) Transitiva: (x, y, z ∈ R, x < y, y < z) ⇒ x < z. 2) (Tricotomia) Quaisquer que sejam x e y ∈ R : x < y ou y < x ou x = y. 3) Compatibilidade da Ordem com a Adi¸˜o: ca (x, y, z ∈ R, x < y) ⇒ x + z < y + z. 4) Compatibilidade da Ordem com a Multiplica¸˜o: ca (x, y, z ∈ R, x < y, 0 < z) ⇒ xz < yz. Observa¸˜o: Note que as propriedades de corpo e as propriedades de corpo ca ordenado tamb´m s˜o satisfeiras para Q. Vamos agora destacar uma propriedade e a que ´ satisfeita por R mas n˜o por Q. e a 4
  • 5.
    Defini¸˜o:Dado um subconjuntoA ⊂ R dizemos que A ´ limitado se existe ca e K > 0 tal que x ∈ A ⇒ −K < x < K. Defini¸˜o:Dizemos que s ∈ R ´ o supremo de A se s for a menor das cotas ca e superiores de A : x ≤ s, ∀x ∈ A; x ≤ c, ∀x ∈ A ⇒ s ≤ c. Defini¸˜o:Dizemos que i ∈ R ´ o ´ ca e ınfimo de A se i for a maior das cotas inferiores de A : x ≥ i, ∀x ∈ A; x ≥ c, ∀x ∈ A ⇒ i ≥ c. O conjunto R satisfaz a propriedade: Axioma do Supremo: Todo conjunto limitado e n˜o vazio de n´meros a u reais possui um supremo e um ´ ınfimo real. Observemos que esta propriedade n˜o ´ satisfeita por Q. Considere o con- a e junto A = {x ∈ Q|0 < √2 < 2}. x O supremo de A ´ 2 que como vimos antes n˜o ´ um n´mero racional. e a e u A propriedade acima nos diz que o conjunto dos n´meros reais ´ um CORPO u e ORDENADO COMPLETO. Teorema dos Intervalos Encaixantes: Seja [a0 , b0 ] , [a1 , b1 ] , ..., [an , bn ] , ... uma sequˆncia de intervalos satisfazendo: e a) [a0 , b0 ] ⊃ [a1 , b1 ] ⊃ ... ⊃ [an , bn ] ⊃ ... b) Para todo r > 0 existe um natural n tal que bn − an < r. Ent˜o, existe um unico real c tal que para todo natural n a ´ an ≤ c ≤ bn . Demonstra¸˜o: Temos que A = {a0 , a1 , ...} ´ n˜o vazio e limitado superi- ca e a ormente. Seja ent˜o a c = sup A. ´ E claro que an ≤ c ≤ bn . Suponhamos que exista d , diferente de c satisfazendo an ≤ d ≤ bn . 5
  • 6.
    Neste caso ter´ ıamos |c − d| < bn − an , ∀n. Como a distˆncia bn − an aproxima-se de zero , ter´ a ıamos que c = d. Para completarmos esta se¸˜o vamos provar : ca Teorema a) Entre dois n´meros reais distintos sempre existe um n´mero irracional; u u b) Entre dois n´meros reais distintos sempre existe um n´mero racional. u u Demonstra¸˜o: Provemos a primeira afirma¸˜o. Sejam x e y dois n´meros ca ca u reais distintos. Sem perda de generalidade suponhamos x < y. Assim y − x > 0. Observe que ´ poss´ encontrarmos n´meros naturais n, m tais que e ıvel u n (y − x) > 1 √ m (y − x) > 2 (este fato ´ conhecido como Princ´ e ıpio de Arquimedes). Desta forma temos que 1 x < x+ <y n √ 2 x < x+ <y n √ e assim se x for irracional, assim ser´ x + n e se x for racional ent˜o x + n2 a 1 a ser´ irracional. De qual quer forma conseguimos encontrar um irracional entre a x e y. Provemos a segunda afirma¸˜o. Sejam x e y dois n´meros reais distintos. ca u Inicialmente observemos que se x < 0 < y ent˜o nada temos para provar pois 0 a ´ racional. Suponhamos 0 < x < y. Assim y − x > 0. Novamente aplicando o e princ´ıpio de Arquimedes encontramos um natural n tal que n(y − x) > 1 nx > 1 Seja j tal que j j+1 ≤x< n n Notemos que j+1 j 1 = + < x + (y − x) = y n n n Logo basta tomarmos j+1 . n Se x < y < 0 ent˜o 0 < −y < −x e pelo primeiro caso encontramos um a racional entre −y e −x. O sim´trico deste racional ser´ o racional procurado. e a 6
  • 7.
    Exerc´ıcios: As propriedadesque destacamos acima s˜o suficientes para a deduzirmos uma s´rie de outras, conforme os exerc´ e ıcios abaixo. 1) Prove que quaisquer que sejam os reais x, y, z x + z = y + z ⇒ x = y. 2) Prove que quaisquer que sejam os reais x, y, z, w 0≤x≤y ⇒ xz ≤ yw. 0≤z≤w 3) Prove que quaisquer que sejam os reais x, y, z, w tem-se: a)x < y ⇔ x + z < y + z. b)z > 0 ⇔ z −1 > 0. c)z > 0 ⇔ −z < 0. d)z > 0, x < y ⇔ xz < yz. e)z < 0, x < y ⇔ xz > yz. 0≤x<y f) ⇒ xz < yw 0≤z<w g)0 < x < y ⇒ 0 < y −1 < x−1 h)x < y ou x = y ou y < x. i)xy = 0 ⇔ x = 0 ou y = 0. 4) Suponha x ≥ 0 e y ≥ 0. Prove que: a)x < y ⇒ x2 < y 2 . b)x ≤ y ⇒ x2 ≤ y 2 c)x < y ⇔ x2 < y 2 . 1.2 Sequˆncias de N´ meros Reais e u Nesta se¸˜o estudaremos fun¸˜es reais de uma vari´vel real cujo dom´ ca co a ınio ´ um e subconjunto do conjunto dos n´meros naturais. Tais fun¸˜es recebem o nome de u co sequˆncias. N˜o daremos um tratamento anal´ e a ıtico completo ao assunto, apenas iremos introduzir o conceito e provaremos as principais propriedades. Defini¸˜o: Uma sequˆncia de n´meros reais ´ uma fun¸˜o ca e u e ca f :A⊂N →R 7
  • 8.
    Nota¸˜o: Denotamos (an) onde f (n) = an . Em geral apresentaremos a ca sequˆncia pela lei de defini¸˜o e consideraremos o dom´ e ca ınio como o maior sub- conjunto de N onde tem sentido a lei de defini¸˜o. ca Exemplos: 1) (an ) dada por an = n ´ a sequˆncia formada pelos n´meros 1, 1 , 3 , ... 1 e e u 2 1 2) (an ) dada por an = 2 ´ a sequˆncia constante 2, 2, 2, ... e e n 3) (an ) dada por an = (−1) ´ a sequˆncia 1, −1, 1, −1,... e e Defini¸˜o: Diz-se que uma sequˆncia (an ) converge para um n´mero L ou ca e u tem limite L se , dado qualquer n´mero ε > 0 , ´ sempre poss´ encontrar um u e ıvel n´mero natural N tal que u n > N → |an − L| < ε. Denotamos lim an = L ou an → L. n→+∞ Intuitivamente dizer que (an ) converge para L significa dizer que os termos da sequˆncia aproximam-se de L quando n cresce . e Exemplo: 1 A sequˆncia (an ) dada por an = n converge para 0. e De fato, dado ε > 0, tomamos N o primeiro n´mero natural maior que 1 e u ε temos que 1 1 n>N →n> → < ε. ε n Defini¸˜o: Quando uma sequˆncia n˜o converge diz-se que ela diverge ou ca e a que ´ divergente. e Exemplos: n 1) A sequˆncia (an ) dada por an = (−1) ´ divergente. De fato, seus termos e e oscilam entre −1 e 1. 2) A sequˆncia (an ) dada por an = n ´ divergente. De fato, seus termos e e crescem indefinidamente. Defini¸˜o: Uma sequˆncia (an ) ´ dita limitada se existir um n´mero real ca e e u K > 0 tal que |an | ≤ K, ∀n. Exemplos: 1 1) As sequˆncias dadas por an = n , an = cos n s˜o exemplos de sequˆncias e a e limitadas. 2) A sequˆncia (an ) dada por an = n2 n˜o ´ limitada. e a e Observa¸˜o: Ser limitada n˜o ´ o mesmo que ter limite. Se uma sequˆncia ca a e e for convergente ent˜o ela ser´ limitada mas nem toda sequˆncia limitada ´ con- a a e e n vergente. De fato, considere por exemplo a sequˆncia (an ) dada por an = (−1) . e 8
  • 9.
    Defini¸˜o: ca a e ´ 1) Se a1 < a2 < a3 < ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA CRESCENTE. ´ ˜ 2) Se a1 ≤ a2 ≤ a3 ≤ ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA NAO DECRES- a e CENTE. a e ´ 3) Se a1 > a2 > a3 > ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA DECRESCENTE. ´ ˜ 4) Se a1 ≥ a2 ≥ a3 ≥ ... ent˜o (an ) ´ dita MONOTONA NAO CRES- a e CENTE. Teorema: Toda sequˆncia mon´tona limitada ´ convergente. e o e Demonstra¸˜o:Vamos provar que toda sequˆncia n˜o decrescente e limi- ca e a tada converge para seu extremo superior e deixaremos os demais casos como exerc´ ıcio. Seja K > 0 tal que a1 ≤ a2 ≤ a3 ≤ ... ≤ K Assim temos que o conjunto {an |n ∈ N } ´ limitado superiormente.Pela propriedade do supremo temos que existe L ∈ R e tal que L = sup{an |n ∈ N }. Afirmamos que L = lim an . n→+∞ De fato , dado ε > 0 temos que L − ε n˜o ´ uma cota superior de {an |n ∈ N } a e e assim exite N > 0 tal que aN > L − ε e portanto n > N → L − ε < aN ≤ an < L < L + ε → |an − L| < ε. Uma importante aplica¸˜o: O n´ mero e ca u Vamos provar que: 1) A sequˆncia dada por e n 1 an = 1+ n ´ crescente e limitada e portanto convergente. e 2) Sendo (an ) convergente, escrevemos e = lim an n→∞ 9
  • 10.
    e provamos que2 < e < 3. 1) Inicialmente mostremos que a sequˆncia ´ crescente. e e Vamos provar que , para todo n temos an+1 > 1. an Temos n+1 n+1 n+1 1 n+2 n+2 1+ n+1 n+1 n+1 1 n = n+1 n = = 1+ n+1 n+1 n n n n n+1 n+1 n+1 n+2 n n2 +2n n+1 n+1 2 (n+1) = n = n = n+1 n+1 n+1 n+1 (n+1)2 −1 1 (n+1)2 1 − (n+1)2 = n = n =∗ n+1 n+1 Aplicando a desigualdade de Bernoulli em ∗ temos −1 1 + (n + 1) (n+1)2 1− 1 n+1 ∗> n = n = 1. n+1 n+1 Logo a sequˆncia ´ crescente. e e Provemos agora que a sequˆncia ´ limitada. Temos e e n 1 1 n(n − 1) 1 n (n − 1) ... (n − (k − 1)) 1 1 1+ = 1 + n. + . 2 + ... + + ... + n = n n 2 n k! nk n 1 1 1 1 2 k−1 = 1+1+ 1− + ... + (1 − )(1 − )... 1 − + 2 n k! n n n 1 1 2 n−1 ... + (1 − )(1 − )... 1 − n! n n n Por indu¸˜o ´ f´cil provar que ca e a 1 1 ≤ n−1 , ∀n ∈ N. n! 2 Assim n n 1 1 1 1− 1 2 1+ ≤1+1+ + .... + n = 1 + < 3. n 2 2 1− 1 2 Conclu´ ımos que n 1 2< 1+ < 3. n 10
  • 11.
    2) 1 n Como 1+ n ´ convergente escrevemos e n 1 e = lim 1+ . n→∞ n 2 Limites de Fun¸˜es Reais Definidas em Inter- co valos 2.1 Introdu¸˜o ca Neste cap´ıtulo introduziremos o conceito de limite. Restringiremos nosso es- tudo para as fun¸˜es reais definidas em intervalos. Deixaremos para o curso de co An´lise Matem´tica o estudo de limites quando as fun¸˜es est˜o definidas em a a co a um subconjunto qualquer da reta. Todas as fun¸˜es que consideraremos neste cap´ co ıtulo s˜o do tipo f : I → R a onde I ´ uma uni˜o de intervalos. e a Defini¸˜o: Dizemos que f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a de p, ca a c exceto possivelmente em p, se existir algum r > 0 tal que (p − r, p) ⊂ I e (p, p + r) ⊂ I. Exemplos: 1) Uma fun¸˜o definida em um intervalo aberto f : (a, b) → R est´ definida ca a em uma vizinhan¸a de p, qualquer que seja p ∈ (a, b). c 2) Uma fun¸˜o definida em um intervalo fechado f : [a, b] → R est´ definida ca a em uma vizinhan¸a de p, qualquer que seja p ∈ (a, b). Note que f n˜o est´ c a a definida em uma vizinhan¸a de a e nem em uma vizinhan¸a de b. O mesmo c c permanece v´lido para qualquer outra combina¸˜o de ( ou [.(verifique isso). a ca 2 3) Consideremos f : R{1} → R dada por f (x) = x −1 . Observe que f x−1 est´ definida em uma vizinhan¸a de 1, exceto no ponto 1. a c 2.2 Defini¸˜o de Limite ca Defini¸˜o: Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p, ca ca c exceto possivelmente em p. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender a p ´ e igual a L ∈ R se para qualquer ε > 0 existir δ > 0 tal que para 0 < |x − p| < δ tem-se |f (x) − L| < ε. Denotamos lim f (x) = L. x→p 11
  • 12.
    Intuitivamente a defini¸˜oacima est´ nos dizendo que a medida que x ca a aproxima-se de p temos que f (x) aproxima-se de L : ∀ε > 0, ∃δ > 0, 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| < ε Exemplos: 1) Seja k ∈ R uma constante e p ∈ R. Provemos que lim k = k. De fato, x→p dado ε > 0 existe δ = 1 tal que 0 < |x − p| < 1 ⇒ |k − k| = 0 < ε. ε 2) Provemos que lim (2x − 4) = 2. De fato, dado ε > 0 existe δ = 2 tal que x→3 ε 0 < |x − 3| < ⇒ |2x − 6| < ε ⇒ |(2x − 4) − 2| < ε. 2 3) Observe que o valor que a fun¸˜o assume no ponto p n˜o influencia seu ca a −x + 4, se x = 1 limite ao x tender a p. Seja f : R → R dada por f (x) = . 7, se x = 1 Temos que lim f (x) = 3. De fato, dado ε > 0 existe δ = ε tal que x→1 0 < |x − 1| < ε ⇒ |−x + 4 − 3| < ε ⇒ |f (x) − 3| < ε. 16−x2 4) Seja f : R{−4} → R dada por f (x) = x+4 . Temos que para x = −4, 16−x2 x+4 = 4 − x e assim lim f (x) = lim (4 − x) = 8. De fato , dado ε > 0 x→−4 x→−4 tomamos δ = ε e temos 0 < |x − (−4)| < ε ⇒ 0 < |x + 4| < ε ⇒ |4 − x − 8| = |x + 4| < ε. Podemos caracterizar o limite de fun¸˜es reais utilizando sequˆncias de co e n´meros reais. u Teorema : Sejam f uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R ca c exceto possivelmente em p e L ∈ R . Vale que lim f (x) = L se e somene se x→p ∀ (xn ) tal que xn → p , xn = p , tem-se f (xn ) → L. Demonstra¸˜o: Suponhamos que lim f (x) = L. Seja xn tal que xn → p. ca x→p Provemos que f (xn ) → L. Seja ε > 0. Ent˜o existe δ > 0 tal que a 0 < |x − p| < δ → |f (x) − L| < ε. Como xn → p, xn = p temos que exite N natural tal que n > N → 0 < |xn − p| < δ → |f (xn ) − L| < ε. 12
  • 13.
    Reciprocamente, suponhamos que ∀ (xn ) tal que xn → p , xn = p , tem-se f (xn ) → L. Provemos que lim f (x) = L. x→p Se isto n˜o fosse verdade existiria ε > 0 tal que para qualquer δ > 0 existiria a x tal que 0 < |x − p| < δ e |f (x) − L| > ε. 1 Tomando δ = n existiria xn tal que 1 0 < |xn − p| < e |f (xn ) − L| > ε. n ı ıamos xn → p, xn = p e no entanto f (xn ) n˜o estaria convergindo Mas da´ ter´ a para L. Logo lim f (x) = L. x→p 2.3 Unicidade, Conserva¸˜o de Sinal e Limita¸˜o ca ca Come¸aremos esta se¸˜o provando a unicidade do limite. c ca Teorema: Seja f uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R exceto ca c possivelmente em p. Se existe L ∈ R tal que lim f (x) = L ent˜o L ´ unico. a e´ x→p Demonstra¸˜o:Suponhamos que lim f (x) = M .Vamos provar que L = M. ca x→p Suponhamos que L = M. Sem perda de generalidade podemos supor L < M. −L Tomemos ε = M 2 . Assim existe δ1 > 0 tal que M −L M +L 0 < |x − p| < δ1 ⇒ |f (x) − L| < ⇒ f (x) < . 2 2 Por outro lado existe δ2 > 0 tal que M −L M +L 0 < |x − p| < δ2 ⇒ |f (x) − M | < ⇒ f (x) > . 2 2 Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos que M +L M +L 0 < |x − p| < δ ⇒ < f (x) < 2 2 e isto ´ um absurdo. e Logo L = M. A seguir provaremos que a existˆncia de lim f (x) implicar´ na limita¸˜o da e a ca x→p fun¸˜o em uma vizinhan¸a do ponto p. ca c 13
  • 14.
    Teorema: Seja fuma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R exceto ca c possivelmente em p. Se existe L ∈ R tal que lim f (x) = L ent˜o existem δ > 0 a x→p e M > 0 tais que 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x)| < M. Demonstra¸˜o: Tomando ε = 1 na defini¸˜o de limite temos que ca ca ∃δ > 0, 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| < 1 Da desigualdade triangular temos |f (x)| − |L| ≤ |f (x) − L| e portanto |f (x)| ≤ 1 + |L| . Logo basta tomarmos M = 1 + |L| e δ como acima. Vamos provar agora o teorema da conserva¸˜o do sinal. Em suma o teorema ca ir´ nos dizer que o limite tem que ter o mesmo sinal da fun¸˜o em uma vizinhan¸a a ca c do ponto ou ser nulo. Teorema: Sejam f uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de p ∈ R, ca c exceto possivelmente em p, e L ∈ R tais que lim f (x) = L. x→p a) Se L > 0 ent˜o existe δ > 0 tal que a 0 < |x − p| < δ ⇒ f (x) > 0. b) Se L < 0 ent˜o existe δ > 0 tal que a 0 < |x − p| < δ ⇒ f (x) < 0. Demonstra¸˜o: Vamos provar a) e deixaremos como exerc´ a prova de ca ıcio b). L Tomamos ε = 2 e temos que existe δ > 0 tal que L 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| < . 2 L Segue que f (x) > 2 > 0. 14
  • 15.
    2.4 C´lculo de Limites a Nesta se¸˜o demonstraremos algumas propriedades operacionais que facilitar˜o ca a o c´lculo de limites. a Teorema: Sejam f e g fun¸˜es definidas em uma vizinhan¸a de um ponto co c p ∈ R , exceto possivelmente em p;L , M ∈ R tais que lim f (x) = L e x→p lim g(x) = M e k uma constante real. x→p Ent˜o: a a) Existe lim (f (x) + g(x)) e lim (f (x) + g(x)) = L + M. x→p x→p b) Existe lim (f (x) − g(x)) e lim (f (x) − g(x)) = L − M. x→p x→p c) Existe lim (f (x).g(x)) e lim (f (x).g(x)) = L.M . x→p x→p d) Existe lim kf (x) e lim kf (x) = kL. x→p x→p e) Se M = 0, existe lim f (x) e lim f (x) = L M. x→p g(x) x→p g(x) Demonstra¸˜o:ca a) Seja ε > 0. De acordo com nossa hip´tese temos que existem δ1 > 0 e o δ2 > 0 tais que ε 0 < |x − p| < δ1 ⇒ |f (x) − L| < , 2 ε 0 < |x − p| < δ2 ⇒ |g(x) − M | < . 2 Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos que 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) + g(x) − (L + M )| < ε ε < |f (x) − L| + |g(x) − M | < + = ε. 2 2 b) Deixamos como exerc´ ıcio. d) Se k = 0 ent˜o ´ trivial. Suponhamos k = 0. Seja ε > 0. Da nossa hip´tese a e o temos que existem δ > 0 tal que ε 0 < |x − p| < δ ⇒ |f (x) − L| < . |k| Assim temos ∃δ1 = δ > 0 tal que ε 0 < |x − p| < δ1 ⇒ |kf (x) − kL| = |k| |f (x) − L| < |k| = ε. |k| 15
  • 16.
    1 c) Inicialmente observemos que f (x).g(x) = 4 [(f (x)+g(x))2 −(f (x)−g(x))2 ]. Provemos que, dada uma fun¸˜o h definida em uma vizinhan¸a de p, exceto ca c possivelmente em p, e satisfazendo lim h(x) = N temos lim h(x)2 = N 2 . De x→p x→p fato, de acordo com o teorema da limita¸˜o, temos ca ∃δ1 > 0, ∃K > 0 tais que 0 < |x − p| < δ1 ⇒ |h(x)| < K. Al´m disso, dado ε > 0, temos e ∃δ2 > 0 tal que ε 0 < |x − p| < δ2 ⇒ |h(x) − N | < . K + |N | Tomamos δ satisfazendo δ = min{δ1 , δ2 } temos 0 < |x − p| < δ ⇒ h(x) − N 2 = |h(x) − N | |h(x) + N | < ε ε < (|h(x)| + |N |) < (K + |N |) = ε. K + |N | K + |N | Desta forma 1 lim (f (x).g(x)) = lim [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗ x→p x→p 4 Pela propriedade d) temos 1 ∗= lim [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗∗ 4 x→p e pela propriedade b) 1 1 ∗∗ = lim (f (x) + g(x))2 − lim (f (x) − g(x))2 = ∗ ∗ ∗ 4 x→p 4 x→p e aplicando o que acabamos de provar 1 1 ∗∗∗= ( lim (f (x) + g(x)))2 − ( lim (f (x) − g(x)))2 = ∗ ∗ ∗∗ 4 x→p 4 x→p e voltando a aplicar a) e b) finalmente temos 1 ∗ ∗ ∗∗ = [(L + M )2 − (L − M )2 ] = LM. 4 1 1 e) Para provarmos e) ´ suficiente provarmos que lim e = M. De fato x→p g(x) f (x) 1 g(x) = f (x). g(x) e sabemos operar o produto por d). Seja ε > 0. Como lim g(x) = M = 0 temos que x→p ∃δ1 > 0 tal que |M | |M | 0 < |x − p| < δ1 ⇒ |g(x) − M | < ⇒ |g(x)| > 2 2 16
  • 17.
    Por outro lado ∃δ2 > 0 tal que 2 |M | 0 < |x − p| < δ2 ⇒ |g(x) − M | < ε 2 Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos 1 1 |g(x) − M | 0 < |x − p| < δ ⇒ − = < g(x) M |g(x)| |M | 2 2 2 |M | < 2 |g(x) − M | < 2 ε=ε |M | |M | 2 O Teorema do Confronto (” Teorema do Sandu´ ıche”): Sejam f, g, h fun¸˜es definidas em uma vizinhan¸a de p, exceto possivelmente em p, satis- co c fazendo: a) f (x) ≤ g(x) ≤ h(x), para todo x nesta vizinhan¸a, c b) Existem os limites lim f (x), lim h(x) e x→p x→p c) lim f (x) = lim h(x) = L. x→p x→p Ent˜o existe lim g(x) e lim g(x) = L. a x→p x→p Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Por c) temos: ca ∃δ1 > 0 tal que 0 < |x − p| < δ1 ⇒ |f (x) − L| < ε e ∃δ2 > 0 tal que 0 < |x − p| < δ2 ⇒ |h(x) − L| < ε Tomamos δ = min{δ1 , δ2 } e temos 0 < |x − p| < δ ⇒ L − ε < f (x) ≤ g(x) ≤ h(x) < L + ε ⇒ ⇒ |g(x) − L| < ε Exerc´ ıcio: Prove que lim f (x) = 0 ⇔ lim |f (x)| = 0. x→p x→p Exemplo: lim x cos x = 0. x→0 De fato, vamos mostrar que lim |x cos x| = 0. x→0 Temos que 0 ≤ |x cos x| ≤ |x| e pelo teorema do confronto segue o resultado. 17
  • 18.
    2.5 Limites Laterais Nesta se¸˜o iremos estudar limites quando x aproxima-se de um ponto p assu- ca mindo somente valores maiores (ou menores) que p. Defini¸˜o: ca a)Dizemos que f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a ` direita de p, a c a exceto possivelmente em p, se existir algum r > 0 tal que (p, p + r) ⊂ I. b)Dizemos que f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de p, a c a exceto possivelmente em p, se existir algum r > 0 tal que (p − r, p) ⊂ I. Exemplos: 1) Uma fun¸˜o definida em um intervalo aberto f : (a, b) → R est´ definida ca a em uma vizinhan¸a ` direita de p e em uma vizinhan¸a ` esquerda de p, qualquer c a c a que seja p ∈ (a, b). 2) Uma fun¸˜o definida em um intervalo fechado f : [a, b] → R est´ definida ca a em uma vizinhan¸a ` direita de p, qualquer que seja p ∈ [a, b) e est´ definida c a a em uma vizinhan¸a ` esquerda de p, qualquer que seja p ∈ (a, b]. Note que f c a n˜o est´ definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de a e nem em uma vizinhan¸a a a c a c a ` direita de b. O mesmo permanece v´lido para qualquer outra combina¸˜o de a ca ( ou [.(verifique isso). ´ 3) E imediato verificarmos que uma fun¸˜o f est´ definida ca a em uma vizinhan¸a de p se e somente se est´ definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de c a c a p e em uma vizinhan¸a ` direita de p. c a Defini¸˜o: ca a) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` direita de ca c a p, exceto possivelmente em p. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender a p pela direita ´ igual a L ∈ R se para qualquer ε > 0 existir δ > 0 tal que para e x ∈ (p, p + δ) tem-se |f (x) − L| < ε. Denotamos lim f (x) = L. x→p+ b) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de ca c a p, exceto possivelmente em p. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender a p pela esquerda ´ igual a L ∈ R se para qualquer ε > 0 existir δ > 0 tal que para e x ∈ (p − δ, p) tem-se |f (x) − L| < ε. Denotamos limx→p− f (x) = L. Observa¸˜o: Todas as propriedades provadas nas se¸˜es anteriores com ca co rela¸˜o a unicidade, conserva¸˜o de sinal e limita¸˜o permanecem v´lidas para ca ca ca a limites laterais, com as devidas altera¸˜es.Tamb´m permanecem v´lidas as pro- co e a priedades operacionais provadas na se¸˜o anterior. ca 18
  • 19.
    Teorema: Seja f: I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de um ca c ponto p exceto possivelmente em p. Vale que ∃ lim f (x) ⇔ ∃ lim+ f (x), ∃ lim− f (x) e lim− f (x) = lim+ f (x). x→p x→p x→p x→p x→p Deixamos a prova do resultado acima como exerc´ ıcio. 2.6 Limites no Infinito Nesta se¸˜o iremos estudar o comportamento de algumas fun¸˜es quando a ca co vari´vel assume valores arbitrariamente grandes. a Defini¸˜o: ca a) Dizemos que uma fun¸˜o f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a de ca a c +∞ se existir a ∈ R tal que (a, +∞) ⊂ I. b) Dizemos que uma fun¸˜o f : I → R est´ definida em uma vizinhan¸a de ca a c −∞ se existir a ∈ R tal que (−∞, a) ⊂ I. Exemplos: a) Qualquer fun¸˜o f : R → R est´ definida em vizinhan¸as de +∞ e de ca a c −∞. b) Qualquer fun¸˜o f : [b, +∞) → R ou f : (b, +∞) → R est´ definida em ca a uma vizinhan¸a de +∞ mas n˜o est´ definida em uma vizinhan¸a de −∞. c a a c c) Qualquer fun¸˜o f : (−∞, b] → R ou f : (−∞, b) → R est´ definida em ca a uma vizinhan¸a de −∞ mas n˜o est´ definida em uma vizinhan¸a de +∞. c a a c Defini¸˜o: ca a) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de +∞. Dizemos ca c que o limite de f (x) ao x tender a +∞ ´ L ∈ R e denotamos lim f (x) = L e x→+∞ se para todo ε > 0 existir x0 > 0 tal que x > x0 ⇒ |f (x) − L| < ε. b) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de −∞. Dizemos ca c que o limite de f (x) ao x tender a −∞ ´ L ∈ R e denotamos lim f (x) = L e x→−∞ se para todo ε > 0 existir x0 < 0 tal que x < x0 ⇒ |f (x) − L| < ε. 1 Exemplo: Vamos provar que lim = 0. x→+∞ x De fato, dado ε > 0 tomamos x0 = 1 e ε temos 1 1 1 x > x0 ⇒ x > ⇒0< <ε⇒ < ε. ε x x 19
  • 20.
    ıcio: Sejam f: I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de Exerc´ ca c +∞ e L ∈ R tal que lim f (x) = L. Prove que existem x0 > 0 e M > 0 tais x→+∞ que x > x0 ⇒ |f (x)| < M. A seguir estabelecemos algumas propriedades operacionais dos limites no infinito. Teorema: Sejam f e g fun¸˜es definidas em uma vizinhan¸a de +∞ ; L , co c M ∈ R tais que lim f (x) = L e lim g(x) = M e k uma constante real. x→+∞ x→+∞ Ent˜o: a a) Existe lim (f (x) + g(x)) e lim (f (x) + g(x)) = L + M. x→+∞ x→+∞ b) Existe lim (f (x) − g(x)) e lim (f (x) − g(x)) = L − M. x→+∞ x→+∞ c) Existe lim (f (x).g(x)) e lim (f (x).g(x)) = L.M . x→+∞ x→+∞ d) Existe lim kf (x) e lim kf (x) = kL. x→+∞ x→+∞ e) Se M = 0, existe lim f (x) e lim f (x) = L M. x→+∞ g(x) x→+∞ g(x) Demonstra¸˜o:ca a) Seja ε > 0. De acordo com nossa hip´tese temos que existem x1 > 0 e o x2 > 0 tais que ε x > x1 ⇒ |f (x) − L| < 2 ε x > x2 ⇒ |g(x) − M | < 2 Tomando x0 = max{x1 , x2 } temos que x > x0 ⇒ |f (x) + g(x) − (L + M )| < ε ε < |f (x) − L| + |g(x) − M | < + = ε. 2 2 b) Deixamos como exerc´ ıcio. d) Se k = 0 ent˜o ´ trivial. Suponhamos k = 0. a e Seja ε > 0. Da nossa hip´tese temos que existem x0 > 0 tal que o ε x > x0 ⇒ |f (x) − L| < . |k| Assim temos ε x > x0 ⇒ |kf (x) − kL| = |k| |f (x) − L| < |k| = ε. |k| 1 c) Inicialmente observemos que f (x).g(x) = 4 [(f (x)+g(x))2 −(f (x)−g(x))2 ]. 20
  • 21.
    Provemos que, dadauma fun¸˜o h definida em uma vizinhan¸a de +∞, e ca c satisfazendo lim h(x) = N temos lim h(x)2 = N 2 . De fato, pelo exerc´ ıcio x→+∞ x→+∞ acima, ∃x1 > 0, ∃K > 0 tais que x > x1 ⇒ |h(x)| < K Al´m disso, dado ε > 0, temos e ∃x2 > 0 tal que ε x > x2 ⇒ |h(x) − N | < K + |N | Tomamos x0 satisfazendo x0 = max{x1 , x2 } temos x > x0 ⇒ h(x) − N 2 = |h(x) − N | |h(x) + N | < ε ε < (|h(x)| + |N |) < (K + |N |) = ε. K + |N | K + |N | Desta forma 1 lim (f (x).g(x)) = lim [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗ x→+∞ x→+∞ 4 Pela propriedade d) temos 1 ∗= lim [(f (x) + g(x))2 − (f (x) − g(x))2 ] = ∗∗ 4 x→+∞ e pela propriedade b) 1 1 ∗∗ = lim (f (x) + g(x))2 − lim (f (x) − g(x))2 = ∗ ∗ ∗ 4 x→+∞ 4 x→+∞ e aplicando o que acabamos de provar 1 1 ∗∗∗= ( lim (f (x) + g(x)))2 − ( lim (f (x) − g(x)))2 = ∗ ∗ ∗∗ 4 x→+∞ 4 x→+∞ e voltando a aplicar a) e b) finalmente temos 1 ∗ ∗ ∗∗ = [(L + M )2 − (L − M )2 ] = LM 4 e) Para provarmos e) ´ suficiente provarmos que e lim 1 = 1 M. De fato x→+∞ g(x) f (x) 1 g(x) = f (x). g(x) e sabemos operar o produto por d). Seja ε > 0. Como lim g(x) = M = 0 temos que x→+∞ ∃x1 > 0 tal que |M | |M | x > x1 ⇒ |g(x) − M | < ⇒ |g(x)| > 2 2 21
  • 22.
    Por outro lado ∃x2 > 0 tal que 2 |M | x > x2 ⇒ |g(x) − M | < ε 2 Tomando x0 = max{x1 , x2 } temos 1 1 |g(x) − M | x > x0 ⇒ − = < g(x) M |g(x)| |M | 2 2 2 |M | < 2 |g(x) − M | < 2 ε=ε |M | |M | 2 Observe que o resultado acima continua v´lido se considerarmos x → −∞. a 2.7 Limites Infinitos Nesta se¸˜o estudaremos os limites infinitos. Neste caso os valores de f (x) ´ ca e que assumem valores arbitrariamente grandes a medida que x aproxima-se de algum ponto p ou de ±∞. Defini¸˜o: ca a) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` direita de ca c a p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela direita ´ igual a +∞ a e e denotamos lim+ f (x) = +∞ x→p se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que x ∈ (p, p + δ) ⇒ f (x) > M. b) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` direita de ca c a p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela direita ´ igual a −∞ a e e denotamos lim+ f (x) = −∞ x→p se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que x ∈ (p, p + δ) ⇒ f (x) < −M. c) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de ca c a p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela esquerda ´ igual a a e +∞ e denotamos lim f (x) = +∞ x→p− se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que x ∈ (p − δ, p) ⇒ f (x) > M. 22
  • 23.
    d) Seja f: I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a ` esquerda de ca c a p ∈ R. Dizemos que o limite de f (x) ao x tender ` p pela esquerda ´ igual a a e −∞ e denotamos lim f (x) = −∞ x→p− se para todo M > 0 existir um δ > 0 tal que x ∈ (p − δ, p) ⇒ f (x) < −M. e) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de +∞. Dizemos ca c que o limite de f (x) ao x tender ` +∞ ´ igual a +∞ e denotamos a e lim f (x) = +∞ x→+∞ se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que x > N ⇒ f (x) > M. f ) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de +∞. Dizemos ca c que o limite de f (x) ao x tender ` +∞ ´ igual a −∞ e denotamos a e lim f (x) = −∞ x→+∞ se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que x > N ⇒ f (x) < −M. g) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de −∞. Dizemos ca c que o limite de f (x) ao x tender ` −∞ ´ igual a +∞ e denotamos a e lim f (x) = +∞ x→−∞ se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que x < −N ⇒ f (x) > M. h) Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de −∞. Dizemos ca c que o limite de f (x) ao x tender ` −∞ ´ igual a −∞ e denotamos a e lim f (x) = −∞ x→−∞ se para todo M > 0 existir um N > 0 tal que x < −N ⇒ f (x) < −M. Exemplos: 1 1) Provemos que lim+ x = +∞. x→0 23
  • 24.
    1 De fato, dado M > 0 existe δ = M tal que 1 1 x ∈ (0, ) ⇒ > M. M x 1 2) Provemos que lim x−1 = −∞. De fato, dado M > 0 tomamos x→1− 1 δ = min{ , 1} M e temos 1 1 x ∈ (1 − δ, 1) ⇒ x − 1 ∈ (−δ, 0) ⇒ < − < −M. x−1 δ A seguir apresentamos a ”aritm´tica do infinito” isto ´ , estabelecemos as e e rela¸˜es entre os limites infinitos e as opera¸˜es. Deixamos a prova do teorema co co como exerc´ıcio. Teorema: Sejam f, g : I → R definidas numa vizinhan¸a de p ∈ R , exceto c possivelmente em p . Valem as seguintes tabelas: TABELA I lim f (x ) lim g(x ) lim (f (x ) + g(x ) x→p x→p x→p +∞ +∞ +∞ −∞ −∞ −∞ +∞ −∞ indetermina¸˜o ca α∈R +∞ +∞ α∈R −∞ −∞ TABELA II lim f (x ) lim g(x ) lim f (x ).g(x ) x→p x→p x→p +∞ +∞ +∞ +∞ −∞ −∞ −∞ −∞ +∞ 0 +∞ indetermina¸˜o ca 0 −∞ indetermina¸˜o ca α>0 +∞ +∞ α>0 −∞ −∞ α<0 −∞ +∞ TABELA III lim f (x ) lim g(x ) lim f (x) g(x) x→p x→p x→p α∈R +∞ 0 α∈R −∞ 0 +∞ +∞ indetermina¸˜o ca +∞ −∞ indetermina¸˜o ca α>0 0+ +∞ α>0 0− −∞ α<0 0+ −∞ α<0 0− +∞ 24
  • 25.
    Observa¸˜o: Indetermina¸˜o significaque nada se pode afirmar sobre o ca ca limite em quest˜o. Depende de f e g em cada caso particular. a O teorema continua v´lido para a vizinhan¸a c a ` direita de p x → p+ vizinhan¸a c a ` esquerda de p x → p− vizinhan¸a c de +∞ x → +∞ vizinhan¸a c de −∞ x → −∞ 2.8 Limite de Fun¸˜es Compostas co Para encerrarmos este cap´ ıtulo veremos como procedermos o calculo de limite de compostas de fun¸˜es. co Teorema: Sejam f : I1 → R e g : I2 → R fun¸˜es definidas em uma co vizinhan¸a de p ∈ R e a ∈ R , respectivamente, satisfazendo: c a) f (I1 ) ⊂ I2 ; b) lim f (x) = a; x→p c) lim g(u) = L; u→a d) Existe r > 0 tal que f (x) = a para 0 < |x − p| < r. Ent˜o lim g(f (x)) = lim g(u) = L. a x→p u→a Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Como lim g(u) = L temos que existe δ1 > 0 ca u→a tal que 0 < |u − a| < δ1 ⇒ |g(u) − L| < ε. Al´m disso, como lim f (x) = a existe δ2 > 0 tal que e x→p 0 < |x − p| < δ2 ⇒ |f (x) − a| < δ1 . Tomando δ = min{δ2 , r} temos 0 < |x − p| < δ ⇒ 0 < |f (x) − a| < δ1 ⇒ |g(f (x)) − L| < ε. O teorema acima permanece v´lido para limites laterais, com as devidas a adapta¸˜es. Fa¸a isso como exerc´ co c ıcio. Exemplo: Observe a importˆncia da hip´tese d). Consideremos o seguinte a o exemplo: f (x) = 1, ∀x ∈ R u + 1, u = 1 g(u) = 3, u = 1 25
  • 26.
    Temos lim f (x) = 1 x→1 lim g(u) = 2 u→1 e no entanto lim g(f (x)) = 3 = lim g(u). x→1 u→1 Teorema: Sejam f : I1 → R e g : I2 → R fun¸˜es definidas em uma co vizinhan¸a do +∞ e em uma vizinhan¸a de a ∈ R (exceto possivelmente em a), c c respectivamente, e L ∈ R satisfazendo: a) f (I1 ) ⊂ I2 ; b) lim f (x) = a; x→+∞ c) Existe N1 > 0 tal que para x > N1 tem-se f (x) = a. d) lim g(u) = L. u→a Ent˜o a lim g(f (x)) = lim g(u) = L. x→+∞ u→a Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Como lim g(u) = L temos que existe δ > 0 ca u→a tal que 0 < |u − a| < δ ⇒ |g(u) − L| < ε. Como lim f (x) = a existe N2 > 0 tal que x→+∞ x > N2 ⇒ |f (x) − a| < δ. Tomando N = max{N1 , N2 } temos x > N ⇒ 0 < |f (x) − a| < δ ⇒ |g(f (x)) − L| < ε. O teorema permanece v´lido considerarmos x → −∞. a 3 Continuidade de Fun¸˜es Reais de Vari´vel co a Real 3.1 Defini¸˜o de Continuidade ca Neste cap´ ıtulo introduziremos o conceito de continuidade. Restringiremos nosso estudo para as fun¸˜es reais definidas em intervalos. Deixaremos para o curso de co An´lise Matem´tica o estudo da continuidade quando as fun¸˜es est˜o definidas a a co a em um subconjunto qualquer da reta. Todas as fun¸˜es que consideraremos neste cap´ co ıtulo s˜o do tipo f : I → R a onde I ´ uma uni˜o de intervalos. e a 26
  • 27.
    Defini¸˜o: ca a) Uma fun¸˜o f : I → R ´ dita cont´ ca e ınua em p ∈ I se para todo ε > 0 existir δ > 0 tal que x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ |f (x) − f (p)| < ε. b) Uma fun¸˜o f : I → R ´ dita cont´ ca e ınua se o for em todos os pontos de seu dom´ ınio. c) Uma fun¸˜o f : I → R ´ dita descont´ ca e ınua em p ∈ I se f n˜o ´ cont´ a e ınua em p. Observa¸˜es: A verifica¸˜o da continuidade de fun¸˜es definidas em inter- co ca co valos (a, b) ou [a, b] ´ um pouco mais simples: e 1) De acordo com a defini¸˜o acima , temos que f : (a, b) → R ´ cont´ ca e ınua se existir lim f (x) , para todo p ∈ (a, b) e ainda lim f (x) = f (p). Em particular, x→p x→p usando a caracteriza¸˜o de limites por sequˆncias ter´ ca e ıamos que f ´ cont´ e ınua em p se e somente se ∀ (xn ) tal que xn → p tem-se f (xn ) → f (p) . 2) De acordo com a defini¸˜o acima , temos que f : [a, b] → R ´ cont´ ca e ınua se: a) Existe lim f (x) , para todo p ∈ (a, b) e lim f (x) = f (p); x→p x→p b) Existe lim+ f (x) e lim+ f (x) = f (a); x→a x→a c) Existe lim− f (x) e lim− f (x) = f (b). x→b x→b 3.2 Opera¸˜es com Fun¸˜es e Continuidade co co Os resultados que obteremos nesta se¸˜o s˜o demonstrados da mesma forma ca a que os an´logos para limites. a Teorema: Sejam f : I → R, g : I → R fun¸˜es cont´ co ınuas em p ∈ I e k ∈ R uma constante. Ent˜o: a a) f + g ´ cont´ e ınua em p. b) f − g ´ cont´ e ınua em p. c) f.g ´ cont´ e ınua em p. d) Se g(p) = 0 ent˜o f ´ cont´ a g e ınua em p. e) kf ´ cont´ e ınua em p. Uma consequˆncia imediata do resultado acima ´: e e Corol´rio: a a) Toda fun¸˜o polinomial ´ cont´ ca e ınua. b) Toda fun¸˜o racional ´ cont´ ca e ınua. Demonstra¸˜o: ca 27
  • 28.
    a) De fato,se f ´ polinomial ent˜o existe um polinˆmio e a o p(x) = a0 + a1 x + ... + an xn tal que f (x) = p(x), para todo x ∈ R. Como as fun¸˜es dadas por xm , m ∈ N, s˜o cont´ co a ınuas, segue do teorema acima que as fun¸˜es dadas por aj xj , j ∈ {0, 1, ..., n}, tamb´m o s˜o. Como co e a soma de fun¸˜es cont´ co ınuas ´ cont´ e ınua , segue que toda fun¸˜o polinomial ´ ca e cont´ınua. b) De fato, se f ´ uma fun¸˜o racional , ent˜o existem polinˆmios p, q tais e ca a o que f (x) = p(x) . q(x) Como o quociente de fun¸˜es cont´ co ınuas ´ cont´ e ınua, desde que o polinˆmio o do denominador n˜o se anule, segue que toda fun¸˜o racional ´ cont´ a ca e ınua pois o ´ em todos os pontos de seu dom´ e ınio. Teorema: Sejam f : I1 → R e g : I2 → R satisfazendo que f (I1 ) ⊂ I2 , f ınua em p ∈ I1 e que g ´ cont´ ´ cont´ e e ınua em f (p). Ent˜o g ◦ f ´ cont´ a e ınua em p. Demonstra¸˜o: Seja ε > 0. Como g ´ cont´ ca e ınua em f (p) temos que existe δ1 > 0 tal que u ∈ I2 ∩ (f (p) − δ1 , f (p) + δ1 ) ⇒ |g(u) − g(f (p))| < ε. Como f ´ cont´ e ınua em p temos que existe δ > 0 tal que x ∈ I1 ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ f (x) ∈ I2 , |f (x) − f (p)| < δ1 ⇒ ⇒ f (x) ∈ I2 ∩ (f (p) − δ1 , f (p) + δ1 ) ⇒ |g(f (x)) − g(f (p))| < ε. 3.3 Algumas Propriedades das Fun¸˜es Cont´ co ınuas Nesta se¸˜o provaremos alguns resultados sobre a conserva¸˜o de sinal e sobre ca ca a continuidade de fun¸˜es mon´tonas . co o Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o cont´ ca ınua em p ∈ I . Se f (p) > 0 ent˜o existe δ > 0 tal que a x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ f (x) > 0. f (p) Demonstra¸˜o: Como f (p) > 0, tomamos ε = ca 2 e temos que existe δ > 0 tal que f (p) f (p) x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ |f (x) − f (p)| < ⇒ f (x) > > 0. 2 2 28
  • 29.
    Teorema: Seja f: I → R uma fun¸˜o cont´ ca ınua em p ∈ I . Se f (p) < 0 ent˜o existe δ > 0 tal que a x ∈ I ∩ (p − δ, p + δ) ⇒ f (x) < 0. Demonstra¸˜o: Como f (p) < 0, tomamos ε = − f (p) e temos que existe ca 2 δ > 0 tal que f (p) f (p) f (p) x ∈ I ∩(p−δ, p+δ) ⇒ |f (x) − f (p)| < − ⇒ f (x) < f (p)− = < 0. 2 2 2 Teorema: Se f : I → R for crescente (ou decrescente) e al´m disso tanto e a imagem quanto o dom´ ınio de f forem intervalos ent˜o f ´ cont´ a e ınua. Demonstra¸˜o: Sem perda de generalidade vamos supor que f ´ crescente. ca e Dado p ∈ I, provemos a continuidade de f em p. Seja ε > 0. Suponhamos tamb´m que f (p) n˜o seja extremidade do intervalo e a que ´ a imagem. e Como f (I) ´ um intervalo ent˜o existem x1 , x2 ∈ I tais que f (x1 ) = f (p) − ε e a e f (x2 ) = f (p) + ε . Assim basta tomarmos δ = min{p − x1 , x2 − p} e temos |x − p| < δ ⇒ f (p) − ε = f (x1 ) < f (x) < f (x2 ) = f (p) + ε. Deixamos como exerc´ o caso geral. ıcio Corol´rio: As fun¸˜es trigonom´tricas inversas s˜o cont´ a co e a ınuas. ca ´ Demonstra¸˜o: E imediato pelo teorema acima, visto que localmente todas as trigonom´tricas inversas s˜o crescentes ou decrescentes e seus dom´ e a ınios e imagens s˜o intervalos. a 3.4 O Teorema do Valor Intermedi´rio a Nesta se¸˜o estudaremos o principal teorema relativo a continuidade. O seu ca enunciado ´ bastante simples mas as consequˆncias s˜o extremamente impor- e e a tantes. Imagine uma fun¸˜o que seja cont´ ca ınua em um intervalo [a, b]. Suponhamos que d est´ entre f (a) e f (b). Como a fun¸˜o ´ cont´ a ca e ınua o seu gr´fico pode a ser desenhado sem que soltemos o l´pis. De fato, a continuidade impede que a o gr´fico apresente saltos. Desta forma n˜o tem como sairmos de (a, f (a)) e a a chegarmos em (b, f (b)) sem que no caminho passemos por um ponto que tenha ordenada d. Logo conclu´ ımos que deve existir algum ponto c em [a, b] tal que f (c) = d. Esta ´ a conclus˜o do Teorema do Valor Intermedi´rio. e a a Vamos enunciar este teorema. Teorema do Valor Intermedi´rio: Sejam f : [a, b] → R cont´ a ınua e d entre f (a) e f (b). Ent˜o existe c ∈ [a, b] tal que f (c) = d. a 29
  • 30.
    Demonstra¸˜o : Dividiremosa prova em dois casos. ca 1o Caso: Suponhamos que f (a) < 0 e que f (b) > 0 e mostremos que existe c ∈ [a, b] tal que f (c) = 0. Fa¸amos a0 = a e b0 = b. Consideremos c0 o ponto m´dio de [a0 , b0 ]. Calcu- c e lamos f (c0 ). Se f (c0 ) < 0 ent˜o definimos a1 = c0 e b1 = b0 ( se f (c0 ) = 0 n˜o a a temos mais o que provar e se f (c0 ) > 0 ent˜o definimos a1 = a0 e b1 = c0 ). a Em seguida consideramos c1 o ponto m´dio de [a1 , b1 ] e repetimos o processo e acima. Prosseguindo com este racioc´ ınio, construiremos uma sequˆncia de intervalos e encaixantes [a0 , b0 ] ⊃ [a1 , b1 ] ⊃ ... ⊃ [an , bn ] ⊃ ... tais que f (an ) < 0 e f (bn ) > 0. Al´m disso bn − an aproxima-se de zero quando n cresce indefinidamente. e O Teorema dos Intervalos Encaixantes nos que diz que existe um unico ´ c ∈ R tal que , para todo n, an ≤ c ≤ bn . A continuidade da f nos garante que f (c) = 0 pois se fosse diferente de zero o teorema da conserva¸˜o do sinal implicaria que f (an ) e f (bn ) teriam o mesmo ca sinal para n suficientemente grande, j´ que a distˆncia de an a bn tende a zero. a a Da mesma forma, se f (a) > 0 e f (b) < 0 existe c ∈ [a, b] tal que f (c) = 0. Logo, se f for cont´ ınua em [a, b] e se f (a) e f (b) tiverem sinais contr´rios, a ent˜o existir´ pelo menos um c em [a, b] tal que f (c) = 0. a a 2o Caso: Caso Geral. Sem perda de generalidade, suponhamos que f (a) < d < f (b). Consideremos a fun¸˜o g(x) = f (x) − d. ca Obviamente g ´ cont´ e ınua e g(a) < 0, g(b) > 0. Pelo 1o caso existe c ∈ [a, b] tal que g(c) = 0. Logo f (c) = d. Exemplos: 1) Prove que x3 − 4x + 8 = 0 tem pelo menos uma raiz real. Considere f : [−3, 0] → R dada por f (x) = x3 − 4x + 8. Como f ´ polinomial segue que f ´ cont´ e e ınua. Al´m disso, f (−3) = −7 < 0, e f (0) = 8 > 0. Logo pelo Teorema do Valor Intermedi´rio, a ∃c ∈ [−3, 0] tal que f (c) = 0. Logo o polinˆmio acima admite uma raiz real. o 2) Todo polinˆmio de grau ´ o ımpar admite uma raiz real. De fato, seja p(x) = an xn + an−1 xn−1 + ... + a1 x + a0 com n ´ ımpar. Suponhamos, sem perda de generalidade, que an > 0. Provemos inicialmente que lim p(x) = +∞ e lim p(x) = −∞. x→+∞ x→−∞ 30
  • 31.
    Temos lim p(x) = lim (an xn + an−1 xn−1 + ... + a1 x + a0 ) = x→±∞ x→±∞ an−1 a1 a0 = lim an xn (1 + + .... + + )= x→±∞ an x an xn−1 an xn = ±∞. Logo existem a e b tais que p(a) < 0, p(b) > 0. Aplicando o TVI em [a, b] segue o resultado. 3.5 O Teorema de Weierstrass Nesta se¸˜o demonstraremos outra importante propriedade das fun¸˜es cont´ ca co ınuas. Provaremos que se uma fun¸˜o for cont´ ca ınua em um intervalo fechado [a, b] ent˜o a ela assumir´ um valor m´ximo e um valor m´ a a ınimo. Teorema da Limita¸˜o: Se f : [a, b] → R ´ cont´ ca e ınua ent˜o existe M > 0 a tal que |f (x)| < M, ∀x ∈ [a, b]. Demonstra¸˜o: Suponhamos que n˜o exista um M > 0 satisfazendo o ca a que ´ desejado. e Chamamos a1 = a, b1 = b. Deve ent˜o existir x1 ∈ [a1 , b1 ] tal que |f (x1 )| > 1. a Seja c1 o ponto m´dio de [a1 , b1 ]. e Como f n˜o ´ limitada em [a1 , b1 ] ent˜o f n˜o ser´ limitada em [a1 , c1 ] ou a e a a a em [c1 , b1 ]. Sem perda de generalidade, suponhamos que f n˜o ´ limitada em [c1 , b1 ]. a e Chamamos a2 = c1 , b2 = b1 . Como f n˜o ´ limitada em em [a2 , b2 ] existe x2 ∈ [a2 , b2 ] tal que |f (x2 )| > 2. a e Prosseguindo com este racioc´ ınio constru´ ımos uma sequˆncia e [a1 , b1 ] ⊃ ... ⊃ [an , bn ] ⊃ ... satisfazendo que a distˆncia bn −an est´ se aproximando de zero quando n cresce a a e que, para todo natural n, existe xn ∈ [an , bn ] com |f (xn )| > n. Pelo T. I. Encaixantes, existe c, o unico real tal que c ∈ [an , bn ], para todo ´ n ∈ N. ´ E claro que xn est´ convergindo para c e que |f (xn )| est´ divergindo para a a o infinito. Pela continuidade de f ter´ ıamos que lim |f (x)| = +∞. Observemos x→c que isto ´ um absurdo. Logo existe M > 0 tal que e |f (x)| < M, ∀x ∈ [a, b]. 31
  • 32.
    Teorema de Weierstrass:Se f : [a, b] → R ´ cont´ e ınua existem x1 e x2 em [a, b] tais que f (x1 ) ≤ f (x) ≤ f (x2 ), para qualquer x ∈ [a, b]. Demonstra¸˜o : Sendo f cont´ ca ınua em [a, b], pelo teorema anterior f ser´ a limitada em [a, b]. Assim o conjunto A = {f (x)|x ∈ [a, b]} admite supremo e ´ ınfimo. Sejam M = sup A, m = inf A. Est´ claro que m ≤ f (x) ≤ M. a Resta-nos provar que existem x1 e x2 tais que f (x1 ) = m e f (x2 ) = M. Observe que se f (x) < M para todo x ent˜o a fun¸˜o dada por a ca 1 g(x) = , x ∈ [a, b] M − f (x) seria cont´ ınua mas n˜o seria limitada. Logo existe x2 tal que f (x2 ) = M. a Analogamente provamos a existˆncia de x1 . e 3.6 Potˆncias Irracionais e Na se¸˜o 1.3 lembramos algumas propriedades das potˆncias racionais. ca e Dado m ∈ Q, a > 0 definimos n m √ m b = an ⇔ bn = a. O objetivo desta se¸˜o ´ definirmos ax , x ∈ R. ca e √ O que significa 3 2 ? Sabemos que os racionais n˜o ocupam todo o espa¸o da reta mas mesmo a c assim eles est˜o presentes em√ a qualquer intervalo, por menor que seja. Assim em qualquer intervalo contendo 2 existem racionais e nestes sabemos calcular as √ potˆncias. Seria natural ent˜o definirmos 3 2 como o limite de 3r , r ∈ Q, ao r e √ a tender a 2. A d´vida que sobra ´ se esse limite realmente existe. u e O teorema que iremos enunciar a seguir nos garantir´ que existe uma unica a ´ fun¸˜o cont´ ca ınua em R tal que f (r) = 3r , para qualquer r ∈ Q. Em outras palavras, existe uma unica maneira de completarmos o pontilhado do gr´fico ´ a acima e obtermos uma fun¸˜o cont´ ca ınua. Assim iremos definir √ √ 3 2 = f ( 2) = lim f (x). √ x→ 2 Teorema: Dado a > 0, a = 1 temos que existe uma unica fun¸˜o cont´ ´ ca ınua definida em R tal que f (r) = ar , ∀r ∈ Q. Para provarmos o teorema acima precisaremos de 3 resultados preliminares. 32
  • 33.
    Lema 1: Sejaa > 1 um real dado. Ent˜o para todo ε > 0, existe um natural a n tal que 1 an − 1 < ε Demonstra¸˜o: Pela desigualdade de Bernoulli ca n (1 + ε) ≥ 1 + nε. a−1 Basta tomarmos n > ε . Lema 2: Sejam a > 1 e x dois reais dados. Para todo ε > 0 existem racionais r e s , com r < x < s tais que as − as < ε. Demonstra¸˜o: Tomamos t > x, racional; assim, para qualquer racional ca r < x, tem-se ar < at .Pelo lema 1, existe n natural tal que 1 at a n − 1 < ε. 1 Se escolhermos racionais r e s com r < x < s e satisfazendo s − r < n teremos 1 as − ar = ar (as−r − 1) < at a n − 1 < ε. Lema 3: Seja a > 1 um real dado. Ent˜o , para todo x real dado , existe a um unico real γ tal que ´ ar < γ < as para quaisquer que sejam os racionais r e s, com r < x < s. Demonstra¸˜o: Como o conjunto ca {ar |r racional , r < x} ´ n˜o vazio e limitado superiormente por todo as , s racional, tal conjunto admite e a um supremo que indicamos por γ. Segue que ar < γ < as . Falta provarmos que tal γ ´ unico. De fato, se γ1 for tal que e´ ar < γ1 < as quaisquer que sejam os racionais r e s, com r < x < s ter´ ıamos |γ − γ1 | < as − ar e pelo lema 2 ter´ ıamos que |γ − γ1 | < ε, ∀ε > 0 33
  • 34.
    e da´ γ= γ1 . ı Prova do Teorema: Inicialmente vamos supor a > 1. Com rela¸˜o ao lema ca anterior , se x for racional ent˜o γ = ax . O unico γ ser´ indicado por f (x) . Fica a ´ a constru´ıda, assim, uma fun¸˜o f definida em R, e tal que f (r) = ar para todo ca racional r. Antes de provarmos a continuidade de f provemos que f ´ crescente. e Sejam x1 < x2 . Temos ar1 < f (x1 ) < as1 e ar2 < f (x2 ) < as2 quaisquer que sejam os racionais r1 , s1 , r2 e s2 tais que r1 < x1 < s1 e r2 < x2 < s2 . Assim , sendo s um racional com x1 < s < x2 temos f (x1 ) < as < f (x2 ) o que prova que f ´ crescente. e Vamos provar a continuidade de f . Seja p ∈ R. Pelo lema 2 dado ε > 0 existem racionais r e s com r < p < s tais que as − ar < ε. Para todo x ∈ (r, s) temos |f (x) − f (p)| < as − ar < ε o que prova a continuidade da f em p. Segue que f ´ cont´ e ınua em R. Finalmente se 0 < a < 1 basta considerarmos a fun¸˜o dada por ca −x 1 f (x) = . a A fun¸˜o f : R → R dada por f (x) = ax , a > 0, a = 1 ´ chamada de ca e ¸˜ FUNCAO EXPONENCIAL. 4 Derivadas de Fun¸˜es Reais de Vari´vel Real co a 4.1 Introdu¸˜o e Defini¸˜o de Derivada ca ca Defini¸˜o: Seja f : I → R, uma fun¸˜o definida em I ⊂ R uma uni˜o de ca ca a intervalos abertos. a) Dizemos que f ´ deriv´vel em p ∈ I se existe o limite e a f (p + h) − f (p) lim . h→0 h 34
  • 35.
    Neste caso chamamostal limite de derivada da f em p e denotamos: f (p + h) − f (p) f (p) = lim . h→0 h b) Dizemos que f ´ deriv´vel em I se o for em todos os pontos de I. e a Observa¸˜es: co 1) Dizer que existe a derivada de uma fun¸˜o f em um ponto p significa geo- ca metricamente que seu gr´fico apresenta uma reta tangente no ponto (p, f (p)) . a Isto significa que o gr´fico n˜o pode apresentar uma quina neste ponto. a a 2) Observe que f (p + h) − f (p) f (x) − f (p) f (p) = lim = lim . h→0 h x→p x−p De fato basta considerarmos a mudan¸a de vari´vel x = p + h. Assim para o c a c´lculo da derivada podemos escolher um dos limites acima. a Defini¸˜o: Dado uma fun¸˜o deriv´vel f : I → R definimos a fun¸˜o ca ca a ca derivada f : I → R por f (x + h) − f (x) f (x) = lim . h→0 h Teorema: Seja f : I → R, uma fun¸˜o definida em I ⊂ R uma uni˜o ca a de intervalos abertos. Se f ´ deriv´vel em p ∈ I ent˜o f ´ cont´ e a a e ınua em p. Demonstra¸˜o: Basta provarmos que ca lim f (x) = f (p). x→p De fato, temos lim f (x) = f (p) ⇔ lim (f (x) − f (p)) = 0 x→p x→p e (f (x) − f (p)) lim (f (x) − f (p)) = lim . (x − p) = x→p x→p (x − p) = f (p) .0 = 0. Observa¸˜o: Ser deriv´vel ´ condi¸˜o suficiente para ser cont´ ca a e ca ınua e ser cont´ ınua ´ condi¸˜o necess´ria para ser deriv´vel isto ´ e ca a a e deriv´vel ⇒ cont´nua. a ı A rec´ıproca ´ falsa, isto ´, ser deriv´vel n˜o ´ necess´rio para ser cont´ e e a a e a ınua e ser cont´ ınua n˜o ´ suficiente para ser deriv´vel isto ´ a e a e cont´nua ı deriv´vel. a De fato, considere por exemplo a fun¸˜o f : R → R dada por f (x) = |x| . Temos ca que f ´ cont´ e ınua em x = 0 mas n˜o ´ deriv´vel em x = 0. a e a 35
  • 36.
    4.2 Regras de Deriva¸˜o ca Nesta se¸˜o calcularemos a derivada da soma, da diferen¸a, do produto e do ca c quociente de fun¸˜es. Em seguida estudaremos a derivada da composta de duas co fun¸˜es. co Teorema : Sejam I ⊂ R, uma uni˜o de intervalos abertos, f, g : I → R a fun¸˜es deriv´veis em p ∈ I e k ∈ R uma constante real. Temos: co a a) (f ± g) ´ deriv´vel em p e (f ± g) (p) = f (p) ± g (p) . e a b) (kf ) ´ deriv´vel em p e (kf ) (p) = kf (p) . e a c) (f g) ´ deriv´vel em p e (f g) (p) = f (p)g (p) + f (p) g (p) . e a f f g(p)f (p)−f (p)g (p) d) Se g (p) = 0 ent˜o a g ´ deriv´vel em p e e a g (p) = g(p)2 . Demonstra¸˜o: ca a) A prova se reduz ao c´lculo do limite a (f ± g) (p + h) − (f ± g) (p) (f ± g) (p) = lim = h→0 h f (p + h) ± g (p + h) − f (p) g (p) = lim = h→0 h f (p + h) − f (p) g (p + h) − g (p) = lim ± = h→0 h h = f (p) ± g (p) . b) Deixamos como exerc´ ıcio. c) A prova se reduz ao c´lculo do limite a (f.g) (p + h) − (f.g) (p) (f.g) (p) = lim = h→0 h f (p + h) .g (p + h) − f (p) .g (p) = lim = h→0 h f (p + h) .g (p + h) − f (p) g (p + h) + f (p) g (p + h) − f (p) .g (p) = lim = h→0 h f (p + h) − f (p) g (p + h) − g (p) = lim g (p + h) + f (p) =∗ h→0 h h Como g ´ deriv´vel em p ent˜o g ´ cont´ e a a e ınua em p e portanto lim g (p + h) = g (p) . h→0 Assim temos ∗ = f (p)g (p) + f (p) g (p) . d) Vamos inicialmente provar que 1 −g (p) (p) = 2 . g g (p) 36
  • 37.
    De fato, calculemoso limite 1 1 1 g (p + h) − g (p) (p) = lim = g h→0 h 1 1 g(p+h) − g(p) = lim = h→0 h g(p)−g(p+h) g(p+h)g(p) = lim = h→0 h −1 g (p + h) − g (p) = lim = h→0 g (p + h) g (p) h −g (p) = 2 . g (p) Para obtermos o caso geral basta aplicarmos c) e o que provamos acima. Teorema (REGRA DA CADEIA):Sejam f : I → R e g : J → R satisfazendo que f (I) ⊂ J. Se f ´ deriv´vel em p e g ´ deriv´vel em f (p) ent˜o e a e a a g ◦ f : I → R ´ deriv´vel em p e (g ◦ f ) (p) = g (f (p)) .f (p) . e a Demonstra¸˜o: ca Calculemos o limite (g ◦ f ) (p + h) − (g ◦ f ) (p) (g ◦ f ) (p) = lim = h→0 h g (f (p + h)) − g (f (p)) = lim =∗ h→0 h Para simplificarmos nosso c´lculo vamos supor que existe δ > 0 tal que a 0 < |h| < δ ⇒ f (p + h) = f (p) . Assim temos k = f (p + h) − f (p) g(f (p) + k) − g (f (p)) f (p + h) − f (p) ∗ = lim . = h→0 k h = g (f (p)) .f (p) . 4.3 Derivada da Fun¸˜o Inversa ca Nesta se¸˜o aprenderemos como derivar a inversa de uma dada fun¸˜o. ca ca Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o invers´ ca ıvel , com fun¸˜o inversa ca f −1 : f (I) → R. Se f for deriv´vel em q = f −1 (p) , com f (q) = 0 e se f −1 a 37
  • 38.
    ınua em p,ent˜o f −1 ser´ deriv´vel em p e for cont´ a a a 1 f −1 (p) = . f (q) Demonstra¸˜o: Temos ca f −1 (x) − f −1 (p) f −1 (x) − f −1 (p) = = x−p f (f −1 (x)) − f (f −1 (p)) 1 = f (f −1 (x))−f (f −1 (p)) , para x = p. f −1 (x)−f −1 (p) Fazendo u = f −1 (x), pela continuidade de f −1 em p temos que u → q para x→pe f −1 (x) − f −1 (p) 1 1 lim = lim f (u)−f (q) = . x→p x−p u→q f (q) u−q 5 O Teorema do Valor M´dio e Aplica¸˜es e co Estudaremos um dos principais teoremas do C´lculo: O Teorema do Valor a M´dio. A partir deste teorema poderemos fazer uma an´lise detalhada do gr´fico e a a de fun¸˜es reais de vari´vel real. Para provarmos este teorema precisamos ini- co a cialmente estudar m´ximos e m´ a ınimos. 5.1 M´ximos e M´ a ınimos: O Teorema de Fermat Lembremos que o Teorema de Weierstrass garante que se f : I → R for cont´ ınua, e I for um intervalo fechado [a, b] ent˜o existem x1 e x2 em [a, b] tais que a f (x1 ) ≤ f (x) ≤ f (x2 ) , ∀x ∈ [a, b] . f (x1 ) ´ chamado de m´ e ınimo e f (x2 ) de m´ximo de f. a Nesta se¸˜o estudaremos m´ximos e m´ ca a ınimos de fun¸˜es f : I → R onde I co ´ um intervalo qualquer da reta. Utilizaremos a derivada para tal estudo. e Proposi¸˜o: Sejam f : I → R e c ∈ I um ponto onde f ´ deriv´vel. ca e a a) Se f (c) > 0 ent˜o existe δ > 0 tal que para a c − δ < x1 < c < x2 < c + δ tem-se f (x1 ) < f (c) < f (x2 ) . b) Se f (c) < 0 ent˜o existe δ > 0 tal que para a c − δ < x1 < c < x2 < c + δ 38
  • 39.
    tem-se f (x1 ) > f (c) > f (x2 ) . Demonstra¸˜o: ca Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´ ıcio. Se f (c) > 0 ent˜o temos a f (x) − f (c) lim > 0. x→c x−c Logo existe δ1 > 0 tal que f (x) − f (c) c < x < c + δ1 ⇒ > 0 ⇒ f (c) < f (x) . x−c Da mesma forma, existe δ2 > 0 tal que f (x) − f (c) c − δ2 < x < c ⇒ > 0 ⇒ f (x) < f (c) . x−c Tomando δ = min{δ1 , δ2 } temos c − δ < x1 < c < x2 < c + δ ⇒ c − δ2 < x1 < c e c < x2 < c + δ1 ⇒ ⇒ f (x1 ) < f (c) < f (x2 ) . Defini¸˜o: Seja f : I → R. ca a) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´ximo de f e a e f (c) ´ um valor e m´ximo de f se a f (x) ≤ f (c) , ∀x ∈ I. b) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´ e ınimo de f e f (c) ´ um valor m´ e ınimo de f se f (x) ≥ f (c) , ∀x ∈ I. c) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´ximo local de f se existir δ > 0 tal e a que |x − c| < δ ⇒ f (x) ≤ f (c) . d) Dizemos que c ∈ I ´ um ponto de m´ e ınimo local de f se existir δ > 0 tal que |x − c| < δ ⇒ f (c) ≤ f (x) . Teorema de Fermat: Seja f : I → R uma fun¸˜o deriv´vel em c ∈ I, ca a um ponto interior de I. Se c ´ ponto de m´ximo ou m´ e a ınimo local de f ent˜o a f (c) = 0. Demonstra¸˜o:ca Suponhamos que f (c) = 0. Sem perda de generalidade podemos supor f (c) > 0 e que c ´ ponto de m´ximo local. e a 39
  • 40.
    Pela proposi¸˜o anterior,existe δ1 > 0 tal que para ca c − δ1 < x1 < c < x2 < c + δ1 tem-se f (x1 ) < f (c) < f (x2 ) . Como c ´ ponto de m´ximo local, existe δ2 > 0 tal que e a |x − c| < δ2 ⇒ f (x) ≤ f (c) . Tomando δ = min{δ1 , δ2 } e x2 satifazendo c < x2 < c + δ segue que c < x2 < c + δ1 e |x2 − c| < δ2 e portanto f (c) < f (x2 ) e f (x2 ) ≤ f (c) . Esta contradi¸˜o implica que f (c) = 0. ca Observa¸˜es: co 1) Observe que o teorema de Fermat d´ uma condi¸˜o necess´ria aos pontos a ca a de m´ximo e m´ a ınimo locais de f. A condi¸˜o n˜o ´ suficiente. Considere por ca a e exemplo f (x) = x3 . Temos que f (0) = 0 e no entanto 0 n˜o ´ ponto de m´ximo local nem de a e a m´ınimo local. 2) Dada uma fun¸˜o f : I → R, podem ocorrer pontos de m´ximo e m´ ca a ınimo em pontos onde f n˜o ´ deriv´vel. Considere por exemplo f (x) = |x| . a e a Observe que 0 ´ um ponto de m´ e ınimo local e no entanto n˜o existe f (0) . a Defini¸˜o:c ´ um ponto cr´ ca e ıtico de f : I → R se f (c) = 0 ou se n˜o existe a f (c) . Teorema: Seja f : [a, b] → R cont´ ınua. Os valores m´ximo e m´ a ınimo de f s˜o assumidos ou nos pontos cr´ a ıticos de f ou nos extremos do intervalo. Demonstra¸˜o: O Teorema de Weierstrass garante a existˆncia de x1 e x2 ca e pontos de m´ximo e m´ a ınimo de f. Se x1 e x2 ∈ {a, b} nada temos a provar. Se um deles pertencer a (a, b) ent˜o em tal ponto f ´ ou n˜o deriv´vel. Se n˜o for deriv´vel ent˜o o ponto a e a a a a a ser´ cr´ a ıtico e se for deriv´vel ent˜o o teorema de Fermat garante que a derivada a a em tal ponto se anular´, ou seja o ponto ser´ cr´ a a ıtico. Teorema: Sejam f : I → R deriv´vel e a, b ∈ I, a < b. Se f (a) .f (b) < 0 a ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que f (x0 ) = 0. a Demonstra¸˜o: Pelo teorema de Weierstrass existem α, β ∈ [a, b] tais que ca f (α) e f (β) s˜o os valores m´ximo e m´ a a ınimo de f em [a, b] . Se α = β ent˜o f ´ constante em [a, b] e o teorema ´ trivialmente satisfeito. a e e Se α = β ent˜o temos 3 possibilidades: a 40
  • 41.
    a) Se pelomenos um dos dois est´ em (a, b) ent˜o o Teorema de Fermat a a aplica-se a tal ponto e o teorema est´ provado. a b) Se α = a e β = b ent˜o a f (x) − f (a) f a+ = lim+ ≤0 x→a x−a f (x) − f (b) f b− = lim− ≤0 x→b x−b e isto contraria a hip´tese que f (a) .f (b) < 0. o c) Se α = b e β = a ent˜o a f (x) − f (a) f a+ = lim ≥0 x→a+ x−a f (x) − f (b) f b− = lim− ≥0 x→b x−b e isto contraria a hip´tese que f (a) .f (b) < 0. o Teorema (Propriedade do Valor Intermedi´rio para Derivadas): a Sejam f : I → R deriv´vel e a < b ∈ I. Se k ∈ R satisfaz f (a) < k < f (b) a ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que f (x0 ) = k. a Demonstra¸˜o: Basta aplicar o teorema anterior para ca F (x) = f (x) − kx. Corol´rio: Sejam f : I → R deriv´vel e a < b ∈ I. Se f (x) = 0 em [a, b] a a ent˜o f tem sinal constante em [a, b] . a Demonstra¸˜o: Se existissem x1 e x2 tais que f (x1 ) < 0 e f (x2 ) > 0 ca ent˜o existiria x0 tal que f (x0 ) = 0. a 5.2 Os Teoremas de Rolle e do Valor M´dio e Nesta se¸˜o provaremos o TVM (Teorema do Valor M´dio) a partir da prova de ca e um caso particular (Teorema de Rolle). Teorema (Teorema de Rolle): Seja f : [a, b] → R cont´ ınua em [a, b] e deriv´vel em (a, b) . Se f (a) = f (b) ent˜o existe c ∈ (a, b) tal que f (c) = 0. a a Demonstra¸˜o: Se f for constante em [a, b] ent˜o f (x) = 0, para todo ca a x ∈ (a, b) e neste caso nada temos para provar. Se f n˜o for constante ent˜o, pelo a a Teorema de Weierstass, existem x1 e x2 em [a, b] , x1 = x2 , tais que x1 ´ ponto e de m´ximo e x2 ´ ponto de m´ a e ınimo. Como f (a) = f (b) ent˜o necessariamente a um dos dois est´ em (a, b) . De fato, caso contr´rio f seria constante. Sem perda a a de generalidade, suponhamos que x1 ∈ (a, b) . Como f ´ deriv´vel em x1 segue, e a pela proposi¸˜o anterior que f (x1 ) = 0 e portanto basta tomarmos c = x1 . ca 41
  • 42.
    Teorema (Teorema doValor M´dio): Seja f : [a, b] → R cont´ e ınua em f (b)−f (a) [a, b] e deriv´vel em (a, b) . Ent˜o existe c ∈ (a, b) tal que f (c) = b−a . a a Demonstra¸˜o:Basta considerarmos a fun¸˜o g : [a, b] → R dada por ca ca f (b) − f (a) g(x) = f (x) − f (a) − (x − a) . b−a ´ E claro que g satisfaz as hip´teses do teorema de Rolle o g ´ cont´ e ınua em [a, b] g ´ diferenci´vel em (a, b) e a g (b) = g (a) = 0 e portanto existe c ∈ (a, b) tal que g (c) = 0. Como f (b) − f (a) g (x) = f (x) − b−a segue que f (b) − f (a) f (c) = . b−a 5.3 Intervalos de Crescimento e Decrescimento Teorema: Seja f : I → R deriv´vel. a a) Se f (x) > 0, para todo x ∈ I, ent˜o f ´ crescente em I. a e b) Se f (x) < 0,para todo x ∈ I, ent˜o f ´ decrescente em I. a e Demonstra¸˜o:ca Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´ ıcio. Sejam x1 , x2 ∈ I, satisfazendo x1 < x2 . Vamos aplicar o TVM em [x1 , x2 ] . Assim existe c ∈ (x1 , x2 ) tal que f (x2 ) − f (x1 ) f (c) = . x2 − x1 Como f (x) > 0 em I segue que f (x2 ) − f (x1 ) >0 x2 − x1 e portanto f (x2 ) > f (x1 ) j´ que x2 > x1 . a 42
  • 43.
    Logo f ´crescente em I. e Teorema (Teste da Derivada Primeira): Seja f uma fun¸˜o cont´ ca ınua , deriv´vel em uma vizinhan¸a V de x0 , exceto possivelmente em x0 . Vale que: a c a) Se f (x) < 0 para x ∈ V, x < x0 e f (x) > 0 para x ∈ V, x > x0 ent˜o a x0 ´ ponto de m´ e ınimo local; b) Se f (x) > 0 para x ∈ V, x < x0 e f (x) < 0 para x ∈ V, x > x0 ent˜o a x0 ´ ponto de m´ximo local. e a Demonstra¸˜o:Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´ ca ıcio. Se f (x) < 0 para x ∈ V, x < x0 e f (x) > 0 para x ∈ V, x > x0 ent˜o f ´ decrescente para a e x ∈ V, x < x0 e crescente para x ∈ V, x > x0 . Logo f (x0 ) ≤ f (x) , para x ∈ V. 5.4 Aplica¸˜es Geom´tricas da Derivada Segunda co e Nesta se¸˜o utilizaremos a derivada segunda para avaliar a concavidade do ca gr´fico de fun¸˜es reais de vari´vel real e para decidirmos se um ponto cr´ a co a ıtico ´ e ponto de m´ximo ou m´ a ınimo local. Defini¸˜o:Seja f : I → R uma fun¸˜o deriv´vel definida em uma vizinhan¸a ca ca a c de p ∈ I. a)Dizemos que f ´ convexa em p se existir δ > 0 tal que em (p − δ, p + δ)∩I e tem-se f (p) + f (p) (x − p) < f (x) . b)Dizemos que f ´ cˆncava em p se existir δ > 0 tal que em (p − δ, p + δ)∩I e o tem-se f (p) + f (p) (x − p) > f (x) . Observa¸˜o: Dizer que uma fun¸˜o ´ convexa em um ponto p significa, ca ca e geometricamente, que o gr´fico de f, para x suficientemente pr´ximo de p, est´ a o a acima da reta tangente ao gr´fico de f em (p, f (p)) . Dizer que uma fun¸˜o ´ a ca e cˆncava em um ponto p significa, geometricamente, que o gr´fico de f, para x o a suficientemente pr´ximo de p, est´ abaixo da reta tangente ao gr´fico de f em o a a (p, f (p)) . Teorema : Seja f : I → R uma fun¸˜o duas vezes deriv´vel, definida em ca a uma vizinhan¸a de p ∈ I. c a) Se f (p) > 0 ent˜o f ´ convexa em p. a e b) Se f (p) < 0 ent˜o f ´ cˆncava em p. a e o Demonstra¸˜o: ca Vamos provar a) e deixaremos b) como exerc´ ıcio. Queremos provar que f (x) − f (p) − f (p) (x − p) > 0 para x suficientemente pr´ximo de p. o 43
  • 44.
    Como f (p)> 0, do teorema da conserva¸˜o do sinal segue que ca f (x) − f (p) >0 x−p para x suficientemente pr´ximo de p. Utilizando o teorema do valor m´dio, o e temos que existe a entre x e p tal que f (x) − f (p) f (a) = . x−p Assim ´ suficiente mostrarmos que e f (a) (x − p) − f (p) (x − p) > 0. (*) Como a est´ entre x e p ent˜o , para x suficientemente pr´ximo de p temos a a o f (a) − f (p) > 0. a−p Assim, se x > p ent˜o a > p e f (a) > f (p) . Logo ∗ ocorre. Da mesma a forma, se x < p ent˜o a < p e f (a) < f (p) . Logo ∗ ocorre. a Defini¸˜o: Seja f : I → R uma fun¸˜o definida em uma vizinhan¸a de ca ca c p ∈ I. Dizemos que p ´ ponto de inflex˜o do gr´fico de f se p ´ ponto de troca e a a e de concavidade. Teorema: Seja f : I → R uma fun¸˜o duas vezes deriv´vel, definida em ca a uma vizinhan¸a de p ∈ I. Se p for ponto de inflex˜o do gr´fico de f ent˜o c a a a f (p) = 0. Demonstra¸˜o: Basta observarmos que se f (p) n˜o fosse zero ent˜o f ca a a seria convexa ou cˆncava em p. o Observa¸˜o: A rec´ ca ıproca ´ falsa. Basta considerar por exemplo a fun¸˜o e ca dada por f (x) = x4 e p = 0. Teorema ( Teste da Derivada Segunda) Seja f : I → R uma fun¸˜o ca ınua e p ∈ I. duas vezes deriv´vel, com f cont´ a a) Se f (p) = 0 e f (p) > 0 ent˜o p ´ um ponto de m´ a e ınimo local. b) Se f (p) = 0 e f (p) < 0 ent˜o p ´ um ponto de m´ximo local. a e a Demonstra¸˜o:Provemos a) e deixemos b) como exerc´ ca ıcio. Como f (p) > 0 e f ´ cont´ e ınua ent˜o f (x) > 0 para x em uma vizinhan¸a a c de p. Logo f ´ crescente em uma vizinhan¸a de p. Desta forma f (x) < 0 ` e c a direita de p e f (x) > 0 ` esquerda de p. Pelo teste da derivada primeira segue a que p ´ ponto de m´ e ınimo local. 44
  • 45.
    6 O Teorema de Cauchy, A Regra de L’Hospital e A F´rmula de Taylor o 6.1 O Teorema de Cauchy Nesta se¸˜o provamos duas generaliza¸˜es do Teorema do Valor M´dio: ca co e 1) O Teorema de Cauchy. Este teorema nos dar´ a ferramenta necess´ria a a para estudarmos a famosa regra de L’Hospital para o c´lculo de limites envol- a vendo indetermina¸˜es e co 2) A F´rmula de Taylor para aproximarmos fun¸˜es por polinˆmios. o co o Teorema de Cauchy: Sejam f, g fun¸˜es tais que : co a) f, g s˜o cont´ a ınuas em [a, b] ; b) f, g s˜o deriv´veis em (a, b) ; a a Ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que a f (x0 ) [g (b) − g (a)] = g (x0 ) [f (b) − f (a)] . Demonstra¸˜o: Basta aplicarmos o Teorema de Rolle para a fun¸˜o dada ca ca por F (x) = [f (x) − f (a)] [g (b) − g (a)] − [g (x) − g (a)] [f (b) − f (a)] . Observa¸˜es: co 1) Se g (x) = 0 em (a, b) e g (b) = g (a) ent˜o existe x0 ∈ (a, b) tal que a f (b) − f (a) f (x0 ) = . g (b) − g (a) g (x0 ) 2)O TVM ´ um caso particular do Teorema de Cauchy. De fato, basta e considerar g (x) = x. 6.2 A Regra de L’Hospital Teorema: Sejam f, g fun¸oes definidas em algum intervalo aberto contendo a, c˜ exceto possivelmente em a,e satisfazendo lim f (x) = lim g (x) = 0 (ou ∞) . x→a x→a Se a) f, g s˜o deriv´veis nesse intervalo, exceto possivelmente em a, com g (x) = a a 0 e g (x) = 0 e b) Existe f (x) lim =L∈R x→a g (x) 45
  • 46.
    ou f (x) lim = ∞. x→a g (x) Ent˜o a f (x) f (x) lim = lim . x→a g (x) x→a g (x) Demonstra¸˜o: Provaremos apenas um caso particular. Vamos provar que ca 0 se a indetermina¸˜o for do tipo 0 ent˜o ca a f (x) f (x) lim = lim . x→a+ g (x) x→a+ g (x) Vamos tamb´m supor que f e g s˜o cont´ e a ınuas em a. Neste caso a conclus˜o do teorema ´ uma consequˆncia direta do Teorema a e e de Cauchy. De fato, temos f (x) f (x) − f (a) f (cx ) lim = lim = lim =∗ x→a g (x) x→a g (x) − g (a) x→a g (cx ) onde cx est´ entre a e x. Obviamente ao x → a temos cx → a e portanto a f (x) ∗ = lim . x→a g (x) 6.3 Aproxima¸˜o de Fun¸˜es por Polinˆmios: A F´rmula ca co o o de Taylor Vamos provar mais uma generaliza¸˜o do TVM: ca Teorema ( Teorema Estendido da M´dia): Seja f uma fun¸˜o definida e ca em um intervalo aberto I satisfazendo: 1) f ´ n vezes deriv´vel em I com f (n) cont´ e a ınua em I; 2) Existe f (n+1) em I. 46
  • 47.
    Ent˜o dados a,b em I, existe x0 ∈ (a, b) tal que a f (n) (a) n f (n+1) (x0 ) n+1 f (b) = f (a) + f (a) (b − a) + ... + (b − a) + (b − a) . n! (n + 1)! Demonstra¸˜o: Seja k a constante dada por ca f (n) (a) n k n+1 f (b) = f (a) + f (a) (b − a) + ... + (b − a) + (b − a) n! (n + 1)! Vamos aplicar o Teorema de Rolle para a fun¸˜o ca f (n) (a) n k n+1 φ (x) = f (b)−f (x)−f (a) (b − x)−...− (b − x) − (b − x) . n! (n + 1)! Temos a) φ ´ cont´ e ınua em [a, b] , b) φ ´ deriv´vel em (a, b) e e a c) φ (a) = φ (b) = 0. Logo, pelo Teorema de Rolle, existe x0 ∈ (a, b) tal que φ (x0 ) = 0. Calcu- lando φ (x0 ) obtemos f (n+1) (x0 ) n k n − (b − x0 ) + (b − x0 ) = 0 n! n! e portanto k = f (n+1) (x0 ) . Defini¸˜o: A f´rmula ca o f (n) (a) n f (n+1) (x0 ) n+1 f (x) = f (a) + f (a) (x − a) + ... + (x − a) + (x − a) n! (n + 1)! ´ obtida do teorema na troca de b por x ´ dita FORMULA DE TAYLOR de e ordem n de f com RESTO DE LAGRANGE. Defini¸˜o: O polinˆmio ca o n f (i) (a) i pn,a (x) = (x − a) i=0 i! e ˆ ´ dito POLINOMIO DE TAYLOR de grau n de f em potˆncias de (x − a) . e Nota¸˜o: Denotamos ca f (n+1) (x0 ) n+1 Rn,a (x) = (x − a) (n + 1)! 47
  • 48.
    a diferen¸a entref (x) e pn,a (x) . Chamamos tal diferen¸a de Resto de Lagrange. c c Proposi¸˜o: Vale que ca Rn,a (x) lim n = 0. x→a (x − a) Demonstra¸˜o: Basta efetuarmos o c´lculo ca a f (n) (a) n Rn,a (x) f (x) − f (a) − f (a) (x − a) − ... − n! (x − a) lim n = lim n = x→a (x − a) x→a (x − a) f (n) (a) n−1 f (x) − f (a) − f (a) (x − a) − ... − (n−1)! (x − a) = lim n−1 = x→a n (x − a) f (n) (a) − f (n) (a) = ... = lim = 0. x→a n! A proposi¸˜o acima nos motiva a utilizarmos a seguinte nota¸˜o ca ca f (n) (a) n n f (x) = f (a) + f (a) (x − a) + ... + (x − a) + o (x − a) (*) n! onde n o (x − a) n denota uma fun¸˜o que tende a zero mais r´pido que (x − a) ao x tender a a. ca a n Dizemos que Rn,a (x) ´ ”o pequeno” de (x − a) . e Proposi¸˜o: ca 1) O polinˆmio pn,a (x) ´ o unico polinˆmio de grau n que satisfaz a igual- o e ´ o (k) (k) dade pn,a (a) = f (a) , k = 0, 1, ..., n. 2) Se f (x) = qn (x) + E (x) com qn (x) sendo um polinˆmio de ordem n e o n E (x) = o (x − a) ent˜o qn (x) = pn,a (x) . a Demonstra¸˜o: ca 1) Suponhamos que n p (x) = a0 + a1 (x − a) + ... + an (x − a) ´ um polinˆmio que satisfaz p(k) (a) = f (k) (a) , k = 0, 1, ..., n. e o 48
  • 49.
    f (k) (a) Para provarmos que p (x) = pn,a (x) basta provarmos que ak = k! , k = 0, 1, ..., n. De fato, p(k) (a) = k!ak e portanto f (k) (a) ak = . k! 2) Suponhamos que n qn (x) = a0 + a1 (x − a) + ... + an (x − a) n ´ um polinˆmio que satisfaz E (x) = f (x) − qn (x) = o (x − a) . Provemos que e o f (k) (a) qn (x) = pn,a (x) . Para isso ´ suficiente mostrarmos que ak = e k! . De fato temos n f (n) (a) n f (x) − a0 − ... − an (x − a) f (x) − f (a) − ... − n! (x − a) 0 = lim n − lim n = x→a (x − a) x→a (x − a) f (n) (a) n (f (a) − a0 ) + (f (a) − a1 ) (x − a) + ... + n! − an (x − a) = lim n x→a (x − a) f (k) (a) e isto s´ ´ poss´ se ak = oe ıvel k! para k = 0, 1, ..., n. 6.4 Desenvolvimentos Assint´ticos Limitados o Defini¸˜o: Seja f uma fun¸˜o definida em um intervalo aberto I, contendo a, ca ca satisfazendo: 1) f ´ n vezes deriv´vel em I com f (n) cont´ e a ınua em I; 2) Existe f (n+1) em I. A express˜o a f (n) (a) n n f (x) = f (a) + f (a) (x − a) + ... + (x − a) + o (x − a) n! ´ dita DAL (Desenvolvimento Assint´tico Limitado) de ordem n de f em a. e o Observa¸˜o: De acordo com o que vimos na se¸˜o anteior o DAL de ordem ca ca n de f em a ´ unico. e´ ´ ´ TABELA BASICA DE DESENVOLVIMENTOS ASSINTOTICOS LIMITADOS 1 1 1 1) exp (x) = 1 + x + 2 x2 + 6 x3 + 24 x4 + o x4 ; ∀x ∈ R. 1 2 1 3 1 4 2) ln(1 + x) = x − 2 x + 3 x − 4 x + o x4 ; ∀x, −1 < x ≤ 1. 3) sin (x) = x − 6 x3 + 120 x5 − 5040 x7 + 3621880 x9 + o x9 ; ∀x ∈ R. 1 1 1 49
  • 50.
    4) cos (x)= 1 − 1 x2 + 24 x4 − 720 x6 + 40 1 x8 + o x8 ; ∀x ∈ R. 2 1 1 320 a 1 1 5) (1 + x) = 1 + ax + 2 a (a − 1) x2 + 6 a (a − 1) (a − 2) x3 + o x3 ; ∀x, |x| < 1. 6) tan (x) = x + 3 x3 + 15 x5 + 315 x7 + 2835 x9 + o(x9 ); ∀x, |x| < π . 1 2 17 62 2 −1 7) cot (x) = x − 3 x − 45 x − 945 x − 4725 x7 − 93 2 x9 + o x9 ; ∀x = 1 1 3 2 5 1 555 0, |x| < π. 8) sec (x) = 1 + 2 x2 + 24 x4 + 720 x6 + 8064 x8 + o x8 ; ∀x, |x| < π . 1 5 61 277 2 9) csc (x) = x−1 + 1 x + 360 x3 + 1531 x5 + 604 800 x7 + o x7 ; ∀x = 0, |x| < π. 6 7 120 127 1 3 5 35 10)arcsin (x) = x + 6 x3 + 40 x5 + 112 x7 + 1152 x9 + o x9 ; ∀x, |x| < 1. 1 1 3 3 5 5 35 11)arccos (x) = 2 π − x − 6 x − 40 x − 112 x7 − 1152 x9 + o x9 ; ∀x, |x| < 1. 1 3 1 5 1 7 1 9 12)arctan (x) = x − 3 x + 5 x − 7 x + 9 x + o x9 ; ∀x ∈ R. Observa¸˜o: Com os desenvolvimentos assint´ticos acima podemos deduzir ca o uma s´rie de outros. Considere os seguintes exemplos: e 1) f (x) = sin (3x) para x em uma vizinhan¸a de 0 : c 9 sin (3x) = 3x − x3 + o x3 . 2 π 2) f (x) = sin (x) para x em uma vizinhan¸a de c 2 : π y = x− 2 π sin (x) = sin y + = cos (y) 2 1 1 cos (y) = 1 − y2 + y4 + o y4 2 24 e assim 2 4 4 1 1 1 1 1 sin (x) = 1 − x− π + x− π +o x− π . 2 2 24 2 2 √ 3) f (x) = a2 + x para x em uma vizinhan¸a de 0 : c 1 x 2 a2 + x = |a| 1 + a2 1 x 2 1 1 1 3 5 1+ = 1+ x+ − 4 x2 + x + − x4 + o x4 a2 2a 2 8a 16a6 128a8 e assim 1 1 1 3 5 a2 + x = |a| + x + − 4 x2 + x + − x4 + o x4 . 2a2 8a 16a6 128a8 √ 4) f (x) = x2 − x4 − x3 para x em uma vizinhan¸a do ∞ : c 1 2 2 1 2 x − x4 − x3 =x 1− 1− x 50
  • 51.
    e assim x 1 1.3 1 1.3..... (2n − 1) 1 1 x2 − x4 − x3 = + 2 + 3 + ... + +o . 2 2 2! 2 3! x 2n n! xn−2 xn−2 ´ ¸˜ O CALCULO OPERACIONAL DA RELACAO o : Seja f, g, h definidas em um intervalo aberto contendo x0 . Utilizando as propriedades operacionais de limites prova-se com facilidade as seguintes pro- priedades: f (x)+g(x) 1) f = o (g) ⇒ f + g ∼ g, isto ´ lim e g(x) = 1. x→x0 2) g = o (f ) , h = o(f ) ⇒ (g ± h) = o (f ) . 3) h = o (f ) , f = o (g) ⇒ h = o (g) . 4) g = o (f ) ⇒ kg = o (f ) , ∀k ∈ R, k = 0. 5) g = o (f ) ⇒ gh = o (f h) , h = o f . g h 6) g = o (f ) , h limitada ⇒ gh = o (f ) . Deixamos como exerc´ a prova das propriedades acima. ıcio ¸˜ ´ OPERACOES COM DESENVOLVIMENTOS ASSINTOTICOS SOMA: Adiciona-se as parcelas conhecidas, como a adi¸˜o de polinˆmios, ca o e utiliza-se o c´lculo operacional da rela¸˜o o. Por exemplo: a ca 1 1 5 1 7 1 sin x = x − x3 + x − x + x9 + o x9 6 120 5040 362 880 1 1 1 6 1 cos x = 1 − x2 + x4 − x + x8 + o x8 2 24 720 40 320 1 1 1 1 5 1 6 sin x + cos x = 1 + x − x2 − x3 + x4 + x − x + o x6 2 6 24 120 720 PRODUTO: Para ilustrar como operamos com o produto considere o seguinte exemplo: f (x) = sin x cos x 1 1 5 1 7 1 sin x = x − x3 + x − x + x9 + o x9 6 120 5040 362 880 1 1 1 6 1 cos x = 1 − x2 + x4 − x + x8 + o x8 2 24 720 40 320 51
  • 52.
    Montamos uma tabelacolocando na horizontal os coeficientes do desenvolvi- mento do sin x e na vertical os coeficientes de cos x. Em seguida efetuamos os produtos dos coeficientes 1 1 0 1 0 −6 0 120 0 1 1 1 0 1 0 −6 0 120 0 0 0 0 0 0 0 0 0 −1 2 0 −1 2 0 1 12 0 1 − 240 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 24 0 24 0 − 144 0 2880 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 − 720 0 − 720 0 4320 0 − 86400 0 Assim temos 1 1 sin x cos x = 0 + (1 + 0) x + (0 + 0 + 0) x2 + − + 0 − + 0 x3 6 2 1 1 1 + (0 + 0 + 0 + 0 + 0) x4 + +0+ +0+ + 0 x5 + o x5 120 12 24 e assim 2 2 sin x cos x = x − x3 + x5 + o x5 . 3 15 ˜ DIVISAO: Fazemos a divis˜o dos desenvolvimentos assint´ticos utilizando a o o processo de divis˜o de polinˆmios mas com ordem crescente das potˆncias de a o e x, truncando-se a divis˜o quando atingida o ordem pedida. Por exemplo vamos a obter o desenvolvimento de f (x) = tan x : sin x 6 1 x − 1 x3 + 120 x5 − 1 7 5040 x + o x 7 tan x = = = cos x 2 1 1 − 1 x2 + 24 x4 − 1 6 6 720 x + o (x ) 1 2 = x + x3 + x5 + O x6 3 15 Exemplos: 1 1) Determine f (4) (0) de f (x) = 1−3x+x2 . Podemos resolver este problema utilizando o processo acima, isto ´ efetuando a divis˜o dos DAL’s: e a 1 = 1 + 3x + 8x2 + 21x3 + 55x4 + o x4 1 − 3x + x2 e assim temos que f (4) (0) = 55 4! e portanto f (4) (0) = 1320. 2) Podemos utilizar DAL’s para calcularmos limites. Calculemos por exem- plo lim sinx3 . x−x x→0 52
  • 53.
    Temos x3 3 sin x − x x− 6 + o x3 − x − x + o x3 6 1 lim = lim = lim =− . x→0 x3 x→0 x3 x→0 x3 6 7 Primitiva¸˜o ca 7.1 Introdu¸˜o e Opera¸˜es Elementares ca co Nesta se¸˜o vamos introduzir o conceito de primitiva. ca Encontrar uma primitiva de uma fun¸˜o f ´ encontrar uma fun¸˜o F que ca e ca tenha como derivada a fun¸˜o f. ca Defini¸˜o:Sejam f : I → R, F : I → R fun¸˜es definidas em uma uni˜o de ca co a intervalos abertos. Dizemos que F ´ uma PRIMITIVA de f se F for deriv´vel e a e F (x) = f (x) , ∀x ∈ I. Teorema: Se F : I → R e G : I → R s˜o primitivas de f : I → R ent˜o a a existe k ∈ R tal que F (x) = G (x) + k, ∀x ∈ I. Demonstra¸˜o: Provemos inicialmente que ca h (x) = 0, ∀x ∈ I ⇒ h ´ constante. e De fato, dados x1 < x2 em I, aplicando o TVM em [x1 , x2 ] temos que h (x2 ) − h (x1 ) =0 x2 − x1 e portanto h (x1 ) = h (x2 ) . Logo h ´ constante em I. e Para provarmos o teorema basta aplicarmos o que acabamos de provar para h = F − G. Defini¸˜o: Dada f : I → R, o processo de determinar todas as suas primi- ca e ¸˜ tivas ´ dito PRIMITIVACAO e a fun¸˜o dada por ca F (x) + k, onde F ´ uma primitiva de f e k ´ uma constante, ´ dita PRIMITIVA GERAL e e e de f . Denotamos f (x) dx = F (x) + k Teorema: Sejam F e G primitivas de f e g , respectivamente, em I. Vale: a) F ± G ´ primitiva de f ± g. e b) kF ´ primitiva de kf , onde k ∈ R. e Demonstra¸˜o: Imediato. ca 53
  • 54.
    7.2 Primeiro M´todo de Substitui¸˜o e ca Teorema: Sejam f, g, F fun¸˜es tais que : co a) Im(g) ⊆Dom(f ) ; b) g ´ deriv´vel; e a b) F ´ primitiva de f. e Ent˜o F (g (x)) ´ primitiva de f (g (x)) g (x) . a e Demonstra¸˜o: Basta calcularmos (F (g (x))) : ca (F (g (x))) = F (g (x)) .g (x) = f (g (x)) .g (x) . ca ´ Observa¸˜o: E usual a ado¸˜o do seguinte esquema pr´tico ca a u = g (x) du = g (x) dx g (x) dx = du f (g (x)) g (x) dx = f (u) du = F (u) + k = F (g (x)) + k. 7.3 Primitiva¸˜o por Partes ca Teorema: Sejam f, g fun¸˜es deriv´veis. Se existirem as primitivas co a f (x) g (x) dx e f (x) g (x) dx ent˜o a f (x) g (x) dx = f (x) g (x) − f (x) g (x) dx. ca ´ Demonstra¸˜o: E imediato. Basta lembrarmos da derivada do produto de duas fun¸˜es co (f (x) g (x)) = f (x) g (x) + f (x) g (x) . ca ´ Observa¸˜o: E usual a ado¸˜o do seguinte esquema pr´tico ca a u = f (x) , v = g (x) du = f (x) dx, dv = g (x)dx fornecendo a f´rmula o udv = uv − vdu. 54
  • 55.
    7.4 Primitiva¸˜o de Fun¸˜es Racionais ca co Antes de apresentarmos a t´cnica vamos falar um pouco sobre os polinˆmios. e o Qualquer polinˆmio o q (x) = xm + bm−1 xm−1 + ... + b1 x + b0 pode ser escrito como r rk s1 sj q (x) = (x − α1 ) 1 ... (x − αk ) x2 + β1 x + γ1 ... x2 + βj x + γj onde k j ri +2 si =m i=1 i=1 e os fatores s˜o distintos entre si. Al´m disso a e 2 (βi ) − 4γi < 0, i = 1, ...., j. Os fatores x2 + βi x + γi , i = 1, ...., j s˜o chamadas de fatores quadr´ticos irredut´ a a ıveis. O problema que queremos resolver nesta se¸˜o ´ o c´lculo de primitivas de ca e a fun¸˜es racionais co p (x) dx. q (x) Vamos supor que o grau do polinˆmio p (x) ´ menor que o grau do polinˆmio o e o q (x) . Caso isso n˜o ocorra, efetuamos a divis˜o de p por q e obtemos : a a p (x) r (x) = t (x) + q (x) q (x) onde t (x) , r(x) s˜o polinˆmios e o grau de r (x) ´ menor que o grau de q (x) . a o e Sendo p (x) e q (x) polinˆmios com o r rk s1 sj q (x) = (x − α1 ) 1 ... (x − αk ) x2 + β1 x + γ1 ... x2 + βj x + γj , p(x) grau de q (x) igual a m e grau de p (x) menor que m, temos que q(x) pode ser decomposto em fra¸˜es simples co p (x) a11 a1r1 ak1 akrk = + ... + r1 + ... + + ... + r + q (x) (x − α1 ) (x − α1 ) (x − αk ) (x − αk ) k b11 x + c11 b1s x + c1s1 + 2 + ... + 2 1 s + ... + x + β1 x + γ1 (x + β1 x + γ1 ) 1 bj1 x + cj1 bjs x + cjsj + 2 + ... + 2 j s x + βj x + γj (x + βj x + γj ) j onde al,m , bp,q e cr,s s˜o coeficientes que devem ser determinados algebricamente. a Desta forma o c´lculo da primitiva reduz-se ao c´lculo das primitivas das a a fra¸˜es parciais. co 55
  • 56.
    Resolu¸˜o das Primitivasque aparecem nas Fra¸˜es Parciais ca co CASO I dx x−α Nas se¸˜es anteriores j´ vimos que a substitui¸˜o co a ca u=x−α resolve dx = ln |x − α| + k. x−α CASO II dx n (x − α) Da mesma forma que o anterior obtemos dx 1 n = n−1 + k. (x − α) (n − 1) (x − α) CASO III bx + c dx. x2 + βx + γ Inicialmente fazemos bx + c 1 x dx = c dx + b dx = x2 + βx + γ x2 + βx + γ x2 + βx + γ = b (TIPO A) + c ( TIPO B) Vejamos como calcular as primitivas dos tipos A e B: TIPO A: Inicialmente completamos o quadrado 2 2 β β x2 + βx + γ = x2 + βx + − +γ = 2 2 2 β 4γ − β 2 = x+ + . 2 4 56
  • 57.
    Assim 1 1 dx = 2 dx = x2 + βx + γ β 4γ−β 2 x+ 2 + 4 1 = (2x+β)2 dx = 4γ−β 2 4 + 4 1 = 4 2 dx = √2x+β (4γ − β2) 2 +1 4γ−β 4 1 = dx = ∗ 4γ − β 2 2 √2x+β +1 4γ−β 2 Fazemos a substitui¸˜o ca 2x + β u = 4γ − β 2 2 du = dx 4γ − β 2 e obtemos 4 1 4γ − β 2 ∗ = du = 4γ − β 2 u2 +1 2 2 = arctan u + k = 4γ − β 2 2 2x + β = arctan + k1 . 4γ − β2 4γ − β 2 TIPO B: Temos x 2x + β − β dx = dx = x2 + βx + γ 2 (x2 + βx + γ) 1 2x + β β 1 = 2 + βx + γ dx − 2 + βx + γ dx = 2 x 2 x 1 2x + β β 2x + β = dx − arctan . 2 x2 + βx + γ 4γ − β 2 4γ − β 2 Resta calcularmos 2x + β dx. x2 + βx + γ Temos u = x2 + βx + γ du = (2x + β) dx 57
  • 58.
    e assim 2x + β 1 dx = du = ln |u| + k2 = x2 + βx + γ u = ln x2 + βx + γ + k2 . Assim x 1 β 2x + β dx = ln x2 + βx + γ − arctan + k2 x2 + βx + γ 2 4γ − β2 4γ − β 2 e finalmente temos a f´rmula o bx + c 2 2x + β dx = c arctan + x2 + βx + γ 4γ − β 2 4γ − β 2 1 β 2x + β +b ln x2 + βx + γ − arctan +k = 2 4γ − β2 4γ − β 2 b 2c β 2x + β = ln x2 + βx + γ + (−b + ) arctan +k = 2 β 4γ − β2 4γ − β 2 b (2c − bβ) 2x + β = ln x2 + βx + γ + arctan + k. 2 4γ − β 2 4γ − β 2 CASO IV: bx + c n dx. (x2 + βx + γ) Inicialmente fazemos bx + c x 1 n dx = b n dx + c n dx (x2 + βx + γ) (x2 + βx + γ) (x2 + βx + γ) Temos x 2x + β β 1 n dx = n dx − n dx (x2 + βx + γ) 2 (x2 + βx + γ) 2 (x2 + βx + γ) Assim bx + c b 2x + β bβ 1 n dx = 2 + βx + γ)n dx + c − n dx = (x2 + βx + γ) 2 (x 2 (x2 + βx + γ) b bβ = (TIPO C) + c − (TIPO D) . 2 2 TIPO C: Fazemos u = x2 + βx + γ du = (2x + β) dx 58
  • 59.
    e assim 2x + β 1 1 n dx = du = + k1 = (x2 + βx + γ) un (1 − n) un−1 1 = + k1 . (1 − n) (x2 + βx + γ)n−1 TIPO D: Inicialmente escrevemos 2 2x + β x2 + βx + γ = − √ +1 4 − e assim n 1 4 1 2 + βx + γ)n dx = − n dx. (x 2x+β 2 √ − +1 Fazemos 2x + β u = √ − 2 du = √ dx − e obtemos n √ 1 4 − 1 2 + βx + γ)n dx = − n du = (x 2 (u2 + 1) 2n−1 2 1 = √ n du. − (u2 + 1) Para o c´lculo desta ultima usamos uma f´rmula de redu¸˜o a ´ o ca 1 1 u 3 − 2n 1 n du = + n−1 du. (u2 + 1) 2n − 2 (u2 + 1)n−1 2 − 2n (u2 + 1) 7.5 Segundo M´todo de Substitui¸˜o e ca Teorema: Sejam f : I → R e g : J → I tais que g ´ invers´ e deriv´vel. Se e ıvel a F (t) ´ uma primitiva de e f (g (t)) .g (t) em J ent˜o F g −1 (x) ´ uma primitiva de f em I. a e Demonstra¸˜o: Basta calcularmos a derivada de F g −1 (x) : ca F ◦ g −1 (x) = F g −1 (x) g −1 (x) = 1 = f g g −1 (x) g g −1 (x) = g (t) 1 = f (x) g (t) = g (t) = f (x) . 59
  • 60.
    ca ´ Observa¸˜o: E usual a ado¸˜o do seguinte esquema pr´tico ca a PROBLEMA: f (x) dx x = g (t) , conveniente dx = g (t) dt f (x) dx = f (g (t)) g (t) dt = F (t) + k f (x) dx = F g −1 (x) + k Primitivas de Fun¸˜es Irracionais co Sendo R (x, y) uma fun¸˜o racional nas vari´veis x,y e pn (x) um polinˆmio ca a o de grau n ent˜o vale que a R x, pn (x) dx ´ elementar se e somente se n = 0, 1 ou 2. Este resultado ´ conhecido como e e Teorema de Hermite. 1o Caso: Se n = 0 ent˜o a fun¸˜o ´ uma fun¸˜o racional. a ca e ca 2o Caso: Se n = 1 ent˜o a √ R x, p1 (x) = R x, ax + b . Neste caso o segundo m´todo de substitui¸˜o pode ajudar: e ca t2 = ax + b. 3o Caso: Se n = 2 e f envolve radicais do tipo a2 − x2 a dica ´ fazer a substitui¸˜o e ca x = a sin t. Neste caso quando voltarmos para a vari´vel x usamos que a x sin t = 2 √ a2 − x2 cos t = . a 4o Caso: Se n = 2 e f envolve radicais do tipo a2 + x2 60
  • 61.
    a dica ´fazer a substitui¸˜o e ca x = a tan t. Neste caso quando voltarmos para a vari´vel x usamos que a √ a2 + x2 sec t = a x tan t = a 5o Caso: Se n = 2 e f envolve radicais do tipo x2 − a2 a dica ´ fazer a substitui¸˜o e ca x = a sec t. Neste caso quando voltarmos para a vari´vel x usamos que a x sec t = a √ x2 − a2 tan t = a p Primitivas do Tipo xm (a + bxn ) dx Uma primitiva do tipo p xm (a + bxn ) dx; m, n, p ∈ Q; a, b ∈ R ´ elementar se e m+1 m+1 {p, , + p} ∩ Z = ∅. n n Este resultado ´ conhecido como Teorema de Chebyshev. e 1o Caso: Se p ∈ Z ent˜o usamos a substitui¸˜o a ca x = tN onde N ´ o m´ e ınimo m´ltiplo comum dos denominadores de m e n. u m+1 2o Caso: Se n ∈ Z ent˜o usamos a substitui¸˜o a ca a + bxn = xN onde N ´ o denominador de p. e 61
  • 62.
    m+1 3o Caso: Se n + p ∈ Z ent˜o usamos a substitui¸˜o a ca a + b = tN xn onde N ´ o denominador de p. e Primitivas de Fun¸˜es Racionais que envolvem ex co A dica que damos para este tipo de primitiva ´ a substitui¸˜o e ca x = ln t. Primitivas com fra¸˜es envolvendo potˆncias de seno e co-seno: co e A dica ´ considerar a substitui¸˜o e ca x = 2 arctan t. Alguns casos particulares: 1) Se R (− sin x, cos x) = −R(sin x, cos x) ou R (sin x, − cos x) = −R(sin x, cos x) pode-se usar t = cos x ou t = sin x. 2) Se R (− sin x, − cos x) = R(sin x, cos x) pode-se usar x = arctan t. 8 A Integral de Riemann 8.1 Introdu¸˜o e Defini¸˜o ca ca As no¸˜es de derivada e integral constituem o par de conceitos mais importantes co do C´lculo Diferencial e Integral. A derivada est´ relacionada com a no¸˜o a a ca geom´trica de tangente e com a no¸˜o f´ e ca ısica de velocidade. Veremos nas pr´ximas se¸˜es que a integral est´ relacionada a no¸˜o geom´trica o co a ca e de ´rea e com a id´ia f´ a e ısica de trabalho. 62
  • 63.
    No final destecap´ıtulo provaremos o Teorema Fundamental do C´lculo que a relaciona estes dois conceitos aparentemente diversos. Defini¸˜o: Uma parti¸˜o de um intervalo [a, b] ´ um conjunto de pontos ca ca e P = {x0 , x1 , ..., xn } ⊂ [a, b] satisfazendo a = x0 < x1 < ... < xn = b. Observa¸˜o: ca n (xi − xi−1 ) = b − a. i=1 Nota¸˜es: Dada f : [a, b] → R limitada denotamos: co m = inf{f (x) |x ∈ [a, b]} M = sup{f (x) |x ∈ [a, b]} mi = inf{f (x) |x ∈ [xi−1 , xi ]} Mi = sup{f (x) |x ∈ [xi−1 , xi ]} A soma inferior de f relativamente a parti¸˜o P ´ ca e n s (f, P ) = mi (xi − xi−1 ) . i=1 A soma superior de f relativamente a parti¸˜o P ´ ca e n S (f, P ) = Mi (xi − xi−1 ) . i=1 ´ E imediato que m (b − a) ≤ s (f, P ) ≤ S (f, P ) ≤ M (b − a) seja qual for a parti¸˜o de [a, b] . ca Se f (x) ≥ 0 para todo x ∈ [a, b] ent˜o as somas inferior e superior s˜o a a valores aproximados, respectivamente por falta e por excesso, da ´rea da regi˜o a a limitada pelo gr´fico de f, pelo intervalo [a, b] e pelas retas x = a e x = b. a Defini¸˜o: A integral inferior e a integral superior de uma fun¸˜o limitada ca ca f : [a, b] → R s˜o definidas por a b f (x) dx = sup s (f, P ) a P − − b f (x) dx = inf S(f, P ) a P 63
  • 64.
    Observa¸˜es: co A seguir listamos algumas propriedades que s˜o naturais do ponto de vista a geom´trico. Deixaremos as demonstra¸˜es para o curso de An´lise Matem´tica. e co a a 1) Quando refinamos uma parti¸˜o a soma inferior n˜o diminui e a soma ca a superior n˜o aumenta: a P ⊂ Q ⇒ s (f, P ) ≤ s (f, Q) P ⊂ Q ⇒ S (f, Q) ≤ S (f, P ) . 2) A observa¸˜o anterior implica que para quaisquer parti¸˜es P, Q do inter- ca co valo [a, b] e qualquer fun¸˜o limitada f : [a, b] → R tem-se ca s (f, P ) ≤ s (f, P ∪ Q) ≤ S(f, P ∪ Q) ≤ S (f, Q) e portanto s (f, P ) ≤ S (f, Q) . 3) Dada f : [a, b] → R , se m ≤ f (x) ≤ M para todo x ∈ [a, b] ent˜o a − b b m (b − a) ≤ f (x) dx ≤ f (x) dx ≤ M (b − a) . a a − De fato, as desigualdades externas s˜o ´bvias e a do meio segue das ob- a o serva¸˜es anteriores. co Defini¸˜o: Uma fun¸˜o limitada f : [a, b] → R diz-se integr´vel quando sua ca ca a integral inferior e sua integral superior s˜o iguais. Esse valor comum chama-se a integral de f e ´ indicado por e b f (x) dx. a Interpreta¸˜o Geom´trica: ca e Quando f ´ integr´vel , sua integral e a b f (x) dx a ´ o n´mero real cujas aproxima¸˜es por falta s˜o as somas inferiores s (f, P ) e e u co a cujas aproxima¸˜es por excesso s˜o as somas superiores S (f, P ) . co a As aproxima¸˜es melhoram quando se refina a parti¸˜o P. Quando f (x) ≥ 0 co ca b para todo x ∈ [a, b] , a existˆncia de a f (x) dx significa que a regi˜o limitada e a pelo gr´fico de f, pelo segmento [a, b] e pelas retas verticais x = a e x = b tem a a ´rea e o valor da integral ´ por defini¸˜o a ´rea dessa regi˜o. e ca a a 64
  • 65.
    Exemplos: 1) Seja f : [0, 1] → R definida por 0, x ∈ Q f (x) = . 1, x ∈ Qc Temos, para qualquer parti¸˜o P de [0, 1] : ca s(f, P ) = 0 e S(f, P ) = 1. Assim 1 f (x) dx = 0 0 − e − 1 f (x) dx = 1. 0 Logo f n˜o ´ integr´vel. a e a 2) Seja f : [a, b] → R definida por f (x) = k. Temos, para qualquer parti¸˜o P de [a, b] : ca s(f, P ) = k (b − a) e S(f, P ) = k (b − a) . Assim b kdx = k (b − a) a − e − b kdx = k (b − a) . a Logo f ´ integr´vel e e a b kdx = k (b − a) . a Defini¸˜o: Dizemos que um conjunto E ´ enumer´vel se existir uma bije¸˜o ca e a ca entre E e um subconjunto dos n´meros naturais. Em outras palavras os elemen- u tos de E podem ser listados: E = {e1 , e2 , ...}. 65
  • 66.
    Alguns exemplos deconjuntos enumer´veis: vazio, qualquer conjunto finito, a N, Z, Q. Teorema: Seja f : [a, b] → R limitada. Se D (f ) , conjunto dos pontos de descontinuidade de f, for enumer´vel ent˜o f ´ integr´vel. a a e a O Teorema acima, cuja demonstra¸˜o ser´ omitida, ´ um caso particular ca a e do Teorema de Riemann-Lebesgue que afirma que uma fun¸˜o ´ integr´vel se e ca e a somente se o conjunto dos pontos de descontinuidade tem medida nula. Em particular, Corol´rio:Todas as fun¸˜es cont´ a co ınuas em um intervalo fechado s˜o in- a tegr´veis. a 8.2 Primeiras Tentativas de C´lculo de Integrais a A seguir enunciaremos um teorema que nos auxiliar´ no c´lculo de integrais. a a Teorema: Sejam f : [a, b] → R limitada e integr´vel ` Riemann e a a (b − a) (b − a) (b − a) P = {x0 = a, x1 = a + , x2 = a + 2 , ..., xn = a + n } n n n uma parti¸˜o de [a, b] . Vale que ca b n b−a f (x) dx = lim f (ti ) a n→+∞ i=1 n onde ti ∈ [xi−1 , xi ] ´ um ponto qualquer. e Exemplos: 1) Sabemos que f : [a, b] → R dada por f (x) = x2 ´ limitada e integr´vel em [a, b] . De fato, isto segue direto e a do fato de ser cont´ ınua. Calculemos b x2 dx. a 66
  • 67.
    i(b−a) Temos, pelo teorema anterior, usando ti = a + n , que b n 2 i (b − a) b−a x2 dx = lim a+ = a n→+∞ i=0 n n n n n 3 a2 (b − a) 2ai(b − a)2 i2 (b − a) = lim + 2 + = n→+∞ i=0 n i=0 n i=0 n3 n n 3 n a2 (b − a) 2a(b − a)2 (b − a) = lim 1+ i+ i2 = n→+∞ n i=0 n2 i=0 n3 i=0 3 a2 (b − a) 2a(b − a)2 n (n − 1) (b − a) n (n + 1) (2n + 1) = lim n+ + = n→+∞ n n2 2 n3 6 3 2 (b − a) = a2 (b − a) + a (b − a) + = 3 1 3 1 3 = b − a . 3 3 2) Sabemos que f : [a, b] → R dada por f (x) = ex ´ limitada e integr´vel em [a, b] . De fato, isto segue direto e a do fato de ser cont´ ınua. Calculemos b ex dx. a Aplicando novamente o teorema anterior, usando ti = a + (i − 1) (b−a) n b n (b−a) b−a ex dx = lim ea+(i−1) n = a n→+∞ i=0 n n (b−a) b−a (b−a) = lim ea n e(i−1) n = n→+∞ n i=0 (b−a) n ea n b−a (b−a) = lim (b−a) ei n = eb − ea . n→+∞ e n n i=0 8.3 Propriedades das Integrais Antes de listarmos as propriedades das integrais apresentamos algumas defini¸˜es co complementares. 67
  • 68.
    Defini¸˜o: Dado f: [a, b] → R integr´vel definimos: ca a a a) f (x) dx = 0. a a b b) f (x) dx = − f (x) dx. b a Propriedades das Integrais Consideremos f, g fun¸˜es integr´veis em [a, b] . Sejam c1 , c2 , c3 ∈ [a, b] e co a k ∈ R. Valem: 1) (f ± g) ´ integr´vel em [a, b] e e a b b b (f (x) ± g (x)) dx = f (x) dx ± g (x) dx. a a a 2) kf ´ integr´vel em [a, b] e e a b b kf (x) dx = k f (x) dx. a a 3) Se f ≥ 0 em [a, b] ent˜o a b f (x) dx ≥ 0. a 4) Se f ≤ g em [a, b] ent˜o a b b f (x) dx ≤ g (x) dx. a a 5) |f | ´ integr´vel em [a, b] e e a b b f (x) dx ≤ |f (x)| dx. a a 6) Se m ≤ f (x) ≤ M em [a, b] ent˜o a b m (b − a) ≤ f (x) dx ≤ M (b − a) . a 68
  • 69.
    7) Se f= g a menos de um conjunto finito de pontos ent˜o a b b f (x) dx = g (x) dx. a a 8) c2 c3 c2 f (x) dx = f (x) dx + f (x) dx. c1 c1 c3 N˜o iremos provar nenhuma das afirma¸˜es acima. Do ponto de vista a co geom´trico elas s˜o bem naturais. Para prov´-las precisar´ e a a ıamos estudar as pro- priedades de supremo e ´ınfimo e isso nos tomaria um bom tempo. Deixamos para o curso de An´lise Matem´tica estas quest˜es. a a o Exemplos: 1) Provemos que 2 1 1 1 ≤ dx ≤ . 11 1 x2 + 3x + 1 5 Observe que para x ∈ [1, 2] temos que 5 ≤ x2 + 3x + 1 ≤ 11 e assim 1 1 1 ≤ 2 ≤ . 11 x + 3x + 1 5 Integrando os trˆs lados obtemos a desigualdade desejada. e 2) Qual o erro de aproximar-se 100 e−x sin2 xdx 0 por 10 e−x sin2 xdx? 0 Temos 100 10 100 e−x sin2 xdx = e−x sin2 xdx + e−x sin2 xdx. 0 0 10 Assim o erro que precisa ser estimado ´ e 100 e−x sin2 xdx. 10 69
  • 70.
    Temos 0 sin2 x ≤ 1 ≤ 0 e−x sin2 x ≤ e−x ≤ 1 1 x ∈ [10, 100] ⇒ 100 ≤ e−x ≤ 10 ⇒ e e −x 2 1 ⇒ 0 ≤ e sin x ≤ 10 . e Assim 100 100 90 e−x sin2 xdx ≤ e−10 dx = . 10 10 e10 Teorema do Valor M´dio Integral: Se f ´ uma fun¸˜o cont´ e e ca ınua em [a, b] ent˜o existe c ∈ [a, b] tal que a b f (x) dx = f (c) (b − a) . a Demonstra¸˜o: Como f ´ cont´ ca e ınua em [a, b] ent˜o, pelo Teorema de a Weierstrass, existem x1 e x2 tais que f (x1 ) ≤ f (x) ≤ f (x2 ) , ∀x ∈ [a, b] . Utilizando a propriedade 6) temos que b f (x1 ) (b − a) ≤ f (x) dx ≤ f (x2 ) (b − a) . a Assim b a f (x) dx f (x1 ) ≤ ≤ f (x2 ) . b−a Pelo Teorema do Valor Intermedi´rio segue que existe c ∈ [a, b] tal que a b a f (x) dx f (c) = . b−a 8.4 O Teorema Fundamental do C´lculo a Nesta se¸˜o faremos a conex˜o entre os conceitos de integral e de derivada. ca a Defini¸˜o: Seja f : [a, b] → R uma fun¸˜o integr´vel. A fun¸˜o F : [a, b] → ca ca a ca R dada por x F (x) = f (t) dt a 70
  • 71.
    ¸˜ ´ ´ chamadade INTEGRAL INDEFINIDA ou de FUNCAO AREA. e Teorema: F ´ uma fun¸˜o cont´ e ca ınua em [a, b] . Demonstra¸˜o: Sejam x, x0 ∈ [a, b] . Temos que ca x F (x) − F (x0 ) = f (t) dt. x0 Como f ´ integr´vel ent˜o em particular f ´ limitada. Assim existem m, M ∈ e a a e R tais que m (x − x0 ) ≤ F (x) − F (x0 ) ≤ M (x − x0 ) . Assim aplicando o Teorema do Sandu´ ıche temos que lim F (x) = F (x0 ) . x→x0 Observe que se x0 for extremo de intervalo ent˜o o limite ´ lateral. a e Teorema Fundamental do C´lculo: Seja f : I → R cont´ a ınua, I intervalo aberto contendo um ponto a. Ent˜o a F :I→R dada por x F (x) = f (t) dt a ´ deriv´vel e e a F (x) = f (x) , ∀x ∈ I. Demonstra¸˜o: Basta mostrarmos que existe o limite ca F (x + h) − F (x) lim . h→0 h Temos x+h F (x + h) − F (x) f (t) dt lim = lim x =∗ h→0 h h→0 h Aplicando o Teorema do Valor M´dio Integral temos que e x+h f (t) dt = f (cx ) h x onde cx est´ entre x e x + h. Logo a f (cx ) h ∗ = lim = f (x) h→0 h j´ que f ´ cont´ a e ınua em I. 71
  • 72.
    Corol´rio:Sejam a a) I ⊃ [a, b] um intervalo aberto; b) f : I → R uma fun¸ao cont´ c˜ ınua e c) g : I → R uma fun¸˜o deriv´vel satisfazendo ca a g (x) = f (x) , ∀x ∈ [a, b] . Vale que b f (t) dt = g (b) − g (a) . a Demonstra¸˜o: O Teorema Fundamental do C´lculo nos fornece uma ca a primitiva de f : x F (x) = f (t) dt. a Como F (x) = g (x) , ∀x ∈ I segue que existe k ∈ R tal que g (x) = F (x) + k. Assim b g (b) − g (a) = F (b) − F (a) = f (t) dt. a Observa¸˜o: ca 1) Muitas vezes o teorema acima ´ chamado de 2o Teorema Fundamental do e C´lculo. N˜o achamos muito conveniente esta nota¸˜o. O teorema acima ´ uma a a ca e consequˆncia do Teorema Fundamental do C´lculo. Mais que isso ´ a principal e a e consequˆncia. e 2) O corol´rio acima nos fornece um importante instrumento de c´lculo de a a integrais. De fato, para calcularmos uma integral de uma fun¸˜o que possua ca primitiva elementar basta avaliarmos esta primitiva nos extremos do intervalo. 72