Disciplina de reumatologia
Caso clínico l


Paciente do sexo feminino, 49 anos, 63 kg, 1,65 m, com
queixa de dor lombar e abdominal há cinco anos, com
piora há dois anos. Há nove meses havia sido
submetida à cirurgia para tratamento de hérnia de
disco lombar, com melhora discreta do quadro álgico
Caso clínico l


Na consulta inicial, queixava-se de dor lombar, com
irradiação para a região inguinal esquerda, contínua,
com intensidade da dor avaliada pela escala analógica
visual (EAV) igual a 8. Em uso de fórmula por via oral,
contendo fluoxetina, meloxicam e amitriptilina há
aproximadamente um ano
Caso clínico l


Ao exame apresentava dor à palpação do músculo
psoas e dor à rotação com flexão da coluna lombar;
palpação de discos intervertebrais e facetas articulares,
normais. Exame neurológico sem alterações.
Manobra do Psoas




Psoas – pede-se ao paciente que se deite sobre o lado não afetado e estenda sua outra perna
contra a resistência da mão do examinador. Quando positivo (dor durante a manobra), sugere
processo inflamatório adjacente ao músculo psoas.
Caso clínico l



A hipótese diagnóstica elaborada foi de síndrome
dolorosa miofascial do psoas. Para confirmação
diagnóstica foi indicada infiltração anestésica do
músculo guiada por radioscopia.O procedimento foi
realizado em centro cirúrgico, sob sedação com
midazolam e fentanil, com técnica asséptica, guiada por
radioscopia
Caso clínico l



Feito botão anestésico com lidocaína a 2% sem
adrenalina, punção única com agulha 22G, ao nível do
espaço entre a terceira e a quarta vértebras lombares. A
medicação utilizada consistiu de ropivacaína a 0,2% (6
mL) e depomedrol (80 mg).
Caso clínico l




O procedimento transcorreu sem intercorrências.
Imediatamente a paciente apresentou alivio completo
da dor, recebendo alta hospitalar em duas horas. O
diagnóstico de síndrome de dor miofascial do músculo
psoas foi confirmado.
l
Caso clínico ll
O.M.L. 43ª,sexo feminino,refere dor intensa em região periescapular esquerda
com irradiação da dor pelo membro superior. Ao exame apresenta dor
importante à palpação de uma área não superior a 5 mm de diâmetro no
músculo supra espinhal. O local apresenta contratura muscular.A palpação
provoca uma reação do paciente, de retirada, chamada de sinal do pulo (jump
sign).A ultrassonografia do ombro sugere alterações do manguito rotador.




    Trigger-point
Caso clínico lll
K.L.P. 53 anos, masculino, refere intensa dor no processo xifóide do esterno, a
dor à digitopressão do apêndice xifóide reproduz a dor, a qual é intermitente e
costuma piorar com a alimentação volumosa, com levantamento de excesso de
peso, com inclinação, curvatura ou movimento de rotação da coluna dorso-
lombar.
Conceito,manifestações
clínicas,tratamento
Conceito

A síndrome miofascial é uma síndrome dolorosa regional caracterizada por dor
muscular e tendínea,originada em um “ponto gatilho” (trigger-point) sendo a
causa mais frequente de lombalgias, cefaleias tensionais e dor orofacial.


Os pontos-gatilho são centrais e fundamentais para o diagnóstico da síndrome
miofascial.Diversas interpretações e definições destes pontos-gatilhos tem
dado origem a dificuldades diagnósticas, de tal forma que existe hoje um
consenso das características que eles devem possuir:
Características dos trigger-points

1-Dor importante à palpação de uma área não superior a 5 mm de diâmetro no
músculo
2-O ponto palpável está em área de contratura muscular
3-O ponto-gatilho provoca uma contração ou fasciculação a distância quando
palpado
4-A palpação altera a sensibilidade na zona de dor referida, seja por aumento
ou diminuição da mesma.
5- A palpação provoca uma reação do paciente, quase que esterotipada,de
retirada, defesa ou reconhecimento da dor, chamada de sinal do pulo (jump
sign)
Síndrome Miofascial-características
Dor a palpação                  Melhora com agulhamento
                                do ponto-gatilho
Mudança na intensidade da
dor localmente ou à distância   Sintomas associados
na palpação                     Otológicos
Dor na zona referida            Parestesias
Dor surda constante             Alterações funcionais
Irradiação igual no mesmo       gastrintestinais
paciente e interpacientes       Fatores contributórios
Dermografismo
1-Músculos da região cervical posterior                              8-Músculos glúteos,tensor da fáscia lata e piriforme
2-Músculos esterno-cleido-mastoideo e escaleno                       9-Retofemoral e vasto medial
3-Trapézio                                                           10-Músculos extensores e flexores do ante-braço
4-Infraespinhoso                                                     11-Músculos peitorais (maior e menor)
5-Supraespinhoso                                                     12-Músculos do pé (interósseos)
6-Elevador da escápula,rombóide e musculatura paravertebral dorsal   13- Músculos da panturrilha
7-Musculatura paravertebral lombar e quadrado lombar
Tratamento
1-Acupuntura
2-Massagem
3-Agentes tópicos
4-Agulhamento dos pontos-gatilho
5-Tratamento medicamentoso->antidepressivos, Anti-
inflamatórios e analgésicos, relaxantes musculares e
anticonvulsivantes.
6-Reabilitação
7-Suporte psicológico
Um caso de dores difusas
Relato do caso

M.T.S, 23 anos, sexo feminino refere que há 4 anos iniciou
quadro de dor musculoesquelética difusa em praticamente
todo o corpo, que piora com temperaturas baixas, esforço
físico e tensão emocional, acompanhada desde o início de
fadiga esquecimentos e distúrbios do sono. Este, não
reparador.
Diagnóstico?
O que é a Fibromialgia?
É uma síndrome clínica de evolução crônica
caracterizada por:
DOR músculo-esquelética DIFUSA acompanhada de FADIGA , DISTÚRBIOS
DO SONO e a presença de DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS (ansiedade,
depressão, além de numerosas queixas somáticas)atribuída à amplificação da
percepção da dor por sensibilização central.

Há outros sintomas associados:
• Intestino irritável
• Alterações do humor
• Pernas inquietas
• Cefaléia
Fibromialgia
Conceito de Dor Difusa
O Papel da Sensibilização Central
Qual a etiologia da fibromialgia?
Fisiopatologia da fibromialgia
Fisiopatologia da Fibromialgia:
     Sensibilização do SNC


        Normal                  Fibromialgia




 redução do fluxo sanguíneo no tálamo e núcleo caudado
Observação



Muitos estudos tem demonstrado que pacientes com
FIBROMIALGIA não detectam estímulos elétricos, de
pressão ou térmicos abaixo dos níveis normais, mas o ponto
em que estes estímulos passam a causar dor é muito baixo.
 (Arroyo & Cohen, 1993; Lautenbacher et al., 1994)
Epidemiologia
Quadro clínico da Fibromialgia
Fibromialgia e Comorbidades
Comorbidades...
Dor lombar crônica: 67% (12–33%)
Síndrome do intestino irritável: 59% (15–20%)
Distúrbio do humor: 29% (10–15%)
Distúrbio de ATM: 24% (3.7–12%)
Cefaléia tensional crônica: 23% (2–3%)
Síndrome da fadiga crônica: 18% (1%)
Fibromialgia - Diagnóstico
Diferencial
Como diagnosticar?
Critérios do American College of
Rheumatology (ACR)
Fibromialgia: prognóstico
Tratamento
Tratamento da Fibromialgia

Educação                  Anticonvulsivantes
Exercício aeróbico        Antidepressivos
Terapia cognitiva         Analgésicos
Educação do paciente      Opióides fracos
Alongamento e             Outros
fortalecimento muscular
Hidroterapia
Tratamento
Atividade Física
Modula a dor
Aumenta serotonina,GH IGF1
Regulação sist.nervoso autonômico
Hipotálamo-hipófise-adrenal
Educação
Explicar a fisiopatologia.
Explicar o papel dos aspectos emocionais.
Reassegurar a benignidade.
Explicar os fatores perpetuantes
Ser otimista.
Terapia cognitivo-comportamental
Princípios gerais do tratamento
farmacológico
Terapia individualizada



Predisposição a efeitos colaterais


Mais de uma medicação é a regra


Foco do Tratamento Farmacológico:
MELHORAR QUALIDADE DO SONO
CONTROLE DA DOR E DOS SINTOMAS
EQUILÍBRIO EMOCIONAL
MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA
FIBROMIALGIA: TRATAMENTO
Antidepressivos tricíclicos: diminuem a recaptação de serotonina e
noradrenalina. Pode também inibir os receptores NMDA (n-metil-d-aspartato).
amitriptilina12,5-25mg
ciclobenzaprina5-10mg.
Neuromoduladores:
gabapentina 600mg
Pregabalina 150mg
FIBROMIALGIA: TRATAMENTO
Inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Ex:
fluoxetina 20-40mg. Utilizar principalmente quando houver
depressão concomitante.


Inibidores seletivos da recaptação da serotonina,
norepinefrina. Ex: duloxetina 30-60mg.


Antiparkinsoniano, pramipexol Síndrome das pernas
inquietas
Cuidado com este perfil de paciente….
Cuidado para não ser um médico
assim…
Teórico prático l 2013

Teórico prático l 2013

  • 1.
  • 2.
    Caso clínico l Pacientedo sexo feminino, 49 anos, 63 kg, 1,65 m, com queixa de dor lombar e abdominal há cinco anos, com piora há dois anos. Há nove meses havia sido submetida à cirurgia para tratamento de hérnia de disco lombar, com melhora discreta do quadro álgico
  • 3.
    Caso clínico l Naconsulta inicial, queixava-se de dor lombar, com irradiação para a região inguinal esquerda, contínua, com intensidade da dor avaliada pela escala analógica visual (EAV) igual a 8. Em uso de fórmula por via oral, contendo fluoxetina, meloxicam e amitriptilina há aproximadamente um ano
  • 4.
    Caso clínico l Aoexame apresentava dor à palpação do músculo psoas e dor à rotação com flexão da coluna lombar; palpação de discos intervertebrais e facetas articulares, normais. Exame neurológico sem alterações.
  • 5.
    Manobra do Psoas Psoas– pede-se ao paciente que se deite sobre o lado não afetado e estenda sua outra perna contra a resistência da mão do examinador. Quando positivo (dor durante a manobra), sugere processo inflamatório adjacente ao músculo psoas.
  • 6.
    Caso clínico l Ahipótese diagnóstica elaborada foi de síndrome dolorosa miofascial do psoas. Para confirmação diagnóstica foi indicada infiltração anestésica do músculo guiada por radioscopia.O procedimento foi realizado em centro cirúrgico, sob sedação com midazolam e fentanil, com técnica asséptica, guiada por radioscopia
  • 7.
    Caso clínico l Feitobotão anestésico com lidocaína a 2% sem adrenalina, punção única com agulha 22G, ao nível do espaço entre a terceira e a quarta vértebras lombares. A medicação utilizada consistiu de ropivacaína a 0,2% (6 mL) e depomedrol (80 mg).
  • 8.
    Caso clínico l Oprocedimento transcorreu sem intercorrências. Imediatamente a paciente apresentou alivio completo da dor, recebendo alta hospitalar em duas horas. O diagnóstico de síndrome de dor miofascial do músculo psoas foi confirmado.
  • 9.
    l Caso clínico ll O.M.L.43ª,sexo feminino,refere dor intensa em região periescapular esquerda com irradiação da dor pelo membro superior. Ao exame apresenta dor importante à palpação de uma área não superior a 5 mm de diâmetro no músculo supra espinhal. O local apresenta contratura muscular.A palpação provoca uma reação do paciente, de retirada, chamada de sinal do pulo (jump sign).A ultrassonografia do ombro sugere alterações do manguito rotador. Trigger-point
  • 10.
    Caso clínico lll K.L.P.53 anos, masculino, refere intensa dor no processo xifóide do esterno, a dor à digitopressão do apêndice xifóide reproduz a dor, a qual é intermitente e costuma piorar com a alimentação volumosa, com levantamento de excesso de peso, com inclinação, curvatura ou movimento de rotação da coluna dorso- lombar.
  • 11.
  • 12.
    Conceito A síndrome miofascialé uma síndrome dolorosa regional caracterizada por dor muscular e tendínea,originada em um “ponto gatilho” (trigger-point) sendo a causa mais frequente de lombalgias, cefaleias tensionais e dor orofacial. Os pontos-gatilho são centrais e fundamentais para o diagnóstico da síndrome miofascial.Diversas interpretações e definições destes pontos-gatilhos tem dado origem a dificuldades diagnósticas, de tal forma que existe hoje um consenso das características que eles devem possuir:
  • 13.
    Características dos trigger-points 1-Dorimportante à palpação de uma área não superior a 5 mm de diâmetro no músculo 2-O ponto palpável está em área de contratura muscular 3-O ponto-gatilho provoca uma contração ou fasciculação a distância quando palpado 4-A palpação altera a sensibilidade na zona de dor referida, seja por aumento ou diminuição da mesma. 5- A palpação provoca uma reação do paciente, quase que esterotipada,de retirada, defesa ou reconhecimento da dor, chamada de sinal do pulo (jump sign)
  • 14.
    Síndrome Miofascial-características Dor apalpação Melhora com agulhamento do ponto-gatilho Mudança na intensidade da dor localmente ou à distância Sintomas associados na palpação Otológicos Dor na zona referida Parestesias Dor surda constante Alterações funcionais Irradiação igual no mesmo gastrintestinais paciente e interpacientes Fatores contributórios Dermografismo
  • 15.
    1-Músculos da regiãocervical posterior 8-Músculos glúteos,tensor da fáscia lata e piriforme 2-Músculos esterno-cleido-mastoideo e escaleno 9-Retofemoral e vasto medial 3-Trapézio 10-Músculos extensores e flexores do ante-braço 4-Infraespinhoso 11-Músculos peitorais (maior e menor) 5-Supraespinhoso 12-Músculos do pé (interósseos) 6-Elevador da escápula,rombóide e musculatura paravertebral dorsal 13- Músculos da panturrilha 7-Musculatura paravertebral lombar e quadrado lombar
  • 16.
    Tratamento 1-Acupuntura 2-Massagem 3-Agentes tópicos 4-Agulhamento dospontos-gatilho 5-Tratamento medicamentoso->antidepressivos, Anti- inflamatórios e analgésicos, relaxantes musculares e anticonvulsivantes. 6-Reabilitação 7-Suporte psicológico
  • 17.
    Um caso dedores difusas
  • 18.
    Relato do caso M.T.S,23 anos, sexo feminino refere que há 4 anos iniciou quadro de dor musculoesquelética difusa em praticamente todo o corpo, que piora com temperaturas baixas, esforço físico e tensão emocional, acompanhada desde o início de fadiga esquecimentos e distúrbios do sono. Este, não reparador.
  • 19.
  • 20.
    O que éa Fibromialgia? É uma síndrome clínica de evolução crônica caracterizada por: DOR músculo-esquelética DIFUSA acompanhada de FADIGA , DISTÚRBIOS DO SONO e a presença de DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS (ansiedade, depressão, além de numerosas queixas somáticas)atribuída à amplificação da percepção da dor por sensibilização central. Há outros sintomas associados: • Intestino irritável • Alterações do humor • Pernas inquietas • Cefaléia
  • 21.
  • 22.
    O Papel daSensibilização Central
  • 23.
    Qual a etiologiada fibromialgia?
  • 24.
  • 25.
    Fisiopatologia da Fibromialgia: Sensibilização do SNC Normal Fibromialgia redução do fluxo sanguíneo no tálamo e núcleo caudado
  • 26.
    Observação Muitos estudos temdemonstrado que pacientes com FIBROMIALGIA não detectam estímulos elétricos, de pressão ou térmicos abaixo dos níveis normais, mas o ponto em que estes estímulos passam a causar dor é muito baixo. (Arroyo & Cohen, 1993; Lautenbacher et al., 1994)
  • 27.
  • 28.
    Quadro clínico daFibromialgia
  • 29.
  • 30.
    Comorbidades... Dor lombar crônica:67% (12–33%) Síndrome do intestino irritável: 59% (15–20%) Distúrbio do humor: 29% (10–15%) Distúrbio de ATM: 24% (3.7–12%) Cefaléia tensional crônica: 23% (2–3%) Síndrome da fadiga crônica: 18% (1%)
  • 31.
  • 32.
  • 33.
    Critérios do AmericanCollege of Rheumatology (ACR)
  • 36.
  • 37.
  • 38.
    Tratamento da Fibromialgia Educação Anticonvulsivantes Exercício aeróbico Antidepressivos Terapia cognitiva Analgésicos Educação do paciente Opióides fracos Alongamento e Outros fortalecimento muscular Hidroterapia
  • 39.
    Tratamento Atividade Física Modula ador Aumenta serotonina,GH IGF1 Regulação sist.nervoso autonômico Hipotálamo-hipófise-adrenal
  • 40.
    Educação Explicar a fisiopatologia. Explicaro papel dos aspectos emocionais. Reassegurar a benignidade. Explicar os fatores perpetuantes Ser otimista.
  • 41.
  • 42.
    Princípios gerais dotratamento farmacológico Terapia individualizada Predisposição a efeitos colaterais Mais de uma medicação é a regra Foco do Tratamento Farmacológico: MELHORAR QUALIDADE DO SONO CONTROLE DA DOR E DOS SINTOMAS EQUILÍBRIO EMOCIONAL MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA
  • 43.
    FIBROMIALGIA: TRATAMENTO Antidepressivos tricíclicos:diminuem a recaptação de serotonina e noradrenalina. Pode também inibir os receptores NMDA (n-metil-d-aspartato). amitriptilina12,5-25mg ciclobenzaprina5-10mg. Neuromoduladores: gabapentina 600mg Pregabalina 150mg
  • 44.
    FIBROMIALGIA: TRATAMENTO Inibidores seletivosda recaptação da serotonina. Ex: fluoxetina 20-40mg. Utilizar principalmente quando houver depressão concomitante. Inibidores seletivos da recaptação da serotonina, norepinefrina. Ex: duloxetina 30-60mg. Antiparkinsoniano, pramipexol Síndrome das pernas inquietas
  • 45.
    Cuidado com esteperfil de paciente….
  • 46.
    Cuidado para nãoser um médico assim…