Pancreatite Aguda Gabriel Assis Lopes do Carmo R2 CM 2008
Introdução Responsável pela digestão de carboidratos, gorduras e proteínas; Indispensável na manutenção dos níveis glicêmicos; No órgão normal, vários fatores existem para limitar a ação nociva das enzimas pancreáticas sobre o tecido normal: Enzimas são armazenadas na forma de pro-enzimas; São armazenadas em componentes subcelulares (zimogeneos); Baixa concentração de cálcio e baixo pH no interior dos zimogeneos;
Fisiopatologia O evento inicial impede a secreção das vesículas contendo as enzimas (álcool, drogas e cálculos); Fusão dos lisossomos com os zimogenios -> conversão do tripsinogênio em tripsina -> ativação das outras enzimas -> extravasamento das enzimas para o interstício; Fragmentos moleculares atraem os leucócitos para a região afetada:
Fisiopatologia Liberação de superóxidos; Liberação de enzimas proteolíticas (colagenase, elastase, catepsinas, etc.) Liberação de citocinas inflamatórios pelos macrófagos; Principais mediadores: IL-6, IL-8 e TNF- α ; Aumento da permeabilidade vascular -> hemorragia, edema e necrose;
Fisiopatologia A liberação de mediadores na circulação leva a complicações sistêmicas: Bacteremia (translocação); SARA; Derrame pleural; Hemorragia digestiva; IRA; Choque.
Epidemiologia Incidência: 17,5 a 73,4 em cada 100.000 pessoas; Mortalidade: 10-15%, com melhoras após avanços em cuidados intensivos. Se houver falência orgânica a taxa aumenta para 30% (sem melhora com os avanços); Taxa de hospitalização 3 vezes maior em negros; Acomete mais homens, cuja principal etiologia é alcoólica;
Clínica Dor abdominal em peso, localizado em abdome superior, com irradiação para o dorso e que melhora quanto senta; Náuseas e vômitos; Febre (76%), taquicardia (65%), defesa (68%), distensão (65%), icterícia (28%), dispnéia (10%), instabilidade hemodinâmica (10%) e melena ou hematêmese(5%);
Clínica Sinais clássicos: Sinal de Cullen; Sinal de Grey-Turner; Nódulos eritematosos por necrose subcutânea de gordura; Retinopatia de Purtscher (lesão isquêmica por ativação do complemento e agregação de hemáceas);
Etiologia Biliar (40%); Álcool (35%); Pós CPRE (4%); Trauma (1,5%); Infecção (<1%): Epstein-Barr, coxsackievirus, echovirus, varicella-zoster, sarampo e caxumba;
Etiologia Medicamentosa: azathioprina, sulfonamidas, sulindac, tetraciclina,  ácido valpróico , didanosina, metildopa, estrogenios,  furosemida , 6-mercaptopurina, pentamidina, compostos do ácido 5-aminosalicilico,  corticosteroides , octreotide, clorotiazida and  hidroclorotiazida , metandienona,  metronidazol , nitrofurantoina, fenformin, piroxicam, procainamida, colaspase, clortalidona, quimioterápicos (especialmente asparaginase), cimetidina, cisplatina, arabinosideo, tacrolimus, difenoxilato, e ácido etacrínico.
Etiologia Hereditário (<1%): genes  PRSS1 ,  CFTR , SPINK1; Hipercalcemia (<1%); Anormalidades congênitas (<1%): pâncreas divisum e pâncreas anular; Hipertrigliceridemia (<1%): geralmente > 1000mg/dL.  Curso mais grave! Toxinas (<1%): escorpião  Tityus trinitatis ;
Etiologia Pós-operatório (<1%); Anormalidades vasculares (<1%): PAN e LES (vasculite); Auto-imune (<1%); Idiopático (10%): a maioria dos casos está associado a  barro biliar .
Diagnóstico diferencial Colangite ,  colecistite , coledocolitíase, colelitíase câncer cólon, obstrução colônica,  úlcera duodenal , câncer gástrico, síndrome do intestino irritável,  IAM , câncer pâncreas,  pneumonia .
Laboratório Amilase: eleva: 3-6h; pico: 20-30h; persiste: até 72h. Pode ser medida na urina e a fração pancreática. Maior especificidade se acima de 10x o VR.  Não há correlação com a gravidade! Lipase: eleva: 3-6h; pico: 24h; persiste: até 14 dias. Mais específico.  Níveis > 3x sugerem etiologia alcoólica (Principalmente se > 5x) .
Laboratório   Amylase Lipase Pancreatitis ↑ ↑ Intestinal injury/obstruction ↑ ↑ Biliary stone ↑ ↑ Tubo-ovarian disease ↑ Normal Renal failure ↑ ↑ Macroamylasemia ↑ Normal Parotitis ↑ Normal
Laboratório FA, GGT,  TGO  e TGP  (ALT > 150 U/L sugere etiologia biliar e curso grave!) ; Na + , K + ,  Ca ++ , Mg ++ ,  triglicérides ,  uréia , creatinina,  LDH  e  glicemia ; Hemograma:  Ht < 47% na admissão prediz um curso mais favorável ; Gasometria:  HCO 3 - ; Transferrina deficiente em carboidrato : marcador mais fiel de uso crônico de álcool; Tripsinogênio-2: ütil em pancreatite pós-CPRE.
Imagem Radiografia tórax; Radiografia de abdômem; Ultra-sonografia; Ressonância magnética;
Imagem TC abdômem: Dúvida diagnóstica; Pancreatite grave (Ranson ≥ 3 ou APACHE ≥ 8); Geralmente desnecessário nas primeiras 72h; Usado como escore de gravidade; Se > 30% de necrose -> pancreatite grave;
Imagem Colângio-ressonância; US endoscópica:  principalmente na suspeita de barro biliar ; CPRE: Pancreatite biliar grave; Pancreatite biliar com piora da icterícia e do quadro clínico apesar de suporte adequado.
Estagiamento Pancreatite grave: PAS < 90mmHg, PaO 2  < 60 mmHg, creatinina > 2mg/dL, sangramento intestinal > 500mL em 24h, complicações locais e Ranson ≥ 3 ou APACHE ≥ 8; IMC > 30 e efusão pleural no RX denotam gravidade; Ranson  (a PaO 2  não entra na pancreatite biliar) ; Glasgow; APACHE II; Balthazar;
Tratamento Jejum; Hidratação; SNG se tiver distensão abdominal; Analgesia; Antibioticoterapia; Cirurgia.
Fluxograma
Pancreatite recorrente
Complicações Pseudocistos:  > 4 semanas . Tendência a não abordar, a não ser que haja sintomas. Classicamente aborda-se quando  > 6cm  pela baixa probabilidade de regressão; Pseudoaneurisma; Ascite; Sangramento; Fístula; Obstrução intestinal.
Complicações
Complicações
Complicações Infecção e SIRS: Principal causa de morte em pacientes com pancreatite grave!!!
Questões pontuais em UTI 6 passos importantes!!! Crit Care Med 2004, vol. 32(12).
Quando o paciente deve ir para a UTI? Critérios de instabilidade; Pacientes com maior risco de deterioração: idosos, obesos, necessidade de ressuscitação volêmica e grande necrose pancreática; Monitorização do volume vascular (débito urinário, exame físico e equilíbrio ácido-base) e da função pulmonar (Hipoxemia); Não usar marcadores como proteína C reativa ou procalcitonina para guiar decisões clínicas.
Pacientes com pancreatite grave devem receber antibiótico-profilaxia? 30-50% pacientes com necrose desenvolvem infecção (principalmente na terceira semana); Necrose pancreática infectada prediz maior mortalidade; Poucos estudos com metodologia ruim; Poucas metanálises com resultados não satisfatórios;
Pacientes com pancreatite grave devem receber antibiótico-profilaxia? “ Não é possível, no momento, indicar antibioticoterapia profilática em pacientes com pancreatite grave”  [ Crit Care Med 2004, vol. 32(12).] ; Outros artigos não contra-indicam, devendo a questão ficar em aberto; Os livros mais recentes ainda indicam; Não usar ciprofloxacino com metronidazol.
Pacientes com pancreatite grave devem receber antibiótico-profilaxia? Descontaminação seletiva do TGI: poucos estudos com resultados promissores. Ainda não pode ser recomendado.
Nutrição: qual a melhor modalidade e o melhor momento? Pacientes com pancreatite geralmente são hipercatabólicos; Nutrição parenteral -> nutrição enteral pode agravar o quadro da doença, devido à estimulação; Nutrição enteral -> menos infecção, menos intervenções cirurgicas e menor estadia na UTI;
Nutrição: qual a melhor modalidade e o melhor momento? Deve ser iniciada após a fase inicial de ressuscitação, preferencialmente via jejunal; NPT -> somente após  5-7 dias  de insuscesso com a nutrição enteral; Controle glicêmico deve ser feito como em qualquer outro paciente crítico.
Quais as indicações e o melhor momento para intervir cirurgicamente? Indicações clássicas: infarto intestinal, perfuração, hemorragia de grande volume e síndrome de compartimentação abdominal; Não se deve abordar casos com necrose estéril;
Quais as indicações e o melhor momento para intervir cirurgicamente? Punção guiada por TC deve ser feita em casos graves para comprovar infecção; Todo paciente com necrose infectada comprovada por punção ou gás na TC deve ser submetido a debritamento ou drenagem; Quando possível a necrosectomia deve ser realizada após 2-3 semanas para permitir demarcação do pâncreas necrótico.
Pancreatite biliar: quando intervir no colédoco? Todo paciente com pancreatite deve ser investigado quanto à etiologia biliar com US; Pacientes com icterícia obstrutiva e pancreatite biliar grave devem ser submetidos a CPRE nas  primeiras 72h  do início dos sintomas; Pacientes devem ser submetidos a colecistectomia ainda  na internação  para diminuir a recidiva de pancreatite.
Quando realizar terapia anti-inflamatória? Não há evidência de melhora em pacientes não infectados; Pacientes evoluido com infecção e sepse devem ser tratados conforme os guidelines do  Surviving Sepsis ; Deve-se ter atenção ao usar rh-APC devido ao risco de sangramento retroperitoneal.
Síndrome de Compartimentação Abdominal
Introdução Elevação da pressão intra-abdominal (PIA), com disfunção orgânica progressiva; Descrição clássica: abdomem tenso e distendido, aumento da PIA, diminuição da função renal, aumento da pressão de pico inspiratória, hipóxia e comprometimento da mecânica ventilatória, com melhora após laparotomia descompressiva.
Definição Hipertenão intra-abdominal (HIA): PIA ≥ 12 mmHg; Síndrome de compartimentação abdominal (SCA): PIA ≥ 20 mmHg; Pressão de perfusão abdominal (PPA)= PAM – PIA. Classificação: Primária: insulto inicial é intra-abdominal; Secundária: acúmulo de líquido sem lesão abdominal; Crônica: cirrose e ascite de outras causas.
Definição Ponto de referência para nivelar: 4° EI na linha axilar média; Deve ser medido no final da expiração, na posição supina e sem contração abdominal.
Definição
Epidemiologia 5 – 15% dos pacientes com trauma na UTI e 1% das admissões por trauma em geral; Mortalidade: geralmente por disfunção de múltiplos órgãos.
Fisiopatologia Pode ocorrer colapso da veia porta, trombose e edema da parede intestinal, com translocação de mediadores bacterianos, levando a mais acúmulo de líquidos. ↑  resistência na veia cava, com dificuldade do retorno venoso -> congestão e ↑ da PIA.
Fisiopatologia PPA seriamente comprometida quando a PIA ≥ 20 mmHg, levando a isquemia e ativação de mediadores inflamatórios -> ↑ extravasamento capilar  -> ↑ PIA; Compressão dos vasos linfáticos contribui para ↑ PIA.
Fisiopatologia Deslocamento superior do diafragma -> ↓ complancência pulmonar -> ↑ das pressões inspiratórias; ↓  fluxo hepato-esplâncnico: Disfunção hepática; IRA; ↓  DC (Compressão da veia cava) -> choque -> ↓ Pressão de perfusão cerebral.
Diagnóstico Três passos são importantes: Identificar pacientes em risco; Reconhecer os sintomas associados à transição da HIA para SCA; Medidas da PIA para confirmar o diagnóstico.
Diagnóstico Condições que aumentam o risco: Acidose (pH ≤ 7,2); Hipotermia (Tax ≤ 33°C); Politransfusão (≥ 10 CH em 24h); Coagulopatia (Plaq ≤ 55.000; RNI > 5; PTT > 2x); Sepse; Bacteremia; Disfunção hepática (cirrose com ascite, trombose portal e hepatite isquêmica); Ventilação mecânica; PEEP ou auto-PEEP; Pneumonia.
Diagnóstico Pacientes em risco: Cirurgia abdominal; Ressuscitação volêmica agressiva (> 5L em 24h); Íleo; Infecção intra-abdominal; Pneumoperitôneo; Hemoperitôneo.
Diagnóstico Sinais clássicos associados a SCA: ↑  pressões inspiratórias; ↓  débito urinário; Abdomem tenso.
Diagnóstico Pacientes que requerem medidas constantes: PO cirurgia abdominal; Trauma abdominal; Fraturas pélvicas com sangramento retroperitoneal; Pacientes em VM com outra disfunção orgânica; Pacientes com fechamento abdominal temporário; Pós cirurgia de descompressão abdominal; Pós ressuscitação volêmica agressiva.
Diagnóstico Rx abdomem: desnecessário; TC abdomem: Sinal de Round-Belly: distensão abdominal com aumento da relação do diâmetro anteroposterior-transversal > 0,8; Colapso da veia cava e espessamento intestinal; Hérnia inguinal bilateral; US: pode detectar aneurisma de aorta grande. Sem grande utilidade.
Tratamento Identificar pacientes em risco, utilizando inclusive medidas profiláticas (fechamento abdominal temporário); Uma vez atingido os objetivos pós-ressuscitação, não se deve continuar com hidratação agressiva; Manter PPA > 60 mmHg;
Tratamento Tratamento clínico (menos efetivo): Descompressão gástrica; Descompressão retal; Sedação; Bloqueio muscular (medida temporária); Posicionamento a dequado do paciente; Paracentese; Procinéticos; Diuréticos; Hemofiltração/ultrafiltração.
Tratamento Cirurgia (Padrão ouro): Pode ser feito na UTI; Pode contribuir para piora do quadro em alguns casos ( stress  cirúrgico); Isquemia de reperfusão; Não deve ser adiado na esperança de que métodos clínicos resolvam a HIA; Deve ser feito um esforço para fechar o abdomem o mais rápido possível (Primeiros 7 dias. Após este período o fechamento fascial é dificultado pela presença de tecidos de granulação e adesões).
Tratamento
 

Pancreatite Aguda Set 2008

  • 1.
    Pancreatite Aguda GabrielAssis Lopes do Carmo R2 CM 2008
  • 2.
    Introdução Responsável peladigestão de carboidratos, gorduras e proteínas; Indispensável na manutenção dos níveis glicêmicos; No órgão normal, vários fatores existem para limitar a ação nociva das enzimas pancreáticas sobre o tecido normal: Enzimas são armazenadas na forma de pro-enzimas; São armazenadas em componentes subcelulares (zimogeneos); Baixa concentração de cálcio e baixo pH no interior dos zimogeneos;
  • 3.
    Fisiopatologia O eventoinicial impede a secreção das vesículas contendo as enzimas (álcool, drogas e cálculos); Fusão dos lisossomos com os zimogenios -> conversão do tripsinogênio em tripsina -> ativação das outras enzimas -> extravasamento das enzimas para o interstício; Fragmentos moleculares atraem os leucócitos para a região afetada:
  • 4.
    Fisiopatologia Liberação desuperóxidos; Liberação de enzimas proteolíticas (colagenase, elastase, catepsinas, etc.) Liberação de citocinas inflamatórios pelos macrófagos; Principais mediadores: IL-6, IL-8 e TNF- α ; Aumento da permeabilidade vascular -> hemorragia, edema e necrose;
  • 5.
    Fisiopatologia A liberaçãode mediadores na circulação leva a complicações sistêmicas: Bacteremia (translocação); SARA; Derrame pleural; Hemorragia digestiva; IRA; Choque.
  • 6.
    Epidemiologia Incidência: 17,5a 73,4 em cada 100.000 pessoas; Mortalidade: 10-15%, com melhoras após avanços em cuidados intensivos. Se houver falência orgânica a taxa aumenta para 30% (sem melhora com os avanços); Taxa de hospitalização 3 vezes maior em negros; Acomete mais homens, cuja principal etiologia é alcoólica;
  • 7.
    Clínica Dor abdominalem peso, localizado em abdome superior, com irradiação para o dorso e que melhora quanto senta; Náuseas e vômitos; Febre (76%), taquicardia (65%), defesa (68%), distensão (65%), icterícia (28%), dispnéia (10%), instabilidade hemodinâmica (10%) e melena ou hematêmese(5%);
  • 8.
    Clínica Sinais clássicos:Sinal de Cullen; Sinal de Grey-Turner; Nódulos eritematosos por necrose subcutânea de gordura; Retinopatia de Purtscher (lesão isquêmica por ativação do complemento e agregação de hemáceas);
  • 9.
    Etiologia Biliar (40%);Álcool (35%); Pós CPRE (4%); Trauma (1,5%); Infecção (<1%): Epstein-Barr, coxsackievirus, echovirus, varicella-zoster, sarampo e caxumba;
  • 10.
    Etiologia Medicamentosa: azathioprina,sulfonamidas, sulindac, tetraciclina, ácido valpróico , didanosina, metildopa, estrogenios, furosemida , 6-mercaptopurina, pentamidina, compostos do ácido 5-aminosalicilico, corticosteroides , octreotide, clorotiazida and hidroclorotiazida , metandienona, metronidazol , nitrofurantoina, fenformin, piroxicam, procainamida, colaspase, clortalidona, quimioterápicos (especialmente asparaginase), cimetidina, cisplatina, arabinosideo, tacrolimus, difenoxilato, e ácido etacrínico.
  • 11.
    Etiologia Hereditário (<1%):genes PRSS1 , CFTR , SPINK1; Hipercalcemia (<1%); Anormalidades congênitas (<1%): pâncreas divisum e pâncreas anular; Hipertrigliceridemia (<1%): geralmente > 1000mg/dL. Curso mais grave! Toxinas (<1%): escorpião Tityus trinitatis ;
  • 12.
    Etiologia Pós-operatório (<1%);Anormalidades vasculares (<1%): PAN e LES (vasculite); Auto-imune (<1%); Idiopático (10%): a maioria dos casos está associado a barro biliar .
  • 13.
    Diagnóstico diferencial Colangite, colecistite , coledocolitíase, colelitíase câncer cólon, obstrução colônica, úlcera duodenal , câncer gástrico, síndrome do intestino irritável, IAM , câncer pâncreas, pneumonia .
  • 14.
    Laboratório Amilase: eleva:3-6h; pico: 20-30h; persiste: até 72h. Pode ser medida na urina e a fração pancreática. Maior especificidade se acima de 10x o VR. Não há correlação com a gravidade! Lipase: eleva: 3-6h; pico: 24h; persiste: até 14 dias. Mais específico. Níveis > 3x sugerem etiologia alcoólica (Principalmente se > 5x) .
  • 15.
    Laboratório   AmylaseLipase Pancreatitis ↑ ↑ Intestinal injury/obstruction ↑ ↑ Biliary stone ↑ ↑ Tubo-ovarian disease ↑ Normal Renal failure ↑ ↑ Macroamylasemia ↑ Normal Parotitis ↑ Normal
  • 16.
    Laboratório FA, GGT, TGO e TGP (ALT > 150 U/L sugere etiologia biliar e curso grave!) ; Na + , K + , Ca ++ , Mg ++ , triglicérides , uréia , creatinina, LDH e glicemia ; Hemograma: Ht < 47% na admissão prediz um curso mais favorável ; Gasometria: HCO 3 - ; Transferrina deficiente em carboidrato : marcador mais fiel de uso crônico de álcool; Tripsinogênio-2: ütil em pancreatite pós-CPRE.
  • 17.
    Imagem Radiografia tórax;Radiografia de abdômem; Ultra-sonografia; Ressonância magnética;
  • 18.
    Imagem TC abdômem:Dúvida diagnóstica; Pancreatite grave (Ranson ≥ 3 ou APACHE ≥ 8); Geralmente desnecessário nas primeiras 72h; Usado como escore de gravidade; Se > 30% de necrose -> pancreatite grave;
  • 19.
    Imagem Colângio-ressonância; USendoscópica: principalmente na suspeita de barro biliar ; CPRE: Pancreatite biliar grave; Pancreatite biliar com piora da icterícia e do quadro clínico apesar de suporte adequado.
  • 20.
    Estagiamento Pancreatite grave:PAS < 90mmHg, PaO 2 < 60 mmHg, creatinina > 2mg/dL, sangramento intestinal > 500mL em 24h, complicações locais e Ranson ≥ 3 ou APACHE ≥ 8; IMC > 30 e efusão pleural no RX denotam gravidade; Ranson (a PaO 2 não entra na pancreatite biliar) ; Glasgow; APACHE II; Balthazar;
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    Tratamento Jejum; Hidratação;SNG se tiver distensão abdominal; Analgesia; Antibioticoterapia; Cirurgia.
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  • 23.
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    Complicações Pseudocistos: > 4 semanas . Tendência a não abordar, a não ser que haja sintomas. Classicamente aborda-se quando > 6cm pela baixa probabilidade de regressão; Pseudoaneurisma; Ascite; Sangramento; Fístula; Obstrução intestinal.
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  • 27.
    Complicações Infecção eSIRS: Principal causa de morte em pacientes com pancreatite grave!!!
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    Questões pontuais emUTI 6 passos importantes!!! Crit Care Med 2004, vol. 32(12).
  • 29.
    Quando o pacientedeve ir para a UTI? Critérios de instabilidade; Pacientes com maior risco de deterioração: idosos, obesos, necessidade de ressuscitação volêmica e grande necrose pancreática; Monitorização do volume vascular (débito urinário, exame físico e equilíbrio ácido-base) e da função pulmonar (Hipoxemia); Não usar marcadores como proteína C reativa ou procalcitonina para guiar decisões clínicas.
  • 30.
    Pacientes com pancreatitegrave devem receber antibiótico-profilaxia? 30-50% pacientes com necrose desenvolvem infecção (principalmente na terceira semana); Necrose pancreática infectada prediz maior mortalidade; Poucos estudos com metodologia ruim; Poucas metanálises com resultados não satisfatórios;
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    Pacientes com pancreatitegrave devem receber antibiótico-profilaxia? “ Não é possível, no momento, indicar antibioticoterapia profilática em pacientes com pancreatite grave” [ Crit Care Med 2004, vol. 32(12).] ; Outros artigos não contra-indicam, devendo a questão ficar em aberto; Os livros mais recentes ainda indicam; Não usar ciprofloxacino com metronidazol.
  • 32.
    Pacientes com pancreatitegrave devem receber antibiótico-profilaxia? Descontaminação seletiva do TGI: poucos estudos com resultados promissores. Ainda não pode ser recomendado.
  • 33.
    Nutrição: qual amelhor modalidade e o melhor momento? Pacientes com pancreatite geralmente são hipercatabólicos; Nutrição parenteral -> nutrição enteral pode agravar o quadro da doença, devido à estimulação; Nutrição enteral -> menos infecção, menos intervenções cirurgicas e menor estadia na UTI;
  • 34.
    Nutrição: qual amelhor modalidade e o melhor momento? Deve ser iniciada após a fase inicial de ressuscitação, preferencialmente via jejunal; NPT -> somente após 5-7 dias de insuscesso com a nutrição enteral; Controle glicêmico deve ser feito como em qualquer outro paciente crítico.
  • 35.
    Quais as indicaçõese o melhor momento para intervir cirurgicamente? Indicações clássicas: infarto intestinal, perfuração, hemorragia de grande volume e síndrome de compartimentação abdominal; Não se deve abordar casos com necrose estéril;
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    Quais as indicaçõese o melhor momento para intervir cirurgicamente? Punção guiada por TC deve ser feita em casos graves para comprovar infecção; Todo paciente com necrose infectada comprovada por punção ou gás na TC deve ser submetido a debritamento ou drenagem; Quando possível a necrosectomia deve ser realizada após 2-3 semanas para permitir demarcação do pâncreas necrótico.
  • 37.
    Pancreatite biliar: quandointervir no colédoco? Todo paciente com pancreatite deve ser investigado quanto à etiologia biliar com US; Pacientes com icterícia obstrutiva e pancreatite biliar grave devem ser submetidos a CPRE nas primeiras 72h do início dos sintomas; Pacientes devem ser submetidos a colecistectomia ainda na internação para diminuir a recidiva de pancreatite.
  • 38.
    Quando realizar terapiaanti-inflamatória? Não há evidência de melhora em pacientes não infectados; Pacientes evoluido com infecção e sepse devem ser tratados conforme os guidelines do Surviving Sepsis ; Deve-se ter atenção ao usar rh-APC devido ao risco de sangramento retroperitoneal.
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    Introdução Elevação dapressão intra-abdominal (PIA), com disfunção orgânica progressiva; Descrição clássica: abdomem tenso e distendido, aumento da PIA, diminuição da função renal, aumento da pressão de pico inspiratória, hipóxia e comprometimento da mecânica ventilatória, com melhora após laparotomia descompressiva.
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    Definição Hipertenão intra-abdominal(HIA): PIA ≥ 12 mmHg; Síndrome de compartimentação abdominal (SCA): PIA ≥ 20 mmHg; Pressão de perfusão abdominal (PPA)= PAM – PIA. Classificação: Primária: insulto inicial é intra-abdominal; Secundária: acúmulo de líquido sem lesão abdominal; Crônica: cirrose e ascite de outras causas.
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    Definição Ponto dereferência para nivelar: 4° EI na linha axilar média; Deve ser medido no final da expiração, na posição supina e sem contração abdominal.
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  • 44.
    Epidemiologia 5 –15% dos pacientes com trauma na UTI e 1% das admissões por trauma em geral; Mortalidade: geralmente por disfunção de múltiplos órgãos.
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    Fisiopatologia Pode ocorrercolapso da veia porta, trombose e edema da parede intestinal, com translocação de mediadores bacterianos, levando a mais acúmulo de líquidos. ↑ resistência na veia cava, com dificuldade do retorno venoso -> congestão e ↑ da PIA.
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    Fisiopatologia PPA seriamentecomprometida quando a PIA ≥ 20 mmHg, levando a isquemia e ativação de mediadores inflamatórios -> ↑ extravasamento capilar -> ↑ PIA; Compressão dos vasos linfáticos contribui para ↑ PIA.
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    Fisiopatologia Deslocamento superiordo diafragma -> ↓ complancência pulmonar -> ↑ das pressões inspiratórias; ↓ fluxo hepato-esplâncnico: Disfunção hepática; IRA; ↓ DC (Compressão da veia cava) -> choque -> ↓ Pressão de perfusão cerebral.
  • 48.
    Diagnóstico Três passossão importantes: Identificar pacientes em risco; Reconhecer os sintomas associados à transição da HIA para SCA; Medidas da PIA para confirmar o diagnóstico.
  • 49.
    Diagnóstico Condições queaumentam o risco: Acidose (pH ≤ 7,2); Hipotermia (Tax ≤ 33°C); Politransfusão (≥ 10 CH em 24h); Coagulopatia (Plaq ≤ 55.000; RNI > 5; PTT > 2x); Sepse; Bacteremia; Disfunção hepática (cirrose com ascite, trombose portal e hepatite isquêmica); Ventilação mecânica; PEEP ou auto-PEEP; Pneumonia.
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    Diagnóstico Pacientes emrisco: Cirurgia abdominal; Ressuscitação volêmica agressiva (> 5L em 24h); Íleo; Infecção intra-abdominal; Pneumoperitôneo; Hemoperitôneo.
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    Diagnóstico Sinais clássicosassociados a SCA: ↑ pressões inspiratórias; ↓ débito urinário; Abdomem tenso.
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    Diagnóstico Pacientes querequerem medidas constantes: PO cirurgia abdominal; Trauma abdominal; Fraturas pélvicas com sangramento retroperitoneal; Pacientes em VM com outra disfunção orgânica; Pacientes com fechamento abdominal temporário; Pós cirurgia de descompressão abdominal; Pós ressuscitação volêmica agressiva.
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    Diagnóstico Rx abdomem:desnecessário; TC abdomem: Sinal de Round-Belly: distensão abdominal com aumento da relação do diâmetro anteroposterior-transversal > 0,8; Colapso da veia cava e espessamento intestinal; Hérnia inguinal bilateral; US: pode detectar aneurisma de aorta grande. Sem grande utilidade.
  • 54.
    Tratamento Identificar pacientesem risco, utilizando inclusive medidas profiláticas (fechamento abdominal temporário); Uma vez atingido os objetivos pós-ressuscitação, não se deve continuar com hidratação agressiva; Manter PPA > 60 mmHg;
  • 55.
    Tratamento Tratamento clínico(menos efetivo): Descompressão gástrica; Descompressão retal; Sedação; Bloqueio muscular (medida temporária); Posicionamento a dequado do paciente; Paracentese; Procinéticos; Diuréticos; Hemofiltração/ultrafiltração.
  • 56.
    Tratamento Cirurgia (Padrãoouro): Pode ser feito na UTI; Pode contribuir para piora do quadro em alguns casos ( stress cirúrgico); Isquemia de reperfusão; Não deve ser adiado na esperança de que métodos clínicos resolvam a HIA; Deve ser feito um esforço para fechar o abdomem o mais rápido possível (Primeiros 7 dias. Após este período o fechamento fascial é dificultado pela presença de tecidos de granulação e adesões).
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