MEMORIAL ELAINE DA PAIXÃO
MEMORIAL Sou a décima filha de pai analfabeto e mãe de pouca leitura e escrita, mas que sempre fizeram questão de todos os filhos frequentassem a escola e deste fato eles sempre tiveram orgulho. Ambos nos deram condições de fazer até o ensino médio em escola particular.
Como fui a penúltima a nascer, minha irmã mais velha já lecionava e as outras tinham hábito de ler e sempre tive acesso a livros de todos os tipos, formatos, tamanhos, gêneros e seguir os exemplos que via em minha casa não foi muito difícil.
Sempre vi as minhas irmãs lendo revistas, jornais, livros e sempre ganhava livros de histórias de presente. Até hoje, lembro-me de um muito especial: MOGLY,   o Menino Lobo que vinha acompanhado de um vinil, nunca me cansava de ouvir aquela história e de me encantar com as páginas coloridas.
Por isto, sempre digo, que meu incentivo como leitora veio mesmo de casa. Ao entrar para escola com cinco anos de idade, já reconhecia as letras do alfabeto e já lia palavras que não apresentavam dificuldades e como fui alfabetizada nesta fase, a minha fascinação só aumentava.
Lembro-me até hoje das histórias que ouvia da Tia Dayse sobre cada letra e do som que nos ensinava, pois fui alfabetizada pelo método fônico(Bã – barrigudão, Pã – do martelo do papai, Gã – do gatão) e tantos outros sons...
Como me sentia feliz em descobrir novas palavras e conseguir ler sozinha os meus livros de histórias. Lembro-me da tia Bernadete, que trabalhava com uma cartilha na 1ª série que eu também gostava, e sempre que solicitava a leitura oral eu estava lá pronta para ler aquelas histórias legais, mas ficava impaciente em esperar pelos colegas que liam gaguejando, e foi na primeira série que comecei a produzir textos que sempre foram elogiados pelas professoras e minha imaginação ia longe nas produções de texto que criava. .
Já 2ª série, lembro-me de que o livro de português era de Magda Soares, e o livro era tão chato que tenho trauma dos livros didáticos da autora até hoje, e não me lembro da tia Marieta, Tia Ignezinha ou da tia Rosinha(2ª a 4ª série ) incentivarem-me a ler, mas como já tinha o hábito da leitura a falta de incentivo delas nunca me atrapalhou em nada
Ao ir para a 5ª série, tudo era novo, textos mais complexos que exigiam mais atenção e interpretação e a professora de Português Cláudia Carreira que me acompanhou até a 8ª série nos incentivava muito a viajar através da leitura e cada vez mais minhas produções de texto também ficavam melhores.
Li tantos livros da biblioteca da escola e a bibliotecária Regina também fazia sua parte nos incentivando e sugerindo livros. A coleção vagalume era a minha preferida,li todas as Aventuras de Xisto, O Rapto do Menino Dourado, Éramos Seis,Um Cadáver Ouve Rádio, A Ilha Perdida, A Coleção do Cachorrinho Samba também era incrível.
Na sétima série, lembro-me de ter lido um livro que me marcou muito, Por uma semente de paz que contava a história de uma professora recém-formada que vai trabalhar numa comunidade muito carente e ela conseguia cativar aqueles meninos e ajudava a transformar a vida deles, foi o único livro que reli na minha vida.
Mas, lembro-me também que na 8ª série tive que ler Dom Quixote de Miguel de Cervantes para fazer uma ficha literária, como odiei aquele livro e detesto-o até hoje, é o único livro que lembro-me de ter odiado tanto, mas este personagem lunático não me fez tomar raiva de ler não, muito pelo contrário, incentivou-me a procurar livros melhores para esquecer aquela chatice de leitura.
Ao ir para o Ensino Médio tive dois professores que marcaram minha vida: Sandra Barbosa, que mesmo sendo rígida nos deixava encantadas com a Literatura Portuguesa, gosto muito dos sermões do Padre Antônio Vieira, das poesias para  Marília de Dirceu, do Boca de Inferno com seus poemas críticos e provocativos.
E infelizmente, Afonso Godinho, que me fez odiar a Literatura Brasileira, seus movimentos e clássicos, pois suas aulas eram tão chatas e ele era tão lunático que nos 2° e 3° anos passei batida pela leitura de autores como Érico Veríssimo, Machado de Assis e tantos outros que vim a ler só na faculdade.
Ainda no Magistério conheci através da professora de Didática dona Jesuína os livros Fala Maria Favela e  A Escola da Vida e a Vida da Escola, ambos fantásticos e servem como indicadores para minha vida profissional.
Em 91, fiz Contabilidade e como era dispensada de Literatura e mais uma vez teria que ter aulas com Afonso, preferia ler nos horários livres Harold Hobbins, Danielle Steel, Sidney Sheldon, Ághata Cristhie, Chico Xavier...   Em 95, passei no vestibular, queria fazer Pedagogia e por ironia do destino caí na segunda opção que era Letras, de início fiquei pelas aulas  inglês da Conceição, que é outra  língua que também gosto muito , apesar de estar um pouco parada.
Mas, Dona Júlia, a professora de Português, que sempre nos mandava entrar no bosque e ler as entrelinhas no texto, me fez encantar novamente pela Língua Portuguesa e depois veio o Carlos Novais, que deixava todas as alunas encantadas, além de lindo, charmoso, e cavalheiro é também competentíssimo professor de Literatura, e foi ele quem me fez conhecer a fundo os clássicos da Literatura Brasileira e Portuguesa.
Foi ele quem me fez apaixonar por Machado de Assis,Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas são os meus prediletos. Suas aulas fantásticas deixavam-nos atentas a cada palavra, gesto ou indicação.   Na faculdade conheci outros autores mais técnicos porém essenciais à nossa área, Matoso Câmara, Maria da Graça Costa Val, Carla
Coscarelli,  Ivanildo Bechara, Geraldi, Antônio Augusto de Oliveira(Dute), Isabel Solé, Luís Carlos Marcuschi e Miguel Arroyo (os meus prediletos), Mágda Soares(apareceu de novo em minha vida, mas continuo traumatizada com seus livros didáticos) e tantos outros que passaram a ser constantes na minha vida profissional.
Em 99, fui fazer Pós-Graduação na Uni-BH, e tive a grata satisfação de ser aluna de três professores dos quais só ouvia falar e conhecia textos e livros, Graça Costa Val, Carla Coscarelli e Antônio Augusto(Dute) e foi na Pós que me encantei com Marcuschi, é tanto que para fazer minha monografia li muito seus artigos maravilhosos.
Os livros técnicos leio mesmo para obter informações e atualizar-me sempre. Tenho o hábito de ler tudo, até mesmo bula de remédio, caiu em minhas mãos estou lendo. E como profissional procuro incentivar meus alunos e sobrinhos, sugiro livros, leio o que eles me sugerem para poder comentar, fazemos indicações literária, frequentamos a biblioteca e ultimamente, resolvi aumentar o número de leitores no país meus presentes têm sido livros não importando a idade(criança a idoso) e para minha grata surpresa quem eu presenteio mesmo não tendo hábito de leitura, leem e depois me procuram para comentar ou pedir novas indicações.
Hoje, leio até menos do que gostaria, a carga de trabalho acaba sendo excessiva e o tempo que sobra nem sempre é suficiente para eu ler tanto quanto gostaria, mas não deixo de estar sempre praticando este hábito saudável e uma coisa boa que aconteceu foi o fato de uma aluna ter ganho a medalha de bronze na Olimpíada de Português ano passado,  foi importante as escolas que trabalho, pois tenho conseguido incentivar meus alunos a ler e fazer com que eles percebam a importância da leitura na minha vida.

Memorial Elaine

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    MEMORIAL Sou adécima filha de pai analfabeto e mãe de pouca leitura e escrita, mas que sempre fizeram questão de todos os filhos frequentassem a escola e deste fato eles sempre tiveram orgulho. Ambos nos deram condições de fazer até o ensino médio em escola particular.
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    Como fui apenúltima a nascer, minha irmã mais velha já lecionava e as outras tinham hábito de ler e sempre tive acesso a livros de todos os tipos, formatos, tamanhos, gêneros e seguir os exemplos que via em minha casa não foi muito difícil.
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    Sempre vi asminhas irmãs lendo revistas, jornais, livros e sempre ganhava livros de histórias de presente. Até hoje, lembro-me de um muito especial: MOGLY, o Menino Lobo que vinha acompanhado de um vinil, nunca me cansava de ouvir aquela história e de me encantar com as páginas coloridas.
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    Por isto, sempredigo, que meu incentivo como leitora veio mesmo de casa. Ao entrar para escola com cinco anos de idade, já reconhecia as letras do alfabeto e já lia palavras que não apresentavam dificuldades e como fui alfabetizada nesta fase, a minha fascinação só aumentava.
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    Lembro-me até hojedas histórias que ouvia da Tia Dayse sobre cada letra e do som que nos ensinava, pois fui alfabetizada pelo método fônico(Bã – barrigudão, Pã – do martelo do papai, Gã – do gatão) e tantos outros sons...
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    Como me sentiafeliz em descobrir novas palavras e conseguir ler sozinha os meus livros de histórias. Lembro-me da tia Bernadete, que trabalhava com uma cartilha na 1ª série que eu também gostava, e sempre que solicitava a leitura oral eu estava lá pronta para ler aquelas histórias legais, mas ficava impaciente em esperar pelos colegas que liam gaguejando, e foi na primeira série que comecei a produzir textos que sempre foram elogiados pelas professoras e minha imaginação ia longe nas produções de texto que criava. .
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    Já 2ª série,lembro-me de que o livro de português era de Magda Soares, e o livro era tão chato que tenho trauma dos livros didáticos da autora até hoje, e não me lembro da tia Marieta, Tia Ignezinha ou da tia Rosinha(2ª a 4ª série ) incentivarem-me a ler, mas como já tinha o hábito da leitura a falta de incentivo delas nunca me atrapalhou em nada
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    Ao ir paraa 5ª série, tudo era novo, textos mais complexos que exigiam mais atenção e interpretação e a professora de Português Cláudia Carreira que me acompanhou até a 8ª série nos incentivava muito a viajar através da leitura e cada vez mais minhas produções de texto também ficavam melhores.
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    Li tantos livrosda biblioteca da escola e a bibliotecária Regina também fazia sua parte nos incentivando e sugerindo livros. A coleção vagalume era a minha preferida,li todas as Aventuras de Xisto, O Rapto do Menino Dourado, Éramos Seis,Um Cadáver Ouve Rádio, A Ilha Perdida, A Coleção do Cachorrinho Samba também era incrível.
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    Na sétima série,lembro-me de ter lido um livro que me marcou muito, Por uma semente de paz que contava a história de uma professora recém-formada que vai trabalhar numa comunidade muito carente e ela conseguia cativar aqueles meninos e ajudava a transformar a vida deles, foi o único livro que reli na minha vida.
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    Mas, lembro-me tambémque na 8ª série tive que ler Dom Quixote de Miguel de Cervantes para fazer uma ficha literária, como odiei aquele livro e detesto-o até hoje, é o único livro que lembro-me de ter odiado tanto, mas este personagem lunático não me fez tomar raiva de ler não, muito pelo contrário, incentivou-me a procurar livros melhores para esquecer aquela chatice de leitura.
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    Ao ir parao Ensino Médio tive dois professores que marcaram minha vida: Sandra Barbosa, que mesmo sendo rígida nos deixava encantadas com a Literatura Portuguesa, gosto muito dos sermões do Padre Antônio Vieira, das poesias para Marília de Dirceu, do Boca de Inferno com seus poemas críticos e provocativos.
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    E infelizmente, AfonsoGodinho, que me fez odiar a Literatura Brasileira, seus movimentos e clássicos, pois suas aulas eram tão chatas e ele era tão lunático que nos 2° e 3° anos passei batida pela leitura de autores como Érico Veríssimo, Machado de Assis e tantos outros que vim a ler só na faculdade.
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    Ainda no Magistérioconheci através da professora de Didática dona Jesuína os livros Fala Maria Favela e A Escola da Vida e a Vida da Escola, ambos fantásticos e servem como indicadores para minha vida profissional.
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    Em 91, fizContabilidade e como era dispensada de Literatura e mais uma vez teria que ter aulas com Afonso, preferia ler nos horários livres Harold Hobbins, Danielle Steel, Sidney Sheldon, Ághata Cristhie, Chico Xavier... Em 95, passei no vestibular, queria fazer Pedagogia e por ironia do destino caí na segunda opção que era Letras, de início fiquei pelas aulas inglês da Conceição, que é outra língua que também gosto muito , apesar de estar um pouco parada.
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    Mas, Dona Júlia,a professora de Português, que sempre nos mandava entrar no bosque e ler as entrelinhas no texto, me fez encantar novamente pela Língua Portuguesa e depois veio o Carlos Novais, que deixava todas as alunas encantadas, além de lindo, charmoso, e cavalheiro é também competentíssimo professor de Literatura, e foi ele quem me fez conhecer a fundo os clássicos da Literatura Brasileira e Portuguesa.
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    Foi ele quemme fez apaixonar por Machado de Assis,Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas são os meus prediletos. Suas aulas fantásticas deixavam-nos atentas a cada palavra, gesto ou indicação. Na faculdade conheci outros autores mais técnicos porém essenciais à nossa área, Matoso Câmara, Maria da Graça Costa Val, Carla
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    Coscarelli, IvanildoBechara, Geraldi, Antônio Augusto de Oliveira(Dute), Isabel Solé, Luís Carlos Marcuschi e Miguel Arroyo (os meus prediletos), Mágda Soares(apareceu de novo em minha vida, mas continuo traumatizada com seus livros didáticos) e tantos outros que passaram a ser constantes na minha vida profissional.
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    Em 99, fuifazer Pós-Graduação na Uni-BH, e tive a grata satisfação de ser aluna de três professores dos quais só ouvia falar e conhecia textos e livros, Graça Costa Val, Carla Coscarelli e Antônio Augusto(Dute) e foi na Pós que me encantei com Marcuschi, é tanto que para fazer minha monografia li muito seus artigos maravilhosos.
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    Os livros técnicosleio mesmo para obter informações e atualizar-me sempre. Tenho o hábito de ler tudo, até mesmo bula de remédio, caiu em minhas mãos estou lendo. E como profissional procuro incentivar meus alunos e sobrinhos, sugiro livros, leio o que eles me sugerem para poder comentar, fazemos indicações literária, frequentamos a biblioteca e ultimamente, resolvi aumentar o número de leitores no país meus presentes têm sido livros não importando a idade(criança a idoso) e para minha grata surpresa quem eu presenteio mesmo não tendo hábito de leitura, leem e depois me procuram para comentar ou pedir novas indicações.
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    Hoje, leio atémenos do que gostaria, a carga de trabalho acaba sendo excessiva e o tempo que sobra nem sempre é suficiente para eu ler tanto quanto gostaria, mas não deixo de estar sempre praticando este hábito saudável e uma coisa boa que aconteceu foi o fato de uma aluna ter ganho a medalha de bronze na Olimpíada de Português ano passado, foi importante as escolas que trabalho, pois tenho conseguido incentivar meus alunos a ler e fazer com que eles percebam a importância da leitura na minha vida.