DOR PÓS-OPERATÓRIA


Prof. Dr. José Fernando Amaral Meletti
Professor Adjunto e Chefe da Disciplina de Anestesiologia
Faculdade de Medicina de Jundiaí – FMJ
Responsável pelo CET/SBA Disciplina de Anestesiologia da FMJ

                                                               DOR
“É uma experiência sensorial e emocional
desagradável associada com dano tecidual real ou
potencial.”
                                           IASP

    “Dor peri-operatória está presente no paciente
cirúrgico devido a doença pré-existente, ao
procedimento cirúrgico ou à combinação de
ambos”
                                              ASA
                                                     DOR
CONCEITOS
   Dor Nociceptiva:
       Mecanismo periférico, início por estímulos /
    sensibilação persistente dos nociceptores ou
    aferentes.
   Dor Neuropática:
        Lesões das vias sensitivas do sistema
    nervoso periférico ou central (irritação das
    fibras C ou de outra fibras de aferentação).
   Dor Mista:
       União da dor nociceptiva e neuropática.
5 0 SINAL    VITAL


     “A avaliação regular da Dor deve
ser rotina no atendimento de todo corpo
clínico dos hospitais.”
                          JCAHO, 2000



                                          DOR
DOR AGUDA


   Propósito de alerta, resposta à lesão aguda

   Inicia reflexos de retirada e protetores.

   Principal resposta psicológica é a ansiedade.

   Terapia é direcionada para interrupção do sinal
    nociceptivo

                                                      DOR
DOR CRÔNICA
   Sem propósito definido dividida em síndromes:
    periférica, central, psicológica.

   Desenvolvimento de sinais vegetativos: perda de
    apetite, distúrbios do sono, perda do libido,
    constipação.

   Respostas psicológicas incluem: medo, desespero,
    depressão, desesperança.

   Terapia direcionada para a procura do problema
    orgânico que iniciou ou mantém a dor.
                                                       DOR
FISIOPATOLOGIA
   DOR AGUDA

                 DOR
SENSAÇÃO DOLOROSA
   Transdução:         ativação     dos      nociceptores
    (mecanonociceptores,         termonociceptores       e
    nociceptores polimodais) – Transformação do estímulo
    nócico em potencial de ação.
   Transmissão:     mecanismos e      vias – impulsos
    nocicepitivos conduzidos pelo      sistema nervoso
    (reconhecimento da dor)
   Modulação: modulação medular e supra segmentar
    (cortical e subcortical) da dor
   Cognição: interpretação da dor e resposta ao estímulo
    doloroso.
CORNO POSTERIOR DA MEDULA
   Receptores de dor: terminações nervosas livres
                       receptores especializados
   Mecanorreceptores: A beta (lâminas III, IV, V, VI) TATO

   Nociceptores: A delta e C (lâminas I, II, III) DOR
FISIOPATOLOGIA DA DOR - TRANSDUÇÃO
                      ATIVAÇÃODOS NOCEPTORES (A DELTA e C)

                                 ESTÍMULOS NOCICEPTIVOS

        Injúria Celular                                         Injúria Vascular Local

      Liberação de K e H                         Cinina      Calicreina   Cininogênio

       Ácido aracdônico                                    Extravazamento plasma
                                                   Plaquetas      Basófilos / Mastócitos


Leucotrienos   Prostaglandinas                       Serotonina / Histamina

                                                               Substância P
                                                          (Vasodilatação / Edema)


     AÇÃO NOCICEPTORA               SENSIBILIZAÇÃO    ESTRAVAZAMENTO NO
                                     NOCICEPTORA            PLASMA
                                                                      DOR
FISIOPATOLOGIA DA DOR - TRANSMISSÃO

   Trato Neo espinotalâmico
      Responsável pelo componente cognitivo. Informa sobre o começo,
    duração, localização e intensidade da lesão.
      Resposta consciência e imediata

   Trato Paleo espinotalâmico
     Responsável pelo sistema qualitativo e plástico da dor.
      Transmite sinais lentos, informações sobre a persistência da injúria e
    sobre a resposta aninociceptiva.

        - Espino reticular
        - Espino mesencefálico
                                                                               DOR
FISIOPATOLOGIA DA DOR - MODULAÇÃO
                                  CPME (neurônio WDR)
                                     (laminas I, II, V)


       FACILITAÇÃO                 Modulação central                     INIBIÇÃO
                                   (segmentar ou por           NT e          RECEPTOR
                                    via descendente       Neuropeptídeos
     NT e         RECEPTOR              superior)          Somatostat.
Neuropeptídeos
                                                               Ach           Muscarínico
  Glutamato      NMDA, AMPA 1.     Sistema de encéfalo e encefalina         mu, sigma, K
  Aspartato      NMDA, AMPA        cortical              B-endorfina        mu, sigma, K
   Subst. P        NK – 1    2.    Subst. cinzenta
                                   periaquedutal         Nor-epinefri          Alfa – 2
     ATP           P1, P2
                             3.    Núcleo magno da rafe     adenosina            A1
    CGRP
                             4.    Locus coeruleus          serotonina      5-HT1, 5-HT3
                             5.    CPME                       GABA           GABA A, B
                                                              glicina                 DOR
FISIOPATOLOGIA DA DOR - COGNIÇÃO
   Sistema Límbico
Componente emotivo-afetivo: irritabilidade, medo, angústia,
  depressão.
   Núcleos Intratalâmicos
Estação intermediária: processamento da dor e envio ao córtex.
   Nucleos Hipotalâmicos
Libera hormônios do estesse. Estimula atividade simpática e
   ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
   Formação Mesencefálica Reticular
Reação de alerta
   Córtex
Interpretação e modulação do fenômeno doloroso
                                                                 DOR
FISIOPATOLOGIA DA DOR

 Na inflamação prolongada ocorre aumento da
densidade e sensibilidade dos receptores NMDA




     1. Hiperalgesia secundária
     2. Expansão do campo receptivo
     3. Redução do limiar p/ novos impulsos
                                                DOR
FISIOPATOLOGIA
        DA DOR




           DOR
SEQÜELAS FISIOLÓGICAS
                                ADVERSAS DA DOR
   Respiratório: diminuição da CV, CRF, VR, FEF1s
Atelectasias > alteração da relação V/Q = hipoxemia, hipercarbia
Infecções pulmonares > dificuldade de mobilização de secreções
Distensão abdominal (íleo paralítico) > afeta função respiratória
Efeitos agravados pela: idade avançada, obesidade, urgências, tipo e
   duração das cirurgias, tipo de anestesia, tagagismo, DPOC
 Cardiovasculares: dor, libera catecolaminas, resposta à agressão
Taquicardia, elevação da PA, aumento do DC, aumento do trabalho e
   consumo de O2
Aumento do risco de isquemia e infarto do miocárdio
Dor > imomililização > estase venosa, ativação da coagulação,
   aumento da reatividade plaquetária, diminuição da fibrinólise > TVP
                                                                   DOR
Importância do tratamento da dor


• dor PO:
• principal causa de hospitalização inadvertida
após cirurgia ambulatorial
                                        FORTIER et al: Can J Anaesth; 45 : 612-619, 1998
SEQÜELAS FISIOLÓGICAS
                                     ADVERSAS DA DOR
   Gastrointestinal: Dor > retardo do esvaziamento gastrointestinal,
   diminuição da motilidade > íleo prolongado.
Maior incidência de náuseas e vômitos
Retardo da alimentação oral > infecção intestinal e sepse
Ativação simpática determinada pelo estresse > diminuem a motilidade
   Urinário: hipomotilidade da uretra e da bexiga
   Neuroendócrino: aumento do tônus simpático, estimulação
    hipotalâmica, secreção de catecolaminas aumento de hormônios
    catabólicos e diminuição de anabólicos
Retenção de sódio e água, hiperglicemia, aumento do lactato e corpos cetônicos
Metabolismo acelerado, aumento do consumo de O2 e B. nitrogenado negativo
Alterações imunológicas não específicas
                                                                                 DOR
Farmacologia
da Dor Aguda
ANTIINFLAMATÓRIOS
                          VANTAGENS

   Efetividade analgésica

   Antiinflamatório e antipirético

   Não provocam sedação, distúrbios psíquicos,
    náuseas e constipação

   Controlam melhor a dor do tipo infamatória, que os
    opióides

   Não produzem tolerância ou dependência
                                                         DOR
MECANISMO DE AÇÃO
                               FOSFOLÍPEDES

                       Fosfolipase A2
          ciclooxigenase
                                   ÁCIDO          lipooxigenase
                                ARACDÔNICO
   ENDOPERÓXIDOS                                  ÁCIDO 5-
      CICLÍCOS                          HIDROPEROXIDOEICOSATETRAÓICO



                                            5 - HETE        LEUCOTRIENOS
                                                           LTA, LTB, LTC, LTD

PROSTAGLANDINAS
 PGA, PGD2, PGE2,          PROSTACICLINAS
                                               TROMBOXANO A2
       PGF2                     PGL2
                                                                         DOR
ANTIINFLAMATÓRIOS

   AINES de primeira geração:
    - inibem ação da COX 1 (constitutiva) e COX 2 (indutiva)
    - Mucosa gástrica, fígado, rins e plaquetas (COX 1)

   AINES de segunda geração (coxibs):
    - bloqueiam seletivamente a COX 2
    - Baixas concentrações em diversos órgãos e em grande quantidade
      nos monócitos e endotélio, quando lesões ou inflamações ocorrem

   Efeito “teto” dos AINES
   Nova forma de isoforma da ciclooxigenase: COX 3
   Ações propostas aos AINES:
    - inibição da hipersensibilização periférica (hiperalgesia primária)
    - Ativação de mecanismos descendentes inibitórios
                                                                           DOR
TIPOS DE CICLOXIGENASES (COX)
                     ÁCIDO ARACDÔNICO



           COX 1                           COX 2




PROSTAGLANDINAS                         PROSTAGLANDINAS



  INTEGRIDADE DA                        RESPOSTA TECIDUAL
 MUCOSA GÁSTRICA,                         À LESÃO, COMO
   FUNÇÃO RENAL,                             EDEMA E
FÍGADO E PLAQUETAS                        HIPERALGESIA
                                                            DOR
EFEITOS COLATERAIS

   Trato Digestivo Superior
          •   Dispepsia
          •   Erosões
          •   Anemia aguda, sangramentos
          •   Úlceras
   Sistema Renal
          •   Disfunsão renal
          •   Insuficiência renal aguda/crônica
          •   HAS
          •   Insuficiência cardíaca
   Efeito anti-agregante plaquetário
          •   Contribui para o sangramento
                                                  DOR
INIBIDORES DA COX 1 E COX 2
    1. Derivados do ácido salicílico
aspirina (AAS, aspirina, buferin)              1000 mg 6/6h
    2. Derivados do ácido indolacético
indometacina (agilisin, indometacina, indocid) 25 mg 8/8h
    3. Derivados do ácido propiônico
Ibuprofeno (advil. Artrill, motrin)             50 mg 8/8h
cetoprofeno (artrosil, profenid)                100 mg 12/12h
naproxeno (flanax, naprosyn)                     500 mg 12/12h
    4. Derivados do ácido enólico
piroxican (cicladol, feldene, inflamene)        50 mg 8/8h
tenoxicam (tilatil, tenoxican)                  20 mg 12/12h
meloxicam (inicox, meloxil)                     7,5 – 15 mg 12 – 24h
    5.   Derivados Pirrolacético
cetorocaco (toragesic)                            10 - 40 mg/dia
     6. Derivados do ácido antranílico
ácido mefenâmico (ponstan)                        250 – 500 mg 6/6h
     7. Derivados do ácidofenilacético
                                                                       DOR
diclofenaco (artren, biofenac cataflan, voltaren) 50 – 75 mg 8/8h
INIBIDORES SELETIVOS DA COX

   Inibidores da COX – 2
    -   Nimesulid (Scaflam, nimesulida)           50 – 100 mg 12/12h
    -   Valdecoxibe (bextra)                      40 mg 1x/dia
    -   Parecoxibe (bextra)                       40 mg 1X/dia
    -   Celecoxibe (celebra)                      100 – 200 mg/dia
    -   Rofecoxibe (viox)                          25 - 50 mg/dia
    -   Eterocoxibe (arcoxia)
   Inibidores COX 1 e COX 3
    -   Derivados Pirazolônicos
        Dipirona (anador, baralgina, novalgina)    1000 mg 6/6h
    -   Derivados do acetominofenol
        Paracetamol (tylenol, dôrico)              750 mg 6/6 h


                                                                  DOR
OPIÓIDES

   Ação primariamente central, dor aguda de grande
    intensidade, refratária aos AINES.

   Interagem com receptores específicos dos peptídeos
    opióides que estão distribuídos no SNC e nos
    terminais nociceptivos.

   Os opióides ativam mecanismos inibitórios na
    formação reticular, na medula espinhal e no sistema
    límbico.

                                                          DOR
MECANISMO DE AÇÃO DOS OPIÓIDES

 Ativação de mecanismos inibitórios descendentes:
Região peri aquedutal
“Locus coeruleus”               Fibras noradrenérgicas

Núcleo gigantocelular: fibras serotoninérgicas
      exercem controle inibitório sobre as sinápses
  nociceptivas espinhais e reticulares.
 Inibição da sinápse nociceptiva espinhal (CDME)
 Inibição direta nos terminais nervosos



                                                         DOR
RECEPTORES OPIÁCEOS

   mu 1: analgesia supraespinhal e depressão
    respiratória
   mu 2: depressão respiratória, alteração da motilidade
    intestinal, euforia e dependência química
   kappa: analgesia medular, miose e sedação
   delta: relacionado com alterações do comportamento
    afetivo
   sigma: relacionado com a disforia


                                                            DOR
EFEITOS COLATERAIS DOS OPIÁCEOS

   Náuseas e vômitos
   Prurido
   Sedação
   Euforia
   Retenção urinária
   Aumento do tono do esfíncter de Oddi
   Obstipação
   Confusão
   Tontura
   Depressão respiratória
   Bradicardia, diminuição do tônus simpático e aumento da
    capacitância venosa

                                                              DOR
DROGAS E DOSES DISPONÍVEIS

    Agonistas
    - Morfina (dimorf)          SC/IM/EV       1 – 10 mg / 4 – 8 h
    - Fentanil (fentanil)       EV             10 – 100 mcg
    - Alfentanil
    - Sufentanil
    - Meperidina (dolantina, demerol)
    - Tramadol (tramal, sylador) VO/IM/IV/SC    50 – 100 mg / 4 h
    - Codeína (codein)              VO          30 – 60 mg / 4h
    Agonistas – antagonistas mistos
    - Buprenorfina (tengesic)     SL/SC/IV      0,2 – 0,4 mg / 6 h
    - Nalbufina (nubain)           IV/IM/SC     10 – 40 mg / 4h

                                                               DOR
ANESTÉSICOS LOCAIS

      Apresentam propriedade bloqueadora da
    condução nervosa, tanto sensorial, quanto motora.
    Usados em bloqueios e infiltações.

   Aminoamidas:
    - Lidocaína
    - Bupivacaína
    - Ropivacaína

                                                        DOR
Anestésicos Locais
Fluxos de Na+ e K+ através do axolema via canais específicos e o potencial de ação
            +    +
                                   resultante.
1. em repouso            voltagem             2. despolarização do neurônio                  voltagem

    Na+
      +
                +                                                  -
                                    tempo                                                                    tempo

                          bomba de Na+ :                                                       canais de Na+
                         gradientes iônicos                                                       abertos
                   -   K+
                        +                                          +

3. repolarização         voltagem             4. finalização do potencial                     voltagem
                                                 de ação
                +                                                                      +
                                    tempo                                                                    tempo

                            canais de Na+                                                     bomba de íons:
                              fechados                                                         Na+ para fora
                   -        canais de K+                                                -     K+ para dentro
                               abertos                 ADP + P
                                                       ADP + P          ATP
                                                                        ATP
                                                 Covino BG, Scott DB. Handbook of Epidural Anaesthesia and Analgesia, 1985
                                                                                                           Analgesia,
Anestésicos Locais
            Bloqueio diferencial de fibras nervosas mielinizadas.
                                                    mielinizadas.
A distância internodal é
proporcional ao diâmetro
da fibra e o bloqueio ocorre                     anestésico
quando pelo menos três
nodos adjacentes ao nervo
são expostos ao anestésico
local                                                          axônio fino


                                                               axônio grosso




                                                      (Franz DN, Perry RS. J Physiol
                                                      236:207,1974)
AGONISTA ALFA-2 ADRENÉRGICO

                       CLONIDINA
   Efeito analgésico, via epidural, semelhante à morfina
   Menor tempo de duração
   Indicada, isolada ou combinada,          quando há
    desenvolvimento de tolerância ou efeitos colaterais
    dos opióides
   Acarreta hipotensão arterial e sedação
   Via venosa tem efeito analgésico curto
                                                            DOR
BLOQUEADORES DO GLUTAMATO

                       QUETAMINA
   Bloqueadora do canal de cálcio do receptor NMDA

   Potente efeito analgésico, dor neuropática

   Bons    resultados     quando     temos      alodínea,
    hiperalgesia e hiperestesia

   Estudos promissores na dor aguda


                                                             DOR
ESCALA ANALGÉSICA DE DOR (OMS)


                    Opióides fortes (Morfina)
 DOR
                         + não opiódes
AGUDA


            Opióides fracos(Codeína e
            Tramadol) + não opióides
                                              DOR
                                            CRÔNICA
      Não opióides (AINE’s/
    Paracetamol/ Dipirona +/-
           adjuvantes
                                                 DOR
PLANEJAMENTO DA ANALGESIA

                       Multimodal
   Individualizado
   Expectativa de dor pós-operátória
   Tipo de cirurgia
   Condições clínicas pré-operatória
   Risco / benefício da técnica selecionada
   Preferências do paciente
   Experiência prévia com dor


                                               DOR
ANALGESIA PREEMPTIVA

      Técnica ou terapia antálgica antes da lesão, com
    o objetivo de diminuir a intensidade da dor e evitar
    a sensibilização central.
       Usada em qualquer parte da via dolorosa:

   Periferia: analgésicos e AINES
   Via de condução: anestésicos locais
   Medula: opióides, AL, clonidina, quetamina
   Centros superiores: opióides por via sistêmica

                                                           DOR
ANALGESIA PREEMPTIVA

  O momento da administração da terapia
analgésica não influencia a qualidade de analgesia
dos pacientes em 82 estudos envolvendo 3761
pacientes.
                                     Moiniche, 2002
  A nova definição deve ser em analgesia
preventiva, ampliando o foco entre intervenção pré
ou pós incisional, para outro que objetive minimizar
a dor e o consumo de analgésicos pela redução da
sensibilização central e periférica.
                                          Katz, 2002
                                                       DOR
COMO DEVEMOS PENSAR A
                          ANALGESIA
   Não devemos usar opióides de ação prolongada
    ou de depósito na dor aguda
   Analgesia preventiva e contínua
   Analgesia multimodal
   “Morfina”: adicção, dependência física e tolerância
   O acompanhamento do paciente
   A retirada da analgesia
   O registro de todo tratamento
   O custo do tratamento
                                                          DOR
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE
                              MEDICAMENTOS
   Analgesia sistêmica
    -   Via oral
    -   Via retal
                                                Local da cirurgia        Cateter
    -   Via intra-muscular                     Extremidade superior      C2 a C8
    -   Via subcutânea                         Extremidade inferior     T12 a L3
    -   Via venosa                             Tórax                     T2 a T8
   Analgesia espinhal                         Abdome superior           T4 a L1

    - Via subaracnóidea                        Abdome inferior           T10 a L3

    - Via peridural
   Analgesia regional
    -   Infiltração do campo                           - Bloqueio de nervo periférico
    -   Bloqueio de plexo braquial                     - Bloqueio intercostal
    -   Bloqueio interpleural                           - Bloqueio intra-articular
    -   Bloqueio íleo-inguinal e íleo- hipogástrico    - Bloqueio “3 em 1”
                                                                                   DOR
MÉTODOS DE ADMINISTRAÇÃO

   Regular: evitar que a dor apareça é mais fácil que
    tratá-la após ter iniciado a crise álgica


   Demanda (SOS): medicação potente, início rápido,
    por via parenteral, para dor incidental


   Injeção peridural intermitente de opióides


                                                         DOR
MÉTODOS DE ADMINISTRAÇÃO

   Infusão venosa contínua de opióides:
    • Bomba de infusão
    • Doses ajustadas de acordo com a idade, estado físico e
      tipo de cirurgia
    • Vigilância estreita até estabilização da analgesia
   Infusão peridural contínua        de   opiódes     e/ou
    anestésicos locais:
    • Ação sinérgica entre opióides e AL
    • Risco de intoxicação é pequeno; doses e concentrações
      são baixas
    • Vigilância pelo risco de hipotensão e força motora

                                                               DOR
ANALGESIA CONTROLADO PELO PACIENTE


        O conceito básico da técnica é poder oferecer ao
    doente um recurso que lhe permita auto-administrar
    analgésicos para dor, assim que ele mesmo julgue
    necessário.
                        Vantagens
   Participação ativa do paciente no tratamento
   Elevado grau de aceitação e satisfação do paciente
   Diminuição dos custos
   Otimização do tempo da enfermagem
   Segurança no manejo das drogas / dosagens
                                                           DOR
ANALGESIA CONTROLADO PELO PACIENTE


 Analgesia venosa controlada pelo paciente
  • Infusão contínua x demanda x associação

 Analgesia peridural controlada pelo paciente
  • Permite combinar anestésicos locais, opióides e drogas
    adjuvantes (clonidina)

 Analgesia regional controlada pelo paciente
  • Anestésicos locais administrados em plexos nervosos,
    nervos periféricos ou ferida cirúrgica



                                                             DOR
BOMBA – “PCA”




           DOR
TERMINOLOGIA – “PCA”

 Dose inicial ( loading dose) : dose de ataque programada

 Infusão contínua : conforme técnica de escolha

 Dose de bolus: dose programada que o paciente
  administra através do disparador
 Intervalo de bloqueio: intervalo de tempo programado que
  permite a liberação da dose de bolus

 Limite de quatro horas: sistema de segurança do
  equipamento que permite programar a quantidade máxima
  de droga a ser administrada em quatro horas

                                                             DOR
BOMBA – “PCA”




           DOR
BOMBA – “PCA”




           DOR
PCA
peridural
            DOR
Morfina 0,004% + Bupivacaína 0,125%     Fentanil 2 ug/ml + Bupivacaína 0,125%

 Dose inicial     Morfina    1    mg    +   Dose inicial           Fentanil 5 ml
                  bupivacaína 0,25% 10 ml                       (0,08 – 0,16 ug/kg)
 Infusão                    5 ml/h          Infusão                  4 – 5 ml/h
 contínua                                   contínua            (0,1 – 0,2 ug/kg/h)
 Bolus PCA                  2,5 ml          Bolus PCA                 2,5 ml
 T. bloqueio             20 – 30 min        T. bloqueio               20 min.



    Morfina 0,004% + Ropivacaína 0,125%      Sufentanil 1 ug/ml + Bupivacaína 0,125%


Dose inicial     Morfina    1    mg     +   Dose inicial          Sufentanil 5 ml
                 Ropivacaína 0,25% 10 ml                           (0,08 ug/kg)
Infusão                     5 ml/h          Infusão                    5 ml/h
contínua                                    contínua               (0,12 ug/kg/h)
Bolus PCA                   2,5 ml          Bolus PCA                  2,5 ml
T. bloqueio              20 – 30 min        T. bloqueio             20 – 30 min
PCA
endovenoso
             DOR
Fentanil                                  Sufentanil

Diluição                   10 ug/ml      Diluição                       1 ug/ml
Dose inicial       50 100 ug (5-10 ml)   Dose inicial                 4 ug (4 ml)
Infusão cont         25 ug/h (2,5ml)     Infusão cont            5 ug/h (5ml/h)
Bolus PCA             15 ug (1,5 ml)     Bolus PCA                    2 ug (2 ml)
Limite 4 h                  200 ug       Limite 4 h                     40 ug
Tempo bloq                  10 min.      Tempo bloq                   3 -10 min.
Doses                     0,3 – 2 ug/h   Doses                 0,04 – 0,4 ug/kg/h


             Tramadol                                      Morfina

Diluição                   2 mg/ml        Diluição                    0,2 mg/ml
Dose inicial         50 mg (25 ml)        Dose inicial                1 mg (5 ml)
Infusão cont        10 mg/h (5 ml/h)      Infusão cont            1 mg/h (5 ml)
Bolus PCA             5 mg (2,5 ml)       Bolus PCA             0,5 mg/h (2,5 ml)
Limite 4 h         66.7 mg (33,3 ml)      Limite 4 h                    10 mg
Tempo bloq                 10 min.        Tempo bloq                  5 – 20 min
Doses                Até 400 mg/dia       Doses

Dor pós operatória

  • 1.
    DOR PÓS-OPERATÓRIA Prof. Dr.José Fernando Amaral Meletti Professor Adjunto e Chefe da Disciplina de Anestesiologia Faculdade de Medicina de Jundiaí – FMJ Responsável pelo CET/SBA Disciplina de Anestesiologia da FMJ DOR
  • 2.
    “É uma experiênciasensorial e emocional desagradável associada com dano tecidual real ou potencial.” IASP “Dor peri-operatória está presente no paciente cirúrgico devido a doença pré-existente, ao procedimento cirúrgico ou à combinação de ambos” ASA DOR
  • 3.
    CONCEITOS  Dor Nociceptiva: Mecanismo periférico, início por estímulos / sensibilação persistente dos nociceptores ou aferentes.  Dor Neuropática: Lesões das vias sensitivas do sistema nervoso periférico ou central (irritação das fibras C ou de outra fibras de aferentação).  Dor Mista: União da dor nociceptiva e neuropática.
  • 4.
    5 0 SINAL VITAL “A avaliação regular da Dor deve ser rotina no atendimento de todo corpo clínico dos hospitais.” JCAHO, 2000 DOR
  • 5.
    DOR AGUDA  Propósito de alerta, resposta à lesão aguda  Inicia reflexos de retirada e protetores.  Principal resposta psicológica é a ansiedade.  Terapia é direcionada para interrupção do sinal nociceptivo DOR
  • 6.
    DOR CRÔNICA  Sem propósito definido dividida em síndromes: periférica, central, psicológica.  Desenvolvimento de sinais vegetativos: perda de apetite, distúrbios do sono, perda do libido, constipação.  Respostas psicológicas incluem: medo, desespero, depressão, desesperança.  Terapia direcionada para a procura do problema orgânico que iniciou ou mantém a dor. DOR
  • 7.
    FISIOPATOLOGIA DOR AGUDA DOR
  • 8.
    SENSAÇÃO DOLOROSA  Transdução: ativação dos nociceptores (mecanonociceptores, termonociceptores e nociceptores polimodais) – Transformação do estímulo nócico em potencial de ação.  Transmissão: mecanismos e vias – impulsos nocicepitivos conduzidos pelo sistema nervoso (reconhecimento da dor)  Modulação: modulação medular e supra segmentar (cortical e subcortical) da dor  Cognição: interpretação da dor e resposta ao estímulo doloroso.
  • 10.
    CORNO POSTERIOR DAMEDULA  Receptores de dor: terminações nervosas livres receptores especializados  Mecanorreceptores: A beta (lâminas III, IV, V, VI) TATO  Nociceptores: A delta e C (lâminas I, II, III) DOR
  • 11.
    FISIOPATOLOGIA DA DOR- TRANSDUÇÃO ATIVAÇÃODOS NOCEPTORES (A DELTA e C) ESTÍMULOS NOCICEPTIVOS Injúria Celular Injúria Vascular Local Liberação de K e H Cinina Calicreina Cininogênio Ácido aracdônico Extravazamento plasma Plaquetas Basófilos / Mastócitos Leucotrienos Prostaglandinas Serotonina / Histamina Substância P (Vasodilatação / Edema) AÇÃO NOCICEPTORA SENSIBILIZAÇÃO ESTRAVAZAMENTO NO NOCICEPTORA PLASMA DOR
  • 12.
    FISIOPATOLOGIA DA DOR- TRANSMISSÃO  Trato Neo espinotalâmico Responsável pelo componente cognitivo. Informa sobre o começo, duração, localização e intensidade da lesão. Resposta consciência e imediata  Trato Paleo espinotalâmico Responsável pelo sistema qualitativo e plástico da dor. Transmite sinais lentos, informações sobre a persistência da injúria e sobre a resposta aninociceptiva. - Espino reticular - Espino mesencefálico DOR
  • 13.
    FISIOPATOLOGIA DA DOR- MODULAÇÃO CPME (neurônio WDR) (laminas I, II, V) FACILITAÇÃO Modulação central INIBIÇÃO (segmentar ou por NT e RECEPTOR via descendente Neuropeptídeos NT e RECEPTOR superior) Somatostat. Neuropeptídeos Ach Muscarínico Glutamato NMDA, AMPA 1. Sistema de encéfalo e encefalina mu, sigma, K Aspartato NMDA, AMPA cortical B-endorfina mu, sigma, K Subst. P NK – 1 2. Subst. cinzenta periaquedutal Nor-epinefri Alfa – 2 ATP P1, P2 3. Núcleo magno da rafe adenosina A1 CGRP 4. Locus coeruleus serotonina 5-HT1, 5-HT3 5. CPME GABA GABA A, B glicina DOR
  • 14.
    FISIOPATOLOGIA DA DOR- COGNIÇÃO  Sistema Límbico Componente emotivo-afetivo: irritabilidade, medo, angústia, depressão.  Núcleos Intratalâmicos Estação intermediária: processamento da dor e envio ao córtex.  Nucleos Hipotalâmicos Libera hormônios do estesse. Estimula atividade simpática e ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.  Formação Mesencefálica Reticular Reação de alerta  Córtex Interpretação e modulação do fenômeno doloroso DOR
  • 15.
    FISIOPATOLOGIA DA DOR Na inflamação prolongada ocorre aumento da densidade e sensibilidade dos receptores NMDA 1. Hiperalgesia secundária 2. Expansão do campo receptivo 3. Redução do limiar p/ novos impulsos DOR
  • 16.
    FISIOPATOLOGIA DA DOR DOR
  • 17.
    SEQÜELAS FISIOLÓGICAS ADVERSAS DA DOR  Respiratório: diminuição da CV, CRF, VR, FEF1s Atelectasias > alteração da relação V/Q = hipoxemia, hipercarbia Infecções pulmonares > dificuldade de mobilização de secreções Distensão abdominal (íleo paralítico) > afeta função respiratória Efeitos agravados pela: idade avançada, obesidade, urgências, tipo e duração das cirurgias, tipo de anestesia, tagagismo, DPOC  Cardiovasculares: dor, libera catecolaminas, resposta à agressão Taquicardia, elevação da PA, aumento do DC, aumento do trabalho e consumo de O2 Aumento do risco de isquemia e infarto do miocárdio Dor > imomililização > estase venosa, ativação da coagulação, aumento da reatividade plaquetária, diminuição da fibrinólise > TVP DOR
  • 18.
    Importância do tratamentoda dor • dor PO: • principal causa de hospitalização inadvertida após cirurgia ambulatorial FORTIER et al: Can J Anaesth; 45 : 612-619, 1998
  • 19.
    SEQÜELAS FISIOLÓGICAS ADVERSAS DA DOR  Gastrointestinal: Dor > retardo do esvaziamento gastrointestinal, diminuição da motilidade > íleo prolongado. Maior incidência de náuseas e vômitos Retardo da alimentação oral > infecção intestinal e sepse Ativação simpática determinada pelo estresse > diminuem a motilidade  Urinário: hipomotilidade da uretra e da bexiga  Neuroendócrino: aumento do tônus simpático, estimulação hipotalâmica, secreção de catecolaminas aumento de hormônios catabólicos e diminuição de anabólicos Retenção de sódio e água, hiperglicemia, aumento do lactato e corpos cetônicos Metabolismo acelerado, aumento do consumo de O2 e B. nitrogenado negativo Alterações imunológicas não específicas DOR
  • 20.
  • 21.
    ANTIINFLAMATÓRIOS VANTAGENS  Efetividade analgésica  Antiinflamatório e antipirético  Não provocam sedação, distúrbios psíquicos, náuseas e constipação  Controlam melhor a dor do tipo infamatória, que os opióides  Não produzem tolerância ou dependência DOR
  • 22.
    MECANISMO DE AÇÃO FOSFOLÍPEDES Fosfolipase A2 ciclooxigenase ÁCIDO lipooxigenase ARACDÔNICO ENDOPERÓXIDOS ÁCIDO 5- CICLÍCOS HIDROPEROXIDOEICOSATETRAÓICO 5 - HETE LEUCOTRIENOS LTA, LTB, LTC, LTD PROSTAGLANDINAS PGA, PGD2, PGE2, PROSTACICLINAS TROMBOXANO A2 PGF2 PGL2 DOR
  • 23.
    ANTIINFLAMATÓRIOS  AINES de primeira geração: - inibem ação da COX 1 (constitutiva) e COX 2 (indutiva) - Mucosa gástrica, fígado, rins e plaquetas (COX 1)  AINES de segunda geração (coxibs): - bloqueiam seletivamente a COX 2 - Baixas concentrações em diversos órgãos e em grande quantidade nos monócitos e endotélio, quando lesões ou inflamações ocorrem  Efeito “teto” dos AINES  Nova forma de isoforma da ciclooxigenase: COX 3  Ações propostas aos AINES: - inibição da hipersensibilização periférica (hiperalgesia primária) - Ativação de mecanismos descendentes inibitórios DOR
  • 24.
    TIPOS DE CICLOXIGENASES(COX) ÁCIDO ARACDÔNICO COX 1 COX 2 PROSTAGLANDINAS PROSTAGLANDINAS INTEGRIDADE DA RESPOSTA TECIDUAL MUCOSA GÁSTRICA, À LESÃO, COMO FUNÇÃO RENAL, EDEMA E FÍGADO E PLAQUETAS HIPERALGESIA DOR
  • 25.
    EFEITOS COLATERAIS  Trato Digestivo Superior • Dispepsia • Erosões • Anemia aguda, sangramentos • Úlceras  Sistema Renal • Disfunsão renal • Insuficiência renal aguda/crônica • HAS • Insuficiência cardíaca  Efeito anti-agregante plaquetário • Contribui para o sangramento DOR
  • 26.
    INIBIDORES DA COX1 E COX 2 1. Derivados do ácido salicílico aspirina (AAS, aspirina, buferin) 1000 mg 6/6h 2. Derivados do ácido indolacético indometacina (agilisin, indometacina, indocid) 25 mg 8/8h 3. Derivados do ácido propiônico Ibuprofeno (advil. Artrill, motrin) 50 mg 8/8h cetoprofeno (artrosil, profenid) 100 mg 12/12h naproxeno (flanax, naprosyn) 500 mg 12/12h 4. Derivados do ácido enólico piroxican (cicladol, feldene, inflamene) 50 mg 8/8h tenoxicam (tilatil, tenoxican) 20 mg 12/12h meloxicam (inicox, meloxil) 7,5 – 15 mg 12 – 24h 5. Derivados Pirrolacético cetorocaco (toragesic) 10 - 40 mg/dia 6. Derivados do ácido antranílico ácido mefenâmico (ponstan) 250 – 500 mg 6/6h 7. Derivados do ácidofenilacético DOR diclofenaco (artren, biofenac cataflan, voltaren) 50 – 75 mg 8/8h
  • 27.
    INIBIDORES SELETIVOS DACOX  Inibidores da COX – 2 - Nimesulid (Scaflam, nimesulida) 50 – 100 mg 12/12h - Valdecoxibe (bextra) 40 mg 1x/dia - Parecoxibe (bextra) 40 mg 1X/dia - Celecoxibe (celebra) 100 – 200 mg/dia - Rofecoxibe (viox) 25 - 50 mg/dia - Eterocoxibe (arcoxia)  Inibidores COX 1 e COX 3 - Derivados Pirazolônicos Dipirona (anador, baralgina, novalgina) 1000 mg 6/6h - Derivados do acetominofenol Paracetamol (tylenol, dôrico) 750 mg 6/6 h DOR
  • 28.
    OPIÓIDES  Ação primariamente central, dor aguda de grande intensidade, refratária aos AINES.  Interagem com receptores específicos dos peptídeos opióides que estão distribuídos no SNC e nos terminais nociceptivos.  Os opióides ativam mecanismos inibitórios na formação reticular, na medula espinhal e no sistema límbico. DOR
  • 29.
    MECANISMO DE AÇÃODOS OPIÓIDES  Ativação de mecanismos inibitórios descendentes: Região peri aquedutal “Locus coeruleus” Fibras noradrenérgicas Núcleo gigantocelular: fibras serotoninérgicas exercem controle inibitório sobre as sinápses nociceptivas espinhais e reticulares.  Inibição da sinápse nociceptiva espinhal (CDME)  Inibição direta nos terminais nervosos DOR
  • 30.
    RECEPTORES OPIÁCEOS  mu 1: analgesia supraespinhal e depressão respiratória  mu 2: depressão respiratória, alteração da motilidade intestinal, euforia e dependência química  kappa: analgesia medular, miose e sedação  delta: relacionado com alterações do comportamento afetivo  sigma: relacionado com a disforia DOR
  • 31.
    EFEITOS COLATERAIS DOSOPIÁCEOS  Náuseas e vômitos  Prurido  Sedação  Euforia  Retenção urinária  Aumento do tono do esfíncter de Oddi  Obstipação  Confusão  Tontura  Depressão respiratória  Bradicardia, diminuição do tônus simpático e aumento da capacitância venosa DOR
  • 32.
    DROGAS E DOSESDISPONÍVEIS  Agonistas - Morfina (dimorf) SC/IM/EV 1 – 10 mg / 4 – 8 h - Fentanil (fentanil) EV 10 – 100 mcg - Alfentanil - Sufentanil - Meperidina (dolantina, demerol) - Tramadol (tramal, sylador) VO/IM/IV/SC 50 – 100 mg / 4 h - Codeína (codein) VO 30 – 60 mg / 4h  Agonistas – antagonistas mistos - Buprenorfina (tengesic) SL/SC/IV 0,2 – 0,4 mg / 6 h - Nalbufina (nubain) IV/IM/SC 10 – 40 mg / 4h DOR
  • 34.
    ANESTÉSICOS LOCAIS Apresentam propriedade bloqueadora da condução nervosa, tanto sensorial, quanto motora. Usados em bloqueios e infiltações.  Aminoamidas: - Lidocaína - Bupivacaína - Ropivacaína DOR
  • 35.
    Anestésicos Locais Fluxos deNa+ e K+ através do axolema via canais específicos e o potencial de ação + + resultante. 1. em repouso voltagem 2. despolarização do neurônio voltagem Na+ + + - tempo tempo bomba de Na+ : canais de Na+ gradientes iônicos abertos - K+ + + 3. repolarização voltagem 4. finalização do potencial voltagem de ação + + tempo tempo canais de Na+ bomba de íons: fechados Na+ para fora - canais de K+ - K+ para dentro abertos ADP + P ADP + P ATP ATP Covino BG, Scott DB. Handbook of Epidural Anaesthesia and Analgesia, 1985 Analgesia,
  • 37.
    Anestésicos Locais Bloqueio diferencial de fibras nervosas mielinizadas. mielinizadas. A distância internodal é proporcional ao diâmetro da fibra e o bloqueio ocorre anestésico quando pelo menos três nodos adjacentes ao nervo são expostos ao anestésico local axônio fino axônio grosso (Franz DN, Perry RS. J Physiol 236:207,1974)
  • 38.
    AGONISTA ALFA-2 ADRENÉRGICO CLONIDINA  Efeito analgésico, via epidural, semelhante à morfina  Menor tempo de duração  Indicada, isolada ou combinada, quando há desenvolvimento de tolerância ou efeitos colaterais dos opióides  Acarreta hipotensão arterial e sedação  Via venosa tem efeito analgésico curto DOR
  • 39.
    BLOQUEADORES DO GLUTAMATO QUETAMINA  Bloqueadora do canal de cálcio do receptor NMDA  Potente efeito analgésico, dor neuropática  Bons resultados quando temos alodínea, hiperalgesia e hiperestesia  Estudos promissores na dor aguda DOR
  • 40.
    ESCALA ANALGÉSICA DEDOR (OMS) Opióides fortes (Morfina) DOR + não opiódes AGUDA Opióides fracos(Codeína e Tramadol) + não opióides DOR CRÔNICA Não opióides (AINE’s/ Paracetamol/ Dipirona +/- adjuvantes DOR
  • 41.
    PLANEJAMENTO DA ANALGESIA Multimodal  Individualizado  Expectativa de dor pós-operátória  Tipo de cirurgia  Condições clínicas pré-operatória  Risco / benefício da técnica selecionada  Preferências do paciente  Experiência prévia com dor DOR
  • 42.
    ANALGESIA PREEMPTIVA Técnica ou terapia antálgica antes da lesão, com o objetivo de diminuir a intensidade da dor e evitar a sensibilização central. Usada em qualquer parte da via dolorosa:  Periferia: analgésicos e AINES  Via de condução: anestésicos locais  Medula: opióides, AL, clonidina, quetamina  Centros superiores: opióides por via sistêmica DOR
  • 43.
    ANALGESIA PREEMPTIVA O momento da administração da terapia analgésica não influencia a qualidade de analgesia dos pacientes em 82 estudos envolvendo 3761 pacientes. Moiniche, 2002 A nova definição deve ser em analgesia preventiva, ampliando o foco entre intervenção pré ou pós incisional, para outro que objetive minimizar a dor e o consumo de analgésicos pela redução da sensibilização central e periférica. Katz, 2002 DOR
  • 44.
    COMO DEVEMOS PENSARA ANALGESIA  Não devemos usar opióides de ação prolongada ou de depósito na dor aguda  Analgesia preventiva e contínua  Analgesia multimodal  “Morfina”: adicção, dependência física e tolerância  O acompanhamento do paciente  A retirada da analgesia  O registro de todo tratamento  O custo do tratamento DOR
  • 45.
    VIAS DE ADMINISTRAÇÃODE MEDICAMENTOS  Analgesia sistêmica - Via oral - Via retal Local da cirurgia Cateter - Via intra-muscular Extremidade superior C2 a C8 - Via subcutânea Extremidade inferior T12 a L3 - Via venosa Tórax T2 a T8  Analgesia espinhal Abdome superior T4 a L1 - Via subaracnóidea Abdome inferior T10 a L3 - Via peridural  Analgesia regional - Infiltração do campo - Bloqueio de nervo periférico - Bloqueio de plexo braquial - Bloqueio intercostal - Bloqueio interpleural - Bloqueio intra-articular - Bloqueio íleo-inguinal e íleo- hipogástrico - Bloqueio “3 em 1” DOR
  • 46.
    MÉTODOS DE ADMINISTRAÇÃO  Regular: evitar que a dor apareça é mais fácil que tratá-la após ter iniciado a crise álgica  Demanda (SOS): medicação potente, início rápido, por via parenteral, para dor incidental  Injeção peridural intermitente de opióides DOR
  • 47.
    MÉTODOS DE ADMINISTRAÇÃO  Infusão venosa contínua de opióides: • Bomba de infusão • Doses ajustadas de acordo com a idade, estado físico e tipo de cirurgia • Vigilância estreita até estabilização da analgesia  Infusão peridural contínua de opiódes e/ou anestésicos locais: • Ação sinérgica entre opióides e AL • Risco de intoxicação é pequeno; doses e concentrações são baixas • Vigilância pelo risco de hipotensão e força motora DOR
  • 48.
    ANALGESIA CONTROLADO PELOPACIENTE O conceito básico da técnica é poder oferecer ao doente um recurso que lhe permita auto-administrar analgésicos para dor, assim que ele mesmo julgue necessário. Vantagens  Participação ativa do paciente no tratamento  Elevado grau de aceitação e satisfação do paciente  Diminuição dos custos  Otimização do tempo da enfermagem  Segurança no manejo das drogas / dosagens DOR
  • 49.
    ANALGESIA CONTROLADO PELOPACIENTE  Analgesia venosa controlada pelo paciente • Infusão contínua x demanda x associação  Analgesia peridural controlada pelo paciente • Permite combinar anestésicos locais, opióides e drogas adjuvantes (clonidina)  Analgesia regional controlada pelo paciente • Anestésicos locais administrados em plexos nervosos, nervos periféricos ou ferida cirúrgica DOR
  • 51.
  • 53.
    TERMINOLOGIA – “PCA” Dose inicial ( loading dose) : dose de ataque programada  Infusão contínua : conforme técnica de escolha  Dose de bolus: dose programada que o paciente administra através do disparador  Intervalo de bloqueio: intervalo de tempo programado que permite a liberação da dose de bolus  Limite de quatro horas: sistema de segurança do equipamento que permite programar a quantidade máxima de droga a ser administrada em quatro horas DOR
  • 54.
  • 55.
  • 56.
  • 57.
    Morfina 0,004% +Bupivacaína 0,125% Fentanil 2 ug/ml + Bupivacaína 0,125% Dose inicial Morfina 1 mg + Dose inicial Fentanil 5 ml bupivacaína 0,25% 10 ml (0,08 – 0,16 ug/kg) Infusão 5 ml/h Infusão 4 – 5 ml/h contínua contínua (0,1 – 0,2 ug/kg/h) Bolus PCA 2,5 ml Bolus PCA 2,5 ml T. bloqueio 20 – 30 min T. bloqueio 20 min. Morfina 0,004% + Ropivacaína 0,125% Sufentanil 1 ug/ml + Bupivacaína 0,125% Dose inicial Morfina 1 mg + Dose inicial Sufentanil 5 ml Ropivacaína 0,25% 10 ml (0,08 ug/kg) Infusão 5 ml/h Infusão 5 ml/h contínua contínua (0,12 ug/kg/h) Bolus PCA 2,5 ml Bolus PCA 2,5 ml T. bloqueio 20 – 30 min T. bloqueio 20 – 30 min
  • 58.
  • 59.
    Fentanil Sufentanil Diluição 10 ug/ml Diluição 1 ug/ml Dose inicial 50 100 ug (5-10 ml) Dose inicial 4 ug (4 ml) Infusão cont 25 ug/h (2,5ml) Infusão cont 5 ug/h (5ml/h) Bolus PCA 15 ug (1,5 ml) Bolus PCA 2 ug (2 ml) Limite 4 h 200 ug Limite 4 h 40 ug Tempo bloq 10 min. Tempo bloq 3 -10 min. Doses 0,3 – 2 ug/h Doses 0,04 – 0,4 ug/kg/h Tramadol Morfina Diluição 2 mg/ml Diluição 0,2 mg/ml Dose inicial 50 mg (25 ml) Dose inicial 1 mg (5 ml) Infusão cont 10 mg/h (5 ml/h) Infusão cont 1 mg/h (5 ml) Bolus PCA 5 mg (2,5 ml) Bolus PCA 0,5 mg/h (2,5 ml) Limite 4 h 66.7 mg (33,3 ml) Limite 4 h 10 mg Tempo bloq 10 min. Tempo bloq 5 – 20 min Doses Até 400 mg/dia Doses