Trabalho realizado por:
Ana Gomes nº1
André Silva nº2
Bruno Nogueira nº6
Rita Araújo nº19
11ºA

Árvore genealógica de
Afonso

 Afonso da Maia é um homem de estatura baixa, maciço (firme), de
costas largas e fortes. Apresenta uma face larga com um nariz curvo,
pele avermelhada, cabelo curto e branco, e uma barba longa e branca.
Esta personagem relembra alguns reis, varões e duques da História de
Portugal pelo seu aspecto físico.
Caracterização física:

 “Afonso era um pouco baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes: e
com a sua face larga de nariz aquilino, a pele corada, quase vermelha,
o cabelo branco todo cortado à escovinha, e a barba de neve aguda e
longa - lembrava, como dizia Carlos, um varão esforçado das idades
heróicas, um D. Duarte de Menezes ou um Afonso de Albuquerque. E
isto fazia sorrir o velho, recordar ao neto, gracejando, quanto as
aparências iludem!” (Capítulo I, página 12).
Expressões do livro:

 Afonso é um homem rígido, culto, puro, sério, uma pessoa rigorosa na
aplicação dos princípios morais, nas ideias e nos costumes, é sereno, risonho e
também era aquele que o autor mais valorizou. Não se conhece defeitos. É
generoso para com os amigos e os mais necessitados, o que faz também amar a
natureza e o que é pobre e fraco. funciona como sustentáculo da família Maia,
é para ele que todos se voltam nos momentos de crise.
 De todas as outras personagens, este é diferente pela sua sabedoria e
experiência de vida, é alguém duro, clássico, ultrapassado, paciente, carinhoso
com as crianças), fidalgo, nobre, rico (graças a um conjunto de heranças que
a família recebeu e que possibilitam que não tenha trabalhado um único dia
da sua vida) de espírito sadio e individualista.
Caracterizaçãopsicológica

 “Parte do seu rendimento ia-se-lhe por entre os dedos, esparsamente, numa caridade
enternecida. Cada vez amava mais o que é pobre e o que é fraco. Em Santa Olávia, as
crianças corriam para ele, dos portais, sentindo-o acariciador e paciente. Tudo o que
vive lhe merecia amor: - e era dos que não pisam um formigueiro, e se compadece da
sede duma planta.” (Capítulo I, página 12).
 “Isso, amigo, é de razão. Uma gente destas deve ter a sua representação, as suas
coisas bem montadas. Há deveres na sociedade... É como o Sr. Afonso... Gasta muito,
sim, come dinheiro. Não é com ele, que lhe conheço aquele casaco há vinte anos...
Mas são esmolas, são pensões, são empréstimos que nunca mais vê...
- Desperdícios...
- Não lho censuro... É o costume da casa; nunca da porta dos Maias, já meu pai
dizia, saiu ninguém descontente...” (Capítulo V, página 126).
Expressões do livro:

O nome “Afonso da Maia” surge
de 2 figuras históricas:
Simbolismo donome
Afonso:
1.Gonçalo
Mendes da
Maia
 O Lidador, "fronteiro-mor” e
adiantado do rei D. Afonso
Henriques, que morreu pelejando
na campanha de Beja" (1971) e de
que nos deixou uma imagem
indelével a narrativa épica de
Herculano, elo de ligação entre o
relato histórico de Frei António
Brandão e as recriações
genealógicas de Eça de Queirós.
Albuquerq
ue
 Uma figura soberba histórica, que
Eça de Queirós se dedicava e
assim tornaria mais
compreensível ou menos
surpreendente, em Os Maias, o
perfil de um Afonso da Maia,
delineado à imagem e semelhança
do heróico vice-rei da Índia.
Verifica-se coincidências
flagrantes entre o retrato físico de
Afonso da Maia com o de Afonso
Albuquerque.

 Enquanto jovem, Afonso da Maia é rebelde, liberal e jacobino
(membro de um partido dito democrático, frequentemente inimigo da
religião), segundo o pai, lê Rousseau, Volney, Helvécio e a
Enciclopédia, de Tácito de Rabelais. Sendo então obrigado, pelo seu
pai, a sair de casa, sofrendo exílio da pátria.
 É símbolo do emblemático liberalismo romântico (na juventude),
associado a um passado heróico, incapacidade de regeneração do país
e modelo de autodomínio. Corresponde à imagem do português sério e
ideal, capaz e determinado.
Outros símbolos:
 “O antepassado, cujos olhos se enchiam agora duma luz de ternura diante das suas rosas, e que ao canto do lume
relia com gosto o seu Guisot, fora, na opinião de seu pai, algum tempo, o mais feroz Jacobino de Portugal! E
todavia, o furor revolucionário do pobre moço consistira em ler Rousseau, Volney, Helvetius, e a Enciclopédia; em
atirar foguetes de lágrimas à Constituição; e ir, de chapéu à liberal e alta gravata azul, recitando pelas lojas
maçónicas Odes abomináveis ao Supremo Arquitecto do Universo. Isto, porém, bastara para indignar o pai. Caetano
da Maia era um português antigo e fiel que se benzia ao nome de Robespierre, e que, na sua apatia de fidalgo beato e
doente, tinha só um sentimento vivo - o horror, o ódio ao Jacobino, a quem atribuía todos os males, os da pátria e os
seus, desde a perda das colónias até ás crises da sua gota. Para extirpar da nação o Jacobino, dera ele o seu amor ao
Sr. infante D. Miguel, Messias forte e Restaurador providencial... E ter justamente por filho um Jacobino, parecia-
lhe uma provação comparável só ás de Job!
 Ao principio, na esperança que o menino se emendasse, contentou-se em lhe mostrar um carão severo e chamar-lhe
com sarcasmo - cidadão! Mas quando soube que seu filho, o seu herdeiro, se misturara à turba que, numa noite de
festa cívica e de luminárias, tinha apedrejado as vidraças apagadas do Sr. Legado de Áustria, enviado da Santa
Aliança - considerou o rapaz um Marat e toda a sua cólera rompeu. A gota cruel, cravando-o na poltrona, não lhe
deixou espancar o mação, com a sua bengala da índia, à lei de bom pai português: mas decidiu expulsá-lo de sua
casa, sem mesada e sem bênção, renegado como um bastardo! Que aquele pedreiro livre não podia ser do seu
sangue!” (Capítulo I, página 13).
Expressões do livro:

Evolução da vida de
Afonso:
 Após o suicídio do filho, parte para Santa Olávia mergulhado em
pesado luto, o que leva Vilaça a afirmar que «... O velho não durava
um ano». No entanto, o neto dar-lhe-á a força para sobreviver à
desgraça do filho e viver.
 De facto, o desgosto pela fraqueza de Pedro da Maia passa pelo
desacordo com a educação portuguesa tradicional que o filho recebeu
por vontade da mãe, assim, em compensação, Afonso toma a seu cargo
a educação do neto, em moldes ingleses, com destaque no exercício
físico, na higiene, na disciplina, na moderação e numa aprendizagem
livre do domínio da Cartilha e da memorização.
Evolução da
vida deAfonso
(II):
 Já velho, Afonso passa o tempo em
conversa com os amigos, realizando
jantares no Ramalhete e jogos como
whist (recebe-os e distrai-os, sendo o
ramalhete comparado a um hotel ou
a um teatro), lendo juntamente com o
seu gato - Reverendo Bonifácio – aos
pés, e emitindo juízos sobre a
necessidade de renovação do país.
Além disso, ama os seus livros e o
conforto da sua poltrona, praticando
assiduamente a caridade, o que
evidencia o seu lado solidário.
 Nos momentos de derrota, fumava
tabaco num cachimbo.

 “No escritório de Afonso da Maia ainda durava, apesar de ser tarde, a
partida de whist. A mesa estava ao lado da chaminé, onde a chama
morria nos carvões escarlates, no seu recanto costumado, abrigada
pelo biombo japonês, por causa da bronquite de D. Diogo e do seu
horror ao ar.” (Capitulo V, página 113).
 “Que perguntavas tu, filho? disse enfim Afonso erguendo-se, ainda
irritado, a buscar tabaco para o cachimbo, sua consolação nas
derrotas.” (Capítulo V, página 115).
Expressões do livro:
 “- Então, meu pobre Steinbroken - exclamou Afonso - vindo-lhe bater amavelmente
no ombro - ainda dá desses belos cantos a estes bandidos, que o maltratam assim ao
bilhar?
- Fui essfôladito, si, essfôladito. Agradecido, nô, prefiro um copita Porto...
- Hoje fomos nós as vítimas - disse-lhe o general respirando com delícia o seu punch.
- Você tãbem, meu genêral?
- Sim, senhor, também me cascaram...
E que dizia o amigo Steinbroken às noticias da manhã? - perguntava Afonso. - A
queda de Mac-Mahon, a eleição de Grevy... O que o alegrava nisto, era o
desaparecimento definitivo do antipático senhor de Broglie e da sua clique. A
impertinência daquele académico estreito, querendo impor a opinião de dois ou três
salões doutrinários à França inteira, a toda uma Democracia! Ah, o «Times»
cantava-lhas!” (Capítulo V, página 123).
Expressões do livro:

Evolução da vida deAfonso
(III):
 Afonso sofre um imenso desgosto quando descobre o incesto voluntário
e consciente do neto, perdendo toda a sua força de viver e de lutar, para
ele já não existia uma razão para existir. Sofrera imenso tanto com a
morte do filho como esta traição do neto, fora como uma facada que lhe
perfurara o peito.
 Ao nível da intriga principal, Afonso cumpre um papel de oponente, mas
também de vítima, impotente perante o incesto entre os dois únicos
descendentes da família. O processo de decadência familiar era já
anunciado no fracasso pessoal do neto, em termos de projecto de vida, e
é agora terminado no incesto, do qual só pode resultar a esterilidade
(infertilidade). Afonso morre de apoplexia, no jardim do Ramalhete,
quando sabe da vergonha do neto e da não continuidade dos Maias.

 “Afonso da Maia, que um tremor tomara, agarrou-se um momento
com força à bengala, caiu por fim pesadamente numa poltrona, junto
do reposteiro. E ficou devorando o neto, o Ega, com o olhar esgazeado
e mudo.” (Capítulo XVII, página 644).
 “E apareceu Afonso da Maia, pálido, com um jaquetão sobre a camisa
de dormir, e um castiçal onde a vela ia morrendo.” (Capitulo XVII,
página663).
Expressões do livro:

 “Defronte do Ramalhete os candeeiros ainda ardiam. Abriu de leve a porta.
Pé ante pé, subiu as escadas ensurdecidas pelo veludo cor de cereja. No
patamar tacteava, procurava a vela - quando, através do reposteiro
entreaberto, avistou uma claridade que se movia no fundo do quarto.
Nervoso, recuou, parou no recanto. O clarão chegava, crescendo: passos
lentos, pesados, pisavam surdamente o tapete: a luz surgiu - e com ela o avô
em mangas de camisa, lívido, mudo, grande, espectral. Carlos não se moveu,
sufocado; e os dois olhos do velho, vermelhos, esgaseados, cheios de horror,
caíram sobre ele, ficaram sobre ele, varando-o até ás profundidades da alma,
lendo lá o seu segredo. Depois, sem uma palavra, com a cabeça branca a
tremer, Afonso atravessou o patamar, onde a luz sobre o veludo espalhava
um tom de sangue: - e os seus passos perderam-se no interior da casa, lentos,
abafados, cada vez mais sumidos, como se fossem os derradeiros que devesse
dar na vida!” (Capítulo XVII, página 668).
Expressões do livro:

 “Afonso da Maia lá estava, nesse recanto do quintal, sob os ramos do
cedro, sentado no banco de cortiça, tombado por sobre a tosca mesa,
com a face caída entre os braços. O chapéu desabado rolara para o
chão; nas costas, com a gola erguida, conservava o seu velho capote
azul... Em volta, nas folhas das camélias, nas áleas arcadas, refulgiu,
cor de ouro, o sol fino de inverno. Por entre as conchas da cascata o
fio de água punha o seu choro lento.” Capítulo V, página 669).
Expressões do livro:
É o homem mais simpático, o mais valorizado para Eça e o sonho de um
Portugal impossível por falta de homens capazes. Uma vez que é símbolo do
velho Portugal, que contrasta com o novo Portugal – o da Regeneração,
cheio de defeitos.

Afonso da maia

  • 1.
    Trabalho realizado por: AnaGomes nº1 André Silva nº2 Bruno Nogueira nº6 Rita Araújo nº19 11ºA
  • 2.
  • 3.
      Afonso daMaia é um homem de estatura baixa, maciço (firme), de costas largas e fortes. Apresenta uma face larga com um nariz curvo, pele avermelhada, cabelo curto e branco, e uma barba longa e branca. Esta personagem relembra alguns reis, varões e duques da História de Portugal pelo seu aspecto físico. Caracterização física:
  • 4.
      “Afonso eraum pouco baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes: e com a sua face larga de nariz aquilino, a pele corada, quase vermelha, o cabelo branco todo cortado à escovinha, e a barba de neve aguda e longa - lembrava, como dizia Carlos, um varão esforçado das idades heróicas, um D. Duarte de Menezes ou um Afonso de Albuquerque. E isto fazia sorrir o velho, recordar ao neto, gracejando, quanto as aparências iludem!” (Capítulo I, página 12). Expressões do livro:
  • 5.
      Afonso éum homem rígido, culto, puro, sério, uma pessoa rigorosa na aplicação dos princípios morais, nas ideias e nos costumes, é sereno, risonho e também era aquele que o autor mais valorizou. Não se conhece defeitos. É generoso para com os amigos e os mais necessitados, o que faz também amar a natureza e o que é pobre e fraco. funciona como sustentáculo da família Maia, é para ele que todos se voltam nos momentos de crise.  De todas as outras personagens, este é diferente pela sua sabedoria e experiência de vida, é alguém duro, clássico, ultrapassado, paciente, carinhoso com as crianças), fidalgo, nobre, rico (graças a um conjunto de heranças que a família recebeu e que possibilitam que não tenha trabalhado um único dia da sua vida) de espírito sadio e individualista. Caracterizaçãopsicológica
  • 6.
      “Parte doseu rendimento ia-se-lhe por entre os dedos, esparsamente, numa caridade enternecida. Cada vez amava mais o que é pobre e o que é fraco. Em Santa Olávia, as crianças corriam para ele, dos portais, sentindo-o acariciador e paciente. Tudo o que vive lhe merecia amor: - e era dos que não pisam um formigueiro, e se compadece da sede duma planta.” (Capítulo I, página 12).  “Isso, amigo, é de razão. Uma gente destas deve ter a sua representação, as suas coisas bem montadas. Há deveres na sociedade... É como o Sr. Afonso... Gasta muito, sim, come dinheiro. Não é com ele, que lhe conheço aquele casaco há vinte anos... Mas são esmolas, são pensões, são empréstimos que nunca mais vê... - Desperdícios... - Não lho censuro... É o costume da casa; nunca da porta dos Maias, já meu pai dizia, saiu ninguém descontente...” (Capítulo V, página 126). Expressões do livro:
  • 7.
     O nome “Afonsoda Maia” surge de 2 figuras históricas: Simbolismo donome Afonso:
  • 8.
    1.Gonçalo Mendes da Maia  OLidador, "fronteiro-mor” e adiantado do rei D. Afonso Henriques, que morreu pelejando na campanha de Beja" (1971) e de que nos deixou uma imagem indelével a narrativa épica de Herculano, elo de ligação entre o relato histórico de Frei António Brandão e as recriações genealógicas de Eça de Queirós.
  • 9.
    Albuquerq ue  Uma figurasoberba histórica, que Eça de Queirós se dedicava e assim tornaria mais compreensível ou menos surpreendente, em Os Maias, o perfil de um Afonso da Maia, delineado à imagem e semelhança do heróico vice-rei da Índia. Verifica-se coincidências flagrantes entre o retrato físico de Afonso da Maia com o de Afonso Albuquerque.
  • 10.
      Enquanto jovem,Afonso da Maia é rebelde, liberal e jacobino (membro de um partido dito democrático, frequentemente inimigo da religião), segundo o pai, lê Rousseau, Volney, Helvécio e a Enciclopédia, de Tácito de Rabelais. Sendo então obrigado, pelo seu pai, a sair de casa, sofrendo exílio da pátria.  É símbolo do emblemático liberalismo romântico (na juventude), associado a um passado heróico, incapacidade de regeneração do país e modelo de autodomínio. Corresponde à imagem do português sério e ideal, capaz e determinado. Outros símbolos:
  • 11.
     “O antepassado,cujos olhos se enchiam agora duma luz de ternura diante das suas rosas, e que ao canto do lume relia com gosto o seu Guisot, fora, na opinião de seu pai, algum tempo, o mais feroz Jacobino de Portugal! E todavia, o furor revolucionário do pobre moço consistira em ler Rousseau, Volney, Helvetius, e a Enciclopédia; em atirar foguetes de lágrimas à Constituição; e ir, de chapéu à liberal e alta gravata azul, recitando pelas lojas maçónicas Odes abomináveis ao Supremo Arquitecto do Universo. Isto, porém, bastara para indignar o pai. Caetano da Maia era um português antigo e fiel que se benzia ao nome de Robespierre, e que, na sua apatia de fidalgo beato e doente, tinha só um sentimento vivo - o horror, o ódio ao Jacobino, a quem atribuía todos os males, os da pátria e os seus, desde a perda das colónias até ás crises da sua gota. Para extirpar da nação o Jacobino, dera ele o seu amor ao Sr. infante D. Miguel, Messias forte e Restaurador providencial... E ter justamente por filho um Jacobino, parecia- lhe uma provação comparável só ás de Job!  Ao principio, na esperança que o menino se emendasse, contentou-se em lhe mostrar um carão severo e chamar-lhe com sarcasmo - cidadão! Mas quando soube que seu filho, o seu herdeiro, se misturara à turba que, numa noite de festa cívica e de luminárias, tinha apedrejado as vidraças apagadas do Sr. Legado de Áustria, enviado da Santa Aliança - considerou o rapaz um Marat e toda a sua cólera rompeu. A gota cruel, cravando-o na poltrona, não lhe deixou espancar o mação, com a sua bengala da índia, à lei de bom pai português: mas decidiu expulsá-lo de sua casa, sem mesada e sem bênção, renegado como um bastardo! Que aquele pedreiro livre não podia ser do seu sangue!” (Capítulo I, página 13). Expressões do livro:
  • 13.
     Evolução da vidade Afonso:  Após o suicídio do filho, parte para Santa Olávia mergulhado em pesado luto, o que leva Vilaça a afirmar que «... O velho não durava um ano». No entanto, o neto dar-lhe-á a força para sobreviver à desgraça do filho e viver.  De facto, o desgosto pela fraqueza de Pedro da Maia passa pelo desacordo com a educação portuguesa tradicional que o filho recebeu por vontade da mãe, assim, em compensação, Afonso toma a seu cargo a educação do neto, em moldes ingleses, com destaque no exercício físico, na higiene, na disciplina, na moderação e numa aprendizagem livre do domínio da Cartilha e da memorização.
  • 15.
    Evolução da vida deAfonso (II): Já velho, Afonso passa o tempo em conversa com os amigos, realizando jantares no Ramalhete e jogos como whist (recebe-os e distrai-os, sendo o ramalhete comparado a um hotel ou a um teatro), lendo juntamente com o seu gato - Reverendo Bonifácio – aos pés, e emitindo juízos sobre a necessidade de renovação do país. Além disso, ama os seus livros e o conforto da sua poltrona, praticando assiduamente a caridade, o que evidencia o seu lado solidário.  Nos momentos de derrota, fumava tabaco num cachimbo.
  • 16.
      “No escritóriode Afonso da Maia ainda durava, apesar de ser tarde, a partida de whist. A mesa estava ao lado da chaminé, onde a chama morria nos carvões escarlates, no seu recanto costumado, abrigada pelo biombo japonês, por causa da bronquite de D. Diogo e do seu horror ao ar.” (Capitulo V, página 113).  “Que perguntavas tu, filho? disse enfim Afonso erguendo-se, ainda irritado, a buscar tabaco para o cachimbo, sua consolação nas derrotas.” (Capítulo V, página 115). Expressões do livro:
  • 17.
     “- Então,meu pobre Steinbroken - exclamou Afonso - vindo-lhe bater amavelmente no ombro - ainda dá desses belos cantos a estes bandidos, que o maltratam assim ao bilhar? - Fui essfôladito, si, essfôladito. Agradecido, nô, prefiro um copita Porto... - Hoje fomos nós as vítimas - disse-lhe o general respirando com delícia o seu punch. - Você tãbem, meu genêral? - Sim, senhor, também me cascaram... E que dizia o amigo Steinbroken às noticias da manhã? - perguntava Afonso. - A queda de Mac-Mahon, a eleição de Grevy... O que o alegrava nisto, era o desaparecimento definitivo do antipático senhor de Broglie e da sua clique. A impertinência daquele académico estreito, querendo impor a opinião de dois ou três salões doutrinários à França inteira, a toda uma Democracia! Ah, o «Times» cantava-lhas!” (Capítulo V, página 123). Expressões do livro:
  • 18.
     Evolução da vidadeAfonso (III):  Afonso sofre um imenso desgosto quando descobre o incesto voluntário e consciente do neto, perdendo toda a sua força de viver e de lutar, para ele já não existia uma razão para existir. Sofrera imenso tanto com a morte do filho como esta traição do neto, fora como uma facada que lhe perfurara o peito.  Ao nível da intriga principal, Afonso cumpre um papel de oponente, mas também de vítima, impotente perante o incesto entre os dois únicos descendentes da família. O processo de decadência familiar era já anunciado no fracasso pessoal do neto, em termos de projecto de vida, e é agora terminado no incesto, do qual só pode resultar a esterilidade (infertilidade). Afonso morre de apoplexia, no jardim do Ramalhete, quando sabe da vergonha do neto e da não continuidade dos Maias.
  • 19.
      “Afonso daMaia, que um tremor tomara, agarrou-se um momento com força à bengala, caiu por fim pesadamente numa poltrona, junto do reposteiro. E ficou devorando o neto, o Ega, com o olhar esgazeado e mudo.” (Capítulo XVII, página 644).  “E apareceu Afonso da Maia, pálido, com um jaquetão sobre a camisa de dormir, e um castiçal onde a vela ia morrendo.” (Capitulo XVII, página663). Expressões do livro:
  • 20.
      “Defronte doRamalhete os candeeiros ainda ardiam. Abriu de leve a porta. Pé ante pé, subiu as escadas ensurdecidas pelo veludo cor de cereja. No patamar tacteava, procurava a vela - quando, através do reposteiro entreaberto, avistou uma claridade que se movia no fundo do quarto. Nervoso, recuou, parou no recanto. O clarão chegava, crescendo: passos lentos, pesados, pisavam surdamente o tapete: a luz surgiu - e com ela o avô em mangas de camisa, lívido, mudo, grande, espectral. Carlos não se moveu, sufocado; e os dois olhos do velho, vermelhos, esgaseados, cheios de horror, caíram sobre ele, ficaram sobre ele, varando-o até ás profundidades da alma, lendo lá o seu segredo. Depois, sem uma palavra, com a cabeça branca a tremer, Afonso atravessou o patamar, onde a luz sobre o veludo espalhava um tom de sangue: - e os seus passos perderam-se no interior da casa, lentos, abafados, cada vez mais sumidos, como se fossem os derradeiros que devesse dar na vida!” (Capítulo XVII, página 668). Expressões do livro:
  • 21.
      “Afonso daMaia lá estava, nesse recanto do quintal, sob os ramos do cedro, sentado no banco de cortiça, tombado por sobre a tosca mesa, com a face caída entre os braços. O chapéu desabado rolara para o chão; nas costas, com a gola erguida, conservava o seu velho capote azul... Em volta, nas folhas das camélias, nas áleas arcadas, refulgiu, cor de ouro, o sol fino de inverno. Por entre as conchas da cascata o fio de água punha o seu choro lento.” Capítulo V, página 669). Expressões do livro:
  • 23.
    É o homemmais simpático, o mais valorizado para Eça e o sonho de um Portugal impossível por falta de homens capazes. Uma vez que é símbolo do velho Portugal, que contrasta com o novo Portugal – o da Regeneração, cheio de defeitos.