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Síntese
Módulo 9.2.1
José Saramago
O ano da morte
de Ricardo Reis
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Representações do século XX:
o tempo histórico
e os acontecimentos políticos
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
✔ O romance irá apresentar o panorama político da maior parte dos principais
países envolvidos nestas crises – que culminarão com a eclosão da Segunda
Guerra Mundial – em especial através das notícias dos jornais portugueses
que serão lidas pelo protagonista, Ricardo Reis.
1936
(ano em que decorre a maior parte da ação)
✔ Período conturbado, devido às crises de natureza política que ocorriam na
Europa, em que oscilavam tendências democráticas e totalitárias, estas
últimas de caráter fascista.
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Portugal – Consolida-se o Estado Novo, conduzido por Salazar.
É fundada a Mocidade Portuguesa. O campo de concentração
do Tarrafal entra em funcionamento.
Espanha – Emergem os conflitos sociais, políticos e
económicos que impulsionarão o povo espanhol para a Guerra
Civil, sob o comando do General Franco.
Itália – Mussolini, líder fascista, ascende ao poder. Trava-se a
guerra contra a Etiópia.
Alemanha – O poder de Hitler, que compartilha dos ideais
totalitários dos nazistas, é fortalecido. Intensificam-se os
ataques aos judeus.
Europa
1936
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Estado Novo:
regime
ditatorial
liderado por
Oliveira
Salazar
• Equilíbrio financeiro,
conseguido com o
aumento dos impostos
e com a redução de
gastos com a educação,
saúde e salários dos
funcionários públicos.
• Modernização do
país, através da política
de obras públicas.
• Estabilidade forçada
com a criação de meios
de controlo da
sociedade:
✔ Censura
✔ Polícia política
(PVDE, mais tarde PIDE)
✔ Mocidade
Portuguesa
✔ Propaganda Nacional
Aliança com a Igreja (instrumento capaz de persuadir e manipular as
populações), assente na visão de Salazar como o salvador da moralidade cristã
e da pátria.
Portugal
1936
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
O espaço da cidade.
Deambulação geográfica e viajem literária.
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
A cidade de Lisboa
(palco da ação)
É descrita como um
labirinto,
monótona, pobre,
sombria, silenciosa,
chuvosa, de águas
turvas.
Metáforas que
remetem para
as circunstâncias
políticas e
históricas
vividas em
Portugal, em
1936:
✔ estado de
estagnação,
miséria e
conformismo
onde o povo
estava
mergulhado
✔ clima de
ameaça,
perseguição e
restrição da
liberdade de
expressão
exercidos pelo
regime
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Deambulação geográfica e viagem literária
✔ No seu regresso à pátria, após dezasseis anos de exílio no Brasil, Ricardo Reis
constata que pouco mudou em Portugal – sinal de estagnação do país.
✔ No entanto, o espaço exterior conduz a outro tipo de deambulações, estas de
natureza literária, por parte de Ricardo Reis (e do próprio narrador). Assim, a cada
passo da personagem pelas ruas de Lisboa, assistimos a referências a vários autores
e textos da literatura portuguesa e mundial.
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Deambulação geográfica Viagem literária
✔ Os textos evocados, muitas vezes, não são fiéis ao original, surgindo sob a
forma de alusões, paráfrases ou imitações criativas/paródias.
Visita a locais como a rua
do Comércio, o Terreiro
do Paço, a rua do
Crucifixo, o Chiado, a
Praça da Figueira, a rua do
Alecrim, ou o Bairro Alto.
Evocação de textos, entre
os quais a Bíblia, e de
autores como Fernando
Pessoa, Alberto Caeiro,
Ricardo Reis, Álvaro de
Campos, Camões, Eça de
Queirós, Cesário Verde,
Almeida Garrett, Jorge
Luís Borges, Dante,
Cervantes ou Virgílio.
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
✔ Paródia do verso de Os Lusíadas “Onde a terra se acaba e o
mar começa” no início e no fecho da obra.
✔ Citação de versos de Os Lusíadas como “esta apagada e vil
tristeza”, com vista a ridicularizar determinadas situações.
✔ Presença constante da estátua de Camões e do Adamastor,
como forma de destacar a produção camoniana como um
marco de fundamental importância na literatura portuguesa
(“todos os caminhos portugueses vão dar a Camões”).
✔ Denúncia da subversão e do aproveitamento das palavras e
da figura de Camões por parte do regime.
Luís de
Camões
Intertextualidade
José Saramago, leitor de Camões, Cesário Verde e Fernando Pessoa
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
✔ Configuração do espaço da cidade de Lisboa como uma
realidade confinadora e destrutiva (“Ricardo Reis atravessou o
Bairro Alto, descendo pela Rua do Norte chegou ao Camões,
era como se estivesse dentro de um labirinto que o
conduzisse sempre ao mesmo lugar”).
✔ Deambulação geográfica como ponto de partida para outras
evasões (viagem literária).
✔ Comiseração e identificação do narrador com certas figuras
do povo observadas.
✔ Remissão para a evocação de um passado glorioso
contrastante com a estagnação de um presente moribundo.
✔ Visualismo de pendor impressionista e convergência dos
sentidos.
Cesário
Verde
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
✔ Construção da personagem Ricardo Reis à luz das
características físicas, psicológicas e literárias fixadas pelo seu
criador, patentes, por exemplo, nas conversas entre o
heterónimo e o ortónimo.
✔ Citações, alusões, paródia e paráfrases de versos do ortónimo
e dos principais heterónimos.
Fernando
Pessoa
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
A personagem principal:
Ricardo Reis
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Ricardo Reis
A imagem traçada por Saramago coincide com a projetada por Fernando
Pessoa na criação deste heterónimo:
“homem grisalho” (uma
vez nascido em 1887, em
1936 teria 49 anos)
“seco de carnes” (na carta
a Adolfo Casais Monteiro,
Fernando Pessoa afirma
que ele é um homem
forte, mas seco)
Esteve emigrado no Brasil
(Saramago parte deste
pressuposto e coloca Reis
de regresso à pátria, ao fim
de 16 anos)
É poeta e médico.
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
✔ dificuldade em tomar decisões ou avançar explicações, dado acreditar
no peso do destino;
✔ enorme autodisciplina, evitando as paixões e a inquietude da alma;
✔ rigor, enquanto poeta, nas formas estróficas e métricas.
Permanecem também alguns traços da filosofia de vida e do credo
poético do heterónimo:
Ricardo Reis
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Representações do amor
Marcenda e Lídia
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Retrato
físico
Retrato
psicológico
Marcenda
Jovem com cerca de 20 anos, delgada,
de pescoço esguio, queixo fino e de
contornos pouco definidos. Sofre de
paralisia na mão esquerda, o que
condiciona muito a sua postura.
Mulher virgem e inexperiente,
passiva, sem grandes convicções e
sem vontade própria (está disposta a
ir a Fátima simplesmente para
agradar ao pai), que anula os
projetos futuros (desiste de ser feliz,
recusando o pedido de casamento de
Ricardo Reis).
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Lídia
Tem cerca de 30 anos, é bonita,
morena, relativamente baixa e de
formas bem feitas.
Mulher emancipada, perspicaz e
questionadora. Apesar de ser
simples, humilde e pouco letrada, é
uma pessoa informada e preocupada
com o mundo que a rodeia,
revelando ter espírito crítico. É ainda
uma mulher ativa, trabalhadora e
lutadora.
Retrato
físico
Retrato
psicológico
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Marcenda Lídia
Representa a inércia, a apatia, a
desistência de Ricardo Reis.
Representa a possibilidade de Ricardo
Reis vingar sem o seu criador,
transformando-se num agente ativo e
não num mero espetador do mundo.
Etimologicamente, o seu nome
significa “aquela que murcha”, que
não é eterna – contrasta com as
musas das odes.
Contrasta com a Lídia das odes,
caracterizada pela serenidade,
pureza, passividade e não
envolvência em paixões ou
problemas.
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Estrutura, linguagem e estilo
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Estrutura da obra
Externa Interna
✔ 19 capítulos Estrutura circular:
✔ uso paródico do verso de
Camões “Onde a terra se acaba
e o mar começa”;
✔ viagem de Reis para Lisboa e,
depois, em direção ao
cemitério dos Prazeres.
Síntese do Módulo 9.2.1
José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis
Linguagem e estilo
Tom oralizante Estilo/pontuação
✔Marcas de coloquialidade.
✔Diálogo entre o narrador e o narratário.
✔Comentários do narrador.
✔Estruturas morfossintáticas simples.
✔Provérbios e expressões populares com
ou sem variações.
✔ Mistura de vários modos de relato do
discurso.
✔Coexistência de segmentos narrativos e
descritivos sem delimitação clara.
✔Ausência de pontuação convencional:
uso exclusivo do ponto final e da vírgula,
que funciona como o sinal de maior
relevância, já que marca as intervenções
das personagens, o ritmo e as pausas.
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  • 1. Síntese Módulo 9.2.1 José Saramago O ano da morte de Ricardo Reis
  • 2. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Representações do século XX: o tempo histórico e os acontecimentos políticos
  • 3. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis ✔ O romance irá apresentar o panorama político da maior parte dos principais países envolvidos nestas crises – que culminarão com a eclosão da Segunda Guerra Mundial – em especial através das notícias dos jornais portugueses que serão lidas pelo protagonista, Ricardo Reis. 1936 (ano em que decorre a maior parte da ação) ✔ Período conturbado, devido às crises de natureza política que ocorriam na Europa, em que oscilavam tendências democráticas e totalitárias, estas últimas de caráter fascista.
  • 4. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Portugal – Consolida-se o Estado Novo, conduzido por Salazar. É fundada a Mocidade Portuguesa. O campo de concentração do Tarrafal entra em funcionamento. Espanha – Emergem os conflitos sociais, políticos e económicos que impulsionarão o povo espanhol para a Guerra Civil, sob o comando do General Franco. Itália – Mussolini, líder fascista, ascende ao poder. Trava-se a guerra contra a Etiópia. Alemanha – O poder de Hitler, que compartilha dos ideais totalitários dos nazistas, é fortalecido. Intensificam-se os ataques aos judeus. Europa 1936
  • 5. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Estado Novo: regime ditatorial liderado por Oliveira Salazar • Equilíbrio financeiro, conseguido com o aumento dos impostos e com a redução de gastos com a educação, saúde e salários dos funcionários públicos. • Modernização do país, através da política de obras públicas. • Estabilidade forçada com a criação de meios de controlo da sociedade: ✔ Censura ✔ Polícia política (PVDE, mais tarde PIDE) ✔ Mocidade Portuguesa ✔ Propaganda Nacional Aliança com a Igreja (instrumento capaz de persuadir e manipular as populações), assente na visão de Salazar como o salvador da moralidade cristã e da pátria. Portugal 1936
  • 6. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis O espaço da cidade. Deambulação geográfica e viajem literária.
  • 7. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis A cidade de Lisboa (palco da ação) É descrita como um labirinto, monótona, pobre, sombria, silenciosa, chuvosa, de águas turvas. Metáforas que remetem para as circunstâncias políticas e históricas vividas em Portugal, em 1936: ✔ estado de estagnação, miséria e conformismo onde o povo estava mergulhado ✔ clima de ameaça, perseguição e restrição da liberdade de expressão exercidos pelo regime
  • 8. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Deambulação geográfica e viagem literária ✔ No seu regresso à pátria, após dezasseis anos de exílio no Brasil, Ricardo Reis constata que pouco mudou em Portugal – sinal de estagnação do país. ✔ No entanto, o espaço exterior conduz a outro tipo de deambulações, estas de natureza literária, por parte de Ricardo Reis (e do próprio narrador). Assim, a cada passo da personagem pelas ruas de Lisboa, assistimos a referências a vários autores e textos da literatura portuguesa e mundial.
  • 9. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Deambulação geográfica Viagem literária ✔ Os textos evocados, muitas vezes, não são fiéis ao original, surgindo sob a forma de alusões, paráfrases ou imitações criativas/paródias. Visita a locais como a rua do Comércio, o Terreiro do Paço, a rua do Crucifixo, o Chiado, a Praça da Figueira, a rua do Alecrim, ou o Bairro Alto. Evocação de textos, entre os quais a Bíblia, e de autores como Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Camões, Eça de Queirós, Cesário Verde, Almeida Garrett, Jorge Luís Borges, Dante, Cervantes ou Virgílio.
  • 10. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis ✔ Paródia do verso de Os Lusíadas “Onde a terra se acaba e o mar começa” no início e no fecho da obra. ✔ Citação de versos de Os Lusíadas como “esta apagada e vil tristeza”, com vista a ridicularizar determinadas situações. ✔ Presença constante da estátua de Camões e do Adamastor, como forma de destacar a produção camoniana como um marco de fundamental importância na literatura portuguesa (“todos os caminhos portugueses vão dar a Camões”). ✔ Denúncia da subversão e do aproveitamento das palavras e da figura de Camões por parte do regime. Luís de Camões Intertextualidade José Saramago, leitor de Camões, Cesário Verde e Fernando Pessoa
  • 11. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis ✔ Configuração do espaço da cidade de Lisboa como uma realidade confinadora e destrutiva (“Ricardo Reis atravessou o Bairro Alto, descendo pela Rua do Norte chegou ao Camões, era como se estivesse dentro de um labirinto que o conduzisse sempre ao mesmo lugar”). ✔ Deambulação geográfica como ponto de partida para outras evasões (viagem literária). ✔ Comiseração e identificação do narrador com certas figuras do povo observadas. ✔ Remissão para a evocação de um passado glorioso contrastante com a estagnação de um presente moribundo. ✔ Visualismo de pendor impressionista e convergência dos sentidos. Cesário Verde
  • 12. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis ✔ Construção da personagem Ricardo Reis à luz das características físicas, psicológicas e literárias fixadas pelo seu criador, patentes, por exemplo, nas conversas entre o heterónimo e o ortónimo. ✔ Citações, alusões, paródia e paráfrases de versos do ortónimo e dos principais heterónimos. Fernando Pessoa
  • 13. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis A personagem principal: Ricardo Reis
  • 14. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Ricardo Reis A imagem traçada por Saramago coincide com a projetada por Fernando Pessoa na criação deste heterónimo: “homem grisalho” (uma vez nascido em 1887, em 1936 teria 49 anos) “seco de carnes” (na carta a Adolfo Casais Monteiro, Fernando Pessoa afirma que ele é um homem forte, mas seco) Esteve emigrado no Brasil (Saramago parte deste pressuposto e coloca Reis de regresso à pátria, ao fim de 16 anos) É poeta e médico.
  • 15. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis ✔ dificuldade em tomar decisões ou avançar explicações, dado acreditar no peso do destino; ✔ enorme autodisciplina, evitando as paixões e a inquietude da alma; ✔ rigor, enquanto poeta, nas formas estróficas e métricas. Permanecem também alguns traços da filosofia de vida e do credo poético do heterónimo: Ricardo Reis
  • 16. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Representações do amor Marcenda e Lídia
  • 17. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Retrato físico Retrato psicológico Marcenda Jovem com cerca de 20 anos, delgada, de pescoço esguio, queixo fino e de contornos pouco definidos. Sofre de paralisia na mão esquerda, o que condiciona muito a sua postura. Mulher virgem e inexperiente, passiva, sem grandes convicções e sem vontade própria (está disposta a ir a Fátima simplesmente para agradar ao pai), que anula os projetos futuros (desiste de ser feliz, recusando o pedido de casamento de Ricardo Reis).
  • 18. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Lídia Tem cerca de 30 anos, é bonita, morena, relativamente baixa e de formas bem feitas. Mulher emancipada, perspicaz e questionadora. Apesar de ser simples, humilde e pouco letrada, é uma pessoa informada e preocupada com o mundo que a rodeia, revelando ter espírito crítico. É ainda uma mulher ativa, trabalhadora e lutadora. Retrato físico Retrato psicológico
  • 19. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Marcenda Lídia Representa a inércia, a apatia, a desistência de Ricardo Reis. Representa a possibilidade de Ricardo Reis vingar sem o seu criador, transformando-se num agente ativo e não num mero espetador do mundo. Etimologicamente, o seu nome significa “aquela que murcha”, que não é eterna – contrasta com as musas das odes. Contrasta com a Lídia das odes, caracterizada pela serenidade, pureza, passividade e não envolvência em paixões ou problemas.
  • 20. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Estrutura, linguagem e estilo
  • 21. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Estrutura da obra Externa Interna ✔ 19 capítulos Estrutura circular: ✔ uso paródico do verso de Camões “Onde a terra se acaba e o mar começa”; ✔ viagem de Reis para Lisboa e, depois, em direção ao cemitério dos Prazeres.
  • 22. Síntese do Módulo 9.2.1 José Saramago – O ano da morte de Ricardo Reis Linguagem e estilo Tom oralizante Estilo/pontuação ✔Marcas de coloquialidade. ✔Diálogo entre o narrador e o narratário. ✔Comentários do narrador. ✔Estruturas morfossintáticas simples. ✔Provérbios e expressões populares com ou sem variações. ✔ Mistura de vários modos de relato do discurso. ✔Coexistência de segmentos narrativos e descritivos sem delimitação clara. ✔Ausência de pontuação convencional: uso exclusivo do ponto final e da vírgula, que funciona como o sinal de maior relevância, já que marca as intervenções das personagens, o ritmo e as pausas. (É o contexto que ajuda o leitor a perceber quando se trata de uma declaração, de uma exclamação ou de uma interrogação). ✔Uso de maiúscula no interior da frase.