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Poemas de
Eugénio de
Andrade
Ver Claro
Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
• Análise externa
– É um poema moderno, composto por apenas 1 estrofe, com 11 versos e
existe uma métrica irregular, são versos livres.
– Escansão métrica:
 “To/daa/poe/siaé/lu/mi/no/sa,/a/té”
 “Se/re/gres/sar”
• Análise interna
– O tema do poema é a poesia.
– Toda a poesia é clara, fácil de perceber, até mesmo a mais estranha, a
mais diferente, que não deixa perceber o sentido do poema. O
nevoeiro/a diferença, nunca deixa ver com claridade, perceber bem o
que o sujeito poético pretende dizer. Este diz que se o leitor ler outra vez
e outra vez, vai acabar por perceber o sentido do poema, a interpretação
do poema apenas depende do ponto de vista do leitor.
• Recursos expressivos
– “poesia é luminosa”: personificação
– “em lugar de sol, nevoeiro dentro de si”: antítese
– “e outra e outra e outra vez”: aliteração e anáfora
Analisado por: Tiago Tavares
À beira de água
Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
Analisado por: André Feliz
• Análise externa
– É um poema do tipo moderno, pois só contêm uma única estrofe,
constituída por 11 versos, que são versos livre pois apresentam uma
métrica irregular.
• Análise interna
– O tema do poema é a solidão e o passar do tempo.
– O sujeito poético está sentado à beira de um lago, sozinho, onde
apenas escuta o silêncio e o som do rio. Faz-lhe recordar a sua infância,
um tempo em que não tinha o coração magoado. Provavelmente, o
sujeito poético sofreu uma separação, alguém que amava muito, e
custa não ter esse “tu” com ele. Diz que está triste e que está a
envelhecer sozinho, no silêncio.
• Recursos expressivos
– “O lago é o tanque daquela idade” e “à beira de ser água”: metáfora.
– “ … coração magoado”: personificação.
– “Envelhecendo no rumor da bica/ por onde corre apenas o silêncio.”:
antítese (rumor da bica – barulho da fonte; silêncio).
Poema à mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Analisado por: Sara Oliveira
Análise
• O título do poema sugere que é dedicado à sua mãe.
• O tema do poema é o amor entre mãe e filho.
• O poema é do tipo moderno, é constituído por 13 estrofes, não tendo
todas o mesmo número de versos. Apesar disso, predominam oito
tercetos, tendo também um monóstico, dois dísticos, uma quadra e uma
quintilha. Neste poema não existe rima, sendo então uma composição
poética de versos soltos. No que diz respeito à medida do poema, o
número de silabas métricas não é constante ao longo dos versos.
• O discurso utilizado pelo sujeito poético é meigo, justificativo, na medida
em que pretende mostrar à mãe que não a vai abandonar. A linguagem
utilizada é simples e de fácil compreensão, apesar de conter muitas figuras
de estilo para expressar sentimentos (amor, desilusão, autonomia,
dependência, incompreensão, fidelidade, saudade, liberdade,...).
• A presença de pontuação diversa, serve para chamar a atenção de algo.
Análise (continuação)
• 1º estrofe: O sujeito
poético pensa que
desiludiu a mãe com os
seus actos.
• 2º estrofe: Já não é
dependente, já tem
autonomia e liberdade.
• 3º e 4º estrofe: A mãe
não compreende que a
maternidade é uma
bênção/ dávida, não o
deixa ser autónomo e
viver a sua vida, não
por mal, mas porque
quer proteger o seu
filho.
• 5º estrofe: afastou-se
da mãe (perdi as rosas
brancas – símbolo
muito especial da
mãe).
• 6º estrofe: o sujeito
poético diz que se a
mãe soubesse que ele
ainda a ama, talvez ela
não ficasse tão triste.
• 7º estrofe: Já não é
uma criança, ele
mudou fisicamente,
mas o amor pela sua
mãe continua a ser
muito forte.
• 8º estrofe: Insiste na
atenção da mãe para
lhe ouvir, e apercebe-
se que a fidelidade
entre ambos continua,
apesar do sujeito
poético já não ser uma
criança.
Análise (continuação)
• 9º estrofe: As rosas são associadas
à mãe para demonstrar o amor que
sente por ela.
• 10º estrofe: Recorda a sua infância,
quando a mãe lhe contava histórias
para adormecer.
• 11º estrofe: Cresceu, deixou de ser
criança (a noite é enorme – a vida
é longa), chorou mas já passou.
• 12º estrofe: Leva todas as
recordações no seu coração e deixa
as rosas brancas como forma de
expressar o seu amor.
• 13º estrofe: Deseja que a mãe seja
feliz e diz de forma mais atenuada
que este se vai distanciar e vai viver
a sua vida.
Análise (continuação)
• “o retrato adormecido”: personificação, não é o menino que está nas
fotos.
• “e noites rumorosas de águas matinais.”: antítese, noites de barulho –
águas calmas.
• “as palavras que te digo/ são duras, mãe,…”: personificação.
• “rosas brancas” (mãe), “e até o meu coração” (amor) e “… a noite é
enorme” (a vida é longa): perífrase.
• “…ainda amo as rosas,/ talvez não enchesses as horas de pesadelos”
antítese.
• “Olha — queres ouvir-me? —”: pergunta retórica.
• “rosas tão brancas/ como as que tens na moldura;”. Comparação.
• “Guardo a tua voz dentro de mim./ E deixo-te as rosas.”: antítese, leva as
recordações e deixa as rosa brancas como forma de expressar o seu amor.
• “Boa noite. Eu vou com as aves.”: eufemismo.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Analisado por: Ana Gomes
Análise
• O título “Adeus” indica-nos uma despedida, uma conclusão ou
provavelmente um fim. Em relação ao conteúdo do poema, transmite-se a
ideia de um amor gasto, corrompido pelo tempo, e agora estéril, e se esse
amor não mais existirá, chegou ao fim.
• Relativamente ao aspecto do poema, pode-se dizer que se trata de uma
relação amorosa que há muito foi perfeita, cheia de magia e bons
momentos, mas agora a química acabou e acabaram por cair na realidade.
Consegue-se perceber ao longo do poema a existência de um “Eu” que já
não ama o “Tu” e portanto quer se livrar de tudo o que acontecera em
tempos, quer se despedir de tudo o que lhe faça relembrar o “Tu”, visto
que o sonho acabara, o paraíso já não é mais um lugar mágico, mas a
realidade humana. Já não vê nele o “para sempre”, acordou do sonho que
vivera agarrado ao “Tu”, e sente que é altura de deixar o passado.
Análise (continuação)
• Ao nível da pontuação apenas de destaca os dois pontos para introduzir
falas anteriores do “Eu” que são palavras intensas para o “Tu”, o que sugere
um Tu choroso e traído pelo o “Eu”.
• A existência das imagens fabulosas que o sujeito poético nos transmite ao
longo dos versos, ajudam a entender os sentimentos de impaciência,
tristeza, cansaço, e de coragem para deixar aquele que já o fez muito feliz.
• O poema é constituído por seis estrofes e trinta e sete versos. A primeira
estrofe é uma oitava, a segunda estrofe é uma nona, a terceira e a quarta
estrofe são sétimas, a quinta estrofe é uma quintilha e a sexta estrofe é um
monóstico. Sendo assim, as estrofes estão dispostas de forma irregular e
não apresenta esquema rimático uma vez que se trata de versos soltos.
• Escansão métrica:
– Já/gas/tá/mos/as/pa/la/vras/pe/la/rua,/meua/mor,
– Em/es/pe/ras/inú/teis.
Análise (continuação)
• 1º estrofe: A repetição do verbo gastar revela a inutilidade de palavras
trocadas, do barulho e discussões, das lágrimas derramadas, da troca de
toques entre ambos, do tempo desperdiçado à espera para reparar os
erros cometidos e para salvar a relação. O “Eu” trata esta relação como
algo irremediável, e devido a todo o cansaço e frustração gasta nesta
relação, deseja calar o “Tu” e afastá-lo de vez.
• 2º estrofe: Agora não sente nada, não lhe deve nada ao “Tu”, mas antes,
quando estava apaixonado, sentia que o “tu” era dele, passaram bons
momentos, inesquecíveis, e quanto mais sorrisos, trocas de afectos e um
amor em crescimento eles tinham, maiores, mais importantes e felizes
momentos eram. Antes o “Eu” acreditava em tudo o que o “Tu” dizia,
como os olhos verdes como peixes, pois ao lado do “Tu” tudo era possível,
real, verdadeiro, um mundo só deles.
Análise (continuação)
• 3º estrofe: O “Eu” deixou de ver no “Tu” um ponto de abrigo, o seu lar, o
seu aquário, uma vez que os seus olhos eram peixes verdes. O “Tu” era o
paraíso para o sujeito poético, o lugar ou a pessoa com quem podia
abandonar a realidade e aventurar-se (mergulhar) no mundo da fantasia.
Triste e magoado, olha para si próprio e vê-se novamente humano, é igual a
todos os outros. O “Tu” fazia do sujeito poético um ser único, especial, só
do “Tu”.
• 4º estrofe: O excesso de comunicação, nasceu para esquecer a inquietação
que o pressentimento do fim faz sentir e os amantes gastaram até à
exaustão todos os recursos que tinham para recuperar a felicidade perdida.
Mas agora, sabe que nada se passa no coração dele, a relação está
destruída, estão separados e entre ambos já não existe mais nada que os
una. No entanto, antes da falta de comunicação ou do excesso, os dois
estavam muito apaixonado, eram felizes, não se cansavam um do outro,
havia uma magia naquele amor, provocava no sujeito poético um
nervosinho miudinho só de ouvir o nome do “Tu”.
Análise (continuação)
• 5º estrofe: Ao reinventarem o mundo só deles, dia após dia, desgastaram a
capacidade limitada das palavras para exprimirem o que estava em
transformação permanente. O sujeito poético estava preso naquele
paraíso, no “Tu”, na magia que é o amor, e devido a palavras que
mascaram sentimentos, o “Eu” e o “Tu” ficaram presos do que diziam e
rediziam um ao outro. A magia daquele amor e das palavras desabou, e o
paraíso que ambos criaram desapareceu, deixando apenas o frio, e
momentos de solidão, tédio, desinteresse e por fim o gasto de tudo. O
passado agora já não é relevante, ficou para trás, assim como os
momentos e palavras usadas.
• 6º estrofe: O amor que ambos tinham um pelo o outro chegara ao fim, já
não há nada a fazer ou dizer e portanto, o sujeito despede-se do “Tu” para
sempre, afasta-se.
Análise (continuação)
• “…meu amor”: apóstrofe.
• “para afastar o frio de quatro paredes.”: perífrase (silêncio).
• “Gastámos…”: anáfora, uma vez que se repete várias vezes ao longo do
poema.
• “…os teus olhos são peixes verdes.”: metáfora.
• “…tempo dos segredos”: perífrase (tempo que só os 2 sabiam da vida um
do outro).
• “…teu corpo era um aquário,”: imagem.
• “só de murmurar o teu nome/ no silêncio do meu coração.”: antítese.
• “Já gastámos as palavras…”: e todos os versos em que aparece “Já
gastámos…” é imagem.
Trabalho realizado por:
• Ana Gomes nº3
• André Feliz nº5
• Sara Oliveira nº25
• Tiago Tavares nº27
• 10ºA

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Poemas de eugénio de andrade

  • 2. Ver Claro Toda a poesia é luminosa, até a mais obscura. O leitor é que tem às vezes, em lugar de sol, nevoeiro dentro de si. E o nevoeiro nunca deixa ver claro. Se regressar outra vez e outra vez e outra vez a essas sílabas acesas ficará cego de tanta claridade. Abençoado seja se lá chegar.
  • 3. • Análise externa – É um poema moderno, composto por apenas 1 estrofe, com 11 versos e existe uma métrica irregular, são versos livres. – Escansão métrica:  “To/daa/poe/siaé/lu/mi/no/sa,/a/té”  “Se/re/gres/sar” • Análise interna – O tema do poema é a poesia. – Toda a poesia é clara, fácil de perceber, até mesmo a mais estranha, a mais diferente, que não deixa perceber o sentido do poema. O nevoeiro/a diferença, nunca deixa ver com claridade, perceber bem o que o sujeito poético pretende dizer. Este diz que se o leitor ler outra vez e outra vez, vai acabar por perceber o sentido do poema, a interpretação do poema apenas depende do ponto de vista do leitor. • Recursos expressivos – “poesia é luminosa”: personificação – “em lugar de sol, nevoeiro dentro de si”: antítese – “e outra e outra e outra vez”: aliteração e anáfora Analisado por: Tiago Tavares
  • 4. À beira de água Estive sempre sentado nesta pedra escutando, por assim dizer, o silêncio. Ou no lago cair um fiozinho de água. O lago é o tanque daquela idade em que não tinha o coração magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo, dói tanto! Todo o amor. Até o nosso, tão feito de privação.) Estou onde sempre estive: à beira de ser água. Envelhecendo no rumor da bica por onde corre apenas o silêncio. Analisado por: André Feliz
  • 5. • Análise externa – É um poema do tipo moderno, pois só contêm uma única estrofe, constituída por 11 versos, que são versos livre pois apresentam uma métrica irregular. • Análise interna – O tema do poema é a solidão e o passar do tempo. – O sujeito poético está sentado à beira de um lago, sozinho, onde apenas escuta o silêncio e o som do rio. Faz-lhe recordar a sua infância, um tempo em que não tinha o coração magoado. Provavelmente, o sujeito poético sofreu uma separação, alguém que amava muito, e custa não ter esse “tu” com ele. Diz que está triste e que está a envelhecer sozinho, no silêncio. • Recursos expressivos – “O lago é o tanque daquela idade” e “à beira de ser água”: metáfora. – “ … coração magoado”: personificação. – “Envelhecendo no rumor da bica/ por onde corre apenas o silêncio.”: antítese (rumor da bica – barulho da fonte; silêncio).
  • 6. Poema à mãe No mais fundo de ti, eu sei que traí, mãe Tudo porque já não sou o retrato adormecido no fundo dos teus olhos. Tudo porque tu ignoras que há leitos onde o frio não se demora e noites rumorosas de águas matinais. Por isso, às vezes, as palavras que te digo são duras, mãe, e o nosso amor é infeliz. Tudo porque perdi as rosas brancas que apertava junto ao coração no retrato da moldura. Se soubesses como ainda amo as rosas, talvez não enchesses as horas de pesadelos. Mas tu esqueceste muita coisa; esqueceste que as minhas pernas cresceram, que todo o meu corpo cresceu, e até o meu coração ficou enorme, mãe! Olha — queres ouvir-me? — às vezes ainda sou o menino que adormeceu nos teus olhos; ainda aperto contra o coração rosas tão brancas como as que tens na moldura; ainda oiço a tua voz: Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal... Mas — tu sabes — a noite é enorme, e todo o meu corpo cresceu. Eu saí da moldura, dei às aves os meus olhos a beber. Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo-te as rosas. Boa noite. Eu vou com as aves. Analisado por: Sara Oliveira
  • 7. Análise • O título do poema sugere que é dedicado à sua mãe. • O tema do poema é o amor entre mãe e filho. • O poema é do tipo moderno, é constituído por 13 estrofes, não tendo todas o mesmo número de versos. Apesar disso, predominam oito tercetos, tendo também um monóstico, dois dísticos, uma quadra e uma quintilha. Neste poema não existe rima, sendo então uma composição poética de versos soltos. No que diz respeito à medida do poema, o número de silabas métricas não é constante ao longo dos versos. • O discurso utilizado pelo sujeito poético é meigo, justificativo, na medida em que pretende mostrar à mãe que não a vai abandonar. A linguagem utilizada é simples e de fácil compreensão, apesar de conter muitas figuras de estilo para expressar sentimentos (amor, desilusão, autonomia, dependência, incompreensão, fidelidade, saudade, liberdade,...). • A presença de pontuação diversa, serve para chamar a atenção de algo.
  • 8. Análise (continuação) • 1º estrofe: O sujeito poético pensa que desiludiu a mãe com os seus actos. • 2º estrofe: Já não é dependente, já tem autonomia e liberdade. • 3º e 4º estrofe: A mãe não compreende que a maternidade é uma bênção/ dávida, não o deixa ser autónomo e viver a sua vida, não por mal, mas porque quer proteger o seu filho. • 5º estrofe: afastou-se da mãe (perdi as rosas brancas – símbolo muito especial da mãe). • 6º estrofe: o sujeito poético diz que se a mãe soubesse que ele ainda a ama, talvez ela não ficasse tão triste. • 7º estrofe: Já não é uma criança, ele mudou fisicamente, mas o amor pela sua mãe continua a ser muito forte. • 8º estrofe: Insiste na atenção da mãe para lhe ouvir, e apercebe- se que a fidelidade entre ambos continua, apesar do sujeito poético já não ser uma criança.
  • 9. Análise (continuação) • 9º estrofe: As rosas são associadas à mãe para demonstrar o amor que sente por ela. • 10º estrofe: Recorda a sua infância, quando a mãe lhe contava histórias para adormecer. • 11º estrofe: Cresceu, deixou de ser criança (a noite é enorme – a vida é longa), chorou mas já passou. • 12º estrofe: Leva todas as recordações no seu coração e deixa as rosas brancas como forma de expressar o seu amor. • 13º estrofe: Deseja que a mãe seja feliz e diz de forma mais atenuada que este se vai distanciar e vai viver a sua vida.
  • 10. Análise (continuação) • “o retrato adormecido”: personificação, não é o menino que está nas fotos. • “e noites rumorosas de águas matinais.”: antítese, noites de barulho – águas calmas. • “as palavras que te digo/ são duras, mãe,…”: personificação. • “rosas brancas” (mãe), “e até o meu coração” (amor) e “… a noite é enorme” (a vida é longa): perífrase. • “…ainda amo as rosas,/ talvez não enchesses as horas de pesadelos” antítese. • “Olha — queres ouvir-me? —”: pergunta retórica. • “rosas tão brancas/ como as que tens na moldura;”. Comparação. • “Guardo a tua voz dentro de mim./ E deixo-te as rosas.”: antítese, leva as recordações e deixa as rosa brancas como forma de expressar o seu amor. • “Boa noite. Eu vou com as aves.”: eufemismo.
  • 11. Adeus Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. E eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros. Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor, já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus. Analisado por: Ana Gomes
  • 12. Análise • O título “Adeus” indica-nos uma despedida, uma conclusão ou provavelmente um fim. Em relação ao conteúdo do poema, transmite-se a ideia de um amor gasto, corrompido pelo tempo, e agora estéril, e se esse amor não mais existirá, chegou ao fim. • Relativamente ao aspecto do poema, pode-se dizer que se trata de uma relação amorosa que há muito foi perfeita, cheia de magia e bons momentos, mas agora a química acabou e acabaram por cair na realidade. Consegue-se perceber ao longo do poema a existência de um “Eu” que já não ama o “Tu” e portanto quer se livrar de tudo o que acontecera em tempos, quer se despedir de tudo o que lhe faça relembrar o “Tu”, visto que o sonho acabara, o paraíso já não é mais um lugar mágico, mas a realidade humana. Já não vê nele o “para sempre”, acordou do sonho que vivera agarrado ao “Tu”, e sente que é altura de deixar o passado.
  • 13. Análise (continuação) • Ao nível da pontuação apenas de destaca os dois pontos para introduzir falas anteriores do “Eu” que são palavras intensas para o “Tu”, o que sugere um Tu choroso e traído pelo o “Eu”. • A existência das imagens fabulosas que o sujeito poético nos transmite ao longo dos versos, ajudam a entender os sentimentos de impaciência, tristeza, cansaço, e de coragem para deixar aquele que já o fez muito feliz. • O poema é constituído por seis estrofes e trinta e sete versos. A primeira estrofe é uma oitava, a segunda estrofe é uma nona, a terceira e a quarta estrofe são sétimas, a quinta estrofe é uma quintilha e a sexta estrofe é um monóstico. Sendo assim, as estrofes estão dispostas de forma irregular e não apresenta esquema rimático uma vez que se trata de versos soltos. • Escansão métrica: – Já/gas/tá/mos/as/pa/la/vras/pe/la/rua,/meua/mor, – Em/es/pe/ras/inú/teis.
  • 14. Análise (continuação) • 1º estrofe: A repetição do verbo gastar revela a inutilidade de palavras trocadas, do barulho e discussões, das lágrimas derramadas, da troca de toques entre ambos, do tempo desperdiçado à espera para reparar os erros cometidos e para salvar a relação. O “Eu” trata esta relação como algo irremediável, e devido a todo o cansaço e frustração gasta nesta relação, deseja calar o “Tu” e afastá-lo de vez. • 2º estrofe: Agora não sente nada, não lhe deve nada ao “Tu”, mas antes, quando estava apaixonado, sentia que o “tu” era dele, passaram bons momentos, inesquecíveis, e quanto mais sorrisos, trocas de afectos e um amor em crescimento eles tinham, maiores, mais importantes e felizes momentos eram. Antes o “Eu” acreditava em tudo o que o “Tu” dizia, como os olhos verdes como peixes, pois ao lado do “Tu” tudo era possível, real, verdadeiro, um mundo só deles.
  • 15. Análise (continuação) • 3º estrofe: O “Eu” deixou de ver no “Tu” um ponto de abrigo, o seu lar, o seu aquário, uma vez que os seus olhos eram peixes verdes. O “Tu” era o paraíso para o sujeito poético, o lugar ou a pessoa com quem podia abandonar a realidade e aventurar-se (mergulhar) no mundo da fantasia. Triste e magoado, olha para si próprio e vê-se novamente humano, é igual a todos os outros. O “Tu” fazia do sujeito poético um ser único, especial, só do “Tu”. • 4º estrofe: O excesso de comunicação, nasceu para esquecer a inquietação que o pressentimento do fim faz sentir e os amantes gastaram até à exaustão todos os recursos que tinham para recuperar a felicidade perdida. Mas agora, sabe que nada se passa no coração dele, a relação está destruída, estão separados e entre ambos já não existe mais nada que os una. No entanto, antes da falta de comunicação ou do excesso, os dois estavam muito apaixonado, eram felizes, não se cansavam um do outro, havia uma magia naquele amor, provocava no sujeito poético um nervosinho miudinho só de ouvir o nome do “Tu”.
  • 16. Análise (continuação) • 5º estrofe: Ao reinventarem o mundo só deles, dia após dia, desgastaram a capacidade limitada das palavras para exprimirem o que estava em transformação permanente. O sujeito poético estava preso naquele paraíso, no “Tu”, na magia que é o amor, e devido a palavras que mascaram sentimentos, o “Eu” e o “Tu” ficaram presos do que diziam e rediziam um ao outro. A magia daquele amor e das palavras desabou, e o paraíso que ambos criaram desapareceu, deixando apenas o frio, e momentos de solidão, tédio, desinteresse e por fim o gasto de tudo. O passado agora já não é relevante, ficou para trás, assim como os momentos e palavras usadas. • 6º estrofe: O amor que ambos tinham um pelo o outro chegara ao fim, já não há nada a fazer ou dizer e portanto, o sujeito despede-se do “Tu” para sempre, afasta-se.
  • 17. Análise (continuação) • “…meu amor”: apóstrofe. • “para afastar o frio de quatro paredes.”: perífrase (silêncio). • “Gastámos…”: anáfora, uma vez que se repete várias vezes ao longo do poema. • “…os teus olhos são peixes verdes.”: metáfora. • “…tempo dos segredos”: perífrase (tempo que só os 2 sabiam da vida um do outro). • “…teu corpo era um aquário,”: imagem. • “só de murmurar o teu nome/ no silêncio do meu coração.”: antítese. • “Já gastámos as palavras…”: e todos os versos em que aparece “Já gastámos…” é imagem.
  • 18. Trabalho realizado por: • Ana Gomes nº3 • André Feliz nº5 • Sara Oliveira nº25 • Tiago Tavares nº27 • 10ºA