Manual leishmaniose

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Manual leishmaniose

  1. 1. A WSPA – Sociedade Mundial de Proteção Animalvisa construir um mundo onde o bem-estar animalimporte e os maus-tratos contra os animais tenham fimatravés de campanhas e cooperação com parceirose fóruns regionais, nacionais e internacionais.Reconhecida como órgão consultivo no ConselhoEuropeu, a WSPA colabora também com governosde vários países e com as Nações Unidas.Se para você os animais importam, acesse osite da WSPA www.wspabrasil.org e ajude tambéma construir essa história.Apoio e Revisão Técnica:www.anclivepabrasil.com.br www.brasileish.com.brWSPA BRASILAv. Princesa Isabel, 323 / 8° andarCopacabana • Rio de Janeiro • 22011-901 • BrasilT: +55 21 3820 8200F: +55 21 3820 8229E: wspabrasil@wspabr.orgW: www.wspabrasil.org
  2. 2. Sociedade Mundial de Proteção AnimalLeishmaniose Visceral CaninaUm manual para o clínico veterinário
  3. 3. Leishmaniose Visceral Canina Um manual para o clínico veterinário2
  4. 4. A Leishmaniose Visceral Canina Além do cão e do homem muitas(LVC) é uma doença sistêmica, outras espécies de mamíferos,crônica e grave causada pelo como o gato, canídeos silvestres,protozoário Leishmania infantum.(*) marsupiais, roedores e bovinosO protozoário é um parasita bifásico também podem ser naturalmentee intracelular obrigatório das células infectadas © CDC/Frank Collinsdo sistema fagocítico mononuclear por L.(SFM) do hospedeiro vertebrado infantum.(principalmente macrófagos). No Porém,hospedeiro vertebrado se encontra na em áreasforma amastigota enquanto que, no endêmicas,invertebrado, principalmente na forma os cães são “Mosquito-palha” –promastigota. considerados Lutzomyia longipalpis os mais importantes reservatóriosÉ uma zoonose cujo principal vetor do parasito, devido a sua relaçãosão insetos dípteros, conhecidos de proximidade com o homem,como flebótomos, predominando sua alta carga parasitária cutâneano Brasil a espécie Lutzomyia quando sintomáticos ou por serem olongipalpis, também conhecida reservatório mais estudado.como mosquito-palha. A transmissãoentre os mamíferos susceptíveisocorre pela picada da fêmea * Recentemente pesquisadoreshematófaga do inseto contendo as demonstraram que Leishmania chagasi eformas infectantes. Leishmania infantum são a mesma espécie. 3
  5. 5. Ciclo biológico 2 1 O ciclo se inicia quando durante o repasto sanguíneo no hospedeiro vertebrado infectado, o inseto ingere as formas amastigotas de L. infantum. No trato digestivo do vetor as amastigotas se diferenciam em promastigotas, multiplicam intensamente e se diferenciam em promastigotas metacíclicas, que são as formas infectantes (1). E completa-se quando o flebótomo (L. longipalpis) infectado pica um hospedeiro vertebrado, inoculando as formas infectantes (promastigotas metacíclicas) na pele (2). As formas infectantes são fagocitadas por células do SFM (3). No interior dessas células o protozoário se diferencia em amastigota (4). As formas amastigotas se multiplicam intensamente, rompem o macrófago, infectam novas4
  6. 6. 3 4 5células e pela via linfática ou sanguínea atingem outros tecidos (medula óssea,baço, fígado, linfonodos) ricos em células do SFM (5).As amastigotas ingeridas pelos insetos transmissores levam, em média,oito a 20 dias para se transformarem em promastigotas e se multiplicaremno intestino, migrando depois para as probóscides e evoluírem para asformas infectantes, promastigotas metacíclicas. Portanto, um flebotomíneoinfectado demora em média, oito a 20 dias para poder transmitir a L. infantumpara outro hospedeiro vertebrado.Durante novo repasto sanguíneo, as promastigotas metacíclicassão inoculadas no hospedeiro susceptível completando o ciclo biológico. 5
  7. 7. Sinais clínicos nos cães A Leishmaniose Visceral Canina  Onicogrifose (crescimento anormal é doença crônica e lentamente das unhas); progressiva. Em alguns cães, os  Emagrecimento progressivo; sinais clínicos não aparecem até um  Anorexia, febre e apatia; ou dois anos após a infecção, mas podem variar de animal para animal,  Atrofia muscular (principalmente alcançando a média de três a sete músculos da cabeça); meses. Mais de 50% dos animais  Anemia, trombocitopenia e/ou permanecem assintomáticos durante leucopenia; este período, alguns podem nunca  Alteração no proteinograma apresentar sinais clínicos, chegando (hipoalbuminemia e até mesmo a eliminar o parasito. hiperglobulinemia); Em relação à manifestação de  Diáteses hemorrágicas (melena, sinais clínicos, os cães podem ser epistaxe, equimoses, sufusões e classificados em dois grupos: hematomas);  Hepatite e hepatomegalia; Assintomáticos  Esplenomegalia; Ausência de sinais clínico- patológicos sugestivos de infecção  Linfadenomegalia localizada ou por L. infantum. generalizada;  Icterícia; Sintomáticos  Alterações oculares Apresentam sinais clínico- (Ceratoconjuntivite, blefarite, patológicos comuns à doença, em uveíte, retinopatia, hifema); graus variados:  Insuficiência renal;  Alterações cutâneas: alopecias,  Alterações gastroentéricas úlceras, hiperqueratose crônicas: diarréias persistentes e (especialmente no focinho, ao vômitos; redor dos olhos, nas orelhas  Claudicação (poliartrite, e extremidades), descamação reabsorção ou proliferação óssea); furfurácea, feridas de difícil cicatrização, reação local da  Alterações neurológicas: paresia infecção após picada (“Cancro de membros, ataxia, convulsão; de inoculação”);  Pneumonite e miocardite.6
  8. 8. © Ferrer, LL © Nogueira, FS © IFAW-WSPA/M.BoothÚlceras e lesões de difícil Atrofia em face, secreção ocular, Emagrecimento severocicatrização descamação © André S. Azevedo © Nogueira, FS © Tabanez, PCROnicogrifose Lesões e descamação em Hiperqueratose e lesões pontas de orelhas perioculares © Tabanez, PCR © Tabanez, PCR © Nogueira, FSHifema Icterícia e diátese hemorrágica Alopecia periocular e em orelhas Pode se concluir que os sinais clínicos crônica e doenças oportunistas devido da LVC são inespecíficos e podem ao comprometimento do sistema mimetizar várias doenças sistêmicas. imunitário. Febre pode ou não estar Portanto, a observação cuidadosa presente durante o curso da doença. dos sinais deve vir acompanhada Pequena porcentagem dos cães sempre de exames confirmatórios. infectados (10%) parece ser Somente a observação de sinais naturalmente resistente à infecção e como a linfadenomegalia, alterações não desenvolve a doença. Isto parece dermatológicas, hiporexia, onicogrifose ocorrer devido à forte resposta imune e emaciação não pode concluir o celular destes indivíduos. Tem sido diagnóstico de Leishmaniose. sugerido que determinadas raças Na fase terminal da doença a maioria possam ser resistentes, como o cão dos cães apresenta insuficiência renal Mediterrâneo Ibizan Hound. 7
  9. 9. Diagnóstico O diagnóstico é difícil, pois existe exame é realizado em material obtido grande variedade de sinais clínicos, preferencialmente de aspirado de semelhança desses sinais com os de medula óssea ou de linfonodo, baço outras doenças e grande número de ou esfregaço de pele, observados animais infectados assintomáticos. diretamente por microscopia óptica Por isso, é importante que, em 200 campos (corado pelas associado ao histórico e ao exame técnicas de Giemsa, Wright ou © Tabanez, PCR clínico detalhado do animal, sejam Leishman). realizados exames laboratoriais e Também se parasitológicos específicos, para podem observar confirmar a infecção, doença e o seu parasitos em prognóstico. material de Ainda não existe método diagnóstico biópsias de pele Amastigota intra e extracelular 100% específico e sensível para a (especialmente em medula óssea de cão Leishmaniose Visceral Canina. Por esta colhidas de bordo de pavilhão razão, recomenda-se a associação auricular interno ou parte superior do de vários métodos disponíveis focinho, áreas com alta concentração para aprimorar o diagnóstico, de parasitos). O material também aumentando a sensibilidade e pode ser isolado em meio de cultura especificidade e diminuindo os falsos de materiais como sangue, medula positivos e negativos. Dentre os óssea e pele. inúmeros métodos diagnósticos, o Obs.: Esfregaços de sangue mais específico é o parasitológico periférico não são recomendados por (observação do parasita no tecido do apresentarem baixa sensibilidade. hospedeiro). O método parasitológico possui Abaixo estão os métodos 100% de especificidade e, mais utilizados para diagnóstico aproximadamente, 80% de da LVC: sensibilidade, podendo variar em cães assintomáticos, dependendo do Diagnóstico parasitológico grau de parasitismo, local da biópsia Considerado o teste padrão ouro (pois a distribuição dos parasitas para confirmar a infecção, é realizado no organismo não é homogênea), através da visualização direta do tipo de material biológico coletado parasito em sua forma amastigota. O para exame, tempo entre a coleta8
  10. 10. do material e a leitura da lâmina e da Os testes sorológicos hojeexperiência e tempo despendido para empregados no Brasil não são 100%o exame pelo profissional que lê a sensíveis e específicos. Portanto,lâmina. ocorrem muitos falsos positivos e negativos quando se usamMétodos imunológicos de pesquisa estes testes como única forma deparasitária têm sido empregados diagnóstico. Falsos positivos podemcom o objetivo de diagnóstico e ocorrer por reação cruzada oriundaacompanhamento da terapia. O de anticorpos produzidos por outrasuso de anticorpos marcados nos infecções comumente causadas pormais variados tecidos, como por Erhlichia sp, Babesia sp, Neosporaexemplo pele, linfonodo, baço entre sp, Trypanosoma cruzi, T. caninum eoutros, aumentam a sensibilidade da espécies de Leishmania Tegumentar.pesquisa parasitária nestes tecidos Apesar de serem exames relevantesou células (imunohostoquímica). para inquéritos epidemiológicos,Sugere-se que a imunohistoquímica alguns tipos de testes utilizamde fragmento de pele (face interna antígenos que não possibilitam ado pavilhão auricular) possa diferenciação entre Leishmanioseacompanhar o parasitismo cutâneo, Visceral e Tegumentar. Resultadospré e pós tratamento, com intuito de falsos negativos podem ocorrer, poisse correlacionar a infectividade do a janela imunológica para a produçãohospedeiro para o vetor. de anticorpos é muito ampla na LVCDiagnóstico sorológico e, portanto, no momento do teste(ELISA e RIFI) o animal pode ainda não ter soroEsses dois métodos são os utilizados convertido. Alguns animais nuncaatualmente pelo Ministério da Saúde produzirão anticorpos detectáveis.(MS) nos inquéritos epidemiológicos e Alguns cuidados devem sersão testes que detectam anticorpos tomados na colheita: o sangue deveanti-Leishmania circulantes. ser acondicionado em tubo semA simples detecção de anticorpos anticoagulante (tampa vermelha),não significa que o animal esteja devendo-se em seguida separar odoente, mas que apenas teve soro, que será utilizado para os testes.contato com o parasita em algum Lembre-se que a hemólise é mais ummomento de sua vida e que fator de interferência nos resultados.produziu anticorpos contra ele. 9
  11. 11. Diagnóstico ELISA (Enzyme-Linked igual ou superior a 1:40 e, portanto, Immunoabsorbent Assay) passível de eutanásia. Contudo, É um teste imunoenzimático que a literatura científica mundial permite a detecção de anticorpos estabelece que apenas títulos específicos no soro sanguíneo. Possuiui iguais ou superiores a 1:160 sejam 71% a 100% de sensibilidade e 85% a confirmatórios. No diagnóstico 100% de especificidade dependendo humano, o MS redefiniu a titulação do antígeno utilizado. É muito útil de 1:40 para 1:80, considerando para rastreamento dos animais doentes apenas os indivíduos que soropositivos. Se o teste ELISA der apresentarem sintomas da doença. positivo deve-se invariavelmente fazer Portanto, cães deveriam ser contraprova com exame parasitológico considerados suspeitos quando de medula óssea, ou outros órgãos as amostras fossem reagentes linfóides como linfonodo ou baço. com titulações superiores a 1:80. E RIFI (Reação de mesmo com tal sorologia, sempre Imunofluorescência Indireta) deve-se correlacionar o quadro É considerado, no Brasil, como clínico patológico e epidemiológico confirmatório para o resultado do e, preferencialmente, confirmar a teste ELISA. Apresenta algumas infecção com o exame parasitológico. características como fácil execução, o Obs.: Atualmente há duas vacinas rapidez, baixo custo, mas possui licenciadas pelo Ministério da sensibilidade (68% a 100%) e Agricultura, Pecuária e Abastecimento especificidade (74% a 100% – 80% (MAPA), a Leishmune® (Fort Dodge), teste Bio-Manguinhos). Também que é produzida a partir de uma devemos ter cuidado com sua glicoproteína, o FML (Fucose Manose interpretação, pois é um teste Ligante), sendo considerada como subjetivo que depende da experiência vacina de subunidade e a Leishtec® do observador e não é confirmatório (Hertape-Calier) que é produzida para a titulação/diluição preconizada com tecnologia recombinante, tendo no Brasil (1:40). como antígeno a proteína A2. Ambas Obs.: Atualmente o Ministério da utilizam o adjuvante de imunidade Saúde (MS) estabelece oficialmente saponina, importante na produção que um animal é considerado da resposta imune do tipo celular, reagente quando apresenta titulação indutora de proteção e ambas não10
  12. 12. interferem com os testes sorológicos Um único resultado negativo do PCRlicenciados (ELISA e RIFI), tanto os de um animal clinicamente suspeitoutilizados atualmente nos inquéritos não é suficiente para descartar aepidemiológicos, quanto os utilizados infecção, pois podem ocorrer falsosem laboratórios particulares. negativos, já que, dependendo da carga parasitária do animal, não seráEm pesquisa com 5.860 cães obviamente encontrado o DNA dosvacinados, apenas 1,3% apresentaram parasitos no tecido utilizado.sorologia positiva no teste oficialELISA (kit Bio-Manguinhos – MS), O PCR possui 38% a 76% deprovavelmente por reação cruzada ou sensibilidade (depende do tipo deerro durante a colheita das amostras, amostra coletada para o exame)ou ainda por estarem realmente e 100% de especificidade. Nãodoentes, o que pode acontecer por é utilizado normalmente comoerros de diagnóstico. exame de rotina ou de triagem epidemiológica por ser oneroso eObs.: No presente momento está sendo exigir laboratórios bem equipados eutilizado de forma experimental, um técnicos preparados. Mas pode serkit diagnóstico imunocromatográfico, usado como teste confirmatório.de fácil e rápida leitura (produzido peloInstituto Bio-Manguinhos), que deverá Outro fator que corrobora parasubstituir a RIFI em breve. interferir na especificidade dos métodos laboratoriais tradicionalmenteDiagnóstico molecular (PCR – empregados (os que não utilizamReação em Cadeia da Polimerase) antígenos recombinantes dePermite a identificação do DNA da L. Leishmania) é a diversidade endêmicainfantum, e o prévio contato do animal encontrada nas regiões brasileiras.com este, mas não confirma presença Algumas regiões podem ser endêmicasde parasita viável ou doença. Pode ser também para L. braziliensis, o agentefeito com amostra de sangue, biópsia causador da Leishmaniose Tegumentarde medula óssea, pele superficial (ex. Americana (LTA).ponta de pavilhão auricular), aspiradosde linfonodos ou swab de conjuntiva. Nesse caso, o diagnóstico laboratorial deve contemplar tambémNão se indica fazer o PCR de a determinação da espécie deamostra de sangue por apresentar Leishmania.baixa sensibilidade. 11
  13. 13. Fluxograma de atendimento e diagnóstico de Leishmaniose Visceral Canina Cão sintomático ou assintomático Exame sorológico ELISA e RIFI diluição plena Não reagente para Reagente em pelo RIFI > 1:640 ambos menos um teste Assintomático Sintomático Exames parasitológicos: citologia de medula Métodos preventivos óssea, linfonodo e/ou imunohistoquímica Negativo Positivo Diagnóstico de infecção • Acompanhar o animal e • Considerar sinais repetir exames em um mês; clínico-patológicos e sorológicos • Reconsiderar diagnósticos (estadiamento); diferenciais; • Tratamento e • Métodos preventivos métodos preventivos12
  14. 14. Tabela: tipos de exames e métodos de colheitaExame Coleta Prazo Sensibilidade EspecificidadeELISA • Soro em tubo coletor de tampa 4 dias ELISA: ELISA:RIFI vermelha (mínimo 0,5 ml). 71% a 100% 85 a 100% • Refrigerar entre 2° e 8° Celsius por no máximo 24h ou congelar. RIFI: RIFI: • Tempo máximo entre coleta e 68% a 100% 74 a 100% entrega no laboratório: 7 dias. • Nunca enviar hemolizado!Exame • Punção de medula óssea, 1 dia útil / 30% a 60% 100%parasitológico linfonodo ou lesão cutânea. 10 minutosdireto • Confeccionar mínimo 2 lâminas no caso do (imprints de biópsia de pele Panótico(exame ou esfregaços de aspirado de rápidocitológico) linfonodo ou medula óssea). realizado • Secar as lâminas ao ar, depois na clinicaColorações imergir em metanol P.A. por 5 a 10Giemsa minutos e secar novamente ao ar.ou Panótico • Identificar as lâminas antes de enviar ao laboratório para coloração Giemsa e observação. • Panótico rápido e observar em microscópioHistopatólógico • Fragmento de pele 15 dias 70% a 80% 100%/ Imuno- (recomendado a coleta da região úteishistoquímica auricular ou plano nasal). • Enviar fragmentos em formol tamponado a 10% na proporção de um (fragmento) para vinte (formol). • Lavar o material com solução salina ou soro fisiológico para eliminar excesso de sangue. • Tamanho fragmentos: 1 a 2 cm³. • O fragmento pode ser mantido indefinidamente nesse fixador, à temperatura ambiente. • Vedar e identificar cuidadosamente o frascoPCR Biópsia de linfonodo, medula 8 dias 38% a 76% 100% óssea, baço, evitar uso de sangue úteis periférico (baixa sensibilidade)Perfil hepático Realizar todo perfil hematológicoe renal, e bioquímico antes de iniciarhemograma qualquer terapia, obter parâmetroscompleto, iniciais e a cada 3 meses paraproteinograma controle 13
  15. 15. Diagnóstico Tratamento Diagnóstico diferencial Como outras doenças causadas Várias doenças podem mimetizar por protozoários, não existe até os sinais clínicos da Leishmaniose, o momento, cura parasitológica, como as doenças imunomediadas mas sim clínica com remissão dos (Lúpus eritematoso sistêmico, sinais, manutenção da qualidade Pênfigos, Anemia Hemolítica auto- de vida do animal e diminuição da imune) enfermidades cutâneas carga parasitária, com consequente (demodiciose, escabiose, seborréias diminuição ou supressão da crônicas, atopias, adenites sebáceas, capacidade de transmissão. dermatofitoses, micoses profundas), No Brasil, o tratamento de enfermidades endócrinas, neoplasias cães com a utilização de drogas (linfomas), etc. Portanto, nunca da terapêutica humana ou drogas deve-se concluir um diagnóstico não registradas no Ministério baseado apenas nos sinais clínicos da Agricultura, Pecuária e do animal, por mais característicos Abastecimento (MAPA) está que estes possam parecer. proibido através da Portaria Co-infecções com erliquiose e/ou Interministerial nº 1.426, de 11 de babesiose podem ocorrer causando julho de 2008, do Ministério da reação cruzada com a Leishmania Saúde (MS) e MAPA. nos principais exames sorológicos, Os tratamentos para Leishmaniose por esta razão uma investigação Visceral Canina são bem mais aprofundada destas doenças variados e utilizam protocolos infecciosas se faz necessária. que combinam drogas leishmanicidas, leishmaniostáticas e imunomoduladoras. Por se tratar de doença que depende da resposta imunitária, estudos têm demonstrado importante papel dos imunomoduladores no controle da Leishmaniose canina. Drogas como levamizol, domperidona, cimetidina e a própria vacina Leishmune® em doses duplas, em combinação14
  16. 16. ou não com leishmaniostáticos, O tratamento depende da adesãocomo o alopurinol, tem demonstrado e responsabilidade do proprietárioexcelentes resultados no controle que deve ser informadodesta enfermidade. Outros estudos detalhadamente sobre a doençaapontam efeitos leishmanicidas em todos os seus aspectos:do metronidazol, enrofloxacina, gravidade, potencial zoonótico,cetoconazol, flouconazol, levamizol cronicidade, improbabilidade dee marbofloxacina. Portanto, existem cura parasitológica, custo variável dovárias opções terapêuticas com tratamento, manutenção e controledrogas que não são utilizadas por toda vida do animal.no tratamento humano ou O paciente antes de iniciar qualquerexclusivamente utilizadas parta tentativa terapêutica deve passaranimais. por avaliação clínica completa, queO tratamento clínico, dada inclui hemograma, perfil bioquímicosua complexidade, deve ser completo, proteinograma, bem comocriterioso e sua indicação a confirmação diagnóstica sorológicaavaliada individualmente, e parasitológica.dependendo de fatores como: Deve-se sempre enfatizar a adoção Quadro clínico do animal no de medidas profiláticas no cão momento do diagnóstico; portador, bem como análises Status hematológico; periódicas do parasitismo cutâneo. Perfil renal e hepático; Avaliação de co-morbidades; Responsabilidade do proprietário e do veterinário na manutenção do tratamento e/ou controle por toda a vida do animal; Compromisso do proprietário em adotar as medidas preventivas (uso constante de coleiras e/ou soluções repelentes, telas, manejo ambiental, etc.). 15
  17. 17. Prevenção e controle A prevenção e controle da de fezes e acúmulo de restos de Leishmaniose Visceral Canina envolve alimentos, frutas e folhagens; o manejo do ambiente, vetor e animal.  Manter a grama e o mato sempre cortados, com retirada de O controle da Leishmaniose Visceral entulhos, lixo e fezes animais, tem como objetivo, interromper a evitando a formação de fonte de cadeia de transmissão entre o cão umidade e de matéria orgânica e o homem no ambiente urbano. em decomposição; Por isso é importante estabelecer medidas de controle do flebótomo  Como forma repelente ao inseto, e medidas que evitem o contato do utilizar spray de saneantes inseto com os cães e o homem. desinfetantes (inseticidas) ou cultivar plantas repelentes como a Medidas de controle ao vetor Citronela ou Neem. O flebótomo costuma se reproduzir em locais com muita umidade e Medidas para proteger o cão matéria orgânica em decomposição.  Recomendar o uso de coleiras Portanto, como medidas de impregnadas com deltametrina a controle do vetor, o veterinário pode 4% (trocar a cada seis meses) recomendar aos proprietários: ou produtos repelentes do tipo pour-on de ação prolongada  Evitar acúmulos de lixo de casa (reaplicar a cada 21 dias), nos e destinar o lixo adequadamente: q animais, inclusive ao transportar os é uma maneira de contribuir para animais para outras regiões, para a saúde do meio ambiente e ao evitar que ele se infecte ou que mesmo tempo evitar a proliferação transmita para um flebótomo caso dos insetos; esteja infectado;  Manter o ambiente do cão, quintal  Aconselhar os proprietários a ou varanda, sempre limpos, livre evitar passeios com o seu cão no final da tarde e início da noite;16
  18. 18.  Recomendar o proprietário Entre os fatores que levam à baixa a vacinar o seu cão anualmente, eficiência da medida de sacrifício de contra a Leishmaniose, como cães infectados estão a dificuldade medida preventiva segura e eficaz. de realização de um teste que identifique o cão transmissor, oSabe-se que há um grande número grande espaço de tempo entre ode cães assintomáticos infectados, diagnóstico e a eliminação do cãoo que é um dos fatores que dificulta no programa oficial, alta incidênciao controle da LVC, pois os animais de infecção e infectividade dos cães,assintomáticos também são alto índice de reposição de cães,reservatórios dos protozoários e são que às vezes já estão infectados,capazes de infectar flebotomíneos. presença de outros hospedeirosPor isso é importante que, como como gambás, gatos e até o homem,veterinário, você esteja atento e a manutenção do ciclo de infecçãoàs possíveis alterações clínico- do inseto e do homem, devidopatológicas de seus pacientes, na ao pouco controle sobre o vetor,tentativa de diagnosticar a doença resistência da população em efetivarprecocemente. esta política de eliminação, fugaA eliminação do cão soropositivo é dos pacientes para outras áreas,medida duvidosa enquanto estratégia endêmicas ou não.de controle da Leishmaniose Visceral, O combate ao vetor é considerado,pois não há evidências científicas pela Fundação Nacional de Saúdeque comprovem que essa ação e pela Organização Mundial detenha, realmente, eficácia sobre o Saúde, a melhor opção na luta contracontrole da doença. a Leishmaniose Visceral, sendo por isso recomendada como estratégia importante de controle dessa doença. 17
  19. 19. Recomendações finais Diante de animais com suspeita transmissão para outros indivíduos de Leishmaniose Visceral Canina, susceptíveis; orientamos como medidas  É importante lembrar que profiláticas e terapêuticas: existe um período de janela imunológica que pode durar de Cães aparentemente saudáveis um a quatro meses, portanto, em  Os cães que parecem saudáveis áreas endêmicas deve repetir o e sorologicamente não reagentes teste após este período e/ou se (ELISA e RIFI) devem ser suspeito, associar outros métodos vacinados com Vacina contra de diagnóstico. a LVC (licenciadas pelo MAPA) e deve-se recomendar o uso Cães clinicamente doentes contínuo de colar repelente à base com comprometimento renal de deltametrina 4% (que evita até e/ou hepático 95% das picadas) ou aplicações  Se o cão está mostrando periódicas de produto pour-on sinais graves decorrentes da com ação repelente ao flebótomo Leishmaniose e o bem-estar (trocar o colar a cada seis meses do animal está seriamente e reaplicar o pour-on a cada comprometido, deve-se realizar 21 dias); uma análise individualizada  Os cães infectados (assintomáticos e criteriosa do caso e decidir ou sintomáticos), que estão sob conjuntamente com o tutor tratamento, também devem usar o ou responsável pelo animal colar ou pour-on durante toda vida, pela tentativa de tratamento ou reduzindo assim as chances de eutanásia. Sempre levar em conta18
  20. 20. que muitos animais apresentam que o tratamento e o controle são uma melhora significativa por toda a vida do animal. Deve-se após início do tratamento, utilizar protocolos já testados surpreendendo o prognóstico em doses corretas, evitando-se previamente estabelecido. Portanto assim a possibilidade do deve-se sempre priorizar a desenvolvimento de parasitos tentativa de tratamento e a análise resistentes, e deve-se acompanhar da resposta individual do animal, sua eficácia com repetidos testes antes de optar pela eutanásia. diagnósticos;  Se o tratamento completo e/ouCães clinicamente doentes a realização de testes periódicossem comprometimento renal não for possível devido àse/ou hepático condições socioeconômicas do Se o tratamento for possível, os tutor, o cão deve ser eutanasiado proprietários devem receber todas para evitar a progressão da as informações sobre a doença doença, sofrimento animal e (capacidade de transmissão risco de transmissão da LVC para aos seres humanos através do outros animais e pessoas; vetor; gravidade e complexidade do tratamento; custos –  Informar o proprietário que nunca medicação, serviços veterinários; se deve interromper o tratamento responsabilidade em adotar ou viajar com o animal sem medidas profiláticas no animal para informar ao médico veterinário o resto da vida, proibição do uso responsável e nunca viajar com o de medicamentos humanos, etc.). animal sem as devidas precauções. E este deve assinar um termo de Os proprietários e/ou tutores compromisso; informados devem assinar um termo de responsabilidade se optarem O veterinário que optar em tratar por tratar seus animais, visto que a deve estar familiarizado com o LVC é uma doença vetorial grave e o tratamento e ser atualizado com os cão deve receber acompanhamento protocolos seguros e efetivos. Tanto para o resto da vida. o proprietário quanto o veterinário devem ter em mente que este tratamento é de responsabilidade Referências e Bibliografia complementar – de ambos, devendo ter consciência acesse o site www.wspabrasil.org 19

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