LEISHMANIOSE
Sistemática
• Doença de caráter zoonótico

• Distribuição    geográfica       (África,        países
mediterrâneos,   Américas      central   e    do   sul   e
algumas áreas EUA)

• Parasita   primariamente     marsupiais,    roedores,
carnívoros, edentados e insetívoros

• Parasita secundariamente cães e humanos



                                                   Meneses, AMC
• Doença   se   desenvolve      nos   cães     e   humanos
(tegumentar e visceral)

• Cão (reservatório América do Sul e mediterrâneo)

• Transmissão flebotomíneos hematófagos (Gênero
Lutzomyia , Esp. L. longipalpis)

• Doença    causada       por    várias      espécies    de
protozoários do gênero Leishmania

• Forma visceral (    L. chagasi),principal agente no
Brasil

                                                   Meneses, AMC
Meneses, AMC
ETIOLOGIA
• As Leishmanioses são um grupo de doenças causadas por
protozoários do gênero Leishmania, manifestando-se sob
várias formas clínicas

• Na natureza todas as espécies de Leishmania existentes
são transmitidas ao homem e a outros mamíferos por meio
da picada de fêmeas de insetos hospedeiros infectados

• Os hospedeiros invertebrados estão restritos a espécies
de flebotomíneos hematófagos (Ordem Díptera, Família
Psychodidae, Sub-família Phlebotominae), especialmente à
subspécie Lutzomya longipalpis no Novo Mundo e ao gênero
Phlebotomus, no Velho Mundo ( visceral)
ETIOLOGIA

• Nas Américas, a leishmaniose no homem pode ser dividida
em duas amplas categorias: a leishmaniose tegumentar
americana e a leishmaniose visceral
• A leishmaniose tegumentar     americana   possui   grande
variedade de formas:
        - Leishmaniose cutânea (caracterizada por lesões
localizadas na pele que podem curar espontaneamente ou
evoluir para lesões crônicas com cicatrizes desfigurantes);
       - Leishmaniose mucocutânea (caracterizada        por
lesões ulcerativas e destrutivas das mucosas);
       - Leishmaniose cutânea difusa (caracterizada por
lesões nodulares não ulcerativas e disseminadas).


                                                 Meneses, AMC
• A forma visceral da doença é crônica e progressiva e
afeta vários órgãos, incluindo o baço, o fígado, a medula
óssea, os linfonodos e a pele.




                                               Meneses, AMC
BIOLOGIA

• O ciclo da Leishmania envolve o hospedeiro vertebrado e o

vetor flebotomíneo

• Nos hospedeiros mamíferos, a Leishmania é obrigatoriamente

um parasito intracelular e existe na forma amastigota no

interior de células do sistema mononuclear-fagocitário.

• As formas amastigotas caracterizam-se por serem circulares,

com diâmetro de 5 mm, possuindo núcleo, cinetoplasto e

rudimento de flagelo. Sua multiplicação se dá por divisão

binária, ocorrendo repetidamente até a destruição das células

hospedeiras
                                                      Meneses, AMC
• No trato alimentar dos flebotomíneos, as forma amastigotas

se transformam em paramastigotas e promastigotas, formas

flageladas e móveis, alongadas, que apresentam núcleo central

e cinetoplasto terminal

• A transmissão da doença para os hospedeiros vertebrados é

feita predominantemente por meio da inoculação das formas

promastigotas infectantes durante a picada do inseto vetor

• Entretanto outras possibilidades já foram descritas tais como

a via cutânea, placentária, venérea e a transfusão de sangue



                                                     Meneses, AMC
BIOLOGIA


• Após a inoculação nos hospedeiros mamíferos, as promastigotas

infectantes ligam-se aos macrófagos por meio de diversos

receptores celulares, sendo subseqüentemente fagaocitadas e se

localizam   em   um   vacúolo    que   se   funde   com   lisossomas,

denominado vacúolo parasitóforo

• Os parasitos sobrevivem à fagocitose e sofrem diversas

transformações    metabólicas,    sendo     convertidos   em   formas

amastigotas, que se multiplicam e rompem as células hospedeiras

para então infectarem outras células mononucleares e órgãos,

através das vias hematogênica e linfática.
BIOLOGIA



        Homem (hospedeiro acidental)



           Hospedeiro invertebrado
 (Amastigota – paramastigota- promastigota)


             Cães (reservatórios)
    (promastigotas – macrófagos (vacúolo) –
  amastigotas – outras células mononucleares)




                               Meneses, AMC
BIOLOGIA

• A Leishmaniose visceral humana também é conhecida por

calazar, palavra de origem indiana "KALA-AZAR", que em

indiano significa doença mortífera.

• No Velho Mundo os agentes etiológicos são as espécies

Leishmania donovani e Leishmania infantum e no Novo Mundo,

Leishmania chagasi.

•A Leishmania braziliensis é responsável pela Leishmaniose

cutânea   em   cães     transmitidas   por   várias   espécies   de

flebotomíneos ( cão e cavalo - reservatórios urbanos)
Ciclo Biológico
Mosquito Palha
EPIDEMIOLOGIA


• A Leishmaniose visceral é considerada atualmente uma doença

emergente e reemergente, tanto em áreas rurais como urbanas


• Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990

existiam 12 milhões de casos, sendo que surgem 400 mil novos

casos por ano


• O   Brasil   está    entre   os   países   da   América   Latina   que

apresentam aproximadamente 90% de novos casos anuais
Amastigotas
EPIDEMIOLOGIA

• No homem a leishmaniose visceral acomete principalmente
crianças e indivíduos imunossuprimidos, sendo caracterizada
clinicamente por febre oscilante de longa duração, debilidade
geral,   emagrecimento,     pancitopenia,   hepato-esplenomegalia,
hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia, podendo progredir
para um quadro crônico ou para a morte, caso não haja
tratamento adequado

• Numerosas espécies de canídeos (cães, raposas e chacais), de
marsupiais   (gambás)   e   roedores   foram   incriminadas   como
reservatórios em regiões endêmicas.
EPIDEMIOLOGIA

• Os cães possuem um papel fundamental para a manutenção da
doença nas áreas endêmicas, atuando como principal reservatório
doméstico e fonte de infecção para os flebotomíneos, com
posterior transmissão para o homem




                                                    Meneses, AMC
SINAIS CLÍNICOS

• Leishmaniose   clínica   pode   ter   manifestações   variáveis,
sendo que a reação imunológica do hospedeiro determina o
tipo de síndrome resultante da infecção

• Os sinais clínicos são de uma doença de progressão lenta




                                                        Meneses, AMC
SINAIS CLÍNICOS

• As síndromes variam desde lesões cutâneas autolimitantes até
doença sistêmica fatal

• A leishmaniose visceral se inicia como uma lesão cutânea e,
posteriormente, a infecção dissemina-se sistemicamente

• Os órgãos mais afetados são o baço, o fígado e a medula
óssea




                                                   Meneses, AMC
SINAIS CLÍNICOS
• Os principais sinais dermatológicos da leishmaniose visceral
consistem de descamação, seborréia, onicogrifose, ulceração e
alopecia, que geralmente é simétrica

• Alguns cães com alta carga parasitária não apresentam sinais
clínicos. Freqüentemente também ocorre discrepância entre a
intensidade da infecção e a condição clínica do animal




                                                         Meneses, AMC
SINAIS CLÍNICOS




                  Meneses, AMC
SINAIS CLÍNICOS

• Na forma visceral, a doença pode ser severa, causando sinais
clínicos que envolvem vários órgãos

• Ocorrem: fraqueza extrema, emaciação, diarréia, epistaxe,
claudicação,    anemia,   insuficiência   renal,   edema   das   patas,
ulceração cutânea, inflamação ocular que pode levar a cegueira,
linfadenopatia e hepato-esplenomegalia

• A temperatura corporal pode oscilar, mas geralmente é normal
ou sub-normal

• Imunossupressão pode favorecer a ocorrência de infecções
concomitantes, de forma que o quadro clínico pode ser complicado
com demodicose, piodermite ou pneumonia

                                                           Meneses, AMC
Meneses, AMC
DIAGNÓSTICO

                     • PARASITOLÓGICO

• É o método de diagnóstico mais simples e mais comumente
utilizado

• É   baseado   na   observação   das   formas   amastigotas   pela
histopatologia ou citologia utilizando-se esfregaços de medula
óssea ou aspirados de linfonodos corados pelo Giemsa

• Este método é altamente específico e de baixo custo, mas
possui pouca sensibilidade

• A utilização da técnica de imunoperoxidase possibilita detecção
mais eficiente das formas amastigotas nos tecidos infectados

                                                        Meneses, AMC
DIAGNÓSTICO




Citologia de medula óssea canina - formas amastigotas de
   Leishmania localizadas no citoplasma de macrófagos


                                                 Meneses, AMC
DIAGNÓSTICO

                        • IMUNOLÓGICO
• É baseado na detecção de anticorpos (principalmente IgG e
especialmente   IgG1)   anti-Leishmania   ou   respostas   celulares
específicas

• Os quatro principais testes sorológicos aplicados são IFAT,
ELISA, DAT e Western Blot

• O IFAT é considerado o melhor dos testes, devido à alta
especificidade e sensibilidade e apresenta maior repetibilidade e
resultados mais confiáveis em relação àqueles que usam antígenos
solúveis, como a fixação de complemento

• O ELISA é mais sensível, porém menos preciso que o IFAT,
pois apresenta reação cruzada com Trypanosoma cruzi e Babesia.
                                                       Meneses, AMC
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL



• Apresentação    clínica   da   leishmaniose   pode   apresentar


grande variação desde casos assintomáticos até casos de


doença crônica caquetizante


• O diagnóstico diferencial deve ser formulado para cada caso


individualmente




                                                         Meneses, AMC
Tratamento
A DOENÇA NO HOMEM

  • A leishmaniose é uma doença complexa, amplamente distribuída,
  que afeta o homem e que tem sido historicamente reconhecida há
  muito tempo
  • Possui alta prevalência com 12 milhões de casos em todo o mundo
  e 1,5 a 2 milhões de novos casos surgindo a cada ano.
  • Embora o homem seja freqüentemente portador assintomático, a
  doença pode assumir duas formas clinicas: cutânea, que pode
  ocorrer na forma mucocutânea, e a forma visceral.




          Distribuição mundial da
           leishmaniose humana



Meneses, AMC
A DOENÇA NO HOMEM

• A   leishmaniose   cutânea   é    a   forma   mais    comum,   sendo
responsável por 50 a 75% dos casos novos a cada ano

• Geralmente causada por L. major e L. tropica no Velho Mundo e
por L. mexicana e L. braziliensis no Novo Mundo

• A forma cutânea se apresenta como lesões nodulares não-
ulcerativas,    localizadas    ou       disseminadas,     encontradas
principalmente na face, braços e pernas

• As lesões podem resultar em deficiência física e cicatrizes
permanentes

• 90% dos casos ocorrem na África e América do Sul


                                                           Meneses, AMC
A DOENÇA NO HOMEM

  • Somente os casos mais severos da doença cutânea requerem
  tratamento

  • A   forma   mucocutânea   ocorre   freqüentemente   como   uma
  doença metastática em meses ou anos após a ocorrência da
  forma cutânea e resulta em cicatrizes desfigurantes na face,
  afetando as membranas mucosas do nariz, boca e garganta

  • A forma mucocutânea ocorre predominantemente

   na América do Sul e requer tratamento




Meneses, AMC
A DOENÇA NO HOMEM

• A Leishmaniose visceral, também conhecida como "Febre

Negra" ou Kala-Azar, é a forma mais grave e pode ser fatal se

não tratada

• Os agentes etiológicos mais comuns são a L. donovani,

primariamente encontrada na Índia, Bangladesh e Sudão; L.

chagasi   e   L.    infantum,   encontradas   no   Brasil   e   países

mediterrâneos

• A leishmaniose visceral ocorre predominantemente em crianças

e   também         como   infecção   oportunista     em     pacientes

imunossuprimidos como aqueles infectados por HIV
                                                            Meneses, AMC
A DOENÇA NO HOMEM

• Os sinais clínicos são inespecíficos e incluem anorexia, febre,
emagrecimento, hepatoesplenomegalia, epistaxe, diarréia e
tosse

• Os achados laboratoriais incluem anemia, hiperglobulinemia,
hipoalbuminemia, leucopenia e trombocitopenia




                                                      Meneses, AMC
A DOENÇA NO HOMEM

• Um diagnóstico preciso é essencial para a determinação do
tratamento

• Para   isso   são        necessárias     análises   parasitológicas     e
imunológicas

• Historicamente      os     antimoniais     pentavalentes    têm       sido
utilizados como primeira opção de tratamento

• A anfotericina B e pentamidina também são reconhecidos como
agentes terapêuticos eficazes

• Devido à natureza complexa da doença cada caso deve ser
avaliado e tratado levando-se em consideração características
individuais.

                                                              Meneses, AMC
TRATAMENTO, CONTROLE E PREVENÇÃO

• A maioria dos casos de leishmaniose cutânea não requerem
tratamento uma vez que são auto-limitantes

• A leishmaniose visceral canina (Kala-azar) tem sido tratada já
há muitos anos por veterinários europeus

• No   Brasil,   protocolos   terapêuticos   para   cães   têm   sido
avaliados durante os últimos 4 anos, mas o tratamento de cães
infectados não é recomendado devido ao risco potencial para a
saúde pública

• Política de controle adotada pelo Ministério da Saúde inclui o
tratamento precoce das infecções humanas, uso estratégico de
inseticidas e eliminação de cães soropositivos

                                                           Meneses, AMC
TRATAMENTO, CONTROLE E PREVENÇÃO

•

• Todas      estas   drogas   requerem   um   regime    de    dosagens
múltiplas,    o   que   depende   da   condição   clínica   do   cão   e
cooperação do proprietário

• Sugere-se que o tratamento de manutenção deve ser mantido
com alopurinol, porque é impossível assegurar que os cão não
sofrerão recorrência da infecção caso o tratamento seja
interrompido




                                                             Meneses, AMC
TRATAMENTO, CONTROLE E PREVENÇÃO

• O uso de colares contendo inseticidas, shampoos ou inseticidas
aerosóis que são efetivos para proteger o cão contra a picada
do mosquito, têm que ser utilizados continuamente em todos os
pacientes sob tratamento

• O controle do vetor é um dos aspectos mais importantes para
o controle da doença

• O mosquito é susceptível aos mesmos inseticidas que o
mosquito da malária

• A pulverização de casas e abrigos dos animais com inseticidas
só terá impacto na transmissão se o vetor for restrito às áreas
intra- ou peri-domiciliar

                                                     Meneses, AMC
CONTROLE
•   Manter higiene da área de 150 m
•   Proteção das casas
•   Usar repelentes
•   “Vacinas”
•   Evitar sair nos horários do mosquito : de 5
    às 8h e de 16 às 29h
Ashford, R.W. The leismaniasis as emerging and reemerging
zoonoses. International Journal for Parasitology, v.30, p.
1269-1281, 2000.
Canine Leishmaniasis and update proceedings. Barcelona,
Spain 1999.
Dye, C. Leishmaniasis epidemiology: the theory catches up.
Parasitology, v.104, p. S7-S18, 1992.
Dedet, J. et al. The parasite. Clinics in Dermatology, v.17,
p.261-268, 1999.
Desjeux, P. Global control and leismania HIV co-infection.
Clnics in Dermatology, v.17, p. 317-325, 1999.
Herwaldt, B.L. Leishmaniasis. The Lancet, v.354, p. 1191-1199,
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Klaus, S.N.; Frankenburg, S.; Ingber, A. Epidemiology of
cutaneous leismaniosis. Clinics in Dermatology, v.17, p. 257-
260, 1999.
Marsella, Rosanna R. Leishmaniasis: A Re-emerging Zoonosis.
International Journal of Dermatology 1998, 37, 801-814.
Marsella, R.; Gopegui, R.R. Leishmaniasis: a re-emerging
zoonosis. International journal of Dermatology, v 37, p. 801-
814, 1998.
Silva, F.L. Estudo histopatologico e imuno-histoquimico do
trato gastrointestinal de caes naturalmente infectados com
Leishmania (Leishmania) chagasi de duas regioes geograficas
distintas. Belo Horizonte: Escola de Veterinaria da UFMG,
2001, 41 p. (Dissertacao, Mestrado em Medicina Veterinaria).Meneses, AMC

Aula leishmaniose

  • 1.
  • 2.
  • 3.
    • Doença decaráter zoonótico • Distribuição geográfica (África, países mediterrâneos, Américas central e do sul e algumas áreas EUA) • Parasita primariamente marsupiais, roedores, carnívoros, edentados e insetívoros • Parasita secundariamente cães e humanos Meneses, AMC
  • 4.
    • Doença se desenvolve nos cães e humanos (tegumentar e visceral) • Cão (reservatório América do Sul e mediterrâneo) • Transmissão flebotomíneos hematófagos (Gênero Lutzomyia , Esp. L. longipalpis) • Doença causada por várias espécies de protozoários do gênero Leishmania • Forma visceral ( L. chagasi),principal agente no Brasil Meneses, AMC
  • 5.
  • 6.
    ETIOLOGIA • As Leishmaniosessão um grupo de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania, manifestando-se sob várias formas clínicas • Na natureza todas as espécies de Leishmania existentes são transmitidas ao homem e a outros mamíferos por meio da picada de fêmeas de insetos hospedeiros infectados • Os hospedeiros invertebrados estão restritos a espécies de flebotomíneos hematófagos (Ordem Díptera, Família Psychodidae, Sub-família Phlebotominae), especialmente à subspécie Lutzomya longipalpis no Novo Mundo e ao gênero Phlebotomus, no Velho Mundo ( visceral)
  • 7.
    ETIOLOGIA • Nas Américas,a leishmaniose no homem pode ser dividida em duas amplas categorias: a leishmaniose tegumentar americana e a leishmaniose visceral • A leishmaniose tegumentar americana possui grande variedade de formas: - Leishmaniose cutânea (caracterizada por lesões localizadas na pele que podem curar espontaneamente ou evoluir para lesões crônicas com cicatrizes desfigurantes); - Leishmaniose mucocutânea (caracterizada por lesões ulcerativas e destrutivas das mucosas); - Leishmaniose cutânea difusa (caracterizada por lesões nodulares não ulcerativas e disseminadas). Meneses, AMC
  • 8.
    • A formavisceral da doença é crônica e progressiva e afeta vários órgãos, incluindo o baço, o fígado, a medula óssea, os linfonodos e a pele. Meneses, AMC
  • 9.
    BIOLOGIA • O cicloda Leishmania envolve o hospedeiro vertebrado e o vetor flebotomíneo • Nos hospedeiros mamíferos, a Leishmania é obrigatoriamente um parasito intracelular e existe na forma amastigota no interior de células do sistema mononuclear-fagocitário. • As formas amastigotas caracterizam-se por serem circulares, com diâmetro de 5 mm, possuindo núcleo, cinetoplasto e rudimento de flagelo. Sua multiplicação se dá por divisão binária, ocorrendo repetidamente até a destruição das células hospedeiras Meneses, AMC
  • 10.
    • No tratoalimentar dos flebotomíneos, as forma amastigotas se transformam em paramastigotas e promastigotas, formas flageladas e móveis, alongadas, que apresentam núcleo central e cinetoplasto terminal • A transmissão da doença para os hospedeiros vertebrados é feita predominantemente por meio da inoculação das formas promastigotas infectantes durante a picada do inseto vetor • Entretanto outras possibilidades já foram descritas tais como a via cutânea, placentária, venérea e a transfusão de sangue Meneses, AMC
  • 11.
    BIOLOGIA • Após ainoculação nos hospedeiros mamíferos, as promastigotas infectantes ligam-se aos macrófagos por meio de diversos receptores celulares, sendo subseqüentemente fagaocitadas e se localizam em um vacúolo que se funde com lisossomas, denominado vacúolo parasitóforo • Os parasitos sobrevivem à fagocitose e sofrem diversas transformações metabólicas, sendo convertidos em formas amastigotas, que se multiplicam e rompem as células hospedeiras para então infectarem outras células mononucleares e órgãos, através das vias hematogênica e linfática.
  • 12.
    BIOLOGIA Homem (hospedeiro acidental) Hospedeiro invertebrado (Amastigota – paramastigota- promastigota) Cães (reservatórios) (promastigotas – macrófagos (vacúolo) – amastigotas – outras células mononucleares) Meneses, AMC
  • 13.
    BIOLOGIA • A Leishmaniosevisceral humana também é conhecida por calazar, palavra de origem indiana "KALA-AZAR", que em indiano significa doença mortífera. • No Velho Mundo os agentes etiológicos são as espécies Leishmania donovani e Leishmania infantum e no Novo Mundo, Leishmania chagasi. •A Leishmania braziliensis é responsável pela Leishmaniose cutânea em cães transmitidas por várias espécies de flebotomíneos ( cão e cavalo - reservatórios urbanos)
  • 14.
  • 15.
  • 18.
    EPIDEMIOLOGIA • A Leishmaniosevisceral é considerada atualmente uma doença emergente e reemergente, tanto em áreas rurais como urbanas • Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990 existiam 12 milhões de casos, sendo que surgem 400 mil novos casos por ano • O Brasil está entre os países da América Latina que apresentam aproximadamente 90% de novos casos anuais
  • 19.
  • 21.
    EPIDEMIOLOGIA • No homema leishmaniose visceral acomete principalmente crianças e indivíduos imunossuprimidos, sendo caracterizada clinicamente por febre oscilante de longa duração, debilidade geral, emagrecimento, pancitopenia, hepato-esplenomegalia, hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia, podendo progredir para um quadro crônico ou para a morte, caso não haja tratamento adequado • Numerosas espécies de canídeos (cães, raposas e chacais), de marsupiais (gambás) e roedores foram incriminadas como reservatórios em regiões endêmicas.
  • 22.
    EPIDEMIOLOGIA • Os cãespossuem um papel fundamental para a manutenção da doença nas áreas endêmicas, atuando como principal reservatório doméstico e fonte de infecção para os flebotomíneos, com posterior transmissão para o homem Meneses, AMC
  • 23.
    SINAIS CLÍNICOS • Leishmaniose clínica pode ter manifestações variáveis, sendo que a reação imunológica do hospedeiro determina o tipo de síndrome resultante da infecção • Os sinais clínicos são de uma doença de progressão lenta Meneses, AMC
  • 24.
    SINAIS CLÍNICOS • Assíndromes variam desde lesões cutâneas autolimitantes até doença sistêmica fatal • A leishmaniose visceral se inicia como uma lesão cutânea e, posteriormente, a infecção dissemina-se sistemicamente • Os órgãos mais afetados são o baço, o fígado e a medula óssea Meneses, AMC
  • 25.
    SINAIS CLÍNICOS • Osprincipais sinais dermatológicos da leishmaniose visceral consistem de descamação, seborréia, onicogrifose, ulceração e alopecia, que geralmente é simétrica • Alguns cães com alta carga parasitária não apresentam sinais clínicos. Freqüentemente também ocorre discrepância entre a intensidade da infecção e a condição clínica do animal Meneses, AMC
  • 26.
    SINAIS CLÍNICOS Meneses, AMC
  • 27.
    SINAIS CLÍNICOS • Naforma visceral, a doença pode ser severa, causando sinais clínicos que envolvem vários órgãos • Ocorrem: fraqueza extrema, emaciação, diarréia, epistaxe, claudicação, anemia, insuficiência renal, edema das patas, ulceração cutânea, inflamação ocular que pode levar a cegueira, linfadenopatia e hepato-esplenomegalia • A temperatura corporal pode oscilar, mas geralmente é normal ou sub-normal • Imunossupressão pode favorecer a ocorrência de infecções concomitantes, de forma que o quadro clínico pode ser complicado com demodicose, piodermite ou pneumonia Meneses, AMC
  • 28.
  • 29.
    DIAGNÓSTICO • PARASITOLÓGICO • É o método de diagnóstico mais simples e mais comumente utilizado • É baseado na observação das formas amastigotas pela histopatologia ou citologia utilizando-se esfregaços de medula óssea ou aspirados de linfonodos corados pelo Giemsa • Este método é altamente específico e de baixo custo, mas possui pouca sensibilidade • A utilização da técnica de imunoperoxidase possibilita detecção mais eficiente das formas amastigotas nos tecidos infectados Meneses, AMC
  • 30.
    DIAGNÓSTICO Citologia de medulaóssea canina - formas amastigotas de Leishmania localizadas no citoplasma de macrófagos Meneses, AMC
  • 31.
    DIAGNÓSTICO • IMUNOLÓGICO • É baseado na detecção de anticorpos (principalmente IgG e especialmente IgG1) anti-Leishmania ou respostas celulares específicas • Os quatro principais testes sorológicos aplicados são IFAT, ELISA, DAT e Western Blot • O IFAT é considerado o melhor dos testes, devido à alta especificidade e sensibilidade e apresenta maior repetibilidade e resultados mais confiáveis em relação àqueles que usam antígenos solúveis, como a fixação de complemento • O ELISA é mais sensível, porém menos preciso que o IFAT, pois apresenta reação cruzada com Trypanosoma cruzi e Babesia. Meneses, AMC
  • 32.
    DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL • Apresentação clínica da leishmaniose pode apresentar grande variação desde casos assintomáticos até casos de doença crônica caquetizante • O diagnóstico diferencial deve ser formulado para cada caso individualmente Meneses, AMC
  • 33.
  • 34.
    A DOENÇA NOHOMEM • A leishmaniose é uma doença complexa, amplamente distribuída, que afeta o homem e que tem sido historicamente reconhecida há muito tempo • Possui alta prevalência com 12 milhões de casos em todo o mundo e 1,5 a 2 milhões de novos casos surgindo a cada ano. • Embora o homem seja freqüentemente portador assintomático, a doença pode assumir duas formas clinicas: cutânea, que pode ocorrer na forma mucocutânea, e a forma visceral. Distribuição mundial da leishmaniose humana Meneses, AMC
  • 35.
    A DOENÇA NOHOMEM • A leishmaniose cutânea é a forma mais comum, sendo responsável por 50 a 75% dos casos novos a cada ano • Geralmente causada por L. major e L. tropica no Velho Mundo e por L. mexicana e L. braziliensis no Novo Mundo • A forma cutânea se apresenta como lesões nodulares não- ulcerativas, localizadas ou disseminadas, encontradas principalmente na face, braços e pernas • As lesões podem resultar em deficiência física e cicatrizes permanentes • 90% dos casos ocorrem na África e América do Sul Meneses, AMC
  • 36.
    A DOENÇA NOHOMEM • Somente os casos mais severos da doença cutânea requerem tratamento • A forma mucocutânea ocorre freqüentemente como uma doença metastática em meses ou anos após a ocorrência da forma cutânea e resulta em cicatrizes desfigurantes na face, afetando as membranas mucosas do nariz, boca e garganta • A forma mucocutânea ocorre predominantemente na América do Sul e requer tratamento Meneses, AMC
  • 37.
    A DOENÇA NOHOMEM • A Leishmaniose visceral, também conhecida como "Febre Negra" ou Kala-Azar, é a forma mais grave e pode ser fatal se não tratada • Os agentes etiológicos mais comuns são a L. donovani, primariamente encontrada na Índia, Bangladesh e Sudão; L. chagasi e L. infantum, encontradas no Brasil e países mediterrâneos • A leishmaniose visceral ocorre predominantemente em crianças e também como infecção oportunista em pacientes imunossuprimidos como aqueles infectados por HIV Meneses, AMC
  • 38.
    A DOENÇA NOHOMEM • Os sinais clínicos são inespecíficos e incluem anorexia, febre, emagrecimento, hepatoesplenomegalia, epistaxe, diarréia e tosse • Os achados laboratoriais incluem anemia, hiperglobulinemia, hipoalbuminemia, leucopenia e trombocitopenia Meneses, AMC
  • 41.
    A DOENÇA NOHOMEM • Um diagnóstico preciso é essencial para a determinação do tratamento • Para isso são necessárias análises parasitológicas e imunológicas • Historicamente os antimoniais pentavalentes têm sido utilizados como primeira opção de tratamento • A anfotericina B e pentamidina também são reconhecidos como agentes terapêuticos eficazes • Devido à natureza complexa da doença cada caso deve ser avaliado e tratado levando-se em consideração características individuais. Meneses, AMC
  • 42.
    TRATAMENTO, CONTROLE EPREVENÇÃO • A maioria dos casos de leishmaniose cutânea não requerem tratamento uma vez que são auto-limitantes • A leishmaniose visceral canina (Kala-azar) tem sido tratada já há muitos anos por veterinários europeus • No Brasil, protocolos terapêuticos para cães têm sido avaliados durante os últimos 4 anos, mas o tratamento de cães infectados não é recomendado devido ao risco potencial para a saúde pública • Política de controle adotada pelo Ministério da Saúde inclui o tratamento precoce das infecções humanas, uso estratégico de inseticidas e eliminação de cães soropositivos Meneses, AMC
  • 43.
    TRATAMENTO, CONTROLE EPREVENÇÃO • • Todas estas drogas requerem um regime de dosagens múltiplas, o que depende da condição clínica do cão e cooperação do proprietário • Sugere-se que o tratamento de manutenção deve ser mantido com alopurinol, porque é impossível assegurar que os cão não sofrerão recorrência da infecção caso o tratamento seja interrompido Meneses, AMC
  • 44.
    TRATAMENTO, CONTROLE EPREVENÇÃO • O uso de colares contendo inseticidas, shampoos ou inseticidas aerosóis que são efetivos para proteger o cão contra a picada do mosquito, têm que ser utilizados continuamente em todos os pacientes sob tratamento • O controle do vetor é um dos aspectos mais importantes para o controle da doença • O mosquito é susceptível aos mesmos inseticidas que o mosquito da malária • A pulverização de casas e abrigos dos animais com inseticidas só terá impacto na transmissão se o vetor for restrito às áreas intra- ou peri-domiciliar Meneses, AMC
  • 45.
    CONTROLE • Manter higiene da área de 150 m • Proteção das casas • Usar repelentes • “Vacinas” • Evitar sair nos horários do mosquito : de 5 às 8h e de 16 às 29h
  • 46.
    Ashford, R.W. Theleismaniasis as emerging and reemerging zoonoses. International Journal for Parasitology, v.30, p. 1269-1281, 2000. Canine Leishmaniasis and update proceedings. Barcelona, Spain 1999. Dye, C. Leishmaniasis epidemiology: the theory catches up. Parasitology, v.104, p. S7-S18, 1992. Dedet, J. et al. The parasite. Clinics in Dermatology, v.17, p.261-268, 1999. Desjeux, P. Global control and leismania HIV co-infection. Clnics in Dermatology, v.17, p. 317-325, 1999. Herwaldt, B.L. Leishmaniasis. The Lancet, v.354, p. 1191-1199, 1999. Klaus, S.N.; Frankenburg, S.; Ingber, A. Epidemiology of cutaneous leismaniosis. Clinics in Dermatology, v.17, p. 257- 260, 1999. Marsella, Rosanna R. Leishmaniasis: A Re-emerging Zoonosis. International Journal of Dermatology 1998, 37, 801-814. Marsella, R.; Gopegui, R.R. Leishmaniasis: a re-emerging zoonosis. International journal of Dermatology, v 37, p. 801- 814, 1998. Silva, F.L. Estudo histopatologico e imuno-histoquimico do trato gastrointestinal de caes naturalmente infectados com Leishmania (Leishmania) chagasi de duas regioes geograficas distintas. Belo Horizonte: Escola de Veterinaria da UFMG, 2001, 41 p. (Dissertacao, Mestrado em Medicina Veterinaria).Meneses, AMC