Financiamento de Longo Prazo (capital de terceiros)

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Disciplina: Finanças Aplicadas III
Objetivo da aula: conhecer as formas de financiamento com capital de terceiros
Conteúdo: (a) os diferentes tipos de financiamento; (b) covenants e seus custos e benefícios.

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Financiamento de Longo Prazo (capital de terceiros)

  1. 1. Financiamento de Longo Prazo (capital de terceiros – Parte II) grggggggggggggggggggg ggggggggg Disciplina: Finanças Aplicadas III Objetivo da aula: conhecer as formas de financiamento com capital de terceiros Conteúdo: (a) os diferentes tipos de financiamento; (b) covenants e seus custos e benefícios.
  2. 2. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com INTRODUÇÃO • Nas aulas passadas vimos o financiamento com capital próprio: do “anjo” até a oferta “secundária” de ações e que cada nova “rodada” de emissão de ações dilui a participação do “dono” da empresa. • A solução para isso: captação por meio de dívida! 2
  3. 3. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Algumas vantagens... 1. Reduz alguns problemas de agência (a gestão terá que melhorar o desempenho, reduzir custos etc.); 2. Não é necessário diluir a participação do “criador” da empresa; e 3. Existem alguns benefícios tributários da dívida que nos fazem pagar menos tributos. 3
  4. 4. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Algumas desvantagens... 1. Os empréstimos precisam ser pagos (“angústia financeira”, pois não se sabe o que está por vir) 2. Aumentam a probabilidade de falência. 4 Esses pontos foram vistos nas aulas sobre estrutura de capital
  5. 5. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com A venda da Hertz Corp. • Em 2005 a Ford decidiu vender a sua subsidiária (Hertz). Uma empresa de private equity (CDR) chegou a um acordo com a Ford para comprar as ações em circulação por $ 5,6 bilhões. Além disso, a Hertz tinha $ 9,1 bilhões em dívidas que deveriam ser refinanciadas como parte do acordo. • A CDR planejou financiar a transação em parte, levantando $ 11 bilhões em novas dívidas. • Como maior parte da transação foi financiada com dívida (alavancagem), ela é chamada de aquisição alavancada – ou leveraged buyout (LBO). 5
  6. 6. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com A venda da Hertz Corp. • Para completar a compra, o grupo CDR contou com pelo menos 4 formas de dívida: 1. High-yeld bonds (devido ao risco eles pagam juros muito mais altos que os títulos mais comuns – são espécies de “junk” bonds), domésticos e estrangeiros; 2. Empréstimos bancários; e 3. Asset-backed securities (baseados, por exemplo em recebíveis da empresa, como se fosse uma hipoteca). 6 Discutiremos sobre esses tipos de dívida e os seus “problemas” e benefícios
  7. 7. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com O que é um LBO • Assista ao vídeo: • http://www.investopedia.com/video/play/leveraged- buyouts/ 7
  8. 8. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Características atrativas ao LBO 1. Fluxo de caixa estável e previsível; 2. Endividamento baixo da empresa-alvo; 3. Forte posicionamento no mercado atuante; 4. Pouca necessidade de capital de giro; 5. Pouca necessidade de investimentos futuros; 6. Boa base de ativos para serem usados como colaterais; 7. Alta liquidez nos ativos; 8. Gestores bem capacitados; 9. Alto potencial para redução de custos (LUZ, 2009). 8
  9. 9. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com CSN x Tata (alvo: Corus) • Corus: possuía fluxos de caixa previsíveis e recorrentes, bem como baixo endividamento. • CSN: levantou financiamentos com o Goldman Sachs, BNP e Barclays. A garantia seriam os fluxos de caixa e ativos da empresa-alvo. • A Tata pagou 608 pence por ação, enquanto que a CSN ofereceu 603. A Tata venceu! • Efeito no preço das ações da CSN: alta. • Efeito no preço das ações da Tata: baixa. 9 Por quê?
  10. 10. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Sadia e Perdigão • Houve inicialmente uma tentativa de LBO hostil (a Sadia não esperava a “oferta”). • O objetivo da sadia era pagar R$ 27,88 por ação (prêmio de 35% em relação aos 30 pregões anteriores). • A Sadia conseguiu um empréstimo de R$ 2,7 bi no ABN Amro (o valor da transação seria de R$ 3,7 bi). • Sadia: buscava obter ganhos de sinergia (que não visão dos analistas da época compensariam o risco da alavancagem). • Impacto no preço das ações: +9,4% na Sadia e 16,75% na Perdigão (por causa do prêmio). • Resultado: a aquisição não deu certo, mas depois as empresas se fundiram e criaram a BRFoods. 10
  11. 11. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Mais exemplos • Magnesita e San Antonio. • Retirados de Darahem (2010). • Trabalho: procurar mais dois casos de LBO. Pelo menos um tem que ser brasileiro. Entregar sexta- feira por email. 11
  12. 12. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida corporativa • Dívida privada: – Negociada com um banco; ou – Negociada com um grupo de investidores. • Dívida pública: – Negociada no mercado de capitais. • BM&FBovespa terá home broker para dívida corporativa: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/bm-fbovespa-tera- home-broker-para-divida-corporativa-2 • Implicações de um HB de renda fixa: http://www.infomoney.com.br/onde-investir/renda- fixa/noticia/2787520/home-broker-renda-fixa-estara-ativo-ate- quatro-meses-diz • Conheça o PUMA: http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/a- bmfbovespa/sala-de-imprensa/Releases/2014/BMFBOVESPA- anuncia-migracao-do-mercado-de-renda-fixa-privada-2014-06- 03.aspx?tipoNoticia=32&idioma=pt-br 12
  13. 13. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida privada • Parece ser a opção número 1 dos brasileiros. • Evita o custo de abrir o capital, registrar na bolsa etc etc. • A desvantagem é que não tem liquidez – é difícil vender a dívida, o que pode aumentar o custo. 13
  14. 14. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida privada 14
  15. 15. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública (aberta) Vantagens na emissão das debêntures: 1. Captação de recursos (alternativa aos bancos, podendo atrair investidores e gerar confiança); 2. Reestruturação de passivos (pode-se consolidar diversas dívidas anteriores com a emissão das debêntures, possibilitando melhor gerenciamento e menor custo médio); 3. Securitização de recebíveis (pesquisem para me entregar na próxima aula); 4. Flexibilidade (prazos, conversibilidade, remuneração etc); 5. Agilidade na captação; 6. Entrada no mercado acionário. 15
  16. 16. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública Emissão no Brasil • Legislações: Lei 6.404/1976 (LSA’s), Lei 6.385/1976 (Lei do Mercado de Capitais, e suas alterações – Lei 10.303/2001 e ICVM 202/1993) e as ICVMs 400/2003 e 404/2004. • Trabalho: do que trata a ICVM 400 e 404? 16
  17. 17. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 17
  18. 18. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 18
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  22. 22. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 22 Faz os relatórios de acompanhamento e representa os interesses dos debenturistas
  23. 23. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 23
  24. 24. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 24 Verificação dos fatos em um potencial investimento.
  25. 25. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 25
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  34. 34. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública • Tipos de dívida corporativa: • Em caso de falência: – Unsecured (“sem” garantia): dá direito aos credores (donos das obrigações) de reivindicarem apenas os ativos que não foram dados em garantia para outra dívida; e – Secured (com garantia específica): tem ativos como colaterais, então eles são garantidos por ativos específicos. 34
  35. 35. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública Prioridade (seniority): • Importância: 1. As debêntures não têm garantias específicas; 2. As empresas podem emitir debêntures mais de uma vez. • Baseado nisso: muitas emissões contêm cláusulas impedindo a emissão de novas debêntures com prioridade igual ou superior às anteriores (debênture subordinada). • Em caso de falência como fica o pagamento da dívida “senior” e da debênture subordinada? 35
  36. 36. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 36 O que justifica o rendimento do lote (tranche) 3 ser maior que os demais? Par value: valor de face. Nos “bonds” geralmente é $ 1.000,00
  37. 37. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública • Na tabela anterior, o segundo lote de dívidas estava cotado em Euro. São os international bonds: 1. Captações domésticas: são títulos emitidos por empresas locais no mercado local, porém comprados por estrangeiros (em moeda local). (Notícia) 2. Captações estrangeiras: títulos emitidos por uma estrangeira em um mercado local, para investidores locais, em moeda local (ex. Samurai Bonds) (Notícia); 37
  38. 38. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública • Eurobond (ou external bond): título emitido em uma moeda diferente da moeda local do país da empresa que emitiu, em um país também diferente. • É importante para gerenciar algumas restrições na emissão (pois deveremos analisar as regras de cada país); • Exemplo: posso emitir um EuroDollar bond com a minha empresa brasileira lá na África do Sul. • Global bonds: combina as três situações anteriores, negociando em diversos mercados simultaneamente. • Diferente dos Eurobonds, esses podem ser vendidos na mesma moeda do país da empresa emissora. 38
  39. 39. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Dívida pública 39 Já que os dois primeiros lotes têm o mesmo prazo (maturity) e prioridade (senior), porque o yield de uma é maior que a outra? O risco da taxa de câmbio (veremos um pouco disso em finanças internacionais)
  40. 40. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Questões conceituais 1. Quais são os 4 tipos de dívida pública geralmente emitidos (2 secured e 2 unsecured)? 2. Explique, brevemente, o que são títulos secureds e unsecureds. 3. Quais são as 4 categorias de títulos de dívida internacionais (international bonds)? 40
  41. 41. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Covenants • Cláusulas restritivas visando proteger o credor de ações que levem ao não pagamento. • Por que as covenants são necessárias? 41 Lembram da teoria da agência?! Lembram dos títulos condicionados?! Para quem os gestores da empresa trabalham? A assunção de mais risco beneficia os acionistas (equity holders) e os credores (bond holders) igualmente?
  42. 42. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Tipos de covenants • Restrição de pagamento de dividendos: – Imaginemos (caso extremo) uma empresa que emite títulos de dívida, liquida seus ativos e, em seguida, paga tudo de dividendos. Como ficariam os bond holders? • Se a empresa “quebrar” essas covenants: – A empresa entra em default técnico; – Poderá ter que pagar imediatamente ou renegociar os prazos, por exemplo. 42 Ver covenants no prospecto da Raízen.
  43. 43. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Tipos de covenants 43
  44. 44. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Vantagens das covenants • “Os acionistas buscarão sempre ter a menor quantidade de covenants possíveis” (BDH,2012). Isso não é uma verdade completa: 1. As covenants reduzem a probabilidade de calote sobre essa dívida; 2. Reduzindo a probabilidade de calote, reduz-se o risco do credor  menor custo de captação do capital. 44 A redução do custo de captação do capital de terceiros pode compensar o custo da redução de flexibilidade na gestão da empresa, pela utilização de covenants.
  45. 45. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Questões conceituais - covenants 1. O que acontece se uma empresa não honrar com suas convenants? 2. Qual é a relação entre a teoria da agência (problemas de agência, custos de monitoramento e mecanismos de controle) e as covenants? 3. Por que as covenants podem reduzir o custo de captação de recursos por meio de dívida? 45
  46. 46. Felipe Pontes www.contabilidademq.blogspot.com Referências • BERK, Jonathan; DEMARZO, Peter; HARFORD, Jarrad. Fundamentals of corporate finance. 2nd ed. Pearson Education, 2012. • Bovespa: http://www.bmfbovespa.com.br/pt- br/renda-fixa/o-que-sao- debentures.aspx?idioma=pt-br • Debêntures: http://www.debentures.com.br/processodeemissao/ fluxodeemissao.asp 46

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