Mcp e doenças crônicas

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  • • Melhoria de saúde• Evitarriscos• Reduzirriscos• Reduzircomplicações• Evitarintervencionismoexcessivo
  • São realizadas anualmente 3 TC para cada americano, por ano
  • Mcp e doenças crônicas

    1. 1. Condições Crônicas eMedicina Centrada napessoaRicardo Alexandre de SouzaUniversidade Federal de São João Del-Rei
    2. 2. Conteúdo da aulaDistribuição e expectativas de aprendizado
    3. 3. Conteúdo da aula Sobre as doenças crônicas Sobre o modelo atual da APS Caso Clínico Sobre a Medicina Centrada na Pessoa (MCP)
    4. 4. ExpectativasCompreender a distribuição das doençasCompreender a interface entre o modeloatual de atenção e a MCPCompreender a MCP
    5. 5. Doenças crônicasConceitos e distribuição
    6. 6. ConceitosDoenças crônicas = condições crônicas?
    7. 7. ConceitosAs condições de saúde podem ser definidas como as circunstâncias nasaúde das pessoas que se apresentam de forma mais ou menospersistentes e que exigem respostas sociais reativas ou proativas,episódicas ou contínuas e fragmentadas ou integradas, dos sistemas deatenção à saúde, dos profissionais de saúde e das pessoas usuárias.Mendes, 2012
    8. 8. ConceitosAs condições agudas, em geral, apresentam um curso curto, inferior a trêsmeses de duração, e tendem a se autolimitar; ao contrário, as condiçõescrônicas têm um período de duração mais ou menos longo, superior a trêsmeses, e nos casos de algumas doenças crônicas, tendem a se apresentarde forma definitiva e permanente.
    9. 9. ConceitosAs condições crônicas, se iniciam e evoluem lentamente. Usualmente, apresentammúltiplas causas que variam no tempo, incluindo hereditariedade, estilos de vida,exposição a fatores ambientais e a fatores fisiológicos.Normalmente, faltam padrões regulares ou previsíveis para as condições crônicas. Aocontrário das condições agudas nas quais, em geral, pode-se esperar uma recuperaçãoadequada, as condições crônicas levam a mais sintomas e à perda de capacidadefuncional. Cada sintoma pode levar a outros, num ciclo vicioso dos sintomas: condiçãocrônica leva a tensão muscular que leva a dor que leva a estresse e ansiedade que levaa problemas emocionais que leva a depressão que leva a fadiga que realimenta acondição crônica.
    10. 10. ConceitosAs condições crônicas vão, portanto, muito além das doenças crônicas
    11. 11. Proporção de pessoas que referiram ser portadoras de pelo menos umdos doze tipos de doenças crônicas selecionadas, por grupos de idade noBrasil, 20080 a 4 anos 6 a 13 anos 14 a 19anos20 a 39anos40 a 49anos50 a 64anos65 anos oumais9.1% 9.7% 11.0%22.7%45.1%65.0%79.1%
    12. 12. Distribuição de tipos de doenças crônicas em BHLima-Costa, 201320.8%7.3%5.8% 5.4% 5.2% 4.8%1.9%Hipertensão Lombalgia Depressão Diabetes Artrite oureumatismoAsma oubronquiteDoença renalcrônica
    13. 13. Grupos de doenças Taxa por milhabitantes%Infecciosas,parasitárias edesnutrição34 14,7Causas externas 19 10,2Condições maternas eperinatais21 8,8Doenças crônicas 124 66,3Total 232 100
    14. 14. Os caminhos do pacienteAPSASSATSAdaptado de Mendes, 2013 APUD Edwards, Hensher e Werneke
    15. 15. O Problema atualHá uma inconsistência estrutural entre o tempo curto da consultamédica e o incremento das tarefas da atenção à saúde. Porexemplo, hoje em dia, a atenção ao diabetes é muito maiscomplexa e consumidora de tempo que há uma década.
    16. 16. O Problema atualA forma como se dá a APS hoje
    17. 17. O Problema atualEstudos demonstraram que, nos Estados Unidos, a duração médiade uma consulta médica de adultos é de 16,2 minutos e aOrganização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial daSaúde de crianças é de 14,2 minutos. Na Inglaterra, o tempo médioda consulta médica é de 8 minutos .Estudos avaliativos mostraram que há dificuldades das pessoasusuárias em captar as informações em consultas de menos de 18minutos; que as consultas necessitam de um tempo mínimo de 20minutos para envolver as pessoas usuárias efetivamente nasdecisões clínicas; e que a duração das consultas é um preditorforte da participação das pessoas usuárias nas decisões clínicasreferentes à sua saúde.
    18. 18. O Problema atualAlém disso, outros estudos refletem o que tem sido denominadode regra dos 50% da relação médico-pessoa usuária nas consultasmédicas. Num estudo, 50% das pessoas usuárias deixaram aconsulta sem compreender o que o médico lhes disse; num outroestudo, em torno de 50% das pessoas usuárias solicitadas pelosmédicos a manifestar o que entenderam de suasorientações, mostraram uma compreensão equivocada; e umterceiro estudo mostrou que 50% das pessoasusuárias atendidasnas consultas médicas não foram capazes de entender asprescrições de medicamentos realizadas.
    19. 19. O Problema atual Há evidências de que esse modelo de atenção centrado naatenção uniprofissional, prestada pelo médico, em tempocurto, é fonte de muitos problemas, por várias razões. Estimou-se que um médico de APS gastaria 7,4 horas por dia de trabalhopara prover todos os serviços preventivos recomendados parauma população adscrita de 2.500 pessoas.
    20. 20. O Problema atual Há o que os criadores do Modelo de cuidado de doençascrônicas denominaram de "tirania do urgente" em que aatenção aos eventos agudos sobrepõe-se ao cuidado dascondições crônicas programadas em agendas sobrecarregadas. Os médicos de família devem cuidar, em cada consulta, de 3,05problemas em média; mas isso varia de 3,88 problemas naspessoas idosas a 4,6 problemas nos portadores de diabetes.
    21. 21. O Problema atual Como resultado disso tudo, menos de 50% dos cuidadosbaseados em evidência são realmente prestados; 42% dosmédicos de APS manifestam que não têm tempo suficiente paraatender bem às pessoas; os médicos devotam apenas 1,3minutos em orientações a pessoas portadoras de diabetes,utilizando uma linguagem técnica imprópria para atividadeseducativas, quando ecessitariam de 9 minutos para essasatividades; três em cada quatro médicos falham em orientar aspessoas em relação à prescrição de medicamentos, o queimplica uma não adesão; e a atenção médica em consulta curtadetermina baixa satisfação das pessoas e relaçõesempobrecidas entre os médicos e as pessoas usuárias.
    22. 22. Caso ClínicoMais um dia na UBSF
    23. 23.  10 minutos
    24. 24. Medicina Centrada na PessoaVendo através dos olhos do outro
    25. 25. Método clínico tradicional Acolhimento História Exame físico Diagnóstico Conduta OrientaçõesTudo em menos de 15 minutos
    26. 26. Medicina Centrada na Pessoa1920 ROBINSON, G. Canby. The patient as a person: astudy of the social aspects of illness. 3 ed. NewYork. Oxford University Press, 19461951 Rogers: Advisory centerd in Client1957 Balint introduz o conceito de medicina centrada napessoa1976 Byrne e Long estudaram as diferenças entre aentrevista centrada no médico e centrada nopaciente1994 Stewart desenvolveram o métoco clínico centradono paciente
    27. 27. ConceitoÉ um método clínico que almeja qualificar aatenção a pessoa que vem em busca de ajuda
    28. 28. Pessoa x Paciente Uso do termo paciente retira a vontade da pessoa Transforma a pessoa em indivíduo Determina um comportamento passivo frente a umasituação Se contrapõe a definição de pessoa, repercutindo naforma como é prestado o cuidado e na participaçãode quem esta doente
    29. 29.  Em cerca de 70% das vezes o médico interrompe o paciente a cada 18segundos em média (Beckman e Frankel, 1984) Dois terços dos diagnósticos são feitos apenas pela história clínica(Cohen-Cole, 1991) Mudanças da relação médico paciente Aumento do conhecimento técnico-científico dos pacientes
    30. 30. Pontos principais1. Explorar a doença e o adoecimento2. Compreender a pessoa como um todo3. Negociar um terreno comum4. Incorporar a prevenção e promoção5. Incrementar a relação médico-paciente6. Ser realista
    31. 31. Explorar a doença e o adoecimentoDoença Adoecimento
    32. 32. Explorar a doença e o adoecimentoE o e o, pelo dico, da doença eda experiência de adoecer do paciente, tendo aexperiência de adoecer quatro es:• sentimento de estar doente;• a ia a respeito do que esta errado;• o impacto do problema na vida ria;• e as expectativas sobre o que deveria ser feito;
    33. 33. Compreender a pessoa como um todo
    34. 34. Compreender a pessoa como um todoCaiaffa et al, 2008, adaptado de Galea e Vlahov, 2005)
    35. 35. Negociar um terreno comumA busca de objetivos comuns, entre o dico e opaciente, a respeito do problema ou dos problemase sua o;Avaliando quais os problemas e prioridades;Estabelecendo os objetivos do tratamento e domanejo;Avaliando e estabelecendo os is da pessoa edo profissional de de.Exemplo: Metas para o controle da diabetes
    36. 36. Incorporar a prevenção e promoçãoUm plano para toda a vidaSuperar ou sucumbirA consulta não se trata somente de resolver oproblema específico que traz a pessoa, masantecipar o hábito saudável e a qualidade devida, sem ultrapassar o limite dado pela pessoa.O exemplo do tabagismo
    37. 37. Incrementar a relação médico-pacienteAbrir o diálogoDescer do pedestal e se aproximar da pessoae não do doenteTrazer o paciente para participarComunicação clara e eficiente
    38. 38. Incrementar a relação médico-pacienteExercendo a o;A o de poder;A cura (efeito terapêutico da o);O autoconhecimento;A transferência e contra-transferência.
    39. 39. Ser realistaTempo e TimingO momento exato para realizar todas as coisasSaiba administrar seu tempoTrabalhando em equipe;Respeite sua equipeSaiba quem são os membros da sua equipe e seussaberesUso adequado dos recursos;Seja co-responsável pela gestão financeira e derecursos de sua unidade. Sua comunidade podeprecisar de algo que essa pessoas não precisa tanto.O exemplo das tomografias americanas
    40. 40. ResumindoPode-se dizer que o dois os componentes principaisda medicina centrada no paciente:um deles se refere ao cuidado da pessoa, com aidentificação de suas ias e es a respeito doadoecer e a resposta a elas;identificação de objetivoscomuns entre dicos e pacientes sobre a doença e suaabordagem, com o compartilhamento de decisões eresponsabilidades. Levar em consideração o desejo dopaciente de obter informações e de compartilharresponsabilidades e responder apropriadamente a essedesejo m fazem parte da tica dica centradano paciente6.Ribeiro et a, 2008
    41. 41. A abordagemQuanto tempo toma uma abordagem centradana pessoa?18 minutos
    42. 42. A abordagemComo fazer?Pergunta aberta, calma e neutra:“Em que posso lhe ajudar hoje?”Deixar o paciente expor suas idéias até queelas sejam esgotadas. Geralmente não passamde dois minutos. Em dois minutos obterá 90%das informações (Lopes, 2008)Perguntas do tipo: “Bom dia tudo bem, podem terum tiro pela culatra... Geralmente obtém comoresposta: “Se eu tivesse bem não estaria aquihoje!"
    43. 43. SIFE m de estar atento a essas pistas, e-se que os profissionais avaliemquatro es da experiência da doença (lembradas pelo stico SIFE): Os sentimentos das pessoas a respeito de seus problemas. Por exemplo, ela temeque os sintomas manifestados possam indicar uma doença mais ria, como umcâncer? As suas ideias errado. Embora s vezes a ideia que uma pessoa fazde um sintoma seja bastante objetivo – “sera que essa lica uma pedra norim?”, s vezes outros encaram problemas de de como es comouma oportunidade, de forma muitas vezes inconsciente, de se tornar dependente eser cuidado. Os efeitos da doença no funcionamento da pessoa: Havera es nas atividadesrias? Sera rio ficar afastado do trabalho? Prejudica a qualidade de vida? Quais o as expectativas da pessoa. O que espera do dico? A dor de gargantadeve ser tratada com ticos?Fuzikawa, 2013
    44. 44. MCPTodo paciente precisa de MCP?
    45. 45. FluxogramaA pessoa se reconhece com algum problema de Saúde (adoecimento)?Simdoençarioobservar o quetraz o incômodopara a pessoa equal a oda mesma coma doença emo.Sim NãoPessoa apresentou alguma doença Pessoa apresentou alguma doençaNãoincômodo, mas odoença.Precisamosconsiderar a causado problema eapoiar a pessoa nao domesmo (recursosnalia, comunidade e outros setores)SimNesse caso, oincômododoença. Podemosusar de giasde o emde para ono estado deconsciência dapessoa e incentivodo seu cuidado emde, respeitandoseu momento.NãoNesse caso, oincômodo, nemdoença.Essa pessoa, sede acordo, podeseracompanhada eda emgias deo eo dede.
    46. 46. ExpectativasCompreender a distribuição das doençasCompreender a interface entre o modeloatual de atenção e a MCPCompreender a MCP
    47. 47. questãoo 1A anamnese orientada pelo todo nico centrado no paradigma dicoconstitui um processo sequencial padronizado. As primeiras etapas correspondemo do paciente e sua queixa principal. Seguem-se ria da doençaatual, ria gica pregressa, ria gica, ria familiar e riasocial. A consulta do dico de lia e Comunidade deve apresentarsticas ficas relacionadas longitudinalidade continuidade docuidado. O todo nico Centrado na um instrumento que oauxilia neste sentido.Com base na o acima:a) Liste três dos componentes do MCP e cite os seus respectivos aspectos-chave.b) Considerando o MCP, conceitue illness e disease.UERJ, 2013
    48. 48. QuestãoO dico de lia e Comunidade lida com problemas crônicos e agudoss de tecnologias leves de cuidado ao paciente. Uma destasferramentas o todo nico centrado na pessoa (MCCP), modelo deo que e uma ruptura no papel historicamente passivo dospacientes no processo do seu cuidado. Assinale a afirmativa que apresentaCORRETAMENTE um dos passos do MCCP:a) Conduzir a consulta evitando es para torna-la mais tempo-efetiva.b) Incorporar a o e o fora do ambiente de consulta,coletivamente.c) Ser realista, elegendo atividades rias para cada consulta.d) Oferecer rastreamento (check-up) para o ximo de problemas dede veis.UFV, 2012

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