ASPECTOS EMOCIONAIS DO PACIENTE IDOSO HOSPITALIZADO E O PAPEL DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

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Costuma-se dizer que o idoso terá sua velhice como conseqüência do que foi sua vida até então. A personalidade é uma construção. Ninguém é o que é por acaso. É fruto da maneira como viveu cada uma das etapas da vida, dos objetos e desejos que cultivou durante a vida. A confiança e a segurança são fatores decisivos no equilíbrio psíquico do idoso. A saúde mental do idoso pode ser entendida como equilíbrio psíquico resultante da interação da pessoa com a realidade, ou seja, o meio. Estar hospitalizado para o idoso é um processo árduo no qual o mesmo pode sentir-se deprimido, necessitando de um suporte psicológico condizente durante seu processo de hospitalização.

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ASPECTOS EMOCIONAIS DO PACIENTE IDOSO HOSPITALIZADO E O PAPEL DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

  1. 1. ASPECTOS EMOCIONAIS DO PACIENTE IDOSO HOSPITALIZADO E O PAPEL DO PSICÓLOGO HOSPITALAR ¹ BEATRIZ GUEDES DE CASTRO ² RESUMO: Costuma-se dizer que o idoso terá sua velhice como conseqüência do que foi sua vida até então. A personalidade é uma construção. Ninguém é o que é por acaso. É fruto da maneira como viveu cada uma das etapas da vida, dos objetos e desejos que cultivou durante a vida. A confiança e a segurança são fatores decisivos no equilíbrio psíquico do idoso. A saúde mental do idoso pode ser entendida como equilíbrio psíquico resultante da interação da pessoa com a realidade, ou seja, o meio. Estar hospitalizado para o idoso é um processo árduo no qual o mesmo pode sentir-se deprimido, necessitando de um suporte psicológico condizente durante seu processo de hospitalização. Palavras-Chave: Depressão - Idoso – Hospitalização – Psicólogo – Psicologia – Velhice. 1 ASPECTOS EMOCIONAIS DO PACIENTE IDOSO HOSPITALIZADO A hospitalização, em qualquer indivíduo, pode repercutir no seu estado emocional, já que o afastamento de seu meio, de seu cotidiano, do seu trabalho e de sua família já produz por si só conseqüências importantes. Considerando aqui o paciente idoso, onde aquilo que lhe é conhecido e rotineiro representa um valor importante, podemos pensar que o afastamento de sua casa, de sua família e de sua rotina de vida pode vir a influir negativamente do ponto de vista emocional, mais do que em um paciente jovem, que, geralmente, pode se adequar de uma maneira mais fácil a um novo ambiente. Além disso, a hospitalização no idoso possui um caráter distinto, pois, em alguns casos, esta internação pode virar sinônimo de institucionalização, na própria unidade hospitalar. Isto acontece quando nos deparamos com uma internação prolongada, onde a permanência do paciente se dá por um tempo maior que o necessário para o seu tratamento, podendo refletir de forma relevante em seu estado emocional. _______________________ ¹ Artigo apresentado à disciplina de estágio obrigatório em Psicologia, solicitado pela Professora Claudia Souza de Albuquerque ² Beatriz Guedes de Castro, Acadêmica do 10º semestre do curso de Psicologia da Universidade do sul de Santa Catarina - UNISUL.
  2. 2. A Psicologia intervém no sentido de resgatar suas possibilidades e trabalhar sua readaptação àquela nova e dolorosa realidade. A partir disso, a paciente pode lidar com todas as limitações que se impuseram, reinvestindo em si mesma e no tratamento. Romano (1999:26) assinala a importância de uma percepção mais sensível por parte dos profissionais de saúde ao processo de ajustamento e da morbidade psicológica do paciente. De acordo com esta autora Os aspectos emocionais podem alterar as reações e habilidades, modificando a aderência ao tratamento e possibilitando a tomada de decisões que influenciarão suas chances de sobreviver. As alterações do humor aparecem com bastante freqüência nos pacientes idosos. Muitas vezes, um humor rebaixado ou triste no idoso é rapidamente diagnosticado pelos médicos como “depressão”. É importante que possa ser diferenciado qual o significado que esse termo possui para o senso comum, para a Medicina e para a Psicologia, o que será dado maior enfoque neste trabalho. No senso comum, a depressão aparece como a grande doença do século, onde todos estão deprimidos. Quando um indivíduo está triste ou com um humor rebaixado intitula-se ‘deprimido’. A concepção médica é fechada em sinais e sintomas que somados nas descrições do CID-10, DSM-IV e nos Compêndios Médicos poderão apontar para um diagnóstico de depressão que será tratado, na maioria das vezes, com medicamentos antidepressivos. A Medicina e a Psicologia Clínica apresentam diferentes olhares sobre o termo ‘depressão’. Porém, é importante realçar que a depressão se apresenta como uma doença que deve ser devidamente diagnosticada e até medicada, em alguns casos onde o risco iminente de vida é maior. Logo, o papel do olhar médico sob a depressão é fundamental, não sendo deixado de lado em hipótese alguma. Acreditamos então, que o intercâmbio entre a Medicina e a Psicologia seria uma opção mais viável onde, a partir de olhares distintos, poder-se-ia compreender o sujeito como um todo e não apenas um corpo doente ou um psiquismo que sofre. Neste sentido, a atuação da equipe vem facilitando esta possível articulação entre os saberes, aonde a importância da atuação do psicólogo vem se fazendo cada vez mais necessária e valorizada pela equipe como um todo.
  3. 3. O processo orgânico do adoecer leva a uma ruptura da realidade cotidiana da pessoa. Quando a hospitalização faz-se necessária, um nova realidade será descortinada. Entre os idosos, os enfraquecimentos tendem a ser mais sérios e podem privá-los de atividades, vida social e independência podendo levar a uma depressão. 1.1 O PAPEL DO PSICÓLOGO NO HOSPITAL O aparecimento de um tumor maligno, a necessidade de uma intervenção cirúrgica e a amputação de um membro são eventos que comumente suscitam um acompanhamento psicológico. Uma questão bastante presente entre os membros da equipe diz respeito ao diagnóstico da doença. Quando surge um câncer, por exemplo, a equipe em geral, encontra dificuldades em comunicar este diagnóstico ao paciente. Na nossa prática, algumas vezes, fomos convidadas a discutir e avaliar como seria dado o diagnóstico ao paciente. O psicólogo deve estar disponível para ir com o médico dar a notícia sobre a doença sempre que isso se fizer necessário. O papel da Psicologia neste momento é extremamente importante, visto que, depois de recebido o diagnóstico, o paciente pode ter um espaço para ser acolhido. A simples presença do psicólogo neste momento possibilita uma escuta diferenciada e um suporte para que o paciente possa assimilar a sua dor. As reações variam de acordo com cada paciente. Não podemos esquecer que cada pessoa é única responsável por sua subjetividade. Logo, é preciso que haja respeito e sensibilidade para o psicólogo perceber como deve ser manejada a situação. Em alguns casos, o paciente pode preferir ficar sozinho, em outros, somente chorar, ou ainda, falar de sua dor. Acreditamos que a atuação da Psicologia vem, de alguma forma, possibilitando a desmistificação dos estigmas da depressão uma das sintomatologias encontradas no percorrer deste estágio e do que se espera, ou não, de um paciente submetido à internação e exposto às suas conseqüências e riscos. Conclui-se, que deve pontuar a importância da articulação entre os saberes, onde a Psicologia e a Medicina, com os seus devidos conhecimentos possam não apenas trabalhar em um mesmo espaço, mas que possam, acima de tudo, realizar um trabalho em conjunto em favor do paciente hospitalizado.
  4. 4. De acordo com Leitão (1993), a Psicologia hospitalar ganhou destaque por volta dos anos 80, onde não se falava em Psicologia dentro dos hospitais, assim, não realizava-se trabalhos clínicos e psicológicos com caráter terapêutico, no qual vinha-se a falar em casas de repousos e clínicas Psiquiátricas, onde se localizava psicólogos aplicando técnicas para fins diagnósticos e prognósticos junto à psicopatologia e à psiquiatria. Angeram-Camon (1994), enfatizam que. A Psicologia Hospitalar também é uma prática de renovar a esperança, fazendo com que cada profissional da saúde saiba entender a dor e o sofrimento de uma forma mais humana, tanto do ser adoentado, bem como a família que sofre junto ao indivíduo hospitalizado. O psicólogo torna-se, então, um agente humanizador, que compreende e utiliza suas técnicas e habilidades para lidar com o paciente, que muitas vezes encontra-se em estado de culpa, tensão, medo, angústia, anseios, decorrentes da internação. A internação provoca um rompimento na história do indivíduo, havendo uma mudança brusca em seu comportamento, pois o contexto hospitalar é desconhecido, e o acaba estimulando fantasias e temores. A velhice é um período normal do nosso ciclo humano, caracterizado por mudanças físicas, mentais e Psicológicas. É importante fazer tais considerações pois algumas alterações nesses aspectos podem não caracterizarem uma doença. O aparecimento de uma doença faz com que muitos pacientes enfrentem a perda de um corpo saudável e ativo. Para muito deles, o mau funcionamento orgânico leva a perda da autonomia e da capacidade de agir com independência. “A pessoa doente passa a ser obrigada a manter-se ligada ao hospital ou ambulatório devido ao tratamento rigoroso, e muitas vezes, a lidar com restrições alimentares, sociais, econômicas, de lazer e profissionais” (Santos & Sebastiani, 1996).
  5. 5. 1.2 O PACIENTE IDOSO E SUA DOENÇA: ASPECTOS PSÍQUICOS DO ADOECER E DA HOSPITALIZAÇÃO O adoecimento: Impacto psicossocial O aparecimento de uma doença faz com que muitos pacientes enfrentem a perda de um corpo saudável e ativo. Para muito deles, o mau funcionamento orgânico leva a perda da autonomia e da capacidade de agir com independência. A pessoa doente passa a ser obrigada a manter-se ligada ao hospital ou ambulatório devido ao tratamento rigoroso, e muitas vezes, a lidar com restrições alimentares, sociais, econômicas, de lazer e profissionais (Santos & Sebastiani, 1996). Deste modo, como afirma Jeammet (1982), A doença comporta, indiscutivelmente, um golpe na integridade do indivíduo e um obstáculo ao exercício normal de sua vida. Em princípio e conscientemente ela só pode ser sentida como uma falta, uma deficiência, uma diminuição. A doença sinaliza a mortalidade do indivíduo, a finitude do corpo e a falta de controle total sobre seu corpo e sua vida, caracterizando-se por uma situação de fraqueza e dependência. A doença sinaliza a mortalidade do indivíduo, a finitude do corpo e a falta de controle total sobre seu corpo e sua vida, caracterizando-se por uma situação de fraqueza e dependência. Por ser um acontecimento inesperado, o processo de adoecimento quebra a linha de continuidade da vida do indivíduo, das funções desempenhadas por ele na sociedade e da previsibilidade aparente que cada pessoa guarda sobre seu futuro. O surgimento de uma doença pode fazer com o enfermo sinta que deixou de ser dono de si, tornando escravo de seu próprio corpo e do tempo, sendo gerador de grande sofrimento psíquico para o mesmo (Jeammet, 1982; Botega, 2002). As perdas experienciadas pelo indivíduo doente podem atingir diversas esferas, incluindo: prejuízo corporal, como a perda de partes do corpo, das funções físicas, do vigor e a resistência para a realização de atividades diárias; perda da autonomia; independência e da liberdade em função do tratamento e das interferências do mesmo, perdas sociais, afetivas, entre outras. O paciente passa a depender do hospital, da família, da "sorte", fatos que podem gerar insegurança permanente, acarretando desgaste e estresse emocional.
  6. 6. Pode-se dizer que a doença imobiliza e congela a existência do indivíduo, afetando profundamente as relações do mesmo com o mundo ao seu redor e as interpretações que faz dos acontecimentos. A doença coloca o tempo em suspensão, sendo difícil conectá-lo aos acontecimentos passados e futuros. As preocupações do indivíduo passam a se relacionar ao processo de adoecimento e ao seu estado corporal. Pode haver perda de interesse no mundo externo e a fatos que não dizem respeito ao sofrimento trazido pela enfermidade (Botega, 2002). Quando o indivíduo adoece, ele sente seu futuro ameaçado, gerando insegurança e ansiedade. A doença quebra a dinâmica e as relações existentes entre o indivíduo consigo mesmo e com o mundo. Deste modo, a enfermidade se coloca como uma situação estressante para o paciente, na medida em que pode implicar em diferentes ameaças e representar uma demanda que exceda seus recursos internos e externos para enfrentá-la. Estas ameaças podem estar relacionadas com a própria vida do indivíduo e seus temores da morte, com sua integridade física e psicológica, com seu funcionamento e conforto corporal, com a realização das suas atividades cotidianas, bem como a fantasias sobre o que esta acontecendo. A doença está encravada em torno do doente hospitalizado e por isso, para compreender sua ressonância psicossocial é necessário entender o significado emocional do adoecimento para o indivíduo em particular dentro de seu universo pessoal. Desta forma, a maneira como cada pessoa reage a uma doença depende de múltiplos fatores como: características de personalidade, história de vida, crenças pessoais, estado emocional, organização de capacidades defensivas, interpretação que faz do que lhe esta acontecendo, forma como vivencia a doença e a situação de internação, capacidade de tolerar frustrações, vantagens e desvantagem advindas da posição de doente, projetos de vida, apoio que possa receber e aceitar as relações que estabelece consigo mesmo, com seus familiares/cuidador e com a equipe. Portanto, a doença traz consigo significados e sentimentos que interferem, alteram e determinam seu processo. O indivíduo, quando doente passa a ser tratado não como um sujeito, mas sim como o portador de uma determinada patologia. A situação de hospitalização é algo único enquanto vivência, não havendo a possibilidade de previsão anterior à sua própria ocorrência.
  7. 7. O simples fato de a pessoa estar hospitalizada faz com que esta adquira signos que irão enquadrá-la em uma nova performance existencial As diferentes maneiras de agir e reagir frente às circunstâncias estressantes são chamadas de enfrentamento. Esse enfrentamento pode ser dirigido à emoção, quando a situação é avaliada como fora de controle do indivíduo, e pode ser dirigido à manipulação do problema, que aparece quando uma situação é avaliada como passível de mudança.
  8. 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANGERAMI- CAMON. Elementos institucionais básicos para a implantação do serviço de psicologia no hospital. In_____(ORG). A psicologia no hospital. 2.ed.São Paulo: Pioneira,2003.cap.1,p1-22 CAMON, A. Psicologia da Saúde: um novo significado para a prática clínica. São Paulo: Pioneira, 2000. MONTEIRO, D. Depressão e Envelhecimento: saídas criativas. Rio de Janeiro: Revinter, 2002. BOTEGA, N. J. (org) Prática psiquiátrica no hospital geral: Interconsulta e emergência. Porto Alegre: Artmed, 2002. BRENNER, C. Noções básicas de psicanálise: Introdução à psicologia Psicanalítica. Rio de Janeiro: Imago, 1987. CAMON, V.A.A. (org.) O psicólogo no hospital. Em: A Psicologia hospitalar. São Paulo: Traço, 1988. CASARINI, K. Estratégias de enfrentamento utilizadas por portadores de insuficiência renal crônica. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Psicologia. Trabalho de Monografia, 1997. FELÈCIO, J. L. As famílias de pacientes com doenças crônicas e graves: funcionamentos mais característicos. O Mundo da Saúde, ano 27, v.27, n.3: 426-431, 2003.
  9. 9. JEAMMET, P., REYNAUD, M., CONSOLI, S. Psicologia Médica. Rio de Janeiro: Masson, 1982. KUBLE-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo: Martins Fontes, 1987. MACIEL, S.C. A importância do atendimento psicológico ao paciente renal crônico em hemodiálise. Em: Novos rumos da psicologia da saúde. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2000. NINA, M. D. A equipe de trabalho interdisciplinar no âmbito hospitalar. Em: OLIVEIRA, M. F. P. & ISMAEL, S.M.C. (orgs) Rumos da Psicologia hospitalar em cardiologia. Campinas, SP: Papirus, p 39-47, 1995. ROMANO, B. W. Princípios para a prática da psicologia clínica em hospitais. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999. SANTOS, C.T. & SEBASTIANI, R.W. Acompanhamento psicológico à pessoa portadora de doença crônica. Em: E a psicologia entrou no hospital. São Paulo: Pioneira, 1996.

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