SlideShare uma empresa Scribd logo
E. E. Profa. Irene Dias Ribeiro Jennifer Mateus  Wandsley aline 1ª  A  - 2010
O velho do Restelo IV Canto Os LusíadasCamões
Restelo é o nome da praia de onde, no dia 8 de julho de 1497, partiram as caravelas de Vasco da Gama em busca do perigoso e desconhecido caminho marítimo para a Índia. O Discurso Histórico
Na época da expansão mercantilista, entre os séculos XV e XVI, havia duas correntes de opinião em Portugal: uma voltada para os valores medievais, mais preocupada com a agricultura e com os princípios da velha nobreza fundiária ; outra voltada para a renovação do perfil econômico do país, mais preocupada com o comércio e com os princípios flutuantes da burguesia em ascensão. Sentido do Episódio
O episódio do velho do restelo  é um fragmento da sequência conhecida como a partida das Naus, em que se narra o embarque oficial dos navegantes, antecedido de procissão  solene e despedidas espontâneas. A partida das Naus inicia – se na estrofe 84 e termina na estrofe 93 do canto quarto. Na despedida dos navegantes havia mães, esposas, filhas, crianças, meninos e velhos, entre eles o velho do restelo  O Discurso Literário
Quando as Naus já se encontram no Atlântico, surge um grito vindo da praia: é o velho do restelo, homem austero do povo, que não consegue se calar diante da imprudência da viagem. Aventura não encontrava justificativa  senão no desejo de mando e na ambição de glória  Perfil do Velho
A fala do velho do restelo possui pontos de contato com a ode clássica. Entre os gregos antigos, ode é uma espécie de hino ou canção em louvor das divindades, dos heróis e dos atletas. Forma Literária
Em termos extremamente simplificados este é o conteúdo do velho do restelo:   ‘’ A vaidade do rei confundia - se com a vaidade  comum de todos os mortais, sempre enganados pela ilusão de progresso e de inteligência. Teria sido melhor o homem jamais ter inventado a caravela do que expor todo um povo a tão arriscada viagem  O protesto do velho do restelo
94 "Mas um velho d'aspeito venerando, Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente, A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, C'um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito:
95 "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas!
96 "Dura inquietação d'alma e da vida, Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios: Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana!
97 "A que novos desastres determinas De levar estes reinos e esta gente? Que perigos, que mortes lhe destinas Debaixo dalgum nome preminente? Que promessas de reinos, e de minas D'ouro, que lhe farás tão facilmente? Que famas lhe prometerás? que histórias? Que triunfos, que palmas, que vitórias?
98 "Mas ó tu, geração daquele insano, Cujo pecado e desobediência, Não somente do reino soberano Te pôs neste desterro e triste ausência, Mas inda doutro estado mais que humano Da quieta e da simples inocência, Idade d'ouro, tanto te privou, Que na de ferro e d'armas te deitou:
99 "Já que nesta gostosa vaidade Tanto enlevas a leve fantasia, Já que à bruta crueza e feridade Puseste nome esforço e valentia, Já que prezas em tanta quantidades O desprezo da vida, que devia De ser sempre estimada, pois que já Temeu tanto perdê-la quem a dá:
100 "Não tens junto contigo o Ismaelita, Com quem sempre terás guerras sobejas? Não segue ele do Arábio a lei maldita, Se tu pela de Cristo só pelejas? Não tem cidades mil, terra infinita, Se terras e riqueza mais desejas? Não é ele por armas esforçado, Se queres por vitórias ser louvado?
101 "Deixas criar às portas o inimigo, Por ires buscar outro de tão longe, Por quem se despovoe o Reino antigo, Se enfraqueça e se vá deitando a longe? Buscas o incerto e incógnito perigo Por que a fama te exalte e te lisonge, Chamando-te senhor, com larga cópia, Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?
102 "Ó maldito o primeiro que no mundo Nas ondas velas pôs em seco lenho, Dino da eterna pena do profundo, Se é justa a justa lei, que sigo e tenho! Nunca juízo algum alto e profundo, Nem cítara sonora, ou vivo engenho, Te dê por isso fama nem memória, Mas contigo se acabe o nome e glória.
103  "Trouxe o filho de Jápeto do Céu O fogo que ajuntou ao peito humano, Fogo que o mundo em armas acendeu Em mortes, em desonras (grande engano). Quanto melhor nos fora, Prometeu, E quanto para o mundo menos dano, Que a tua estátua ilustre não tivera Fogo de altos desejos, que a movera!
104  "Não cometera o moço miserando O carro alto do pai, nem o ar vazio O grande Arquiteto co'o filho, dando Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio. Nenhum cometimento alto e nefando, Por fogo, ferro, água, calma e frio, Deixa intentado a humana geração. Mísera sorte, estranha condição!"
A queda do homem associa-se ao mito de Prometeu, aludido como filho de Jápeto na estrofe 103 do episódio. Sua fábula é essencial  ao entendimento do ideário do velho do restelo: Prometeu era um dos Titãs que se revoltaram contra o domínio de júpiter.Tendo feito uma estátua de barro, Prometeu roubou o fogo dos deuses para animar sua criação.Como castigo pela ousadia, júpiter ordenou que vulcano, o ferreiro dos deuses, o amarrasse no cáucario, onde os abutres lhe comiam o fígado, que renascia e era de novo comido, prometeu é o símbolo da civilização, da indústria , da sabedoria e do desejo humano Relação entre os Lusíadas e “os Deuses”
O ensaísta Antônio José saraiva, um dos mais interessantes estudiosos de Camões, não aceita essa interpretação. Segundo ele, as idéias do velho do restelo  não se harmonizam com o todo da epopéia camoniana. Representariam uma flagrante contradição entre o louvor da expansão para o Oriente . Pela perspectiva do ensaísta português, longe de representar aspecto negativo no poema, essa incongruência dinamiza a poesia do texto, atribuindo-lhe mais vivacidade estética.Quem fala através do velho do restelo é o próprio Camões,que inventou a personagem para incorporar ao poema alguns juízos morais da cultura humanística,que crítica os acontecimentos por uma perspectiva metafísica.julgando a história de fora dos acontecimentos. Crítica

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Adamastor
AdamastorAdamastor
Adamastor
antoniosampaio11
 
Ficha de trabalho - episódio da Tempestade
Ficha de trabalho - episódio da TempestadeFicha de trabalho - episódio da Tempestade
Ficha de trabalho - episódio da Tempestade
Susana Sobrenome
 
Lusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas FigurasdeestiloLusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas Figurasdeestilo
André Cerqueira
 
Os lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º anoOs lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º ano
Gabriel Lima
 
Proposição
ProposiçãoProposição
Proposição
Paula Oliveira Cruz
 
OS Lusíadas
OS LusíadasOS Lusíadas
OS Lusíadas
Samuel Rosa
 
Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1
Célia Gonçalves
 
Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas
Gigante Adamastor, d'Os LusíadasGigante Adamastor, d'Os Lusíadas
Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas
Dina Baptista
 
Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Maria João Lima
 
2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b
2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b
2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b
Ilda Oliveira
 
Lusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do AdamastorLusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do Adamastor
cristianavieitas
 
Ilha dos Amores- Os Lusíadas: simbologia
Ilha dos Amores- Os Lusíadas: simbologiaIlha dos Amores- Os Lusíadas: simbologia
Ilha dos Amores- Os Lusíadas: simbologia
sin3stesia
 
E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)
E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)
E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)
Carla Crespo
 
Cantos i e ii lusíadas
Cantos i e ii   lusíadasCantos i e ii   lusíadas
Cantos i e ii lusíadas
Carla Souto
 
Proposição
ProposiçãoProposição
Proposição
Maria Teresa Soveral
 
Tempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à ÍndiaTempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à Índia
sin3stesia
 
Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões
Lurdes Augusto
 
Guião
GuiãoGuião
Guião
Ivo Mendes
 
«A Mensagem» de Fernando Pessoa
«A Mensagem» de Fernando Pessoa«A Mensagem» de Fernando Pessoa
«A Mensagem» de Fernando Pessoa
AlexandreRodrigues232310
 
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Erros  meus, má fortuna, amor ardenteErros  meus, má fortuna, amor ardente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Helena Coutinho
 

Mais procurados (20)

Adamastor
AdamastorAdamastor
Adamastor
 
Ficha de trabalho - episódio da Tempestade
Ficha de trabalho - episódio da TempestadeFicha de trabalho - episódio da Tempestade
Ficha de trabalho - episódio da Tempestade
 
Lusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas FigurasdeestiloLusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas Figurasdeestilo
 
Os lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º anoOs lusíadas tempestade - Português 9º ano
Os lusíadas tempestade - Português 9º ano
 
Proposição
ProposiçãoProposição
Proposição
 
OS Lusíadas
OS LusíadasOS Lusíadas
OS Lusíadas
 
Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1
 
Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas
Gigante Adamastor, d'Os LusíadasGigante Adamastor, d'Os Lusíadas
Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas
 
Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
 
2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b
2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b
2ª ficha de avaliação de lp novembro 2012 9º b
 
Lusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do AdamastorLusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do Adamastor
 
Ilha dos Amores- Os Lusíadas: simbologia
Ilha dos Amores- Os Lusíadas: simbologiaIlha dos Amores- Os Lusíadas: simbologia
Ilha dos Amores- Os Lusíadas: simbologia
 
E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)
E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)
E-book A ilha dos amores (Cantos IX e X de Os Lusíadas)
 
Cantos i e ii lusíadas
Cantos i e ii   lusíadasCantos i e ii   lusíadas
Cantos i e ii lusíadas
 
Proposição
ProposiçãoProposição
Proposição
 
Tempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à ÍndiaTempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à Índia
 
Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões
 
Guião
GuiãoGuião
Guião
 
«A Mensagem» de Fernando Pessoa
«A Mensagem» de Fernando Pessoa«A Mensagem» de Fernando Pessoa
«A Mensagem» de Fernando Pessoa
 
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Erros  meus, má fortuna, amor ardenteErros  meus, má fortuna, amor ardente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
 

Destaque

Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas
Lurdes Augusto
 
A Morte de Inês de Castro - Os Lusíadas
A Morte de Inês de Castro - Os LusíadasA Morte de Inês de Castro - Os Lusíadas
A Morte de Inês de Castro - Os Lusíadas
sin3stesia
 
Despedidas em belém
Despedidas em belémDespedidas em belém
Despedidas em belém
Vanda Marques
 
Análise do episódio "Inês de Castro"
Análise do episódio "Inês de Castro"Análise do episódio "Inês de Castro"
Análise do episódio "Inês de Castro"
Inês Moreira
 
Os LusiAdas (Canto Iv) 9 D
Os LusiAdas (Canto Iv)  9 DOs LusiAdas (Canto Iv)  9 D
Os LusiAdas (Canto Iv) 9 D
Diogo Jesus
 
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
nanasimao
 
Os Lusíadas: sistematização dos Cantos
Os Lusíadas: sistematização dos CantosOs Lusíadas: sistematização dos Cantos
Os Lusíadas: sistematização dos Cantos
sin3stesia
 
Trabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º B
Trabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º BTrabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º B
Trabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º B
esabelbotelho
 
Ilha dos Amores
Ilha dos AmoresIlha dos Amores
Ilha dos Amores
Vanda Marques
 
Tudo sobre "Os lusíadas"
Tudo sobre "Os lusíadas"Tudo sobre "Os lusíadas"
Tudo sobre "Os lusíadas"
Inês Santos
 
O velho do restelo
O velho do resteloO velho do restelo
O velho do restelo
Claudia Lazarini
 
Os Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os LusíadasOs Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os Lusíadas
Rosalina Simão Nunes
 
Análise do episódio "Consílio dos deuses"
Análise do episódio "Consílio dos deuses"Análise do episódio "Consílio dos deuses"
Análise do episódio "Consílio dos deuses"
Inês Moreira
 
Os Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do PoetaOs Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do Poeta
Dina Baptista
 

Destaque (14)

Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas
 
A Morte de Inês de Castro - Os Lusíadas
A Morte de Inês de Castro - Os LusíadasA Morte de Inês de Castro - Os Lusíadas
A Morte de Inês de Castro - Os Lusíadas
 
Despedidas em belém
Despedidas em belémDespedidas em belém
Despedidas em belém
 
Análise do episódio "Inês de Castro"
Análise do episódio "Inês de Castro"Análise do episódio "Inês de Castro"
Análise do episódio "Inês de Castro"
 
Os LusiAdas (Canto Iv) 9 D
Os LusiAdas (Canto Iv)  9 DOs LusiAdas (Canto Iv)  9 D
Os LusiAdas (Canto Iv) 9 D
 
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
Os lusíadas - Canto I Estâncias 105 e 106
 
Os Lusíadas: sistematização dos Cantos
Os Lusíadas: sistematização dos CantosOs Lusíadas: sistematização dos Cantos
Os Lusíadas: sistematização dos Cantos
 
Trabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º B
Trabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º BTrabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º B
Trabalho sobre Os Lusíadas. João e Vanessa 9º B
 
Ilha dos Amores
Ilha dos AmoresIlha dos Amores
Ilha dos Amores
 
Tudo sobre "Os lusíadas"
Tudo sobre "Os lusíadas"Tudo sobre "Os lusíadas"
Tudo sobre "Os lusíadas"
 
O velho do restelo
O velho do resteloO velho do restelo
O velho do restelo
 
Os Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os LusíadasOs Planos d'Os Lusíadas
Os Planos d'Os Lusíadas
 
Análise do episódio "Consílio dos deuses"
Análise do episódio "Consílio dos deuses"Análise do episódio "Consílio dos deuses"
Análise do episódio "Consílio dos deuses"
 
Os Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do PoetaOs Lusíadas - Reflexões do Poeta
Os Lusíadas - Reflexões do Poeta
 

Semelhante a Os Lusíadas O Velho do Restelo - IV Canto

oslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdf
oslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdfoslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdf
oslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdf
ClaudiaMariaReis
 
10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B
Lurdes Augusto
 
O velho do restelo - Lusíadas
O velho do restelo - LusíadasO velho do restelo - Lusíadas
O velho do restelo - Lusíadas
João Baptista
 
Os Lusíadas
Os Lusíadas Os Lusíadas
Os Lusíadas
Margarida Rodrigues
 
10ºano camões parte C
10ºano camões parte C10ºano camões parte C
10ºano camões parte C
Lurdes Augusto
 
Tétis e a ilha dos amores
Tétis e a ilha dos amoresTétis e a ilha dos amores
Tétis e a ilha dos amores
Bruno Neves
 
Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580
Amanda Assenza Fratucci
 
104
104104
Os Lusíadas
Os LusíadasOs Lusíadas
Os Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlos
Os Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlosOs Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlos
Os Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlos
manuelainacio
 
Lusiadas hugo e carlos
Lusiadas hugo e carlosLusiadas hugo e carlos
Lusiadas hugo e carlos
manuelainacio
 
Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Os Lusíadas - Luis Vaz de CamõesOs Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Antonio Minharro
 
Os Lusíadas canto I
Os Lusíadas   canto IOs Lusíadas   canto I
Intertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagemIntertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagem
Sónia Silva
 
Gramaticaelusiadas
GramaticaelusiadasGramaticaelusiadas
Gramaticaelusiadas
claudiapinto7a
 
luis de camões - os lusíadas
 luis de camões - os lusíadas luis de camões - os lusíadas
luis de camões - os lusíadas
José Ermida
 
25
2525
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os LusíadasEpisódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
AnaGomes40
 
Apresentação para décimo segundo ano, aula 61
Apresentação para décimo segundo ano, aula 61Apresentação para décimo segundo ano, aula 61
Apresentação para décimo segundo ano, aula 61
luisprista
 
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas -  Canto V - O Gigante AdamastorOs Lusíadas -  Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 

Semelhante a Os Lusíadas O Velho do Restelo - IV Canto (20)

oslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdf
oslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdfoslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdf
oslusadas-ovelhodorestelo-ivcanto-110526182923-phpapp02.pdf
 
10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B
 
O velho do restelo - Lusíadas
O velho do restelo - LusíadasO velho do restelo - Lusíadas
O velho do restelo - Lusíadas
 
Os Lusíadas
Os Lusíadas Os Lusíadas
Os Lusíadas
 
10ºano camões parte C
10ºano camões parte C10ºano camões parte C
10ºano camões parte C
 
Tétis e a ilha dos amores
Tétis e a ilha dos amoresTétis e a ilha dos amores
Tétis e a ilha dos amores
 
Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580
 
104
104104
104
 
Os Lusíadas
Os LusíadasOs Lusíadas
Os Lusíadas
 
Os Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlos
Os Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlosOs Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlos
Os Lusíadas - comentários do poeta trabalho de hugo e carlos
 
Lusiadas hugo e carlos
Lusiadas hugo e carlosLusiadas hugo e carlos
Lusiadas hugo e carlos
 
Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Os Lusíadas - Luis Vaz de CamõesOs Lusíadas - Luis Vaz de Camões
Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões
 
Os Lusíadas canto I
Os Lusíadas   canto IOs Lusíadas   canto I
Os Lusíadas canto I
 
Intertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagemIntertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagem
 
Gramaticaelusiadas
GramaticaelusiadasGramaticaelusiadas
Gramaticaelusiadas
 
luis de camões - os lusíadas
 luis de camões - os lusíadas luis de camões - os lusíadas
luis de camões - os lusíadas
 
25
2525
25
 
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os LusíadasEpisódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
 
Apresentação para décimo segundo ano, aula 61
Apresentação para décimo segundo ano, aula 61Apresentação para décimo segundo ano, aula 61
Apresentação para décimo segundo ano, aula 61
 
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas -  Canto V - O Gigante AdamastorOs Lusíadas -  Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
 

Mais de Maria Inês de Souza Vitorino Justino

Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Clara dos anjos 3ª a - 2015
Clara dos anjos   3ª a - 2015Clara dos anjos   3ª a - 2015
Clara dos anjos 3ª a - 2015
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Clara dos anjos 3ª a - 2015
Clara dos anjos   3ª a - 2015Clara dos anjos   3ª a - 2015
Clara dos anjos 3ª a - 2015
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A - 2015
Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A -  2015Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A -  2015
Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A - 2015
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Clara dos Anjos 3º A - 2015
Clara dos Anjos   3º A - 2015Clara dos Anjos   3º A - 2015
Clara dos Anjos 3º A - 2015
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Slides revolução industrial
Slides revolução industrialSlides revolução industrial
Slides revolução industrial
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Sociologia sobre a cidade e as serras
Sociologia   sobre a cidade e as serrasSociologia   sobre a cidade e as serras
Sociologia sobre a cidade e as serras
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Breve histórico
Breve históricoBreve histórico
Apontamentos sobre livros da fuvest
Apontamentos sobre livros da fuvestApontamentos sobre livros da fuvest
Apontamentos sobre livros da fuvest
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
A Cidade e as Serras 3ª B - 2013
A Cidade e as Serras   3ª B - 2013A Cidade e as Serras   3ª B - 2013
A Cidade e as Serras 3ª B - 2013
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
O cortiço 3ª b - 2013
O cortiço   3ª b - 2013O cortiço   3ª b - 2013
O cortiço 3ª b - 2013
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013
Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013
Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Viagens na minha Terra - 3ª A - 2013
Viagens na minha Terra - 3ª A -  2013Viagens na minha Terra - 3ª A -  2013
Viagens na minha Terra - 3ª A - 2013
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Til 3ª C - 2013
Til 3ª C -  2013Til 3ª C -  2013
Capitães da Areia 3ª C - 2013
Capitães da Areia   3ª C - 2013Capitães da Areia   3ª C - 2013
Capitães da Areia 3ª C - 2013
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Vidas secas graciliano ramos (1)
Vidas secas   graciliano ramos (1)Vidas secas   graciliano ramos (1)
Vidas secas graciliano ramos (1)
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Til 3ª C 2013
Til 3ª C 2013Til 3ª C 2013
Til 3ª A - 2013
Til   3ª A - 2013Til   3ª A - 2013
Til 3ª B - 2013
Til  3ª B -  2013Til  3ª B -  2013

Mais de Maria Inês de Souza Vitorino Justino (20)

Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
 
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015Triste fim de policarpo quaresma 3ª a   2015
Triste fim de policarpo quaresma 3ª a 2015
 
Clara dos anjos 3ª a - 2015
Clara dos anjos   3ª a - 2015Clara dos anjos   3ª a - 2015
Clara dos anjos 3ª a - 2015
 
Clara dos anjos 3ª a - 2015
Clara dos anjos   3ª a - 2015Clara dos anjos   3ª a - 2015
Clara dos anjos 3ª a - 2015
 
Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A - 2015
Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A -  2015Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A -  2015
Triste fim de Policarpo Quaresma 3º A - 2015
 
Clara dos Anjos 3º A - 2015
Clara dos Anjos   3º A - 2015Clara dos Anjos   3º A - 2015
Clara dos Anjos 3º A - 2015
 
Slides revolução industrial
Slides revolução industrialSlides revolução industrial
Slides revolução industrial
 
Sociologia sobre a cidade e as serras
Sociologia   sobre a cidade e as serrasSociologia   sobre a cidade e as serras
Sociologia sobre a cidade e as serras
 
Breve histórico
Breve históricoBreve histórico
Breve histórico
 
Apontamentos sobre livros da fuvest
Apontamentos sobre livros da fuvestApontamentos sobre livros da fuvest
Apontamentos sobre livros da fuvest
 
A Cidade e as Serras 3ª B - 2013
A Cidade e as Serras   3ª B - 2013A Cidade e as Serras   3ª B - 2013
A Cidade e as Serras 3ª B - 2013
 
O cortiço 3ª b - 2013
O cortiço   3ª b - 2013O cortiço   3ª b - 2013
O cortiço 3ª b - 2013
 
Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013
Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013
Memórias de um Sargento de Milícias - 3ª A - 2013
 
Viagens na minha Terra - 3ª A - 2013
Viagens na minha Terra - 3ª A -  2013Viagens na minha Terra - 3ª A -  2013
Viagens na minha Terra - 3ª A - 2013
 
Til 3ª C - 2013
Til 3ª C -  2013Til 3ª C -  2013
Til 3ª C - 2013
 
Capitães da Areia 3ª C - 2013
Capitães da Areia   3ª C - 2013Capitães da Areia   3ª C - 2013
Capitães da Areia 3ª C - 2013
 
Vidas secas graciliano ramos (1)
Vidas secas   graciliano ramos (1)Vidas secas   graciliano ramos (1)
Vidas secas graciliano ramos (1)
 
Til 3ª C 2013
Til 3ª C 2013Til 3ª C 2013
Til 3ª C 2013
 
Til 3ª A - 2013
Til   3ª A - 2013Til   3ª A - 2013
Til 3ª A - 2013
 
Til 3ª B - 2013
Til  3ª B -  2013Til  3ª B -  2013
Til 3ª B - 2013
 

Os Lusíadas O Velho do Restelo - IV Canto

  • 1. E. E. Profa. Irene Dias Ribeiro Jennifer Mateus Wandsley aline 1ª A - 2010
  • 2. O velho do Restelo IV Canto Os LusíadasCamões
  • 3. Restelo é o nome da praia de onde, no dia 8 de julho de 1497, partiram as caravelas de Vasco da Gama em busca do perigoso e desconhecido caminho marítimo para a Índia. O Discurso Histórico
  • 4. Na época da expansão mercantilista, entre os séculos XV e XVI, havia duas correntes de opinião em Portugal: uma voltada para os valores medievais, mais preocupada com a agricultura e com os princípios da velha nobreza fundiária ; outra voltada para a renovação do perfil econômico do país, mais preocupada com o comércio e com os princípios flutuantes da burguesia em ascensão. Sentido do Episódio
  • 5. O episódio do velho do restelo é um fragmento da sequência conhecida como a partida das Naus, em que se narra o embarque oficial dos navegantes, antecedido de procissão solene e despedidas espontâneas. A partida das Naus inicia – se na estrofe 84 e termina na estrofe 93 do canto quarto. Na despedida dos navegantes havia mães, esposas, filhas, crianças, meninos e velhos, entre eles o velho do restelo O Discurso Literário
  • 6. Quando as Naus já se encontram no Atlântico, surge um grito vindo da praia: é o velho do restelo, homem austero do povo, que não consegue se calar diante da imprudência da viagem. Aventura não encontrava justificativa senão no desejo de mando e na ambição de glória Perfil do Velho
  • 7. A fala do velho do restelo possui pontos de contato com a ode clássica. Entre os gregos antigos, ode é uma espécie de hino ou canção em louvor das divindades, dos heróis e dos atletas. Forma Literária
  • 8. Em termos extremamente simplificados este é o conteúdo do velho do restelo: ‘’ A vaidade do rei confundia - se com a vaidade comum de todos os mortais, sempre enganados pela ilusão de progresso e de inteligência. Teria sido melhor o homem jamais ter inventado a caravela do que expor todo um povo a tão arriscada viagem O protesto do velho do restelo
  • 9. 94 "Mas um velho d'aspeito venerando, Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente, A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, C'um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito:
  • 10. 95 "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas!
  • 11. 96 "Dura inquietação d'alma e da vida, Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios: Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana!
  • 12. 97 "A que novos desastres determinas De levar estes reinos e esta gente? Que perigos, que mortes lhe destinas Debaixo dalgum nome preminente? Que promessas de reinos, e de minas D'ouro, que lhe farás tão facilmente? Que famas lhe prometerás? que histórias? Que triunfos, que palmas, que vitórias?
  • 13. 98 "Mas ó tu, geração daquele insano, Cujo pecado e desobediência, Não somente do reino soberano Te pôs neste desterro e triste ausência, Mas inda doutro estado mais que humano Da quieta e da simples inocência, Idade d'ouro, tanto te privou, Que na de ferro e d'armas te deitou:
  • 14. 99 "Já que nesta gostosa vaidade Tanto enlevas a leve fantasia, Já que à bruta crueza e feridade Puseste nome esforço e valentia, Já que prezas em tanta quantidades O desprezo da vida, que devia De ser sempre estimada, pois que já Temeu tanto perdê-la quem a dá:
  • 15. 100 "Não tens junto contigo o Ismaelita, Com quem sempre terás guerras sobejas? Não segue ele do Arábio a lei maldita, Se tu pela de Cristo só pelejas? Não tem cidades mil, terra infinita, Se terras e riqueza mais desejas? Não é ele por armas esforçado, Se queres por vitórias ser louvado?
  • 16. 101 "Deixas criar às portas o inimigo, Por ires buscar outro de tão longe, Por quem se despovoe o Reino antigo, Se enfraqueça e se vá deitando a longe? Buscas o incerto e incógnito perigo Por que a fama te exalte e te lisonge, Chamando-te senhor, com larga cópia, Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?
  • 17. 102 "Ó maldito o primeiro que no mundo Nas ondas velas pôs em seco lenho, Dino da eterna pena do profundo, Se é justa a justa lei, que sigo e tenho! Nunca juízo algum alto e profundo, Nem cítara sonora, ou vivo engenho, Te dê por isso fama nem memória, Mas contigo se acabe o nome e glória.
  • 18. 103 "Trouxe o filho de Jápeto do Céu O fogo que ajuntou ao peito humano, Fogo que o mundo em armas acendeu Em mortes, em desonras (grande engano). Quanto melhor nos fora, Prometeu, E quanto para o mundo menos dano, Que a tua estátua ilustre não tivera Fogo de altos desejos, que a movera!
  • 19. 104 "Não cometera o moço miserando O carro alto do pai, nem o ar vazio O grande Arquiteto co'o filho, dando Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio. Nenhum cometimento alto e nefando, Por fogo, ferro, água, calma e frio, Deixa intentado a humana geração. Mísera sorte, estranha condição!"
  • 20. A queda do homem associa-se ao mito de Prometeu, aludido como filho de Jápeto na estrofe 103 do episódio. Sua fábula é essencial ao entendimento do ideário do velho do restelo: Prometeu era um dos Titãs que se revoltaram contra o domínio de júpiter.Tendo feito uma estátua de barro, Prometeu roubou o fogo dos deuses para animar sua criação.Como castigo pela ousadia, júpiter ordenou que vulcano, o ferreiro dos deuses, o amarrasse no cáucario, onde os abutres lhe comiam o fígado, que renascia e era de novo comido, prometeu é o símbolo da civilização, da indústria , da sabedoria e do desejo humano Relação entre os Lusíadas e “os Deuses”
  • 21. O ensaísta Antônio José saraiva, um dos mais interessantes estudiosos de Camões, não aceita essa interpretação. Segundo ele, as idéias do velho do restelo não se harmonizam com o todo da epopéia camoniana. Representariam uma flagrante contradição entre o louvor da expansão para o Oriente . Pela perspectiva do ensaísta português, longe de representar aspecto negativo no poema, essa incongruência dinamiza a poesia do texto, atribuindo-lhe mais vivacidade estética.Quem fala através do velho do restelo é o próprio Camões,que inventou a personagem para incorporar ao poema alguns juízos morais da cultura humanística,que crítica os acontecimentos por uma perspectiva metafísica.julgando a história de fora dos acontecimentos. Crítica