SlideShare uma empresa Scribd logo
|  Língua Portuguesa – 9º ano  | Os Lusíadas, de Camões: O Gigante Adamastor Acção de Formação – Novos Programas  EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010/2011 Não acabava, quando uma figura se nos mostra no ar, robusta e válida, de disforme e grandíssima estatura; o rosto carregado, a barba esquálida, os olhos encovados, e a postura medonha e má e a cor terrena e pálida; cheios de terra e crespos os cabelos, a boca negra, os dentes amarelos. Canto V, estrofe 39, d’Os Lusíadas, de Camões O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; À roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-rei D. João Segundo!» Fernando Pessoa, Mensagem
|  Língua Portuguesa – 9º ano  | Os Lusíadas, de Camões: O Gigante Adamastor Acção de Formação – Novos Programas  EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010/2011 12 de Fevereiro de 1502
DAS TORMENTAS À  BOA ESPERANÇA Foi dobrado pela primeira vez em 1488 pelo navegador português  Bartolomeu Dias .  "... e vieram a dar com o maior cabo que no mundo se descobriu (...) Ora foram tão cruas as tempestades que os nossos padeceram, que a cada passo perdiam esperanças de salvamento: donde veio porem-lhe o nome de Cabo das Tormentas.  Assim que o dobraram e o assinalaram, voltaram para trás. Logo que ao senhor rei D. João foi explicado o feito, ficou tão alvoroçado que dava já por aberta a estrada para a Índia; e, comovido do feliz acontecimento, lhe impôs o nome de Cabo da Boa Esperança. D. Jerónimo Osório, Vida e Feitos de El-rei D. Manuel
DAS TORMENTAS À  BOA ESPERANÇA (...) Aqui ao leme sou mais do que eu:  Sou um Povo que quer o mar que é teu;  E mais que o mostrengo, que me a alma teme   E roda nas trevas do fim do mundo,  Manda a vontade, que me ata ao leme,  De El-Rei D. João Segundo!  (Em MENSAGEM - Fernando Pessoa )  O Homem do Leme , XUTOS & PONTAPÉS
Descrição da Imagem Rostos | Sentimentos Receios | Serenidade Grandeza | Pequenez
Actividade:  1.  De entre a lista de palavras apresentadas, escolha os que melhor se adequam à descrição de cada parte da imagem; 2.  Elabore o retrato físico e psicológico das Imagens A e B. 3. Com as palavras que considerar mais adequadas á imagem C, redija um texto descritivo, no qual dê conta do ambiente vivido pelas naus e dos sentimentos daqueles que nelas navegam.  Imagem A Imagem B Imagem C
Parte 1 (37 – 38)  -  circunstâncias que precedem o aparecimento do gigante; mudança inesperada da bonança para sinais de tempestade; depois de cinco dias claros, surge uma nuvem que amedronta os navegadores e leva Vasco da Gama a interpelar o próprio Deus, todo Poderoso.
Parte 2 (39 – 40)  –  aparecimento do Gigante que é caracterizado física e psicologicamente através de uma adjectivação sugestiva e abundante a conotar a importância da figura e o terror e estupefacção de Vasco da Gama e seus companheiros Figura enorme, disforme, rosto carrancudo, barba esquálida, olhos encovados, aspecto medonho, cor pálida, cabelos crespos e cheios de terra, a boca negra, os dentes amarelos, voz forte e horrenda.
Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas
Parte 3 (41 – 48)  - Discurso ameaçador e profético do gigante. Nele Adamastor anuncia os castigos por si reservados para aquela gente ousada que invadia os seus domínios: a suma vingança – a morte de quem o descobriu (Bartolomeu Dias);  a morte de D. Francisco de Almeida, 1.º Vice-Rei da Índia; o naufrágio e morte da família Sepúlveda Pois vens ver os segredos escondidos Da natureza e do húmido elemento, A nenhum grande humano concedidos De nobre ou de imortal merecimento, Ouve os danos de mi que apercebidos Estão a teu sobejo atrevimento, Por todo o largo mar e pola terra Que inda hás-de sojugar com dura guerra.
Sabe que quantas naus esta viagem Que tu fazes, fizerem, de atrevidas, Inimiga terão esta paragem, Com ventos e tormentas desmedidas; E da primeira armada que passagem Fizer por estas ondas insofridas, Eu farei de improviso tal castigo Que seja mor o dano que o perigo! Aqui espero tomar, se não me engano, De quem me descobriu suma vingança; E não se acabará só nisto o dano De vossa pertinace confiança: Antes, em vossas naus vereis, cada ano, Se é verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda sorte, Que o menor mal de todos seja a morte!
Parte 4 (49 – 59)  Interrupção do discurso do Gigante por Vasco da Gama Incomodado com as profecias, Vasco da Gama interroga o monstro sobre a sua identidade. A questão promove a profunda viragem do seu discurso, fazendo-o recordar a frustração amorosa passada e meditar na sua actual condição de solitário e petrificado.  Mais ia por diante o monstro horrendo, Dizendo nossos Fados, quando, alçado, Lhe disse eu: - «Quem és tu? Que esse estupendo Corpo, certo me tem maravilhado!» A boca e os olhos negros retorcendo E dando um espantoso e grande brado, Me respondeu, com voz pesada e amara, Como quem da pergunta lhe pesara: Esta intervenção de Vasco da Gama demonstra o seu carácter heróico, pois este enfrentou o próprio medo, não fugiu e ousou interromper o Gigante, correndo o risco de o enfurecer ainda mais.
Eu sou aquele oculto e grande Cabo A quem chamais vós outros Tormentório, Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório. Aqui toda a Africana costa acabo Neste meu nunca visto Promontório, Que pera o Pólo Antártico se estende, A quem vossa ousadia tanto ofende. Fui dos filhos aspérrimos da Terra, Qual Encélado, Egeu e o Centimano; Chamei-me Adamastor, e fui na guerra Contra o que vibra os raios de Vulcano; Não que pusesse serra sobre serra, Mas, conquistando as ondas do Oceano, Fui capitão do mar, por onde andava A armada de Neptuno, que eu buscava. Amores da alta esposa de Peleu Me fizeram tomar tamanha empresa; Todas as Deusas desprezei do Céu, Só por amar das águas a Princesa. Um dia a vi, co as filhas de Nereu, Sair nua na praia e logo presa A vontade senti de tal maneira Que inda não sinto cousa que mais queira.
Eu sou aquele oculto e grande Cabo A quem chamais vós outros Tormentório, Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório. Aqui toda a Africana costa acabo Neste meu nunca visto Promontório, Que pera o Pólo Antártico se estende, A quem vossa ousadia tanto ofende. Fui dos filhos aspérrimos da Terra, Qual Encélado, Egeu e o Centimano; Chamei-me Adamastor, e fui na guerra Contra o que vibra os raios de Vulcano; Não que pusesse serra sobre serra, Mas, conquistando as ondas do Oceano, Fui capitão do mar, por onde andava A armada de Neptuno, que eu buscava. Amores da alta esposa de Peleu Me fizeram tomar tamanha empresa; Todas as Deusas desprezei do Céu, Só por amar das águas a Princesa. Um dia a vi, co as filhas de Nereu, Sair nua na praia e logo presa A vontade senti de tal maneira Que inda não sinto cousa que mais queira.
Como fosse impossíbil alcançá-la, Pola grandeza feia de meu gesto, Determinei por armas de tomá-la E a Dóris este caso manifesto. De medo a Deusa então por mi lhe fala; Mas ela, cum fermoso riso honesto, Respondeu: - «Qual será o amor bastante De Ninfa, que sustente o dum Gigante? Contudo, por livrarmos o Oceano De tanta guerra, eu buscarei maneira Com que, com minha honra, escuse o dano.» Tal resposta me torna a mensageira. Eu, que cair não pude neste engano (Que é grande dos amantes a cegueira), Encheram-me, com grandes abondanças, O peito de desejos e esperanças. Já néscio, já da guerra desistindo, üa noite, de Dóris prometida, Me aparece de longe o gesto lindo Da branca Tétis, única, despida. Como doudo corri de longe, abrindo Os braços pera aquela que era vida Deste corpo, e começo os olhos belos A lhe beijar, as faces e os cabelos. Oh! Que não sei de nojo como o conte! Que, crendo ter nos braços quem amava, Abraçado me achei cum duro monte De áspero mato e de espessura brava. Estando cum penedo fronte a fronte, Qu'eu polo rosto angélico apertava, Não fiquei homem, não; mas mudo e quedo E, junto dum penedo, outro penedo!
Ó Ninfa, a mais fermosa do Oceano, Já que minha presença não te agrada, Que te custava ter-me neste engano, Ou fosse monte, nuvem, sonho ou nada? Daqui me parto, irado e quási insano Da mágoa e da desonra ali passada, A buscar outro mundo, onde não visse Quem de meu pranto e de meu mal se risse. Eram já neste tempo meus Irmãos Vencidos e em miséria extrema postos, E, por mais segurar-se os Deuses vãos, Alguns a vários montes sotopostos. E, como contra o Céu não valem mãos, Eu, que chorando andava meus desgostos, Comecei a sentir do Fado imigo, Por meus atrevimentos, o castigo: Converte-se-me a carne em terra dura; Em penedos os ossos se fizeram; Estes membros que vês, e esta figura, Por estas longas águas se estenderam. Enfim, minha grandíssima estatura Neste remoto Cabo converteram Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas, Me anda Tétis cercando destas águas.»
Assi contava; e, cum  medonho choro , Súbito d'ante os olhos  se apartou ; Desfez-se a nuvem negra , e cum sonoro Bramido muito longe o mar soou. Eu, levantando as mãos ao santo coro Dos Anjos, que tão longe nos guiou, A Deus pedi que removesse os duros Casos, que Adamastor contou futuros. Parte 5 (60)  –  Súbito desaparecimento do Adamastor, choroso do seu passado triste, levando consigo a nuvem negra.  Vasco da Gama  pede a Deus que remova "os duros casos que Adamastor contou futuros"
Adamastor – episódio simbólico Geograficamente  simboliza o Cabo das Tormentas, posteriormente chamado da Boa Esperança; Simboliza a oposição da Natureza , as tempestades, os naufrágios, os terrores e as lendas do mar inexorável e misterioso . Trata-se de uma figura mitológica criada por Camões para significar todos os perigos que os Portugueses terão de enfrentar e transpor nas suas viagens.  O significado simbólico deste episódio foi realçado pelo facto de ter sido colocado no Canto V, que é o centro do Poema.  O episódio do Adamastor, no qual se associa  a realidade (os perigos do mar), com o maravilhoso (as profecias), e onde não não falta uma fantasiada história de lirismo amoroso , simboliza a vitória do homem sobre os elementos cósmicos adversos.  Mitologicamente  o Gigante apaixonado pela deusa Tétis, transformado em promontório pelos deuses, que não toleram ousadias; símbolo da frustração amorosa.
Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1
Célia Gonçalves
 
Análise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e AdamastorAnálise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Marisa Ferreira
 
Teste 9º os lusíadas
Teste 9º os lusíadasTeste 9º os lusíadas
Teste 9º os lusíadas
Natália Carvalho
 
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Raquel Antunes
 
Episódio de inês de castro
Episódio de inês de castroEpisódio de inês de castro
Episódio de inês de castro
Quezia Neves
 
Tempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à ÍndiaTempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à Índia
sin3stesia
 
Dedicatória
DedicatóriaDedicatória
Dedicatória
Maria Teresa Soveral
 
Lusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas FigurasdeestiloLusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas Figurasdeestilo
André Cerqueira
 
Predicativo do complemento direto
Predicativo do complemento diretoPredicativo do complemento direto
Predicativo do complemento direto
quintaldasletras
 
Autodabarcadoinferno procurador e corregedor
Autodabarcadoinferno procurador e corregedorAutodabarcadoinferno procurador e corregedor
Autodabarcadoinferno procurador e corregedor
Francisco Teixeira
 
Lusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do AdamastorLusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do Adamastor
cristianavieitas
 
O consílio dos deuses
O consílio dos deusesO consílio dos deuses
O consílio dos deuses
annapaulasilva
 
Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas
Lurdes Augusto
 
Estrutura externa e interna d'os lusíadas
Estrutura externa e interna d'os lusíadasEstrutura externa e interna d'os lusíadas
Estrutura externa e interna d'os lusíadas
claudiarmarques
 
O fidalgo
O fidalgoO fidalgo
O fidalgo
annapasilva
 
A Aia
A AiaA Aia
A Aia
Vanda Mata
 
Invocação e Dedicarória
Invocação e DedicaróriaInvocação e Dedicarória
Invocação e Dedicarória
Paula Oliveira Cruz
 
Os-lusiadas - resumo
 Os-lusiadas - resumo Os-lusiadas - resumo
Os-lusiadas - resumo
NunoNelasOliveira
 
Auto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesa
Auto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesaAuto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesa
Auto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesa
FJDOliveira
 
Gigante adamastor
Gigante adamastorGigante adamastor
Gigante adamastor
armindaalmeida
 

Mais procurados (20)

Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1Analise os lusiadas 1
Analise os lusiadas 1
 
Análise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e AdamastorAnálise comparativa - Mostrengo e Adamastor
Análise comparativa - Mostrengo e Adamastor
 
Teste 9º os lusíadas
Teste 9º os lusíadasTeste 9º os lusíadas
Teste 9º os lusíadas
 
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
Ficha formativa_ Recursos Expressivos (I)
 
Episódio de inês de castro
Episódio de inês de castroEpisódio de inês de castro
Episódio de inês de castro
 
Tempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à ÍndiaTempestade e Chegada à Índia
Tempestade e Chegada à Índia
 
Dedicatória
DedicatóriaDedicatória
Dedicatória
 
Lusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas FigurasdeestiloLusiadas Figurasdeestilo
Lusiadas Figurasdeestilo
 
Predicativo do complemento direto
Predicativo do complemento diretoPredicativo do complemento direto
Predicativo do complemento direto
 
Autodabarcadoinferno procurador e corregedor
Autodabarcadoinferno procurador e corregedorAutodabarcadoinferno procurador e corregedor
Autodabarcadoinferno procurador e corregedor
 
Lusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do AdamastorLusíadas - Episódio do Adamastor
Lusíadas - Episódio do Adamastor
 
O consílio dos deuses
O consílio dos deusesO consílio dos deuses
O consílio dos deuses
 
Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas Análise de Os Lusíadas
Análise de Os Lusíadas
 
Estrutura externa e interna d'os lusíadas
Estrutura externa e interna d'os lusíadasEstrutura externa e interna d'os lusíadas
Estrutura externa e interna d'os lusíadas
 
O fidalgo
O fidalgoO fidalgo
O fidalgo
 
A Aia
A AiaA Aia
A Aia
 
Invocação e Dedicarória
Invocação e DedicaróriaInvocação e Dedicarória
Invocação e Dedicarória
 
Os-lusiadas - resumo
 Os-lusiadas - resumo Os-lusiadas - resumo
Os-lusiadas - resumo
 
Auto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesa
Auto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesaAuto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesa
Auto da-barca-do-inferno-argumentos-de-acusao-e-de-defesa
 
Gigante adamastor
Gigante adamastorGigante adamastor
Gigante adamastor
 

Destaque

Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Maria João Lima
 
Comparação_Adamastor e Mostrengo
Comparação_Adamastor e MostrengoComparação_Adamastor e Mostrengo
Comparação_Adamastor e Mostrengo
Susana Sobrenome
 
D. Dinis
D. DinisD. Dinis
D. Dinis
guest9fa472
 
Poesia trovadoresca e palaciana
Poesia trovadoresca e palacianaPoesia trovadoresca e palaciana
Poesia trovadoresca e palaciana
Paulo Rodrigues
 
D. Dinis
D. DinisD. Dinis
D. Dinis
AnaCCGrilo
 
O Mostrengo ( Fernando Pessoa)
O  Mostrengo ( Fernando  Pessoa)O  Mostrengo ( Fernando  Pessoa)
O Mostrengo ( Fernando Pessoa)
MARIA INÊS AGUIAR MARÇALO
 
Intertextualidade de uma musica com a historia do Adamastor
Intertextualidade de uma musica com a historia do AdamastorIntertextualidade de uma musica com a historia do Adamastor
Intertextualidade de uma musica com a historia do Adamastor
Rafaellinho40
 
Entrevista ao gigante adamastor
Entrevista ao gigante adamastorEntrevista ao gigante adamastor
Entrevista ao gigante adamastor
dsa97
 
Análise do "Adamastor"
Análise do "Adamastor"Análise do "Adamastor"
Análise do "Adamastor"
Maria Costa
 
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas -  Canto V - O Gigante AdamastorOs Lusíadas -  Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Apresentação para décimo segundo ano, aula 15
Apresentação para décimo segundo ano, aula 15Apresentação para décimo segundo ano, aula 15
Apresentação para décimo segundo ano, aula 15
luisprista
 
o-gigante-adamastor
 o-gigante-adamastor o-gigante-adamastor
o-gigante-adamastor
Claudia Lazarini
 
Powerpoint mensagem
Powerpoint mensagemPowerpoint mensagem
Powerpoint mensagem
ancrispereira
 
A Vida Na Corte Do Rei D. Dinis
A Vida Na Corte Do Rei D. DinisA Vida Na Corte Do Rei D. Dinis
A Vida Na Corte Do Rei D. Dinis
Projecto Alunos Inovadores
 
Apresentação d.dinis
Apresentação d.dinisApresentação d.dinis
Apresentação d.dinis
Teresa Maria Moita Figueiredo
 
O Mostrengo mensagem Fernando Pessoa
O Mostrengo mensagem Fernando PessoaO Mostrengo mensagem Fernando Pessoa
O Mostrengo mensagem Fernando Pessoa
Bruno Freitas
 
D dinis
D dinisD dinis
D dinis
20014
 
Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34
Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34
Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34
luisprista
 
Mensagem & Os Lusíadas
Mensagem & Os LusíadasMensagem & Os Lusíadas
Mensagem & Os Lusíadas
Vitor Manuel de Carvalho
 

Destaque (19)

Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]Os lusíadas   adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
Os lusíadas adamastor - resumo (por estrofe) e análise global[1]
 
Comparação_Adamastor e Mostrengo
Comparação_Adamastor e MostrengoComparação_Adamastor e Mostrengo
Comparação_Adamastor e Mostrengo
 
D. Dinis
D. DinisD. Dinis
D. Dinis
 
Poesia trovadoresca e palaciana
Poesia trovadoresca e palacianaPoesia trovadoresca e palaciana
Poesia trovadoresca e palaciana
 
D. Dinis
D. DinisD. Dinis
D. Dinis
 
O Mostrengo ( Fernando Pessoa)
O  Mostrengo ( Fernando  Pessoa)O  Mostrengo ( Fernando  Pessoa)
O Mostrengo ( Fernando Pessoa)
 
Intertextualidade de uma musica com a historia do Adamastor
Intertextualidade de uma musica com a historia do AdamastorIntertextualidade de uma musica com a historia do Adamastor
Intertextualidade de uma musica com a historia do Adamastor
 
Entrevista ao gigante adamastor
Entrevista ao gigante adamastorEntrevista ao gigante adamastor
Entrevista ao gigante adamastor
 
Análise do "Adamastor"
Análise do "Adamastor"Análise do "Adamastor"
Análise do "Adamastor"
 
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas -  Canto V - O Gigante AdamastorOs Lusíadas -  Canto V - O Gigante Adamastor
Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor
 
Apresentação para décimo segundo ano, aula 15
Apresentação para décimo segundo ano, aula 15Apresentação para décimo segundo ano, aula 15
Apresentação para décimo segundo ano, aula 15
 
o-gigante-adamastor
 o-gigante-adamastor o-gigante-adamastor
o-gigante-adamastor
 
Powerpoint mensagem
Powerpoint mensagemPowerpoint mensagem
Powerpoint mensagem
 
A Vida Na Corte Do Rei D. Dinis
A Vida Na Corte Do Rei D. DinisA Vida Na Corte Do Rei D. Dinis
A Vida Na Corte Do Rei D. Dinis
 
Apresentação d.dinis
Apresentação d.dinisApresentação d.dinis
Apresentação d.dinis
 
O Mostrengo mensagem Fernando Pessoa
O Mostrengo mensagem Fernando PessoaO Mostrengo mensagem Fernando Pessoa
O Mostrengo mensagem Fernando Pessoa
 
D dinis
D dinisD dinis
D dinis
 
Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34
Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34
Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 33-34
 
Mensagem & Os Lusíadas
Mensagem & Os LusíadasMensagem & Os Lusíadas
Mensagem & Os Lusíadas
 

Semelhante a Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas

Episódio Adamastor - Os Lusíadas
Episódio Adamastor - Os LusíadasEpisódio Adamastor - Os Lusíadas
Episódio Adamastor - Os Lusíadas
Becre Forte da Casa
 
O Gigante Adamastor
O Gigante AdamastorO Gigante Adamastor
O Gigante Adamastor
Claudia Lazarini
 
Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580
Amanda Assenza Fratucci
 
Alexandre herculano a tempestade
Alexandre herculano   a tempestadeAlexandre herculano   a tempestade
Alexandre herculano a tempestade
Tulipa Zoá
 
E-book de Alexandre Herculano, A tempestade
E-book de Alexandre Herculano, A tempestadeE-book de Alexandre Herculano, A tempestade
E-book de Alexandre Herculano, A tempestade
Carla Crespo
 
Intertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagemIntertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagem
Sónia Silva
 
Mós - Aldeia Medieval
Mós - Aldeia MedievalMós - Aldeia Medieval
Mós - Aldeia Medieval
Américo Lino Vinhais
 
Versão joao de barros
Versão joao de barrosVersão joao de barros
Versão joao de barros
marianelsa
 
Castro alves navio negreiro
Castro alves   navio negreiroCastro alves   navio negreiro
Castro alves navio negreiro
Talita Travassos
 
ADAMASTOR - CANTO V.docx
ADAMASTOR - CANTO V.docxADAMASTOR - CANTO V.docx
ADAMASTOR - CANTO V.docx
RitaMag2
 
10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B
Lurdes Augusto
 
104
104104
Os Lusíadas
Os LusíadasOs Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os LusíadasEpisódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
AnaGomes40
 
Romantismo
RomantismoRomantismo
Romantismo
Isabella Silva
 
Romantismo
RomantismoRomantismo
Romantismo
Isabella Silva
 
O navio negreiro
O navio negreiroO navio negreiro
O navio negreiro
LRede
 
Clá‡udio Manuel da Costa
Clá‡udio Manuel da CostaClá‡udio Manuel da Costa
Clá‡udio Manuel da Costa
Universidade das Quebradas
 
velho do restelo
velho do restelovelho do restelo
velho do restelo
hana kitsune
 
O navio negreiro
O navio negreiroO navio negreiro
O navio negreiro
Patricia Silva
 

Semelhante a Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas (20)

Episódio Adamastor - Os Lusíadas
Episódio Adamastor - Os LusíadasEpisódio Adamastor - Os Lusíadas
Episódio Adamastor - Os Lusíadas
 
O Gigante Adamastor
O Gigante AdamastorO Gigante Adamastor
O Gigante Adamastor
 
Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580Luís vaz de camões (1524 – 1580
Luís vaz de camões (1524 – 1580
 
Alexandre herculano a tempestade
Alexandre herculano   a tempestadeAlexandre herculano   a tempestade
Alexandre herculano a tempestade
 
E-book de Alexandre Herculano, A tempestade
E-book de Alexandre Herculano, A tempestadeE-book de Alexandre Herculano, A tempestade
E-book de Alexandre Herculano, A tempestade
 
Intertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagemIntertextualidade lusiadas mensagem
Intertextualidade lusiadas mensagem
 
Mós - Aldeia Medieval
Mós - Aldeia MedievalMós - Aldeia Medieval
Mós - Aldeia Medieval
 
Versão joao de barros
Versão joao de barrosVersão joao de barros
Versão joao de barros
 
Castro alves navio negreiro
Castro alves   navio negreiroCastro alves   navio negreiro
Castro alves navio negreiro
 
ADAMASTOR - CANTO V.docx
ADAMASTOR - CANTO V.docxADAMASTOR - CANTO V.docx
ADAMASTOR - CANTO V.docx
 
10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B
 
104
104104
104
 
Os Lusíadas
Os LusíadasOs Lusíadas
Os Lusíadas
 
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os LusíadasEpisódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
Episódio "O Gigante Adamastor" d' Os Lusíadas
 
Romantismo
RomantismoRomantismo
Romantismo
 
Romantismo
RomantismoRomantismo
Romantismo
 
O navio negreiro
O navio negreiroO navio negreiro
O navio negreiro
 
Clá‡udio Manuel da Costa
Clá‡udio Manuel da CostaClá‡udio Manuel da Costa
Clá‡udio Manuel da Costa
 
velho do restelo
velho do restelovelho do restelo
velho do restelo
 
O navio negreiro
O navio negreiroO navio negreiro
O navio negreiro
 

Mais de Dina Baptista

Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi
Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi
Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi
Dina Baptista
 
O ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitais
O ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitaisO ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitais
O ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitais
Dina Baptista
 
Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...
Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...
Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...
Dina Baptista
 
REPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊS
REPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊSREPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊS
REPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊS
Dina Baptista
 
A importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficaz
A importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficazA importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficaz
A importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficaz
Dina Baptista
 
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Dina Baptista
 
Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)
Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)
Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)
Dina Baptista
 
Análise do Jantar no Hotel Central
Análise do Jantar no Hotel CentralAnálise do Jantar no Hotel Central
Análise do Jantar no Hotel Central
Dina Baptista
 
Jantar no Hotel Central
Jantar no Hotel CentralJantar no Hotel Central
Jantar no Hotel Central
Dina Baptista
 
Os Maias_ sistematizacao
Os Maias_ sistematizacaoOs Maias_ sistematizacao
Os Maias_ sistematizacao
Dina Baptista
 
Os Maias - Jantar no Hotel Central
Os Maias - Jantar no Hotel CentralOs Maias - Jantar no Hotel Central
Os Maias - Jantar no Hotel Central
Dina Baptista
 
Cesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-SistematizaçãoCesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-Sistematização
Dina Baptista
 
Repreensões gerais e particulares
Repreensões gerais e particularesRepreensões gerais e particulares
Repreensões gerais e particulares
Dina Baptista
 
Sermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e III
Sermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e IIISermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e III
Sermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e III
Dina Baptista
 
Contos do séculoXX | neo-realismo
Contos do séculoXX | neo-realismoContos do séculoXX | neo-realismo
Contos do séculoXX | neo-realismo
Dina Baptista
 
Manuel Alegre
Manuel AlegreManuel Alegre
Manuel Alegre
Dina Baptista
 
Poesia do século XX- 4
Poesia do século XX- 4Poesia do século XX- 4
Poesia do século XX- 4
Dina Baptista
 
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade   Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
Dina Baptista
 
Mário Cesariny de Vasconcelos
Mário Cesariny de VasconcelosMário Cesariny de Vasconcelos
Mário Cesariny de Vasconcelos
Dina Baptista
 
José Ary dos Santos
José Ary dos SantosJosé Ary dos Santos
José Ary dos Santos
Dina Baptista
 

Mais de Dina Baptista (20)

Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi
Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi
Projeto de leitura (12.º ano) - O Conto "Mortos à mesa" de António Tabucchi
 
O ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitais
O ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitaisO ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitais
O ensino da língua portuguesa e o desafio dos géneros textuais digitais
 
Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...
Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...
Uma nova perspetiva do conto: o Storytelling na estratégia da comunicação emp...
 
REPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊS
REPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊSREPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊS
REPENSAR AS TÉCNICAS E METODOLOGIAS DO ENSINO DO PORTUGUÊS
 
A importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficaz
A importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficazA importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficaz
A importância do conteúdo na web: para uma estratégia comunicacional eficaz
 
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)
 
Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)
Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)
Textos de caráter autobiograficos (M1 - 10.ºano/Português)
 
Análise do Jantar no Hotel Central
Análise do Jantar no Hotel CentralAnálise do Jantar no Hotel Central
Análise do Jantar no Hotel Central
 
Jantar no Hotel Central
Jantar no Hotel CentralJantar no Hotel Central
Jantar no Hotel Central
 
Os Maias_ sistematizacao
Os Maias_ sistematizacaoOs Maias_ sistematizacao
Os Maias_ sistematizacao
 
Os Maias - Jantar no Hotel Central
Os Maias - Jantar no Hotel CentralOs Maias - Jantar no Hotel Central
Os Maias - Jantar no Hotel Central
 
Cesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-SistematizaçãoCesário Verde-Sistematização
Cesário Verde-Sistematização
 
Repreensões gerais e particulares
Repreensões gerais e particularesRepreensões gerais e particulares
Repreensões gerais e particulares
 
Sermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e III
Sermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e IIISermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e III
Sermão de Santo António aos Peixes - Cap. II e III
 
Contos do séculoXX | neo-realismo
Contos do séculoXX | neo-realismoContos do séculoXX | neo-realismo
Contos do séculoXX | neo-realismo
 
Manuel Alegre
Manuel AlegreManuel Alegre
Manuel Alegre
 
Poesia do século XX- 4
Poesia do século XX- 4Poesia do século XX- 4
Poesia do século XX- 4
 
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade   Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
 
Mário Cesariny de Vasconcelos
Mário Cesariny de VasconcelosMário Cesariny de Vasconcelos
Mário Cesariny de Vasconcelos
 
José Ary dos Santos
José Ary dos SantosJosé Ary dos Santos
José Ary dos Santos
 

Último

A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdfA Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
Falcão Brasil
 
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsxQue Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Luzia Gabriele
 
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdfMarinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Falcão Brasil
 
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
SheylaAlves6
 
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdfAviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Falcão Brasil
 
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdfAPRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
portaladministradores
 
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdfPortfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Falcão Brasil
 
Desafio matemático - multiplicação e divisão.
Desafio matemático -  multiplicação e divisão.Desafio matemático -  multiplicação e divisão.
Desafio matemático - multiplicação e divisão.
Mary Alvarenga
 
Os Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdf
Os Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdfOs Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdf
Os Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdf
Falcão Brasil
 
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdfPortfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Falcão Brasil
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
Marcelo Botura
 
Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdf
Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdfEscola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdf
Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdf
Falcão Brasil
 
Fotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosas
Fotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosasFotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosas
Fotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosas
MariaJooSilva58
 
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.pptAnálise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Falcão Brasil
 
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
Manuais Formação
 
Caça-palavras - multiplicação
Caça-palavras  -  multiplicaçãoCaça-palavras  -  multiplicação
Caça-palavras - multiplicação
Mary Alvarenga
 
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Falcão Brasil
 

Último (20)

FOTOS_AS CIÊNCIAS EM AÇÃO .
FOTOS_AS CIÊNCIAS EM AÇÃO                .FOTOS_AS CIÊNCIAS EM AÇÃO                .
FOTOS_AS CIÊNCIAS EM AÇÃO .
 
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdfA Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
A Guerra do Presente - Ministério da Defesa.pdf
 
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsxQue Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
Que Pena Amor! Eugénio de Sá - Soneto.ppsx
 
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdfMarinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
Marinha do Brasil (MB) Politíca Naval.pdf
 
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
28 - Agente de Endemias (40 mapas mentais) - Amostra.pdf
 
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdfAviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
Aviação de Asas Rotativas. Aos Rotores, o Sabre!.pdf
 
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdfAPRESENTAÇÃO  CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
APRESENTAÇÃO CURSO FORMAÇÃO EXPERT EM MODERAÇÃO DE FOCUS GROUP.pdf
 
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdfPortfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
 
Desafio matemático - multiplicação e divisão.
Desafio matemático -  multiplicação e divisão.Desafio matemático -  multiplicação e divisão.
Desafio matemático - multiplicação e divisão.
 
RECORDANDO BONS MOMENTOS! _
RECORDANDO BONS MOMENTOS!               _RECORDANDO BONS MOMENTOS!               _
RECORDANDO BONS MOMENTOS! _
 
Os Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdf
Os Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdfOs Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdf
Os Setores Estratégicos da END - O Setor Cibernético.pdf
 
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdfPortfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
 
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?O que é  o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
O que é o programa nacional de alimentação escolar (PNAE)?
 
Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdf
Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdfEscola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdf
Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR).pdf
 
Fotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosas
Fotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosasFotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosas
Fotossíntese e respiração: conceitos e trocas gasosas
 
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.pptAnálise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
Análise dos resultados do desmatamento obtidos pelo SIAD.ppt
 
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
UFCD_7224_Prevenção de acidentes em contexto domiciliário e institucional_índ...
 
Caça-palavras - multiplicação
Caça-palavras  -  multiplicaçãoCaça-palavras  -  multiplicação
Caça-palavras - multiplicação
 
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
Manual de Identidade Visual do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prot...
 

Gigante Adamastor, d'Os Lusíadas

  • 1. | Língua Portuguesa – 9º ano | Os Lusíadas, de Camões: O Gigante Adamastor Acção de Formação – Novos Programas EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010/2011 Não acabava, quando uma figura se nos mostra no ar, robusta e válida, de disforme e grandíssima estatura; o rosto carregado, a barba esquálida, os olhos encovados, e a postura medonha e má e a cor terrena e pálida; cheios de terra e crespos os cabelos, a boca negra, os dentes amarelos. Canto V, estrofe 39, d’Os Lusíadas, de Camões O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; À roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-rei D. João Segundo!» Fernando Pessoa, Mensagem
  • 2. | Língua Portuguesa – 9º ano | Os Lusíadas, de Camões: O Gigante Adamastor Acção de Formação – Novos Programas EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010/2011 12 de Fevereiro de 1502
  • 3. DAS TORMENTAS À BOA ESPERANÇA Foi dobrado pela primeira vez em 1488 pelo navegador português Bartolomeu Dias . "... e vieram a dar com o maior cabo que no mundo se descobriu (...) Ora foram tão cruas as tempestades que os nossos padeceram, que a cada passo perdiam esperanças de salvamento: donde veio porem-lhe o nome de Cabo das Tormentas. Assim que o dobraram e o assinalaram, voltaram para trás. Logo que ao senhor rei D. João foi explicado o feito, ficou tão alvoroçado que dava já por aberta a estrada para a Índia; e, comovido do feliz acontecimento, lhe impôs o nome de Cabo da Boa Esperança. D. Jerónimo Osório, Vida e Feitos de El-rei D. Manuel
  • 4. DAS TORMENTAS À BOA ESPERANÇA (...) Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo! (Em MENSAGEM - Fernando Pessoa ) O Homem do Leme , XUTOS & PONTAPÉS
  • 5. Descrição da Imagem Rostos | Sentimentos Receios | Serenidade Grandeza | Pequenez
  • 6. Actividade: 1. De entre a lista de palavras apresentadas, escolha os que melhor se adequam à descrição de cada parte da imagem; 2. Elabore o retrato físico e psicológico das Imagens A e B. 3. Com as palavras que considerar mais adequadas á imagem C, redija um texto descritivo, no qual dê conta do ambiente vivido pelas naus e dos sentimentos daqueles que nelas navegam. Imagem A Imagem B Imagem C
  • 7. Parte 1 (37 – 38) - circunstâncias que precedem o aparecimento do gigante; mudança inesperada da bonança para sinais de tempestade; depois de cinco dias claros, surge uma nuvem que amedronta os navegadores e leva Vasco da Gama a interpelar o próprio Deus, todo Poderoso.
  • 8. Parte 2 (39 – 40) – aparecimento do Gigante que é caracterizado física e psicologicamente através de uma adjectivação sugestiva e abundante a conotar a importância da figura e o terror e estupefacção de Vasco da Gama e seus companheiros Figura enorme, disforme, rosto carrancudo, barba esquálida, olhos encovados, aspecto medonho, cor pálida, cabelos crespos e cheios de terra, a boca negra, os dentes amarelos, voz forte e horrenda.
  • 10. Parte 3 (41 – 48) - Discurso ameaçador e profético do gigante. Nele Adamastor anuncia os castigos por si reservados para aquela gente ousada que invadia os seus domínios: a suma vingança – a morte de quem o descobriu (Bartolomeu Dias); a morte de D. Francisco de Almeida, 1.º Vice-Rei da Índia; o naufrágio e morte da família Sepúlveda Pois vens ver os segredos escondidos Da natureza e do húmido elemento, A nenhum grande humano concedidos De nobre ou de imortal merecimento, Ouve os danos de mi que apercebidos Estão a teu sobejo atrevimento, Por todo o largo mar e pola terra Que inda hás-de sojugar com dura guerra.
  • 11. Sabe que quantas naus esta viagem Que tu fazes, fizerem, de atrevidas, Inimiga terão esta paragem, Com ventos e tormentas desmedidas; E da primeira armada que passagem Fizer por estas ondas insofridas, Eu farei de improviso tal castigo Que seja mor o dano que o perigo! Aqui espero tomar, se não me engano, De quem me descobriu suma vingança; E não se acabará só nisto o dano De vossa pertinace confiança: Antes, em vossas naus vereis, cada ano, Se é verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda sorte, Que o menor mal de todos seja a morte!
  • 12. Parte 4 (49 – 59) Interrupção do discurso do Gigante por Vasco da Gama Incomodado com as profecias, Vasco da Gama interroga o monstro sobre a sua identidade. A questão promove a profunda viragem do seu discurso, fazendo-o recordar a frustração amorosa passada e meditar na sua actual condição de solitário e petrificado. Mais ia por diante o monstro horrendo, Dizendo nossos Fados, quando, alçado, Lhe disse eu: - «Quem és tu? Que esse estupendo Corpo, certo me tem maravilhado!» A boca e os olhos negros retorcendo E dando um espantoso e grande brado, Me respondeu, com voz pesada e amara, Como quem da pergunta lhe pesara: Esta intervenção de Vasco da Gama demonstra o seu carácter heróico, pois este enfrentou o próprio medo, não fugiu e ousou interromper o Gigante, correndo o risco de o enfurecer ainda mais.
  • 13. Eu sou aquele oculto e grande Cabo A quem chamais vós outros Tormentório, Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório. Aqui toda a Africana costa acabo Neste meu nunca visto Promontório, Que pera o Pólo Antártico se estende, A quem vossa ousadia tanto ofende. Fui dos filhos aspérrimos da Terra, Qual Encélado, Egeu e o Centimano; Chamei-me Adamastor, e fui na guerra Contra o que vibra os raios de Vulcano; Não que pusesse serra sobre serra, Mas, conquistando as ondas do Oceano, Fui capitão do mar, por onde andava A armada de Neptuno, que eu buscava. Amores da alta esposa de Peleu Me fizeram tomar tamanha empresa; Todas as Deusas desprezei do Céu, Só por amar das águas a Princesa. Um dia a vi, co as filhas de Nereu, Sair nua na praia e logo presa A vontade senti de tal maneira Que inda não sinto cousa que mais queira.
  • 14. Eu sou aquele oculto e grande Cabo A quem chamais vós outros Tormentório, Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório. Aqui toda a Africana costa acabo Neste meu nunca visto Promontório, Que pera o Pólo Antártico se estende, A quem vossa ousadia tanto ofende. Fui dos filhos aspérrimos da Terra, Qual Encélado, Egeu e o Centimano; Chamei-me Adamastor, e fui na guerra Contra o que vibra os raios de Vulcano; Não que pusesse serra sobre serra, Mas, conquistando as ondas do Oceano, Fui capitão do mar, por onde andava A armada de Neptuno, que eu buscava. Amores da alta esposa de Peleu Me fizeram tomar tamanha empresa; Todas as Deusas desprezei do Céu, Só por amar das águas a Princesa. Um dia a vi, co as filhas de Nereu, Sair nua na praia e logo presa A vontade senti de tal maneira Que inda não sinto cousa que mais queira.
  • 15. Como fosse impossíbil alcançá-la, Pola grandeza feia de meu gesto, Determinei por armas de tomá-la E a Dóris este caso manifesto. De medo a Deusa então por mi lhe fala; Mas ela, cum fermoso riso honesto, Respondeu: - «Qual será o amor bastante De Ninfa, que sustente o dum Gigante? Contudo, por livrarmos o Oceano De tanta guerra, eu buscarei maneira Com que, com minha honra, escuse o dano.» Tal resposta me torna a mensageira. Eu, que cair não pude neste engano (Que é grande dos amantes a cegueira), Encheram-me, com grandes abondanças, O peito de desejos e esperanças. Já néscio, já da guerra desistindo, üa noite, de Dóris prometida, Me aparece de longe o gesto lindo Da branca Tétis, única, despida. Como doudo corri de longe, abrindo Os braços pera aquela que era vida Deste corpo, e começo os olhos belos A lhe beijar, as faces e os cabelos. Oh! Que não sei de nojo como o conte! Que, crendo ter nos braços quem amava, Abraçado me achei cum duro monte De áspero mato e de espessura brava. Estando cum penedo fronte a fronte, Qu'eu polo rosto angélico apertava, Não fiquei homem, não; mas mudo e quedo E, junto dum penedo, outro penedo!
  • 16. Ó Ninfa, a mais fermosa do Oceano, Já que minha presença não te agrada, Que te custava ter-me neste engano, Ou fosse monte, nuvem, sonho ou nada? Daqui me parto, irado e quási insano Da mágoa e da desonra ali passada, A buscar outro mundo, onde não visse Quem de meu pranto e de meu mal se risse. Eram já neste tempo meus Irmãos Vencidos e em miséria extrema postos, E, por mais segurar-se os Deuses vãos, Alguns a vários montes sotopostos. E, como contra o Céu não valem mãos, Eu, que chorando andava meus desgostos, Comecei a sentir do Fado imigo, Por meus atrevimentos, o castigo: Converte-se-me a carne em terra dura; Em penedos os ossos se fizeram; Estes membros que vês, e esta figura, Por estas longas águas se estenderam. Enfim, minha grandíssima estatura Neste remoto Cabo converteram Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas, Me anda Tétis cercando destas águas.»
  • 17. Assi contava; e, cum medonho choro , Súbito d'ante os olhos se apartou ; Desfez-se a nuvem negra , e cum sonoro Bramido muito longe o mar soou. Eu, levantando as mãos ao santo coro Dos Anjos, que tão longe nos guiou, A Deus pedi que removesse os duros Casos, que Adamastor contou futuros. Parte 5 (60) – Súbito desaparecimento do Adamastor, choroso do seu passado triste, levando consigo a nuvem negra. Vasco da Gama pede a Deus que remova "os duros casos que Adamastor contou futuros"
  • 18. Adamastor – episódio simbólico Geograficamente simboliza o Cabo das Tormentas, posteriormente chamado da Boa Esperança; Simboliza a oposição da Natureza , as tempestades, os naufrágios, os terrores e as lendas do mar inexorável e misterioso . Trata-se de uma figura mitológica criada por Camões para significar todos os perigos que os Portugueses terão de enfrentar e transpor nas suas viagens. O significado simbólico deste episódio foi realçado pelo facto de ter sido colocado no Canto V, que é o centro do Poema. O episódio do Adamastor, no qual se associa a realidade (os perigos do mar), com o maravilhoso (as profecias), e onde não não falta uma fantasiada história de lirismo amoroso , simboliza a vitória do homem sobre os elementos cósmicos adversos. Mitologicamente o Gigante apaixonado pela deusa Tétis, transformado em promontório pelos deuses, que não toleram ousadias; símbolo da frustração amorosa.