Cesário Verde
   Supremacia do mundo externo, da materialidade dos objetos; impõe o real concreto à sua poesia.

   Predomínio do cenário urbano (o favorito dos escritores realistas e naturalistas).

   Situa espácio-temporalmente as cenas apresentadas (ex: «Num Bairro Moderno» - «dez horas da
    manhã»).

   Atenção ao pormenor, ao detalhe.

   A seleção temática: a dureza do trabalho («Cristalizações» e «Num Bairro Moderno»); a doença e
    a injustiça social («Contrariedades»); a imoralidade das «impuras», a desonestidade do
    «ratoneiro» e a «miséria do velho professor» em «O Sentimento dum Ocidental».

   A presença do real histórico: a referência a Camões e o contexto socio-político em «O
    Sentimento dum Ocidental».

   A linguagem burguesa, popular, coloquial, rica em termos concretos.

   Pelo facto da sua poesia ser estimulada pelo real, que inspira o poeta, que se deixa absorver pelas
    formas materiais e concretas.
   Encontra-se já um olhar subjetivo, valorativo, pois mais do que a representação do real importa
    a impressão do real, que suplanta o real objetivo.

   Abre à poesia as portas da vida e assim traz o vulgar, o feio, a realidade trivial e quotidiana.

   Forte cruzamento de várias sensações na apreensão do real.

   Intersecção entre planos diferentes, visualização e memória, real e imaginário, etc.
   A estrutura narrativa dos seus poemas, em que encontramos acções protagonizadas por
    agentes/atores (ex: «Deslumbramentos», «Cristalizações» e «Num Bairro Moderno»).

   A exploração do espaço é feita numa perspetiva de câmara de filmar, em que se vão fixando
    vários planos. É uma espécie de olhar itinerante, que reflete o passeio obsessivo pela cidade (e
    também no campo em alguns poemas).Exemplos mais significativos são os poemas «Num Bairro
    Moderno», «O Sentimento dum Ocidental», que definem a relação do poeta com a cidade.




               Características estilísticas:
   Automatismo     psíquico:   associações   que

    sugerem   uma    acumulação,   uma   conexão
                                                       O olhar seletivo:   a descrição/evocação do
    aleatória de ideias (ex: «Contrariedades»,
                                                        espaço é filtrada por um juízo de valor
    «O Sentimento dum Ocidental).
                                                        transfigurador, (ex: «Num Bairro Moderno»).
   Adjetivação particularmente abundante e            O poeta é como um espelho em que vem
    expressiva, com dupla e tripla adjetivação.         reflectir a diversidade do mundo citadino.

                                                       O contraste luz/sombra: tanto pode ser a luz
                                                        do dia como a luz artificial, como a luz
                                                        metafórica que emana da visão da mulher. A
                                                        incidência da luz é uma forma de valorizar os
                                                        objetos, entendendo-se a luz como princípio
                                                        de vida.




                  Características estilísticas:
   Oposição cidade/campo, sendo a cidade um espaço de morte e o campo um espaço de vida –
    valorização do natural em detrimento do artificial. O campo é visto como um espaço de liberdade,
    do não isolamento; e a cidade como um espaço castrador, opressor, símbolo da morte, da
    humilhação, da doença. A esta oposição associam-se as oposições belo/feio, claro/escuro,
    força/fragilidade.

   Oposição passado/presente, em que o passado é visto como um tempo de harmonia com a
    natureza, ao contrário de um presente contaminado pelos malefícios da cidade (ex: «Nós»).
   A questão da inviabilidade do Amor na cidade.

   A humilhação (sentimental, estética, social).

   A preocupação com as injustiças sociais.

   O sentimento anti-burguês.

   O perpétuo fluir do tempo, que só trará esperança para as gerações futuras.
    Presença obsessiva da figura feminina, vista:

         → negativamente, porque contaminada pela civilização urbana:

                -    mulher opressora – mulher nórdica, fria, símbolo da eclosão do desenvolvimento da
        cidade como fenómeno urbano, (ex: «Frígida», «Deslumbramentos» e «Esplêndida»), em que se
        reconhece a influência de Baudelaire;

         → positivamente, porque relacionada com o campo, com os seus valores bons:

                     - mulher anjo – visão angelical, reflexo de uma entidade divina, símbolo de pureza
        campestre («Em Petiz», «Nós», «De Tarde» e «Setentrional») – também tem um efeito
        regenerador;

             - mulher regeneradora – mulher frágil, pura, natural, simples, representa os valores do
campo na cidade (ex: as figuras femininas de a «A Débil» e «Num Bairro Moderno»);
             - mulher oprimida – tísica, resignada, vítima da opressão social urbana, humilhada (ex:
«Contrariedades»);
             - mulher como sinédoque social – (ex: as «burguesinhas» e as varinas de «O
Sentimento dum Ocidental»
        → como objecto do estímulo:
             - mulher objecto – vista enquanto estímulo dos sentidos carnais, sensuais, como
impulso erótico (ex: actriz de «Cristalizações»).
   Contemporâneo de Antero e de Eça.

   Contemporâneo do Realismo, que influencia alguns aspetos da sua poesia:
       •   descrição objetiva do real;

       •   presença de figuras do povo;

       •   preocupação social;

       •   expressão de solidariedade social.
Aspetos específicos:
   Presença do quotidiano citadino e campestre.
   Binómio campo ( vida, pureza, felicidade, saúde, alegria, liberdade, luz)
             Carácter deambulatório. doença, infelicidade, prisão, sombra).
                cidade ( morte, tristeza,

      Aspeto cinético e de visualização:
   Nova imagem da mulher:
                   o poeta faz a apresentação de aspetos genéricos e globalizantes, descendo depois aos
    ◦       mulher do povo, sofredora e doente – “ Contrariedades” e “ Num Bairro Moderno”;
                     aspetos particulares que descreve pormenorizadamente.
    ◦       mulher leviana – “ Sentimento dum Ocidental”;
         Aspeto pictórico:
    ◦  mulher sedutora e bela – “ De tarde” e “ De Verão”.

                     influência dos movimentos e técnicas pictóricas da época ( Realismo, Impressionismo).
   Intenção crítica e a questão social.
   Mito de Anteu – o contacto com a terra, com a realidade, confere força e
    vitalidade.
    As fugas imaginativas e a pretendida objetividade.
   Vocabulário preciso, conciso e pragmático.

   Escassez de palavras eruditas.

   Valor expressivo dos diminutivos.

   Emprego de verbos sensoriais.

   Sinestesias.
   Sílvia Araújo, nº27

   Susana Martins, nº28

Caracteristicas de Cesário Verde

  • 1.
  • 3.
    Supremacia do mundo externo, da materialidade dos objetos; impõe o real concreto à sua poesia.  Predomínio do cenário urbano (o favorito dos escritores realistas e naturalistas).  Situa espácio-temporalmente as cenas apresentadas (ex: «Num Bairro Moderno» - «dez horas da manhã»).  Atenção ao pormenor, ao detalhe.  A seleção temática: a dureza do trabalho («Cristalizações» e «Num Bairro Moderno»); a doença e a injustiça social («Contrariedades»); a imoralidade das «impuras», a desonestidade do «ratoneiro» e a «miséria do velho professor» em «O Sentimento dum Ocidental».  A presença do real histórico: a referência a Camões e o contexto socio-político em «O Sentimento dum Ocidental».  A linguagem burguesa, popular, coloquial, rica em termos concretos.  Pelo facto da sua poesia ser estimulada pelo real, que inspira o poeta, que se deixa absorver pelas formas materiais e concretas.
  • 4.
    Encontra-se já um olhar subjetivo, valorativo, pois mais do que a representação do real importa a impressão do real, que suplanta o real objetivo.  Abre à poesia as portas da vida e assim traz o vulgar, o feio, a realidade trivial e quotidiana.  Forte cruzamento de várias sensações na apreensão do real.  Intersecção entre planos diferentes, visualização e memória, real e imaginário, etc.
  • 5.
    A estrutura narrativa dos seus poemas, em que encontramos acções protagonizadas por agentes/atores (ex: «Deslumbramentos», «Cristalizações» e «Num Bairro Moderno»).  A exploração do espaço é feita numa perspetiva de câmara de filmar, em que se vão fixando vários planos. É uma espécie de olhar itinerante, que reflete o passeio obsessivo pela cidade (e também no campo em alguns poemas).Exemplos mais significativos são os poemas «Num Bairro Moderno», «O Sentimento dum Ocidental», que definem a relação do poeta com a cidade. Características estilísticas:
  • 6.
    Automatismo psíquico: associações que sugerem uma acumulação, uma conexão  O olhar seletivo: a descrição/evocação do aleatória de ideias (ex: «Contrariedades», espaço é filtrada por um juízo de valor «O Sentimento dum Ocidental). transfigurador, (ex: «Num Bairro Moderno»).  Adjetivação particularmente abundante e  O poeta é como um espelho em que vem expressiva, com dupla e tripla adjetivação. reflectir a diversidade do mundo citadino.  O contraste luz/sombra: tanto pode ser a luz do dia como a luz artificial, como a luz metafórica que emana da visão da mulher. A incidência da luz é uma forma de valorizar os objetos, entendendo-se a luz como princípio de vida. Características estilísticas:
  • 7.
    Oposição cidade/campo, sendo a cidade um espaço de morte e o campo um espaço de vida – valorização do natural em detrimento do artificial. O campo é visto como um espaço de liberdade, do não isolamento; e a cidade como um espaço castrador, opressor, símbolo da morte, da humilhação, da doença. A esta oposição associam-se as oposições belo/feio, claro/escuro, força/fragilidade.  Oposição passado/presente, em que o passado é visto como um tempo de harmonia com a natureza, ao contrário de um presente contaminado pelos malefícios da cidade (ex: «Nós»).
  • 8.
    A questão da inviabilidade do Amor na cidade.  A humilhação (sentimental, estética, social).  A preocupação com as injustiças sociais.  O sentimento anti-burguês.  O perpétuo fluir do tempo, que só trará esperança para as gerações futuras.
  • 9.
    Presença obsessiva da figura feminina, vista: → negativamente, porque contaminada pela civilização urbana: - mulher opressora – mulher nórdica, fria, símbolo da eclosão do desenvolvimento da cidade como fenómeno urbano, (ex: «Frígida», «Deslumbramentos» e «Esplêndida»), em que se reconhece a influência de Baudelaire; → positivamente, porque relacionada com o campo, com os seus valores bons: - mulher anjo – visão angelical, reflexo de uma entidade divina, símbolo de pureza campestre («Em Petiz», «Nós», «De Tarde» e «Setentrional») – também tem um efeito regenerador; - mulher regeneradora – mulher frágil, pura, natural, simples, representa os valores do campo na cidade (ex: as figuras femininas de a «A Débil» e «Num Bairro Moderno»); - mulher oprimida – tísica, resignada, vítima da opressão social urbana, humilhada (ex: «Contrariedades»); - mulher como sinédoque social – (ex: as «burguesinhas» e as varinas de «O Sentimento dum Ocidental» → como objecto do estímulo: - mulher objecto – vista enquanto estímulo dos sentidos carnais, sensuais, como impulso erótico (ex: actriz de «Cristalizações»).
  • 11.
    Contemporâneo de Antero e de Eça.  Contemporâneo do Realismo, que influencia alguns aspetos da sua poesia: • descrição objetiva do real; • presença de figuras do povo; • preocupação social; • expressão de solidariedade social.
  • 12.
    Aspetos específicos:  Presença do quotidiano citadino e campestre.  Binómio campo ( vida, pureza, felicidade, saúde, alegria, liberdade, luz)  Carácter deambulatório. doença, infelicidade, prisão, sombra). cidade ( morte, tristeza,  Aspeto cinético e de visualização:  Nova imagem da mulher:  o poeta faz a apresentação de aspetos genéricos e globalizantes, descendo depois aos ◦ mulher do povo, sofredora e doente – “ Contrariedades” e “ Num Bairro Moderno”; aspetos particulares que descreve pormenorizadamente. ◦ mulher leviana – “ Sentimento dum Ocidental”; Aspeto pictórico: ◦  mulher sedutora e bela – “ De tarde” e “ De Verão”.  influência dos movimentos e técnicas pictóricas da época ( Realismo, Impressionismo).  Intenção crítica e a questão social.  Mito de Anteu – o contacto com a terra, com a realidade, confere força e vitalidade.  As fugas imaginativas e a pretendida objetividade.
  • 13.
    Vocabulário preciso, conciso e pragmático.  Escassez de palavras eruditas.  Valor expressivo dos diminutivos.  Emprego de verbos sensoriais.  Sinestesias.
  • 14.
    Sílvia Araújo, nº27  Susana Martins, nº28