SlideShare uma empresa Scribd logo
Eduardo Henrique CostaTibali
R4 nefrologia
Metformin and other antidiabetic
agents in renal failure patients
Universidade Federal de São Paulo
Escola Paulista de Medicina - Disciplina de Nefrologia
Parte I. Metformina vs. Acidose lática
“Metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”
I. Metformina vs. Acidose lática
 Acidose lática (sem relação com a metformina)
 Lactato sérico > 5 mmol/L e pH < 7,35
 Ácido lático → lactato + H+ (pKa = 3,86)
 Situações de hipóxia
Potencialização
da glicólise
(ATP)
Acúmulo de
piruvato
Conversão de
piruvato a
lactato
Liberação e
acúmulo de
lactato no
sangue
I. Metformina vs. Acidose lática
 Acidose lática (sem relação com a metformina)
 O acúmulo de lactato no sangue...
 Não leva à acidose! Não há produção de prótons (quimicamente neutra)
 Apenas“marcador”de metabolismo anaeróbio
 Glicólise (anaeróbia) → fornece algunsATPs para auxiliar a
ausência de fosforilação oxidativa, porém, não fornece substrato
para ligar os prótons gerados na hidrólise doATP utilizado no
início do processo.
ACIDOSE!
I. Metformina vs. Acidose lática
 Metformina: farmacocinética e farmacodinâmica.
 99% das moléculas existem como cátions no sangue
 Biodisponibilidade oral: 50-60%.
 Droga estável e não metabolizada
 Eliminação hepática e renal (predominante)
 Meia-vida aproximada de 20 horas
 Pico de concentração: ~ 3 horas (1,5 g de metformina)
I. Metformina vs. Acidose lática
 Acidose lática induzida pela metformina
 Inibição da conversão do lactato na gliconeogênese
 ↑ lactato por tecidos dependentes de insulina
 ↑ lactato por aceleração da glicólise (resposta à disfunção
mitocondrial)
 Ativação do metabolismo anaeróbico da glicose no intestino
Não há grande aumento do lactato sérico,
pois há o ciclo de Cori.
Adendo 1: ciclo de Cori
I. Metformina vs. Acidose lática
 Acidose lática associada à metformina (MALA)
 Geralmente avaliada em termos de frequência pelos estudos, e
não pela relação causal.
 Consequência:baixa concordância entre observadores ao explicar a associação
causal entre a metformina e a acidose lática.
 Os estudos no formato “metformina vs. placebo” têm viés
de seleção (pacientes com contraindicações são excluídos).
 Os estudos com dados retrospectivos podem traduzir melhor a
ação da metformina na “vida real”.
I. Metformina vs. Acidose lática
 Acidose lática associada à metformina (MALA)
 Estimativa do risco de acidose por acúmulo de metformina
I.Avaliar a função renal e sua mudança ao longo do tempo
II.Dose do medicamento
III.Aderência do paciente à droga
IV. O tempo da administração da última metformina
 Dosagem dos níveis séricos e eritrocitários de metformina → 3
cenários possíveis:
 Acidose lática não relacionada à metformina (droga indetectável)
 Acidose lática induzida pela metformina (rara) – descartar outras causas,como
sepse,hemorragia,insuficiência hepática e insuficiência pulmonar.
 Acidose lática associada à metformina (não tão rara) – a droga é detectável e há
doenças concomitantes.
I. Metformina vs. Acidose lática
 Metformina vs. Insuficiência renal
 Suspender a metformina se:
 Homem e creatinina ≥ 1,5 mg/dL
 Mulher e creatinina ≥ 1,4 mg/dL
 Alguns autores sugerem que seria seguro o uso da metformina
mesmo nos pacientes com DRC avançada
 Há possibilidade de ajuste para a função renal (metade ou 1/3 da dose)
 Há estudos em andamento sobre a segurança do uso
Parte II. Transplante renal
“Metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”
II. Transplante renal
 Transplante renal
 Modalidade deTRS nos pacientes com DRC terminal
 DM pós-transplante (principalmente o tacrolimus)
 Poucos estudos sobre a eficiência dos hipoglicemiantes orais
 Sitagliptina:maior liberação de insulina e sem maiores preocupações.
 Repaglinida vs.Rosiglitazona:mesmas eficácia e tolerância.
 Pioglitazona vs.Vildagliptina vs.Placebo:melhora do perfil glicêmico.
 A metformina não é droga de 1ª escolha devido a preocupações quanto a segurança
 Metformina vs.Tiazolidinedionas:segurança,mas não superioridade.
Prevenir o DM pós-transplante é mais importante que
o seu tratamento!
II. Transplante renal
 Transplante renal
 Insulinoterapia: maior segurança e eficácia dentre os fármacos.
 Metformina
 DM pós-transplante precoce (pós-operatório) e com função renal estável (ClCr >
30 mL/min/1,73 m2)
 Correção da dose para aTFG
 Evitar o uso se disfunção aguda,pois há mudanças dinâmicas naTFG e maior risco
de eventos adversos.
 Longo prazo
 Qual hipoglicemiante é melhor? Faltam estudos...
Nome da
droga
Classe
Mecanismo de
ação
Dose
habitual
DRC estágio III
DRC
estágio IV
DRC
estágio V
Metformina Biguanidas
↓ produção
hepática de
glicose e ↑
sensibilidade à
ação da insulina
500 a 2550
mg por dia
DRC IIIa: 850 mg -
2x. DRC IIIb: 850
mg - 1x
(contraindicação
relativa)
Contrain-
dicada
Contrain-
dicada
II. Transplante renal
*Adaptado da tabela 4 do artigo“metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”– JD Lalau et al.
Parte III. Outros hipoglicemiantes
“Metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”
III. Outros hipoglicemiantes
 Utilizados se:
 Contraindicações à metformina
 Intolerância à metformina
 Metformina vs. Sulfonilureias
 Efeitos renoprotetores
 Melhor controle do peso
 Melhor controle de PA
 Melhor controle glicêmico
 Metformina vs. Sulfonilureia vs. Insulina
 Menor risco de desenvolvimento de neoplasias de órgãos sólidos
III. Outros hipoglicemiantes
 Sulfonilureias
 Principal risco: hipoglicemia.
 As de primeira geração têm eliminação renal quase exclusiva
 Contraindicadas se DRC grave
 Clorpropamida,acetoxamida,tolbutamida e tolazamida.
 Glibenclamida
 Metabolização hepática em 3 metabólitos maiores,sendo que a 4-
hidroxiglibenclamida (15% da potência da glibenclamida) se acumula em casos de
insuficiência renal.
 Glimepirida
 Metabolização hepática em 2 metabólitos maiores,que têm reduzida eliminação se
insuficiência renal.
III. Outros hipoglicemiantes
 Sulfonilureias
 Gliclazida
 Metabolismo hepático
 8 metabólitos inativos → possibilidade de uso se disfunção renal
 Glipizida
 Quase completa biotransformação hepática
 Pode ser usada se disfunção renal,devendo-se apenas realizar ajustes de doses.
III. Outros hipoglicemiantes
 Glinidas
 Meia-vida curta (3-4 horas) e administração logo antes das
refeições
 Repaglinida
 Conversão quase completa em metabólitos inativos pelo fígado
 Sem ajuste de dose para a função renal
 Nateglinida
 ~15% da droga é excretada inalterada pela urina
 Metabolização hepática e excreção por urina (80%) e fezes (20%)
 Disfunção renal:acúmulo de um metabólito ativo,que pode levar a hipoglicemia.
III. Outros hipoglicemiantes
Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual DRC estágio III DRC estágio IV DRC estágio V
Biguanidas
↓ produção hepática de
glicose e ↑ sensibilidade
à ação da insulina
Metformina
500 a 2550 mg
por dia
DRC IIIa: 850 mg - 2x. DRC
IIIb: 850 mg - 1x
(contraindicação relativa)
Contrain-
dicada
Contrain-
dicada
Gliburida e
glibenclamida
2,5 a 15 mg Evitar Evitar Evitar
Glipizida 2,5 a 10 mg Sem ajuste de dose
Sem ajuste de
dose
Sem ajuste de
dose
Glimepirida 1 a 6 mg Iniciar com dose baixa
Iniciar com
dose baixa
Evitar
Gliclazida
30-120 mg
unidiamicron /
80 a 240 mg
gliclazida
Sem ajuste de dose
Sem ajuste de
dose
Sem ajuste de
dose
Repaglinida 0,2 a 12 mg Sem ajuste de dose
Sem ajuste de
dose
Sem ajuste de
dose
Nateglinida 60 a 360 mg Iniciar com dose baixa
Iniciar com
dose baixa
Evitar
Sulfonilureias
Estímulo à secreção de
insulina pelo pâncreas.
Fechamento dos canais
KATP na membrana
plasmática das células β-
pancreáticas.
Idem ao das sulfonilureiasGlinidas
III. Outros hipoglicemiantes
 Insulina
 Progressão da doença renal:
 ↑ absorção da insulina peritubular
 ↓ degradação da insulina filtrada
 Clearance de creatinina < 20 mL/min/1,73 m2
 Uremia → ↓ metabolismo hepático da insulina
 Início da diálise → melhora da resistência periférica à insulina
Efeito prolongado das insulinas de curta e longa
duração → HIPOGLICEMIAS
III. Outros hipoglicemiantes
 Insulina
 Clearance de creatinina < 20 mL/min/1,73 m2
 Insulina Regular → concentração máxima mais alta e maior t½
 Insulinas ultra-rápidas (análogos) → concentração máxima e t½
similares às de indivíduos comTFG normais
 *O mesmo ocorre entre a insulina NPH e os análogos com duração mais longa
Conclusão: dar preferência ao uso dos
análogos das insulinas (Lispro + glargina).
III. Outros hipoglicemiantes
 Secretagogos de insulina à base de incretina
 2 representantes: análogos do GLP-1 (incretinomiméticos) e
inibidores da enzima DPP-4.
 Risco muito baixo de hipoglicemia
 Não há ganho de peso (efeito colateral das insulinas)
 Porém...
 Saxagliptina: ↑ hospitalização por ICC.
 Estudos sem longo período de seguimento.
III. Outros hipoglicemiantes
Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual
DRC estágio
III
DRC estágio
IV
DRC estágio
V
Sitagliptina 100 mg 50 mg 25 mg 25 mg
Vildagliptina 50 mg x2 50 mg 50 mg 50 mg
Saxagliptina 5 mg 2,5 mg 2,5 mg 2,5 mg
Linagliptina 5 mg 5 mg 5 mg 5 mg
Exenatida
5 μg x2 a 10
μg x2
5 μg x2 Evitar Evitar
Liraglutina 0,6 a 1,8 mg
Sem ajuste
necessário,
mas ausência
de evidência.
Sem ajuste
necessário,
mas ausência
de evidência.
Sem ajuste
necessário,
mas ausência
de evidência.
Inibidores do DPP-4
Inibição da atividade da
DPP-IV, ↑ incretina pós-
prandial ativa (GLP-1 e
GIP) e, logo, regula a
secreção de insulina e
de glucagon.
Ligação aos receptores
do GLP-1 nas células β-
pancreáticas e
promoção secreção de
insulina dependente de
glicose; redução da
secreção de glucagon e
do esvaziamento
gástrico.
Incretinomiméticos
Eliminação renal de
23% da droga
inalterada
Eliminação renal de
75-80% da droga
inalteradaT½ curta.
Eliminação renal de
75% da droga
(inalterada +
metabólito ativo).
Eliminação fecal; a
eliminação renal é
de apenas 5%.
III. Outros hipoglicemiantes
Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual
DRC estágio
III
DRC estágio
IV
DRC estágio
V
Sitagliptina 100 mg 50 mg 25 mg 25 mg
Vildagliptina 50 mg x2 50 mg 50 mg 50 mg
Saxagliptina 5 mg 2,5 mg 2,5 mg 2,5 mg
Linagliptina 5 mg 5 mg 5 mg 5 mg
Exenatida
5 μg x2 a 10
μg x2
5 μg x2 Evitar Evitar
Liraglutina 0,6 a 1,8 mg
Sem ajuste
necessário,
mas ausência
de evidência.
Sem ajuste
necessário,
mas ausência
de evidência.
Sem ajuste
necessário,
mas ausência
de evidência.
Inibidores do DPP-4
Inibição da atividade da
DPP-IV, ↑ incretina pós-
prandial ativa (GLP-1 e
GIP) e, logo, regula a
secreção de insulina e
de glucagon.
Ligação aos receptores
do GLP-1 nas células β-
pancreáticas e
promoção secreção de
insulina dependente de
glicose; redução da
secreção de glucagon e
do esvaziamento
gástrico.
Incretinomiméticos
↑t½ progressivo
se ↓TFG.
Clearance e
degradação pelos
rins.
T½ ~ 13 h (SC).
Muito pouca ou
nenhuma
extração renal.
III. Outros hipoglicemiantes
Classe Mecanismo de ação
Nome das
drogas
Dose
habitual
DRC estágio
III
DRC estágio
IV
DRC
estágio V
Tiazolidine-
dionas
(glitazonas)
Melhora a
sensibilidade da
insulina; ligante
para o receptor
PPAR-γ.
Pioglitazona 15-45 mg
Sem ajuste
de dose
necessário
Sem ajuste
de dose
necessário
Sem ajuste
de dose
necessário
Acarbose 75-300 mg Evitar Evitar Evitar
Miglitol 75-300 mg Evitar Evitar Evitar
Inibidores da
α-glicosidase
Bloqueio da α-
glicosidase nas
bordas escovadas
do intestino
delgado, retarda a
absorção dos
carboidratos.
T½ ~3-7 h e 6
metabólitos
hepáticos (3
ativos). Sem
acúmulo se ↓TFG.
Efeitos colaterais:
retenção hídrica e
ICC.
Classe Mecanismo de ação
Nome das
drogas
Dose
habitual
DRC estágio
III
DRC estágio
IV
DRC
estágio V
Tiazolidine-
dionas
(glitazonas)
Melhora a
sensibilidade da
insulina; ligante
para o receptor
PPAR-γ.
Pioglitazona 15-45 mg
Sem ajuste
de dose
necessário
Sem ajuste
de dose
necessário
Sem ajuste
de dose
necessário
Acarbose 75-300 mg Evitar Evitar Evitar
Miglitol 75-300 mg Evitar Evitar Evitar
Inibidores da
α-glicosidase
Bloqueio da α-
glicosidase nas
bordas escovadas
do intestino
delgado, retarda a
absorção dos
carboidratos.
III. Outros hipoglicemiantes
Quebrada pela flora
intestinal em 13
metabólitos (1 ativo).
Acúmulo se ↓TFG,
mas significado clínico
desconhecido.
> Absorção sistêmica
que a acarbose e não
é metabolizado.
Acúmulo se ↓TFG.
III. Hipoglicemiantes orais
 Inibidores do cotransportador sódio-glicose 2
(SGLT2)
 ↓ absorção da glicose no túbulo contorcido proximal e,
logo, ↑ excreção renal de glicose.
 Drogas: canagliflozina e dapagliflozina.
 Efeito hipoglicemiante depende da TFG
 Se ↓TFG = ↓ eliminação de glicose
 Efeito adverso: maior prevalência de ITU (especialmente
candidúria)
III. Hipoglicemiantes orais
 Inibidores do cotransportador sódio-glicose 2
(SGLT2)
 Canagliflozina
 T½ ≈ 10-13 h
 Eliminação da droga inalterada nas fezes: 41,5%
 Eliminação de metabólitos por via urinária: 30,5%
 Dose: 100-300 mg – 1x por dia.
 Se ClCr entre 45-60 mL/min/1,73 m2 → 100 mg – 1x por dia.
 Se ClCr < 45 mL/min/1,73 m2 → evitar o uso.
 Dapagliflozina
 T½ ≈ 13 h.
 Metabolização hepática e renal.
 Dose: 5-10 mg – 1x por dia.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Resposta Orgânica ao Trauma
Resposta Orgânica ao TraumaResposta Orgânica ao Trauma
Aula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivos
Aula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivosAula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivos
Aula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivos
Jaqueline Almeida
 
Farmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemiasFarmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemias
Ricardo Alanís
 
Diabetes
DiabetesDiabetes
Diabetes
Denise Selegato
 
Cálculos em Nutrição Parenteral
Cálculos em Nutrição Parenteral Cálculos em Nutrição Parenteral
Cálculos em Nutrição Parenteral
Verneck Silva
 
Inflamacao e dor
Inflamacao e dorInflamacao e dor
Inflamacao e dor
Rafael Nobre
 
Aula - Anti-inflamatórios esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios esteróidaisAula - Anti-inflamatórios esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios esteróidais
Mauro Cunha Xavier Pinto
 
Aula - Quimioterápicos - Antineoplásicos
Aula - Quimioterápicos - AntineoplásicosAula - Quimioterápicos - Antineoplásicos
Aula - Quimioterápicos - Antineoplásicos
Mauro Cunha Xavier Pinto
 
Diabetes Mellitus
Diabetes MellitusDiabetes Mellitus
Diabetes Mellitus
Cíntia Costa
 
Aula - Anti-inflamatórios não esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios não esteróidaisAula - Anti-inflamatórios não esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios não esteróidais
Mauro Cunha Xavier Pinto
 
Antiagregante plaquetário e anticoagulante
Antiagregante plaquetário e anticoagulanteAntiagregante plaquetário e anticoagulante
Antiagregante plaquetário e anticoagulante
resenfe2013
 
Bases da Quimioterapia
Bases da QuimioterapiaBases da Quimioterapia
Bases da Quimioterapia
Aline Queiroz
 
Antibióticos e Quimioterápicos
Antibióticos e QuimioterápicosAntibióticos e Quimioterápicos
Antibióticos e Quimioterápicos
Jose Carlos
 
Fases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentos
Fases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentosFases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentos
Fases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentos
Herbert Cristian de Souza
 
Tratamento do Diabetes Mellitus
Tratamento do Diabetes MellitusTratamento do Diabetes Mellitus
Tratamento do Diabetes Mellitus
Liga Acadêmica de Diabetes
 
Lipoproteinas aula
Lipoproteinas aulaLipoproteinas aula
Lipoproteinas aula
Ana Claudia Rodrigues
 
Fisiologia diabetes mellitus
Fisiologia diabetes mellitusFisiologia diabetes mellitus
Fisiologia diabetes mellitus
Eduarda P.
 
Fármacos para tratamento das dislipidemias
Fármacos para tratamento das dislipidemiasFármacos para tratamento das dislipidemias
Fármacos para tratamento das dislipidemias
Vinicius Monteirobarreto
 
Dislipidemias
DislipidemiasDislipidemias
Dislipidemias
Renata Carvalho
 
2. antiinfla
2. antiinfla2. antiinfla

Mais procurados (20)

Resposta Orgânica ao Trauma
Resposta Orgânica ao TraumaResposta Orgânica ao Trauma
Resposta Orgânica ao Trauma
 
Aula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivos
Aula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivosAula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivos
Aula de Farmacologia sobre Fármacos anti-hipertensivos
 
Farmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemiasFarmacologia do sangue anemias
Farmacologia do sangue anemias
 
Diabetes
DiabetesDiabetes
Diabetes
 
Cálculos em Nutrição Parenteral
Cálculos em Nutrição Parenteral Cálculos em Nutrição Parenteral
Cálculos em Nutrição Parenteral
 
Inflamacao e dor
Inflamacao e dorInflamacao e dor
Inflamacao e dor
 
Aula - Anti-inflamatórios esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios esteróidaisAula - Anti-inflamatórios esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios esteróidais
 
Aula - Quimioterápicos - Antineoplásicos
Aula - Quimioterápicos - AntineoplásicosAula - Quimioterápicos - Antineoplásicos
Aula - Quimioterápicos - Antineoplásicos
 
Diabetes Mellitus
Diabetes MellitusDiabetes Mellitus
Diabetes Mellitus
 
Aula - Anti-inflamatórios não esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios não esteróidaisAula - Anti-inflamatórios não esteróidais
Aula - Anti-inflamatórios não esteróidais
 
Antiagregante plaquetário e anticoagulante
Antiagregante plaquetário e anticoagulanteAntiagregante plaquetário e anticoagulante
Antiagregante plaquetário e anticoagulante
 
Bases da Quimioterapia
Bases da QuimioterapiaBases da Quimioterapia
Bases da Quimioterapia
 
Antibióticos e Quimioterápicos
Antibióticos e QuimioterápicosAntibióticos e Quimioterápicos
Antibióticos e Quimioterápicos
 
Fases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentos
Fases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentosFases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentos
Fases pré clínica e clínica no desenvolvimento de medicamentos
 
Tratamento do Diabetes Mellitus
Tratamento do Diabetes MellitusTratamento do Diabetes Mellitus
Tratamento do Diabetes Mellitus
 
Lipoproteinas aula
Lipoproteinas aulaLipoproteinas aula
Lipoproteinas aula
 
Fisiologia diabetes mellitus
Fisiologia diabetes mellitusFisiologia diabetes mellitus
Fisiologia diabetes mellitus
 
Fármacos para tratamento das dislipidemias
Fármacos para tratamento das dislipidemiasFármacos para tratamento das dislipidemias
Fármacos para tratamento das dislipidemias
 
Dislipidemias
DislipidemiasDislipidemias
Dislipidemias
 
2. antiinfla
2. antiinfla2. antiinfla
2. antiinfla
 

Destaque

Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)
Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)
Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)
Eduardo Tibali
 
Agentes antidiábeticos orais
Agentes antidiábeticos oraisAgentes antidiábeticos orais
Agentes antidiábeticos orais
Luna Jeannie
 
05 anti diabeticos-orais
05 anti diabeticos-orais05 anti diabeticos-orais
05 anti diabeticos-orais
orlq
 
Trabalho de farmacologia biguanidas
Trabalho de farmacologia  biguanidas Trabalho de farmacologia  biguanidas
Trabalho de farmacologia biguanidas
Elyda Santos
 
Infecção do trato urinário em uti
Infecção do trato urinário em utiInfecção do trato urinário em uti
Infecção do trato urinário em uti
Eduardo Tibali
 
Retinopatia diabética.
Retinopatia diabética.Retinopatia diabética.
Retinopatia diabética.
phlordello
 
Farmacos antidiabeticos
Farmacos antidiabeticosFarmacos antidiabeticos
Farmacos antidiabeticos
Laura Dominguez
 

Destaque (7)

Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)
Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)
Inibidores do sglt 2 (hipoglicemiantes orais)
 
Agentes antidiábeticos orais
Agentes antidiábeticos oraisAgentes antidiábeticos orais
Agentes antidiábeticos orais
 
05 anti diabeticos-orais
05 anti diabeticos-orais05 anti diabeticos-orais
05 anti diabeticos-orais
 
Trabalho de farmacologia biguanidas
Trabalho de farmacologia  biguanidas Trabalho de farmacologia  biguanidas
Trabalho de farmacologia biguanidas
 
Infecção do trato urinário em uti
Infecção do trato urinário em utiInfecção do trato urinário em uti
Infecção do trato urinário em uti
 
Retinopatia diabética.
Retinopatia diabética.Retinopatia diabética.
Retinopatia diabética.
 
Farmacos antidiabeticos
Farmacos antidiabeticosFarmacos antidiabeticos
Farmacos antidiabeticos
 

Semelhante a Metformin and other antidiabetic agents in renal failure

Ciclofosfamida.pptx
Ciclofosfamida.pptxCiclofosfamida.pptx
Ciclofosfamida.pptx
SaraMarques329031
 
Síndrome nefrotica
Síndrome nefroticaSíndrome nefrotica
Síndrome nefrotica
Leonardo Savassi
 
Anticonvulsivantes na profilaxia de enxaqueca
Anticonvulsivantes na profilaxia de enxaquecaAnticonvulsivantes na profilaxia de enxaqueca
Anticonvulsivantes na profilaxia de enxaqueca
Dr. Rafael Higashi
 
2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...
2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...
2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...
Nádia Elizabeth Barbosa Villas Bôas
 
Anad Dentista 2010
Anad Dentista 2010Anad Dentista 2010
Anad Dentista 2010
marciokrakauer
 
Idor fsc2
Idor fsc2Idor fsc2
Nefro sd nefrótica
Nefro  sd nefróticaNefro  sd nefrótica
Nefro sd nefrótica
Sarah Sella Langer
 
Principais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina Veterinária
Principais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina VeterináriaPrincipais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina Veterinária
Principais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina Veterinária
Rosivaldo Keffer
 
Nefropatia Diabética
Nefropatia DiabéticaNefropatia Diabética
Nefropatia Diabética
Liga Acadêmica de Diabetes
 
Sibutramina finalizado
Sibutramina finalizadoSibutramina finalizado
Sibutramina finalizado
Deborah Oliveira
 
Bb dm – extra
Bb dm – extraBb dm – extra
Bb dm – extra
Inaiara Bragante
 
Abordagem inicial na dheg e hellp síndrome
Abordagem inicial na dheg e hellp síndromeAbordagem inicial na dheg e hellp síndrome
Abordagem inicial na dheg e hellp síndrome
Vicente Santos
 
Glicocorticoides - Farmacologia
Glicocorticoides - FarmacologiaGlicocorticoides - Farmacologia
Glicocorticoides - Farmacologia
Raphael Machado
 
09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt
09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt
09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt
BRUNOLIMADESOUZA2
 
Nefro sd nefrótica
Nefro  sd nefróticaNefro  sd nefrótica
Nefro sd nefrótica
Sarah Sella Langer
 
Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01
Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01
Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01
Magali Barros
 
Doença Renal Crônica - Laboratório
Doença Renal Crônica - LaboratórioDoença Renal Crônica - Laboratório
Doença Renal Crônica - Laboratório
Helivelton Rocha Azevedo
 
aula 8 - CF2
aula 8 - CF2aula 8 - CF2
aula 8 - CF2
Caio Maximino
 
Dislipidemia e risco cardiovascular
Dislipidemia e risco cardiovascularDislipidemia e risco cardiovascular
Dislipidemia e risco cardiovascular
Monique Vazz
 
KDIGO
KDIGOKDIGO

Semelhante a Metformin and other antidiabetic agents in renal failure (20)

Ciclofosfamida.pptx
Ciclofosfamida.pptxCiclofosfamida.pptx
Ciclofosfamida.pptx
 
Síndrome nefrotica
Síndrome nefroticaSíndrome nefrotica
Síndrome nefrotica
 
Anticonvulsivantes na profilaxia de enxaqueca
Anticonvulsivantes na profilaxia de enxaquecaAnticonvulsivantes na profilaxia de enxaqueca
Anticonvulsivantes na profilaxia de enxaqueca
 
2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...
2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...
2006 aspectos da farmacocinética do tacrolimus nos quatro primeiros dias após...
 
Anad Dentista 2010
Anad Dentista 2010Anad Dentista 2010
Anad Dentista 2010
 
Idor fsc2
Idor fsc2Idor fsc2
Idor fsc2
 
Nefro sd nefrótica
Nefro  sd nefróticaNefro  sd nefrótica
Nefro sd nefrótica
 
Principais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina Veterinária
Principais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina VeterináriaPrincipais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina Veterinária
Principais agentes antineoplasicos utilizados em Medicina Veterinária
 
Nefropatia Diabética
Nefropatia DiabéticaNefropatia Diabética
Nefropatia Diabética
 
Sibutramina finalizado
Sibutramina finalizadoSibutramina finalizado
Sibutramina finalizado
 
Bb dm – extra
Bb dm – extraBb dm – extra
Bb dm – extra
 
Abordagem inicial na dheg e hellp síndrome
Abordagem inicial na dheg e hellp síndromeAbordagem inicial na dheg e hellp síndrome
Abordagem inicial na dheg e hellp síndrome
 
Glicocorticoides - Farmacologia
Glicocorticoides - FarmacologiaGlicocorticoides - Farmacologia
Glicocorticoides - Farmacologia
 
09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt
09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt
09_INSULINAS E HIPOGLICEMIANTES ORAIS.ppt
 
Nefro sd nefrótica
Nefro  sd nefróticaNefro  sd nefrótica
Nefro sd nefrótica
 
Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01
Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01
Aulasepsisuti 6ano-130130065348-phpapp01
 
Doença Renal Crônica - Laboratório
Doença Renal Crônica - LaboratórioDoença Renal Crônica - Laboratório
Doença Renal Crônica - Laboratório
 
aula 8 - CF2
aula 8 - CF2aula 8 - CF2
aula 8 - CF2
 
Dislipidemia e risco cardiovascular
Dislipidemia e risco cardiovascularDislipidemia e risco cardiovascular
Dislipidemia e risco cardiovascular
 
KDIGO
KDIGOKDIGO
KDIGO
 

Mais de Eduardo Tibali

Doença renal crônica e gestação
Doença renal crônica e gestaçãoDoença renal crônica e gestação
Doença renal crônica e gestação
Eduardo Tibali
 
Variantes das doenças por lesões mínimas
Variantes das doenças por lesões mínimasVariantes das doenças por lesões mínimas
Variantes das doenças por lesões mínimas
Eduardo Tibali
 
Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)
Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)
Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)
Eduardo Tibali
 
Nefropatia por IgA
Nefropatia por IgANefropatia por IgA
Nefropatia por IgA
Eduardo Tibali
 
Hipoglicemiantes orais em monoterapia mortalidade
Hipoglicemiantes orais em monoterapia   mortalidadeHipoglicemiantes orais em monoterapia   mortalidade
Hipoglicemiantes orais em monoterapia mortalidade
Eduardo Tibali
 
Suicídio
SuicídioSuicídio
Suicídio
Eduardo Tibali
 
Intoxicações exógenas aula
Intoxicações exógenas   aulaIntoxicações exógenas   aula
Intoxicações exógenas aula
Eduardo Tibali
 
Hipertensão refratária
Hipertensão refratáriaHipertensão refratária
Hipertensão refratária
Eduardo Tibali
 
Hepatite c
Hepatite cHepatite c
Hepatite c
Eduardo Tibali
 
Nutrição enteral e parenteral no doente crítico
Nutrição enteral e parenteral no doente críticoNutrição enteral e parenteral no doente crítico
Nutrição enteral e parenteral no doente crítico
Eduardo Tibali
 

Mais de Eduardo Tibali (10)

Doença renal crônica e gestação
Doença renal crônica e gestaçãoDoença renal crônica e gestação
Doença renal crônica e gestação
 
Variantes das doenças por lesões mínimas
Variantes das doenças por lesões mínimasVariantes das doenças por lesões mínimas
Variantes das doenças por lesões mínimas
 
Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)
Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)
Ofidismo e insuficiência renal aguda (acidente ofídico)
 
Nefropatia por IgA
Nefropatia por IgANefropatia por IgA
Nefropatia por IgA
 
Hipoglicemiantes orais em monoterapia mortalidade
Hipoglicemiantes orais em monoterapia   mortalidadeHipoglicemiantes orais em monoterapia   mortalidade
Hipoglicemiantes orais em monoterapia mortalidade
 
Suicídio
SuicídioSuicídio
Suicídio
 
Intoxicações exógenas aula
Intoxicações exógenas   aulaIntoxicações exógenas   aula
Intoxicações exógenas aula
 
Hipertensão refratária
Hipertensão refratáriaHipertensão refratária
Hipertensão refratária
 
Hepatite c
Hepatite cHepatite c
Hepatite c
 
Nutrição enteral e parenteral no doente crítico
Nutrição enteral e parenteral no doente críticoNutrição enteral e parenteral no doente crítico
Nutrição enteral e parenteral no doente crítico
 

Metformin and other antidiabetic agents in renal failure

  • 1. Eduardo Henrique CostaTibali R4 nefrologia Metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients Universidade Federal de São Paulo Escola Paulista de Medicina - Disciplina de Nefrologia
  • 2.
  • 3. Parte I. Metformina vs. Acidose lática “Metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”
  • 4. I. Metformina vs. Acidose lática  Acidose lática (sem relação com a metformina)  Lactato sérico > 5 mmol/L e pH < 7,35  Ácido lático → lactato + H+ (pKa = 3,86)  Situações de hipóxia Potencialização da glicólise (ATP) Acúmulo de piruvato Conversão de piruvato a lactato Liberação e acúmulo de lactato no sangue
  • 5. I. Metformina vs. Acidose lática  Acidose lática (sem relação com a metformina)  O acúmulo de lactato no sangue...  Não leva à acidose! Não há produção de prótons (quimicamente neutra)  Apenas“marcador”de metabolismo anaeróbio  Glicólise (anaeróbia) → fornece algunsATPs para auxiliar a ausência de fosforilação oxidativa, porém, não fornece substrato para ligar os prótons gerados na hidrólise doATP utilizado no início do processo. ACIDOSE!
  • 6.
  • 7. I. Metformina vs. Acidose lática  Metformina: farmacocinética e farmacodinâmica.  99% das moléculas existem como cátions no sangue  Biodisponibilidade oral: 50-60%.  Droga estável e não metabolizada  Eliminação hepática e renal (predominante)  Meia-vida aproximada de 20 horas  Pico de concentração: ~ 3 horas (1,5 g de metformina)
  • 8. I. Metformina vs. Acidose lática  Acidose lática induzida pela metformina  Inibição da conversão do lactato na gliconeogênese  ↑ lactato por tecidos dependentes de insulina  ↑ lactato por aceleração da glicólise (resposta à disfunção mitocondrial)  Ativação do metabolismo anaeróbico da glicose no intestino Não há grande aumento do lactato sérico, pois há o ciclo de Cori.
  • 9. Adendo 1: ciclo de Cori
  • 10.
  • 11. I. Metformina vs. Acidose lática  Acidose lática associada à metformina (MALA)  Geralmente avaliada em termos de frequência pelos estudos, e não pela relação causal.  Consequência:baixa concordância entre observadores ao explicar a associação causal entre a metformina e a acidose lática.  Os estudos no formato “metformina vs. placebo” têm viés de seleção (pacientes com contraindicações são excluídos).  Os estudos com dados retrospectivos podem traduzir melhor a ação da metformina na “vida real”.
  • 12. I. Metformina vs. Acidose lática  Acidose lática associada à metformina (MALA)  Estimativa do risco de acidose por acúmulo de metformina I.Avaliar a função renal e sua mudança ao longo do tempo II.Dose do medicamento III.Aderência do paciente à droga IV. O tempo da administração da última metformina  Dosagem dos níveis séricos e eritrocitários de metformina → 3 cenários possíveis:  Acidose lática não relacionada à metformina (droga indetectável)  Acidose lática induzida pela metformina (rara) – descartar outras causas,como sepse,hemorragia,insuficiência hepática e insuficiência pulmonar.  Acidose lática associada à metformina (não tão rara) – a droga é detectável e há doenças concomitantes.
  • 13.
  • 14. I. Metformina vs. Acidose lática  Metformina vs. Insuficiência renal  Suspender a metformina se:  Homem e creatinina ≥ 1,5 mg/dL  Mulher e creatinina ≥ 1,4 mg/dL  Alguns autores sugerem que seria seguro o uso da metformina mesmo nos pacientes com DRC avançada  Há possibilidade de ajuste para a função renal (metade ou 1/3 da dose)  Há estudos em andamento sobre a segurança do uso
  • 15. Parte II. Transplante renal “Metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”
  • 16. II. Transplante renal  Transplante renal  Modalidade deTRS nos pacientes com DRC terminal  DM pós-transplante (principalmente o tacrolimus)  Poucos estudos sobre a eficiência dos hipoglicemiantes orais  Sitagliptina:maior liberação de insulina e sem maiores preocupações.  Repaglinida vs.Rosiglitazona:mesmas eficácia e tolerância.  Pioglitazona vs.Vildagliptina vs.Placebo:melhora do perfil glicêmico.  A metformina não é droga de 1ª escolha devido a preocupações quanto a segurança  Metformina vs.Tiazolidinedionas:segurança,mas não superioridade. Prevenir o DM pós-transplante é mais importante que o seu tratamento!
  • 17. II. Transplante renal  Transplante renal  Insulinoterapia: maior segurança e eficácia dentre os fármacos.  Metformina  DM pós-transplante precoce (pós-operatório) e com função renal estável (ClCr > 30 mL/min/1,73 m2)  Correção da dose para aTFG  Evitar o uso se disfunção aguda,pois há mudanças dinâmicas naTFG e maior risco de eventos adversos.  Longo prazo  Qual hipoglicemiante é melhor? Faltam estudos...
  • 18. Nome da droga Classe Mecanismo de ação Dose habitual DRC estágio III DRC estágio IV DRC estágio V Metformina Biguanidas ↓ produção hepática de glicose e ↑ sensibilidade à ação da insulina 500 a 2550 mg por dia DRC IIIa: 850 mg - 2x. DRC IIIb: 850 mg - 1x (contraindicação relativa) Contrain- dicada Contrain- dicada II. Transplante renal *Adaptado da tabela 4 do artigo“metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”– JD Lalau et al.
  • 19. Parte III. Outros hipoglicemiantes “Metformin and other antidiabetic agents in renal failure patients”
  • 20. III. Outros hipoglicemiantes  Utilizados se:  Contraindicações à metformina  Intolerância à metformina  Metformina vs. Sulfonilureias  Efeitos renoprotetores  Melhor controle do peso  Melhor controle de PA  Melhor controle glicêmico  Metformina vs. Sulfonilureia vs. Insulina  Menor risco de desenvolvimento de neoplasias de órgãos sólidos
  • 21. III. Outros hipoglicemiantes  Sulfonilureias  Principal risco: hipoglicemia.  As de primeira geração têm eliminação renal quase exclusiva  Contraindicadas se DRC grave  Clorpropamida,acetoxamida,tolbutamida e tolazamida.  Glibenclamida  Metabolização hepática em 3 metabólitos maiores,sendo que a 4- hidroxiglibenclamida (15% da potência da glibenclamida) se acumula em casos de insuficiência renal.  Glimepirida  Metabolização hepática em 2 metabólitos maiores,que têm reduzida eliminação se insuficiência renal.
  • 22. III. Outros hipoglicemiantes  Sulfonilureias  Gliclazida  Metabolismo hepático  8 metabólitos inativos → possibilidade de uso se disfunção renal  Glipizida  Quase completa biotransformação hepática  Pode ser usada se disfunção renal,devendo-se apenas realizar ajustes de doses.
  • 23. III. Outros hipoglicemiantes  Glinidas  Meia-vida curta (3-4 horas) e administração logo antes das refeições  Repaglinida  Conversão quase completa em metabólitos inativos pelo fígado  Sem ajuste de dose para a função renal  Nateglinida  ~15% da droga é excretada inalterada pela urina  Metabolização hepática e excreção por urina (80%) e fezes (20%)  Disfunção renal:acúmulo de um metabólito ativo,que pode levar a hipoglicemia.
  • 24. III. Outros hipoglicemiantes Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual DRC estágio III DRC estágio IV DRC estágio V Biguanidas ↓ produção hepática de glicose e ↑ sensibilidade à ação da insulina Metformina 500 a 2550 mg por dia DRC IIIa: 850 mg - 2x. DRC IIIb: 850 mg - 1x (contraindicação relativa) Contrain- dicada Contrain- dicada Gliburida e glibenclamida 2,5 a 15 mg Evitar Evitar Evitar Glipizida 2,5 a 10 mg Sem ajuste de dose Sem ajuste de dose Sem ajuste de dose Glimepirida 1 a 6 mg Iniciar com dose baixa Iniciar com dose baixa Evitar Gliclazida 30-120 mg unidiamicron / 80 a 240 mg gliclazida Sem ajuste de dose Sem ajuste de dose Sem ajuste de dose Repaglinida 0,2 a 12 mg Sem ajuste de dose Sem ajuste de dose Sem ajuste de dose Nateglinida 60 a 360 mg Iniciar com dose baixa Iniciar com dose baixa Evitar Sulfonilureias Estímulo à secreção de insulina pelo pâncreas. Fechamento dos canais KATP na membrana plasmática das células β- pancreáticas. Idem ao das sulfonilureiasGlinidas
  • 25. III. Outros hipoglicemiantes  Insulina  Progressão da doença renal:  ↑ absorção da insulina peritubular  ↓ degradação da insulina filtrada  Clearance de creatinina < 20 mL/min/1,73 m2  Uremia → ↓ metabolismo hepático da insulina  Início da diálise → melhora da resistência periférica à insulina Efeito prolongado das insulinas de curta e longa duração → HIPOGLICEMIAS
  • 26. III. Outros hipoglicemiantes  Insulina  Clearance de creatinina < 20 mL/min/1,73 m2  Insulina Regular → concentração máxima mais alta e maior t½  Insulinas ultra-rápidas (análogos) → concentração máxima e t½ similares às de indivíduos comTFG normais  *O mesmo ocorre entre a insulina NPH e os análogos com duração mais longa Conclusão: dar preferência ao uso dos análogos das insulinas (Lispro + glargina).
  • 27. III. Outros hipoglicemiantes  Secretagogos de insulina à base de incretina  2 representantes: análogos do GLP-1 (incretinomiméticos) e inibidores da enzima DPP-4.  Risco muito baixo de hipoglicemia  Não há ganho de peso (efeito colateral das insulinas)  Porém...  Saxagliptina: ↑ hospitalização por ICC.  Estudos sem longo período de seguimento.
  • 28. III. Outros hipoglicemiantes Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual DRC estágio III DRC estágio IV DRC estágio V Sitagliptina 100 mg 50 mg 25 mg 25 mg Vildagliptina 50 mg x2 50 mg 50 mg 50 mg Saxagliptina 5 mg 2,5 mg 2,5 mg 2,5 mg Linagliptina 5 mg 5 mg 5 mg 5 mg Exenatida 5 μg x2 a 10 μg x2 5 μg x2 Evitar Evitar Liraglutina 0,6 a 1,8 mg Sem ajuste necessário, mas ausência de evidência. Sem ajuste necessário, mas ausência de evidência. Sem ajuste necessário, mas ausência de evidência. Inibidores do DPP-4 Inibição da atividade da DPP-IV, ↑ incretina pós- prandial ativa (GLP-1 e GIP) e, logo, regula a secreção de insulina e de glucagon. Ligação aos receptores do GLP-1 nas células β- pancreáticas e promoção secreção de insulina dependente de glicose; redução da secreção de glucagon e do esvaziamento gástrico. Incretinomiméticos Eliminação renal de 23% da droga inalterada Eliminação renal de 75-80% da droga inalteradaT½ curta. Eliminação renal de 75% da droga (inalterada + metabólito ativo). Eliminação fecal; a eliminação renal é de apenas 5%.
  • 29. III. Outros hipoglicemiantes Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual DRC estágio III DRC estágio IV DRC estágio V Sitagliptina 100 mg 50 mg 25 mg 25 mg Vildagliptina 50 mg x2 50 mg 50 mg 50 mg Saxagliptina 5 mg 2,5 mg 2,5 mg 2,5 mg Linagliptina 5 mg 5 mg 5 mg 5 mg Exenatida 5 μg x2 a 10 μg x2 5 μg x2 Evitar Evitar Liraglutina 0,6 a 1,8 mg Sem ajuste necessário, mas ausência de evidência. Sem ajuste necessário, mas ausência de evidência. Sem ajuste necessário, mas ausência de evidência. Inibidores do DPP-4 Inibição da atividade da DPP-IV, ↑ incretina pós- prandial ativa (GLP-1 e GIP) e, logo, regula a secreção de insulina e de glucagon. Ligação aos receptores do GLP-1 nas células β- pancreáticas e promoção secreção de insulina dependente de glicose; redução da secreção de glucagon e do esvaziamento gástrico. Incretinomiméticos ↑t½ progressivo se ↓TFG. Clearance e degradação pelos rins. T½ ~ 13 h (SC). Muito pouca ou nenhuma extração renal.
  • 30. III. Outros hipoglicemiantes Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual DRC estágio III DRC estágio IV DRC estágio V Tiazolidine- dionas (glitazonas) Melhora a sensibilidade da insulina; ligante para o receptor PPAR-γ. Pioglitazona 15-45 mg Sem ajuste de dose necessário Sem ajuste de dose necessário Sem ajuste de dose necessário Acarbose 75-300 mg Evitar Evitar Evitar Miglitol 75-300 mg Evitar Evitar Evitar Inibidores da α-glicosidase Bloqueio da α- glicosidase nas bordas escovadas do intestino delgado, retarda a absorção dos carboidratos. T½ ~3-7 h e 6 metabólitos hepáticos (3 ativos). Sem acúmulo se ↓TFG. Efeitos colaterais: retenção hídrica e ICC.
  • 31. Classe Mecanismo de ação Nome das drogas Dose habitual DRC estágio III DRC estágio IV DRC estágio V Tiazolidine- dionas (glitazonas) Melhora a sensibilidade da insulina; ligante para o receptor PPAR-γ. Pioglitazona 15-45 mg Sem ajuste de dose necessário Sem ajuste de dose necessário Sem ajuste de dose necessário Acarbose 75-300 mg Evitar Evitar Evitar Miglitol 75-300 mg Evitar Evitar Evitar Inibidores da α-glicosidase Bloqueio da α- glicosidase nas bordas escovadas do intestino delgado, retarda a absorção dos carboidratos. III. Outros hipoglicemiantes Quebrada pela flora intestinal em 13 metabólitos (1 ativo). Acúmulo se ↓TFG, mas significado clínico desconhecido. > Absorção sistêmica que a acarbose e não é metabolizado. Acúmulo se ↓TFG.
  • 32. III. Hipoglicemiantes orais  Inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2)  ↓ absorção da glicose no túbulo contorcido proximal e, logo, ↑ excreção renal de glicose.  Drogas: canagliflozina e dapagliflozina.  Efeito hipoglicemiante depende da TFG  Se ↓TFG = ↓ eliminação de glicose  Efeito adverso: maior prevalência de ITU (especialmente candidúria)
  • 33. III. Hipoglicemiantes orais  Inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2)  Canagliflozina  T½ ≈ 10-13 h  Eliminação da droga inalterada nas fezes: 41,5%  Eliminação de metabólitos por via urinária: 30,5%  Dose: 100-300 mg – 1x por dia.  Se ClCr entre 45-60 mL/min/1,73 m2 → 100 mg – 1x por dia.  Se ClCr < 45 mL/min/1,73 m2 → evitar o uso.  Dapagliflozina  T½ ≈ 13 h.  Metabolização hepática e renal.  Dose: 5-10 mg – 1x por dia.