O CUIDAR DO CUIDADOR  EM CUIDADOS PALIATIVOS
Doutora em Administração Hospitalar FSP - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Mestre em Psicolog...
Morrer com dignidade significa que eu tenha permissão de morrer com meu caráter, com minha personalidade Kubler - Ross
“ Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor mas lutamos para que o melhor fosse feito...Não somos o que deveriamos ser...
Definição  OMS <ul><li>Cuidado total e ativo de pacientes cuja doença não é mais responsiva a tratamento curativo.  </li><...
Princípios Básicos <ul><li>Afirmar a vida e encarar a morte como um processo natural </li></ul><ul><li>Não antecipar nem a...
Princípios Básicos <ul><li>Suporte aos familiares no período da doença e no luto </li></ul><ul><li>Família á parte integra...
Modelo Antigo de Assistência Tratamento Curativo Paliativo Diagnóstico Morte
Modelo de Assistência Atual <ul><li>Tratamento Curativo </li></ul><ul><li>Terminalidade </li></ul><ul><li>Ultimas Horas Lu...
Bases Terapêuticas do Modelo atual <ul><li>Autonomia e dignidade para o paciente </li></ul><ul><li>Integração quando possí...
<ul><li>“ Tratar uma pessoa nem sempre significa  curá-la de uma doença ” Dame Cicely Saunders   </li></ul>Fundadora do mo...
Premissas do Modelo Atual  <ul><li>O cuidador precisa repensar e reconstruir seus conceitos de  </li></ul><ul><li>Saúde </...
PARADIGMA <ul><li>“ CONJUNTO DE REGRAS QUE ESTABELECEM FRONTEIRAS ENTRE O CERTO E O ERRADO, O VERDADEIRO E O FALSO, O QUE ...
MUDANÇAS DE PARADIGMA <ul><li>ANTIGO PARADIGMA </li></ul><ul><li>Controle Rigoroso </li></ul><ul><li>Planejamento Linear <...
<ul><li>São pressupostos profundamente arraigados, </li></ul><ul><li>generalizações ou mesmo imagens que influenciam </li>...
Modelos Mentais <ul><li>Os modelos mentais podem ser generalizações simples , como “não se pode confiar nas pessoas”, ou p...
<ul><li>Curar as vezes, aliviar muito frequentemente e confortar sempre. </li></ul>
Confortos <ul><li>Conforto Fisico </li></ul><ul><li>Conforto Social </li></ul><ul><li>Conforto Psíquico </li></ul><ul><li>...
Conforto Físico <ul><li>Sensação de bem-estar corporal ou ainda, ausência de sofrimento físico e sensações físicas desagra...
Conforto Social <ul><li>“ Estado de bem estar nas relações sociais que envolvem principalmente: </li></ul><ul><li>Trabalho...
Conforto Psíquico <ul><li>“ Sensação subjetiva e situacional de ser aceito, respeitado e amado” </li></ul>
Conforto Espiritual <ul><li>“ Sensação de bem estar consigo mesmo, apoio ao outro com respeito as crenças e busca do signi...
<ul><ul><ul><li>O HOMEM SE CONSTITUI PELO CUIDADO </li></ul></ul></ul>Cuidar -  Esfera Coletiva <ul><li>Garantir a vida, a...
Cuidar -  Esfera individual A qualidade de nossas vidas depende do cuidado que dispensamos a ela. Se estivermos de bem – d...
<ul><li>Fenômeno universal humano </li></ul><ul><ul><ul><li>Os códigos de conduta para cuidar de outro são definidos pelo ...
O cuidador familiar <ul><li>O processo de adoecer é presente no ciclo vital de todos. Inevitavelmente as famílias sofrerão...
O cuidador familiar <ul><ul><li>FUNÇÕES DA FAMÍLIA: </li></ul></ul><ul><ul><li>É responsabilidade da família o cuidado </l...
O cuidador familiar <ul><ul><li>FUNÇÕES DA FAMÍLIA: </li></ul></ul><ul><ul><li>Atende às necessidades biológicas de </li><...
Estrutura familiar Modelo familiar tradicional dá espaço a uma nova configuração na sua estrutura: <ul><li>Relações de sol...
<ul><ul><ul><li>MULHER: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Assume com mais naturalidade e facilidade as tarefas de cuidar...
O cuidador familiar O “cuidador leigo ” O “cuidador técnico” Em doenças mais graves, além do cuidado leigo, são necessário...
A vida do cuidador <ul><li>Necessidade de buscar atividades alternativas, de </li></ul><ul><li>lazer, para evitar o cansaç...
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Quem cuida do cuidador? <ul><li>Precariedade do Estado no papel de amparo </li></ul><ul><li>ao cuidador </li></ul><ul><li>...
PROGRAMA NACIONAL DE CUIDADORES DE IDOSOS <ul><li>Instituído pela Secretaria do Estado de Assistência </li></ul><ul><li>So...
PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA <ul><li>Criado pelo Ministério da Saúde em 1994, tem como  </li></ul><ul><li>propósitos:  </l...
O cuidador em serviços de saúde: <ul><li>Vivência cotidiana de situações limite (doenças graves, morte), que geram constan...
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<ul><li>3.  Absenteísmo como falência de defesas competentes </li></ul><ul><li>para o enfrentamento de dificuldade </li></...
O cuidador em serviços de saúde <ul><ul><ul><li>Baixa remuneração  </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Trabalho excessivo ...
O cuidador em serviços de saúde <ul><ul><ul><li>Insegurança no trabalho </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Trabalho com d...
O cuidador em serviços de saúde O CUIDADO AO PACIENTE SUJEITO Profissional OBJETO Paciente Decide Determina Conduz Sente? ...
O cuidador em serviços de saúde <ul><li>Pessoa enfraquecida, carente, destituída de  </li></ul><ul><ul><li>seus papéis hab...
O cuidador em serviços de saúde <ul><li>“ Anestesia dos sentidos ”: Defesa </li></ul><ul><li>diante do sofrimento - </li><...
O cuidador em serviços de saúde <ul><li>CUIDAR?  CURAR?  OU  SALVAR?  </li></ul><ul><li>A medicina curativa nega a morte, ...
O cuidador em serviços de saúde ANTES DE TENTAR ELIMINAR A DOR DO PACIENTE, PRECISAMOS ACOLHÊ-LO E ESCUTÁ-LO COM SENSIBILI...
O cuidador em serviços de saúde <ul><ul><ul><li>CUIDAR DE SI PARA CUIDAR DO OUTRO:   </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>P...
O cuidador em serviços de saúde <ul><li>Dirigir o olhar para sua própria vida, reconhecer as experiências vividas </li></u...
O cuidador em serviços de saúde <ul><li>CUIDANDO DO OUTRO... </li></ul><ul><li>Proporcionar autonomia ao cliente, esclarec...
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Bibliografia <ul><ul><li>BONATO. VL. Procura de atendimento psicoterápico pelo </li></ul></ul><ul><ul><li>trabalhador da s...
<ul><li>MAZZA, MMPR. Cuidar em família: análise da representação social da relação do cuidador familiar com o idoso. São P...
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Como trabalhar com cuidados paliativos na atenção à saúde

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Palestra realizada pela Dra. Vera Bonato, da Qualidade InCor HC-FMUSP, na Sala Havana, no dia 11 de julho de 2009.

6º Congresso de Humanização da Saúde em Ação - realizado pela HC-FMUSP e Associação Viva e Deixe Viver

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Como trabalhar com cuidados paliativos na atenção à saúde

  1. 1. O CUIDAR DO CUIDADOR EM CUIDADOS PALIATIVOS
  2. 2. Doutora em Administração Hospitalar FSP - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Mestre em Psicologia Social (Pontifícia Universidade Católica - PUC) Especialista em Qualidade pela FGV – Faculdade Getúlio Vargas e Coach Empresarial Professora da FIA – Fundação Instituto de Administração /USP Professora do Curso de Especialização em Administração Hospitalar da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo da Faculdade São Camilo e da FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado Psicóloga Clínica e Institucional Supervisora Didata em Psicodrama pela ABPS – Associação Brasileira de Psicodrama Gestora do Sistema Integrado da Qualidade - InCor-HC-FMUSP - Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Consultora na Área da Saúde Autora de artigos em revistas e livros especializados. Livros: Gestão em Saúde: Programas de Qualidade em Hospitais – 2007 e Gestão Hospitalar – Administrando e Hospital Moderno – 2006 (capítulos 2 e 3) Participação no curso Accreditation Study Tour for the Consortium for Brazilian Accreditation - Joint Comission International - Chicago - EUA
  3. 3. Morrer com dignidade significa que eu tenha permissão de morrer com meu caráter, com minha personalidade Kubler - Ross
  4. 4. “ Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor mas lutamos para que o melhor fosse feito...Não somos o que deveriamos ser, não somos o que iremos ser, mas graças a Deus não somos o que éramos” Martin Luther King
  5. 5. Definição OMS <ul><li>Cuidado total e ativo de pacientes cuja doença não é mais responsiva a tratamento curativo. </li></ul><ul><li>Controle da dor, de outros sintomas físicos e de problemas psicológicos sociais e espirituais são as bases do tratamento. </li></ul><ul><li>O objetivo do cuidado paliativo é a obtenção da melhor qualidade de vida para o paciente e família </li></ul>
  6. 6. Princípios Básicos <ul><li>Afirmar a vida e encarar a morte como um processo natural </li></ul><ul><li>Não antecipar nem adiar a morte </li></ul><ul><li>Promover alívio de dor e outros sintomas </li></ul><ul><li>Integrar aspectos psicológicos, sociais e espirituais aos cuidados ( abordagem multidisciplinar) </li></ul>
  7. 7. Princípios Básicos <ul><li>Suporte aos familiares no período da doença e no luto </li></ul><ul><li>Família á parte integrante dos cuidados </li></ul><ul><li>Aplicáveis durante todo o curso da doença </li></ul><ul><li>Visa o alívio do sofrimento </li></ul><ul><li>Oferecer melhor qualidade de vida </li></ul>
  8. 8. Modelo Antigo de Assistência Tratamento Curativo Paliativo Diagnóstico Morte
  9. 9. Modelo de Assistência Atual <ul><li>Tratamento Curativo </li></ul><ul><li>Terminalidade </li></ul><ul><li>Ultimas Horas Luto </li></ul><ul><li>Diagnóstico </li></ul><ul><li>Tratamento Paliativo </li></ul><ul><li>Morte </li></ul>
  10. 10. Bases Terapêuticas do Modelo atual <ul><li>Autonomia e dignidade para o paciente </li></ul><ul><li>Integração quando possível, nas decisões terapêuticas </li></ul><ul><li>Reabilitação, quando necessário </li></ul><ul><li>Ambiente adequado: respeito, conforto, dignidade e comunicação </li></ul><ul><li>Controle de sintomas </li></ul>
  11. 11. <ul><li>“ Tratar uma pessoa nem sempre significa curá-la de uma doença ” Dame Cicely Saunders </li></ul>Fundadora do moderno movimento hospice, Dame Cecily Saunders, faleceu em 2005 em Londres. Sua vocação foi cuidar de doentes em fase terminal. Ela percebeu que ela só podereria ser eficaz se ela obteve-se um grau médico, e começou seus estudos na idade de 33. Em 1967 ela abriu St Christopher's Hospice, agora uma das muitas em todo o mundo
  12. 12. Premissas do Modelo Atual <ul><li>O cuidador precisa repensar e reconstruir seus conceitos de </li></ul><ul><li>Saúde </li></ul><ul><li>Doença </li></ul><ul><li>Tratamento </li></ul><ul><li>Cura </li></ul><ul><li>Morte </li></ul><ul><li>Conforto </li></ul>
  13. 13. PARADIGMA <ul><li>“ CONJUNTO DE REGRAS QUE ESTABELECEM FRONTEIRAS ENTRE O CERTO E O ERRADO, O VERDADEIRO E O FALSO, O QUE SE DEVE E O QUE NÃO SE DEVE FAZER” </li></ul><ul><li>“ FUNCIONA COMO UM MODELO, PADRÃO QUE DEFINE O COMPORTAMENTO DAS PESSOAS” </li></ul><ul><li>“ ENFOQUE PELO QUAL O SER HUMANO ENXERGA O MUNDO, AS COISAS, A NATUREZA, OS OUTROS SERES E OS OUTROS HOMENS” </li></ul><ul><li>“ MODO DE SE PERCEBER, PENSAR, ACREDITAR, AVALIAR, COMENTAR E AGIR DE ACORDO COM UMA VISÃO PARTICULAR DE MUNDO” </li></ul>
  14. 14. MUDANÇAS DE PARADIGMA <ul><li>ANTIGO PARADIGMA </li></ul><ul><li>Controle Rigoroso </li></ul><ul><li>Planejamento Linear </li></ul><ul><li>Soluções Isoladas </li></ul><ul><li>Em negócios vale tudo: Os fins justificam os meios </li></ul><ul><li>Busca de estabilidade e segurança </li></ul><ul><li>NOVO PARADIGMA </li></ul><ul><li>Descentralização da autoridade </li></ul><ul><li>Planejamento por interação </li></ul><ul><li>Sistemas completos </li></ul><ul><li>Os valores são negociáveis </li></ul><ul><li>Senso de mudança </li></ul>
  15. 15. <ul><li>São pressupostos profundamente arraigados, </li></ul><ul><li>generalizações ou mesmo imagens que influenciam </li></ul><ul><li>nossa forma de ver o mundo e de agir </li></ul><ul><li>Passos dos Modelos Mentais: </li></ul><ul><li>Olhar-se, virar o espelho para dentro </li></ul><ul><li>Aprender a desenterrar nossas imagens internas do mundo, levá-las à superfície e mantê-las sob rigorosa análise </li></ul><ul><li>Realizar conversas ricas em aprendizados </li></ul><ul><li>Expor de forma eficaz seus próprios pensamentos e estar aberta </li></ul>MODELOS MENTAIS
  16. 16. Modelos Mentais <ul><li>Os modelos mentais podem ser generalizações simples , como “não se pode confiar nas pessoas”, ou podem ser teorias complexas , como minhas premissas sobre os motivos pelos quais os membros interagem de uma determinada forma. Mas o mais importante é compreender que os modelos metais são ativos - moldam nossa forma de agir. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Curar as vezes, aliviar muito frequentemente e confortar sempre. </li></ul>
  18. 18. Confortos <ul><li>Conforto Fisico </li></ul><ul><li>Conforto Social </li></ul><ul><li>Conforto Psíquico </li></ul><ul><li>Conforto Espiritual </li></ul>
  19. 19. Conforto Físico <ul><li>Sensação de bem-estar corporal ou ainda, ausência de sofrimento físico e sensações físicas desagradáveis </li></ul>
  20. 20. Conforto Social <ul><li>“ Estado de bem estar nas relações sociais que envolvem principalmente: </li></ul><ul><li>Trabalho, amigos e outros setores da comunidade” </li></ul>
  21. 21. Conforto Psíquico <ul><li>“ Sensação subjetiva e situacional de ser aceito, respeitado e amado” </li></ul>
  22. 22. Conforto Espiritual <ul><li>“ Sensação de bem estar consigo mesmo, apoio ao outro com respeito as crenças e busca do significado da vida em direção dos fins existenciais” </li></ul>
  23. 23. <ul><ul><ul><li>O HOMEM SE CONSTITUI PELO CUIDADO </li></ul></ul></ul>Cuidar - Esfera Coletiva <ul><li>Garantir a vida, ajudar a viver todo aquele que temporária ou definitivamente necessita de ajuda para garantir suas necessidades vitais </li></ul><ul><ul><ul><li>Cuidar é mais que realizar uma tarefa técnica. Envolve fatores como atenção, carinho, amor </li></ul></ul></ul>
  24. 24. Cuidar - Esfera individual A qualidade de nossas vidas depende do cuidado que dispensamos a ela. Se estivermos de bem – de bem com a vida – sentimos prazer de estarmos vivos e, nessas condições, temos espaço interno para acolher e cuidar <ul><li>Ações que realizamos a nós mesmos, desde que adquirimos autonomia </li></ul><ul><li>Auto-cuidado </li></ul>
  25. 25. <ul><li>Fenômeno universal humano </li></ul><ul><ul><ul><li>Os códigos de conduta para cuidar de outro são definidos pelo Estado, pela sociedade e pela família </li></ul></ul></ul>Cuidar <ul><ul><ul><li>FAMILIAR: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>via de regra, mulher – esposa, filha, irmã </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>PROFISSIONAL DE SAÚDE: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem </li></ul></ul></ul>CUIDADOR
  26. 26. O cuidador familiar <ul><li>O processo de adoecer é presente no ciclo vital de todos. Inevitavelmente as famílias sofrerão os abalos deste processo </li></ul><ul><ul><li>O paciente sente-se mais protegido e seguro na relação de cuidado com seu familiar </li></ul></ul><ul><ul><li>Com o profissional de saúde o envolvimento é sentido como técnico e sem afeto </li></ul></ul>
  27. 27. O cuidador familiar <ul><ul><li>FUNÇÕES DA FAMÍLIA: </li></ul></ul><ul><ul><li>É responsabilidade da família o cuidado </li></ul></ul><ul><ul><li>de seus membros, desde o nascimento até a </li></ul></ul><ul><ul><li>morte em quaisquer condições sociais, </li></ul></ul><ul><ul><li>econômicas ou de saúde; </li></ul></ul>
  28. 28. O cuidador familiar <ul><ul><li>FUNÇÕES DA FAMÍLIA: </li></ul></ul><ul><ul><li>Atende às necessidades biológicas de </li></ul></ul><ul><ul><li>seus membros, incluindo a obrigação de </li></ul></ul><ul><ul><li>alimentação, higiene, vestuário e moradia </li></ul></ul>Um familiar doente altera a dinâmica familiar, podendo causar desequilíbrios emocionais, financeiros e nos relacionamentos
  29. 29. Estrutura familiar Modelo familiar tradicional dá espaço a uma nova configuração na sua estrutura: <ul><li>Relações de solidariedade entre gerações mais fragilizadas </li></ul><ul><ul><ul><li>“ Intimidade à distância”: famílias morando em casas ou até mesmo cidades separadas </li></ul></ul></ul><ul><li>Todos os seus integrantes inseridos no mercado de trabalho </li></ul><ul><ul><ul><li>Famílias cada vez menores </li></ul></ul></ul>
  30. 30. <ul><ul><ul><li>MULHER: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Assume com mais naturalidade e facilidade as tarefas de cuidar </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Trajetória ligada à família e ao âmbito doméstico </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Função materna: “dom” de cuidar </li></ul></ul></ul>O cuidador familiar É mais comum o cuidador familiar desempenhar seu encargo sozinho, sem a ajuda de outros familiares ou de profissionais
  31. 31. O cuidador familiar O “cuidador leigo ” O “cuidador técnico” Em doenças mais graves, além do cuidado leigo, são necessários conhecimentos mais complexos, comuns ao profissional da saúde, para cuidar de seu familiar Desempenha atividades da vida diária, como cuidados com a higiene, além de ter boa vontade, disposição, respeito à vida humana, bom senso e solidariedade
  32. 32. A vida do cuidador <ul><li>Necessidade de buscar atividades alternativas, de </li></ul><ul><li>lazer, para evitar o cansaço, a depressão, como </li></ul><ul><li>uma “válvula de escape” (Mazza, 2003) em sua </li></ul><ul><li>vida </li></ul><ul><li>Há um desgaste implícito na função do cuidador </li></ul><ul><li>Dificuldade de conciliar atividades profissionais com atividades de cuidador </li></ul><ul><li>A falta de informação e orientação, de um vínculo institucional de apoio, podem acabar asfixiando o cuidador </li></ul>
  33. 33. <ul><li>O cuidador familiar transforma-se em </li></ul><ul><li>um doente a longo prazo, na medida </li></ul><ul><li>em que assume a sobrecarga do cuidado </li></ul><ul><li>sem qualquer suporte ou informação e </li></ul><ul><li>não lhe são garantidos meios de </li></ul><ul><li>prevenção. </li></ul>
  34. 34. Quem cuida do cuidador? <ul><li>Precariedade do Estado no papel de amparo </li></ul><ul><li>ao cuidador </li></ul><ul><li>Necessidade de uma maior articulação entre a </li></ul><ul><li>família (esfera privada) e a comunidade e o </li></ul><ul><li>Estado (esfera pública) no cuidado ao doente </li></ul><ul><li>Em países da Europa, América Latina e os Estados Unidos: Estado, família e comunidade são igualmente responsáveis pelo cuidado ao idoso </li></ul>
  35. 35. PROGRAMA NACIONAL DE CUIDADORES DE IDOSOS <ul><li>Instituído pela Secretaria do Estado de Assistência </li></ul><ul><li>Social, Ministério da Previdência e Assistência e </li></ul><ul><li>Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da </li></ul><ul><li>Saúde, em 1999 </li></ul><ul><li>Criado como alternativa para proporcionar melhor </li></ul><ul><li>qualidade de vida e atendimento integral ao idoso e </li></ul><ul><li>sua família, visa habilitar recursos humanos para o </li></ul><ul><li>cuidado ao idoso </li></ul>
  36. 36. PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA <ul><li>Criado pelo Ministério da Saúde em 1994, tem como </li></ul><ul><li>propósitos: </li></ul><ul><li>reorganizar a prática da atenção à saúde em novas bases. </li></ul><ul><li>priorizar as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua. </li></ul><ul><li>o atendimento é prestado na unidade básica de saúde ou no domicílio. Assim, esses profissionais e a população acompanhada criam vínculos de co-responsabilidade, o que facilita a identificação e o atendimento aos problemas de saúde da comunidade. </li></ul>
  37. 37. O cuidador em serviços de saúde: <ul><li>Vivência cotidiana de situações limite (doenças graves, morte), que geram constante stress </li></ul><ul><li>Diversas pesquisas estudaram a morbidade psicológica e psiquiátrica na população médica, com patologias como: comportamento aditivos (uso abusivo de álcool e drogas), sofrimento nas relações interpessoais, comportamentos psicopatológicos (ansiedade, depressão), disfunções profissionais (Carvalho, 2003) </li></ul>
  38. 38. <ul><li>Em pesquisa sobre a procura de atendimento </li></ul><ul><li>psicoterápico pelo profissional da saúde, realizada </li></ul><ul><li>com 57 funcionários de um hospital (Bonato, 1994), </li></ul><ul><li>levantou-se que: </li></ul><ul><li>36,8% da população pesquisada expressou queixas relacionadas ao trabalho, dentre elas: </li></ul>O cuidador em serviços de saúde: <ul><li>Estresse - 51,7% </li></ul><ul><li>Desmotivação - 48% </li></ul>Manifestam-se na forma de: Ansiedade na relação com as chefias, irritação, nervosismo,falta de ânimo para o trabalho, desejo de transferência, dificuldade na relação com os colegas
  39. 39. <ul><li>Libouban (1985) identifica 5 estratégias </li></ul><ul><li>defensivas utilizadas pelo pessoal do hospital para </li></ul><ul><li>proteger-se da sobrecarga afetiva e emocional face </li></ul><ul><li>o contato com a dor e o sofrimento: </li></ul>O cuidador em serviços de saúde: 1 . Coesão interna entre a equipe baseada numa ajuda mútua 2. Hiperatividade verbal ou cinética como modo de afastar a angústia
  40. 40. <ul><li>3. Absenteísmo como falência de defesas competentes </li></ul><ul><li>para o enfrentamento de dificuldade </li></ul>O cuidador em serviços de saúde: 4 . A verbalização de questões não vinculadas ao trabalho - chistes e anedotas como válvula de escape 5 . Agressividade reativa contra o paciente através de zombarias, ridicularizações, para encobrir sentimentos de culpa pelo sofrimento do outro, evitando que se coloquem numa posição de fragilidade, sensibilidade
  41. 41. O cuidador em serviços de saúde <ul><ul><ul><li>Baixa remuneração </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Trabalho excessivo </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Precariedade de recursos materiais </li></ul></ul></ul>A ética na relação com a instituição de saúde: <ul><ul><ul><li>O CUIDADOR É RESPEITADO? </li></ul></ul></ul>
  42. 42. O cuidador em serviços de saúde <ul><ul><ul><li>Insegurança no trabalho </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Trabalho com doença e morte </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Pouco suporte social da instituição ao profissional </li></ul></ul></ul>Causadores de stress ao profissional da saúde <ul><ul><ul><li>AS DIFICULDADES QUE ENVOLVEM OS SERVIÇOS DE SAÚDE SOBREPÕEM-SE ÀS NECESSIDADES DOS PACIENTES? </li></ul></ul></ul>
  43. 43. O cuidador em serviços de saúde O CUIDADO AO PACIENTE SUJEITO Profissional OBJETO Paciente Decide Determina Conduz Sente? Deseja? Afastamento
  44. 44. O cuidador em serviços de saúde <ul><li>Pessoa enfraquecida, carente, destituída de </li></ul><ul><ul><li>seus papéis habituais, com medo da dor, da </li></ul></ul><ul><ul><li>doença </li></ul></ul><ul><ul><li>Precisa de apoio emocional, de esclarecimento sobre o que está acontecendo com seu corpo </li></ul></ul><ul><ul><li>Neste contexto, o profissional de saúde é a </li></ul></ul><ul><ul><li>pessoa com quem ele contará </li></ul></ul><ul><ul><li>PACIENTE: </li></ul></ul>
  45. 45. O cuidador em serviços de saúde <ul><li>“ Anestesia dos sentidos ”: Defesa </li></ul><ul><li>diante do sofrimento - </li></ul><ul><li>Comportamento que se cristaliza, e </li></ul><ul><li>que impede que o profissional </li></ul><ul><li>responda espontânea e criativamente </li></ul><ul><li>em seu trabalho </li></ul>A familiarização com a dor e o sofrimento dificulta que o profissional de saúde veja o paciente além de seu corpo
  46. 46. O cuidador em serviços de saúde <ul><li>CUIDAR? CURAR? OU SALVAR? </li></ul><ul><li>A medicina curativa nega a morte, nela </li></ul><ul><li>reconhecendo a sua própria impotência </li></ul><ul><li>diante do fato biológico </li></ul>“ Se pudermos ter claro o referencial do CUIDAR SEMPRE em lugar da obstinação em CURAR SEMPRE, poderemos ter uma diminuição de um fator de risco para estresse do cuidador.” (Carvalho, 2003, p. 141)
  47. 47. O cuidador em serviços de saúde ANTES DE TENTAR ELIMINAR A DOR DO PACIENTE, PRECISAMOS ACOLHÊ-LO E ESCUTÁ-LO COM SENSIBILIDADE E SOLIDARIEDADE “ Estamos mais preparados, aparentemente, para trabalhar com a vida do que com as suas possibilidades de interrupção e morte.” (Lunardi et al, 2004, p. 937)
  48. 48. O cuidador em serviços de saúde <ul><ul><ul><li>CUIDAR DE SI PARA CUIDAR DO OUTRO: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Para tratar o outro com humanidade, é necessário que o profissional se reconheça e se trate como um ser humano </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Se o profissional da saúde não entrar em contato com os seus desejos, terá dificuldade para entrar em sintonia com as necessidades do outro </li></ul></ul></ul>
  49. 49. O cuidador em serviços de saúde <ul><li>Dirigir o olhar para sua própria vida, reconhecer as experiências vividas </li></ul><ul><li>Estar atento às suas próprias necessidades, desejos, comportamentos, emoções e sentimentos, e ainda às maneiras de expressá-los </li></ul><ul><li>Ver a si mesmo como um bem preservado </li></ul><ul><li>Integração de seus desejos às exigências de seu papel profissional </li></ul>CUIDANDO DE SI...
  50. 50. O cuidador em serviços de saúde <ul><li>CUIDANDO DO OUTRO... </li></ul><ul><li>Proporcionar autonomia ao cliente, esclarecendo, </li></ul><ul><li>informando sobre o cuidado, sobre o diagnóstico. </li></ul><ul><li>Trabalhar “COM” e não “PARA” , “PELO” </li></ul><ul><li>A reação do paciente a uma má notícia está </li></ul><ul><li>diretamente ligada à disponibilidade para </li></ul><ul><li>explicações, conforto e humanidade do </li></ul><ul><li>profissional de saúde </li></ul>
  51. 51. “ Quem tem do doente, uma visão holística e o aceita como ser humano em todas as suas dimensões, encontra muitos e sólidos motivos, força e apoio para uma assistência digna, realmente humanizada.” (Mezzomo et alii, 2003) Obrigado pela participação de todos!!
  52. 52. Bibliografia <ul><ul><li>BONATO. VL. Procura de atendimento psicoterápico pelo </li></ul></ul><ul><ul><li>trabalhador da saúde. São Paulo (SP), 1994. Dissertação de Mestrado em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. </li></ul></ul><ul><ul><li>CARVALHO, VA de. Cuidados com o cuidador. Rev O mundo da saúde, ano 27, v. 27, n 1, p. 138- 146, jan-mar 2003 </li></ul></ul><ul><ul><li>KARSCH, UM. Idosos dependente: famílias e cuidadores. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19(3):861-866. Mai-jun, 2003. </li></ul></ul><ul><ul><li>LUNARDI VL, LUNARDI VL FILHO, SILVEIRA RS, SOARES NV, LIPINSKI JM. O Cuidado de si como condição para o cuidado dos outros na prática de saúde. Rev Latino-am Enfermagem, 2004, nov-dez; 12(6):993-9 </li></ul></ul>
  53. 53. <ul><li>MAZZA, MMPR. Cuidar em família: análise da representação social da relação do cuidador familiar com o idoso. São Paulo (SP), 2003. Tese de Doutorado – Departamento de Práticas em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. </li></ul><ul><li>MENDONÇA, KM. A realidade do cuidadores: assistência em domicílio aos portadores de câncer. Campo Grande (MS), 1998. Dissertação de Mestrado – Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. </li></ul><ul><li>PITTA, AMF. Trabalho hospitalar e sofrimento psíquico. Tese de Doutorado - Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1989. </li></ul><ul><li>Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social. Site: http://www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/legislacao/portarias/por_5153_99.asp - 08/03/2005 </li></ul><ul><li>Ministério da Saúde - Saúde da Família. Site: www.Saude.gov.br </li></ul>
  54. 54. <ul><li>PROFª DRª VERA LUCIA BONATO </li></ul><ul><li>FONE: (11) 30695013 </li></ul><ul><li>EMAIL: sqvera@incor.usp.br </li></ul><ul><li>PSICÓLOGA LIGIA ASSIS </li></ul><ul><li>FONE: (11) 9958-7429 </li></ul><ul><li>EMAIL:ligia_assis@uol.com.br </li></ul><ul><li>PSICÓLOGA ANDRÉIA CRISTINA M. S. SILVA </li></ul><ul><li>FONE: (11) 9731-5883 </li></ul><ul><li>EMAIL: souza@emilioribas.sp.gov.br </li></ul>

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