SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 26
AS TEORIAS PEDAGÓGICAS
Luciana B. Jacob
Introdução aos Estudos da Educação
TEORIAS CRÍTICAS E NÃO-CRÍTICAS
• Teorias não-críticas: entendem que a
educação é um instrumento de equalização
social e superação da marginalidade
• Teorias críticas: entendem que a educação é
um instrumento de discriminação social e um
fator de marginalização
(Saviani, 1999)
Qual a diferença?
A diferença entre ambas está na forma de entender as relações
entre educação e sociedade.
Para as teorias não-críticas, a sociedade é concebida como
essencialmente harmoniosa, tendendo à integração de seus
membros. A marginalidade é um fenômeno acidental que afeta
individualmente a um número maior ou menor de seus membros
o que, no entanto, constitui um desvio, uma distorção deve ser
corrigida. A educação emerge como um instrumento de correção
dessas distorções. Constitui uma força homogeneizadora que tem
por função reforçar os laços sociais, promover a coesão e garantir
a integração de todos os indivíduos no corpo social.
Qual a diferença?
As teorias críticas concebem a sociedade como
sendo essencialmente marcada pela divisão
entre grupos ou classes antagônicos que se
relacionam à base da força, a qual se manifesta
fundamentalmente nas condições de produção
da vida material. Nesse quadro, a marginalidade
é entendida como um fenômeno inerente à
própria estrutura da sociedade.
AS TEORIAS NÃO-CRÍTICAS:
PEDAGOGIA TRADICIONAL
• Instaurada logo após o final da monarquia, na
segunda metade do séc. 19  deu origem aos
“sistemas nacionais de ensino”
• Inspirou-se no princípio de que a educação é
direito de todos e dever do Estado
• Para transformar “súditos” em “cidadãos”,
deveria ser transposta a barreira da ignorância
através do ensino
PEDAGOGIA TRADICIONAL
• O trabalho escolar foi dividido em classes e o
papel do professor tornou-se fundamental
• Entretanto, a escola com base na pedagogia
tradicional não conseguiu universalizar o
ensino, ao mesmo tempo em que nem todos
que saiam da escola se ajustavam à sociedade
burguesa da época
• Assim, começam a surgir volumosas críticas à
essa pedagogia
AS TEORIAS NÃO-CRÍTICAS:
ESCOLA NOVA
• Surge o “escolanovismo”, implantado primeiramente
em algumas poucas escolas, no início do séc. 20,
depois solicitando sua ampliação para toda a rede de
ensino
• Segundo essa nova teoria, a marginalidade deixa de ser
vista predominantemente sob o ângulo da ignorância,
isto é, o não domínio de conhecimentos. O
marginalizado já não é o ignorante, mas o rejeitado.
Alguém está integrado não quando é ilustrado, mas
quando se sente aceito pelo grupo e, através dele, pela
sociedade em seu conjunto.
ESCOLA NOVA
• Essa pedagogia exige um tratamento diferencial a
partir da "descoberta" das diferenças individuais: os
homens são essencialmente diferentes e cada
indivíduo é único (p. ex. Montessori)
• Portanto, a marginalidade não pode ser explicada pelas
diferenças entre os homens, quaisquer que elas sejam:
não apenas diferenças de cor, de raça, de credo ou de
classe, o que já era defendido pela pedagogia
tradicional; mas também diferenças no domínio do
conhecimento, na participação do saber, no
desempenho cognitivo.
ESCOLA NOVA
• A educação, enquanto fator de equalização social será um
instrumento de correção da marginalidade na medida em
que cumprir a função de ajustar, de adaptar os indivíduos
à sociedade, incutindo neles o sentimento de aceitação
dos demais e pelos demais.
• Portanto, a educação será um instrumento de correção
da marginalidade quando contribuir para a constituição
de uma sociedade cujos membros, não importam as
diferenças de quaisquer tipos, se aceitem mutuamente e
se respeitem na sua individualidade específica.
PEDAGOGIA TRADICIONAL ESCOLA NOVA
Intelecto  Sentimento
Lógico  Psicológico
Conteúdo  Método
Professor  Aluno
Esforço  Interesse
Disciplina  Espontaneidade
Quantidade  Qualidade
Aprender  Aprender a
aprender
ESCOLA NOVA
• Devido às suas especificidades, acabou
circunscrita a um pequeno número de escolas,
geralmente voltadas à elite do país
• O ideário escolanovista, tendo sido amplamente
difundido, penetrou nas cabeças dos educadores
acabando por gerar consequências também nas
amplas redes escolares oficiais organizadas na
forma tradicional
ESCOLA NOVA
• Tais consequências foram mais negativas que positivas
uma vez que, provocando o afrouxamento da disciplina
e a despreocupação com a transmissão de
conhecimentos, acabou por rebaixar o nível do ensino
destinado às camadas populares as quais muito
frequentemente têm na escola o único meio de acesso
ao conhecimento elaborado
• Em contrapartida, a "Escola Nova" aprimorou a
qualidade do ensino destinado às elites.
Paradoxalmente, em lugar de resolver o problema da
marginalidade, a "Escola Nova" o agravou
AS TEORIAS NÃO-CRÍTICAS:
PEDAGOGIA TECNICISTA
• No final da primeira metade do séc. 20, as
esperanças na Escola Nova começaram a se exaurir
• A partir do pressuposto da neutralidade científica e
inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e
produtividade, essa pedagogia preconiza a
reordenação do processo educativo de maneira a
torná-lo objetivo e operacional
PEDAGOGIA TECNICISTA
• Buscou-se planejar a educação de modo a dotá-Ia de
uma organização racional capaz de minimizar as
interferências subjetivas que pudessem pôr em risco
sua eficiência. Para tanto, era preciso operacionalizar
os objetivos e, pelo menos em certos aspectos,
mecanizar o processo
• Ocorreu a padronização do sistema de ensino a partir
de esquemas de planejamento previamente
formulados aos quais devem se ajustar as diferentes
modalidades de disciplinas e práticas pedagógicas
PEDAGOGIA TECNICISTA
• O elemento principal passa a ser a organização racional
dos meios, ocupando professor e aluno posição
secundária, relegados à condição de executores de um
processo cuja concepção, planejamento, coordenação
e controle ficam a cargo de especialistas supostamente
habilitados, neutros, objetivos, imparciais
• A organização do processo converte-se na garantia da
eficiência, compensando e corrigindo as deficiências do
professor e maximizando os efeitos de sua intervenção
PEDAGOGIA TECNICISTA
• Para a pedagogia tecnicista a marginalidade não será
identificada com a ignorância nem será detectada a partir do
sentimento de rejeição. Marginalizado será o incompetente
(no sentido técnico da palavra), isto é, o ineficiente e
improdutivo.
• A educação estará contribuindo para superar o problema da
marginalidade na medida em que formar indivíduos
eficientes, portanto, capazes de darem sua parcela de
contribuição para o aumento da produtividade da sociedade
• Aprender a FAZER  burocratização escolar
PEDAGOGIA TECNICISTA
• Nessas condições, a pedagogia tecnicista acabou
por contribuir para aumentar o caos na campo
educativo, gerando tal nível de descontinuidade,
de heterogeneidade e de fragmentação, que
praticamente inviabiliza o trabalho pedagógico
• Com isto, o problema da marginalidade só tendeu
a se agravar: o conteúdo do ensino tornou-se
ainda mais rarefeito e a relativa ampliação das
vagas se tornou irrelevante em face dos altos
índices de evasão e repetência
AS TEORIAS CRÍTICO-
REPRODUTIVISTAS
• Teoria do sistema de ensino enquanto
violência simbólica
• Teoria da escola enquanto aparelho
ideológico de Estado (AlE)
• Teoria da escola dualista
Teoria do sistema de ensino enquanto violência
simbólica: Bordieu e Passeron (1975)
Por que violência simbólica? O reforço da
violência material se dá pela sua conversão ao plano
simbólico onde se produz e reproduz o
reconhecimento da dominação e de sua legitimidade
pelo desconhecimento (dissimulação) de seu caráter
de violência explícita. Assim, à violência material
(dominação econômica) exercida pelos grupos ou
classes dominantes sobre os grupos ou classes
dominados corresponde a violência simbólica
(dominação cultural).
Teoria do sistema de ensino enquanto violência
simbólica: Bordieu e Passeron (1975)
• A ação pedagógica é uma imposição arbitrária da cultura
(também arbitrária) dos grupos ou classes dominantes aos
grupos ou classes dominados. Essa imposição, para se
exercer, implica necessariamente a autoridade pedagógica,
isto é, um "poder arbitrário de imposição”
• A referida ação pedagógica que se exerce através da
autoridade pedagógica se realiza através do Trabalho
Pedagógico, entendido "como trabalho de inculcação que
deve durar o bastante para produzir uma formação durável
capaz de perpetuar-se após a cessação da ação pedagógica
e por isso de perpetuar nas práticas os princípios do
arbitrário interiorizado" (Bourdieu & Passeron, 1975: 44).
Teoria do sistema de ensino enquanto violência
simbólica: Bordieu e Passeron (1975)
• A função da educação é a de reprodução das
desigualdades sociais. Pela reprodução cultural, ela
contribui especificamente para a reprodução social
• De acordo com essa teoria, marginalizados são os
grupos ou classes dominados. Marginalizados
socialmente porque não possuem força material
(capital econômico) e marginalizados culturalmente,
porque não possuem força simbólica (capital cultural).
E a educação, longe de ser um fator de superação da
marginalidade, constitui um elemento reforçador da
mesma
TEORIA DA ESCOLA ENQUANTO APARELHO
IDEOLÓGICO DE ESTADO
• “O Aparelho Ideológico de Estado que foi
colocado em posição dominante nas
formações capitalistas maduras é o Aparelho
Ideológico Escolar“ (Althusser, s/d)
• A escola constitui o instrumento mais acabado
de reprodução das relações de produção
capitalistas
TEORIA DA ESCOLA ENQUANTO APARELHO
IDEOLÓGICO DE ESTADO
• O fenômeno da marginalização se inscreve no
âmbito das relações de produção capitalista
que se funda na expropriação dos
trabalhadores pelos capitalistas
• Marginalizada é, pois, a classe trabalhadora. O
AlE escolar, em lugar de instrumento de
equalização social, constitui um mecanismo
construído pela burguesia para garantir e
perpetuar seus interesses
PARA UMA TEORIA CRÍTICA DA
EDUCAÇÃO
• É possível encarar a escola como uma realidade
histórica, isto é, suscetível de ser transformada
intencionalmente pela ação humana?
• É possível articular a escola com os interesses
dominados?
• É possível uma teoria da educação que capte
criticamente a escola corno um instrumento
capaz de contribuir para a superação do
problema da marginalidade?
PARA UMA TEORIA CRÍTICA DA
EDUCAÇÃO
Uma teoria crítica da educação tem a tarefa
de superar tanto o poder ilusório (que
caracteriza as teorias não-críticas) como a
impotência (decorrente das teorias crítico-
reprodutivistas), colocando nas mãos dos
educadores uma arma de luta capaz de permitir-
lhes o exercício de um poder real, ainda que
limitado.
PARA UMA TEORIA CRÍTICA DA
EDUCAÇÃO
Trata- se de retomar vigorosamente a luta contra
a seletividade, a discriminação e o rebaixamento do
ensino das camadas populares. Lutar contra a
marginalidade através da escola significa engajar-se
no esforço para garantir aos trabalhadores um
ensino da melhor qualidade possível nas condições
históricas atuais. O papel de uma teoria crítica da
educação é dar substância concreta a essa bandeira
de luta, de modo a evitar que ela seja apropriada e
articulada com os interesses dominantes.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Libâneo, josé carlos
Libâneo, josé carlosLibâneo, josé carlos
Libâneo, josé carlos
Soares Junior
 
Diretrizes curriculares nacionais
Diretrizes curriculares nacionaisDiretrizes curriculares nacionais
Diretrizes curriculares nacionais
marcaocampos
 
Educação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultosEducação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultos
Silma Alexandre
 
Tendências Pedagógicas da Educação Brasileira
Tendências Pedagógicas da Educação BrasileiraTendências Pedagógicas da Educação Brasileira
Tendências Pedagógicas da Educação Brasileira
Herbert Santana
 
Filosofia da Educação
Filosofia da Educação  Filosofia da Educação
Filosofia da Educação
unieubra
 

Mais procurados (20)

Conceitos de curriculo
Conceitos  de curriculoConceitos  de curriculo
Conceitos de curriculo
 
Filosofia da educacao
Filosofia da educacaoFilosofia da educacao
Filosofia da educacao
 
Libâneo, josé carlos
Libâneo, josé carlosLibâneo, josé carlos
Libâneo, josé carlos
 
Diretrizes curriculares nacionais
Diretrizes curriculares nacionaisDiretrizes curriculares nacionais
Diretrizes curriculares nacionais
 
História e politica educacional percurso
História e politica educacional   percursoHistória e politica educacional   percurso
História e politica educacional percurso
 
Educação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultosEducação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultos
 
7. Papel político pedagógico do gestor educacional - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima
7. Papel político pedagógico do gestor educacional - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima7. Papel político pedagógico do gestor educacional - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima
7. Papel político pedagógico do gestor educacional - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima
 
CONCEPÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E DE GESTÃO ESCOLAR
CONCEPÇÕES  DE ORGANIZAÇÃO E DE GESTÃO ESCOLARCONCEPÇÕES  DE ORGANIZAÇÃO E DE GESTÃO ESCOLAR
CONCEPÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E DE GESTÃO ESCOLAR
 
Ed inclusiva unidade 1
Ed inclusiva unidade 1Ed inclusiva unidade 1
Ed inclusiva unidade 1
 
Aula 2 gestão educacional
Aula 2 gestão educacionalAula 2 gestão educacional
Aula 2 gestão educacional
 
Slide tendências pedagógicas
Slide   tendências pedagógicasSlide   tendências pedagógicas
Slide tendências pedagógicas
 
"Tendências pedagógicas"
"Tendências pedagógicas""Tendências pedagógicas"
"Tendências pedagógicas"
 
Curriculo
CurriculoCurriculo
Curriculo
 
Organização e gestão da escola
Organização e gestão da escolaOrganização e gestão da escola
Organização e gestão da escola
 
Tendências Pedagógicas da Educação Brasileira
Tendências Pedagógicas da Educação BrasileiraTendências Pedagógicas da Educação Brasileira
Tendências Pedagógicas da Educação Brasileira
 
Filosofia da Educação
Filosofia da Educação  Filosofia da Educação
Filosofia da Educação
 
Planejamento pedagógico alinhado à BNCC
Planejamento pedagógico alinhado à BNCCPlanejamento pedagógico alinhado à BNCC
Planejamento pedagógico alinhado à BNCC
 
Os Pioneiros do Manifesto da Educação Nova
Os Pioneiros do Manifesto da Educação NovaOs Pioneiros do Manifesto da Educação Nova
Os Pioneiros do Manifesto da Educação Nova
 
A atuação do pedagogo em espaços não escolares
A atuação do pedagogo em espaços não escolaresA atuação do pedagogo em espaços não escolares
A atuação do pedagogo em espaços não escolares
 
Educação, o que é?
Educação, o que é?Educação, o que é?
Educação, o que é?
 

Semelhante a AS TEORIAS PEDAGÓGICAS.ppt

A função Social da Escola
A função Social da EscolaA função Social da Escola
A função Social da Escola
Sued Oliveira
 
Formação Educadores E Diversidade Slide1
Formação Educadores E Diversidade Slide1Formação Educadores E Diversidade Slide1
Formação Educadores E Diversidade Slide1
culturaafro
 
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
culturaafro
 
Analise de pensamento de dois grandes autores
Analise de pensamento de dois grandes autoresAnalise de pensamento de dois grandes autores
Analise de pensamento de dois grandes autores
Clayton Bezerra
 
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
culturaafro
 
A elitização do saber e a exclusão da maioria
A elitização do saber e a exclusão da maioriaA elitização do saber e a exclusão da maioria
A elitização do saber e a exclusão da maioria
Greziella Vieira
 

Semelhante a AS TEORIAS PEDAGÓGICAS.ppt (20)

FICHAMENTO LIVRO ESCOLA E DEMOCRACIA, DERMEVAL SAVIANI.docx
FICHAMENTO LIVRO ESCOLA E DEMOCRACIA, DERMEVAL SAVIANI.docxFICHAMENTO LIVRO ESCOLA E DEMOCRACIA, DERMEVAL SAVIANI.docx
FICHAMENTO LIVRO ESCOLA E DEMOCRACIA, DERMEVAL SAVIANI.docx
 
Combate a alienação imposta
Combate a alienação impostaCombate a alienação imposta
Combate a alienação imposta
 
A função Social da Escola
A função Social da EscolaA função Social da Escola
A função Social da Escola
 
E book -_educação_-_demerval_saviani_-_a_escola_e_democracia[1]
E book -_educação_-_demerval_saviani_-_a_escola_e_democracia[1]E book -_educação_-_demerval_saviani_-_a_escola_e_democracia[1]
E book -_educação_-_demerval_saviani_-_a_escola_e_democracia[1]
 
Formação Educadores E Diversidade Slide1
Formação Educadores E Diversidade Slide1Formação Educadores E Diversidade Slide1
Formação Educadores E Diversidade Slide1
 
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
 
Analise de pensamento de dois grandes autores
Analise de pensamento de dois grandes autoresAnalise de pensamento de dois grandes autores
Analise de pensamento de dois grandes autores
 
Webfólio - Teorias da Educação - Coleção de Mapas Mentais
Webfólio - Teorias da Educação - Coleção de Mapas MentaisWebfólio - Teorias da Educação - Coleção de Mapas Mentais
Webfólio - Teorias da Educação - Coleção de Mapas Mentais
 
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
FormaçãO Educadores E Diversidade Slide1
 
Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula ...
Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula ...Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula ...
Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula ...
 
Educacao3
Educacao3Educacao3
Educacao3
 
17. teorias do curriculo.docx
17. teorias  do curriculo.docx17. teorias  do curriculo.docx
17. teorias do curriculo.docx
 
Reflexoes sobre curriculo e identidade
Reflexoes sobre curriculo e identidadeReflexoes sobre curriculo e identidade
Reflexoes sobre curriculo e identidade
 
Indisciplina na sala de aula
Indisciplina na sala de aulaIndisciplina na sala de aula
Indisciplina na sala de aula
 
2. escola e conhecimento
2. escola e conhecimento2. escola e conhecimento
2. escola e conhecimento
 
A elitização do saber e a exclusão da maioria
A elitização do saber e a exclusão da maioriaA elitização do saber e a exclusão da maioria
A elitização do saber e a exclusão da maioria
 
Educação inclusiva & deficiência mental: solução midiática, ilusão paradigmát...
Educação inclusiva & deficiência mental: solução midiática, ilusão paradigmát...Educação inclusiva & deficiência mental: solução midiática, ilusão paradigmát...
Educação inclusiva & deficiência mental: solução midiática, ilusão paradigmát...
 
Aula Sociologia da educação
Aula Sociologia da educaçãoAula Sociologia da educação
Aula Sociologia da educação
 
Docência no ensino superior
Docência no ensino superiorDocência no ensino superior
Docência no ensino superior
 
UFCD_10379_intervencao_socioeducativa.pptx
UFCD_10379_intervencao_socioeducativa.pptxUFCD_10379_intervencao_socioeducativa.pptx
UFCD_10379_intervencao_socioeducativa.pptx
 

Mais de ssuser51d27c1

Trabalhando em Grupos na AB.pptx
Trabalhando em Grupos na AB.pptxTrabalhando em Grupos na AB.pptx
Trabalhando em Grupos na AB.pptx
ssuser51d27c1
 
slaid educação permanente.pptx
slaid educação permanente.pptxslaid educação permanente.pptx
slaid educação permanente.pptx
ssuser51d27c1
 
VIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptx
VIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptxVIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptx
VIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptx
ssuser51d27c1
 
atribuição da enfermagem.pptx
atribuição da enfermagem.pptxatribuição da enfermagem.pptx
atribuição da enfermagem.pptx
ssuser51d27c1
 
Biossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptx
Biossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptxBiossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptx
Biossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptx
ssuser51d27c1
 

Mais de ssuser51d27c1 (20)

Trabalhando em Grupos na AB.pptx
Trabalhando em Grupos na AB.pptxTrabalhando em Grupos na AB.pptx
Trabalhando em Grupos na AB.pptx
 
SISTEMA CIRCULATÓRIO II novo.pptx
SISTEMA CIRCULATÓRIO II novo.pptxSISTEMA CIRCULATÓRIO II novo.pptx
SISTEMA CIRCULATÓRIO II novo.pptx
 
ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE.pptx
ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE.pptxATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE.pptx
ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE.pptx
 
educaçao em saude aula 01.pptx
educaçao em saude aula 01.pptxeducaçao em saude aula 01.pptx
educaçao em saude aula 01.pptx
 
slaid educação permanente.pptx
slaid educação permanente.pptxslaid educação permanente.pptx
slaid educação permanente.pptx
 
DOENÇA CORONARIANA.pptx
DOENÇA CORONARIANA.pptxDOENÇA CORONARIANA.pptx
DOENÇA CORONARIANA.pptx
 
AULA DIA 27.04.2021.pptx
AULA DIA 27.04.2021.pptxAULA DIA 27.04.2021.pptx
AULA DIA 27.04.2021.pptx
 
VIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptx
VIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptxVIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptx
VIGIALNICIA EM SAUDE - HISTORIA.pptx
 
atribuição da enfermagem.pptx
atribuição da enfermagem.pptxatribuição da enfermagem.pptx
atribuição da enfermagem.pptx
 
08 abdome.pptx
08 abdome.pptx08 abdome.pptx
08 abdome.pptx
 
DANT DCNT.pptx
DANT DCNT.pptxDANT DCNT.pptx
DANT DCNT.pptx
 
Aula_4_-modelos_de_atenção.pdf
Aula_4_-modelos_de_atenção.pdfAula_4_-modelos_de_atenção.pdf
Aula_4_-modelos_de_atenção.pdf
 
aula 02 politicas publicas.pptx
aula 02 politicas publicas.pptxaula 02 politicas publicas.pptx
aula 02 politicas publicas.pptx
 
impactos ambientais.pptx
 impactos ambientais.pptx impactos ambientais.pptx
impactos ambientais.pptx
 
DEGRADAÇÃO DO SOLO.pptx
DEGRADAÇÃO DO SOLO.pptxDEGRADAÇÃO DO SOLO.pptx
DEGRADAÇÃO DO SOLO.pptx
 
DHAA.pptx
DHAA.pptxDHAA.pptx
DHAA.pptx
 
TERRITORIALIZAÇÃO.pptx
TERRITORIALIZAÇÃO.pptxTERRITORIALIZAÇÃO.pptx
TERRITORIALIZAÇÃO.pptx
 
indicadores de saude.pptx
indicadores de saude.pptxindicadores de saude.pptx
indicadores de saude.pptx
 
Biossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptx
Biossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptxBiossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptx
Biossegurança e resíduos de serviços de saúde (1).pptx
 
CIDADES SAUDÁVEIS aula 05.pptx
CIDADES SAUDÁVEIS aula 05.pptxCIDADES SAUDÁVEIS aula 05.pptx
CIDADES SAUDÁVEIS aula 05.pptx
 

Último

Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Eró Cunha
 

Último (20)

Formação T.2 do Modulo I da Formação HTML & CSS
Formação T.2 do Modulo I da Formação HTML & CSSFormação T.2 do Modulo I da Formação HTML & CSS
Formação T.2 do Modulo I da Formação HTML & CSS
 
Descrever e planear atividades imersivas estruturadamente
Descrever e planear atividades imersivas estruturadamenteDescrever e planear atividades imersivas estruturadamente
Descrever e planear atividades imersivas estruturadamente
 
425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf
425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf
425416820-Testes-7º-Ano-Leandro-Rei-Da-Heliria-Com-Solucoes.pdf
 
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande""Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
"Nós Propomos! Escola Secundária em Pedrógão Grande"
 
Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...
Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...
Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...
 
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autoresModelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
 
QUESTÃO 4 Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
QUESTÃO 4   Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...QUESTÃO 4   Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
QUESTÃO 4 Os estudos das competências pessoais é de extrema importância, pr...
 
Poema - Maio Laranja
Poema - Maio Laranja Poema - Maio Laranja
Poema - Maio Laranja
 
APRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
APRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVASAPRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
APRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
 
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-criançasLivro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
Livro infantil: A onda da raiva. pdf-crianças
 
APH- Avaliação de cena , analise geral do ambiente e paciente.
APH- Avaliação de cena , analise geral do ambiente e paciente.APH- Avaliação de cena , analise geral do ambiente e paciente.
APH- Avaliação de cena , analise geral do ambiente e paciente.
 
Peça de teatro infantil: A cigarra e as formigas
Peça de teatro infantil: A cigarra e as formigasPeça de teatro infantil: A cigarra e as formigas
Peça de teatro infantil: A cigarra e as formigas
 
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptxSlides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
 
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisNós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
 
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdfUFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
 
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptxEBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
 
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEEdital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
 
ROTINA DE ESTUDO-APOSTILA ESTUDO ORIENTADO.pdf
ROTINA DE ESTUDO-APOSTILA ESTUDO ORIENTADO.pdfROTINA DE ESTUDO-APOSTILA ESTUDO ORIENTADO.pdf
ROTINA DE ESTUDO-APOSTILA ESTUDO ORIENTADO.pdf
 
transcrição fonética para aulas de língua
transcrição fonética para aulas de línguatranscrição fonética para aulas de língua
transcrição fonética para aulas de língua
 
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
 

AS TEORIAS PEDAGÓGICAS.ppt

  • 1. AS TEORIAS PEDAGÓGICAS Luciana B. Jacob Introdução aos Estudos da Educação
  • 2. TEORIAS CRÍTICAS E NÃO-CRÍTICAS • Teorias não-críticas: entendem que a educação é um instrumento de equalização social e superação da marginalidade • Teorias críticas: entendem que a educação é um instrumento de discriminação social e um fator de marginalização (Saviani, 1999)
  • 3. Qual a diferença? A diferença entre ambas está na forma de entender as relações entre educação e sociedade. Para as teorias não-críticas, a sociedade é concebida como essencialmente harmoniosa, tendendo à integração de seus membros. A marginalidade é um fenômeno acidental que afeta individualmente a um número maior ou menor de seus membros o que, no entanto, constitui um desvio, uma distorção deve ser corrigida. A educação emerge como um instrumento de correção dessas distorções. Constitui uma força homogeneizadora que tem por função reforçar os laços sociais, promover a coesão e garantir a integração de todos os indivíduos no corpo social.
  • 4. Qual a diferença? As teorias críticas concebem a sociedade como sendo essencialmente marcada pela divisão entre grupos ou classes antagônicos que se relacionam à base da força, a qual se manifesta fundamentalmente nas condições de produção da vida material. Nesse quadro, a marginalidade é entendida como um fenômeno inerente à própria estrutura da sociedade.
  • 5. AS TEORIAS NÃO-CRÍTICAS: PEDAGOGIA TRADICIONAL • Instaurada logo após o final da monarquia, na segunda metade do séc. 19  deu origem aos “sistemas nacionais de ensino” • Inspirou-se no princípio de que a educação é direito de todos e dever do Estado • Para transformar “súditos” em “cidadãos”, deveria ser transposta a barreira da ignorância através do ensino
  • 6. PEDAGOGIA TRADICIONAL • O trabalho escolar foi dividido em classes e o papel do professor tornou-se fundamental • Entretanto, a escola com base na pedagogia tradicional não conseguiu universalizar o ensino, ao mesmo tempo em que nem todos que saiam da escola se ajustavam à sociedade burguesa da época • Assim, começam a surgir volumosas críticas à essa pedagogia
  • 7. AS TEORIAS NÃO-CRÍTICAS: ESCOLA NOVA • Surge o “escolanovismo”, implantado primeiramente em algumas poucas escolas, no início do séc. 20, depois solicitando sua ampliação para toda a rede de ensino • Segundo essa nova teoria, a marginalidade deixa de ser vista predominantemente sob o ângulo da ignorância, isto é, o não domínio de conhecimentos. O marginalizado já não é o ignorante, mas o rejeitado. Alguém está integrado não quando é ilustrado, mas quando se sente aceito pelo grupo e, através dele, pela sociedade em seu conjunto.
  • 8. ESCOLA NOVA • Essa pedagogia exige um tratamento diferencial a partir da "descoberta" das diferenças individuais: os homens são essencialmente diferentes e cada indivíduo é único (p. ex. Montessori) • Portanto, a marginalidade não pode ser explicada pelas diferenças entre os homens, quaisquer que elas sejam: não apenas diferenças de cor, de raça, de credo ou de classe, o que já era defendido pela pedagogia tradicional; mas também diferenças no domínio do conhecimento, na participação do saber, no desempenho cognitivo.
  • 9. ESCOLA NOVA • A educação, enquanto fator de equalização social será um instrumento de correção da marginalidade na medida em que cumprir a função de ajustar, de adaptar os indivíduos à sociedade, incutindo neles o sentimento de aceitação dos demais e pelos demais. • Portanto, a educação será um instrumento de correção da marginalidade quando contribuir para a constituição de uma sociedade cujos membros, não importam as diferenças de quaisquer tipos, se aceitem mutuamente e se respeitem na sua individualidade específica.
  • 10. PEDAGOGIA TRADICIONAL ESCOLA NOVA Intelecto  Sentimento Lógico  Psicológico Conteúdo  Método Professor  Aluno Esforço  Interesse Disciplina  Espontaneidade Quantidade  Qualidade Aprender  Aprender a aprender
  • 11. ESCOLA NOVA • Devido às suas especificidades, acabou circunscrita a um pequeno número de escolas, geralmente voltadas à elite do país • O ideário escolanovista, tendo sido amplamente difundido, penetrou nas cabeças dos educadores acabando por gerar consequências também nas amplas redes escolares oficiais organizadas na forma tradicional
  • 12. ESCOLA NOVA • Tais consequências foram mais negativas que positivas uma vez que, provocando o afrouxamento da disciplina e a despreocupação com a transmissão de conhecimentos, acabou por rebaixar o nível do ensino destinado às camadas populares as quais muito frequentemente têm na escola o único meio de acesso ao conhecimento elaborado • Em contrapartida, a "Escola Nova" aprimorou a qualidade do ensino destinado às elites. Paradoxalmente, em lugar de resolver o problema da marginalidade, a "Escola Nova" o agravou
  • 13. AS TEORIAS NÃO-CRÍTICAS: PEDAGOGIA TECNICISTA • No final da primeira metade do séc. 20, as esperanças na Escola Nova começaram a se exaurir • A partir do pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e produtividade, essa pedagogia preconiza a reordenação do processo educativo de maneira a torná-lo objetivo e operacional
  • 14. PEDAGOGIA TECNICISTA • Buscou-se planejar a educação de modo a dotá-Ia de uma organização racional capaz de minimizar as interferências subjetivas que pudessem pôr em risco sua eficiência. Para tanto, era preciso operacionalizar os objetivos e, pelo menos em certos aspectos, mecanizar o processo • Ocorreu a padronização do sistema de ensino a partir de esquemas de planejamento previamente formulados aos quais devem se ajustar as diferentes modalidades de disciplinas e práticas pedagógicas
  • 15. PEDAGOGIA TECNICISTA • O elemento principal passa a ser a organização racional dos meios, ocupando professor e aluno posição secundária, relegados à condição de executores de um processo cuja concepção, planejamento, coordenação e controle ficam a cargo de especialistas supostamente habilitados, neutros, objetivos, imparciais • A organização do processo converte-se na garantia da eficiência, compensando e corrigindo as deficiências do professor e maximizando os efeitos de sua intervenção
  • 16. PEDAGOGIA TECNICISTA • Para a pedagogia tecnicista a marginalidade não será identificada com a ignorância nem será detectada a partir do sentimento de rejeição. Marginalizado será o incompetente (no sentido técnico da palavra), isto é, o ineficiente e improdutivo. • A educação estará contribuindo para superar o problema da marginalidade na medida em que formar indivíduos eficientes, portanto, capazes de darem sua parcela de contribuição para o aumento da produtividade da sociedade • Aprender a FAZER  burocratização escolar
  • 17. PEDAGOGIA TECNICISTA • Nessas condições, a pedagogia tecnicista acabou por contribuir para aumentar o caos na campo educativo, gerando tal nível de descontinuidade, de heterogeneidade e de fragmentação, que praticamente inviabiliza o trabalho pedagógico • Com isto, o problema da marginalidade só tendeu a se agravar: o conteúdo do ensino tornou-se ainda mais rarefeito e a relativa ampliação das vagas se tornou irrelevante em face dos altos índices de evasão e repetência
  • 18. AS TEORIAS CRÍTICO- REPRODUTIVISTAS • Teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica • Teoria da escola enquanto aparelho ideológico de Estado (AlE) • Teoria da escola dualista
  • 19. Teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica: Bordieu e Passeron (1975) Por que violência simbólica? O reforço da violência material se dá pela sua conversão ao plano simbólico onde se produz e reproduz o reconhecimento da dominação e de sua legitimidade pelo desconhecimento (dissimulação) de seu caráter de violência explícita. Assim, à violência material (dominação econômica) exercida pelos grupos ou classes dominantes sobre os grupos ou classes dominados corresponde a violência simbólica (dominação cultural).
  • 20. Teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica: Bordieu e Passeron (1975) • A ação pedagógica é uma imposição arbitrária da cultura (também arbitrária) dos grupos ou classes dominantes aos grupos ou classes dominados. Essa imposição, para se exercer, implica necessariamente a autoridade pedagógica, isto é, um "poder arbitrário de imposição” • A referida ação pedagógica que se exerce através da autoridade pedagógica se realiza através do Trabalho Pedagógico, entendido "como trabalho de inculcação que deve durar o bastante para produzir uma formação durável capaz de perpetuar-se após a cessação da ação pedagógica e por isso de perpetuar nas práticas os princípios do arbitrário interiorizado" (Bourdieu & Passeron, 1975: 44).
  • 21. Teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica: Bordieu e Passeron (1975) • A função da educação é a de reprodução das desigualdades sociais. Pela reprodução cultural, ela contribui especificamente para a reprodução social • De acordo com essa teoria, marginalizados são os grupos ou classes dominados. Marginalizados socialmente porque não possuem força material (capital econômico) e marginalizados culturalmente, porque não possuem força simbólica (capital cultural). E a educação, longe de ser um fator de superação da marginalidade, constitui um elemento reforçador da mesma
  • 22. TEORIA DA ESCOLA ENQUANTO APARELHO IDEOLÓGICO DE ESTADO • “O Aparelho Ideológico de Estado que foi colocado em posição dominante nas formações capitalistas maduras é o Aparelho Ideológico Escolar“ (Althusser, s/d) • A escola constitui o instrumento mais acabado de reprodução das relações de produção capitalistas
  • 23. TEORIA DA ESCOLA ENQUANTO APARELHO IDEOLÓGICO DE ESTADO • O fenômeno da marginalização se inscreve no âmbito das relações de produção capitalista que se funda na expropriação dos trabalhadores pelos capitalistas • Marginalizada é, pois, a classe trabalhadora. O AlE escolar, em lugar de instrumento de equalização social, constitui um mecanismo construído pela burguesia para garantir e perpetuar seus interesses
  • 24. PARA UMA TEORIA CRÍTICA DA EDUCAÇÃO • É possível encarar a escola como uma realidade histórica, isto é, suscetível de ser transformada intencionalmente pela ação humana? • É possível articular a escola com os interesses dominados? • É possível uma teoria da educação que capte criticamente a escola corno um instrumento capaz de contribuir para a superação do problema da marginalidade?
  • 25. PARA UMA TEORIA CRÍTICA DA EDUCAÇÃO Uma teoria crítica da educação tem a tarefa de superar tanto o poder ilusório (que caracteriza as teorias não-críticas) como a impotência (decorrente das teorias crítico- reprodutivistas), colocando nas mãos dos educadores uma arma de luta capaz de permitir- lhes o exercício de um poder real, ainda que limitado.
  • 26. PARA UMA TEORIA CRÍTICA DA EDUCAÇÃO Trata- se de retomar vigorosamente a luta contra a seletividade, a discriminação e o rebaixamento do ensino das camadas populares. Lutar contra a marginalidade através da escola significa engajar-se no esforço para garantir aos trabalhadores um ensino da melhor qualidade possível nas condições históricas atuais. O papel de uma teoria crítica da educação é dar substância concreta a essa bandeira de luta, de modo a evitar que ela seja apropriada e articulada com os interesses dominantes.