DOUTRINAS SOCIAIS DO SÉC. XIX
1. Doutrina
o Conjunto sistematizado de ideias, princípios,
fundamentos que compõe um sistema, uma
religião, um partido ou uma corrente filosófica.
o Nasce de um determinado contexto social,
político, econômico.
o Envolve leituras de mundo, interpretações e
vem carregada de conteúdo ideológico.
2. Contexto do século XIX
Era das Revoluções Burguesas:
o Iluminismo.
o Revolução Francesa.
o Era Napoleônica.
o Revoluções de 1830/1848.
o Revolução Industrial.
Enquanto a burguesia
consolidava – se politica
e economicamente, a
classe operária, os
pobres urbanos e os
camponeses sofriam com
a fome, a miséria, a
exclusão social e política.
3. Liberalismo político e econômico
Consolidação da burguesia:
o O Iluminismo, a Revolução Francesa e a
Expansão Napoleônica consolidaram a
democracia burguesa e o Liberalismo político.
o A Revolução Industrial, a expansão dos
mercados e dos lucros fortaleceram a ideia da
não intervenção do Estado na economia e a lei
da oferta e procura (Liberalismo econômico).
Marginalização e exclusão social e política:
o A urbanização marginalizava grande parte da
população que fugia do campo para as cidades,
morando em cortiços e vivendo como mendigos.
o O voto censitário excluía os pobres da política.
o Meritocracia e lei do mercado favoreciam a
burguesia que só lucrava com a exploração da
massa urbana que vivia na miséria.
Uma rua de um bairro pobre de Londres
(Dudley Street). Gustavo Doré, 1872.
4. Nasce o pensamento socialista
o Em meio às desigualdades econômicas, sociais
e políticas surgiram teorias criticando a ordem
liberal – burguesa como sua principal causa.
o Vários teóricos questionaram a propriedade
privada, a sociedade de classes, o mercado, os
lucros da burguesia, apontando para uma
sociedade igualitária: sem propriedade privada e
sem classes sociais.
5. Socialismo Utópico:
o O nome socialismo utópico surgiu graças à obra
"Utopia" (lugar que não existe) de Thomas More.
o O livro trata de uma sociedade sem propriedade
privada, sem Estado e sem intolerância religiosa.
o Para os socialistas utópicos, o sistema socialista
(sociedade igualitária, sem propriedade privada
e sem classes) aconteceria sem revolução, de
forma lenta e gradual, naturalmente.
Saint – Simon:
o Seria impossível voltar aos padrões medievais.
o Os ganhos da revolução industrial exigiam
padrões estruturais mais justos e humanitários.
o Crença no progresso e desenvolvimento social.
o O fim das tensões ocorreria numa sociedade
igualitária: divisão da riqueza e concessão de
benefícios sociais, num espírito de fraternidade.
Claude-Henri Saint-Simon
Robert Owen:
o Empresário do setor têxtil, observou as
condições miseráveis de seus operários.
o Propôs a “comunidade fabril”, premiando por
produtividade, construiu vila operária e creche
para os filhos dos empregados.
o Paternalismo e filantropia não concorriam
com um mundo cada vez mais capitalista e
Owen faliu.
Robert Owen
Charles Fourier:
o Ao pagar cinco vezes mais caro por uma maçã
decidiu lutar pelo fim da exploração.
o Idealizou os “falanstérios”, comunidades onde
trabalho e produção seriam divididos por todos.
o Assim ocorreria o fim das desigualdades.
o Fourier gastou todo seu dinheiro divulgando
seu projeto, que não saiu do papel por falta de
interessados em financia – lo.
Charles Fourier
Pierre – Proudhon:
o A propriedade seria um roubo.
o Precursor do Anarquismo.
o Defensor da propriedade coletiva.
o Criou um Banco Operário para emprestar
dinheiro sem juros.
o Defensor da revolução pacífica.
Pierre Proudhon
6. Socialismo Científico
Marx, Engels e o Marxismo:
o Questionava a ingenuidade dos utópicos.
o Capital e trabalho seriam inconciliáveis.
o Cientificamente seria possível compreender
a lógica de exploração do Capitalismo.
o Apontaram os caminhos para a classe
operária construir a sociedade igualitária.
Karl Marx
(1818 – 1883)
Friedrich Engels
(1820 – 1895)
Marxismo:
o Sociedade dividida em classes sociais: explorados
e exploradores, opressores e oprimidos.
o Luta de classes: o motor da história.
o Sem revolução não haveria igualdade.
o As questões sociais deveriam ser politizadas.
o Se houve revoluções burguesas, haveria
também a revolução proletária.
Materialismo histórico e dialético:
o Modo de produção: base das relações
econômicas, políticas, sociais, ideológicas.
o A classe operária deveria organizar – se,
conscientizar – se e lutar.
o O existir decorre do agir: transformando a
natureza pelo trabalho o homem se transforma.
Práxis: ação humana ao transformar a natureza
através do trabalho. A dialética entre teoria e
prática, trabalho, reflexão e consciência.
A “utopia” marxista:
o Proletariado: consciência, união, revolução.
Ditadura do proletariado:
o O povo no poder extinguiria a propriedade
privada e as classes sociais.
Socialismo:
o Estado proletário, sem propriedade privada e
sem classes sociais.
Comunismo:
o Estágio superior da revolução proletária.
o O Socialismo transformar – se – ia em
Comunismo com o fim do Estado proletário.
o Numa sociedade sem propriedade privada,
sem classes sociais e sem Estado, num
sistema de plena “comunhão”, o Comunismo
representaria o estágio final da vida humana.
7. Anarquismo
Bakunin, Stirner, Kropotkin:
o Pensadores libertários ou anarquistas.
o Negavam a existência do Estado, instrumento
de privilégio burguês e exploração proletária.
o A sociedade igualitária somente existiria com
a destruição do Estado.
o Defendiam a cooperação/autogestão social.
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin
(1814 – 1876)
Piotr Alexeyevich Kropotkin
(1842 – 1921)
Johann Kaspar Schmidt
(Marx Stirner)
(1806 – 1856)
A “utopia” anarquista:
“ O Estado escraviza o corpo do homem,
A Igreja acorrenta sua mente.”
o Revolução: fim do Estado burguês – capitalista.
o Num sistema de cooperação/autogestão sair
do Capitalismo diretamente para o Comunismo.
o O fim do Estado e da Igreja seria essencial para
uma sociedade justa e igualitária.
Via revolucionária
o Derrubar o Estado capitalista com violência
e, radicalmente, passar ao Comunismo.
Via pacífica
o Boicotar o Estado burguês – capitalista com
desobediência civil.
o Não comprar, não pagar impostos, greves.
Libertarianismo Socialista
É a filosofia política que tem como fundamento a defesa da liberdade individual,
do fim do Capitalismo, fim da propriedade privada e da supremacia do indivíduo.
8. Socialismo cristão – católico
o Expressa as posições doutrinárias da Igreja
Católica diante das correntes socialistas.
o A Igreja questionava a ganância capitalista e
defendia uma sociedade solidária.
Encíclica Rerum Novarum (1891) – Leão XIII
o Os trabalhadores devem respeitar os patrões.
o Bons operários não se envolveriam com
agitadores.
o Bons operários devem melhorar de vida sem
invadirem o direito alheio.
o O Estado deve reprimir agitadores e preservar
os bons operários do perigo da “sedução”.
o Bons patrões pagam salários adequados e
não exploram seus empregados.
A Igreja Católica pretendia conciliar interesses burgueses e direitos
trabalhistas. Defendia a propriedade privada e era contra greves,
revolução e o marxismo. Propunha a justiça social por meio da
redução das diferenças, num Capitalismo humanizado e cristão.
Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi
Pecci-Prosperi-Buzzi (Papa Leão XIII)
Papa: 1878 até 1903.
Nascimento: 02 de março de 1810.
Falecimento: 20 de julho de 1903,

Doutrinas sociais do século XIX

  • 1.
  • 2.
    1. Doutrina o Conjuntosistematizado de ideias, princípios, fundamentos que compõe um sistema, uma religião, um partido ou uma corrente filosófica. o Nasce de um determinado contexto social, político, econômico. o Envolve leituras de mundo, interpretações e vem carregada de conteúdo ideológico.
  • 4.
    2. Contexto doséculo XIX Era das Revoluções Burguesas: o Iluminismo. o Revolução Francesa. o Era Napoleônica. o Revoluções de 1830/1848. o Revolução Industrial. Enquanto a burguesia consolidava – se politica e economicamente, a classe operária, os pobres urbanos e os camponeses sofriam com a fome, a miséria, a exclusão social e política.
  • 8.
    3. Liberalismo políticoe econômico Consolidação da burguesia: o O Iluminismo, a Revolução Francesa e a Expansão Napoleônica consolidaram a democracia burguesa e o Liberalismo político. o A Revolução Industrial, a expansão dos mercados e dos lucros fortaleceram a ideia da não intervenção do Estado na economia e a lei da oferta e procura (Liberalismo econômico).
  • 9.
    Marginalização e exclusãosocial e política: o A urbanização marginalizava grande parte da população que fugia do campo para as cidades, morando em cortiços e vivendo como mendigos. o O voto censitário excluía os pobres da política. o Meritocracia e lei do mercado favoreciam a burguesia que só lucrava com a exploração da massa urbana que vivia na miséria.
  • 10.
    Uma rua deum bairro pobre de Londres (Dudley Street). Gustavo Doré, 1872.
  • 11.
    4. Nasce opensamento socialista o Em meio às desigualdades econômicas, sociais e políticas surgiram teorias criticando a ordem liberal – burguesa como sua principal causa. o Vários teóricos questionaram a propriedade privada, a sociedade de classes, o mercado, os lucros da burguesia, apontando para uma sociedade igualitária: sem propriedade privada e sem classes sociais.
  • 12.
    5. Socialismo Utópico: oO nome socialismo utópico surgiu graças à obra "Utopia" (lugar que não existe) de Thomas More. o O livro trata de uma sociedade sem propriedade privada, sem Estado e sem intolerância religiosa. o Para os socialistas utópicos, o sistema socialista (sociedade igualitária, sem propriedade privada e sem classes) aconteceria sem revolução, de forma lenta e gradual, naturalmente.
  • 13.
    Saint – Simon: oSeria impossível voltar aos padrões medievais. o Os ganhos da revolução industrial exigiam padrões estruturais mais justos e humanitários. o Crença no progresso e desenvolvimento social. o O fim das tensões ocorreria numa sociedade igualitária: divisão da riqueza e concessão de benefícios sociais, num espírito de fraternidade.
  • 14.
  • 15.
    Robert Owen: o Empresáriodo setor têxtil, observou as condições miseráveis de seus operários. o Propôs a “comunidade fabril”, premiando por produtividade, construiu vila operária e creche para os filhos dos empregados. o Paternalismo e filantropia não concorriam com um mundo cada vez mais capitalista e Owen faliu.
  • 16.
  • 17.
    Charles Fourier: o Aopagar cinco vezes mais caro por uma maçã decidiu lutar pelo fim da exploração. o Idealizou os “falanstérios”, comunidades onde trabalho e produção seriam divididos por todos. o Assim ocorreria o fim das desigualdades. o Fourier gastou todo seu dinheiro divulgando seu projeto, que não saiu do papel por falta de interessados em financia – lo.
  • 18.
  • 20.
    Pierre – Proudhon: oA propriedade seria um roubo. o Precursor do Anarquismo. o Defensor da propriedade coletiva. o Criou um Banco Operário para emprestar dinheiro sem juros. o Defensor da revolução pacífica.
  • 21.
  • 22.
    6. Socialismo Científico Marx,Engels e o Marxismo: o Questionava a ingenuidade dos utópicos. o Capital e trabalho seriam inconciliáveis. o Cientificamente seria possível compreender a lógica de exploração do Capitalismo. o Apontaram os caminhos para a classe operária construir a sociedade igualitária.
  • 23.
    Karl Marx (1818 –1883) Friedrich Engels (1820 – 1895)
  • 24.
    Marxismo: o Sociedade divididaem classes sociais: explorados e exploradores, opressores e oprimidos. o Luta de classes: o motor da história. o Sem revolução não haveria igualdade. o As questões sociais deveriam ser politizadas. o Se houve revoluções burguesas, haveria também a revolução proletária.
  • 25.
    Materialismo histórico edialético: o Modo de produção: base das relações econômicas, políticas, sociais, ideológicas. o A classe operária deveria organizar – se, conscientizar – se e lutar. o O existir decorre do agir: transformando a natureza pelo trabalho o homem se transforma. Práxis: ação humana ao transformar a natureza através do trabalho. A dialética entre teoria e prática, trabalho, reflexão e consciência.
  • 26.
    A “utopia” marxista: oProletariado: consciência, união, revolução. Ditadura do proletariado: o O povo no poder extinguiria a propriedade privada e as classes sociais. Socialismo: o Estado proletário, sem propriedade privada e sem classes sociais.
  • 27.
    Comunismo: o Estágio superiorda revolução proletária. o O Socialismo transformar – se – ia em Comunismo com o fim do Estado proletário. o Numa sociedade sem propriedade privada, sem classes sociais e sem Estado, num sistema de plena “comunhão”, o Comunismo representaria o estágio final da vida humana.
  • 28.
    7. Anarquismo Bakunin, Stirner,Kropotkin: o Pensadores libertários ou anarquistas. o Negavam a existência do Estado, instrumento de privilégio burguês e exploração proletária. o A sociedade igualitária somente existiria com a destruição do Estado. o Defendiam a cooperação/autogestão social.
  • 29.
    Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814– 1876) Piotr Alexeyevich Kropotkin (1842 – 1921)
  • 30.
    Johann Kaspar Schmidt (MarxStirner) (1806 – 1856)
  • 31.
    A “utopia” anarquista: “O Estado escraviza o corpo do homem, A Igreja acorrenta sua mente.” o Revolução: fim do Estado burguês – capitalista. o Num sistema de cooperação/autogestão sair do Capitalismo diretamente para o Comunismo. o O fim do Estado e da Igreja seria essencial para uma sociedade justa e igualitária.
  • 32.
    Via revolucionária o Derrubaro Estado capitalista com violência e, radicalmente, passar ao Comunismo. Via pacífica o Boicotar o Estado burguês – capitalista com desobediência civil. o Não comprar, não pagar impostos, greves. Libertarianismo Socialista É a filosofia política que tem como fundamento a defesa da liberdade individual, do fim do Capitalismo, fim da propriedade privada e da supremacia do indivíduo.
  • 33.
    8. Socialismo cristão– católico o Expressa as posições doutrinárias da Igreja Católica diante das correntes socialistas. o A Igreja questionava a ganância capitalista e defendia uma sociedade solidária. Encíclica Rerum Novarum (1891) – Leão XIII o Os trabalhadores devem respeitar os patrões. o Bons operários não se envolveriam com agitadores.
  • 34.
    o Bons operáriosdevem melhorar de vida sem invadirem o direito alheio. o O Estado deve reprimir agitadores e preservar os bons operários do perigo da “sedução”. o Bons patrões pagam salários adequados e não exploram seus empregados. A Igreja Católica pretendia conciliar interesses burgueses e direitos trabalhistas. Defendia a propriedade privada e era contra greves, revolução e o marxismo. Propunha a justiça social por meio da redução das diferenças, num Capitalismo humanizado e cristão.
  • 35.
    Vincenzo Gioacchino RaffaeleLuigi Pecci-Prosperi-Buzzi (Papa Leão XIII) Papa: 1878 até 1903. Nascimento: 02 de março de 1810. Falecimento: 20 de julho de 1903,