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Et in arcadia ego



Nicolas Lancret   Arcadismo
                        Nicolas Poussin
1760           1776           1789          1789
Revolução    Independência   Revolução    Inconfidência
Industrial     dos EUA        Francesa       Mineira



       Contexto histórico-social (século XVIII)
“Iluminismo
foi um movimento intelectual
   que surgiu durante o século    Iluminismo
      XVIII na Europa, que
  defendia o uso da razão (luz)
      contra o antigo regime
    (trevas) e pregava maior
      liberdade econômica e
             política.

  Este movimento promoveu
            mudanças
    políticas, econômicas e
  sociais, baseadas nos ideais
   de liberdade, igualdade e
         fraternidade.”
Todas as coisas podem ser compreendidas, resolvidas e decididas pelo poder da razão.




    Rousseau            D’Alembert             Diderot          Montesquieu
   "A natureza fez o                          "A ignorância     "A injustiça que
                         "A miséria da
    homem feliz e                              não fica tão      se faz a um é
                           condição
     bom, mas a                                distante da       uma ameaça
                        humana é tal que
      sociedade                                  verdade          que se faz a
                          a dor é seu
     deprava-o e                                quanto o             todos”
                        sentimento mais
       torna-o                                preconceito."
                             vivo."
     miserável."
Isaac
                 Voltaire        Descartes              Kant
 Newton
                  “O melhor         “Viver sem
                                                     “O homem não
                   governo é     filosofar é o que
                                                       é nada além
"Construímos     aquele em que    se chama ter os
                                                      daquilo que a
muros demais e    há o menor      olhos fechados
                                                      educação faz
  pontes de        número de       sem nunca os
                                                           dele.
   menos."           homens        haver tentado
                    inúteis.”         abrir.”
a figura do centro representa a
   verdade – rodeada por luz intensa
  (o símbolo central do iluminismo).




    Conhecimento
     para todos
Duas outras figuras:
à direita, a razão e
 a filosofia, estão a retirar o manto
sobre a verdade.




Frontispício da Encyclopédie
(1772), desenhado por Charles-Nicolas
Cochin.
O mito                      Arcádia
 Na mitologia grega, a
 Arcádia era a morada
 de Pan, deus da
 natureza e padroeiro
 dos pastores.


Curiosidade...
Diversas palavras surgiram do
nome de Pan: pânico (a
palavra "pânico" se supõe
derivar dos temores de
viajantes que ouviam o som de
sua flauta durante a solidão
noturna), panacéia, panteísmo
entre tantas outras. O Deus
Pan é muitas vezes chamado de
Fauno, Sylvanus, Lupercus. Seu
lado feminino é a Fauna.
Pan               Deus dos bosques




É o protetor dos pastores, veio ao
mundo com chifres, orelhas e pernas
de bode. Pan é filho de Mercúrio e da
ninfa Dríope. Era bastante natural que
o mensageiro dos deuses, sempre
considerado
intermediário, estabelecesse a
transição entre os deuses de forma
humana e os de forma animal.
Parece, contudo, que o nascimento de
Pan provocou certa emoção em sua
mãe, que ficou assustadíssima com tão
esquisita formação. As más línguas
dizem que, quando Mercúrio
apresentou o filho aos demais
deuses, todo o Olimpo desatou a rir.
Na literatura a Arcádia converteu-se em pretexto de evocações
     poéticas da vida pastoril; a paisagem idealizada era amena e
  fértil, onde vivia uma comunidade intocada de pastores e deidades
                                rústicas.

“Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha pára,
Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a morte me causara.”


(Bocage, , Manuel M. Barbosa Du. Obras de Bocage. Porto: Lello & amp; Irmão 1968
Lemas Árcades



 Carpe Diem
 Fugere Urbem
 Inutilia Truncat
 Locus Amoenus
 Aurea Mediocritas
Influenciados pelo poeta
latino Horácio, os árcades
defendiam o bucolismo
como ideal de vida, isto
é, uma vida simples e
natural, junto ao
campo, distante dos
centros urbanos. Tal
princípio era reforçado
pelo pensamento do
filósofo francês Jean
Jacques
Rousseau, segundo o qual
a civilização corrompe os
costumes do homem, que
nasce naturalmente bom.
O lugar ameno, onde se encontra a paz
            para o amor,vida
 simples, bucólica, pastoril; tudo isso
era só um estado de espírito, uma vez
que todos os poetas árcades moravam
   na cidade. O fingimento poético
    justifica o uso de pseudônimos
                 pastoris.
A frase em latim resume
grande parte da estética
árcade. Ela significa que "as
inutilidades devem ser
banidas" e vai ao encontro
do desprezo pelo exagero e
pelo rebuscamento. Por
isso, outros modelos eram
buscados pelos árcades: a
simplicidade e o equilíbrio.
Outro traço presente advindo
da poesia grega é a idealização
 de uma vida pobre e feliz no
  campo, em oposição à vida
   luxuosa e triste na cidade
Literatura



                             “O escritor árcade
                              é um pintor de
                                 situações”



•Inventa uma musa
•Inventa um pseudônimo
•Cria um ambiente pastoril
•Tem sonhos, ideais
Autores Brasileiros

            Poesia                        Poesia
            Lírica                        Épica


 Cláudio     Tomás      Silva                      Santa
Manuel da   Antonio               Basílio da        Rita
                      Alvarenga    Gama
  Costa     Gonzaga                                Durão
Cláudio Manuel da Costa

                                                         Produção Literária:
                                                         1. Obras Poéticas
                                                            , publicado em1768 –
                                                            lírica

                                                         2. Vila Rica, publicado
                           sua musa: Nize                    postumamente, em
                                                             1839- épica.
    Glauceste Saturnio




Preso e interrogado sobre seu envolvimento na Inconfidência Mineira, é encontrado morto na
cela, o que é aceito como suicídio. É considerado o mentor dos outros rebeldes mineiros.
Lira LXII
  “Torno a ver-vos, ó montes; o destino
  Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
  Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
   Pelo traje da corte rico e fino

  Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
  Os meus fiéis, meus doces companheiros,
  Vendo correr os míseros vaqueiros
  Atrás de seu cansado desatino.
  Se o bem desta choupana pode tanto,
  Que chega ater mais preço, e mais valia,
  Que da cidade o lisonjeiro encanto;

  Aqui descanse a louca fantasia;
  E o que até agora se tornava em pranto,
  Se converta em afetos de alegria.”

( OUTEIRO= colina)
(GABÕES= casaco com capuz e mangas longas)
( pastores da Arcádia grega)
(DESATINO= sonho, loucura, ilusão)
(CHOUPANA= casa humilde, de sapé)
Tomás Antonio Gonzaga




 Dirceu           sua musa: Marília
                                                    1792              1786



 Participa do grupo de poetas inconfidentes. É preso em 1789 e passa três anos na
 prisão, no Rio de Janeiro. A pena perpétua é comutada para degredo e ele embarca
 para Moçambique.
É bom, minha Marília, é bom ser dono              Em Marília de
De um rebanho que cubra monte e prado;
Porém, gentil pastora, o teu agrado               Dirceu, fala do
Vale mais que um rebanho, e mais que um trono.     seu amor por
Graças, Marília bela,                             Maria Joaquina
Graças à minha Estrela!                             Dorotéia de
                  (lira XIII)
                                                 Seixas, a Marília
                                                   dos poemas.




                                                    (editora Martin Claret)
Cartas Chilenas é um conjunto
   de 13 poemas (cartas) que
   circularam anonimamente em
   Vila Rica, entre 1787 e 1788.
   Seus versos assumem um tom
   satírico. Nesta obra, o autor
   satiriza o governador de Minas
   Gerais, Luís da Cunha Meneses.

      As cartas, embora fossem
 anônimas, foram atribuídas a Tomás
         Antonio Gonzaga.
“Quem assina essas cartas é um certo
     Critilo, que escreve a um
        amigo, Doroteu.”
       (OLIVEIRA ,Damaris Q. Parede)
Soneto 3
               Enganei-me, enganei-me - paciência!
“Engano”       Acreditei às vezes, cri, Ormia,
               Que a tua singeleza igualaria
               A tua mais que angélica aparência.

               Enganei-me, enganei-me - paciência!
               Ao menos conheci que não devia
               Pôr nas mãos de uma externa galhardia
               O prazer, o sossego e a inocência.

               Enganei-me, cruel, com teu semblante,
               E nada me admiro de faltares,
               Que esse teu sexo nunca foi constante.

               Mas tu perdeste mais em me enganares:
               Que tu não acharás um firme amante,
               E eu posso de traidoras ter milhares.



      voz de Paulo Autran
Silva Alvarenga

  Merece ser lembrado pelo cultivo
  de rondós e madrigais em que
  destaca a flora a e a fauna
  nacionais ( o beija-flor, a onça, a
  pomba, os cajueiros) e pela
  sensualidade nas metonímias.


Pseudônimo: Alcindo Palmireno
Musa: Glaura
Obras de Destaque:
“O desertor das letras”
 “Glaura- poemas eróticos”
Deixo, ó Glaura, a triste lida
Deixo, ó Glaura, a triste lida      Submergida em doce calma;
Submergida em doce calma;
E a minha alma ao bem se entrega,
Que lhe nega o teu rigor.
                                    E a minha alma ao bem se entrega,
                                    Que lhe nega a teu rigor.           O Beija-flor
                                    Toco o néctar precioso,
Neste bosque alegre e rindo         Que a mortais não se permite;
Sou amante afortunado,              É o insulto sem limite,
E desejo ser mudado                 Mas ditoso o meu ardor;
No mais lindo beija-flor.
                                    Já me chamas atrevido,
Todo o corpo num instante           Já me prendes no regaço;
Se atenua, exala e perde;           Não me assusta o terno laço
É já de oiro, prata e verde         É fingido o meu temor.
A brilhante e nova cor.
                                    Deixo, ó Glaura, a triste lida
Deixo, ó Glaura, a triste lida      Submergida em doce calma;
Submergi da em doce calma;          E a minha alma ao bem se entrega,
E a minha alma ao bem se entrega,   Que lhe nega o teu rigor.
Que lhe nega o teu rigor.
                                    Se disfarças os meus erros,
Vejo as penas e a figura,           E me soltas por piedade,
Provo as asas, dando giros;         Não estimo a liberdade,
Acompanham-me os suspiros,          Busco os ferros por favor.
E a ternura do pastor.
                                    Não me julgues inocente,
E num vôo feliz ave                 Nem abrandes meu castigo,
Chego intrépido até onde            Que sou bárbaro inimigo,
Riso e pérolas esconde              Insolente e roubador.
O suave e puro amor.
                                    Deixo, ó Glaura, a triste lida
                                    Submergida em doce calma;
                                    E a minha alma ao bem se entrega,
                                    Que lhe nega o teu rigor.
Basílio da Gama   Santa Rita Durão
Filmografia Indicada




OS INCONFIDENTES     XICA DA SILVA
      (1972)            (1976)       A MISSÃO   Amadeus
                                       (1986)
                                                 (1984)
Diálogos contemporâneos
    com o Arcadismo
          O movimento árcade deixou sua
         marca na busca pela vida simples.
         Esse ideal ainda ecoa em diversas
          manifestações culturais , como a
                música e a filosofia.
Compositor: Gilson   Campos
“Casinha Branca”     Eu tenho andado tão
                     sozinho ultimamente         Às vezes saio a caminhar
                     Que não vejo                pela cidade
                     em minha frente             À procura de amizades
                     Nada que me dê prazer       Vou seguindo a multidão

                     Sinto cada vez              Mas eu me retraio olhando
                     mais longe a felicidade     em cada rosto
                     Vendo em minha mocidade     Cada um tem seu mistério
                     Tanto sonho a perecer       Seu sofrer, sua ilusão

                     Eu queria ter na vida       Eu queria ter na vida
                     simplesmente                simplesmente
                     Um lugar de mato verde      Um lugar de mato verde
                     Pra plantar e pra colher    Pra plantar e pra colher
                     Ter uma casinha branca      Ter uma casinha branca
                     de varanda                  de varanda
                     Um quintal e uma janela     Um quintal e uma janela
                     Para ver o sol nascer       Para ver o sol nascer



                            http://www.youtube.com/watch?v=noBkmEczxeY
Casinha de Sapé                   Compositor: Hyldon

Não estou disposto
A esquecer seu rosto de vez
E acho que é tão normal
Dizem que sou louco
Por eu ter um gosto assim
Gostar de quem não gosta de mim
Jogue suas mãos para o céu
E agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê
Jogue suas mãos para o céu
E agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê                    http://www.youtube.com/watch?v=t_8fXk6nkEk
Casa no Campo
(composição: Zé Rodrix)



Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos, meus livros
E nada mais                                    http://www.youtube.com/watch?v=UbPbeXl3wMc&feature=player_embedded
Fontes
WILLIAM ROBERTO CEREJA, THEREZA COCHAR MAGALHÃES
Panorama da Literatura Portuguesa , ed. Atual, 1997.
Google images
http://historia.portalmidis.com.br
OLIVEIRA,Damaris Q. Parede.disponível em:
http://pt.scribd.com/doc/38830701/CartasChilenas-EXERCICIOS
www.wikipedia.com
www.madras.com.br/blog/1.gif
www.vestibular1.com.br/revisao/arcadismo.doc
http://www.mpbfm.com.br/letraemusicadetalhe.asp?id=9528
http://www.sohistoria.com.br/resumos/iluminismo.php


                        Pesquisa e Organização
 Profª Cláudia Heloísa Cunha Andria
 Contato: clauheloisa@yahoo.com.br