O PROJETO LITERÁRIOO PROJETO LITERÁRIO
DO ARCADISMODO ARCADISMO
ILUMINISMOILUMINISMO
França S XVII------Apogeu: s. XVIII/França S XVII------Apogeu: s. XVIII/ Século das luzesSéculo das luzes
Domínio da razão sobre a visão teocDomínio da razão sobre a visão teocêêntrica.ntrica.
As manifestações artísticas do século XVII (Arcadismo ouAs manifestações artísticas do século XVII (Arcadismo ou
Neoclassicismo) refletem aNeoclassicismo) refletem a ideologiaideologia da classe aristocrática emda classe aristocrática em
decadência e da alta burguesia, insatisfeitas com o absolutismodecadência e da alta burguesia, insatisfeitas com o absolutismo
real, com a pesada solenidade do Barroco, com as formas sociaisreal, com a pesada solenidade do Barroco, com as formas sociais
de convivência rígidas, artificiais e complicadas.de convivência rígidas, artificiais e complicadas.
As mudanças estéticas terão por base uma revolução filosófica: oAs mudanças estéticas terão por base uma revolução filosófica: o
Iluminismo.Iluminismo.
Em seu primeiro momento, os iluministas conciliaram osEm seu primeiro momento, os iluministas conciliaram os
interesses da burguesia com certas parcelas da nobreza,interesses da burguesia com certas parcelas da nobreza,
através da celebração do despotismo esclarecido -através da celebração do despotismo esclarecido -
valorizando reis e príncipes que se cercavam de sábiosvalorizando reis e príncipes que se cercavam de sábios
para gerir os negócios públicos.para gerir os negócios públicos.
Mas o aspecto revolucionário do pensamento deMas o aspecto revolucionário do pensamento de
Voltaire, Montesquieu, Diderot e outros é a afirmação deVoltaire, Montesquieu, Diderot e outros é a afirmação de
que todas as coisas podem ser compreendidas,que todas as coisas podem ser compreendidas,
resolvidas e decididas pelo poder da razão.resolvidas e decididas pelo poder da razão.
ARCADISMOARCADISMO
Literatura do séc. XVIII ––Setecentismo ouLiteratura do séc. XVIII ––Setecentismo ou
NeoclassicismoNeoclassicismo
Domínio histórico no Brasil:Domínio histórico no Brasil:
 17681768:: “Obras”, de Cláudio Manuel da Costa“Obras”, de Cláudio Manuel da Costa
 18361836:: “Suspiros poéticos e Saudades”, de“Suspiros poéticos e Saudades”, de
Gonçalves de MagalhãesGonçalves de Magalhães
Havia, na Grécia Antiga, uma
parte central do Peloponeso
denominada Arcádia. De
relevo montanhoso, essa
região era habitada por
pastores e vista como um
lugar especial, quase mítico,
em que os habitantes
associavam o trabalho à
poesia, cantando o paraíso
rústico em que viviam.
No século XVIII, o termo
Arcádia passou a identificar
as academias ou
agremiações de poetas que
se reuniam para restaurar o
estilo dos poetas clássico-
renascentistas, com o
objetivo declarado de
combater o rebuscamento
barroco.
Ordem e convencionalismo
Nicolau Poussin (1594-1665): Et in Arcadia ego
A idealização da vida no campoA idealização da vida no campo
 A estética desenvolvidaA estética desenvolvida
nessas academias de poetasnessas academias de poetas
passou a ser chamadapassou a ser chamada
Arcadismo.Arcadismo. Tinha comoTinha como
característica principal acaracterística principal a
idealização da vida noidealização da vida no
campo. O desejo de seguircampo. O desejo de seguir
as regras da poesia clássicaas regras da poesia clássica
fez com que essa estéticafez com que essa estética
também fosse conhecidatambém fosse conhecida
comocomo Neoclassicismo.Neoclassicismo.
O pastoralismoO pastoralismo
Um dos aspectos mais
artificiais da estética árcade
é o fato de os poetas e de
suas musas serem
identificados como pastores
e pastoras.. Sou pastor, não te nego; os meus
montados
São esses, que aí vês; vivo
contente
Ao trazer entre a selva florescente
A doce companhia dos meus gados;
(Soneto IV - Cláudio Manuel da
Costa)
O bucolismoO bucolismo
O adjetivoO adjetivo bucólicobucólico faz referência a tudo aquilo que éfaz referência a tudo aquilo que é
relativo a pastores e seus rebanhos, à vida e aosrelativo a pastores e seus rebanhos, à vida e aos
costumes do campo.costumes do campo.
Marília de Dirceu: Lira XIII
Num sítio ameno,
Cheio de rosas
De Brancos lírios,
Murtas viçosas,
Dos seus amores
Na companhia,
Dirceu passava
Alegre o dia.
(Tomás Antônio Gonzaga)
Linguagem: simplicidade acima de tudoLinguagem: simplicidade acima de tudo
O Arcadismo adota como missão combater aO Arcadismo adota como missão combater a
artificialidade verbal dos poetas barrocos. Por isso,artificialidade verbal dos poetas barrocos. Por isso,
elege a simplicidade como norma para a criaçãoelege a simplicidade como norma para a criação
literárialiterária ..
Enquanto pasta alegre o manso gado,
Minha bela Marília, nos sentemos
À sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
Na regular beleza,
Que em tudo quanto vive nos descobre
A sábia Natureza
(Tomás Antônio Gonzaga)
• fugere urbem: fuga da cidade; afirmação das
qualidades da vida no campo.
• locus amoenus: valorização das coisas
cotidianas, simples, focalizadas pela razão e pelo
bom senso
• aurea mediocritas:caracterização de um
lugar ameno, onde os amantes se encontram para
desfrutar dos prazeres da natureza.
• carpe diem: cantar o dia; trata da
passagem do tempo como algo que traz a velhice, a fragilidade e
a morte, tornando imperativo aproveitar o momento presente
de modo intenso.
• inutilia truncat: eliminação dos excessos, evitando
qualquer uso mais elaborado da linguagem.
Retomada dos lemas latinos:
A OBRA POÉTICA
LÍRICA SATÍRICA
ÉPICA
Silvio Alvarenga,
Claudio da Costa
Reproduzem as formas e
temas do Neoclassicismo
europeu
“ As cartas chilenas”
Tomás Antônio Gonzaga
Refletem a insatisfação
dos habitantes da colônia
em relação à administração
portuguesa e aos seus agentes
Basílio da Gama e
Santa Rita Durão
Introdução ao indianismo
como tema literário,
ganhando o índio o
papel de guerreiro em
ação, tomado como
Personagem.
“Uraguai” e “Caramuru”
CLÁUDIO MANUEL DA COSTA
 Influência de Petrarca e Camões (sonetos);
 Resíduos cultistas: (transição Barroco/Arcadismo);
 Fixação pelo cenário rochoso de Minas (“a imaginação da
pedra”);
 Conflito interior: provocado pelo contraste
entre o rústico mineiro e a vivência intelectual e
social na Europa ;
 Ambiguidade: “nativismo” X “colonialismo”;
 Platonismo amoroso: Nise é a musa freqüente;
 Temática: o amante infeliz; o contraste rústico X civilizado; a
tristeza da mudança das coisas em relação à permanência dos
sentimentos
“Destes penhascos fez a natureza”
Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!
Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra meu coração guerra tão rara
Que não me foi bastante a fortaleza.
Por mais que eu mesmo conhecesse o
dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano;
Vós que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei: que Amor tirano
Onde há mais resistência mais se apura.
Cláudio Manuel da Costa
TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA
Elementos não-convencionais:
– representação direta da natureza mineira, e não clássica;
– lirismo pessoal (depressivo) decalcado da biografia, mas
sem exageros
 .
Obra lírica: “MARÍLIA DE DIRCEU”
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
•
Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado;
Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio
Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste
Nem canto letra que não seja minha.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela! ...
“MARÍLIA DE DIRCEU ”
1ª. Parte
- Valorização da figura da mulher
amada;
- A natureza é o cenário perfeito
para o idílio;
- Declaração de Dirceu a Marília;
- Dirceu assume-se como pastor;
-Sonhos de felicidade futura.
2ª parte
- Escrita no cárcere pelo
inconfidente;
- Substitui-se o locus amoenus pelo
locus horrendus;
- Pré-Romantismo: melancolia,
saudade, depressão
Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela! (...)
Os seus compridos cabelos,
Que sobre as costas ondeiam,
São que os de Apolo mais belos;
Mas de loura cor não são.
Têm a cor da negra noite;
E com o branco do rosto
Fazem, Marília, um composto
Da mais formosa união.
 Pastoralismo e bucolismo: entendimento de que felicidade
e beleza decorrem da vida no campo;
 Convencionalismo: pseudônimos árcades (Tomás = Dirceu;
Maria Dorotéia Joaquina = Marília)
 Texto monologal: Marília é vocativo, pretexto para o autor
falar de si mesmo
 Otimismo e narcisismo: satisfação com o próprio
destino,autovalorização, exaltação à sensibilidade artística e
alusão à virilidade;
 Ideal burguês de vida: afirmação da privilegiada situação
econômica e da posse da terra;
 Simplicidade: predomínio da ordem da frase, sem muitas
figuras.
 Realismo descritivo: captação da rusticidade da paisagem
e da vida da Colônia.
 Amor serôdio: valorização do “carpe diem” devido à
consciência da fugacidade do tempo.
 Tomás Antônio Gonzaga – satírico
 Obra: “CARTAS CHILENAS”
 Forma e conteúdo:
* Treze cartas anônimas
* Decassílabos brancos
* Critilo (Gonzaga) escreve a seu amigo Doroteu
(Cláudio M. da Costa), criticando os atos do
governador do“Chile”, Fanfarrão Minésio, (o
governador de Minas Gerais, Luís da Cunha
O INDIANISMO DE BASÍLIO DA GAMA E SANTAO INDIANISMO DE BASÍLIO DA GAMA E SANTA
RITA DURÃORITA DURÃO
BASÍLIO DA GAMA SANTA RITABASÍLIO DA GAMA SANTA RITA
DURÃODURÃO
INDIANISMO
Glorificação do homem
natural que enfrenta
os representantes
da civilização européia.
Glorificação do índio que
se converte à religião do
dominador luso e o auxilia
na conquista da terra
BASÍLIO DA GAMA
 Poema épico: “O URAGUAI”
 Tema central: a história das tropas luso-
espanholas enviadas à região das missões jesuíticas
para desalojar os índios e jesuítas (após o Tratado de
Madri ) e subseqüente destruição de São Miguel. O
poema é a narração da luta pela posse da terra,
travada em 1757 e foi dedicado ao irmão do Marquês
de Pombal.
Personagens:
- General Gomes Freire de Andrade (chefe
português);
- Catâneo (chefe das tropas espanholas);
- Cacambo (chefe indígena);
- Cepé (guerreiro índio);
- Balda (jesuíta administrador de Sete Povos
das Missões);
- Caitutu (guerreiro indígena, irmão de Lindóia);
- Lindóia (esposa de cacambo);
- Tanajura (indígena feiticeira).
Este lugar delicioso e triste,
Cansada de viver, tinha escolhido
Para morrer a mísera Lindóia.
Lá reclinada, como que dormia,
Na branda relva e nas mimosas flores,
Tinha a face na mão, e a mão no tronco
De um fúnebre cipreste, que espalhava
Melancólica sombra. Mais de perto
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.
Fogem de a ver assim, sobressaltados,
E param cheios de temor ao longe;
E nem se atrevem a chamá-la, e temem
Que desperte assustada, e irrite o monstro,
E fuja, e apresse no fugir a morte.
Porém o destro Caitutu, que treme
Do perigo da irmã, sem mais demora
Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes
Soltar o tiro, e vacilou três vezes
Entre a ira e o temor. Enfim sacode
O arco e faz voar a aguda seta,
Que toca o peito de Lindóia, e fere
A serpente na testa, e a boca e os dentes
Deixou cravados no vizinho tronco.
Açouta o campo co'a ligeira cauda
O irado monstro, e em tortuosos giros
Se enrosca no cipreste, e verte envolto
Em negro sangue o lívido veneno.
Leva nos braços a infeliz Lindóia
O desgraçado irmão, que ao despertá-la
Conhece, com que dor! no frio rosto
Os sinais do veneno, e vê ferido
Pelo dente sutil o brando peito.
Os olhos, em que Amor reinava, um dia,
Cheios de morte; e muda aquela língua
Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes
Contou a larga história de seus males.
Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,
E rompe em profundíssimos suspiros,
Lendo na testa da fronteira gruta
De sua mão já trêmula gravado
O alheio crime e a voluntária morte.
E por todas as partes repetido
O suspirado nome de Cacambo.
Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado e triste,
Que os corações mais duros enternece
Tanto era bela no seu rosto a morte!
SANTA RITA DURÃOSANTA RITA DURÃO
 CARAMURU –CARAMURU – A glorificação do colonizadorA glorificação do colonizador
branco.branco.
 Personagens: - Diogo Álvares CorreiaPersonagens: - Diogo Álvares Correia
- Paraguaçú- Paraguaçú
- Moema- Moema
Características de “Caramuru”:
 Tradicionalismo épico: duros trabalhos dum heróis,
 contato entre gentes diversas, visão duma seqüência
 histórica (uma “brasilíada”!);
 Referência: a fatos históricos desde o Descobrimento
 até a época do autor;
 Destaque ao teor informativo e descritivo: louvação da
 terra, dos costumes, dos ritos indígenas...
 Inspiração religiosa: louva a colonização como
 empresa religiosa desinteressada (objetivo:catequese!);
 Desprezo: à visão laica e civil – a qual se observa em
XXXVIII
'Bárbaro (a bela diz), tigre e não homem
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças amor que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame?
Mas pagar tanto amor com tédio e asco...
Ah! que corisco és tu... raio... penhasco!
XXXIX
Bem puderes, cruel, ter sido esquivo,
Quando eu a fé rendia ao teu engano;
Nem me ofenderas a escutar-me altivo,
Que é favor, dado a tempo, um desengano;
Porém, deixando o coração cativo
Com fazer-te a meus rogos sempre humano,
Fugiste-me, traidor, e desta sorte
Paga meu fino amor tão crua morte?
O Arcadismo e a Inconfidência Mineira
A descoberta do ouro nas Minas Gerais deslocou para o sudeste o desenvolvimento
urbano brasileiro no século XVIII. A produção cultural, acontecia principalmente na
Bahia e em Pernambuco, passa a se concentrar na cidade de Vila Rica (atual Ouro
Preto), a mais próspera da região.
 A opressão administrativa portuguesa,
 o declínio da produção do ouro,
 a convivência com as idéias liberais de
 Rousseau,
 Montesquieu,
 John Locke e
 a revolução na América do Norte
principais fatores
movimento revolucionário em Vila Rica.
Vila Rica (atual Ouro Preto)Vila Rica (atual Ouro Preto)
1 21 2
Libertas quae sera tamen
proclamar a República
Objetivos dos inconfidentes
tornar o Brasil independente de Portugal.
A bandeira escolhida estamparia
o lema dos inconfidentes, extraído
de um verso de Virgílio:
Libertas quae sera tamen
(liberdade ainda que tardia).
O fim dos inconfidentesO fim dos inconfidentes
 Ouvidor em Vila Rica,
 Foi preso e deportado para
Moçambique, onde falece,
em 1810.
Tomás Antônio Gonzaga
Cláudio Manuel da Costa
Foi denunciado e preso.
Enforcou-se, em 1789, na
celda da prisão em que
aguardava julgamento,
localizada na Casa dos
Contos.

Arcadismo

  • 1.
    O PROJETO LITERÁRIOOPROJETO LITERÁRIO DO ARCADISMODO ARCADISMO
  • 2.
    ILUMINISMOILUMINISMO França S XVII------Apogeu:s. XVIII/França S XVII------Apogeu: s. XVIII/ Século das luzesSéculo das luzes Domínio da razão sobre a visão teocDomínio da razão sobre a visão teocêêntrica.ntrica. As manifestações artísticas do século XVII (Arcadismo ouAs manifestações artísticas do século XVII (Arcadismo ou Neoclassicismo) refletem aNeoclassicismo) refletem a ideologiaideologia da classe aristocrática emda classe aristocrática em decadência e da alta burguesia, insatisfeitas com o absolutismodecadência e da alta burguesia, insatisfeitas com o absolutismo real, com a pesada solenidade do Barroco, com as formas sociaisreal, com a pesada solenidade do Barroco, com as formas sociais de convivência rígidas, artificiais e complicadas.de convivência rígidas, artificiais e complicadas. As mudanças estéticas terão por base uma revolução filosófica: oAs mudanças estéticas terão por base uma revolução filosófica: o Iluminismo.Iluminismo.
  • 3.
    Em seu primeiromomento, os iluministas conciliaram osEm seu primeiro momento, os iluministas conciliaram os interesses da burguesia com certas parcelas da nobreza,interesses da burguesia com certas parcelas da nobreza, através da celebração do despotismo esclarecido -através da celebração do despotismo esclarecido - valorizando reis e príncipes que se cercavam de sábiosvalorizando reis e príncipes que se cercavam de sábios para gerir os negócios públicos.para gerir os negócios públicos. Mas o aspecto revolucionário do pensamento deMas o aspecto revolucionário do pensamento de Voltaire, Montesquieu, Diderot e outros é a afirmação deVoltaire, Montesquieu, Diderot e outros é a afirmação de que todas as coisas podem ser compreendidas,que todas as coisas podem ser compreendidas, resolvidas e decididas pelo poder da razão.resolvidas e decididas pelo poder da razão.
  • 4.
    ARCADISMOARCADISMO Literatura do séc.XVIII ––Setecentismo ouLiteratura do séc. XVIII ––Setecentismo ou NeoclassicismoNeoclassicismo Domínio histórico no Brasil:Domínio histórico no Brasil:  17681768:: “Obras”, de Cláudio Manuel da Costa“Obras”, de Cláudio Manuel da Costa  18361836:: “Suspiros poéticos e Saudades”, de“Suspiros poéticos e Saudades”, de Gonçalves de MagalhãesGonçalves de Magalhães
  • 5.
    Havia, na GréciaAntiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia. De relevo montanhoso, essa região era habitada por pastores e vista como um lugar especial, quase mítico, em que os habitantes associavam o trabalho à poesia, cantando o paraíso rústico em que viviam. No século XVIII, o termo Arcádia passou a identificar as academias ou agremiações de poetas que se reuniam para restaurar o estilo dos poetas clássico- renascentistas, com o objetivo declarado de combater o rebuscamento barroco. Ordem e convencionalismo
  • 6.
  • 7.
    A idealização davida no campoA idealização da vida no campo  A estética desenvolvidaA estética desenvolvida nessas academias de poetasnessas academias de poetas passou a ser chamadapassou a ser chamada Arcadismo.Arcadismo. Tinha comoTinha como característica principal acaracterística principal a idealização da vida noidealização da vida no campo. O desejo de seguircampo. O desejo de seguir as regras da poesia clássicaas regras da poesia clássica fez com que essa estéticafez com que essa estética também fosse conhecidatambém fosse conhecida comocomo Neoclassicismo.Neoclassicismo.
  • 8.
    O pastoralismoO pastoralismo Umdos aspectos mais artificiais da estética árcade é o fato de os poetas e de suas musas serem identificados como pastores e pastoras.. Sou pastor, não te nego; os meus montados São esses, que aí vês; vivo contente Ao trazer entre a selva florescente A doce companhia dos meus gados; (Soneto IV - Cláudio Manuel da Costa)
  • 9.
    O bucolismoO bucolismo OadjetivoO adjetivo bucólicobucólico faz referência a tudo aquilo que éfaz referência a tudo aquilo que é relativo a pastores e seus rebanhos, à vida e aosrelativo a pastores e seus rebanhos, à vida e aos costumes do campo.costumes do campo. Marília de Dirceu: Lira XIII Num sítio ameno, Cheio de rosas De Brancos lírios, Murtas viçosas, Dos seus amores Na companhia, Dirceu passava Alegre o dia. (Tomás Antônio Gonzaga)
  • 10.
    Linguagem: simplicidade acimade tudoLinguagem: simplicidade acima de tudo O Arcadismo adota como missão combater aO Arcadismo adota como missão combater a artificialidade verbal dos poetas barrocos. Por isso,artificialidade verbal dos poetas barrocos. Por isso, elege a simplicidade como norma para a criaçãoelege a simplicidade como norma para a criação literárialiterária .. Enquanto pasta alegre o manso gado, Minha bela Marília, nos sentemos À sombra deste cedro levantado. Um pouco meditemos Na regular beleza, Que em tudo quanto vive nos descobre A sábia Natureza (Tomás Antônio Gonzaga)
  • 11.
    • fugere urbem:fuga da cidade; afirmação das qualidades da vida no campo. • locus amoenus: valorização das coisas cotidianas, simples, focalizadas pela razão e pelo bom senso • aurea mediocritas:caracterização de um lugar ameno, onde os amantes se encontram para desfrutar dos prazeres da natureza. • carpe diem: cantar o dia; trata da passagem do tempo como algo que traz a velhice, a fragilidade e a morte, tornando imperativo aproveitar o momento presente de modo intenso. • inutilia truncat: eliminação dos excessos, evitando qualquer uso mais elaborado da linguagem. Retomada dos lemas latinos:
  • 12.
    A OBRA POÉTICA LÍRICASATÍRICA ÉPICA Silvio Alvarenga, Claudio da Costa Reproduzem as formas e temas do Neoclassicismo europeu “ As cartas chilenas” Tomás Antônio Gonzaga Refletem a insatisfação dos habitantes da colônia em relação à administração portuguesa e aos seus agentes Basílio da Gama e Santa Rita Durão Introdução ao indianismo como tema literário, ganhando o índio o papel de guerreiro em ação, tomado como Personagem. “Uraguai” e “Caramuru”
  • 13.
    CLÁUDIO MANUEL DACOSTA  Influência de Petrarca e Camões (sonetos);  Resíduos cultistas: (transição Barroco/Arcadismo);  Fixação pelo cenário rochoso de Minas (“a imaginação da pedra”);  Conflito interior: provocado pelo contraste entre o rústico mineiro e a vivência intelectual e social na Europa ;  Ambiguidade: “nativismo” X “colonialismo”;  Platonismo amoroso: Nise é a musa freqüente;  Temática: o amante infeliz; o contraste rústico X civilizado; a tristeza da mudança das coisas em relação à permanência dos sentimentos
  • 14.
    “Destes penhascos feza natureza” Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci: oh! quem cuidara Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza! Amor, que vence os tigres, por empresa Tomou logo render-me; ele declara Contra meu coração guerra tão rara Que não me foi bastante a fortaleza. Por mais que eu mesmo conhecesse o dano A que dava ocasião minha brandura, Nunca pude fugir ao cego engano; Vós que ostentais a condição mais dura, Temei, penhas, temei: que Amor tirano Onde há mais resistência mais se apura. Cláudio Manuel da Costa
  • 15.
    TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA Elementosnão-convencionais: – representação direta da natureza mineira, e não clássica; – lirismo pessoal (depressivo) decalcado da biografia, mas sem exageros  . Obra lírica: “MARÍLIA DE DIRCEU” Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosco trato, de expressões grosseiro, Dos frios gelos e dos sóis queimado. Tenho próprio casal e nele assisto; Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; Das brancas ovelhinhas tiro o leite, E mais as finas lãs, de que visto. Graças, Marília bela, Graças à minha estrela! • Eu vi o meu semblante numa fonte, Dos anos inda não está cortado; Os Pastores, que habitam este monte, Respeitam o poder do meu cajado. Com tal destreza toco a sanfoninha, Que inveja até me tem o próprio Alceste: Ao som dela concerto a voz celeste Nem canto letra que não seja minha. Graças, Marília bela, Graças à minha estrela! ...
  • 16.
    “MARÍLIA DE DIRCEU” 1ª. Parte - Valorização da figura da mulher amada; - A natureza é o cenário perfeito para o idílio; - Declaração de Dirceu a Marília; - Dirceu assume-se como pastor; -Sonhos de felicidade futura. 2ª parte - Escrita no cárcere pelo inconfidente; - Substitui-se o locus amoenus pelo locus horrendus; - Pré-Romantismo: melancolia, saudade, depressão
  • 17.
    Os teus olhosespalham luz divina, A quem a luz do Sol em vão se atreve: Papoula, ou rosa delicada, e fina, Te cobre as faces, que são cor de neve. Os teus cabelos são uns fios d’ouro; Teu lindo corpo bálsamos vapora. Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora, Para glória de Amor igual tesouro. Graças, Marília bela, Graças à minha Estrela! (...) Os seus compridos cabelos, Que sobre as costas ondeiam, São que os de Apolo mais belos; Mas de loura cor não são. Têm a cor da negra noite; E com o branco do rosto Fazem, Marília, um composto Da mais formosa união.
  • 18.
     Pastoralismo ebucolismo: entendimento de que felicidade e beleza decorrem da vida no campo;  Convencionalismo: pseudônimos árcades (Tomás = Dirceu; Maria Dorotéia Joaquina = Marília)  Texto monologal: Marília é vocativo, pretexto para o autor falar de si mesmo  Otimismo e narcisismo: satisfação com o próprio destino,autovalorização, exaltação à sensibilidade artística e alusão à virilidade;  Ideal burguês de vida: afirmação da privilegiada situação econômica e da posse da terra;  Simplicidade: predomínio da ordem da frase, sem muitas figuras.  Realismo descritivo: captação da rusticidade da paisagem e da vida da Colônia.  Amor serôdio: valorização do “carpe diem” devido à consciência da fugacidade do tempo.
  • 19.
     Tomás AntônioGonzaga – satírico  Obra: “CARTAS CHILENAS”  Forma e conteúdo: * Treze cartas anônimas * Decassílabos brancos * Critilo (Gonzaga) escreve a seu amigo Doroteu (Cláudio M. da Costa), criticando os atos do governador do“Chile”, Fanfarrão Minésio, (o governador de Minas Gerais, Luís da Cunha
  • 20.
    O INDIANISMO DEBASÍLIO DA GAMA E SANTAO INDIANISMO DE BASÍLIO DA GAMA E SANTA RITA DURÃORITA DURÃO BASÍLIO DA GAMA SANTA RITABASÍLIO DA GAMA SANTA RITA DURÃODURÃO INDIANISMO Glorificação do homem natural que enfrenta os representantes da civilização européia. Glorificação do índio que se converte à religião do dominador luso e o auxilia na conquista da terra
  • 21.
    BASÍLIO DA GAMA Poema épico: “O URAGUAI”  Tema central: a história das tropas luso- espanholas enviadas à região das missões jesuíticas para desalojar os índios e jesuítas (após o Tratado de Madri ) e subseqüente destruição de São Miguel. O poema é a narração da luta pela posse da terra, travada em 1757 e foi dedicado ao irmão do Marquês de Pombal.
  • 22.
    Personagens: - General GomesFreire de Andrade (chefe português); - Catâneo (chefe das tropas espanholas); - Cacambo (chefe indígena); - Cepé (guerreiro índio); - Balda (jesuíta administrador de Sete Povos das Missões); - Caitutu (guerreiro indígena, irmão de Lindóia); - Lindóia (esposa de cacambo); - Tanajura (indígena feiticeira).
  • 23.
    Este lugar deliciosoe triste, Cansada de viver, tinha escolhido Para morrer a mísera Lindóia. Lá reclinada, como que dormia, Na branda relva e nas mimosas flores, Tinha a face na mão, e a mão no tronco De um fúnebre cipreste, que espalhava Melancólica sombra. Mais de perto Descobrem que se enrola no seu corpo Verde serpente, e lhe passeia, e cinge Pescoço e braços, e lhe lambe o seio. Fogem de a ver assim, sobressaltados, E param cheios de temor ao longe; E nem se atrevem a chamá-la, e temem Que desperte assustada, e irrite o monstro, E fuja, e apresse no fugir a morte. Porém o destro Caitutu, que treme Do perigo da irmã, sem mais demora Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes Soltar o tiro, e vacilou três vezes Entre a ira e o temor. Enfim sacode O arco e faz voar a aguda seta, Que toca o peito de Lindóia, e fere A serpente na testa, e a boca e os dentes Deixou cravados no vizinho tronco. Açouta o campo co'a ligeira cauda O irado monstro, e em tortuosos giros Se enrosca no cipreste, e verte envolto Em negro sangue o lívido veneno. Leva nos braços a infeliz Lindóia O desgraçado irmão, que ao despertá-la Conhece, com que dor! no frio rosto Os sinais do veneno, e vê ferido Pelo dente sutil o brando peito. Os olhos, em que Amor reinava, um dia, Cheios de morte; e muda aquela língua Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes Contou a larga história de seus males. Nos olhos Caitutu não sofre o pranto, E rompe em profundíssimos suspiros, Lendo na testa da fronteira gruta De sua mão já trêmula gravado O alheio crime e a voluntária morte. E por todas as partes repetido O suspirado nome de Cacambo. Inda conserva o pálido semblante Um não sei quê de magoado e triste, Que os corações mais duros enternece Tanto era bela no seu rosto a morte!
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    SANTA RITA DURÃOSANTARITA DURÃO  CARAMURU –CARAMURU – A glorificação do colonizadorA glorificação do colonizador branco.branco.  Personagens: - Diogo Álvares CorreiaPersonagens: - Diogo Álvares Correia - Paraguaçú- Paraguaçú - Moema- Moema
  • 25.
    Características de “Caramuru”: Tradicionalismo épico: duros trabalhos dum heróis,  contato entre gentes diversas, visão duma seqüência  histórica (uma “brasilíada”!);  Referência: a fatos históricos desde o Descobrimento  até a época do autor;  Destaque ao teor informativo e descritivo: louvação da  terra, dos costumes, dos ritos indígenas...  Inspiração religiosa: louva a colonização como  empresa religiosa desinteressada (objetivo:catequese!);  Desprezo: à visão laica e civil – a qual se observa em
  • 26.
    XXXVIII 'Bárbaro (a beladiz), tigre e não homem Porém o tigre, por cruel que brame, Acha forças amor que enfim o domem; Só a ti não domou, por mais que eu te ame. Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem, Como não consumis aquele infame? Mas pagar tanto amor com tédio e asco... Ah! que corisco és tu... raio... penhasco! XXXIX Bem puderes, cruel, ter sido esquivo, Quando eu a fé rendia ao teu engano; Nem me ofenderas a escutar-me altivo, Que é favor, dado a tempo, um desengano; Porém, deixando o coração cativo Com fazer-te a meus rogos sempre humano, Fugiste-me, traidor, e desta sorte Paga meu fino amor tão crua morte?
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    O Arcadismo ea Inconfidência Mineira A descoberta do ouro nas Minas Gerais deslocou para o sudeste o desenvolvimento urbano brasileiro no século XVIII. A produção cultural, acontecia principalmente na Bahia e em Pernambuco, passa a se concentrar na cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto), a mais próspera da região.  A opressão administrativa portuguesa,  o declínio da produção do ouro,  a convivência com as idéias liberais de  Rousseau,  Montesquieu,  John Locke e  a revolução na América do Norte principais fatores movimento revolucionário em Vila Rica.
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    Vila Rica (atualOuro Preto)Vila Rica (atual Ouro Preto) 1 21 2
  • 29.
    Libertas quae seratamen proclamar a República Objetivos dos inconfidentes tornar o Brasil independente de Portugal. A bandeira escolhida estamparia o lema dos inconfidentes, extraído de um verso de Virgílio: Libertas quae sera tamen (liberdade ainda que tardia).
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    O fim dosinconfidentesO fim dos inconfidentes  Ouvidor em Vila Rica,  Foi preso e deportado para Moçambique, onde falece, em 1810. Tomás Antônio Gonzaga Cláudio Manuel da Costa Foi denunciado e preso. Enforcou-se, em 1789, na celda da prisão em que aguardava julgamento, localizada na Casa dos Contos.