Arcadismo / Setecentismo/ Neoclassicismo ( 1768-1808)
Contexto Histórico Revolução Francesa Iluminismo Independência das colônias anglo-saxãs Aristocratas X Burgueses Inconfidência Mineira Economia “áurea” (Inglaterra X Portugal) Criação das “cidades” Os tropeiros no sul e sudeste Imposição “linguística” Criação de Academias e Arcádias Era pombalina (impostos e religião)
Características  Bucolismo (Imitação da Natureza) Carpe Diem Fugere Urbem Inutilia Truncat Aurea Mediocritas Locus Amenus
Verdade = Razão = Simplicidade  Literatura Pastoril Imitação dos Clássicos Objetividade Pseudônimos Musa Inspiradora Uso de Sonetos “Idealização” feminina Amor Galante Tematização épica
Bocage (1765-1805)
Temáticas  Racionalismo X Catolicismo Instintos X Moral Estética Árcade X Temperamento Romântico  Ambientes e vocabulários fúnebres Sarcasmo Liberdade Tom confessional
Magro, de olhos azuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste de facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, e não pequeno; Incapaz de assistir num só terreno, Mais propenso ao furor do que à ternura; Bebendo em níveas mãos, por taça escura, De zelos infernais letal veneno; Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento, E somente no altar amando os frades, Eis Bocage, em quem luz algum talento; Saíram dele mesmo estas verdades, Num dia em que se achou mais pachorrento.
Ó tranças de que Amor prisões me tece, Ó mãos de neve, que regeis meu fado! Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado, Onde o menino alígero (cupido) adormece! Ó ledos (risonho) olhos, cuja luz parece Tênue raio de sol! Ó gesto amado, De rosas e açucenas semeado, Por quem morrera esta alma, se pudesse! Ó lábios, cujo riso a paz me tira, E por cujos dulcíssimos favores Talvez o próprio Júpiter suspira! Ó perfeições! Ó dons encantadores! De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira; Sois de Marília, sois dos meus amores.
Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga, Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto, De meus desgostos secretária antiga! Pois manda Amor que a ti sòmente os diga Dá-lhes pio agasalho no teu manto; Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto Dorme a cruel que a delirar me obriga. E vós, ó cortesãos da escuridade, Fantasmas vagos, mochos piadores, Inimigos, como eu, da claridade! Em bandos acudi aos meus clamores; Quero a vossa medonha sociedade, Quero fartar o meu coração de horrores.
(MACKENZIE) Sobre Bocage, é incorreto afirmar que: a) em sua obra lírica, o Arcadismo interessou apenas como postura, aparência, pois, no fundo, o poeta foi um pré-romântico. b) como poeta satírico, ironizou contemporâneos seus, o clero, a nobreza decadente. c) como abriu mão totalmente dos valores neoclássicos, desprezou o apuro formal, o bucolismo e a postura pastoril. d) o subjetivismo, a confidência de sua vida interior, a confissão foram elementos frequentes em sua obra lírica. e) houve, notada inclusive por ele mesmo em um famoso soneto, uma série de semelhanças entre sua vida e a de Camões
Lirismo Árcade    Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio) Influências camonianas e barrocas Temáticas: O desencanto com a vida: “ Ouvi pois o meu fúnebre lamento Se é que de compaixão sois animados.”   Pastoralismo: “ Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado.”
A brevidade dolorosa do amor: Nise? Nise? onde estás? Aonde espera Achar-te uma alma que por ti suspira, Se quanto a vista se dilata e gira, Tanto mais de encontrar-te desespera! Tematização da “pedra” “ Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci! Oh, quem cuidara Que entre penhas * tão duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza!”
(USP) Analise o poema de Glauceste Satúrnio Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado. Que bem é ver nos campos transladado No gênio do pastor, o da inocência! E que mal é no trato, e na aparência Ver sempre o cortesão dissimulado! Ali respira amor sinceridade; Aqui sempre a traição seu rosto encobre; Um só trata a mentira, outro a verdade. Ali não há fortuna, que soçobre; Aqui quanto se observa, é variedade: Oh ventura do rico! Oh bem do pobre! (Claudio Manuel da Costa) Identifique as características do estilo árcade, justificando com fragmentos poéticos.
Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu) Marília de Dirceu 1ª parte: Bucolismo Otimismo Ideal Burguês Simplicidade Idealização da musa Elementos clássicos Versos Livres
“ Tu, Marília, agora vendo Do Amor o lindo retrato Contigo estarás dizendo Que é este o retrato teu. Sim, Marília, a cópia é tua, Que Cupido é Deus suposto:  Se há Cupido, é só teu rosto Que ele foi quem me venceu.” “ O ser herói, Marília, não consiste Em queimar os Impérios: move a guerra, Espalha o sangue humano,  E despovoa a terra Também o mau tirano.  Consiste o ser herói em viver justo: E tanto pode ser herói o pobre, Como o maior Augusto.”
“ Ornemos nossas testas com as flores, E façamos de feno um brando leito; Prendamo-nos, Marília, em laço estreito, Gozemos do prazer de sãos Amores. Sobre as nossas cabeças, Sem que o possam deter, o tempo corre;  E para nós o tempo, que se passa, Também, Marília, morre.” “ Tu não verás, Marília, cem cativos  tirarem o cascalho e a rica terra,  ou dos cercos dos rios caudalosos, ou da minada serra. Não verás separar ao hábil negro  do pesado esmeril a grossa areia,  e já brilharem os granetes de oiro no fundo da batéia.”
* 2ª parte: Pessimismo Desabafo Tendências pré-românticas Crise existencial “ Quando em meu mal pondero, Então mais vivamente te diviso: Vejo o teu rosto e escuto A tua voz e riso. Movo ligeiro para o vulto dos passos; Eu beijo a tíbia luz em vez de face, E aperto sobre o peito em vão os braços.”
“ Porém se os justos céus, por fins ocultos, em tão tirano mal me não socorrem, verás então que os sábios, bem como vivem, morrem. Eu tenho um coração maior que o mundo, tu, formosa Marília, bem o sabes: um coração, e basta, onde tu mesma cabes.”
(USP) Analise os fragmentos de Marília de Dirceu: ‘ Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vem tarde, já vem frias; E pode enfim mudar-se a nossa estrela. Ah! não, minha Marília, Aproveite-se o tempo, antes que faça 0 estrago de roubar ao corpo as forças E ao semblante a graça.” “ N esta triste masmorra, De um semivivo corpo sepultura, Inda, Marília, adoro A tua formosura. Amor na minha idéia te retrata; Busca extremoso, que eu assim resista A dor imensa, que me cerca, e mata. Quando em meu mal pondero, Então mais vivamente te diviso: Vejo o teu rosto, e escuto A tua voz, e riso.” Comente a dubiedade temática trabalhada por Dirceu.

Arcadismo

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    Arcadismo / Setecentismo/Neoclassicismo ( 1768-1808)
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    Contexto Histórico RevoluçãoFrancesa Iluminismo Independência das colônias anglo-saxãs Aristocratas X Burgueses Inconfidência Mineira Economia “áurea” (Inglaterra X Portugal) Criação das “cidades” Os tropeiros no sul e sudeste Imposição “linguística” Criação de Academias e Arcádias Era pombalina (impostos e religião)
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    Características Bucolismo(Imitação da Natureza) Carpe Diem Fugere Urbem Inutilia Truncat Aurea Mediocritas Locus Amenus
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    Verdade = Razão= Simplicidade Literatura Pastoril Imitação dos Clássicos Objetividade Pseudônimos Musa Inspiradora Uso de Sonetos “Idealização” feminina Amor Galante Tematização épica
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    Temáticas RacionalismoX Catolicismo Instintos X Moral Estética Árcade X Temperamento Romântico Ambientes e vocabulários fúnebres Sarcasmo Liberdade Tom confessional
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    Magro, de olhosazuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste de facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, e não pequeno; Incapaz de assistir num só terreno, Mais propenso ao furor do que à ternura; Bebendo em níveas mãos, por taça escura, De zelos infernais letal veneno; Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento, E somente no altar amando os frades, Eis Bocage, em quem luz algum talento; Saíram dele mesmo estas verdades, Num dia em que se achou mais pachorrento.
  • 8.
    Ó tranças deque Amor prisões me tece, Ó mãos de neve, que regeis meu fado! Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado, Onde o menino alígero (cupido) adormece! Ó ledos (risonho) olhos, cuja luz parece Tênue raio de sol! Ó gesto amado, De rosas e açucenas semeado, Por quem morrera esta alma, se pudesse! Ó lábios, cujo riso a paz me tira, E por cujos dulcíssimos favores Talvez o próprio Júpiter suspira! Ó perfeições! Ó dons encantadores! De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira; Sois de Marília, sois dos meus amores.
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    Ó retrato daMorte! Ó Noite amiga, Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto, De meus desgostos secretária antiga! Pois manda Amor que a ti sòmente os diga Dá-lhes pio agasalho no teu manto; Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto Dorme a cruel que a delirar me obriga. E vós, ó cortesãos da escuridade, Fantasmas vagos, mochos piadores, Inimigos, como eu, da claridade! Em bandos acudi aos meus clamores; Quero a vossa medonha sociedade, Quero fartar o meu coração de horrores.
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    (MACKENZIE) Sobre Bocage,é incorreto afirmar que: a) em sua obra lírica, o Arcadismo interessou apenas como postura, aparência, pois, no fundo, o poeta foi um pré-romântico. b) como poeta satírico, ironizou contemporâneos seus, o clero, a nobreza decadente. c) como abriu mão totalmente dos valores neoclássicos, desprezou o apuro formal, o bucolismo e a postura pastoril. d) o subjetivismo, a confidência de sua vida interior, a confissão foram elementos frequentes em sua obra lírica. e) houve, notada inclusive por ele mesmo em um famoso soneto, uma série de semelhanças entre sua vida e a de Camões
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    Lirismo Árcade  Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio) Influências camonianas e barrocas Temáticas: O desencanto com a vida: “ Ouvi pois o meu fúnebre lamento Se é que de compaixão sois animados.” Pastoralismo: “ Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado.”
  • 12.
    A brevidade dolorosado amor: Nise? Nise? onde estás? Aonde espera Achar-te uma alma que por ti suspira, Se quanto a vista se dilata e gira, Tanto mais de encontrar-te desespera! Tematização da “pedra” “ Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci! Oh, quem cuidara Que entre penhas * tão duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza!”
  • 13.
    (USP) Analise opoema de Glauceste Satúrnio Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado. Que bem é ver nos campos transladado No gênio do pastor, o da inocência! E que mal é no trato, e na aparência Ver sempre o cortesão dissimulado! Ali respira amor sinceridade; Aqui sempre a traição seu rosto encobre; Um só trata a mentira, outro a verdade. Ali não há fortuna, que soçobre; Aqui quanto se observa, é variedade: Oh ventura do rico! Oh bem do pobre! (Claudio Manuel da Costa) Identifique as características do estilo árcade, justificando com fragmentos poéticos.
  • 14.
    Tomás Antônio Gonzaga(Dirceu) Marília de Dirceu 1ª parte: Bucolismo Otimismo Ideal Burguês Simplicidade Idealização da musa Elementos clássicos Versos Livres
  • 15.
    “ Tu, Marília,agora vendo Do Amor o lindo retrato Contigo estarás dizendo Que é este o retrato teu. Sim, Marília, a cópia é tua, Que Cupido é Deus suposto: Se há Cupido, é só teu rosto Que ele foi quem me venceu.” “ O ser herói, Marília, não consiste Em queimar os Impérios: move a guerra, Espalha o sangue humano, E despovoa a terra Também o mau tirano. Consiste o ser herói em viver justo: E tanto pode ser herói o pobre, Como o maior Augusto.”
  • 16.
    “ Ornemos nossastestas com as flores, E façamos de feno um brando leito; Prendamo-nos, Marília, em laço estreito, Gozemos do prazer de sãos Amores. Sobre as nossas cabeças, Sem que o possam deter, o tempo corre; E para nós o tempo, que se passa, Também, Marília, morre.” “ Tu não verás, Marília, cem cativos tirarem o cascalho e a rica terra, ou dos cercos dos rios caudalosos, ou da minada serra. Não verás separar ao hábil negro do pesado esmeril a grossa areia, e já brilharem os granetes de oiro no fundo da batéia.”
  • 17.
    * 2ª parte:Pessimismo Desabafo Tendências pré-românticas Crise existencial “ Quando em meu mal pondero, Então mais vivamente te diviso: Vejo o teu rosto e escuto A tua voz e riso. Movo ligeiro para o vulto dos passos; Eu beijo a tíbia luz em vez de face, E aperto sobre o peito em vão os braços.”
  • 18.
    “ Porém seos justos céus, por fins ocultos, em tão tirano mal me não socorrem, verás então que os sábios, bem como vivem, morrem. Eu tenho um coração maior que o mundo, tu, formosa Marília, bem o sabes: um coração, e basta, onde tu mesma cabes.”
  • 19.
    (USP) Analise osfragmentos de Marília de Dirceu: ‘ Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vem tarde, já vem frias; E pode enfim mudar-se a nossa estrela. Ah! não, minha Marília, Aproveite-se o tempo, antes que faça 0 estrago de roubar ao corpo as forças E ao semblante a graça.” “ N esta triste masmorra, De um semivivo corpo sepultura, Inda, Marília, adoro A tua formosura. Amor na minha idéia te retrata; Busca extremoso, que eu assim resista A dor imensa, que me cerca, e mata. Quando em meu mal pondero, Então mais vivamente te diviso: Vejo o teu rosto, e escuto A tua voz, e riso.” Comente a dubiedade temática trabalhada por Dirceu.