Predicar
Cfr. «Predicação», p. 336
Atribuição de uma propriedade a uma
entidade («O Carlos é forte») ou
estabelecimento de uma relação entre
entidades («A Maria ganhou a prova»).
5.
Descrição do auto de fé em que é
condenada Sebastiana de Jesus, mãe de
Blimunda, que pela primeira vez contacta
com Baltasar.
União simbólica do casal, abençoada
pelo padre Bartolomeu Lourenço de
Gusmão, amigo de Blimunda.
6.
Encontro de Baltasar com o padre
Bartolomeu, que lhe fala do projeto da
passarola e lhe explica a razão da sua
alcunha (o voador). Visita à abegoaria em
São Sebastião da Pedreira onde se
encontra a máquina, na qual Baltasar
aceita trabalhar.
7.
Trabalho de Baltasar num açougue em
Lisboa.
Nascimento e batizado da infanta Maria
Bárbara, filha do rei entretanto nascida.
Este renova a promessa de construção do
convento para os franciscanos.
8.
Revelação do segredo de Blimunda a
Baltasar, depois de várias desconfianças
deste.
Nascimento do segundo filho do
casal real, o infante D. Pedro. Escolha do
local para a elevação do convento.
9.
Instalação de Blimunda e Baltasar na
quinta do Duque de Aveiro. Trabalho de
ambos na passarola.
Viagem do padre Bartolomeu à
para aprender o segredo do éter, que
elevará o engenho voador.
Descrição de uma tourada em Lisboa.
10.
Mudança do par Sete-Sóis/Sete-
Luas para Mafra, onde Baltasar servirá
nas obras do convento. Integração de
Blimunda na estrutura familiar de
Baltasar.
Descrição das mortes e funerais do
infante D. Pedro e do sobrinho de
Baltasar.
Doença de D. João V e retiro em
Azeitão. Aproximação de D. Maria Ana e
do infante D. Francisco.
11.
Regresso do padre Bartolomeu da
Holanda e visita a Baltasar e Blimunda em
Mafra, onde contacta pela primeira vez com
as obras do convento.
Baltasar e Blimunda regressam ao
trabalho na abegoaria e o padre viaja para
Coimbra, para concluir os seus estudos.
Trata-se de um momento fulcral, pois
"Nele se encontram as duas ações: a
construção do convento com a referência
às centenas de homens que andam
trabalhando nos caboucos da futura
edificação e aos que ficam marcados pela
passagem do padre, e a construção da
máquina que, com o seu regresso, vai
ganhar um novo e importante impulso.”
«Nem sempre se pode ter tudo» (l. 1) |
SENTenciador / IRÓNico
«a pobre não emprestes, a rico não devas,
a frade não prometas» (ll. 5-6) |
SENTenciador / IRÓNico / REFlexivo
Ao rico não devas e ao pobre não
prometas
«porém sosseguemos» (ll. 5-6) |
aparentemente | HOModiegético
«Haveremos convento.» (l. 6) |
OMNisciente (ou aparentemente
HOModiegético)
«El-rei foi a Mafra escolher o sítio onde
há de ser levantado o convento.» (l. 7) |
HETerodiegético
«um homem pode ser grande voador,
mas é-lhe muito conveniente que saia
bacharel, licenciado e doutor, e então,
ainda que não voe, o consideram» (ll. 13-
15) | REFlexivo
«estava a abegoaria em abandono,
dispersos pelo chão os materiais que
não valera a pena arrumar, ninguém
adivinharia o que ali se andara
perpetrando» (ll. 17-20) |
HETerodiegético
«com todas as disposições, licenças e
matriculações necessárias, partiu o
padre Bartolomeu Lourenço para
Coimbra» (ll. 25-28) levemente | IRÓNico
«Até à vila de Mafra, aonde primeiro vai,
não tem a viagem história, salvo a das
pessoas que por estes lugares moram»
(ll. 29-32) | OMNisciente
Em «Cem homens e cem »
são referidos três espaços (descontando já a
Holanda e, claro, a alusão a Alcobaça): Alto
da Vela (Mafra); São Sebastião da Pedreira;
Coimbra.
Explica como são vistos estes locais no
texto e o seu enquadramento no enredo do
romance, associando-os ao simbolismo que
possam ter, num comentário de cerca de
cento e cinquenta palavras.
A ação decorre no Alto da Vela (onde
D. João V se encontra no início do excerto
e onde o padre Bartolomeu vê, anos
volvidos, os trabalhadores do convento);
na quinta de S. Sebastião da Pedreira (aqui
o padre deparara-se com o abandono dos
trabalhos, dado Baltasar e Blimunda terem
ido para Mafra); há também alusão a
Coimbra (aonde, depois da ida à quinta, se
dirigirá Bartolomeu, a fim de se doutorar). A
quinta associa-se à construção da
passarola, sendo, por isso, conotável com
as ideias de sonho e concretização, embora,
no momento do texto, se nos apresente
quase disforicamente. O Alto da Vela,
espaço de construção mas também de
exploração de trabalhadores, pode
identificar-se com o sacrifício e a morte.
Coimbra parece dever relacionar-se com o
conhecimento livresco, com a necessidade
burocrática de aquisição de um grau
académico (ao contrário da Holanda, de
onde viera um Bartolomeu «estrangeirado»,
informado).
(150 palavras)
Memorial do Convento
A Vida Secreta dos Nossos Bichos
Como se articulam as linhas diegéticas?
Há alguma alternância entre duas linhas
narrativas (a da construção da
passarola; a da construção do
Convento), que se cruzam aqui e ali.
Há também dois eixos (o dos donos que
saem e regressam, mas de cujo dia
pouco sabemos; o dos bichos), que
coincidem apenas no início e no final.
O amor situa-se em que eixo?
A linha diegética do amor de Baltasar e
Blimunda pode talvez considerar-se
integrante do eixo da passarola.
A paixão Gidget e Max é ainda menos
transversal, decerto privativa do mundo
dos bichos.
A luta de classes ultrapassa os eixos?
O eixo da construção da passarola tem
como protagonistas os heróis (Baltasar,
Blimunda, do povo, e Bartolomeu, do
clero mas transgressor) e funciona
também como exemplo de contra-poder.
É no eixo da construção do Convento
que evoluem as personagens do poder
(D. João V, sobretudo) e se dá o retrato
do povo explorado (os dois extremos,
portanto).
Do eixo dos donos pouco se sabe (o seu
regresso a casa é dado em alternância
brevíssima no final — as várias casas são
vistas numa espécie de focalização
externa, como se olhássemos um prédio
descarnado e espiássemos vários lares).
No eixo dos bichos assume-se uma
focalização interna (por personagem
coletiva, os bichos): vemos os
acontecimentos pelo olhar dos animais.
Há visitas de personagens de um dado eixo
ao outro?
Scarlatti, Bartolomeu surgem nos dois
eixos, de passarola e de Convento — são
personagens com essa mobilidade
transversal. O músico Scarlatti funciona,
para o eixo da passarola, como personagem
adjuvante. Ocasionalmente, há
comparências de outras personagens em
ambas as linhas diegéticas.
Dentro do eixo dos bichos, os humanos
encarregados da recolha de animais
abandonados funcionam como oponentes
(pertencerão ao eixo dos donos? — estão
no seu emprego também); e há
estratificação social: os revolucionários do
esgoto, os privilegiados por viverem com
donos.
É o elemento feminino do casal que luta
pela sua paixão
Blimunda procura Baltasar durante nove
anos.
Gidget procura Max durante o dia todo.
Enredo fecha-se numa retoma do início,
circularmente
Baltasar e Blimunda conhecem-num auto de fé,
em 1711. Intriga termina com outro auto de fé
(histórico, o de António José da Silva), em 1739 —
decorrem vinte e oito anos, balizados até por
acontecimentos históricos.
Chegada de Katie com Duke desencadeia o
conflito (Max-Duke) já resolvido no regresso da
dona. Saída e regresso dos donos enquadra
paixão de Gidget por Max — decorrem as vinte
quatro horas de um dia completo.
As multidões em viagem são recorrentes
Recordem-se o grupo de trabalhadores que
transporta «mãe da pedra»; o grupo de
trabalhadores arregimentados com que se
cruzou Maria Bárbara; as procissões; etc.
Recordem-se o exército de animais
chefiado pelo coelho Pompom; o grupo dos
animais de estimação comandado pelo cão
em cadeira de rodas; etc.
TPC — À medida que for devolvendo,
já corrigidas por mim, as primeiras
versões da análise-comentário de
Canção/Memorial, lança no ficheiro word
as alterações que sugeri e envia-mo com
o texto já alterado (Convento corrigido de
Heliodoro do 12.º 0.º). Entretanto,
como tenho multiplamente
pedido, aproveita para
terminar leitura de Memorial.
Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 87-88
Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 87-88

Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 87-88

  • 2.
    Predicar Cfr. «Predicação», p.336 Atribuição de uma propriedade a uma entidade («O Carlos é forte») ou estabelecimento de uma relação entre entidades («A Maria ganhou a prova»).
  • 4.
    5. Descrição do autode fé em que é condenada Sebastiana de Jesus, mãe de Blimunda, que pela primeira vez contacta com Baltasar. União simbólica do casal, abençoada pelo padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, amigo de Blimunda.
  • 5.
    6. Encontro de Baltasarcom o padre Bartolomeu, que lhe fala do projeto da passarola e lhe explica a razão da sua alcunha (o voador). Visita à abegoaria em São Sebastião da Pedreira onde se encontra a máquina, na qual Baltasar aceita trabalhar.
  • 6.
    7. Trabalho de Baltasarnum açougue em Lisboa. Nascimento e batizado da infanta Maria Bárbara, filha do rei entretanto nascida. Este renova a promessa de construção do convento para os franciscanos.
  • 7.
    8. Revelação do segredode Blimunda a Baltasar, depois de várias desconfianças deste. Nascimento do segundo filho do casal real, o infante D. Pedro. Escolha do local para a elevação do convento.
  • 8.
    9. Instalação de Blimundae Baltasar na quinta do Duque de Aveiro. Trabalho de ambos na passarola. Viagem do padre Bartolomeu à para aprender o segredo do éter, que elevará o engenho voador. Descrição de uma tourada em Lisboa.
  • 9.
    10. Mudança do parSete-Sóis/Sete- Luas para Mafra, onde Baltasar servirá nas obras do convento. Integração de Blimunda na estrutura familiar de Baltasar. Descrição das mortes e funerais do infante D. Pedro e do sobrinho de Baltasar. Doença de D. João V e retiro em Azeitão. Aproximação de D. Maria Ana e do infante D. Francisco.
  • 10.
    11. Regresso do padreBartolomeu da Holanda e visita a Baltasar e Blimunda em Mafra, onde contacta pela primeira vez com as obras do convento. Baltasar e Blimunda regressam ao trabalho na abegoaria e o padre viaja para Coimbra, para concluir os seus estudos.
  • 11.
    Trata-se de ummomento fulcral, pois "Nele se encontram as duas ações: a construção do convento com a referência às centenas de homens que andam trabalhando nos caboucos da futura edificação e aos que ficam marcados pela passagem do padre, e a construção da máquina que, com o seu regresso, vai ganhar um novo e importante impulso.”
  • 13.
    «Nem sempre sepode ter tudo» (l. 1) | SENTenciador / IRÓNico
  • 14.
    «a pobre nãoemprestes, a rico não devas, a frade não prometas» (ll. 5-6) | SENTenciador / IRÓNico / REFlexivo Ao rico não devas e ao pobre não prometas
  • 15.
    «porém sosseguemos» (ll.5-6) | aparentemente | HOModiegético
  • 16.
    «Haveremos convento.» (l.6) | OMNisciente (ou aparentemente HOModiegético)
  • 17.
    «El-rei foi aMafra escolher o sítio onde há de ser levantado o convento.» (l. 7) | HETerodiegético
  • 18.
    «um homem podeser grande voador, mas é-lhe muito conveniente que saia bacharel, licenciado e doutor, e então, ainda que não voe, o consideram» (ll. 13- 15) | REFlexivo
  • 19.
    «estava a abegoariaem abandono, dispersos pelo chão os materiais que não valera a pena arrumar, ninguém adivinharia o que ali se andara perpetrando» (ll. 17-20) | HETerodiegético
  • 20.
    «com todas asdisposições, licenças e matriculações necessárias, partiu o padre Bartolomeu Lourenço para Coimbra» (ll. 25-28) levemente | IRÓNico
  • 21.
    «Até à vilade Mafra, aonde primeiro vai, não tem a viagem história, salvo a das pessoas que por estes lugares moram» (ll. 29-32) | OMNisciente
  • 23.
    Em «Cem homense cem » são referidos três espaços (descontando já a Holanda e, claro, a alusão a Alcobaça): Alto da Vela (Mafra); São Sebastião da Pedreira; Coimbra. Explica como são vistos estes locais no texto e o seu enquadramento no enredo do romance, associando-os ao simbolismo que possam ter, num comentário de cerca de cento e cinquenta palavras.
  • 25.
    A ação decorreno Alto da Vela (onde D. João V se encontra no início do excerto e onde o padre Bartolomeu vê, anos volvidos, os trabalhadores do convento); na quinta de S. Sebastião da Pedreira (aqui o padre deparara-se com o abandono dos trabalhos, dado Baltasar e Blimunda terem ido para Mafra); há também alusão a Coimbra (aonde, depois da ida à quinta, se dirigirá Bartolomeu, a fim de se doutorar). A quinta associa-se à construção da passarola, sendo, por isso, conotável com
  • 26.
    as ideias desonho e concretização, embora, no momento do texto, se nos apresente quase disforicamente. O Alto da Vela, espaço de construção mas também de exploração de trabalhadores, pode identificar-se com o sacrifício e a morte. Coimbra parece dever relacionar-se com o conhecimento livresco, com a necessidade burocrática de aquisição de um grau académico (ao contrário da Holanda, de onde viera um Bartolomeu «estrangeirado», informado). (150 palavras)
  • 29.
    Memorial do Convento AVida Secreta dos Nossos Bichos
  • 30.
    Como se articulamas linhas diegéticas? Há alguma alternância entre duas linhas narrativas (a da construção da passarola; a da construção do Convento), que se cruzam aqui e ali. Há também dois eixos (o dos donos que saem e regressam, mas de cujo dia pouco sabemos; o dos bichos), que coincidem apenas no início e no final.
  • 31.
    O amor situa-seem que eixo? A linha diegética do amor de Baltasar e Blimunda pode talvez considerar-se integrante do eixo da passarola. A paixão Gidget e Max é ainda menos transversal, decerto privativa do mundo dos bichos.
  • 32.
    A luta declasses ultrapassa os eixos? O eixo da construção da passarola tem como protagonistas os heróis (Baltasar, Blimunda, do povo, e Bartolomeu, do clero mas transgressor) e funciona também como exemplo de contra-poder. É no eixo da construção do Convento que evoluem as personagens do poder (D. João V, sobretudo) e se dá o retrato do povo explorado (os dois extremos, portanto).
  • 33.
    Do eixo dosdonos pouco se sabe (o seu regresso a casa é dado em alternância brevíssima no final — as várias casas são vistas numa espécie de focalização externa, como se olhássemos um prédio descarnado e espiássemos vários lares). No eixo dos bichos assume-se uma focalização interna (por personagem coletiva, os bichos): vemos os acontecimentos pelo olhar dos animais.
  • 34.
    Há visitas depersonagens de um dado eixo ao outro? Scarlatti, Bartolomeu surgem nos dois eixos, de passarola e de Convento — são personagens com essa mobilidade transversal. O músico Scarlatti funciona, para o eixo da passarola, como personagem adjuvante. Ocasionalmente, há comparências de outras personagens em ambas as linhas diegéticas.
  • 35.
    Dentro do eixodos bichos, os humanos encarregados da recolha de animais abandonados funcionam como oponentes (pertencerão ao eixo dos donos? — estão no seu emprego também); e há estratificação social: os revolucionários do esgoto, os privilegiados por viverem com donos.
  • 36.
    É o elementofeminino do casal que luta pela sua paixão Blimunda procura Baltasar durante nove anos. Gidget procura Max durante o dia todo.
  • 37.
    Enredo fecha-se numaretoma do início, circularmente Baltasar e Blimunda conhecem-num auto de fé, em 1711. Intriga termina com outro auto de fé (histórico, o de António José da Silva), em 1739 — decorrem vinte e oito anos, balizados até por acontecimentos históricos. Chegada de Katie com Duke desencadeia o conflito (Max-Duke) já resolvido no regresso da dona. Saída e regresso dos donos enquadra paixão de Gidget por Max — decorrem as vinte quatro horas de um dia completo.
  • 38.
    As multidões emviagem são recorrentes Recordem-se o grupo de trabalhadores que transporta «mãe da pedra»; o grupo de trabalhadores arregimentados com que se cruzou Maria Bárbara; as procissões; etc. Recordem-se o exército de animais chefiado pelo coelho Pompom; o grupo dos animais de estimação comandado pelo cão em cadeira de rodas; etc.
  • 40.
    TPC — Àmedida que for devolvendo, já corrigidas por mim, as primeiras versões da análise-comentário de Canção/Memorial, lança no ficheiro word as alterações que sugeri e envia-mo com o texto já alterado (Convento corrigido de Heliodoro do 12.º 0.º). Entretanto, como tenho multiplamente pedido, aproveita para terminar leitura de Memorial.