Má leitura do enunciado:
Era um comentário comparado entre as
estâncias de Camões nas pp. 174-175
(canto V, est. 92-99) e a crónica de MEC.
Não era um resumo do excerto de MEC.
Não era uma dissertação com a vossa
opinião só.
Corrupção
Leitura, artes/humanidades (e portugueses)
«Críticas camonianas» = ‘críticas a Camões’
«Críticas camonianas» = críticas que faz
Camões (e, no caso das estrofes em causa,
à falta de gosto pela literatura da parte dos
portugueses mais poderosos, das elites)
Partindo da leitura e interpretação do
excerto de uma crónica de Miguel Esteves
Cardoso e comentando a atualidade das
críticas camonianas, já não sei como vou
resolver esta frase.
Nas estâncias 92-99 do canto V de Os
Lusíadas, o sujeito poético lamenta o
desinteresse que mostravam as elites
portuguesas relativamente às artes e à
literatura. Ao contrário do que aconteceria
na antiguidade clássica, os guerreiros
portugueses não cultivavam as letras, o
que aliás se refletiria no facto de não estar
Portugal habituado a glorificar os seus
heróis.
Também Miguel Esteves Cardoso se
surpreende com a desconsideração, da
parte dos seus conterrâneos, pela leitura.
Não se centra, porém, nos comportamen-
tos dos poderosos, ocupa-se, indiscri-
minadamente, de todos os que desperdi-
çam o prazer que advém de se estar
sozinho a ler (e preferem gastar o tempo
com futilidades, como ver slides sobre
crónicas de MEC).
Camões
sujeito poético (reflexões)
narrador (partes de relato)
camoniano
açoriano
cabo-verdiano
[t]opónimo + iano
camones (< ingl. come on, ‘vamos’)
leem
veem
deem
creem
têm / vêm (vir)
vangloriar-se (vanglória + ar)
vanglória (< vã + glória)
glorificar
fazer uma analogia com
fazer alusão a
aludir a
remeter para
além
mantém
contém
ninguém
difícil (difíceis)
possível (possíveis)
afável
estâncias
críticas
páginas
líderes
época
conteúdo
excepção
exceção
Recomendações gerais
•Ser agora mais pontual a entregar
trabalhos.
•Tarefas de redação sempre a caneta,
respeitando margens (à direita e as de
início de parágrafo).
•Pôr número de palavras no final (quando
se tratar de dissertações).
•Ao receber, ver bem as emendas.
O poema defende
a) que há coisas mais importantes do que
o trabalho intelectual.
b) a natureza, a ingenuidade, a vida
simples.
c) que o trabalho dos intelectuais é
importante.
d) a preguiça.
 
«Livros são papéis pintados com tinta» (v.
14) pretende significar que
a) os livros não são assim tão
importantes.
b) os livros são fundamentais para o
espírito.
c) os livros são baratos.
d) os livros são obras de arte.
«Os princípios morais e patrióticos que estão na
base deste movimento reformador [do Estado
Novo] impõem à atividade mental e às produções
da inteligência e sensibilidade dos portugueses
certas limitações, e suponho deverem mesmo
traçar-lhe algumas diretrizes. (...) Neste momento
histórico, em que determinados objetivos foram
propostos à ativi-dade nacional, não há remédio
senão levar às últimas consequências as bases
ideológicas sobre as quais se constrói o novo
Portugal. (...) cremos que ao alto sacerdócio de
buscar e transmitir a verda-de, criar a beleza,
tornar respeitada a virtude, é inerente a responsa-
bilidade pelas devastações acumuladas nas almas
e até pela inutilidade social da obra produzida.
«E se, por se generalizar este estado de
consciência, se vier a escrever menos...
Mas virá algum mal ao Mundo de se
escrever menos, se se escrever e,
sobretudo, se se ler melhor? Relembro a
frase de Séneca: "em estantes altas até ao
teto, adornam o aposento do preguiçoso
todos os arrazoados e crónicas"».
Ora, a frase «em estantes altas até ao
tecto, adornam o aposento do
preguiçoso todos os arrazoados
[discursos] e crónicas» quer dizer que
a) os livros são importantes.
b) os aposentos dos preguiçosos estão
bem decorados.
c) deve ter-se muitos livros em casa.
d) os livros são coisa de preguiçosos.
«Apud desidiosissimos ergo uidebis
quidquid orationum historiarumque est,
tecto tenus exstructa loculamenta».
De tranquillitate animi (cap. 9, § 7)
'em casa dos (sujeitos) mais preguiçosos
poderás ver (encontrar) tudo quanto há
de discursos e de histórias (obras
históricas) em prateleiras que se erguem
até ao teto'.
[O tipo de desculpas que MEC
atribuía aos que não querem ler (ler é só
para quem tem tempo) é o mesma de que
se socorre Salazar no seu discurso.]
Sabendo isto — que era para aparecer no início
do poema a frase de Séneca — e que Pessoa
estava contra Salazar, percebemos que a
verdadeira a intenção do poema «Liberdade» era
afinal
a) defender que há coisas mais importantes do
que o trabalho intelectual.
b) defender a natureza, a ingenuidade, a vida
simples.
c) troçar da posição de Salazar e defender que o
trabalho dos intelectuais é importante.
d) defender a preguiça.
Na última estrofe está o que permitiu ao
censor perceber que o poema era
anti- salazarista e, por isso, impedir a sua‑
publicação. A palavra dessa última estrofe
que o censor identificou como alusão a
Salazar terá sido «finanças».
Ena! pai,
Que alegria por aí vai!
Santo António teve um dia,
De alto lá, p’rá romaria!
Eh! Miguel!
Isso sim!
Esta luz, esta alvorada,
Para mim,
Vale mais que limonada
Para quem anda sedento
Por um deserto sem fim…
Cantos VII e VIII
Armada chega a Calecute
Vasco da Gama vai a terra
Fica instalado na residência do Samorim
(aguardando acordo de paz com este)
O Catual vai a bordo da nau capitã
(e é recebido por Paulo da Gama)
Perante a visão das figuras nas bandeiras,
o Catual pede a Paulo da Gama que lhas
explique
Invocação às ninfas do Tejo e do
Mondego
• ...
Discurso de Paulo da Gama
(encaixe sobre figuras da história portuguesa)
Diluição em prosa das estâncias da prova:
O Catual pediu então a Paulo da
Gama que lhe descrevesse as cenas
representadas. A primeira dessas
bandeiras representava um velho, vestido
com traje grego, e tendo um ramo na mão:
— Um ramo na mão tinha...
[Nova invocação e desabafo autobiográfico]
Aqui vou precisar da vossa ajuda,
Ninfas do Tejo e do Mondego — sem ela,
não me será possível contar devidamente
as palavras de Paulo da Gama.
Invocações
A quem Canto Antes de
Tágides I Toda a narração
Calíope III Discurso do Gama
(ao rei de Melinde)
Tágides e VII Discurso de Paulo
Ninfas do da Gama (ao Catual)
Mondego
Calíope X Discurso de Ninfa a
antecipar proezas
dos Portugueses
Resolve o grupo I-A.
(as primeiras três perguntas)
que cometo = que me atrevo
insano = louco || vário = acidentado
alto mar = metáfora de …
fraco batel = metáfora de …
hospícios = paragens || derribado = abatido
costas = costas marítimas
escapando = salvando
Rei Judaico = alusão a Ezequias, ao qual,
encontrando-se moribundo, Jeová concedeu
mais quinze anos de vida.
capelas de louro = coroas de louro
engenhos = inteligências, talentos
espertar = estimular
VII, 78-87
[trarei eu]
Pedido do Catual a Paulo da Gama para
que lhe explique as figuras nas bandeiras
da nau.
Poeta lamenta não ver o seu mérito
reconhecido e, por isso, não haver
incentivo a futuros escritores.
TPC — Aproveita para fazer tarefas
em atraso (ver aqui) e terminar leitura de
Memorial do Convento.
Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 128-129

Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 128-129

  • 4.
    Má leitura doenunciado: Era um comentário comparado entre as estâncias de Camões nas pp. 174-175 (canto V, est. 92-99) e a crónica de MEC. Não era um resumo do excerto de MEC. Não era uma dissertação com a vossa opinião só.
  • 5.
  • 6.
    «Críticas camonianas» =‘críticas a Camões’ «Críticas camonianas» = críticas que faz Camões (e, no caso das estrofes em causa, à falta de gosto pela literatura da parte dos portugueses mais poderosos, das elites)
  • 7.
    Partindo da leiturae interpretação do excerto de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso e comentando a atualidade das críticas camonianas, já não sei como vou resolver esta frase. Nas estâncias 92-99 do canto V de Os Lusíadas, o sujeito poético lamenta o desinteresse que mostravam as elites portuguesas relativamente às artes e à literatura. Ao contrário do que aconteceria na antiguidade clássica, os guerreiros portugueses não cultivavam as letras, o
  • 8.
    que aliás serefletiria no facto de não estar Portugal habituado a glorificar os seus heróis. Também Miguel Esteves Cardoso se surpreende com a desconsideração, da parte dos seus conterrâneos, pela leitura. Não se centra, porém, nos comportamen- tos dos poderosos, ocupa-se, indiscri- minadamente, de todos os que desperdi- çam o prazer que advém de se estar sozinho a ler (e preferem gastar o tempo com futilidades, como ver slides sobre crónicas de MEC).
  • 9.
  • 10.
  • 11.
    camones (< ingl.come on, ‘vamos’)
  • 12.
  • 13.
  • 14.
    vangloriar-se (vanglória +ar) vanglória (< vã + glória) glorificar
  • 15.
    fazer uma analogiacom fazer alusão a aludir a remeter para
  • 16.
  • 17.
  • 18.
  • 19.
  • 21.
    Recomendações gerais •Ser agoramais pontual a entregar trabalhos. •Tarefas de redação sempre a caneta, respeitando margens (à direita e as de início de parágrafo). •Pôr número de palavras no final (quando se tratar de dissertações). •Ao receber, ver bem as emendas.
  • 24.
    O poema defende a)que há coisas mais importantes do que o trabalho intelectual. b) a natureza, a ingenuidade, a vida simples. c) que o trabalho dos intelectuais é importante. d) a preguiça.  
  • 25.
    «Livros são papéispintados com tinta» (v. 14) pretende significar que a) os livros não são assim tão importantes. b) os livros são fundamentais para o espírito. c) os livros são baratos. d) os livros são obras de arte.
  • 26.
    «Os princípios moraise patrióticos que estão na base deste movimento reformador [do Estado Novo] impõem à atividade mental e às produções da inteligência e sensibilidade dos portugueses certas limitações, e suponho deverem mesmo traçar-lhe algumas diretrizes. (...) Neste momento histórico, em que determinados objetivos foram propostos à ativi-dade nacional, não há remédio senão levar às últimas consequências as bases ideológicas sobre as quais se constrói o novo Portugal. (...) cremos que ao alto sacerdócio de buscar e transmitir a verda-de, criar a beleza, tornar respeitada a virtude, é inerente a responsa- bilidade pelas devastações acumuladas nas almas e até pela inutilidade social da obra produzida.
  • 27.
    «E se, porse generalizar este estado de consciência, se vier a escrever menos... Mas virá algum mal ao Mundo de se escrever menos, se se escrever e, sobretudo, se se ler melhor? Relembro a frase de Séneca: "em estantes altas até ao teto, adornam o aposento do preguiçoso todos os arrazoados e crónicas"».
  • 28.
    Ora, a frase«em estantes altas até ao tecto, adornam o aposento do preguiçoso todos os arrazoados [discursos] e crónicas» quer dizer que a) os livros são importantes. b) os aposentos dos preguiçosos estão bem decorados. c) deve ter-se muitos livros em casa. d) os livros são coisa de preguiçosos.
  • 29.
    «Apud desidiosissimos ergouidebis quidquid orationum historiarumque est, tecto tenus exstructa loculamenta». De tranquillitate animi (cap. 9, § 7) 'em casa dos (sujeitos) mais preguiçosos poderás ver (encontrar) tudo quanto há de discursos e de histórias (obras históricas) em prateleiras que se erguem até ao teto'.
  • 30.
    [O tipo dedesculpas que MEC atribuía aos que não querem ler (ler é só para quem tem tempo) é o mesma de que se socorre Salazar no seu discurso.]
  • 34.
    Sabendo isto —que era para aparecer no início do poema a frase de Séneca — e que Pessoa estava contra Salazar, percebemos que a verdadeira a intenção do poema «Liberdade» era afinal a) defender que há coisas mais importantes do que o trabalho intelectual. b) defender a natureza, a ingenuidade, a vida simples. c) troçar da posição de Salazar e defender que o trabalho dos intelectuais é importante. d) defender a preguiça.
  • 35.
    Na última estrofeestá o que permitiu ao censor perceber que o poema era anti- salazarista e, por isso, impedir a sua‑ publicação. A palavra dessa última estrofe que o censor identificou como alusão a Salazar terá sido «finanças».
  • 39.
    Ena! pai, Que alegriapor aí vai! Santo António teve um dia, De alto lá, p’rá romaria! Eh! Miguel! Isso sim! Esta luz, esta alvorada, Para mim, Vale mais que limonada Para quem anda sedento Por um deserto sem fim…
  • 42.
    Cantos VII eVIII Armada chega a Calecute Vasco da Gama vai a terra Fica instalado na residência do Samorim (aguardando acordo de paz com este) O Catual vai a bordo da nau capitã (e é recebido por Paulo da Gama) Perante a visão das figuras nas bandeiras, o Catual pede a Paulo da Gama que lhas explique Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego • ...
  • 43.
    Discurso de Pauloda Gama (encaixe sobre figuras da história portuguesa)
  • 44.
    Diluição em prosadas estâncias da prova: O Catual pediu então a Paulo da Gama que lhe descrevesse as cenas representadas. A primeira dessas bandeiras representava um velho, vestido com traje grego, e tendo um ramo na mão: — Um ramo na mão tinha... [Nova invocação e desabafo autobiográfico] Aqui vou precisar da vossa ajuda, Ninfas do Tejo e do Mondego — sem ela, não me será possível contar devidamente as palavras de Paulo da Gama.
  • 45.
    Invocações A quem CantoAntes de Tágides I Toda a narração Calíope III Discurso do Gama (ao rei de Melinde) Tágides e VII Discurso de Paulo Ninfas do da Gama (ao Catual) Mondego Calíope X Discurso de Ninfa a antecipar proezas dos Portugueses
  • 46.
    Resolve o grupoI-A. (as primeiras três perguntas)
  • 47.
    que cometo =que me atrevo insano = louco || vário = acidentado alto mar = metáfora de … fraco batel = metáfora de … hospícios = paragens || derribado = abatido costas = costas marítimas escapando = salvando Rei Judaico = alusão a Ezequias, ao qual, encontrando-se moribundo, Jeová concedeu mais quinze anos de vida. capelas de louro = coroas de louro engenhos = inteligências, talentos espertar = estimular
  • 48.
    VII, 78-87 [trarei eu] Pedidodo Catual a Paulo da Gama para que lhe explique as figuras nas bandeiras da nau. Poeta lamenta não ver o seu mérito reconhecido e, por isso, não haver incentivo a futuros escritores.
  • 50.
    TPC — Aproveitapara fazer tarefas em atraso (ver aqui) e terminar leitura de Memorial do Convento.