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Dimensão Histórica –
uma visão crítica da
história
MEMORIAL DO CONVENTO
José Saramago
Memorial do Convento – um
romance histórico?
 O título sugere o relato de factos
históricos, o que se justifica pela raiz
histórica do romance. Memorial do
Convento parte de uma base histórica
que é o reinado de D. João V (século
XVIII), mas recria a História,
combinando personagens e
acontecimentos historicamente
verídicos, com outras personagens e
acontecimentos de pura ficção.
DUAS DIMENSÕES QUE SE
CONJUGAM
 DIMENSÃO HISTÓRICA
 Personagens históricas – D. João V, D. Maria
Ana de Áustria, restantes membros da família
real;
 A construção do convento de Mafra, mandado
edificar por D. João V;
 Experiências de construção de um engenho
voador pelo Padre Bartolomeu Lourenço de
Gusmão;
 Outros aspetos do reinado de D. João V (a ação
da Inquisição; as lições de música de Scarlatti…).
DUAS DIMENSÕES QUE SE
CONJUGAM
 DIMENSÃO FICCIONAL
 A história de amor de Baltasar e Blimunda.
 Naturalmente, muitos dos pormenores, quer da
construção do convento, quer sobretudo da
construção da “passarola” também são
ficcionados.
 Além disso, no que diz respeito ao processo do
voo da “passarola” e à capacidade de Blimunda
recolher “as vontades”, poderemos considerar
que há uma certa dimensão fantástica.
UMA VISÃO CRÍTICA DA
HISTÓRIA
 O narrador afirma querer contar, não a História
protagonizada pelas figuras tradicionalmente
nomeadas nos livros, mas a História
protagonizada por um herói coletivo, o povo
anónimo. Quer registar o outro lado da História,
aquele que não é habitualmente e oficialmente
contado.
UMA VISÃO CRÍTICA DA
HISTÓRIA
 A visão crítica da História, é, pois , observada ao
longo de todo o romance, pelo destaque que é
dado ao povo anónimo, mas também pelo
retrato que é feito dos poderosos e da
sociedade que eles governam.
De entre os aspetos criticados,
sublinhem-se os seguintes:
 O contraste entre a extrema opulência dos poderosos e a
extrema miséria dos pobres;
 A edificação do convento: megalomania do rei e trabalho
quase escravo dos operários;
 O poder arbitrário e absolutista; as intrigas palacianas; as
perseguições políticas;
 A repressão cruel levada a cabo pela Inquisição e o seu
tribunal do Santo Ofício; os autos-de-fé;
 O fanatismo religioso, a ignorância e as superstições a ele
associadas;
 O conceito de pecado;
 Os casamentos de conveniência;
 A condição feminina;
 A guerra: futilidade das causas, perante a gravidade das
consequências.
AÇÃO: PLANOS NARRATIVOS
Para além da dupla dimensão, histórica e ficcional,
a ação do romance organiza-se através da
articulação de três planos narrativos:
 D. João V e a construção do Convento de Mafra
 Relação de Baltasar e Blimunda
 Construção e voo da “Passarola” do Padre
Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
AÇÃO: PLANOS NARRATIVOS
 O plano narrativo da construção do convento é o
ponto de partida para a construção da narrativa
global, constituindo-se como núcleo dos outros
dois.
 Os três planos narrativos estão interligados
através da personagem Baltasar Mateus:
 - personagem principal do 2º plano (relação com
Blimunda)
 - personagem do 1º plano (participante na
construção do convento)
 - personagem crescentemente importante no 3º
plano (construção da passarola).
AÇÃO: PLANOS NARRATIVOS
Depois de abarcar totalmente os três capítulos
iniciais, a intriga ligada à construção do Convento
de Mafra vai sendo frequentemente suplantada
pela(s) intriga(s) protagonizada(s) por Baltasar;
do mesmo modo, o Rei (e a Nobreza e o Clero)
vão perdendo protagonismo, em favor das
personagens populares (Baltazar, Blimunda e os
construtores anónimos do convento) que se vão
tornando presentes e crescentemente centrais
com o desenvolvimento da narrativa.
Etapas e episódios exemplares
em cada um dos planos
narrativos
D. João V e a construção do
Convento de Mafra
 Promessa do rei/encontro rei rainha (cap. I);
 Escolha do local para a edificação do convento
(cap. VIII);
 Compra das terras do Alto da Vela; construção
dos alicerces (cap. X);
 Lançamento da primeira pedra (cap. XII);
 A “epopeia da pedra” transportada na “nau da
Índia” de Pero Pinheiro a Mafra (cap. XIX);
 Recrutamento maciço de homens para acelerar a
construção da basílica a inaugurar – no
aniversário do rei (cap. XXI);
 Sagração da basílica com a presença do rei (cap.
Relação de Baltasar e Blimunda
 1º encontro no auto de fé/ realização amorosa; Blimunda
promete a Baltasar nunca o ver por dentro (cap. V);
 Blimunda revela o seu segredo visionário a Baltasar (cap. VIII);
 Instalam-se em Mafra, onde Blimunda conhece a família de
Baltasar (cap. X);
 Baltasar pede a Blimunda que, se ele morrer primeiro, veja a
sua vontade (cap. XII);
 Blimunda adoece por ter estado em contacto próximo com a
morte (cap. XV);
 Blimunda e Baltasar voam juntos na passarola que ajudaram a
construir (cap. XVI);
 Vão ambos ao Monte Junto ver a passarola (cap. XX);
 A última noite de amor; os olhos do amor (cap. XXIII);
 Blimunda procura Baltasar durante nove anos. Reencontra-o no
auto de fé e recolhe a sua vontade (cap. XXV).
Construção e voo da “Passarola”
 Conversa de Bartolomeu e Baltasar sobre o
sonho de voar; 1ª visita de Baltasar à
abegoaria (cap. VI);
 Baltasar e Blimunda trabalham na passarola;
o padre parte para a Holanda (IX);
 O padre regressa da Holanda e revela o
segredo do éter: é a vontade dos homens
(cap. XI);
 Scarlatti visita a abegoaria, vê a passarola e
inicia a sua colaboração, tocando cravo (cap.
XIV);
 Blimunda recolhe as 2000 vontades, durante
a peste, adoece e é curada pela música de
Construção e voo da “Passarola”
 O voo da passarola (cap. XVI);
 Com medo da Inquisição, Bartolomeu tenta
queimar a passarola, mas Baltasar impede-o
(cap. XVI),
 Dois meses depois, Baltasar regressa ao Monte
Junto, onde está a passarola escondida (cap.
XVII);
 Baltasar vai ao Monte Junto mais seis ou sete
vezes ver a passarola (cap. XX);
 Voo involuntário de Baltasar (cap. XXIII).
NARRADOR
PRESENÇA – VOZ - FOCALIZAÇÃO
O narrador é, genericamente
não participante, utilizando a
terceira pessoa, no entanto, por
vezes:
NARRADOR
PRESENÇA – VOZ - FOCALIZAÇÃO
 Usa a primeira pessoa do plural:
“Nunca perguntamos se haverá juízo na loucura,
mas vamos dizendo que de louco todos temos
um pouco”;
 Usa a primeira pessoa do singular, numa
aproximação da sua voz à das personagens:
“Grita o povinho furiosos impropérios (…) e esta
sou eu, Sebastiana Maria de Jesus, um quarto de
cristã-nova”
NARRADOR
PRESENÇA – VOZ - FOCALIZAÇÃO
 Dialoga com as personagens:
“Tens a barba cheia de brancas, Baltasar…”
 É um narrador polifónico, pois integra várias
vozes na sua voz.
 Ao aproximar a sua voz das personagens,
mostra-nos os acontecimentos através do ponto
de vista dessas personagens, adotando uma
focalização interna.
NARRADOR - POSIÇÃO
 O narrador de Memorial do Convento é clara e
assumidamente subjetivo, faz comentários, emite
juízos de valor, critica, previne, prevê, ironiza,
dirige-se ao leitor.
 São recorrentes os seus comentários, nos quais
manifesta as suas perspetivas pessoais, ou
então, exprime ironicamente a voz do senso
comum.
NARRADOR - POSIÇÃO
 “é grande, interminável a conversa das mulheres,
parece coisa nenhuma, isto pensam os homens,
nem eles imaginam que esta conversa é que
segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem
as mulheres umas com as outras, já os homens
teriam perdido o sentido da casa e do planeta”
 “porque a esterilidade não é mal dos homens,
das mulheres, sim, por isso são repudiadas
tantas vezes”…
NARRADOR - POSIÇÃO
 A ironia do narrador nunca poupa D. João V e
todos os poderosos;
 Pelo contrário, a sua simpatia e cumplicidade
são evidentes, quando fala, em tom lírico, do
amor de Blimunda e Baltasar ou, em tom épico,
dos homens que construíram o convento.
NARRADOR -POSIÇÃO
 Com alguma frequência, também, o narrador se
identifica com o autor, quer refletindo sobre o
próprio processo de escrita:
“e, enquanto não falam, digamos nós que esta
fluente conversação entre um padre português e
um músico italiano não será, provavelmente,
invenção pura, mas transposição admissível de
frases e cumprimentos que sem dúvida trocaram
um com o outro durante estes anos, no paço e
fora dele, como adiante continuará a ver-se”
NARRADOR -POSIÇÃO
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quando fala dos Mau-Tempo e dos seus olhos
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Memorial do convento dimensão crítica da história (1)

  • 1. Dimensão Histórica – uma visão crítica da história MEMORIAL DO CONVENTO José Saramago
  • 2. Memorial do Convento – um romance histórico?  O título sugere o relato de factos históricos, o que se justifica pela raiz histórica do romance. Memorial do Convento parte de uma base histórica que é o reinado de D. João V (século XVIII), mas recria a História, combinando personagens e acontecimentos historicamente verídicos, com outras personagens e acontecimentos de pura ficção.
  • 3. DUAS DIMENSÕES QUE SE CONJUGAM  DIMENSÃO HISTÓRICA  Personagens históricas – D. João V, D. Maria Ana de Áustria, restantes membros da família real;  A construção do convento de Mafra, mandado edificar por D. João V;  Experiências de construção de um engenho voador pelo Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão;  Outros aspetos do reinado de D. João V (a ação da Inquisição; as lições de música de Scarlatti…).
  • 4. DUAS DIMENSÕES QUE SE CONJUGAM  DIMENSÃO FICCIONAL  A história de amor de Baltasar e Blimunda.  Naturalmente, muitos dos pormenores, quer da construção do convento, quer sobretudo da construção da “passarola” também são ficcionados.  Além disso, no que diz respeito ao processo do voo da “passarola” e à capacidade de Blimunda recolher “as vontades”, poderemos considerar que há uma certa dimensão fantástica.
  • 5. UMA VISÃO CRÍTICA DA HISTÓRIA  O narrador afirma querer contar, não a História protagonizada pelas figuras tradicionalmente nomeadas nos livros, mas a História protagonizada por um herói coletivo, o povo anónimo. Quer registar o outro lado da História, aquele que não é habitualmente e oficialmente contado.
  • 6. UMA VISÃO CRÍTICA DA HISTÓRIA  A visão crítica da História, é, pois , observada ao longo de todo o romance, pelo destaque que é dado ao povo anónimo, mas também pelo retrato que é feito dos poderosos e da sociedade que eles governam.
  • 7. De entre os aspetos criticados, sublinhem-se os seguintes:  O contraste entre a extrema opulência dos poderosos e a extrema miséria dos pobres;  A edificação do convento: megalomania do rei e trabalho quase escravo dos operários;  O poder arbitrário e absolutista; as intrigas palacianas; as perseguições políticas;  A repressão cruel levada a cabo pela Inquisição e o seu tribunal do Santo Ofício; os autos-de-fé;  O fanatismo religioso, a ignorância e as superstições a ele associadas;  O conceito de pecado;  Os casamentos de conveniência;  A condição feminina;  A guerra: futilidade das causas, perante a gravidade das consequências.
  • 8. AÇÃO: PLANOS NARRATIVOS Para além da dupla dimensão, histórica e ficcional, a ação do romance organiza-se através da articulação de três planos narrativos:  D. João V e a construção do Convento de Mafra  Relação de Baltasar e Blimunda  Construção e voo da “Passarola” do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
  • 9. AÇÃO: PLANOS NARRATIVOS  O plano narrativo da construção do convento é o ponto de partida para a construção da narrativa global, constituindo-se como núcleo dos outros dois.  Os três planos narrativos estão interligados através da personagem Baltasar Mateus:  - personagem principal do 2º plano (relação com Blimunda)  - personagem do 1º plano (participante na construção do convento)  - personagem crescentemente importante no 3º plano (construção da passarola).
  • 10. AÇÃO: PLANOS NARRATIVOS Depois de abarcar totalmente os três capítulos iniciais, a intriga ligada à construção do Convento de Mafra vai sendo frequentemente suplantada pela(s) intriga(s) protagonizada(s) por Baltasar; do mesmo modo, o Rei (e a Nobreza e o Clero) vão perdendo protagonismo, em favor das personagens populares (Baltazar, Blimunda e os construtores anónimos do convento) que se vão tornando presentes e crescentemente centrais com o desenvolvimento da narrativa.
  • 11. Etapas e episódios exemplares em cada um dos planos narrativos
  • 12. D. João V e a construção do Convento de Mafra  Promessa do rei/encontro rei rainha (cap. I);  Escolha do local para a edificação do convento (cap. VIII);  Compra das terras do Alto da Vela; construção dos alicerces (cap. X);  Lançamento da primeira pedra (cap. XII);  A “epopeia da pedra” transportada na “nau da Índia” de Pero Pinheiro a Mafra (cap. XIX);  Recrutamento maciço de homens para acelerar a construção da basílica a inaugurar – no aniversário do rei (cap. XXI);  Sagração da basílica com a presença do rei (cap.
  • 13. Relação de Baltasar e Blimunda  1º encontro no auto de fé/ realização amorosa; Blimunda promete a Baltasar nunca o ver por dentro (cap. V);  Blimunda revela o seu segredo visionário a Baltasar (cap. VIII);  Instalam-se em Mafra, onde Blimunda conhece a família de Baltasar (cap. X);  Baltasar pede a Blimunda que, se ele morrer primeiro, veja a sua vontade (cap. XII);  Blimunda adoece por ter estado em contacto próximo com a morte (cap. XV);  Blimunda e Baltasar voam juntos na passarola que ajudaram a construir (cap. XVI);  Vão ambos ao Monte Junto ver a passarola (cap. XX);  A última noite de amor; os olhos do amor (cap. XXIII);  Blimunda procura Baltasar durante nove anos. Reencontra-o no auto de fé e recolhe a sua vontade (cap. XXV).
  • 14. Construção e voo da “Passarola”  Conversa de Bartolomeu e Baltasar sobre o sonho de voar; 1ª visita de Baltasar à abegoaria (cap. VI);  Baltasar e Blimunda trabalham na passarola; o padre parte para a Holanda (IX);  O padre regressa da Holanda e revela o segredo do éter: é a vontade dos homens (cap. XI);  Scarlatti visita a abegoaria, vê a passarola e inicia a sua colaboração, tocando cravo (cap. XIV);  Blimunda recolhe as 2000 vontades, durante a peste, adoece e é curada pela música de
  • 15. Construção e voo da “Passarola”  O voo da passarola (cap. XVI);  Com medo da Inquisição, Bartolomeu tenta queimar a passarola, mas Baltasar impede-o (cap. XVI),  Dois meses depois, Baltasar regressa ao Monte Junto, onde está a passarola escondida (cap. XVII);  Baltasar vai ao Monte Junto mais seis ou sete vezes ver a passarola (cap. XX);  Voo involuntário de Baltasar (cap. XXIII).
  • 16. NARRADOR PRESENÇA – VOZ - FOCALIZAÇÃO O narrador é, genericamente não participante, utilizando a terceira pessoa, no entanto, por vezes:
  • 17. NARRADOR PRESENÇA – VOZ - FOCALIZAÇÃO  Usa a primeira pessoa do plural: “Nunca perguntamos se haverá juízo na loucura, mas vamos dizendo que de louco todos temos um pouco”;  Usa a primeira pessoa do singular, numa aproximação da sua voz à das personagens: “Grita o povinho furiosos impropérios (…) e esta sou eu, Sebastiana Maria de Jesus, um quarto de cristã-nova”
  • 18. NARRADOR PRESENÇA – VOZ - FOCALIZAÇÃO  Dialoga com as personagens: “Tens a barba cheia de brancas, Baltasar…”  É um narrador polifónico, pois integra várias vozes na sua voz.  Ao aproximar a sua voz das personagens, mostra-nos os acontecimentos através do ponto de vista dessas personagens, adotando uma focalização interna.
  • 19. NARRADOR - POSIÇÃO  O narrador de Memorial do Convento é clara e assumidamente subjetivo, faz comentários, emite juízos de valor, critica, previne, prevê, ironiza, dirige-se ao leitor.  São recorrentes os seus comentários, nos quais manifesta as suas perspetivas pessoais, ou então, exprime ironicamente a voz do senso comum.
  • 20. NARRADOR - POSIÇÃO  “é grande, interminável a conversa das mulheres, parece coisa nenhuma, isto pensam os homens, nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta”  “porque a esterilidade não é mal dos homens, das mulheres, sim, por isso são repudiadas tantas vezes”…
  • 21. NARRADOR - POSIÇÃO  A ironia do narrador nunca poupa D. João V e todos os poderosos;  Pelo contrário, a sua simpatia e cumplicidade são evidentes, quando fala, em tom lírico, do amor de Blimunda e Baltasar ou, em tom épico, dos homens que construíram o convento.
  • 22. NARRADOR -POSIÇÃO  Com alguma frequência, também, o narrador se identifica com o autor, quer refletindo sobre o próprio processo de escrita: “e, enquanto não falam, digamos nós que esta fluente conversação entre um padre português e um músico italiano não será, provavelmente, invenção pura, mas transposição admissível de frases e cumprimentos que sem dúvida trocaram um com o outro durante estes anos, no paço e fora dele, como adiante continuará a ver-se”
  • 23. NARRADOR -POSIÇÃO  …quer aludindo a outros romances seus, como quando fala dos Mau-Tempo e dos seus olhos azuis, personagens de Levantados do Chão.