MEMORIAL DO CONVENTO,
de José Saramago
www.google.pt Profª Luzia Carapeto
CLASSIFICAÇÃO DO ROMANCE
 Romance histórico
- pela detalhada descrição da sociedade portuguesa do início do séc. XVIII,
marcada pela sumptuosidade da corte, associada à Inquisição;
- pela exploração do operariado na construção do Convento de Mafra;
- pela referência à guerra da sucessão;
- pelo projeto de construção da passarola do Pe. Bartolomeu de Gusmão.
 Romance social
-por apresentar uma crónica de costumes, onde o autor se mostra
preocupado com a realidade social, numa tentativa de encontrar uma
explicação para o presente, através do exemplo do passado, sendo, nessa
linha, um romance de intervenção.
 Romance de espaço
- por representar uma época, onde transparece não só o ambiente histórico,
mas também vários quadros sociais, reconstruindo vários locais da cidade
de Lisboa, o palácio do rei, a vila de Mafra e povoações envolventes.
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ESTRUTURA DA OBRA
• Presença de três linhas condutoras da ação:
a construção do Convento de Mafra – ocupa grande parte da ação,
incluindo a escolha do local (Mafra) por D. João V; o lançamento da
primeira pedra, em 1717; a construção propriamente dita do monumento,
destacando-se o recrutamento forçado de trabalhadores do povo, bem
como os seus sofrimentos, o trabalho árduo e até a morte; a sagração da
Basílica, em 22 de outubro de 1730.
a construção e o voo da passarola - narrativa encaixada, por ser
paralela à da construção do convento; a passarola é desenhada e
arquitetada pelo Padre Bartolomeu de Gusmão, mas construída por
Baltasar e Blimunda.
a relação entre Blimunda e Baltasar – relação amorosa sem amarras
sociais, retrata o amor verdadeiro entre um homem maneta e uma mulher
com o dom de ver por dentro das coisas.
Profª Luzia Carapeto
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• Baltasar é a personagem comum aos três planos.
• O romance é dividido em 25 capítulos ou partes, não numerados.
• Coexistem vários conflitos, que vão mostrando a realidade e os problemas
do ser humano.
• Denúncia de situações de repressão e injustiça, que nos levam a repensar
a História.
CATEGORIAS DO TEXTO NARRATIVO
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 Ação
- a história da construção do convento
de Mafra;
- a intriga amorosa vivida entre
Blimunda e Baltasar;
- a construção da passarola voadora do
padre Bartolomeu de Gusmão.
A ação principal é a história do
convento, onde se reinventa história e
ficção.
A ação que envolve Blimunda e
Baltasar estabelece o fio condutor da
intriga.
Ambas vão surgindo em fragmentos
ou sequências narrativas que se
reconstituem por encaixes vários.
 Narrador
- genericamente heterodiegético, e
omnisciente, identifica-se com o
próprio autor, ao assumir uma voz
crítica intemporal.
É uma voz (ou vozes) que descreve e
desconstrói as situações; que dialoga
com o narratário; que manuseia as
personagens da história ; que domina
os conhecimentos da História ou que
ironiza.
Trata-se de uma voz que controla a
ação, as motivações e pensamentos
das personagens, fazendo, a par e
passo, juízos valorativos e reflexões.
Assume uma focalização interna ao
mostrar os acontecimentos através do
ponto de vista das personagens.
CATEGORIAS DO TEXTO NARRATIVO
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 Espaço
Lisboa e Mafra são os espaços físicos
e sociais privilegiados. Predominam as
referências aos espaços exteriores -
são as ruas imundas da cidade
setecentista, o Tejo, os caminhos que
convergem em Mafra.
- Outras referências - Jerez de los
Caballeros, Olivença, Alentejo,
Coimbra, Holanda, Áustria, por
exemplo.
Na descrição dos espaços interiores
contrasta fortemente o esplendor
barroco das igrejas e palácios e a
pobreza das casas do povo,
nomeadamente os barracões da “ilha
da Madeira”.
Tempo
-Tempo histórico: início do século XVIII, reinado
de D. João V, época caracterizada pelo absolutismo
político e pela ação repressiva da Inquisição.
-Tempo da narrativa: a ação decorre entre1711 e
1739, ao longo de 28 anos. Há um aparente
desprezo pelo tempo cronológico, dado que para o
autor história é ficção.
- Tempo do discurso: o romance refere-se à
passagem do tempo dentro da narrativa, indicando
dias, meses e anos – Ex: ”agosto acabou, setembro
vai a meio.” O narrador recorre a analepses,
prolepses, elipses e resumos, que vão variando o
ritmo do discurso e da narração.
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Imagens in, www.google.pt
PERSONAGENS INTERVENIENTES
D. João V - é-nos apresentado
como um rei megalómano, devasso,
ignorante, que não hesita em utilizar
o povo, o seu dinheiro e posição
social para satisfazer os seus
caprichos. Receoso do poder da
Inquisição, submete-se à sua
influência. O seu casamento com D.
Maria Josefa é uma aparência, tendo-
lhe sido imposta como o cumprimento
de um dever de Estado, com vista à
procriação. Amante das artes e da
música, torna-se um mecenas destas
expressões artísticas.
Padre Bartolomeu de
Gusmão
Homem muito
interessado por
questões científicas
e experiências
aerostáticas, tenta,
com o apoio do rei
D.João V, realizar a
construção da
passarola voadora.
Sonhador e muito
culto, este padre
afasta-se, muitas
vezes, dos preceitos da igreja
católica, o que o tornou um alvo da
Inquisição.
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PERSONAGENS INTERVENIENTES
Baltasar Mateus, de alcunha Sete-Sóis - soldado, ao serviço de sua
majestade, combate na Guerra da
Sucessão contra os castelhanos, tendo
perdido a mão esquerda (substituída por
um gancho). Chega a Lisboa como
pedinte. Conhece Blimunda, com quem
vai partilhar a sua vida.
Participa ativamente na construção da
passarola voadora. Foi alcunhado de
Sete-Sóis, pelo padre, pela sua
capacidade de ver às claras.
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Blimunda Sete Luas - filha de Sebastiana Maria de Jesus, condenada e
degredada pela Inquisição, por ser cristã-nova.
Tem capacidades de vidente, conseguindo ver o interior dos corpos. O
seu poder permite-lhe curar e criar, vendo no mundo as verdades mais
profundas que o sustentam. Conhece Baltasar num auto de fé, tendo-lhe sido
apresentada pelo padre Bartolomeu. Partilha com ele a sua vida e os seus
projetos.
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OUTRAS PERSONAGENS
Domenico Scarlati – músico italiano
contratado por D. João V como mestre de
capela e professor de piano da infanta
Maria Bárbara. Amigo e confidente do
Padre. Partilham os mesmos sonhos e
ideais.
O Povo - O verdadeiro
herói desta história. É
transversal a todo o
romance. Encontra-se
definido pelo seu trabalho,
pela miséria e pelos
sacrifícios e algumas mortes
na construção do Convento.
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OUTRAS PERSONAGENS
• D. Maria Ana Josefa, a rainha, é mostrada aos leitores
como uma mulher submissa à vontade de procriação do rei, a
quem respeita e obedece. Vinda da Áustria,
envereda por uma vida de devoção,
frequentando igrejas e confrarias, sufocada pelo
peso da religião e do dever. Infeliz, vive com
sentimentos de culpa e de frustração.
• D. Maria Bárbara, “gorducha” e
“bexigosa”, é a Infanta por cujo nascimento
o rei manda construir o convento de Mafra.
Casa com Fernando VI de Espanha.
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Relação Baltasar/Blimunda
Baltasar e Blimunda transgridem os códigos morais, inaugurando um espaço
redentor dentro do romance. O seu amor é total, místico e transcendente, sendo
descrito com rara emoção erótica. Partilham sonhos e projetos comuns. Etapas
desta intriga:
 Conhecem-se num auto de fé, aquando da condenação da mãe de Blimunda
(Sebastiana Maria de Jesus, acusada de feitiçaria). É o padre Bartolomeu quem os casa,
segundo um ritual mais profano que sagrado. (cap. V)
 Blimunda revela a Baltasar que tem a capacidade de, em jejum, ver as pessoas por
dentro, e promete que tal nunca fará ao seu homem. (cap. VIII)
 O Padre convida Baltasar e Blimunda a trabalharem no seu projeto de construção
da passarola. (cap. IX)
 Quando Bartolomeu parte para a Holanda,, instalando-se em casa dos pais de Baltasar.
(cap. X) o casal vai para Mafra
 Baltasar pede a Blimunda que, se ele morrer primeiro, veja a sua vontade. (cap. XII)
 Blimunda recolhe as 2000 vontades, durante a peste, adoece e é curada pela
música de Scarlatti. (cap. XV)
 Baltasar, Blimunda e Bartolomeu voam na passarola (cap. XVI)
 Baltasar e Blimunda vão ao Monte Junto ver a passarola (cap. XX)
 A última noite de amor. (cap. XXIII)
 Blimunda procura Baltasar durante nove anos, reencontrando-o num auto de fé .
Recolhe a sua vontade. Profª Luzia Carapeto
A LINGUAGEM E O ESTILO
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 Transgressão
das regras de
pontuação, com
o objetivo de
favorecer a
pluralidade de
vozes oralizantes
que habitam a
narrativa.
 A estrutura
sintática infringe
intencionalmente a
norma, prestando-se
a leituras que
alternam o discurso
escrito com o oral ou
com o discurso
monologado.
 Extensão das
frases e dos
períodos, com
recurso à
coordenação e à
subordinação.
 Combinação de
construções e ritmos da
tradição literária com a
linguagem coloquial, o uso
frequente da ironia e o recurso
sistemático a provérbios e
ditados populares, muitas
vezes reinventados.
 Riqueza da linguagem resultante da
transgressão ou capacidade de reinventar a
escrita, dando-lhe um tom de crónica histórica,
quer no género, quer no sentido de quem
conversa, com recurso à voz do seu autor,
despertando e provocando o leitor.
A LINGUAGEM E O ESTILO
Profª Luzia Carapeto
 Abundantes recursos expressivos -
metáforas, sinestesias, antíteses, ironia,
hipérbato, enumeração, personificação,
antítese e paradoxo, anáfora,
construção paralelística, jogos de
palavras, adjetivação, tempos verbais
combinados, …
 Utilização de
vários registos de
língua, do cuidado ao
popular
 Descrição pormenorizada,
com abundantes notações
sensoriais.
 Ritmo cadenciado como
na construção poética.
Intertextualidade pela citação
ou reinvenção de autores como
Camões ou Pessoa,
habitualmente ao serviço de uma
intenção crítica ou irónica.
 Utilização do discurso indireto,
direto, indireto livre e monólogo
interior.
A CRÍTICA
 Grande sátira ao Portugal da 1ª metade do séc. XVIII, época de luzes e de
sombras.
 Denúncia do passado para melhor compreender o presente.
 Crítica irónica e sarcástica à opulência do rei e da corte, em oposição à
miséria do povo.
 Sátira aos costumes, nomeadamente ao adultério, à falta de moralidade e
hipocrisia do clero.
 Vivo repúdio pela atuação da Inquisição.
 Crítica ao comportamento do povo que assiste e aplaude os autos de fé.
 Crítica dirigida ao sonho megalómano de um rei que sonhou imortalizar-se
à custa do sacrifício e trabalho quase escravo morte de todo um povo.
Profª Luzia Carapeto
DIMENSÃO SIMBÓLICA
• O romance é uma alegoria, porquanto a vida humana é construção.
• O romance aponta para a utopia, apontando para a construção de um
mundo justo e sem desigualdades sociais. O espaço da utopia é a vontade
dos homens, já que é pela sua vontade que se alargam os limites da
realidade, da lógica, da racionalidade, os limites do possível.
• O sonho acalenta a vida do Homem, sendo o querer a força primordial.
• Baltasar, Blimunda e o Padre constituem-se como uma nova Santíssima
Trindade , mas uma trindade terrestre, cuja capacidade criadora permite a
concretização de um sonho - a construção da passarola.
“e Baltasar gritou, Conseguimos, abraçou-se a Blimunda e desatou a chorar, parecia uma
criança, um soldado que andou na guerra, que nos Pegões matou um homem com o seu
espigão, e agora soluça de felicidade abraçado a Blimunda, que lhe beija a cara suja, então,
então. O padre veio para eles e abraçou-se também, subitamente perturbado por uma
analogia, assim dissera o italiano, Deus ele próprio, Baltasar seu filho, Blimunda o Espírito
Santo, e estavam os três no céu.” (cap. XVI)
Profª Luzia Carapeto
Referências bibliográficas
SARAMAGO, José - Memorial do Convento, ª ed. Lisboa: Ed. Caminho, ano.
ISBN
ROCHA, Marina; revisão científica CORTEZ, António Carlos e ASSUNÇÃO,
Carlos – Preparar o Exame Nacional Português 12º ano, 1ª ed. Lisboa:
Texto Editores, Lda, 2014. ISBN 978-972-47-4852-8
Profª Luzia Carapeto

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  • 1.
    MEMORIAL DO CONVENTO, deJosé Saramago www.google.pt Profª Luzia Carapeto
  • 2.
    CLASSIFICAÇÃO DO ROMANCE Romance histórico - pela detalhada descrição da sociedade portuguesa do início do séc. XVIII, marcada pela sumptuosidade da corte, associada à Inquisição; - pela exploração do operariado na construção do Convento de Mafra; - pela referência à guerra da sucessão; - pelo projeto de construção da passarola do Pe. Bartolomeu de Gusmão.  Romance social -por apresentar uma crónica de costumes, onde o autor se mostra preocupado com a realidade social, numa tentativa de encontrar uma explicação para o presente, através do exemplo do passado, sendo, nessa linha, um romance de intervenção.  Romance de espaço - por representar uma época, onde transparece não só o ambiente histórico, mas também vários quadros sociais, reconstruindo vários locais da cidade de Lisboa, o palácio do rei, a vila de Mafra e povoações envolventes. Profª Luzia Carapeto
  • 3.
    ESTRUTURA DA OBRA •Presença de três linhas condutoras da ação: a construção do Convento de Mafra – ocupa grande parte da ação, incluindo a escolha do local (Mafra) por D. João V; o lançamento da primeira pedra, em 1717; a construção propriamente dita do monumento, destacando-se o recrutamento forçado de trabalhadores do povo, bem como os seus sofrimentos, o trabalho árduo e até a morte; a sagração da Basílica, em 22 de outubro de 1730. a construção e o voo da passarola - narrativa encaixada, por ser paralela à da construção do convento; a passarola é desenhada e arquitetada pelo Padre Bartolomeu de Gusmão, mas construída por Baltasar e Blimunda. a relação entre Blimunda e Baltasar – relação amorosa sem amarras sociais, retrata o amor verdadeiro entre um homem maneta e uma mulher com o dom de ver por dentro das coisas. Profª Luzia Carapeto
  • 4.
    Profª Luzia Carapeto •Baltasar é a personagem comum aos três planos. • O romance é dividido em 25 capítulos ou partes, não numerados. • Coexistem vários conflitos, que vão mostrando a realidade e os problemas do ser humano. • Denúncia de situações de repressão e injustiça, que nos levam a repensar a História.
  • 5.
    CATEGORIAS DO TEXTONARRATIVO Profª Luzia Carapeto  Ação - a história da construção do convento de Mafra; - a intriga amorosa vivida entre Blimunda e Baltasar; - a construção da passarola voadora do padre Bartolomeu de Gusmão. A ação principal é a história do convento, onde se reinventa história e ficção. A ação que envolve Blimunda e Baltasar estabelece o fio condutor da intriga. Ambas vão surgindo em fragmentos ou sequências narrativas que se reconstituem por encaixes vários.  Narrador - genericamente heterodiegético, e omnisciente, identifica-se com o próprio autor, ao assumir uma voz crítica intemporal. É uma voz (ou vozes) que descreve e desconstrói as situações; que dialoga com o narratário; que manuseia as personagens da história ; que domina os conhecimentos da História ou que ironiza. Trata-se de uma voz que controla a ação, as motivações e pensamentos das personagens, fazendo, a par e passo, juízos valorativos e reflexões. Assume uma focalização interna ao mostrar os acontecimentos através do ponto de vista das personagens.
  • 6.
    CATEGORIAS DO TEXTONARRATIVO Profª Luzia Carapeto  Espaço Lisboa e Mafra são os espaços físicos e sociais privilegiados. Predominam as referências aos espaços exteriores - são as ruas imundas da cidade setecentista, o Tejo, os caminhos que convergem em Mafra. - Outras referências - Jerez de los Caballeros, Olivença, Alentejo, Coimbra, Holanda, Áustria, por exemplo. Na descrição dos espaços interiores contrasta fortemente o esplendor barroco das igrejas e palácios e a pobreza das casas do povo, nomeadamente os barracões da “ilha da Madeira”. Tempo -Tempo histórico: início do século XVIII, reinado de D. João V, época caracterizada pelo absolutismo político e pela ação repressiva da Inquisição. -Tempo da narrativa: a ação decorre entre1711 e 1739, ao longo de 28 anos. Há um aparente desprezo pelo tempo cronológico, dado que para o autor história é ficção. - Tempo do discurso: o romance refere-se à passagem do tempo dentro da narrativa, indicando dias, meses e anos – Ex: ”agosto acabou, setembro vai a meio.” O narrador recorre a analepses, prolepses, elipses e resumos, que vão variando o ritmo do discurso e da narração.
  • 7.
    Profª Luzia Carapeto Imagensin, www.google.pt PERSONAGENS INTERVENIENTES D. João V - é-nos apresentado como um rei megalómano, devasso, ignorante, que não hesita em utilizar o povo, o seu dinheiro e posição social para satisfazer os seus caprichos. Receoso do poder da Inquisição, submete-se à sua influência. O seu casamento com D. Maria Josefa é uma aparência, tendo- lhe sido imposta como o cumprimento de um dever de Estado, com vista à procriação. Amante das artes e da música, torna-se um mecenas destas expressões artísticas. Padre Bartolomeu de Gusmão Homem muito interessado por questões científicas e experiências aerostáticas, tenta, com o apoio do rei D.João V, realizar a construção da passarola voadora. Sonhador e muito culto, este padre afasta-se, muitas vezes, dos preceitos da igreja católica, o que o tornou um alvo da Inquisição.
  • 8.
    Profª Luzia Carapeto PERSONAGENSINTERVENIENTES Baltasar Mateus, de alcunha Sete-Sóis - soldado, ao serviço de sua majestade, combate na Guerra da Sucessão contra os castelhanos, tendo perdido a mão esquerda (substituída por um gancho). Chega a Lisboa como pedinte. Conhece Blimunda, com quem vai partilhar a sua vida. Participa ativamente na construção da passarola voadora. Foi alcunhado de Sete-Sóis, pelo padre, pela sua capacidade de ver às claras. www.google.pt Blimunda Sete Luas - filha de Sebastiana Maria de Jesus, condenada e degredada pela Inquisição, por ser cristã-nova. Tem capacidades de vidente, conseguindo ver o interior dos corpos. O seu poder permite-lhe curar e criar, vendo no mundo as verdades mais profundas que o sustentam. Conhece Baltasar num auto de fé, tendo-lhe sido apresentada pelo padre Bartolomeu. Partilha com ele a sua vida e os seus projetos.
  • 9.
    Profª Luzia Carapeto OUTRASPERSONAGENS Domenico Scarlati – músico italiano contratado por D. João V como mestre de capela e professor de piano da infanta Maria Bárbara. Amigo e confidente do Padre. Partilham os mesmos sonhos e ideais. O Povo - O verdadeiro herói desta história. É transversal a todo o romance. Encontra-se definido pelo seu trabalho, pela miséria e pelos sacrifícios e algumas mortes na construção do Convento. www.google.pt
  • 10.
    OUTRAS PERSONAGENS • D.Maria Ana Josefa, a rainha, é mostrada aos leitores como uma mulher submissa à vontade de procriação do rei, a quem respeita e obedece. Vinda da Áustria, envereda por uma vida de devoção, frequentando igrejas e confrarias, sufocada pelo peso da religião e do dever. Infeliz, vive com sentimentos de culpa e de frustração. • D. Maria Bárbara, “gorducha” e “bexigosa”, é a Infanta por cujo nascimento o rei manda construir o convento de Mafra. Casa com Fernando VI de Espanha. Profª Luzia Carapeto
  • 11.
    Relação Baltasar/Blimunda Baltasar eBlimunda transgridem os códigos morais, inaugurando um espaço redentor dentro do romance. O seu amor é total, místico e transcendente, sendo descrito com rara emoção erótica. Partilham sonhos e projetos comuns. Etapas desta intriga:  Conhecem-se num auto de fé, aquando da condenação da mãe de Blimunda (Sebastiana Maria de Jesus, acusada de feitiçaria). É o padre Bartolomeu quem os casa, segundo um ritual mais profano que sagrado. (cap. V)  Blimunda revela a Baltasar que tem a capacidade de, em jejum, ver as pessoas por dentro, e promete que tal nunca fará ao seu homem. (cap. VIII)  O Padre convida Baltasar e Blimunda a trabalharem no seu projeto de construção da passarola. (cap. IX)  Quando Bartolomeu parte para a Holanda,, instalando-se em casa dos pais de Baltasar. (cap. X) o casal vai para Mafra  Baltasar pede a Blimunda que, se ele morrer primeiro, veja a sua vontade. (cap. XII)  Blimunda recolhe as 2000 vontades, durante a peste, adoece e é curada pela música de Scarlatti. (cap. XV)  Baltasar, Blimunda e Bartolomeu voam na passarola (cap. XVI)  Baltasar e Blimunda vão ao Monte Junto ver a passarola (cap. XX)  A última noite de amor. (cap. XXIII)  Blimunda procura Baltasar durante nove anos, reencontrando-o num auto de fé . Recolhe a sua vontade. Profª Luzia Carapeto
  • 12.
    A LINGUAGEM EO ESTILO Profª Luzia Carapeto  Transgressão das regras de pontuação, com o objetivo de favorecer a pluralidade de vozes oralizantes que habitam a narrativa.  A estrutura sintática infringe intencionalmente a norma, prestando-se a leituras que alternam o discurso escrito com o oral ou com o discurso monologado.  Extensão das frases e dos períodos, com recurso à coordenação e à subordinação.  Combinação de construções e ritmos da tradição literária com a linguagem coloquial, o uso frequente da ironia e o recurso sistemático a provérbios e ditados populares, muitas vezes reinventados.  Riqueza da linguagem resultante da transgressão ou capacidade de reinventar a escrita, dando-lhe um tom de crónica histórica, quer no género, quer no sentido de quem conversa, com recurso à voz do seu autor, despertando e provocando o leitor.
  • 13.
    A LINGUAGEM EO ESTILO Profª Luzia Carapeto  Abundantes recursos expressivos - metáforas, sinestesias, antíteses, ironia, hipérbato, enumeração, personificação, antítese e paradoxo, anáfora, construção paralelística, jogos de palavras, adjetivação, tempos verbais combinados, …  Utilização de vários registos de língua, do cuidado ao popular  Descrição pormenorizada, com abundantes notações sensoriais.  Ritmo cadenciado como na construção poética. Intertextualidade pela citação ou reinvenção de autores como Camões ou Pessoa, habitualmente ao serviço de uma intenção crítica ou irónica.  Utilização do discurso indireto, direto, indireto livre e monólogo interior.
  • 14.
    A CRÍTICA  Grandesátira ao Portugal da 1ª metade do séc. XVIII, época de luzes e de sombras.  Denúncia do passado para melhor compreender o presente.  Crítica irónica e sarcástica à opulência do rei e da corte, em oposição à miséria do povo.  Sátira aos costumes, nomeadamente ao adultério, à falta de moralidade e hipocrisia do clero.  Vivo repúdio pela atuação da Inquisição.  Crítica ao comportamento do povo que assiste e aplaude os autos de fé.  Crítica dirigida ao sonho megalómano de um rei que sonhou imortalizar-se à custa do sacrifício e trabalho quase escravo morte de todo um povo. Profª Luzia Carapeto
  • 15.
    DIMENSÃO SIMBÓLICA • Oromance é uma alegoria, porquanto a vida humana é construção. • O romance aponta para a utopia, apontando para a construção de um mundo justo e sem desigualdades sociais. O espaço da utopia é a vontade dos homens, já que é pela sua vontade que se alargam os limites da realidade, da lógica, da racionalidade, os limites do possível. • O sonho acalenta a vida do Homem, sendo o querer a força primordial. • Baltasar, Blimunda e o Padre constituem-se como uma nova Santíssima Trindade , mas uma trindade terrestre, cuja capacidade criadora permite a concretização de um sonho - a construção da passarola. “e Baltasar gritou, Conseguimos, abraçou-se a Blimunda e desatou a chorar, parecia uma criança, um soldado que andou na guerra, que nos Pegões matou um homem com o seu espigão, e agora soluça de felicidade abraçado a Blimunda, que lhe beija a cara suja, então, então. O padre veio para eles e abraçou-se também, subitamente perturbado por uma analogia, assim dissera o italiano, Deus ele próprio, Baltasar seu filho, Blimunda o Espírito Santo, e estavam os três no céu.” (cap. XVI) Profª Luzia Carapeto
  • 16.
    Referências bibliográficas SARAMAGO, José- Memorial do Convento, ª ed. Lisboa: Ed. Caminho, ano. ISBN ROCHA, Marina; revisão científica CORTEZ, António Carlos e ASSUNÇÃO, Carlos – Preparar o Exame Nacional Português 12º ano, 1ª ed. Lisboa: Texto Editores, Lda, 2014. ISBN 978-972-47-4852-8 Profª Luzia Carapeto